Notas iniciais
N/A: Olá leitores!! Eu fiz uma pesquisa de opinião na fanpage perguntando se vocês queriam aguardar pra ler o final na íntegra, ou queriam que eu dividisse e postasse primeiro o Capítulo 3 e depois o Epílogo. Bom, vocês escolheram de maneira quase unânime a divisão! Então aqui está o Capítulo 3 da fanfic, que não tem lemon propriamente dito, mas tem momentos de comédia, romance e explicações. No epílogo haverá um lemon que se passa alguns meses depois dos acontecimentos da fanfic. Então aguardem mais um pouquinho pro lemon final (já comecei a escrever e está ficando grande! Hehehe). Obrigada a Sawako Chan e Aninha Hyuuga pelas recomendações à fanfic! Fiquei muito feliz com os presentes queridas!!

Breaking the 4th Wall

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Capítulo 3

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Sasuke não costumava ser o tipo de pessoa que perdoava fácil, nem que deixava um assunto de seu interesse morrer com tanta facilidade, mas dessa vez Itachi estava com sorte, já que seu irmão estava se comportando bem mais dócil do que ele antevira.

Como Itachi não respondeu absolutamente nada no banheiro da área VIP da Comiket, afirmando que explicaria tudo para Sasuke em breve, ele imaginou que o caçula iria dar o maior piti da face da Terra. Por sorte, talvez ele tenha achado um bom remédio para as revoltas de Sasuke: uma dose cavalar de orgasmos seqüenciais.

Piti? Que piti? Ele chegava a estar manso! Quando Itachi entregou-lhe uma a muda de roupas casuais que estava dentro da mochila e o orientou a trocar a fantasia de maid, afirmando logo em seguida que voltaria dentro de quinze minutos, Sasuke apenas gritou e jogou as orelhas de neko em suas costas, nada além disso! E, acredite, isso era um gesto de docilidade quando se tratava de um Sasuke nervoso.

De qualquer forma, o Uchiha mais novo ainda se sentia relativamente enfezado e frustrado, apesar do grande prazer que acabara de sentir. Para minimizar sua irritação, resolveu se despir daquela maldita fantasia (ato regado de muitos gemidos de dor e desconforto, já que todo o seu corpo parecia arder) e vestiu a nova muda de roupas. Era simples: um par de tênis, uma camiseta preta, um jeans azul escuro e uma cueca (Oh, graças a Deus!), todas peças evidentemente masculinas, e isso fez Sasuke suspirar em alívio. Por fim, lavou as mãos, o rosto, e tentou ao máximo tornar o seu penteado um pouco mais apresentável.

Juntou todos os acessórios e o vestido e se questionou o que fazer com aquilo. Estava quase optando por tentar dar descarga na fantasia de neko-maid quando Itachi voltou ao banheiro, arrancando a roupa de suas mãos e guardando-a novamente na mochila, informando que “Certamente você usará isso em outra ocasião otouto, nem pense em jogar fora!”.

Itachi sobreviveu a essa afirmação e por isso poderia se considerar um homem com sorte. Orgasmos seqüenciais realmente era o remédio contra a fúria de Sasuke! Itachi fez uma nota mental com essa descoberta, pois essa informação certamente era preciosa.

É claro, o Uchiha mais novo estava particularmente chateado. Apesar de não ser capaz de negar que tinha amado a brincadeira dos dois e realmente não se arrependia de nada que havia acontecido, ele queria respostas e Itachi estava deixando-o no escuro sem a mínima vergonha na cara! Só que, no fundo, ele confiava em seu irmão mesmo de olhos fechados e, por isso, decidiu lhe dar uma última chance antes de surtar de vez.

Todavia, se seu Nii-san não revelasse a verdade no próximo destino ele o faria desejar nunca ter nascido!

Independente da frustração de Sasuke, os dois se dirigiram a limousine sem grandes problemas, utilizando a saída VIP (Sasuke precisou de muita ajuda para andar e xingou toda a humanidade à cada novo passo no trajeto). Ao entrar no veículo, Itachi se sentou ao seu lado e começou a observá-lo de maneira sonhadora, enquanto ele permanecia enfezado e com os braços cruzados.

— Você está bravo comigo, otouto? — questionou ludicamente, levando as mãos aos cabelos do irmão e acariciando uma mecha de sua franja.

Sasuke fez um barulho de frustração com a garganta e virou o rosto, gesto que fez o mais velho rir consideravelmente e puxá-lo pelo braço, forçando-o a se sentar em seu colo, abraçando-o com carinho enquanto descansava a cabeça em seu ombro.

— Você é um idiota. — o caçula murmurou baixinho, automaticamente levando suas mãos aos cabelos de Itachi e retribuindo o carinho. Sim, ele estava bravo, era verdade, mas ele era incapaz de ignorar um momento afetivo como aquele: eram extremamente raros.

Se os irmãos Uchiha tinham pouco tempo para transar, eles tinham menos tempo ainda para namorar, trocar carinhos e gestos de afeição. Nos poucos instantes que podiam ficar sozinhos, os dois preferiam transar — eram homens, afinal de contas! Mas isso não significava que Sasuke e Itachi não sentissem falta de um gesto de amor, beijos doces e carícias suaves, de modo que às vezes eles colocavam todos os hormônios de lado apenas para desfrutar de um momento assim na companhia um do outro. Eram momentos preciosos que faziam Sasuke desejar ser capaz de ter um namoro normal com Itachi e não aquela loucura de relacionamento que eles viviam.

Mas agora não é a hora de se martirizar pensando nesse assunto.

— Eu sou um idiota apaixonado. — o mais velho concluiu, abaixando suas mãos pelas costas de Sasuke até a altura de seu traseiro, apertando-o de leve.

Instantaneamente Sasuke puxou seus braços para cima e se afastou um pouco para olhar o primogênito com ares de censura. Ele queria namorar, não transar!

— Não, você é um idiota tarado, tire as mãos daí! — Itachi obedeceu ao comando furioso do mais novo e deslizou suas mãos até o seu rosto com suavidade, forçando-o a fitá-lo nos olhos. Inicialmente o mais novo ficou sem reação, um pouco surpreso pelo gesto, já que esperava que Itachi fosse insistir em boliná-lo por mais alguns minutos, ao menos — Que... o que você...?

Sasuke nem sabia ao certo o que queria perguntar e por isso se calou, tentando interpretar a expressão facial de seu irmão. Não precisou analisá-lo por muito tempo, pois logo Itachi suspirou fundo, amaciou o olhar e confessou baixinho:

— Estou com medo, Sasuke.

— Medo do quê?

— Da sua reação. Se você vai aceitar ou não o que eu vou propor. — Itachi respondeu com sinceridade, voltando a acariciar o rosto de Sasuke com ternura — Eu planejei muito esse dia, mas não posso planejar a sua resposta. Por isso, eu estou com medo.

— Você está me deixando com medo... de novo. — apesar das palavras, Sasuke sorria calorosamente, tentando acalmá-lo. Não era todo dia que ouvia o grande Itachi Uchiha admitir algo assim, e por óbvio ficou preocupado com ele e queria transmitir conforto — Você me conhece melhor do que mesmo me conheço. Não sei o que está planejando, mas sei que você jamais faria algo que eu não fosse gostar.

Itachi sorriu também, desfazendo um pouco suas feições preocupadas e deixando Sasuke consideravelmente mais calmo. Parou de acariciar as bochechas do mais novo e o puxou para mais perto, encostando sua testa à dele e olhando fundo em seus olhos.

— Me beije...

O Uchiha caçula nada fez inicialmente, se perguntando se havia ouvido o comando corretamente. Itachi pedia por um beijo, isso não era algo costumeiro na relação dos dois. Geralmente Itachi não precisava nem pedir por isso, pois o mais novo passava quase a integralidade do seu tempo tentando roubar qualquer tipo de gesto afetuoso dele. Esse comportamento era extremamente peculiar.

— Você está nervoso mesmo, né? — ele concluiu, também segurando o rosto de Itachi com as duas mãos.

Itachi, todavia, não reagiu ao seu toque: apenas fechou os olhos e aguardou.

Sasuke, intimamente feliz pelo pedido do irmão, se curvou para frente e encostou seus lábios aos dele, beijando-o docemente. O Uchiha primogênito o abraçou com mais força, trazendo-o mais para perto de seu corpo, mas foi o mais novo quem comandou, algo que também não era muito comum na relação dos dois.

Era ótimo beijar Itachi, seja lá de qual maneira isso acontecesse. Mesmo que Sasuke controlasse o ósculo no momento, Itachi ainda o mapeava com as mãos e tinha grande dominação sobre as carícias corporais, sem estendê-las à algo mais sexual.

Ele somente alisava a sua cintura e barriga, por cima da roupa, levando suas mãos cada vez mais para cima, massageando todo o corpo de Sasuke de uma forma incrivelmente relaxante, de modo que depois de um tempo o mais novo já estava grogue demais para continuar a comandar o beijo. Itachi reassumiu sua posição predominante, pedindo passagem com a língua ao acariciar os lábios de Sasuke suavemente, mordendo seus lábios e trocando alguns selinhos antes de aprofundar o beijo.

Quando Itachi interrompeu o ósculo e passou a dar atenção para o seu pescoço com mordidas suaves, Sasuke deixou um gemido fraco escapar de sua garganta e o abraçou, trazendo-o para si e segurando o tecido de seu paletó com as unhas firmemente.

— Eu te amo tanto, nii-san. — murmurou baixinho, arrancando um suspiro apaixonado do outro, que evidentemente estava feliz pela declaração também pouco corriqueira entre os dois.

— Agora eu posso “amaciar” com você, otouto? (1) — Itachi murmurou, acariciando os lábios de Sasuke, achando fascinante a maneira como eles se contorceram em um sorriso radiante.

Sasuke enrubesceu de maneira terna perante o olhar de Itachi, e respondeu a pergunta com um singelo afirmativo de cabeça.

E, diferente do último passeio de limousine, os herdeiros Uchihas simplesmente gastaram o restante da viagem namorando de forma inocente: trocando carinhos, beijos, sorrisos e palavras de afeto. Se algum expectador comparasse o comportamento dos irmãos de pouco mais de uma hora e meia com aquele momento, diria que eles pareciam pessoas totalmente diferentes; mas isso seria uma falsa percepção da realidade.

Na verdade, era dessa forma que a relação dos dois geralmente funcionava: Sasuke e Itachi tinham um grande desejo sexual um pelo outro, desejos que nem sempre eram os mais convencionais entre um casal. Contudo, depois que satisfaziam seus caprichos, ambos ficavam especialmente abertos à carinhos e trocas de afeto; só que geralmente a falta de tempo os impedia de agir daquela forma no pós-sexo.

Quando Itachi se deu conta de que já havia passado mais de quarenta minutos e eles já deveriam estar próximos de seu destino final, retirou Sasuke de seu colo e o colocou sentado ao seu lado, procurando novamente outro utensílio na mochila.

