Break the cycle
7 capítulo 7-Love Gone Wrong
Notas iniciais
Não sabia se estava se estava inconsciente ou em estado de profunda letargia. A voz não saía, os membros não obedeciam.
O nome de Himawari era a única coisa em sua mente.
A boca parecia balbuciar palavras desconexas, mas nada saía. Tudo que sentia era algo úmido e quente nas bochechas. Estava chorando e já não percebia mais.
—Hima...wari... –Saiu em um sussurro.
Sentiu a força voltar. Não sabia quanto tempo podia ter passado, minutos, horas, dias? Quem sabe. Mas a questão fundamental era o que podia ter acontecido com Himawari nesse intervalo de tempo.
Lutou contra o próprio corpo para conseguir ao menos ficar sentada no chão. Após a respiração voltar, a perna pareceu parar de cambalear. Levantou-se e se pôs em disparo na direção do clã Hyuuga.
Avistou de longe a mansão com um enorme quintal a frente. Mas o brilhante portão impedia sua passagem. Dois homens Hyuugas a observavam. Um mais velho com os longos cabelos castanhos e um mais novo com o cabelo curto, desfiado e azul.
—Me deixem entrar! –Agarrou-se a barra metálica gelada.
—Desculpa, Hinata-sama, não devemos deixar pessoas de fora entrar. Está tendo uma reunião no momento. –Hinata pode notar resignação na voz do mais novo.
—Mas eu sou uma Hyuuga! –Balançou-se furiosa nas barras.
—Temos ordens estritas para não deixar você passar... –O homem parecia culpado em realizar o seu dever.
—Isso só pode ser uma brincadeira! Minha filha está aí dentro e eu não posso entrar?!
—Ei, que diabos tá pegando aí? –Uma voz conhecida aproximou-se por suas costas.
—H-Hanabi-san! –Os guardas assustaram-se.
—É isso aí. O que acontece? Por que minha irmã não pode entrar?
A irmã mais nova se colocou do lado da mais velha. Hinata apenas virou a cabeça para observar Hanabi. Ela estava com sua roupa de missão que consistia num quimono azul escuro cujo comprimento era até a metade da coxa. Estava entreaberto no busto que estava coberto por cota de malha, trajava também uma bota cano alto preta.
—T-Temos ordens de Atsuma-sama...
—Pois eu tô cagando pro Atsuma. Abra esse portão, ou você quer que eu destrua essa porra?!
Hanabi permaneceu imóvel com os braços cruzados, firme. Hinata as vezes invejava a postura durona da irmã.
Os homens a sua frente entreolharam-se e abriram o portão rapidamente.
—D-Desculpe-me! Sejam bem vindas. –O mais novo curvou-se cumprimentando-as.
—Guarde esse puxassaquismo pra outra hora Milo. Não sou obrigada. –Hanabi adentrou o portão jogando o cabelos para trás.
Hinata a seguiu cautelosamente.
—Fala sério, é só eu sair em missão em um mês que aquele velho babão revira isso tudo de pernas pro ar! Ah mas ele vai ouvir poucas e boas, ah se vai! –Hanabi praguejava. –E que história é essa de Hima-chan estar aqui, Hina?
A mais nova conduzia Hinata pelo jardim sem olhar para trás. Hinata pode sentir vários olhares de desaprovação em sua direção.
—Himawari... Tem o byuakugan...
Hanabi parou por um momento.
—Wow, isso era bem improvável.
A porta da mansão fora aberta.
—Aqueles crápulas trataram de pôr as garras na minha sobrinha, não é mesmo?
—Sim... Naruto assinou o contrato e...
—ELE O QUE? Hinata, seu marido tem vento no lugar da cabeça por acaso?
Ruborizou. Hanabi não sabia nem um decimo do inferno que esta questão se tornara entre os dois.
—Pela tua reação a resposta é sim. Como é que ele deixa a própria filha ser tomada assim? Ahhh, como estou puta com isso! –Socou uma porta de correr que caiu para trás.
Hinata viu homens jovens e velhos reunidos em torno de uma mesa no centro e Himawari sentada num canto do cômodo.
—Mamãe! –A pequena correu até seus braços.
Abraçou-a com toda a força que podia, nunca mais poderiam toma-la dela.
—Certo, certo... Que reunião é essa sobre minha sobrinha que eu não fui informada? –Hanabi estava completamente zangada.
—Só estávamos discutindo como iríamos treinar a garota, uma vez que ela corre mais riscos por também ser filha do hokage. –Disse Atsuno, enquanto ajeitava os longos cabelos castanhos.
