Break the cycle
2 Capítulo 2-This time arround
O portão do clã Hyuuga afora aberto. Amassou o pedaço de papel branco nas mãos e buscou a determinação que a levara até o local. Engoliu em seco e seguiu o caminho pelo jardim enquanto recebia vários olhares, desde a família principal até a família secundária. Não era bem vinda lá, sabia muito bem. Chegou até a casa e abriram a porta de correr, mas não pareciam mais ser membros da família secundária. Em sua frente estava Atsumo, o carismático novo líder do clã vindo da família secundária. Como todos do clã Hyuuga, ele tinha seus olhos. Ele até lembrava Neji com a bandana na testa, mas seus cabelos eram negros.
—Princesa Hyuuga, o que leva sua presença a nos procurar? –O homem disse-lhe em tom de escárnio.
—Dispenso tal formalismo, você sabe muito bem o motivo de minha vinda. –Não podia fraquejar, devia buscar a determinação do fundo de sua alma.
—Pois eu não vejo a criança.
—E não verá, ela não irá ser criada por vocês.
—Então a princesa Hyuuga irá negar o acordo?
—Irei. –Respondeu sem ressentimentos.
—Você sabe muito bem as implicações de tua decisão, não é mesmo senhorita?
—Por muitos anos eu fiquei em silêncio, achei que não me envolver seria a melhor decisão uma vez que você não toma nenhuma decisão sozinho. O que você pretende fazer será o motivo de sua queda, Atsumo.
—Além de se mostrar não confiável agora você nos ameaça, Hinata-sama? –Pelo fundo da casa surgiu um homem idoso, Sakuma, um membro da família principal. Seus cabelos eram brancos e tinha uma barba branca espessa, o que dava a impressão de estar na presença de um fantasma.
—Ora Sakuma, é você mesmo que pretende instaurar o caos entre a família secundária e a principal. Você acha mesmo que eles aceitariam novamente receber o selo?
—Por questões de segurança. Não seria difícil afirmar que foi uma decisão vinda numa hora errada de uma líder despreparada, que fugiu na primeira dificuldade.
Era verdade, ela sabia muito bem. Após a morte de seu pai, o conflito entre as famílias se intensificou. Sempre tentara o contato com a família secundária, mas eles a desprezavam. Eles não se submetiam a figura de uma “mulher fraca” que se relacionava com uma pessoa de fora do clã, mesmo este sendo o herói da guerra. Tomara a decisão de abolir o selo em memória de seu falecido primo, mas foi interpretada como uma tentativa de controla-los s a sua vontade. Foi assim que o representante da família secundária, Atsumo pregou entre os seus. Com a ajuda de Sakuma que tinha o interesse de sua queda e era influente no ramo mais alto da família, suas decisões como líder fora colocada em crédito. No desespero em que estava, viu que ironicamente as famílias estavam finalmente unidas em um prol, portanto renunciou e prometeu nunca mais manchar o nome do clã Hyuuga. Abandonou a vida ninja com a promessa de manter a decisão sobre o selo e que Atsumoto assumisse. Embora soubesse que seria algo representativo, uma vez que Sakuma era a pessoa que tomaria as decisões finais.
Exceto a decisão de se envolver com Naruto, toda sua vida foi dedicada ao clã. Mas não podia abrir mão de Himawari, pensar que ela receberia o selo apertava seu coração. Se perguntava se era assim que mães e pais do ramo inferior se sentiam.
—Pois eu não irei mais fugir. Minha decisão permanece, Himawari não será treinada por vocês.
—Prefere criar um conflito na sua família e na sua vila? Veja bem, a garota será tratada bem. Ela tem o sangue do hokage e de Hiashi. –Disse Sakuma calmamente.
—Não se esqueça que ela também possui meu sangue.
—Esperamos que não seja tanto, ou teremos que fazer uma drenagem. –Sorriu Atsumoto.
Sentiu a raiva a consumir, poderia muito bem ter o desmaiado ali mesmo, mas devia se controlar.
—Não piore a situação, Atsumoto. –Alertou Sakuma. –Reitero, Hinata-sama. Você tem noção que isso também criará um conflito na vila.
—Como se eu fosse permitir.