— Você não vai me dar outra fantasia agora, não é? — o caçula questionou, um pouco temeroso — Porque eu não sei se consigo transar de novo hoje... Você...

— Shii. — Itachi sibilou, cobrindo os lábios de Sasuke com seu indicador, silenciando-o — Não sou tão cruel como você pensa. Vire-se de costas pra mim.

Sasuke ainda o olhou com desconfiança por alguns segundos, mas no fim resolveu manter sua palavra e confiou em Itachi, movendo-se um pouco no assento do veículo e tentando conter o leve gemido de dor que sentia na sua região traseira.

Deu as costas para Itachi, que imediatamente cobriu seus olhos com alguma coisa. Sasuke levou os dedos ao rosto e sentiu a suave textura do tecido algodão, contornando-o com os dedos e percebendo que ele ia até um nó firme na parte de trás da sua cabeça, finalizado com uma laçada simples.

— Uma venda. — ele constatou, e Itachi respondeu um “uhum” baixinho, mesmo que a afirmação de Sasuke não fosse uma pergunta — Acho que não é uma besteira tão grande assim ficar com medo de você, aniki.

— Ah otouto, confie em mim! — Itachi respondeu entre uma risadinha baixa.

Sasuke deu um sorriso de canto de boca e balançou a cabeça afirmativamente, sentindo a velocidade da limousine diminuir até parar completamente.

Itachi o pegou pela mão, ajudando-o a levantar e sair do veículo. Trocou algumas palavras com o motorista e lhe entregou uma gorjeta (Sasuke já tinha passado por tanto vexame naquele dia que nem se preocupou em imaginar o que homem havia pensado ao vê-lo vendado daquela forma).

— Amor. — Itachi o chamou e, às cegas, Sasuke virou a cabeça na direção de sua voz — Nós vamos ter que andar um pouco.

— Andar? — o mais novo questionou, inclinando a cabeça em um gesto de questionamento — Por que não pediu pra limousine nos deixar na porta?

— Porque chamaria muita atenção e nós não estamos em uma região onde esse tipo de veículo é comum. É bom que nenhuma pessoa daquela quadra nos veja sair de uma limousine. — Itachi respondeu, puxando o braço de Sasuke e dando o primeiro passo — Apenas levante bastante a perna ao andar para não tropeçar. São apenas seis quadras, eu guio você.

— Itachi-nii, eu não estou conseguindo andar direito, lembra? — o Uchiha mais novo reclamou, um pouco emburrado com toda essa história. Podia sempre contar com o seu irmão pra complicar o que era extremamente simples. — Vou tirar a venda então, já tá difícil andar normalmente imagina com... e-... Ei!

Mas Itachi não deu nem sequer um segundo para reclamações: ele simplesmente o pegou no colo e ergueu um metro do chão, levantando-o como havia feito há pouco tempo no centro de convenções. Sasuke se debateu desesperadamente, afinal, eles estavam no meio da rua e ele usava roupas masculinas! Seria um escândalo ser carregado por outro homem dessa forma!

— Itachi-nii!! Me põe no chão agora!! — o mais novo berrou em plenos pulmões, agitando todo o seu corpo de todas as formas possíveis para que Itachi perdesse o equilíbrio e o soltasse.

— Quieto Sasuke, assim você vai cair! — foi a resposta minimalista de seu irmão, que ignorou prontamente os seus protestos e o impulsionou para cima, segurando-o com mais firmeza e imobilizando suas pernas no processo.

— Me solte!! Que ideia é essa?! Nós estamos na rua, nós... Itachi, pare de andar!!

Sasuke fechou os punhos e tentou socar o peito de Itachi, mas o Uchiha mais velho logo abaixou sua venda e o censurou com um olhar mortífero, aquele tipo de olhar que fazia o mais novo jurar que existia um reflexo vermelho nos olhos de seu aniki; Sasuke sentiu seu sangue congelar e desistiu de golpeá-lo.

Itachi cobriu seus olhos novamente e recomeçou a caminhada.

— Alguém pode ver. — o caçula tentou se justificar, falando mais baixo do que outrora — Alguém pode mandar uma foto pro pai, nós...

— Aqui ninguém nem sabe que a gente existe. Fique calmo!

E a discussão continuou durante várias passadas, durando o tempo suficiente para Itachi acelerar o caminhar e chegar logo no destino.

Sasuke ainda estava reclamando com veemência quando seu irmão o botou de volta no chão, e então ele finalmente se deu conta de que não estava pisando mais no concreto da calçada e sim num piso diferente, bem mais liso.

— Nós chegamos? — ele perguntou, levando as mãos para o rosto a fim de tirar a venda; Itachi o impediu, segurando seu pulso com suavidade.

— Quase. Aguarde mais um pouco.

Pelo silêncio, Sasuke constatou que eles estavam sozinhos no ambiente, e por isso ele decidiu cooperar e não retirou a venda, aguardando de braços cruzados a próxima atitude de seu irmão.

O mais velho apertou alguma coisa, pois o som de botões eletrônicos soou no ambiente. Parecia uma senha, de seis dígitos, seguidos por um ruído de destravamento. Sasuke foi puxado para frente, andou dez passos e parou novamente. Ele escutou o barulho de elevador se movendo, o “plim” das portas se abrindo, e logo foi puxado para dentro.

— Nós estamos em um prédio. — Sasuke constatou o óbvio, Itachi até riu de sua inocência.

— Sim.

— Pra qual andar vamos?

— Décimo quinto.

— E o que tem lá?

— Sua surpresa.

Sasuke não fez mais perguntas, aguardando pacientemente enquanto Itachi acariciava discretamente a palma de sua mão com o dedo anelar.

— Eu espero que você goste. — ele murmurou baixinho, incerto e um pouco apreensivo, curvando-se para frente e roubando um selinho de Sasuke numa tentativa de se acalmar.

— Confio em você. — Sasuke respondeu, segurando o rosto de Itachi e retribuindo o selinho roubado com um beijo um pouco menos inocente, mas ainda sim breve.

Esse gesto pareceu acalmar consideravelmente Itachi; Sasuke sempre sabia o que fazer para controlar um pouco as emoções de seu irmão, e talvez por isso eles se dessem tão bem como amantes.

Segundos depois, ouviu o “plim” novamente e foi guiado para fora do elevador, enquanto Itachi retirava um chaveiro barulhento do bolso.

— Nós estamos em outro hotel? O nosso tinha cartão pra destravar a porta, não chave.

Itachi não respondeu e o caçula sentiu seu coração bater mais forte em ansiedade. Onde eles estavam? Por que ele se sentia daquela forma, tão ansioso? A troco de quê Itachi estava fazendo todo aquele mistério?

— Ei!!! — Sasuke protestou em voz alta ao sentir Itachi carregá-lo em seu colo mais uma vez — De novo não!!

— É pra dar sorte! — foi a resposta divertida de seu irmão, mas logo depois de dar três passos, ele o botou no chão novamente e levou as mãos para a sua venda, retirando-a de sua cabeça em um movimento só — Pode abrir os olhos, otouto...

Sasuke obedeceu ao comando, piscando algumas vezes para tentar se acostumar com a claridade e compreender melhor o ambiente onde se encontrava, dando alguns passos à frente enquanto apreciava a decoração.

Estava no meio da sala de um apartamento residencial compacto, menor do que um apartamento familiar, mas maior que uma quitinete. Havia uma cozinha interligada com a sala e os dois ambientes eram separados por um balcão que fazia às vezes de mesa de jantar. Um corredor seguia à sua esquerda e também havia uma porta solitária a sua direita, bem como uma sacada ao final da sala. A decoração era bonita, bem mais simples do que Sasuke estava acostumado a ver em sua casa, mas ainda sim aconchegante e sem exageros — um lar no estilo que Sasuke gostaria de morar. Ao todo, os moveis dos dois ambientes eram de seu agrado, bem como a predominância das cores preto e vermelho na decoração, as suas favoritas.

— De quem é esse apartamento? — Sasuke questionou, virando-se para Itachi e o observando com genuína curiosidade — Você emprestou pra gente não ficar no hotel?

Itachi abriu e fechou a boca diversas vezes enquanto passava os dedos nos cabelos, empurrando sua franja teimosa para trás, mas ela logo voltava à posição inicial. Sasuke reconhecia essa movimentação de Itachi, porque ele costumava mexer em seus próprios cabelos enquanto buscava inconscientemente por auto-conforto; de fato, ele estava nervoso e Sasuke não compreendia os motivos para aquele comportamento.

— O que houve, aniki? — Sasuke questionou, dando um passo a frente e tomando o rosto de Itachi com as suas mãos mais uma vez — Por que você está assim?

— Porque ele quer te chamar pra morar nesse apartamento, mas está morrendo de medo da sua resposta, Sasuke. — uma voz soou próxima do caçula, que se virou subitamente, surpreso por não ter percebido até o presente momento que tinham companhia naquele local.

— Kakashi, o que você tá fazendo aqui!? — Sasuke questionou, enquanto Itachi praticamente rosnava de frustração e tirava as mãos de Sasuke de seu rosto, encarando Kakashi com uma ira que só podia significar sua infelicidade ao vê-lo naquele lugar, especialmente naquele momento. Decerto Itachi também não tinha percebido que tinham companhia.

Kakashi estava ali, usando roupas casuais, escorado em sua parede, lendo a maldita pornografia de sempre (como ele ainda não decorou esse livro?). Parecia concentrado em sua leitura e não olhava para os irmãos, apesar de evidentemente prestar atenção na presença deles.

— Obrigado por estragar tudo Kakashi. — Itachi falou com irritação, dando um passo a frente e deixando Sasuke totalmente abobalhado para trás — Era pra ser uma noite inesquecível, o que diabos você tá fazendo aqui!?

O grisalho ergueu o olhar de sua leitura e encarou o Uchiha primogênito finalmente, parecendo se divertir com a forma como ele demonstrava frustração.

— Ah Itachi, eu te conheço tanto que tive que vir dar uma força. — ele disse, fechando o livro, guardando-o no bolso e dando de ombros — Você não ia ter coragem de falar, você tem uma alucinação bizarra de que o Sasuke não iria aceitar e morre de medo de perdê-lo. Quantas vezes você tentou tocar no assunto com ele e depois apareceu frustrado consigo mesmo lá no meu quarto, reclamando da sua covardia?

Itachi estreitou o olhar, definitivamente odiando a resposta. Pelo jeito, não queria que Sasuke ficasse sabendo dessas conversas.

— Mas hoje seria diferente!!

— Igual aquela vez no bimestre passado quando você tinha jurado pra mim que ia contar pro Sasuke antes de fazer o registro da escritura pública?

O moreno mais velho até corou com aquela lembrança; Kakashi se controlou para não rir.

— Mas aquela vez...

— Itachi... — a voz sem fôlego de Sasuke soou baixinho, calando Itachi e o fazendo voltar sua atenção para o mais novo na seqüência e prestando atenção em sua aparência: Sasuke parecia surpreso, com os olhos arregalados e sem foco, tentando entender o que acontecia ali — Você realmente...?

