Breakeven

3 Capítulo 2


Notas iniciais
Olá minhas lindas!!!
Tudo bem com vocês??
Sei que demorei e peço mil perdões por isso, mas realmente ando sem tempo para parar de verdade e escrever um capítulo inteiro, e por isso decidi escrever capítulos menores(como esse), assim posso postar com mais frequencia! :D
Enfim, espero realmente que leiam e comentem dizendo o que estão achando e até mesmo dando ideias! :D
Boa leitura!

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“Agora alguns dos monstros que tanto temia em minha infância se mostravam tão bobos, quase desejava que os verdadeiros demônios de minha vida virassem aqueles bichos papão que costumavam morar no armário do meu quarto. Pelo menos eu sabia que eles desapareceriam durante a manhã, pelo menos papai poderia detê-los, mas agora, os verdadeiros monstros poderiam fazer o que desejassem comigo, ninguém me salvaria deles. Bem, pelo menos eles também desapareceriam pela manhã.”


...


Era dia 27 de Novembro de 2005.

Esse dia continuava gravado, como uma fita arranhada em minha mente, repetindo várias e várias vezes uma mesma cena que nunca me deixava dormir em paz, pelo menos não sem pesadelos.

Fora ali, em um Novembro gelado e com as folhas caindo que a vida que eu costumava ter, a garota que eu costumava ser e as coisas que eu pensava conhecer queimaram sobre o fogo, jogando faíscas pelo ar e queimando tudo em volta, literalmente falando.

Fechei meus olhos, deixando a minha mente ser guiada até o passado, um passado que sempre fiz questão de apagar da memória e que agora me massacrava por dentro, não podia e nem ao menos conseguia enfrentá-lo, mas sabia que mais cedo ou mais tarde ele voltaria à tona para cobrar velhas dívidas e ressuscitar velhos demônios.

Roxy, Roxy e mais Roxy. A pior parte era lembrar-me de minha irmã, de como brigamos aquela noite, de como era nossa relação e como sempre fui injusta demais e invejosa demais com ela, minha irmã que eu nunca teria de volta e que eu apenas desejava pedir perdão. Mas esse pedido nunca teria uma resposta em retorno.

Nunca.

[...]

O cheiro de tinta fresca irritava o meu nariz, tive que esfregá-lo com a palma da mão direita, totalmente desajeitada por estar segurando uma caixa de papelão cheia de brinquedos, nunca entendi muito bem por que papai estava mais uma vez pintando o quarto de Roxy, sabíamos que era apenas um capricho dela, mas mesmo assim papai fazia questão de atender ao pedido, às vezes me sentia injustiçada e minimizada, afinal de contas éramos filhas iguais, e ainda por cima gêmeas, não entendia por que mais atenção à Roxy do que à mim, ela não era tão extraordinária assim como nossos pais achavam.

Sim, ela realmente era mais simpática, bem vestida e inteligente do que eu nunca fui, mas Roxy era mimada e mandona, defeitos que deixavam a nossa convivência bem limitada às vezes, sempre fomos como cão e gato e eu nunca havia perdoado minha irmã por ter roubado tantos amigos que pertenciam a mim, principalmente Zayn, ela sempre o amou, eu sabia disso, mas ele era somente meu amigo e não dela. Roxy poderia tirar tudo de mim, menos ele, aliás, no final das contas ela nem precisou fazer isso, o meu melhor amigo fez por si mesmo, partindo da cidade quando eu mais precisava dele, quando eu mais senti falta e desejei estar para sempre ao seu lado.

— Roxy deveria estar ajudando também, mas só sabe ficar pintando as unhas. Isso é injusto sabia? Sua filha mimada que sempre tem tudo o que quer! – Explodi de repente, assustando papai, mamãe e Roxy, que derrubou o vidro de esmalte no chão, deixando um rastro vermelho e brilhante pelo caminho, tão viscoso quanto sangue.

— Você está louca? O que aconteceu com você filha? – Mamãe, sempre a mais sentimental se aproximou mais, segurando o meu pulso assim que joguei as caixas no chão com violência.

— Estou cansada de sempre fazer tudo e ver Roxy ganhando os créditos, é sempre tudo para ela enquanto sou a segunda opção. E ela nem merece isso! Essa garota é uma otária e eu a odeio! – Gritei irritada, batendo meus pés no chão exatamente como uma criança birrenta que eu tanto julgava que minha irmã era, vi uma lágrima escorrer por seu rosto enquanto me encarava perplexa, parei por dois segundos e tentei respirar fundo para raciocinar direto, mas já havia dito tudo aquilo o que pensava há tempos, não havia mais volta.

[...]

