Break Up

1 Capítulo 1


- Nós devíamos dar um tempo.

Akira engasgou com o refrigerante e molhou o livro em suas mãos com a bebida recém jorrada de sua boca. Pensou e pensou e pensou e decidiu que seus ouvidos estavam com defeito. Simplesmente porque aquilo não podia ser verdade.

- C-Como assim, dar um tempo? Você está brincando né?

Disse percebendo o estrago do líquido em sua camiseta também.

- Não.

Takanori revirou os olhos e respondeu como se estivesse constatando o óbvio. E na verdade estava, Takanori era uma pessoa séria.

- Akira... Você me ama?

- Mas é claro.

- Como você sabe? Quero dizer, como sabe que ama apenas eu dentre milhares de pessoas?

Takanori apoiava-se na mesa e franzia as sobrancelhas e percebia os movimentos nervosos das mãos de Akira e seus olhos olhando para todos os lugares do recinto menos para a pessoa em sua frente. Takanori riu.

Akira respirou e coçou a cabeça e a inclinou para frente para trás para frente para trás e largou o livro sobre seu colo na esperança que ele secasse rápido. Akira pensou mais um pouco e pensava que ele teria uma resposta para a questão de Takanori na ponta da língua. Mas não tinha. Ele o amava porque amava. Agora, o porquê do porque lhe era meio que quase-mas-não-tão-completamente-assim desconhecido.

Num instante Akira se viu tentando pensar numa única razão e ele se desesperou mais ainda ao saber que ele nem devia levar tanto tempo assim para pensar nisso por motivos óbvios. Abriu a boca na intenção de responder, com esperanças que a boca fosse mais rápida que o cérebro. Só que o que ele acabou percebendo em sua burrice era que na verdade o cérebro comanda a boca. E nenhum funcionou direito naquela hora.

Tempo limite esgotado.

Gulp.

- Você não sabe, não é?

Bingo.

- Percebe agora aonde quero chegar com tudo isso?

- Ah...

A boca de Akira abriu de novo. Mas dessa vez ele emitiu algum som. Emitiu o som mais idiota que poderia ter pensado.

- Nós nunca interagimos com outras pessoas, desde sempre, somos só nós dois, Akira. Como podemos ter certeza que fomos feitos para ficar juntos para sempre se nunca tivemos outro relacionamento antes, nunca tivemos outras experiências? – Takanori se jogou no encosto da cadeira — Desculpe eu... eu já não tenho tanta certeza assim disso que estamos tendo agora.

Espera. Espera espera espera!

- Mas o quê?

- Akira – suspirou – Pensei que não fosse tão lento assim. Simplesmente nos separaremos por tempo indeterminado e, talvez, eternamente.

- Eternamente?!

- É, se eu encontrar alguém e você encontrar a resposta e a der para outra pessoa... Você sabe. Mas ainda poderemos ser amigos.

Takanori, cujos olhos eram azuis. Cujos olhos eram do mais puro azul mentira (porque obviamente eram lentes de contato e mais nenhuma metáfora, não senhor), mantinham-se presos à figura de Akira. A figura de um estático e sem reação e chocado Akira. Um Akira que estava com a capacidade de simplesmente pensar comprometida no momento. Logo, não conseguiria formar uma resposta. Logo, Takanori iria ficar incerto se o outro concordava ou não. Mas convenhamos, estava na cara que Akira não queria. Porém era só convenção perguntar antes que fazer, afinal, ainda era uma relação. E precisa de dois, ou mais, para se ter uma. E não podemos esquecer da mutualidade.

- Akira... Poderemos ser amigos ainda, certo?

Terra para Akira. Terra para Akira.

- Akira... ?

E Akira entrou de vez para um estado vegetativo.

O primeiro amor dele acabava de lhe dar um pseudo fora.

E ele não fez nada.

Além de ser uma beterraba.

E ele odiava beterrabas.

Notas finais
Algo que achei largado numa pasta. Decidi terminar. Num tempo indeterminado. Obs.: A chance de haver mudança de casal no decorrer da história está sendo altamente considerada. [edit] depois de tomar consciência que muitos não apreciariam a mudança, digo agora, se não quer correr o risco de talvez ver isso ocorrendo no futuro, aviso para parar aqui.