O Uchiha mais velho se aproximou rapidamente de Sasuke e, mais uma vez naquele dia, segurou o rosto dele com as suas duas mãos, forçando-o a o encarar e recobrar o foco.

— É verdade — ele sussurrou, bastante assustado por não conseguir decifrar os sentimentos de seu irmãozinho naquele momento — Eu comprei esse apartamento pra gente, para nós morarmos juntos. Nós temos o consentimento dos nossos pais, apesar de eles ainda fingirem que não sabem de nada sobre o nosso relacionamento.

— Um apartamento. — Sasuke disse com a voz neutra, ainda sem fôlego, mas sem dar dicas da sua resposta; Itachi engoliu em seco. — E nossos pais sabem...

Kakashi soltou uma risadinha baixa e deu um impulso com o pé na parede, caminhando até o casal e colocando algo na mão de Sasuke.

Uma chave? — o Uchiha mais novo concluiu, olhando para o objeto de metal com interesse.

— Estou no andar de baixo e as regras são as seguintes: entrada proibida entre as dez da noite até as dez da manhã, nesse período eu vou fechar com a trava interna. Fora isso, se aparecer ao meio-dia me traga almoço; se não, não entra.

Mas o caçula não parecia acompanhar muito bem a explicação do grisalho, e agora exibia um olhar ainda mais confuso.

— O que é isso?

— A chave do meu apartamento Sasuke. — Kakashi respondeu, dando uma piscadinha para o mais novo ao perceber que ele havia finalmente compreendido — Eu sabia que vocês não conseguiriam ficar muito tempo sem a minha presença, então não vou ficar muito longe dos meus Uchihas favoritos.

— Você que não consegue deixar a gente em paz... — Itachi murmurou entre os dentes, e Kakashi voltou sua atenção para ele, apontando o dedo para o seu rosto.

— E você, modos. — falou com censura, cada vez parecendo se divertir bastante com toda situação — Estou no andar de baixo e quero dormir sem o Sasuke gritando a noite toda.

O grisalho se inclinou para perto de Sasuke, murmurando uma pequena constatação antes de deixar os pombinhos à sós.

— E Sasuke, pega leve essa noite, você está até mancando. Se exagerar é capaz de precisar de uma cadeira de rodas amanhã.

O Uchiha mais novo corou da cabeça aos pés, mas antes de decidir se brigava com Kakashi (ou Itachi, que tentava esconder uma risada com um ataque de tosse), o grisalho saiu da casa, trancando a porta atrás de si com duas voltas de chave. Pelo jeito, Kakashi também tinha a cópia do apartamento deles.

— Droga, ele tirou uma cópia enquanto eu estava dormindo... — Itachi murmurou irritado, mas decidiu não pensar muito no assunto: seria impossível manter Kakashi longe por muito tempo, ele sabia que cedo ou tarde o grisalho também teria uma cópia, já que ele mesmo entregou uma cópia da sua chave pra Itachi e, agora mesmo, para Sasuke.

E definitivamente essa é a menor preocupação do momento... — o primogênito concluiu, abaixando sua mão e segurando a de Sasuke, trazendo a atenção do mais novo de volta para si.

— Diga alguma coisa... — ele pediu com a voz fraca.

Sasuke suspirou baixinho, dando um passo curto a frente e descansando sua cabeça no ombro de Itachi. Instintivamente o mais velho o abraçou e começou a acariciar seus cabelos com a mão livre.

— Eu não acredito que você tinha pensado que havia uma possibilidade de eu não aceitar... — ele comentou, depositando um selinho no pescoço de Itachi e sentindo os braços dele o envolverem ainda mais forte — Não foi tudo que a gente quis? Sair daquela vida doida e da agenda desumana do nosso pai?

— Sim, mas eu sempre quis te tirar de lá quando o padrão de vida continuasse o mesmo, quando eu assumisse a diretoria. — Sasuke se afastou um pouco, observando Itachi enquanto ele se explicava — Só que acabou surgindo essa oportunidade, e apesar do padrão ser um pouco inferior, eu pensei que...

— “Padrão inferior”? — Sasuke questionou, franzindo o cenho — O que quer dizer com “padrão inferior”?

— Sasuke, isso aqui é um apartamento de classe média-baixa. — Itachi explicava pacientemente, tentando fazer Sasuke entender que não estava desmerecendo o imóvel — Nossos pais permitiram a nossa saída, mas não apoiaram minha decisão, e por isso não vão nos ajudar financeiramente, nós teremos que começar do zero. Não teremos criados, não teremos espaço, nem móveis de ponta, nem comida pronta a todo momento, nem...

Sasuke o calou com um beijo, muito bem dado, para ver se Itachi deixava de ser besta. Quando desprendeu seus lábios dos finos de seu amado, o segurou pela raiz dos cabelos e o forçou a encará-lo, observando-o de uma forma totalmente penetrante.

— Não me deixe ter a impressão que você pensa que eu sou tão fútil dessa forma.

— Eu sei que você não é fútil, irmãozinho. — Itachi respondeu, deixando um sorriso torto brotar em seus lábios — Se fosse fútil, não me deixaria te comer no chão de um banheiro público, mesmo estando limpo.

Sasuke corou um pouco com a lembrança, mas se esforçou para não deixar a temática da conversa mudar.

— Então por que acha que todas essas coisas são importantes pra mim?

— Não é que elas sejam importantes otouto, mas é uma questão de costume. — ele explicou, tirando a mão de Sasuke dos seus cabelos e agarrando as duas mãos do mais novo, beijando os dedos com carinho — Não vai ser mil maravilhas como você imagina, a gente nem sabe cozinhar, muito menos limpar uma casa. Vai ser complicado se acostumar no começo e eu não queria ter que passar por essa fase de adaptação com você. Por isso o plano inicial era manter o padrão, mas chegou a um ponto que eu não agüentei mais esperar; eu espero que você entenda e aceite começar uma vida mais simples comigo.

Sasuke tapou a boca de Itachi e levou o dedo indicador da outra mão aos seus próprios lábios, fazendo o gesto de quem pedia silêncio.

— Eu aceito... — ele disse, sentindo os lábios de Itachi formarem um sorriso radiante debaixo de sua mão — Mas só se a gente puder fazer sexo na cozinha; afinal, não ter criados também tem suas vantagens, nii-san... (2)

Itachi deixou uma risadinha escapar de seu nariz e mordeu a palma da mão de Sasuke, indicando que estava bastante interessado nessa história de “sexo na cozinha”. O caçula, no entanto, retirou a mão da sua boca e se afastou um pouco.

— Mas não agora. — ele disse, fazendo Itachi praticamente choramingar de frustração — Você tem muita coisa pra me explicar e eu estou sem paciência para esperar mais.

— Ahh Sasuke, tenha dó! — Itachi falou, se aproximando do mais novo novamente e puxando-o pela cintura, unindo o baixo ventre dos dois — Vamos consumar nossa união, inaugurar nossa casa!

O Uchiha mais novo girou os olhos, tentando se afastar de Itachi, que o agarrou ainda mais forte, impedindo-o de escapar.

— Você já entrou comigo nos braços que nem uma noiva Itachi, qual o próximo passo? Me dar uma aliança? — ele questionou, levemente irritado.

Sasuke não estava brincando quando disse que exigia respostas. Ele mesmo chegara a conclusão de que aquela era a última chance de Itachi, e o seu irmão mais velho parecia desperdiçá-la sem pensar duas vezes.

— Só se você usar o modelo feminino, com pontos de luz. — o outro respondeu, aparentemente não percebendo que Sasuke já estava no limite de sua paciência.

Sasuke mostrou o dedo do meio e Itachi mais do que rapidamente envolveu seus lábios ao redor do dedo e chupou forte. O caçula suspirou fundo duas vezes, piscou os olhos com força, mas por fim simplesmente agarrou outro Uchiha pela gola da camisa e o guiou até o sofá; desta vez, o mais velho permitiu a movimentação brusca.

— Nem uma palavra... — Sasuke grunhiu e Itachi interpretou aquilo como um sinônimo de excitação.

— Você é tão hormonal, otouto. — ele sussurrou, dando um beliscão no traseiro de Sasuke enquanto ele o puxava para o sofá, divertindo-se com o tapa que recebera na mão em retorno.

Chegaram ao destino e Sasuke o empurrou, obrigando-o a se sentar; Itachi praticamente despencou no sofá, mas aproveitou a movimentação para puxar o mais novo consigo. Sasuke caiu sentado no colo de Itachi, friccionando virilha contra virilha com o impacto e arrancando um gemido dos dois.

— Putz... Ah Sasuke... — o Uchiha mais velho murmurou, puxando Sasuke pela gola e mordiscando o lóbulo de sua orelha enquanto falava — Você realmente aguenta mais uma vez?

— Por que não tenta descobrir? — o mais novo sussurrou sensualmente contra o seu ouvido, ganhando uma mordida forte no pescoço em resposta.

Mais do que rapidamente, Itachi arrancou a maioria das roupas de Sasuke. Nenhum dos dois pareceu se importar com o barulho alto de tecido rasgando, mas sabiam que Itachi que deveria ter estragado alguma peça de roupa de Sasuke. Dentro de instantes o mais novo estava apenas de cueca.

Itachi mordia a pele branca e salgada pelo suor das “atividades anteriores” em vários pontos de seu corpo, arrancando gemidos impudicos e necessitados de Sasuke que, por sua vez, tentava se concentrava e abrir o cinto da calça social de Itachi.

— Então agora a gente vai ter uma vida de casado, aniki? — Sasuke murmurou docilmente no ouvido de Itachi, ganhando um grunhido como resposta e uma mordida forte em seu pescoço — Hum??

— Sim... — ele sibilou, tentando arranjar alguma coerência e formar palavras enquanto sentia tanta lascividade por um sexo de consumação — Droga Sasuke, eu até queria casar de verdade com você, mas esse é o máximo que dá pra fazer.

— Isso basta, eu estou muito feliz!

Itachi não duvidou. Sasuke sorria tão largamente, seus olhos chegavam a brilhar de alegria. Se o caçula não fosse tão orgulhoso, provavelmente estaria chorando naquele momento — apesar de Sasuke gostar de uma submissão leve, ele ainda tinha muito orgulho Uchiha correndo em suas veias. Droga, até Itachi estava com vontade de chorar, se sentia tão aliviado e genuinamente radiante pelo irmão mais novo ter aceitado seu convite.

— Eu te amo. — o mais novo falou, dando um beijo na ponta do nariz de Itachi e ganhando um suspiro contente.

— Eu te amo mais. — foi o que ele respondeu, mantendo os olhos fechados e acariciando as curvas de Sasuke com as mãos, agarrando suas nádegas com força e decidindo que as declarações de amor já estavam de bom tamanho por hoje.

Ele queria ação!

— Mas como todo bom esposo, você precisa ser devidamente educado, nii-san.

Isso dito, Sasuke se colocou de pé em um pulo, fazendo Itachi piscar duas vezes, completamente perdido ao sentir o peso de Sasuke deixá-lo. Abaixou o olhar e se deu conta de que seu irmãozinho juntava as roupas do chão.

