Notas iniciais
Primeiro capítulo, dependendo do andar da carruagem continuo ^-^

Se pudesse listar itens essenciais para a vida, o primeira seria ela. Desejava toda noite que meus sonhos envolvessem aquela imagem ruiva. Maldita imaginação fértil! Moldava em meus devaneios pessoas perfeitas em que poderia relacionar-me. Pessoas perfeitas que não eram reais. O mais próximo de verídico era o vozear dela, dizendo-me suas vontades e alguns conselhos.

— Você sabe que odeio azul. Não use azul. — ainda que uma ordem, sua voz era aveludada e tão doce que podia sentir o sabor.

Giulia nasceu em um interior. Seus pais? Nunca conhecera, ela morou até seus dezessete com seus tios. Saiu apenas com a roupa do corpo para a casa de uma colega. Nunca retornou. A adolescente ruiva acreditava que tinha talento como pintora surrealista. Porém o pessoal suspirava e mandava-a aperfeiçoar seus desenhos. Com o seu jeito meigo ela proferia aos executivos impropérios e deixava o estabelecimento aos pulos.

— Começo a suspeitar se ser pintora é mesmo meu destino. — disse ela com a face suja de tinta. Te falei que ela é meio supersticiosa? Acreditando em horóscopos e até gastando seus últimos trocados com uma charlatã de beira de estrada? — Thomas, você não diz nada. — reclamou pondo as mãos na cintura.

Não que fosse mal educado, mas toda vez que iria respondê-la sentia o estômago revirar e as palavras fugirem da cabeça. Ela era tão complicada que temia dizer algo que fosse desaponta-la. Uma palavra diga com má entonação já chamava atenção da púbere pedante. Dos atributos mais notórios em Giulia, sua teimosia era o que mais achava graça. Talvez teimosia ou uma boa dose de autoestima.

— Irão quebrar a cara quando ficar famosa. Serei a inovação na arte moderna. — riu confiante. Tentei observá-la com mais atenção, porém Giulia deu de costas evitando contato. — Até que diga sua opinião não virarei. — finalizou birrenta, sabendo que as birras, ao invés de irritar-me, faziam-me enlouquecer ainda mais.

— Ma-ma-mas.. — gaguejei tentando explicar meu silêncio.

Porém ela logo cortou-me.

— Tom! Você falou comigo. — disse Giulia alegremente. Seus olhos castanhos brilhavam de êxtase, uma vez que durante aquele tempo todo não proferia coisa alguma. — Estou sempre falando sozinha, parece até que estou conversando com as paredes.. — explicou com a expressão monótona. — Mas não! Você falou! — festejou pegando minhas mãos e fazendo-me aproximar.

Ela cheirava a sândalo, aliás, ela era meio hippie.

— Me sinto só, Tom. — revelou abraçando-me. E seu cabelo cheirava a canela. — Mas prometa-me que sempre me fará companhia. Quando você não está aqui fica tudo tão preto e branco. Promete? — pediu olhando-me com seus olhos brilhantes. Nem esperei ela terminar, eu assentia com a cabeça freneticamente. — Sabia! Tom, você é o melhor! — sussurrou aproximando seus lábios da minha bochecha.

Tudo tornou-se nebuloso

Notas finais
Continua
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.