Breakfast

8 Capítulo 8


Zacky's Pov

Cabeça doía, tudo doía, até minha alma doía. Estava de cueca na minha cama. Como eu fui parar ali era um mistério. Tudo rodou e o que fiz foi correr para o banheiro.

Lavei meu rosto e percebi que tinha um pouco de açúcar sobre meu rosto, e não só no rosto pois até no ouvido tinha açúcar.

-Que porra eu fiz ontem à noite? – perguntei baixo pra mim mesmo, analisando o monstro que estava a minha frente. O monstro era eu. – Nossa, você tá feio hein? – perguntei, rindo de mim mesmo.

Voltei para cama com o intuito de dormir até a hora de viajar, porque ficar com ressaca não seria nada legal.

Voltaria a dormir até que alguém entrou em meu quarto, abrindo e fechando a porta furiosamente.

-Meu Deus, não tem geladeira azul em casa não?! –perguntei sem abrir os olhos. Porém nada ou ninguém respondeu. Resolvi abrir os olhos, me deparando com uma Gena me encarando furiosa. Se eu fosse um fanático religioso, diria que ela estava com o demônio no corpo, ou algo do tipo. – Er, oi? – sorri sem graça.

-SEU FILHO DE UMA RAPARIGA MAL AMADA. – e ela avançou em mim como um urubu avançando na carniça, desferindo tapas sobre meu corpo e meu rosto. Deveria pedir por socorro? Chamar o SAMU? Os bombeiros? O Super-Homem?

Não fiz nada disso, apenas consegui segurar em seus braços, o que a fez começar a gritar e dar chutes no ar.

-Mas o que é isso? Controla-se. – a olhei assustado.

-ME CONTROLAR? – ela perguntou berrando. – EU VOU TE MATAAAAAAAAAAAAAAAAAAR.

-Matar eu não sei, mas me deixar surdo, isso vai.

-Como pode Zachary? – ela se debatia, e eu pouco esforço fazia para segura-la.

-Como pode o que?

-O que você falou ontem.

-E o que eu falei ontem?

-Ah! Não me venha bancar o esquecido.

-Eu estava bêbado, oi.

-Você... Você... Você... Você é gay, Baker?

A soltei, me levantando da cama, com a maior cara de bunda que alguém poderia ter.

Não acredito que falei qualquer coisa sobre ser gay nessa festa... se falei, provavelmente falei de Brian. Passei minha mão pelo meu rosto.

-Então... você é? – seu tom de voz estava um pouco mais calmo.

-Como você pergunta uma coisa dessas, Gena? – olhei para ela, com o cu na mão, como dizem.

-Você disse que tava amando outro homem... Como era o nome dele mesmo? – perguntou mais para si mesmo do que para mim. – Ah, Brian.

-Oh Jesus fucking Christ. – abaixei a cabeça. PARABÉNS PORPETA POR ESTRAGAR SEU PRÓPRIO PLANO.

-Então é verdade... ele é do trabalho não é?!

-Gena...

-RESPONDE ZACHARY. – gritou, me fazendo pular de susto.

-É. – falei baixo.

-Agora tudo faz sentido. – Ela se levantou, indo em direção as minhas malas.

-O que faz sentido? – Ah não, vomitar agora não.

-Suas férias... dois meses viajando ou comendo outro homem? Ou viajando e comendo? – riu ironicamente.

-Não tem nada a ver o que você ta pensando...

-Tem certeza benzinho? – então ela pegou meu passaporte e as duas passagens, minha e de Brian que eu já tinha providenciado. E começou a rasgar tudo.

-GEEEEEEEEEEEEEENA, ‘CÊ TÁ LOCONA? – fui correndo até ela tentando salvar pelo menos meu passaporte, mas já era tarde demais, estava tudo em picadinhos. – Eu não estou acreditando nisso.

-Seu merda. O que eu estou fazendo é pouco. Muito pouco. Quero ver o que fará agora. Não vai mais viajar com o seu homem... – ela ria de um jeito escandaloso e bem, ela estava com uma tesoura de ponta em mãos, não chegaria perto dela, mas nem por todo o dinheiro do mundo. – Saia dessa casa agora.

A olhei incrédulo.

-Mas essa casa é minha, você que veio morar de intrometida.

-SAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAI. – e ela deu mais um de seus gritinhos agudos. Fazendo-me fechar os olhos por instantes.

-Eu saio, mas eu vou voltar e quando voltar quero você muito longe daqui. – respirei fundo, colocando uma roupa qualquer e em seguida peguei uma de minhas malas, mais uns documentos e celular.

Coloquei minha mala no carro e adentrei, logo dando partida no carro.

-SEU VIADO DE MERDA. – ouvi ela gritar da porta de casa

-Sua mimada mal amada. – disse baixo, dando ré e indo para a rua agora sem rumo.

-

Parei numa rua qualquer, encostando minha cabeça no banco.

Não tinha mais como viajar, até porque viajar de carro seria loucura. Um gasto excessivo que eu não gostaria de ter.