— O que... O que você está fazendo!?

Itachi também ficou de pé, tentando segurar sua calça para não cair com essa movimentação (afinal, o seu irmão chegou a abrir seu cinto, botão e zíper), mas Sasuke empurrou seu peito, forçando-o a se sentar no sofá mais uma vez.

— Hoje você dorme no sofá. — Sasuke respondeu, com o tom de voz levemente irritado, escondendo o seu divertimento ao falar aquilo.

Se Itachi queria brincar de casinha, deveria respeitar as suas regras.

O quê?! — o mais velho respondeu, totalmente indignado — Você gostou de tudo que fizemos hoje Sasuke, nem vem com drama pra cima de mim agora!

— Eu amei Itachi, faria tudo novamente. — o mais novo respondeu, aproximando-se do mais velho novamente e puxando sua gola, encarando-o bem de perto, seus lábios quase encostando à sua boca uma vez — Eu amo quando você judia de mim, amo dar pra você, amo me humilhar pra você... Adorei ser sua neko-maid essa tarde, faria de novo todo santo dia.

Itachi acariciou os lábios de Sasuke com a língua, mas a caricia não durou muito e nem se converteu em um beijo, pois o maldito simplesmente o mordeu. Não foi forte, mas revoltante o suficiente para fazê-lo xingar em voz alta.

— PUTA QUE PARIU SASUKE! — ele grunhiu, estreitando o olhar furiosamente.

— Olha como fala da mamãe. — Sasuke o censurou, definitivamente se divertindo com tudo aquilo. Novamente se afastou de Itachi, agora com as roupas seguras em seus braços — Você vai dormir no sofá não por ter me comido daquele jeito maravilhoso, nii-san.

— Então por quê!?

— Pra aprender a não me enrolar desse jeito. — Sasuke respondeu, decidido a mudar de opinião em seu veredito — Essa era a sua última chance de me contar a verdade e você desperdiçou. Ah, e amanhã quero um relatório de explicação junto com o meu café, você sabe né: puro e sem açúcar.

Itachi, acreditando que ainda dava tempo de arrumar a situação, tentou se explicar. Todavia, ao abrir a boca para se pronunciar, Sasuke se inclinou para frente e enfiou a mão dentro de sua cueca, liberando seu membro em questão de segundos, fazendo-o perder o fôlego instantaneamente.

— Putz! — o mais velho deixou escapar, jogando a cabeça para trás no encosto.

Aquela movimentação o pegou de surpresa e ele não estava pronto para sentir prazer naquele momento. Sasuke não ajudava nada a sua libido ao masturbá-lo daquela forma, de modo que ele não conseguia pensar direito e entender a intenção do mais novo. Respirando fundo, Itachi decidiu se pronunciar entre um gemido de prazer.

— Otouto, se decide de uma vez!

Sasuke riu baixinho, aumentando a intensidade da punheta e ganhando um grunhido de satisfação de Itachi.

— Eu já me decidi, amor. — o mais novo respondeu, agarrando a mão do mais velho com a sua mão livre e entrelaçando os seus dedos ao dele de uma forma carinhosa e meiga.

Tal gesto fez com que Itachi concluísse que Sasuke estava apenas brincando com ele e que iria sim ceder a mais uma rodada de sexo; Itachi já estava até pensando em sair do sofá e arrastar Sasuke para a cozinha (e era culpa do mais novo ele ter esse tipo de fantasia agora).

Contudo, depois de poucos segundos, Sasuke colocou a mão de Itachi dentro de sua própria cueca e encerrou subitamente a masturbação que realizava; por fim, retirou sua mão do corpo de Itachi e se afastou, olhando-o com desejo, paixão e determinação.

Ele queria ceder, mas não iria ceder... Não dessa vez. Estava furioso demais pra isso. Itachi realmente precisava aprender uma lição aquela noite.

— Sasuke... não... — Itachi choramingou, apertando a base de seu pênis na esperança de manter a ereção e conseguir convencer Sasuke a voltar pra perto de si.

Mas o Uchiha caçula estava decidido e, por isso, deu dois passos para trás, encarando o olhar grogue de Itachi com ares de superioridade e vitória.

Itachi, ainda levemente afetado pelo prazer, não tirou a mão de dentro de sua cueca, mas ergueu a cabeça e encarou o mais novo com esperança.

— Quer que eu seja a “esposa”, né? — Sasuke respondeu, com um sorriso sacana nos lábios — Então bem vindo à vida de casado, nii-san.

Sasuke o assoprou um beijo e lhe deu as costas. Itachi quase gemeu alto ao ter a visão do traseiro ainda encoberto pela roupa íntima, mas que exibia marcas visíveis e grandes de unhadas. Seus arranhões, marcas que ele mesmo havia deixado naquele corpo há pouquíssimo tempo.

De certa forma, Itachi estava furioso por Sasuke lhe dar as costas dessa forma. Mas ele sabia que naquele momento nenhum tipo de ordem seria acatada, pois Sasuke estava sim muito revoltado. Itachi pisou na bola, ele sabia disso (apesar de não admitir), mas ainda sim ele queria tanto o mais novo... Céus, tudo que ele queria naquele momento era que Sasuke voltasse ao seu colo e falasse “É brincadeirinha, nii-san!”.

Mas isso não ia acontecer, e ele sabia muito bem disso.

— Sasuke, não faz isso comigo. — sua voz soou chorosa até mesmo para os seus ouvidos.

Se de nada adiantaria ordenar, ele iria tentar usar a tática do mais novo. Afinal, com ele costumava funcionar o dengo de Sasuke, quem sabe funcionasse a inversão de papéis.

E, aparentemente, surtiu efeito, pois Sasuke quase cedeu e voltou para o colo de Itachi. Quase. Mas não o fez, afinal: quando o orgulho Uchiha está em jogo, não há dengo que dê xeque-mate.

— Ah faço, ô se faço!

Dentro de poucos instantes, Itachi estava sozinho na sala, ouvindo o barulho da porta do quarto de casal bater e a chave trancar a fechadura. Sasuke obviamente tentou entrar na primeira porta e percebeu que se tratava do quarto dos dois, e por isso não explorou os outros cômodos da casa (o que era bom, pois Itachi tinha que mostrar um monte de coisa e não queria que ele estragasse a surpresa).

Itachi suspirou, desfazendo o seu dengo inútil. Mesmo sob a perspectiva de dormir na sala, de castigo e literalmente “na mão”, Itachi sorria com extrema felicidade: ele, finalmente, estava morando sozinho com Sasuke, com o amor de sua vida, e não era uma simplória noite no sofá que iria destruir o seu excelente humor.

.

(***)

.

Naquela manhã, Sasuke resolveu dormir até um pouco mais tarde. Acabou levantando da cama somente às dez horas da manhã (algo que nunca fez na vida) e foi direto tomar um banho minucioso. Ele tinha desabado de sono assim que entrou no quarto, nem cruzou a sua mente a possibilidade de tomar um banho, apesar de saber que se arrependeria de dormir sem banho pela manhã.

Mesmo acordando ansiando por um banho quente, ficou satisfeito em perceber que já estava “pronto pra outra”: qualquer pessoa que fizesse o que Sasuke fez no dia anterior não estaria disposto a fazer sexo por pelo menos três dias, já que o corpo costumava pedir por misericórdia e ficava dolorido por algum tempo, mas ele não era assim.

Kakashi que enfie a “cadeira de rodas” no rabo dele... — pensou, sentindo-se especialmente satisfeito consigo mesmo naquela manhã.

Sasuke tinha uma libido realmente invejável e uma recuperação física muito boa, sua estamina retornava totalmente depois de algumas horas de sono e, ao menos aparentemente, seu corpo também voltava à normalidade, de modo que ele amanheceu sem dores no corpo, em especial na sua região traseira. Itachi dizia que Sasuke era um amante perfeito por conta dessa sua característica física e Kakashi, o pervertido, dizia que o esperma de Itachi deveria ter substancias cicatrizantes, porque isso não era nada normal.

Sasuke nunca negava quando Kakashi falava essas coisas, apesar de Itachi sempre iniciar uma briga com o mais velho quando provocações do gênero aconteciam. Ainda sim, quem Sasuke queria enganar? Talvez se fosse outra pessoa o seu namorado, e não Itachi, ele não teria tanta disposição e recuperação física assim. Era a “química” que possuíam que o fazia viver tão disposto para o sexo, não havia outra explicação.

Quando saiu do banheiro Sasuke deixou de lado a intenção de vestir roupas assim que sentiu o cheiro do ambiente: queimado. Algo estava queimando no apartamento, e queimando feio. Nem se incomodou em por um roupão, simplesmente saiu do quarto com a toalha enrolada na cintura e correu para a sala, preocupado com Itachi e com a possibilidade de algum eletrodoméstico ter dado curto circuito e colocado o apartamento em chamas.

Assim que chegou ao ambiente conjugado sala-cozinha, percebeu que estava certo. Sim, alguma coisa havia queimado, porque a fumaça no ar estava bastante perceptível. Preocupado, buscou seu irmão com o olhar, e o encontrou sentado no banquinho do balcão, enfezado e com os braços cruzados.

— O que aconteceu!? — Sasuke questionou entre uma tossida e outra, correndo em direção ao mais velho e agarrando sua mão — Vamos sair daqui!

— Me solta Sasuke. — Itachi respondeu, irritado, puxando o braço para longe — Eu já abri a janela, o cheiro já vai sair.

Foi então que Sasuke percebeu que não havia chamas nem curto circuito no apartamento, e a expressão contrariada de Itachi só poderia significar uma coisa:

— Você tentou cozinhar? — ele questionou, abaixando o olhar e procurando alguma panela ou prato de comida que denunciasse a tentativa frustrada de Itachi.

Logo encontrou uma frigideira com algo completamente carbonizado dentro, jogada de qualquer jeito na pia; era de lá que vinha toda aquela fumaça. Sasuke caiu na gargalhada, tentando agarrar Itachi e provocá-lo um pouquinho.

O Uchiha primogênito, no entanto, não parecia muito feliz com o que aconteceu.

— Eu disse que não seria fácil. — o mais velho respondeu, emburrado, evitando o olhar de Sasuke, evidentemente envergonhado por ter conseguido a façanha de queimar algo daquela forma.

— Oh meu Deus, eu preciso mandar uma foto disso pro Kakashi! — Sasuke disse, pensando em voltar pro quarto para pegar seu celular para registrar logo aquele momento inédito. A legenda da foto seria: “O prodígio Uchiha”.

Mas Sasuke nem precisou procurar seu celular, pois quando virou as costas para ir buscá-lo ouviu a voz de Kakashi soar, um pouco baixa, mas ainda sim bem audível:

— Não se preocupe Sasuke, eu já estou ciente do que o Itachi fez, está empesteando meu apartamento também! — o grisalho reclamou do andar de baixo; os Uchihas conseguiram escutar porque ambas as janelas estavam abertas no momento — Vou dar uma matricula de curso de culinária pra vocês de aniversário. Ah, Sasuke, lembra aquilo que eu disse de “se vier no meu apartamento na hora do almoço, traga comida”? Pode esquecer!