—Isso pode ser facilmente resolvido. Eu a treino. –Hanabi respondeu.
—Tememos que não seja possível, Hanabi-san. –Completou Sakuma.
—Por que? Um velho como você que vai a treinar? Faça-me rir.
—Você vive indo em missões, nunca para quieta no seu clã. –O velho respondeu.
—É claro, eu vivo entediada aqui! E querendo ou não eu sou a pessoa melhor qualificada para isso. Ou vocês gostaria que eu provasse isso, agora mesmo? Podem até amarrar meus pés para ser mais justo para vocês. –Sacou uma kunai e manteve próxima ao rosto, que exibia um malicioso sorriso.
—Baixe essa arma Hanabi, não queremos uma luta entre nós. –Atsumo ordenou em seu posto de líder. Hanabi assim o fez.
—É uma piada logo você dizer isso, Atsumo. Você acha que somos idiotas? Você vai colocar o selo na menina. Você quer ver o ramo secundário em revolta por acaso? E que lindo plano o seu, Sakuma, tentando unificar a família do ramo superior novamente, pena que ninguém te vê como um líder. –Riu. –Vocês são dois fracassados, precisam usar a menina pra mostrar que tem poder, que podem subjugar qualquer um a vontade de vocês. –Tirou a bandana da testa. –Conseguem ver essa marca? POIS OLHEM BEM. Essa marca, nunca mais voltará. –Apontou para Hinata que estava encolhida com a filha. –Essa mulher, ela acabou com o pesadelo de muitas mães, pais e crianças que agora tem uma vida toda pela frente. E vocês acham mesmo que isso vai voltar? SÓ POR CIMA DO MEU CADÁVER!
Hinata olhara para a mulher determinada a sua frente, se lembrava todos os dias como ela ganhara o selo. Até a guerra, o clã Hyuuga não concordava que ela fosse a próxima líder, apostavam suas fichas na fervorosa e talentosa Hanabi. Porém após a guerra seu nome fora evocado no campo de batalha, mostrou sua capacidade e finalmente a aceitaram. Hanabi não sucederia mais a linhagem e deveria ter a missão de proteger Hinata, como sua súdita. A mais velha protestara, se recusara a ideia, mas a mais nova a desacordou no dia que recebera o selo. Tudo que ficou sabendo era que a garota recebera a marca sem expressão nenhuma de dor, alguns pensaram até ter a visto sorrindo. “É claro que me sinto honrada em proteger nossa futura líder!” Repetia a todos. Mas Hinata sabia que ela fora obrigada, não fora uma escolha e Hanabi apenas tentava animar os ânimos de todos. Teve a certeza pois viu a mais nova rolar no chão do próprio quarto em meio a dor e lágrimas. Talvez ela tivesse sido a melhor líder que aquele clã alguma vez já tivesse visto.
—Está certo, você treinará a garota. –Atsumo se levantou. –Com algumas condições: A garota deverá residir aqui, para ser observada 24 horas por dia. Você só poderá a treinar sob nossa observação, e Hinata-sama não poderá a monitorar. –Sakuma fitava-o, provavelmente estava completamente irritado com a decisão feita do líder sem sua consulta.
Hanabi olhou com a sobrancelha cerrada para a mais velha que assentiu com a cabeça. Isso significaria que só poderia fazer algumas visitas, mas ao menos estaria protegida com a irmã.
—Mamãe, você vai deixar eles me levaram? –Himawari não a largava.
—Querida, me escuta. Você tem que obedecer sua tia, eu virei todos os dias lhe ver, vamos dar um jeito nisso, eu prometo. –Beijou-lhe a testa.
—Então temos um acordo que agrada a todos. Se me permitem, vou instalar Himawari no meu quarto. E só lhes dou um único aviso: Se eu ver qualquer tipo de gracinha, eu MATO vocês. –Disse com os braços cruzados. –Obrigada por mais uma reunião agradável, senhoras e senhores, esperemos que as próximas reuniões tenham ao menos aperitivos. –Disse com uma voz doce enquanto sorria.
—Vamos Hina e Hima! –Deu-lhes a costa enquanto amarrava novamente a bandana na testa.
Hinata a seguia, de mãos dadas com Himawari. Ela teria entendido tudo ou precisaria explicar toda a situação? Ela não estava chorando, mas a perturbação era nítida.
—Eu vou morar aqui agora, mamãe?
—Sim...
—Por que mamãe e papai não podem vir também?
