Breakaway
31 Capítulo 28
Notas iniciais
- Então você vai sair. – Taylor repetiu pela enésima vez.
- Vou.
- Agora. Com o italiano. No dia da família. – ele falou olhando-me enquanto eu arrumava o cabelo.
- Não são perguntas não é?
- Sarah Funke.
- Taylor, não seja dramático. Assistimos filmes, conversamos, rimos, e passamos o dia juntos. São sete horas da noite, e Matteo me chamou pra sair. Que mal há nisso? Não estou violando nenhuma regra do dia da família. – eu disse e Chloe riu encostada a porta.
- Não seja duro com ela. – Chloe me defendeu e eu pisquei pra ela.
- Ok. Se eu disser que não é pra você ir... – Taylor começou e eu ri.
- Vou fingir que não te ouvi.
- Então tá. – ele deu de ombros.
- Ok. Bobão. – eu sorri esticando-me para beijar sua bochecha. – Se comportem e deixem minha casa inteira. – eu disse lançando um sorriso malicioso pra Chloe que revirou os olhos. – Tchauzinho. – eu disse andando em direção a porta.
Saí do meu prédio e andei em direção a pracinha que ficava a um quarteirão da minha casa. Matteo estaria me esperando lá, pensei, mas suspirei ao constatar que estava errada. Matteo não estava lá como havíamos combinado. Olhei ao meu redor, e voltei a suspirar. Troquei o peso do corpo para a outra perna , e passei os dedos entre os cabelos. Onde ele estaria? Ele era sempre tão pontual. Será que tinha acontecido alguma coisa?
- Ciao. – Virei subitamente ao ouvi-lo. Ele sorriu pra mim e eu fiquei um minuto analisando-o antes de retribuir o sorriso. Matteo estava de calças escuras, tenis, blusa branca, com uma jaqueta por cima, e usava um gorro no alto da cabeça, ainda deixando a mostra seus cabelos repicados. — Perdonami per il retardo. Mia mamma mi ha chiamato e ho finito per perdere tempo. Sai come sono le madri, parla come sonagli. – eu arregalei os olhos.
- Está... Falando... Em italiano. – eu disse e ele sacudiu a cabeça antes de rir.
- Perdonami... Digo, descunami... Desculpa. – ele tentou s corrigir ainda cheio de sotaque. Eu ri.
- O que houve?
- Mia mama. Ela me telefonou... Quando falo muito tempo em italiano, é difícil... Voltar a falar um inglês perfeito. – ele balançou a cabeça antes de sorrir. – Acredite io parlato... Eu falei muito tempo com ela. – ele riu e eu sorri também.
- Sei o que dizem sobre mães italianas.
- Super protetoras. Pois é. – ele deu de ombros e sorriu fraco.
- Você está bem? – perguntei involuntariamente. Matteo não me olhou. Ficou encarando a praça vazia. — Teo?
- Não. – ele disse apenas.
- Não o que?
- Não estou tão bem. – ele suspirou sem me olhar e eu estiquei a mão para pegar a dele.
- Quer falar? – perguntei e ele balançou a cabeça negativamente. – Tudo bem. – eu sussurrei. – Vamos para o galpão? – Perguntei e ele assentiu antes de apertar minha mão.
Enquanto andávamos em direção ao prédio onde ficava o galpão, Matteo não me olhava. Eu o encarava de soslaio enquanto ele suspirava vez ou outra com o pensamento longe.
Chegamos ao prédio, mas em vez de irmos para o galpão, Matteo me levou mais para cima. Subimos as escadas que davam aceso ao terraço. Eu sorri pra ele, que meneou a cabeça com um sorriso fraco.
A vista não era tão bonita. Não dava pra ver toda a cidade, nem as luzes dos outros prédios. Mas a sensação de estar lá era boa. O vento frio e o céu limpo. Era bom estar lá.
Virei-me para olhar Matteo, que tinha se sentando junto a uma claraboia. Sentei-me ao seu lado.
- Você ficou comigo quando eu estava triste, e... Eu vou ficar aqui também... Não precisa me contar nada, mas não pense que vai se livrar de mim. – eu falei devagar e ele virou o rosto para me olhar. Depois de passar longos segundos me observando, Matteo deu um longo suspiro.
- Toda vez que falo com minha mãe, lembro-me do que aconteceu com minha irmã. É ruim. E eu fico assim. É inevitável. – ele disse devagar. E eu engoli em seco, pensando no que havia acontecido. – Quero te contar, mas... Tenho medo que aconteça a mesma coisa que aconteceu... Há algum tempo. – ele encarou os dedos e depois me olhou. – Mas... VocÊ quer ouvir? – ele perguntou me encarando. Seus olhos negros pareciam brilhar mais do que tudo e eu assenti devagar, pensando que o que ele iria me contar podia mudar todo o rumo da história.
Notas finais
P.S. Quero saber de onde vcs são [ estado, cidade], pra ver se tem alguém por aqui pertinho. *--*-* beijocas.
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