Sasuke aumentou ainda mais a intensidade de sua gargalhada e Itachi suspirou irritado, se levantando e se aproximando da pia, abrindo mais a torneira e percebendo que ao encher a frigideira de água a fumaça diminuía bastante.

Sim, os dois eram tão alheios a assuntos culinários que sequer sabiam desse detalhe.

Sasuke ouviu Kakashi fechar a janela de seu apartamento e soube que ele e Itachi adquiriram privacidade novamente. Por isso, resolveu tentar agradar Itachi e melhorar seu péssimo humor matinal.

— Por que você tentou cozinhar!? — indagou entre o riso, se aproximando-se do mais velho e o abraçando por trás.

O caçula achava toda aquela situação extremamente adorável, pois jamais imaginou que Itachi fosse capaz de dar um deslize daqueles. Era reconfortante perceber que seu irmão não era tão perfeito quanto aparentava ser, e que agora ele poderia tirar sarro disso o resto de sua vida.

Apesar de tudo, tirar sarro de seu irmão é uma das melhores coisas que existem na face da Terra. Mesmo que Itachi fosse seu amante, será sempre seu irmão em primeiro lugar e tirar sarro dos irmãos é uma lei que deve sempre ser cumprida.

— Você não pediu pra eu fazer café pra você? — Itachi respondeu, indignado — Eu tentei fazer, oras!

Sasuke, ainda rindo da situação, olhou para o balcão e viu que havia algumas coisas em cima da mesa, como torradas, geléias, manteiga, e uma garrafa térmica de café. Ele sorriu e voltou sua atenção para Itachi, enfiando o rosto na dobra de seu pescoço e inalando o cheiro de fumaça que seu amante depreendia da pele.

Sasuke nunca imaginou que um cheiro como aquele pudesse ter efeitos afrodisíacos. Vai ver era a tentativa de agrado de Itachi em si que deixava tudo muito sexy, já que, querendo ou não, Itachi tentou fazer algo que não sabia fazer por ele, e Sasuke costumava se sentir excitado toda vez que recebia um agrado de seu irmão; seja ele sexual ou não.

Não era segredo algum que Sasuke tinha uma personalidade bastante sexual. Ainda sim, ele não pretendia se render aos seus anseios naquele momento, pois ainda tinham muito o que conversar até ele perdoar Itachi de uma vez e dar a ele a “comemoração” que tanto desejava.

— Acho que eu estou te amando três vezes mais agora. — Ele murmurou, dando um beijinho estalado na orelha de Itachi e fazendo-o resmungar de dor — Obrigado pela tentativa, vamos comer o que é comível.

— Você é “comível”, Sasuke. — Itachi respondeu, girando os dois e prendendo-o contra a pia, dando um beijo sensual em seu queixo — Não era você que queria transar na cozinha?

— Nós vamos tomar café, você vai me explicar tudo que tem que ser explicado, e daí eu vou pensar no seu caso. — Sasuke respondeu, irredutível, conseguindo escapar da pegada de Itachi e puxando-o pelo braço para que eles voltassem ao balcão.

Guiou Itachi até um dos bancos altos e aguardou que ele se sentasse, o que ele acabou fazendo, mesmo que um pouco relutante. O banco de Sasuke estava do outro lado da bancada, mas ele fez questão de puxá-lo para se sentar ao lado de Itachi.

— E então... — o Uchiha mais novo falou, alcançando o açucareiro — Como foi sua noite de “casado”?

— Ainda estou esperando as núpcias...

Itachi, apesar de ter respondido, prestava mais atenção no que Sasuke fazia do que em suas palavras. Assistia o garoto colocar quatro colheres de açúcar na própria caneca, não entendendo porque ele fazia isso, já que açúcar era algo que Sasuke detestava amargamente.

— O que deu em você pra adoçar o café? — Indagou, observando o seu irmãozinho alcançar a garrafa térmica e encher o recipiente de café preto — Você odeia açúcar!

— Uhum, eu odeio mesmo. — ele respondeu, mexendo o café com a colherzinha para dissolver o açúcar — Mas você adora.

Sasuke colocou a caneca na frente de Itachi, que amaciou sua expressão irritada quase que instantaneamente. Satisfeito, o caçula sorriu, inclinando-se para frente e beijando de leve a boca de seu amado.

— Não fique tão irritado com você mesmo, isso que aconteceu vai acontecer mais vezes até a gente aprender a nos virarmos sozinhos. Isso faz parte do nosso aprendizado. — ele sussurrou, ganhando um beijo mais intenso como resposta. Ao se separarem, Sasuke pegou a caneca e colocou nas mãos de Itachi — Obrigado por tentar cozinhar pra mim.

— Um dia eu vou cozinhar de verdade pra você, otouto. — Itachi respondeu, levando o café aos lábios e fazendo uma careta — Isso está horrível.

— Botei muito açúcar? Achei que pra você nunca era demais.

— Não, eu que errei. Acho que botei pouco pó de café, está fraco.

Sasuke sorriu, balançando a cabeça e pegando novamente a garrafa térmica. Roubou a caneca vazia que estava na frente de Itachi e colocou um pouco de café, tomando um gole e imitando a careta de Itachi.

— Tá péssimo mesmo. Argh! Mas eu ainda te amo. — ele disse entre o riso compartilhado, forçando o resto do líquido fraco para dentro em dois longos goles.

Procurou algo seguro para comer na mesa, optando por tentar saborear uma torrada pura (era impossível Itachi ter estragado algo que deve ter comprado pronto no supermercado, não é mesmo?). A primeira mordida foi segura, a torrada estava em condições de ser ingerida.

— Então, comece a falar. — ele murmurou sem mais rodeios, dando mais uma mordida na torrada seca.

— Hmm... — Itachi fez um barulho de contemplação com a garganta, alcançando uns papeis que estavam do outro lado do balcão e entregando-os para Sasuke — Aqui está seu relatório.

— Você realmente fez um relatório? — o Uchiha mais novo se surpreendeu, esticando a mão e analisando o calhamaço de folhas A4.

— Não fiz um relatório, são documentos que eu já tinha te separado pra mostrar pra você, mas eu tinha pensado em mostrar depois que...

— Shii, me deixa ler.

Sasuke sorriu de leve, um pouco satisfeito por ter conseguido tudo que havia pedido na noite anterior. Itachi estava dócil, bem menos dominador naquela manhã; e apesar do caçula gostar da submissão, ele também gostava de variar um pouco.

Itachi, no entanto, não gostou muito de ser interrompido daquele jeito e beliscou a metade da coxa descoberta pela toalha de Sasuke, com força e deixando uma marquinha vermelha.

— Eu vou te foder até você desmaiar por ter me feito dormir no sofá e você sabe disso... — Itachi sibilou, observando o mais novo beber o café enquanto pegava os papeis para ler, parecendo totalmente despreocupado com a ameaça ou o beliscão.

Não tinha porque Sasuke ficar preocupado com algo que ele desejava, não é mesmo?

— Isso também faz parte do seu pedido de desculpas, então não fale como se fosse algo ruim.

Itachi riu em descrença, balançando a cabeça negativamente enquanto recebia uma piscadinha divertida de Sasuke. O Uchiha mais jovem parecia realmente ter um ótimo humor aquela manhã!

E como se lesse sua mente e desejasse provar isso, Sasuke se levantou de seu banco e sentou em no colo de Itachi. Apesar do mais velho estar levemente irritado, acabou circundando os braços ao redor da cintura do mais novo, observando-o com adoração e desejo enquanto o mais novo lia os documentos.

Sasuke ainda estava com a toalha presa firmemente em sua cintura, mas Itachi já brincava com o nó e ele sabia que era uma questão de tempo até ela escorregar de sua cintura e ser esquecida no chão da cozinha. O primogênito Uchiha lhe dava leves beijinhos no pescoço e ele, por sua vez, propositalmente rebolava de tempos em tempos em seu colo, provocando-o cada vez mais e sentindo “algo” endurecer rapidamente abaixo de seu traseiro.

Mas em um determinado momento Sasuke parou de rebolar e abaixou o calhamaço de papeis na mesa, depositando sua caneca no balcão e encarando Itachi nos olhos com seriedade.

— Ali diz que “Sasuke” e “Itachi” são personagens de um mangá, chamado Naruto.

— Isso.

— De autoria de Masashi Kishimoto.

— Aham.

— Eu não acredito que você deixou o Kenji Taira fazer isso... (3)

Itachi se admirou por Sasuke se lembrar dessa pessoa e fazer a associação entre eles tão rapidamente. Ele acreditava que teria que explicar tudo tim-tim por tim-tim, mas pelo jeito Sasuke foi mais rápido no gatilho do que ele anteviu.

— E não inventa de dizer que você não sabia que isso ia acontecer. — Sasuke complementou, um pouco nervoso com a situação agora que já a compreendia em partes — Você sempre foi um gênio, aniki!

Itachi suspirou, percebendo que, de uma forma ou de outra, sobraria para ele...

Kenji Taira era um antigo amigo de Itachi e, até onde Sasuke sabia, assistente de produção de Masashi Kishimoto. Ele não sabia muito sobre o Kishimoto, apenas que ele era um mangaka famoso, mas nunca teve vontade de descobrir mais sobre a obra que ele produziu, apesar da ligação indireta que possuíam. Ainda sim, o caçula se lembrava precisamente do nome “Masashi Kishimoto”, não tinha como esquecer.

Quando Itachi conheceu Kenji, Kishimoto e ele já estavam em processo criativo considerável, pois já tinha ganhado um prêmio com seu primeiro mangá e já possuía uma equipe criativa (4). Kenji era mais velho que Itachi, mas mais novo do que Kishimoto, e ironicamente era amigo da família, por alguma loucura do destino que Sasuke não compreendia muito bem, já que o pai de Kenji não era do mesmo ramo empresarial que seu pai. Ainda sim, os dois eram amigos e a família de Kenji era uma das poucas pessoas que freqüentavam a mansão Uchiha.

Sasuke ainda era uma criança ranhenta naquela época, mas se lembrava da animação de Kenji ao contar tudo sobre a produção do próximo mangá de Kishimoto, afirmando veementemente que seria um grande sucesso. Kenji mencionava que Kishimoto era aberto a opiniões para a criação de personagens, e Itachi discutiam com o amigo durante várias horas sobre esse assunto, dando sugestões e parecendo realmente empolgado com tudo aquilo.

Sasuke odiava as visitas de Kenji, porque tinha ciúmes da atenção que Itachi dava ao adolescente. E, por isso, ele nunca se esqueceu de toda aquela história.

— Sasuke, eu nunca falei pro Kenji usar a gente como personagem... — Itachi tentou se explicar, torcendo pra Sasuke não ficar irritado demais; ele estava gostando bastante do humor excepcional que seu irmão exibia àquela manhã e não queria perdê-lo.