—Somos uzumakis querida...
—Mas... Eu também sou! –Os olhos começaram a marejar.
—Sim, mas você tem os olhos dos Hyuugas. Mamãe infelizmente foi expulsa do clã, então não posso voltar... –Ajoelhou-se ao seu lado limpando as lágrimas com a ponta dos dedos, enquanto tocava de leve as bochechas da filha.
—Eu não quero mais esses olhos! Eles só causam confusão! Eu quero voltar pra casa, mamãe! –A voz agora era embargada pelo choro.
Abraçou-a tentando confortá-la.
—Não fale assim, mina querida. Você é muito nova ainda para entender, mas você recebeu dádivas. Dádivas dos deuses.
Por mais problemático que fosse Himawari ter despertado o Byakugan, Hinata só conseguia lembrar quantas vezes sua habilidade lhe tirara de situações que poderiam significar a morte para qualquer outro ninja que não os tivesse.
—Isso mesmo, não se sinta tão mal! Pense que você vai passar férias com a tia Hanabi! Vou te ensinar como dar uma lição em Boruto toda vez que ele aprontar com você! –Hanabi se curvou, sorrindo.
—M-Mesmo? –Himawari limpava as lágrimas, de certa forma a ideia pareceu lhe animar.
—Hanabi! Olha só o que você fala para Himawari!
—Hehe, eu vou ensinar ela ser uma garota durona como eu!
Himawari sorria.
—Céus, agora estou realmente preocupada sobre a ideia de você treiná-la...
Himawari parecia mais animada, o ar da preocupação sumira. Porém Hinata sabia que ela fazia para não inflamar a situação. A filha era tão nova mas já conseguia lidar com desentendimentos...
Subiram até o quarto de Hanabi. A morena se jogou na cama arrancando as botas, Himawari a seguiu fazendo o mesmo. Hinata se sentou ao lado da cama.
—E então, onee-chan, o que você tem em mente? –Hanabi brincava com seus cabelos.
—Uma decisão. –Respirou fundo. –Você já imagina, não é mesmo?
—Acho que sim... Eu faria o mesmo. Mas... e eles?
—Vai tudo se ajeitar... Eu espero.
Hinata engatinhou até a filha e a abraçou.
—Querida, saiba que por mais estranha a situação seja, eu te amo muito, tá bom? –Beijou-lhe a testa.
—Eu também te amo muito! –Abraçou a mãe.
—Hima, fique aqui com sua tia. Irei buscar alguma das suas coisas.
—Eu também quero ir! –A pequena protestara,
—Por enquanto você não pode sair daqui, entendeu? Mas volto logo logo. –Deu-lhe outro beijo na testa. –Hanabi, você a olha, certo?
—Com certeza.
—Obrigada.
Se levantou e começou a andar, porém quando estava na porta a irmã a abraçara pelas costas.
—Força, onee-chan!
De fato invejava o jeito durão de Hanabi. Seus olhos começaram a marejar.
—Eu já volto. –Se separou do abraço e tomou rumo até os portões que mais cedo a bloqueavam.
Olhou os dois homens, o mais velho abrira o portão para sua passagem, o mais novo parecia relutante em lhe dizer algo. Porém quando seus olhos se encontraram ele desviou o olhar.
Ele sabe de algo e não tem coragem para dizer, pensou Hinata. Milo era o nome dele, iria gravar.
Nas ruas de Konoha sob o entardecer não resistiu, deixou as lágrimas escaparem. Alguns olhavam espantados, ora, por que a mulher do Hokage estaria chorando? Será que algo grave acontecera ao chefe da aldeia?
Ainda não.
Abriu a porta da própria casa e sentiu o peito explodir. Jogou-se no sofá e deixou todas as lágrimas saírem, sem arrependimento. Não poderia ter novamente recaídas.
Ajeitou algumas roupas e separou alguns brinquedos de Himawari numa bolsa. Então foi para o próprio quarto e começou a ajeitar suas próprias roupas e abrir sua pasta de documentos.
Abriu o armário da parte do marido e viu o antigo traje laranja que Naruto usava, há muito tempo escondida no fundo do armário. Desdobrou-a e abraçou-a, sentindo seu cheiro.
Ele não daria falta daquela velha jaqueta. Colocara no fundo da bolsa, onde nem ela mesmo a veria tão fácil.
Deu uma última conferida nas malas e nos documentos. Trouxera-os até a sala, as malas ficaram do lado do sofá e os documentos espalhados sob a mesa. Em menos de uma semana sua vida dera uma enorme reviravolta, tudo originado no envelope branco que seu clã a ameaçara.
