Breakaway
20 Capítulo 18
Notas iniciais
E voltei empolgada esse cap tá um ´pouco longo, mas vai mudar as coisas um pouco. Espero que curtam.
– Sarah, pode atender a mesa 9? – Ted quase gritou enquanto pegava notas na caixa registradora. Eu reprimi uma risada e terminei de anotar o pedido da outra mesa antes de me dirigir à mesa nove.
Ted raramente saía do seu escritório. E vê-lo passando sufoco era no mínimo engraçado. Ele dizia que só era para incomodá-lo se acontecesse algo parecido com a segunda guerra mundial. Chad decidiu chamá-lo depois que os garotos do turno da manhã chegaram e mesmo assim não estávamos conseguindo dar conta. Quase não conseguíamos passar entre as pessoas. Tudo isso por causa da feira de tecnologia em um dos campus da universidade. Mesmo não sendo tão perto da Universidade, o Dinner ficava lotado quando esses eventos aconteciam, porque não tinham muitas lanchonetes boas na região.
Por isso quando saí correndo da Universidade naquela manhã, tomei um susto ao ver a quantidade exagerada de nerds, geeks [e todos os outros variados tipos de seres que curtem tecnologia avançada], lá na lanchonete.
– Se mais um nerd me perguntar por que não consegue se conectar à internet aqui, eu juro que mato. Juro. – Taylor resmungou pela enésima vez, voltando ao balcão. Eu ri.
– Relaxa Tay, já já acaba. – eu passei a mão em seu braço.
– Tomara mesmo, porque tenho compromissos hoje. – ele deu de ombros, e eu o segui para a cozinha.
– Ui, posso saber que compromissos são esses?
– Não sei se quero te contar. – ele me olhou com expressão esnobe e depois riu quando eu revirei os olhos. – Vou sair com a Chloe. – ele suspirou e se virou pra pegar umas latas de refrigerante para repor o congelador.
– Que ótimo, Tay. Vocês vão se dar muito bem – eu sorri pegando um prato que Jimmy tinha preparado.
– Você não se importa não é? – ele perguntou me olhando e eu sorri.
– Claro que não, eu quero te ver feliz. – eu sorri antes de pegar outros dois pratos e os equilibrar na mão.
– Ah por favor, não fale como se eu fosse me casar com ela. – ele riu e fez uma careta. – Só vamos sair.
– Sei. – eu reprimi uma risada e ele me tombou. – De qualquer forma, quero saber de tudo quando você voltar. Me ligue ou vá me ver, ok? – eu falei enquanto voltava ao salão. Ele sorriu e assentiu.
– Okay.
Depois desse momento não consegui mais falar com Taylor. Quando ele conseguiu uma folga se despediu rapidamente e correu para casa. Eu ri e sacudi a cabeça enquanto limpava algumas mesas e repunha os chás e refrigerantes de alguns copos dos poucos nerds que ainda estavam espalhados pelo salão. Só nesse momento me dei conta de que não tinha falado com Chad mais do que três os quatro palavras rápidas. Ele estava sempre distante e quase não me olhava. Quando acontecia de sem querer me olhar ele desviava o olhar rapidamente.
Suspirei correndo os olhos pelo salão. Ele estava no balcão conversando com Ted perto da caixa registradora. Sua expressão era séria, e eu sorri pensando em como ele ficaria bem como juiz.
Porque ele estava se distanciando de mim? Ele estava se distanciando de mim? Não queria pensar que era por causa da minha insanidade na noite de domingo, quando me deixei levar, misturando todos os meus sentimentos.
E quanto a Matteo? O que ele representava pra mim? Eu gostava dele? Digo, como eu podia gostar dele? De que jeito?
Sacudi a cabeça, percebendo que nenhuma daquelas perguntas estava fazendo sentindo. Matteo, Chad... Pensar neles estava me deixando ainda mais confusa.
– Você está alisando essa mesa há uns trinta minutos. – eu quase saltei ao ouvir sua voz atrás de mim.
– Ai que coisa, você tá parecendo aqueles caras de filmes de vampiros me assustando o tempo inteiro.
– Você descobriu o que eu sou? – ele perguntou com uma voz sombria e eu ri.
– Sim. – eu falei dramaticamente.
– Diga em alto e bom som.
– Vampiro. – eu ri, e ele gargalhou. – Você anda assistindo esses filminhos? – eu debochei enquanto limpava outra mesa e ele deu de ombros me seguindo.
– Claro minha filha, é um clássico. – eu abri a boca antes de rir, e ele sorriu antes de me encarar com uma expressão diferente.
– O que faz aqui há essa hora, Bellucci? – perguntei enquanto andava recolhendo os copos das últimas mesas.
– Estava no galpão aqui do lado fazendo umas coisas, e resolvi passar aqui, mas a lanchonete estava lotada, então resolvi vir agora.
– Hum. Me ver? Sentiu saudade? — eu arquei uma sobrancelha e ele riu.
– Convencida... – ele cantarolou me seguindo. Eu ri.
– Só um pouquinho. – dei de ombros.
– E então...