— Como assim você não deixou se o Kishimoto inseriu a todos nós, inclusive Kakashi, nesse mangá? A ficha de todos os personagens está aí nessa documentação!

Itachi balançou a cabeça negativamente, empurrando de leve seu amante para fora de seu colo e indicando-o que deveria se sentar no banco de frente para ele. Teriam uma conversa importante naquele momento, e ele não podia deixar o corpo de Sasuke se tornar uma distração; ele queria esgotar de uma vez aquele assunto, pois não queria ter que tocar nesse tópico novamente.

— Sasuke... — Itachi começou sua explicação, encarando profundamente os olhos do caçula enquanto falava — Kishimoto não sabia da nossa existência até pouco mais de dois anos.

— Uh? — Sasuke inclinou a cabeça lateralmente, evidentemente surpreso com aquilo. — Como Kishimoto não sabia da nossa existência usou nossos nomes, inclusive em personagens que possuíam as mesmas características físicas que a gente?

— Você se lembra que há uns anos eu viajei com bastante freqüência sem a companhia do nosso pai?

— Sim, quando você foi fazer aquele MBA e me abandonava sozinho durante muitas noites. — Sasuke murmurou com ares rancorosos; ainda não havia perdoado Itachi pelo abandono daquela época.

— É mentira Sasuke, eu não fiz esse curso naquele tempo. — o Uchiha mais velho declarou; Sasuke ficou mais tenso em seu assento, encarando-o com certa indignação — Eu estava em reuniões com o Kishimoto e a equipe de produção do mangá de Naruto.

Sasuke piscou várias vezes, tentando assimilar as palavras de seu irmão, que simplesmente não pareciam fazer sentido algum.

— Explique-se. — ele disse, desistindo de tentar fazer aquelas informações terem alguma ligação.

Itachi respirou fundo, pegou a garrafa térmica, colocou uma grande quantidade do café (horrível) em sua canela e acrescentou açúcar, tomando um gole antes de voltar a explicar.

— Eu mantive contato com Kenji, você sabe disso. — Sasuke fez uma careta, Itachi optou por ignorar — Nós conversávamos de tempos em tempos, mais por e-mail do que pessoalmente, pois você sabe como é difícil para nós dois mantermos amizades com outras pessoas por causa da agenda complicada do nosso pai. Sendo assim, eu me esforçava pra tentar manter os poucos amigos que fiz quando era mais novo, e Kenji é um deles.

— Você não decidiu que agora seria um bom momento para declarar seu amor por ele, não é mesmo? — o mais novo questionou, sentindo o ciúme deixar o gosto amargo em sua boca.

Itachi girou os olhos e colocou a caneca de volta ao balcão.

— Não invente de ter ciúmes agora, otouto. Preste atenção no que tenho a dizer: eu nunca escondi muita coisa do Kenji, ele sempre soube que eu e você estávamos namorando.

Essa informação definitivamente pegou Sasuke desprevenido. Ele nunca imaginou que Itachi tivesse contado esse segredo pra outra pessoa, pois toda vez que ele afirmava desejar anunciar a toda humanidade que eles estavam juntos, Itachi lhe dava mais de cem motivos para não fazer uma declaração como aquela.

— Não acredito que você contou pra ele! — exclamou, abobalhado, tentando decidir se essa era uma boa ou má informação. Independente disso, Sasuke sentiu seu coração ficar mais quente, decidindo que gostou de saber que Itachi o assumira para alguém além de Kakashi.

— Sasuke, a única coisa que me impede de transar com você na frente de todo mundo são os nossos pais. — o primogênito declarou sinceramente, aproveitando o momento para acariciar o rosto de seu amado com ternura — Eu não ligo que os outros saibam, eu considero nossa relação uma grande conquista e gostaria de me vangloriar mais, mas eu não posso contar pra qualquer um, porque se essa informação chegar aos ouvidos dos nossos pais ou dos nossos concorrentes... bom... você sabe o caos que vai ser.

Sasuke confirmou com um aceno de cabeça, retirando a mão de Itachi de seu rosto, mas mantendo-a segura em seu colo. Não queria carinho agora, pois sabia que carinhos sempre resultavam em carícias mais intensas que se tornariam sessões de sexo; no momento, Sasuke queria respostas.

— Pois bem, e nessas conversas ele me disse que o mangá estava indo muito bem, que Kishimoto o permitiu fazer um spin-off da série, e então ele andava mais centrado na caracterização desse spin-off para publicação. Como era um trabalho de sua autoria, eu pedi pra ver.

Sasuke não sabia deste spin-off (e pra ser sincero, nem sabia o que significava esse termo), mas aquele não era o foco da conversa, e portanto fez um gesto de mão indicando que Itachi deveria prosseguir sua explicação.

— E “nós” estávamos lá Sasuke. — Itachi concluiu, dando de ombros — Estávamos no spin-off. Eu não entendi nada, até porque era uma história de comédia, totalmente lúdica, muito diferente do que Kenji afirmava ser o conteúdo de Naruto, mas ainda sim éramos nós naqueles personagens. Lógico que comprei o mangá principal na mesma hora e confirmei que também éramos personagens da obra do Kishimoto.

Sasuke compreendeu a forma como Itachi descobriu todo o ocorrido, mas não entendeu porque Kenji resolveu revelar aquilo depois de tanto tempo, e por isso resolveu questionar.

— Mas a troco de que ele te mostrou isso? — ele disse, tentando achar lógica naquela manobra.

— Bom, eu fiquei furioso quando vi e entrei em contato imediatamente com ele. — Itachi respondeu, se recordando daquele momento e sentindo um arrepio na espinha — Ele me disse que resolveu me mostrar porque eu estava reclamando muito da minha situação na empresa e da nossa vida corrida. Eu queria sair dessa vida e ele sabia disso, mas não tinha uma oportunidade plausível para que nosso pai não nos arrastasse pra dentro de casa novamente.

Sasuke sabia que Itachi não gostava de trabalhar no empreendimento da família, mas nunca imaginou que ele tivesse revelado isso para mais alguém. Na verdade, Itachi nunca disse isso para ele com todas as letras, e por isso o caçula se perguntou se o mais velho havia revelado ao amigo ou se Kenji era tão perceptivo quanto ele nas questões que envolviam os sentimentos de Itachi.

Seja lá qual opção fosse o fato, Sasuke se sentia igualmente enciumado.

— Bom, ai ele disse que Kishimoto e os produtores do anime estão planejando um filme, live action, que vai ser uma das maiores produções do cinema na história dos animes, para comemorar o fim de Naruto. O filme será lançado dois anos depois da estréia do último capítulo do mangá, que acontecerá em breve, para dar tempo do anime fechar a produção da série.

— E...?

— E eles não estavam achando atores para interpretarem “Sasuke” e “Itachi”. — ele respondeu, dando um sorriso prepotente — Kishimoto estava muito restrito com relação a isso, não escolhia qualquer um para os papéis mais importantes e nenhum dos candidatos o agradou. As vozes serão dubladas pelos seiyuu (5) do anime, mas eles não vão fazer a atuação corporal dos personagens, pois nem sequer se parecem fisicamente com eles. E se você assistir o anime, otouto, vai perceber que até a voz dos seiyuus parecem com as nossas...

Sasuke estava achando aquela situação cada vez mais surreal, mas começava a entender onde Itachi queria chegar com tudo aquilo. Observou seu irmão respirar fundo e concluir aquela bola de neve de uma vez por todas:

— Então Kenji achou que seria uma oportunidade perfeita para eu e você sairmos de casa, porque nos somos iguais a Sasuke e Itachi da série, e poderíamos...

Sasuke colocou o indicador nos lábios de Itachi, instruindo-o a parar de falar enquanto ele tentava digerir todas as informações que acabara de receber. Itachi compreendeu seu gesto prontamente, calando-se enquanto ele voltava a analisar os papeis e murmurar incoerências.

— Você não vai dizer o que eu estou achando que vai dizer, não é? — ele murmurou, bastante assustado com tudo aquilo, pegando os papeis novamente e folheando-os freneticamente — Ok, eu confesso que somos muito parecidos com os personagens, é até um pouco assustador. — ele olhava atentamente para uma imagem de Itachi e Sasuke lado a lado, se perguntando como diabos conseguiram capturar até a intensidade do olhar de seu irmão naquele traçado — Mas fazer o que você está insinuando é... inimaginável!

Itachi ficou quieto, observando seu irmão voltar a encarar as folhas explicativas, tornando a se pronunciar somente depois de um minuto inteiro de silêncio.

— Kenji auxiliou o Kishimoto a desenhar alguns personagens, mas você sabe como ele pode ser persuasivo. — ele resolveu explicar, percebendo que Sasuke estava cada vez mais confuso com as semelhanças dos personagens com eles, inclusive em se tratando do resumo de personalidade que tinha escrito na página sete do dossiê, o qual o caçula lia naquele exato momento— O background deles, todavia, é bem diferente do nosso, já que eles são ninjas e tudo mais. Isso é plot inteiramente do Kishimoto, porque Sasuke e Itachi são personagens importantes pra série. Sasuke é um dos protagonistas principais.

— Protagonista? — o Uchiha mais jovem questionou, evidentemente assustado — Itachi, eu não sou um ator! Eu não vou conseguir interpretar um papel desse!

Como Itachi havia imaginado, Sasuke já tinha concluído suas intenções antes mesmo de ele dizer: estava claro que Kishimoto e Kenji queriam que os dois interpretassem aqueles personagens. De toda forma, não era algo difícil de concluir.

— Kishimoto viu uma foto sua e ele quer você. — Itachi fez uma careta suave, aparentando um pouco de ciúmes — Ele parece meio fascinado por você Sasuke... Kenji mencionou que o Kishimoto tem uma espécie de obsessão pelo personagem Sasuke, e talvez por você ser igualzinho a ele transferiu essa obsessão a você. Quando ele montou o personagem, afirmou ser baseado num amigo de infância, e tem gente por aí que especula que Kishimoto e esse “amigo misterioso” não foram apenas amigos. (6)

— Deus me livre Itachi, olha a loucura onde você nos meteu! — Sasuke respondeu, cada vez mais apavorado, olhando para os olhos da sua forma em mangá e sentindo um misto de sentimentos bastante intensos — E eu nem assinei contrato nenhum!

— Se você aceitar, pode assinar o contrato comigo; eu vou na segunda-feira fazer isso.

Sasuke piscou, erguendo o olhar para Itachi e aguardando qualquer tipo de demonstração de brincadeira por parte do irmão. Todavia, ele se mantinha completamente sério, indicando que, sim, ele havia decidido aceitar a proposta.

— Itachi, você também não é um ator. — o mais novo murmurou, um pouco preocupado por conta daquilo — Nosso pai vai surtar quando descobrir que você se expôs a mídia dessa forma, porque ele passou a vida toda tentando esconder a gente do mundo e...

— Eu aceitei o papel porque Fugaku só nos liberou por conta disso. — Itachi o interrompeu, fazendo o caçula arregalar o olhar com a revelação — Nosso pai deixou porque eu ameacei processar Kishimoto, otouto.