Agora bastava esperar o motivo da ira deles para com ela. Roía as unhas, uma crise de ansiedade subitamente atacara-lhe. E se ele não voltasse para casa hoje? E se voltasse só de madrugada?
Esperou. Meia hora. Duas horas. Cinco horas. E já eram onze da noite. Quando pensava em desistir e em deixar para outro dia, ele veio. Ele girou a maçaneta e ela deu de cara com seus orbes azuis, como o céu.
—Hina, você ainda tá acordada! –Parecia sorrir, mas viu o sorriso morrer quando o loiro constatava as bolsas e os papéis sobre a mesa. –E então... O que foi? –Seu olho agora estava arregalado, como se as peças se montassem em um quebra cabeça.
—Eles pegaram Himawari.
—Já falamos que ela iria ser treinada por eles...
—Falamos? Pois eu não estava ciente de nenhum acordo com o Hokage!
—Hinata, calma, por que você está assim? Eles só vão a treinar!
—Você não entendeu que eles a pegaram?! Você não conhece o treinamento que os Hyuugas tem! É tão secreto que nem eu posso vê-la!
—Mas você sempre treinou com Kiba e Shino... Eles não podiam a ter pego assim sem mais sem menos!
—Sempre? Eu sempre fui torturada por meu clã! E não só poderiam fazer, como fizeram! –Se levantou. –E tem mais, ELES PODEM COLOCAR O SELO NELA! Sabe por que? Por que você selou aquela maldita carta!
Viu o loiro estremecer a sua frente.
—N-Não... E-Eles não poderiam, você aboliu isso Hinata!
—E você acha que do jeito que eu aboli eles não poderiam revogar?!
—Por que eles fariam isso?! Vocês são uma família, então por que eles fariam isso com nossa filha, Hinata? –Os olhos de Naruto formavam lágrimas, finalmente entendera o que fizera.
—Por que você permitiu. Por que somos uma família com conflitos internos... Que ninguém mais sabe, nem mesmo o hokage poderia saber... –Abaixou a cabeça. Tivera que por fim revelar.
—Eu vou queimar aquela carta e pegar Himawari de volta! –Hinata pôs a mão em seu ombro e negou com a cabeça.
—Você não pode fazer isso, você acha que o clã Hyuuga iria se curvar para um intruso? Você só iria piorar a situação e botar o clã contra Konoha.
—Eles preferem ser todos traidores da vila?
—Pela sua honra? Sim, e não se esqueça que os maiores espiões de Konoha estão em meu clã, Naruto-kun. Eles simplesmente não sairiam com uma mão na frente e outra atrás, eles guardam os segredos de Konoha. Sempre nos fora ensinado que a família era mais importante que a origem... Nos murmúrios sempre foi espalhado o que acontecera no clã Uchiha, você acha que eles se dariam o luxo de cometer o mesmo erro? Eles agiram antes e estão com nossa filha.
—Mas... o clã Uchiha era segredo de estado! –Podia ver o rosto pálido do marido.
—Exatamente.
—Eu... sou só um forasteiro para eles? Mesmo sendo um hokage?
Hinata assentiu com a cabeça.
—E foi por isso que não me aceitavam com líder. Eu estava grávida de um homem que não era do meu clã... –As lágrimas começaram a se formar. Limpou antes que se tornasse insuportável as segurar.
—Hinata, por que... Você nunca me contou nada? –O loiro por outro lado chorava, abraçou-a tentando confortá-la.
Fora repelido com um empurrão. Isso já era demais para que ela pudesse suportar.
—Eu não podia! E por que você tomou todas aquelas decisões sem me consultar?!
—Eu não sabia que seria assim.... Eu... Sou um idiota mesmo, não sou? –O loiro tentava limpar as lágrimas.
Por que tinha que ser tudo tão difícil, tão doloroso? Por que as lembranças da felicidade que fora aos poucos sendo construída dos dois tomava-lhe a mente? Em outro momento ela o abraçaria com todas suas forças, animariam-se um ao outro. Mas não mais.
—Eu... Não posso voltar para o clã Hyuuga pois não sou mais uma Hyuuga... –A voz saia falhada, mesmo que evitasse as lágrimas.
Naruto observava-o desamparado, com aqueles olhos azuis que sempre amara.
—Eu... Não posso mais ser uma Uzumaki. Naruto-kun, devemos nos separar.
Fale com o autor