Respirei fundo e peguei meu celular. Resolvi discar para aquele que modificou e bagunçou a minha vida, mas até que eu estava gostando disso.

-Alô?

-Brian?

-Zacky? Tá tudo bem?

-Não... Você tá na sua casa?

-To, por quê?

-Posso ir ai agora?

-Claro. Sabe aonde é?

-Sei. Estou indo.

-Ta bom.

Liguei meu carro e fui rumo à casa de Brian.

Zacky's Pov Off

Brian's Pov

Fiquei encarando o telefone por alguns segundos, pensando em Zacky. O que será que tinha acontecido? A voz dele não estava nada boa.

-Haner Jr.. – escutei meu pai me chamar da cozinha. Fui até lá.

-O que é pai? – o encarei, reparando que ele estava usando o mesmo avental rosa.

-O bolo... tá dando errado.

-O que tá dando errado no bolo? — perguntei sem interesse.

-Fala que tem que deixar meia hora em 180°. Pensei que em 25 minutos estaria pronto a 200°, aí eu abri e tava cru.

Abri a porta do forno e o bolo que estava crescendo, ficando fofo, agora estava murcho e com um buraco imenso no meio.

-Pai... QUAL É O SEU PROBLEMAAAAAAAA? 'Tava ficando um bolo magnífico. – fiz uma cara de choro. – Agora nem a Pinkly merece comer essa muxiba – Pinkly olhou pra mim ofendida. – Desculpa menina, foi só uma força de expressão. Agora você pai... Vê se pelo menos faça uma cobertura decente para aquela muxiba.

-Mas Brian... Eu não sabia que...

-Mas deveria saber e vai fazer a cobertura logo, pra ver se eu consigo consertar. – sentei numa cadeira que tinha na cozinha. Enquanto meu pai começava a preparar uma cobertura para o bolo. E então a campainha tocou. – Eu atendo. – me levantei.

-Eu que não ia atender né?! – meu pai olhou pra mim, rindo, sujando o fogão. Apenas revirei os olhos e abri a porta me deparando com Zacky.

-Wow Zacky, furacão Catrina passou na sua cara hein?! – olhei para ele, rindo.

Porém ele não riu, mas me olhava nos olhos como se quisesse chorar até não poder mais. Então parei de rir e dei um espaço para que ele pudesse entrar.

-Entra. – murmurei baixo para ele. E ele o fez, porém só deu mais um passo até encostar-me na parede e me beijar ferozmente. Me assustei de inicio mas logo me entreguei ao beijo. Estava preso entre a parede fria e seu corpo quente. Logo ele passou a beijar meu pescoço, fazendo um arrepio percorrer meu corpo inteiro.

-Não é porque eu aceito sua opção sexual que eu devo ver essas cenas. – meu pai apareceu com a panela em mãos, dando risada.

Eu e Zacky nos entreolhamos e então ele se afastou um pouco.

-Me desculpe... – Zacky disse sem graça.

-Ah, esse é meu pai e pai esse é o Zacky. – tentei quebrar o clima.

-Prazer. – Zacky acenou para meu pai que fez o mesmo.

-E então, o que aconteceu? – fui para o sofá, segurando na mão de Zacky, sentando-me em seguida e indicando para que ele fizesse o mesmo.

-Gena me expulsou de casa... Da minha própria casa.

-Conheço essa história. – meu pai interferiu, recebendo um olhar meu de desaprovação, Zachary apenas riu. – Também fui expulso da minha própria casa, e qual é filho, temos que compartilhar nossas histórias e vamos mostrar ao Zacky, que ele não foi o único a sofrer com isso.

Zacky sorriu.

-E não bastou isso, ela rasgou tanto o meu passaporte quanto as nossas passagens.

-E por que disso tudo? – olhava para ele, enquanto passava minha mão pelo seu cabelo.

-Eu fiquei bêbado na festa de ontem. Acabei falando de você.

-Brian destruindo lares. – meu pai comentou.

-PAI, vai lavar a louça vai.

-Não, quero ouvir a história do seu namo... ah o que seja.

-Deixa ele, Brian. – Zacky disse fraco.

-Acabei com seu namoro, não é mesmo? – perguntei cabisbaixo.

-Não Brian, nem repita isso. O namoro já estava um caos só eu não enxergava isso.

-Ele gosta de você. – meu pai disse olhando pra mim.

Zacky apenas afirmou com a cabeça.

-E você não tem para onde ir? – olhei para Zacky.

-Não...

-Quer ficar aqui?

-Posso?

-Mas que pergunta... – sorri. – Pode ficar o tempo que você quiser. Mas acho que vou abrir um abrigo para os expulsos de lares. “Lar do Brian”. Que tal? – nós três rimos e mudamos de assunto completamente.

-Eu não queria falar nada mas estou sentindo um cheiro de queimado... – Zacky comentou,

-O bolo. – meu pai pulou do sofá.

-O BOLO. PUTA QUE PARIU PAI. CORRE. – me levantei também correndo junto com meu pai em direção a cozinha.

-Que bolo? – Zacky perguntou sem entender absolutamente nada, mas dando risada da situação.