— ... Uhn?

— Eu disse para ele que se ele não deixasse a gente seguir esses papeis, eu processaria Kishimoto por utilizar nosso nome. Nosso pai luta pra ficar no anonimato e você sabe disso, um processo assim seria gigantesco, iria dar na mídia. Fugaku não quer isso.

— Você chantageou nosso pai? — Sasuke abriu um sorriso torto ao fazer essa pergunta — Sério?

Itachi compreendeu a animação de seu irmão, porque não era normal para eles desafiarem Fugaku dessa forma. Na verdade, foi uma atitude muito complicada para Itachi tomar e ele precisou de muita conversa com Kakashi para conseguir fazer isso; a lembrança do olhar que seu pai o deu quando Itachi colocou as cartas na mesa vai sempre ficar marcada na sua memória.

Seu irmão, todavia, não precisava saber desses detalhes...

— Bom irmãozinho, cada um luta com as armas que tem. — ele respondeu simplesmente, escondendo facilmente todas as lembranças ruins que a memória traziam consigo (talvez ele pudesse ter algum sucesso nessa história de atuação, não é mesmo?) — Ele aceitou minha proposta, mas impôs um monte de condições, sendo que a principal delas é que a gente fizesse o filme, mas depois retornaríamos a empresa. Óbvio que a gente não precisa voltar Sasuke, ganharemos um dinheiro considerável, nossos pais vão entender com o tempo.

— Tem certeza, Itachi-nii?

Sasuke o encarou durante um tempo, mas depois de um tempo interrompeu o contato visual, abaixando o olhar e parecendo envergonhado com tudo aquilo.

— Você não está fazendo isso só por minha causa, não é? Eu...

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— Sasuke. — Itachi o chamou, erguendo o queixo de seu irmão com o polegar e forçando-o a encará-lo novamente — Não é segredo nenhum que você não quer nada com a empresa, até nosso pai sabe disso. Por conta disso, as fichas sempre ficaram em cima de mim, e é por isso que ele me condicionou desde quando entramos na adolescência a aprender o suficiente pra tocar o negócio.

Sasuke se sentiu um pouco culpado com aquela afirmação, porque da maneira que Itachi falava dava a entender que era por culpa dele que Fugaku forçava tanto Itachi ao limite. Todavia, o mais novo controlou logo esses sentimentos, sabendo que de forma alguma Itachi o culparia daquela forma.

— Eu sou pacifista, não quero tocar aquela empresa pra frente, porque os negócios dos nossos pais sobrevivem com a guerra. — Itachi declarou, dando de ombros — Eu não via uma escapatória, mas agora nós temos uma. Ele pode deixar essa parte da herança pro outro lado da família, não ligo pra perda patrimonial.

Era verdade, familiares interessados no negócio não faltariam. Claro, Fugaku sempre quis que seus filhos tocassem a empresa, mas ele não a deixaria morrer por conta desse seu desejo: iria, com toda certeza, colocar algum sobrinho na administração. A família Uchiha se dava muito bem, então não seria difícil encontrar um sucessor à altura.

Sasuke sorriu de forma radiante, compreendendo agora que não era uma loucura tão desmedida assim. Se desse certo, eles tinham muito a ganhar! E se não desse, é claro que sempre poderiam voltar pra casa, mesmo sob os olhares reprovadores do pai. De qualquer forma que analisasse, era uma tentativa que valia a pena.

— Mas e nossos nomes? — ele questionou, percebendo que havia muitos detalhes a se discutir — Nós temos os mesmos nomes que os personagens, seria estranho utilizá-los. Nós usaríamos o registro frio?

Sasuke se referia aos nomes “sociais” que ambos possuíam. Itachi e Sasuke possuíam dois registros cada um, o “quente” e o “frio”. O registro quente nada mais era do que seus nomes verdadeiros, com toda documentação real — raramente o utilizavam, só utilizavam para reservas de hotéis ou movimentações bancárias. Para a maioria dos negócios à parte da empresa, os garotos utilizavam o registro frio, visando a sua própria segurança.

O registro frio não era ilegal, era um sistema de proteção dado pelo próprio governo japonês à pessoas extremamente importantes na economia, a fim de protegerem seus negócios e sua privacidade. Sasuke e Itachi podiam usar o registro frio para o que quisessem, menos para cometer crimes, é claro.

— Óbvio. — foi a resposta mais do que imediata do mais velho — Você nunca usa o registro frio, mas eu já uso a um tempo. Ninguém, a não ser nossos amigos mais próximos, sabe que temos dois registros, e eu já me apresentei ao Kishimoto com o registro frio. Você, se aceitar, deverá usá-lo também.

O caçula abaixou o olhar, preso em seus pensamentos e tentando decidir o que achava de tudo aquilo. Claro, de certa forma estava empolgado com a perspectiva de sair de casa e fazer algo diferente do que simplesmente seguir os negócios de seu pai. Ainda sim, tantas coisas podiam dar errado...

— Você tem tempo pra pensar a respeito, Sasuke. — Itachi interrompeu seus pensamentos, puxando-o para fora do banco e o colocando de volta em seu colo — Mas eu acho que se você recusar o Kishimoto vem atrás de você pessoalmente.

Sasuke girou os olhos enquanto Itachi deu uma risadinha e mordeu seu queixo, puxando-o para um beijo rápido e lúdico.

— Estou perdoado? — o mais velho indagou, apesar de já saber a resposta pela forma como Sasuke retribuiu seu beijo.

— Está sim. — o mais novo respondeu, tentando fazer cócegas no mais velho; Itachi agarrou suas mãos rapidamente, impedindo-o de ir mais além nessa investida — Eu vou pensar, ok?

— Certo. — ele respondeu, sorridente e evidentemente satisfeito por Sasuke ainda manter o bom humor depois das explicações — Você quer sair pra tomar café otouto? Eu estraguei a maioria das coisas que tinha pra comer aqui em casa.

Sasuke puxou seus braços da pegada de Itachi, colocando-se de pé em um pulo e caminhando até a geladeira.

— Tem certeza que não tem mais nada pra comer aqui? — Ele questionou, abrindo a porta e observando o seu interior.

— Não tem Sasuke... — Itachi se colocou de pé, espreguiçando-se um pouco — Ponha uma roupa, vamos passar em alguma panificadora.

Naquele momento, Sasuke deixou sua toalha escorregar de sua cintura enquanto fechava a porta da geladeira, observando Itachi de canto de olho. Ele não tentou, nem por um instante, agarrar a toalha e se proteger da exposição; até chutou-a quando ela atingiu o chão, jogando-a para longe de seu corpo.

Itachi o olhou de cima a baixo, bem atentamente, atentando para a maneira como Sasuke colocou as mãos na cintura, sorrindo de maneira pervertida.

— Tem certeza que não tem mais nada pra comer aqui? — o caçula repetiu, aproximando-se de Itachi e abraçando seu pescoço — Não tem mesmo?

Itachi imitou o seu sorriso sacana de canto de boca, levando suas mãos à cintura exposta do mais novo, resolvendo responder a pergunta do mais novo com atitudes, e não com palavras.

Os irmãos Uchiha não tomaram café da manhã naquele dia; só conseguiram sair para se alimentar (de verdade) quando já estava quase no fim do horário de almoço. No entanto, nem Sasuke e nem Itachi reclamaram de fome, saciando sua fome de um jeito bem diferente do convencional.

.

(***)

.

— Você só pode estar brincando comigo...

— Não, não é brincadeira.

Sasuke olhava para o quarto a sua frente com a boca aberta em total descrença, tentando assimilar as particularidades daquele lugar, sem acreditar que seu irmão teria a audácia de montar um quarto daqueles. Quando Itachi lhe disse que havia mais quartos no apartamento que ele deveria conhecer, jamais imaginou que por detrás daquela porta em especifico existisse... tudo aquilo!!

— Explique-se, por favor. — Sasuke murmurou, quase sem fôlego, dando um passo a frente e inspecionando cada detalhe daquele lugar.

— Bom Sasuke, aqui será o nosso quarto de estudo.

— Quarto de estudo? — o caçula repetiu com descrença, apontando pra cama redonda no centro do quarto — Estudo!?

Itachi deu de ombros, aproximando-se de Sasuke e o abraçando por trás.

— Estudos de muitas coisas diferentes, otouto.

Sasuke girou os olhos, mas sorriu satisfeito. Quem seria ele para negar “estudar” num quarto como aquele? Com certeza Itachi e ele estudariam coisas bastante diferentes, principalmente “anatomia”.

O quarto era do dobro do tamanho do quarto dormitório, e não tinha a aparência de um simples quarto de casal. Parecia mais um quarto de motel do que qualquer outra coisa: uma cama redonda no centro do quarto (e um espelho no teto e na parede oposta à porta, para o completo prazer de Sasuke), uma decoração suave e sensual, com iluminações de led com regulação de intensidade. Havia uma banheira de hidromassagem no canto esquerdo, bem como duas televisões grandes instaladas em pontos diferentes do ambiente. Aliás, Sasuke tinha certeza que havia câmeras de filmagem nos três tripés espalhados pelo quarto.

Tentando controlar o riso perante toda a mobília surreal que Itachi havia colocado naquele lugar, prestou atenção nos móveis mais “comuns” daquele lugar: havia um armário no canto direito (e Sasuke já tinha uma ideia de que tipo de “coisas” deveria ter dentro deste armário) e uma cômoda com...

Livros?

— O que é isso? Por que tem livros aqui, Itachi? — Sasuke perguntou, aproximando-se da cômoda e apreciando-a mais de perto.

— Não são livros, otouto. São mangás e doujinshis.

Sasuke pegou um dos exemplares nas mãos, percebendo se tratar do mangá de Naruto. Percebeu que todas as edições ali tinham alguma relação com Naruto, seja o próprio mangá ou os doujinshis propriamente dito.

— Agora entendi porque é um local de estudo. — ele disse, folheando algumas páginas do volume em mãos e fazendo uma careta — Por que eu uso saia nesse mangá?

Itachi deu uma risadinha divertida, apreciando a careta de Sasuke ao apreciar o modelito de seu “personagem”.

— Tecnicamente não é uma saia, mas acho que todo mundo que lê essa série se pergunta isso, otouto. — Itachi respondeu de forma divertida, espionando a imagem por cima do ombro de seu irmão — Mas não é como se você nunca tivesse usado saia na vida, né?

Sasuke optou por lhe dar um soco no ombro ao invés de responder, Itachi engoliu uma crise de riso, preferindo não provocá-lo mais a fundo.

O Uchiha mais jovem fechou o volume e o colocou de volta à prateleira. Alcançou um novo livreto, este com encadernação diferente, bem mais fino do que o volume do mangá.

— Esse daqui eu comprei ontem na Comiket, correndo, antes de te buscar pra gente ir embora. — Itachi anunciou, olhando com curiosidade a nova aquisição: ainda não tinha lido o seu conteúdo.