—Não seja tão segura de si mesma só por que seu marido é o hokage. Nossa relação com Konoha é estritamente estratégica, podemos sair assim que decidirmos. Nossa família é a única coisa que importa, mas acho que você não compreende, já que você decidiu a abandonar. –O mais novo a acusou.
—Então vocês chegariam a esse extremo por causa de um acordo negado? Talvez ninguém esteja de fato apto para liderar o clã Hyuuga. Minha resposta foi dada, agora com sua licença, senhores, irei me retirar.
—Pense bem, Hinata-sama. O acordo ainda continua de pé. –A voz rouca do senhor ressoou em sua mente.
Virou-se e retirou-se do aposento. Queria correr, queria voltar pra casa e se aninhar nos braços do marido. Tentou manter a postura séria até que saísse do jardim da família.
Enquanto caminhava na estrada de Konoha percebia que o corpo tremia. Se sentia em cacos. Andava depressa, desviando das pessoas em sua direção até a sua humilde casa. Girou a maçaneta e viu Himawari brincando com seus ursos de pelúcia, provavelmente simulando uma luta. Seu coração novamente apertou e os olhos encharcaram-se.
—Mamãe? –A pequena largara os brinquedos e corria em sua direção com os braços para trás, como uma ninja. Pegara a mania de Boruto.
Ajoelhou-se e a abraçou-a o mais forte que pôde.
—Por que você tá chorando, mamãe? –Himawari entrelaçava os braços em seu pescoço. –Não chora! Eu faço chá pra você se você parar!
Ela era tão doce. Por que tinha que ter despertado o byakugan? Seria uma arma ninja no fim.
Por que foram contar sobre seus olhos? Se perguntava se fora Naruto a contar em prol da vila. Tinha medo.
—Está tudo bem, minha querida. Volte a brincar. Mamãe irá ver o papai.
Raramente ia no serviço do marido, mas aquilo era um motivo plausível. Limpou as lágrimas e foi até o prédio do hokage. Os ninjas que faziam a segurança cumprimentaram-na. Ignorou Shikamaru quando ele tentou falar com ela. Simplesmente abriu a porta do escritório e viu o Hokage rindo e conversando com uma moça ruiva.
Não gostou da cena, não havia mais ninguém com eles na sala. Ela era bem atraente, e ele parecia estar bem à vontade.
—Hina? Você não me falou que viria.
—Tenho assuntos importantes a tratar com você. –Respondeu séria.
Ele pareceu perder a reação por um momento.
—Só um momento e já falo com você, pode ser?
—Como o senhor quiser, senhor hokage. –Saiu da sala furiosa.
Se sentia uma idiota. Odiava ficar com ciúmes, mas era uma cena que não precisava ver. Respirou fundo.
A ida ao clã hyuuga repassou toda em sua cabeça. Uma grande ironia, o motivo de sua queda como líder foi de fato se relacionar com alguém de fora. Ganhara um marido ausente, e que agora estava aos risos com o que devia ser uma princesa de algum país.
Shikamaru foi até a sua direção.
—Ele estava em uma reunião.
—Eu percebi.
O moreno coçou a cabeça, provavelmente ficara sem reação ao ver ela com raiva. Nunca vira antes.
—Quem é ela?
—Ah, uma das princesas do país do fogo. Ela veio passar as férias aqui.
—Que reunião conveniente.
—Você sabe, o país de fogo tem diminuído os repasses a konoha. Já que conflitos são raros não tem por que tanto gasto com defesa. O sistema ninja vai entrar em colapso se seguir este rumo.
—E claro que bajulando a filha do senhor do fogo teremos o repasse, né?
—Bom, devemos ser amigáveis, você sabe.
—O que eu vi era amigável até demais. Desculpe por essa cena Shikamaru, muitas coisas vem passado na minha cabeça.
—Coisas do clã Hyuuga?
—C-Como você sabe?
—A Himawari ativou o byakugan, não?
Hinata sentiu o coração palpitar.
—Quem lhe disse?
—Ué, o Naruto.
O corpo voltara a tremer.
A princesa saíra da sala e Naruto lhe chamava. Fechara a porta atrás de si, o hokage permaneceu atrás da mesa lhe fitando.
Era como se todo aquele bom humor que vira a tão pouco momento tivesse desaparecido.
—Eu preciso falar com você também, Hinata.
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