– E então?
– O que vamos fazer hoje?
– O que vamos fazer hoje? – perguntei virando-me para olhá-lo.
– Quer dizer... Você quer fazer alguma coisa hoje?
– Tipo o que? – perguntei voltando para o balcão.
– Tipo sair por aí, ver umas coisas legais, comer alguma coisa.
– Hum... Que tal vermos o que você tanto faz no galpão ai do lado? – eu sugeri enquanto passava por debaixo do balcão.
– Acho que não. Não quero que você veja o que tem lá. – ele disse e depois mordeu o lábio inferior enquanto encarava as mãos. Eu sorri com aquele gesto.
– Tudo bem. Podemos comer alguma coisa diferente da comida daqui do Dinner, só pra variar, e depois podemos achar alguma coisa pra fazer ai no centro. O que acha? – perguntei e ele sorriu de lado.
– Acho que você é muito melhor fazendo planos do que eu. – ele riu e eu sacudi a cabeça antes de entrar na cozinha e deixar a bacia com pratos sujos lá. Voltei para salão e tirei o avental, antes de estender uma mão para Matteo.
– Pode me esperar alguns minutos? – eu perguntei e ele assentiu. – Já volto. – eu disse antes de correr para a sala dos funcionários. Agradeci mentalmente por ter levado uma roupa extra e entrei no banheiro. Tomei um banho rápido, me sequei e me vesti. Calça jeans, blusa branca, botas de cano curto, e um casaquinho verde água. Me encarei num espelhinho e dei de ombros antes de pegar a bolsa e sair da sala. Voltei para a sala depois de vinte minutos.
Encarei o salão e meneei a cabeça ao ver que Matteo não estava lá. Olhei ao redor e vi Chad limpar o balcão. Ele me encarou e depois sacudiu a cabeça.
– Procurando seu namoradinho? – ele perguntou sem me olhar.
– Não, procurando o Matteo. – eu disse passando por debaixo do balcão. Ele se virou pra me encarar.
– Não gosto dele. – ele disse.
– Não tem que gostar.
– O que foi?
– O que foi o que? Você passou o dia me evitando! O dia não, desde segunda você está assim! Eu é que te pergunto, o que foi? – eu quase gritei e ele respirou fundo antes de passar por debaixo do balcão para vir até mim.
– Olha... Eu... Tem... Há uma coisa... Que... Eu... Eu devia te dizer. Droga, eu não sei o que te dizer.
– O que? Fala pra mim! O que há de errado? Sou sua amiga não sou?
– É, claro que é. Mas é exatamente por isso que não posso... Que não consigo te falar. – ele sacudiu a cabeça e chegou mais perto. – Droga Sarah, porque faz isso?
– Isso o que? – eu perguntei, agora com o tom de voz mais baixo, e ele respirou fundo, como se tivesse se rendendo.
– Isso.
E então aconteceu de novo. Só que agora de um jeito diferente. Do mesmo jeito que da última vez. Parecia que ele queria se despedir, quando colou os lábios nos meus. Chad me beijou devagar, antes de me puxar pra mais perto. Eu suspirei pensando no que aquilo significava. Porque estava me beijando? Agora? Onde... Matteo. Era isso.
Me afastei devagar de Chad e olhei ao redor.
– Ele está aqui ainda não é? Por isso me beijou? – perguntei e engoli em seco quando ouvi minha voz soar esganiçada. – Quer que eu me afaste dele, e está usando isso...
– O que? Não, claro que não. Porque isso o afastaria de você, o que vocÊs tem?
– Qual é a sua Chad? O que você quer? Eu... Eu não sei o que você quer. – foi mais um sussurro do que um grito. Chad me olhou com uma expressão de quase dor.
– Eu não sei. Sinceramente, eu não sei. E sim, ele está ai fora, mas eu não fiz isso porque queria que você se afastasse dele. Eu... Fiz isso, porque eu precisei fazer. Porque não sei... Porque eu não sei Sarah. – ele suspirou derrotado e eu balancei a cabeça negativamente.
– Quando você souber me avisa, tá Chad. – eu disse antes de me virar pra sair.
Saí da lanchonete e olhei ao redor procurando por Matteo. E se ele tivesse visto? Não tínhamos nada mesmo. Porque eu estava me preocupando?
– Oi. – dei um salto. – Desculpa. – Matteo riu e eu apertei os olhos.
– Onde você estava? – perguntei enquanto ajeitava a bolsa no ombro.
– Fui dar uma volta. Seu amigo não gosta muito de mim, e eu não estava gostando do jeito que ele estava me encarando. – ele fez uma careta e riu.
– Podemos ir? – eu suspirei e ele assentiu.
– Vamos.
Andamos lado a lado, e eu deixei meus pensamentos voarem pensando no que estava acontecendo com Chad. Qual era o problema dele? Suspirei e decidi que descobriria no dia seguinte. Estiquei o braço para agarrar o de Matteo e ele retesou o corpo enquanto andávamos, eu o olhei e sorri. Ele respirou fundo e sorriu apertando meu braço contra seu corpo.
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