— É um mangá também? — Sasuke questionou inocentemente, apreciando a maneira como o traçado era levemente diferente daquele visto no mangá, mantendo as características que identificavam ele e Itachi. O personagem Naruto também não estava na capa, o que não era comum, já que ele era o protagonista da série.

— É doujinshi, círculo Mutsumix. — Itachi respondeu, abrindo o doujinshi e instruindo Sasuke a folheá-lo — Esse você vai gostar.

Sasuke se recordou do que a garota escandalosa falou na Comiket e ficou curioso para conferir tal doujinshi. Em certo momento começou a ler com calma cada página, mas Itachi aguardou pacientemente, parecendo curioso para ver sua reação com a história. Depois de seis páginas muito bem desenhadas, seu olhar arregalou consideravelmente e seu rosto corou de forma intensa.

Itachi soube, naquele momento, que Sasuke havia encontrado o lemon.

— Não sabia que existia esse tipo de coisa. — Sasuke disse, praticamente devorando cada painel do doujinshi com o olhar — E eu não sei se acho excitante imaginar outras pessoas lendo isso sobre a gente ou se fico morrendo de ciúmes.

— Eu demorei mais de um ano pra me decidir o que pensava a respeito disso, então não é nada mais do que natural. — Itachi respondeu seriamente, retirando o doujinshi das mãos de Sasuke e colocando-o novamente da prateleira — Você pode ler tudo que desejar, mas não agora. Quero te mostrar outra coisa.

Itachi aproximou-se da mesa escrivaninha do outro lado do quarto (parte que Sasuke ainda não tinha prestado atenção) e retirou de lá seu notebook, levando-o para a cama redonda e chamando Sasuke para que o acompanhasse.

Iniciou o sistema operacional e, mais do que rapidamente, abriu varias paginas já salvas na aba de favoritos. Em seguida, colocou o notebook no colo de Sasuke, instruindo-o a abaixar a tela com o botão direcional do teclado.

— O que é isso? — Sasuke perguntou, abaixando a tela enquanto lia, percebendo se tratar de uma história.

— Isso, otouto, são fanfics.

Sasuke nada disse, não compreendendo o que seriam “fanfics”. Decidiu que ao invés de perguntar a Itachi mais uma vez seria mais útil ler e chegar a uma conclusão própria. Assim como os doujinshis, Itachi e Sasuke eram personagens dessas histórias, que dessa vez eram puramente escritas, sem figuras.

Mas mesmo sem figuras, não significa que elas não conseguissem ser bem quentes. Alias, aquilo que Sasuke lia era, de longe, mais quente do que acabara de ver no doujinshi; extremamente mais detalhado e peculiar, de modo que Sasuke teve dificuldade entre lidar com a mistura entre a surpresa e a excitação crescente.

— Caralho... — ele sussurrou, clicando para avançar ao segundo capítulo, quase se esquecendo de que estava na companhia de seu irmão. Itachi riu alto, trazendo a atenção de volta para si — Quem escreve esse tipo de coisa?

— Fãs, do mundo todo. — o mais velho respondeu, apontando para o “Aviso legal/Disclaimer” — Eles que criam a trama e escrevem a história, mas utilizam os personagens do Kishimoto; no caso, nós dois.

Sasuke ficou quieto por um tempo, Itachi apreciava a forma como seus olhos percorriam rapidamente linha por linha, parágrafo por parágrafo. Sentia Sasuke ficar mais quente ao seu lado, e o corar de suas bochechas se intensificar cada vez mais. Ao chegar no fim daquela twoshot, o garoto ergueu o olhar para Itachi e respirou profundamente, tentando se acalmar e fazer o cérebro funcionar racionalmente.

— Itachi, eu quero ler tudo isso. — ele declarou, um pouco envergonhado por desejar ler algo erótico com aquela intensidade.

Sasuke se perguntou se era assim que Kakashi se sentia quando lia sua pornografia e esse pensamento o fez concluir algo que até então não tinha percebido.

— Kakashi... também tem fanfics do Kakashi? — Sasuke questionou, horrorizado, cobrindo a boca e arregalando o olhar — E dos nossos pais?

— Aham. — Itachi respondeu simplesmente, achando aquela reação divertidíssima.

Sasuke empurrou o computador para longe, como se ele fosse um animal feroz pronto para devorá-lo. O primogênito não conseguiu conter sua risada diante daquela reação.

— Existe filtro de pesquisa Sasuke, é só excluir os personagens. — ele respondeu entre o riso.

Sasuke olhou de maneira suspeita para o notebook, mas logo a curiosidade pareceu falar mais alto e ele o pegou mais uma vez, colocando-o no colo e abrindo a segunda aba de favoritos do seu irmão.

— Eu espero que você leia tudo isso irmãozinho, absolutamente tudo isso. — Itachi falou, retirando o computador do colo de Sasuke e puxando-o para um beijo rápido — Porque eu pretendo treinar com você.

— Treinar? Interpretação?

— Sim.

Sasuke fitou o computador por alguns instantes e depois tornou a atenção a prateleira de mangás e doujinshis, terminando o percurso de seu olhar ao fitar o rosto de Itachi. Franziu o cenho ao perceber as feições sacanas que ele exibia no momento, evidentemente amando a maneira como ele reagiu perante as fanfics.

— Você quer “treinar interpretação” comigo, é? — Sasuke disse, puxando Itachi pela gola e trazendo-o para mais próximo de si.

— Uhum... — o Uchiha mais velho respondeu, mordiscando seu pescoço e lhe dando beijinhos suaves na sua mandíbula enquanto respondia com a voz rouca de desejo — Quero treinar muito com você Sasuke, tudo que está escrito...

— Caramba nii-san, só você pra conseguir transformar algo assim em algo excitante pra caralho.

Itachi deixou uma risadinha breve escapar e aumentou a intensidade de suas carícias, apertando com as mãos cada parte do corpo de Sasuke que tinha acesso naquela posição.

— Sasuke, tudo que tem você é “excitante pra caralho”. — ele sussurrou com a voz grave e ríspida, deixando bem claro o quão satisfeito estava com tudo aquilo — Se você está na minha cama é excitante pra caralho; se está num mangá, doujinshi, fanfic, é excitante pra caralho. A culpa não é minha, é sua. Você que é excitante pra caralho.

Sasuke adorou o elogio, mas teve que provocar o irmão, só para não perder o costume.

— Pervertido. — ele murmurou em seu ouvido, retribuindo os afagos e mordiscando o lóbulo da orelha de Itachi, sentindo seu coração acelerar consideravelmente com a situação.

— Como se você fosse muito melhor. — Itachi respondeu brevemente, soltando o corpo de Sasuke e ganhando um gemido de insatisfação em retorno.

Ele ignorou o protesto do mais novo, pegando o notebook novamente e colocando em seu próprio colo desta vez. Abriu uma fanfic que tinha reservado para mostrar caso Sasuke aceitasse bem a ideia de “conferir o fandom”. Assim que ela carregou na tela do notebook, o entregou novamente para Sasuke.

— Eu sempre sonhei em tentar essa aqui primeiro. O que acha?

Sasuke leu a sinopse, curta e simples, mas que deixava bem claro que seria uma fanfic puramente sexual. Admirou termos por ele desconhecidos (mas facilmente dedutíveis), como “uchihacest”, “itasasu”, “lemon”, “yaoi”, etc. Já no primeiro parágrafo entendeu perfeitamente o que iria acontecer naquela fanfic, e deixou seus olhos devorarem cada palavra com entusiasmo.

— Estou começando a gostar bastante dessa coisa de interpretação. — ele comentou, cada vez mais corado, sentindo as mãos de Itachi voltarem para o seu corpo, acariciando com firmeza a sua cintura.

— Oh otouto, eu tenho certeza que você vai amar isso. — Itachi murmurou baixinho, satisfeitíssimo com o entusiasmo de Sasuke. — Viu como na internet também tem muita coisa que vale a pena?

Sasuke riu, sabendo que agora estaria rendido e que não poderia mais se recusar a usar a tecnologia. Itachi estava certo, como sempre: a internet tinha coisas muito interessantes para um casal, ainda mais um casal peculiar como eles.

E percebendo a maneira como as pupilas de Sasuke se dilatavam gradativamente ao ler aquela fanfic, Itachi se deu conta de que essa vida de “casado” deles não seria tão corriqueira como acontecia com a maioria dos casais. Teve a certeza de que, mais cedo ou mais tarde, Sasuke tomaria muito gosto pela interpretação.

Itachi faria questão de supervisionar essa mudança, pessoalmente.

.

... Continua...

Notas finais
(1) Referência ao Capítulo 2: Na cena referida, o Sasuke não quer que o Itachi o trate com carinho e diz “não ouse amaciar comigo agora!”, mostrando como o comportamento dos dois muda depois que conseguem, finalmente, fazer sexo. (2) Referência ao Capítulo 1: Sasuke obviamente tem uma tara por sexo na cozinha. =P (3) Kenji Taira é um integrante real da equipe de Masashi Kishimoto, que é o autor do mangá Naruto (como se ninguém soubesse aqui). Kenji Taira é, parcialmente, um personagem na minha fanfic também, mas acho que vocês entenderam que eu apensas emprestei sua figura e que tudo que foi descrito aqui não é verdade. Eu não sei como Itachi e Sasuke foram criados pro mangá, mas sei que não estavam no projeto inicial de Naruto. Eu só usei esse buraco na história e fiz o que toda ficwriter faz: imaginei além. No entanto, Kenji Taira realmente é o mangaka de “Rock Lee no Seishun Full-Power Ninden”, que é o spin-off de Naruto, mais conhecido por “Naruto SD: Rock Lee no Seishun Full-Power Ninden” por causa da serialização em anime. (4) Prêmio “Hot Step Award”, que o Kishimoto ganhou com o mangá “Karakuri”, em 1998. (5) Seiyuu: os “dubladores” dos animes são chamados desse jeito no Japão. São as pessoas que fazem as vozes dos personagens na versão animada. (6) Hauhauhuahua isso, na verdade, é uma piadinha interna do fandom. Muita gente, até aqueles que não shippam yaoi, dizem que o Kishimoto claramente tem uma obsessão pelo Sasuke, e por isso o “comba” de tempos em tempos na história. O Kishimoto realmente afirma que o Sasuke é baseado num amigo de infância dele, e por conta dessa sua aparente preferência pelo personagem tem gente que especula “coisinhas” entre os dois (já que o Kishimoto também afirma que o Naruto é baseado nele, e o Naruto gosta muito do Sasuke). No entanto, é só uma fofoquinha, não é nada verdadeiro, Kishimoto é um homem casado e tem filhos. Ok? N/A: Enfim, é isso! A gente se vê num futuro próximo. Não se esqueçam de comentar pra dizer o que acharam. Quanto mais vocês comentam, mas rápido eu redijo o final. ;) Beijinhos! [NOTA - 16/05/2014]: Leia o seguinte post antes de fechar a fanfic ou favoritar sem comentar. http://zip.net/bdntP0