Abri meus olhos, sentindo os mesmos marejados, enquanto tentava mandar as lembranças para longe balançava minha cabeça, porém a dor continuava ali, segundo após segundo durantes esses sete anos, mas quem imaginaria que aquela noite traria tantas surpresas depois daquela briga? Muitas coisas mudaram, mas às vezes me sentia aquela mesma garota explosiva e vazia de sete anos atrás, mas não má, eu nunca fui má, somente estava confusa e perdida, irritada e triste por ter sido abandonada por meu melhor amigo que eu tanto amava. Nunca odiei Roxy, mas infelizmente ela estava no lugar errado e na hora errada. E quantas vezes não desejamos voltar ao passado e consertar erros? Voltar ao passado apenas para dizer àquelas pessoas que amamos o quanto elas são realmente especiais. Por que é exatamente assim, só conseguimos dar valor depois de perder, e eu havia perdido minha irmã, havia perdido minha família e a minha história, em um dia que tinha tudo para ser diferente, talvez de fato fosse minha culpa. Talvez fosse o destino me culpando por ser uma pessoa tão egoísta. Nunca vou descobrir os mistérios daquele mesmo dia e como o incêndio e o assassinato aconteceu, minha mente bloqueava todas as partes depois da briga, apenas alguns flashes e gritos daquela noite apareciam de vez em quando em meus pesadelos.

Pesadelos que costumavam se terminar em grandes clarões ou escuridões infinitas, como se estivesse caindo em um imenso e interminável poço de nada, enquanto eu arfava me acordando suada em uma cama desconhecida sempre com outra pessoa ao meu lado, geralmente homens de meia idade relativamente ricos.

Perguntava-me por que a vida havia sido uma grande filha da puta comigo. Em um momento era apenas uma garota ingênua e solitária, agora era uma prostituta suja e sem história alguma.

Alonguei meus braços e constatei que era hora de voltar para o moquifo de Spencer, não poderia deixá-la na mão, caso contrário quem se daria mal seria Irina, e eu realmente não desejava isso para a garota inocente que havia se tornado minha única espécie de amiga nesses últimos anos.

Ela possuía olhos azuis exatamente iguais aos de Roxy, de um azul tão claro que quase poderia se tornar uma espécie de cinza, pequenos e repuxadinhos deixavam o seu rosto meio bolachudo, como se fosse um ursinho, o que a fazia parecer mais jovem do que já era. Tinha o mesmo sorriso e cabelo tingido de loiro, era bonita, ingênua e geniosa demais. Eu havia me afeiçoado àquela garota demais, como se de alguma forma pudesse ter minha irmã Roxy de volta. Como se com ela eu pudesse me redimir por o que fiz. Uma grande ilusão confortável.

- Você é uma vagabunda mesmo, quem te deu permissão para sair? – A voz irritante e estridente de Spencer ecoou por todo apartamento assim que entrei pela porta da frente, revirei meus olhos enquanto passava reto por ela.

- Somente me diga aonde vou hoje. – Sibilei enquanto largava o maço de cigarros em cima da mesa torta e cheia de cupins que havia no meio da sala, os olhos negros de Spencer pararam em mim, um sorriso malicioso estava em seus lábios enquanto ela revirava algo em sua bolsa.

- Apesar de ser uma vadia burra está com sorte hoje Ivy meu amor, um governador quis você, é velho, mas tem dinheiro. Ele precisa de você como acompanhante em uma grande festa de uma gravadora cheia de gente famosa e bem sucedida, então se comporte bem, caso contrário eu arrancarei seus cabelos com minhas próprias mãos, e você sabe que não estou brincando quando digo isso. Essa noite vai ser longa. — rebateu me encarando com descaso e entregando-me um envelope, o qual continha um convite dourado. As letras brilhantes exibiam o evento de forma exagerada e citavam nomes da música que estariam presente para tornar tudo mais sofisticado ainda, porém, um nome dentre todos aqueles mais uma vez me chamou atenção.

One Direction, aquela mesma banda que mais cedo havia visto na Times Square.

É, talvez ela tivesse razão mesmo. Essa noite tinha tudo para mudar a minha vida, algo lá no fundo do meu coração petrificado gritava, gritava por redenção e uma oportunidade que nunca chegaria.


Notas finais
E então? O que acharam? Mereço reviews? Haha
Mesmo com essa nova regra do nyah vou continuar postando minhas histórias aqui até o final do ano e então vou começar a postar no meu tumblr: claricear.tumblr.com onde já tem algumas coisas minhas e muitos textos de escritores que eu amo, aliás, deem uma passadinha lá! :D
Beijooos :*:*
EU A M O VOCÊS!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.