Break Her Heart
3 You go out, you see him with her
Resolvi desistir. A culpada era ela, não me deprimiria pelos cantos por sua causa. Ela estava triste comigo, ela estava chorando por mim. Isso era suficiente, não precisa de minhas palavras para se sentir melhor. Nem ao menos deveria se sentir melhor. Queria que ela ficasse lá, deitada no sofá se entupindo de chocolate e bebendo. Olhando seriados antigos na televisão e pensando que era uma idiota. Acabou porque quis, não fiz nada a ela.
Houve um dia em que saí para almoçar, não me importava em comer em casa. Cozinhar é um desperdício de tempo, isso ocupada metade do meu dia. Existem coisas melhores para se fazer. Estou seriamente pensando em começar uma nova turnê, meus amigos cobrem qualquer vazio na minha vida. Não vejo meu irmão a duas semanas, comecei a sentir a falta dele. Porque as pessoas se casam? Lembrei-me daquele dia. Julie e eu estávamos juntos no casamento, nem ao menos namorávamos, ou ficávamos. Apenas éramos bons e velhos amigos. Mas ela estava linda, o vestido vermelho, sensual. A enorme abertura nas costas deixava-a ainda mais atraente. Seus traços latinos eram visíveis, a pele bronzeada, os cabelos castanhos caíam-lhe muito bem. Os olhos pareciam duas bolitas, pretos como um céu sem estrelas. Cheguei ao restaurante cabisbaixo, sorria abobado e lembrava de nossas brincadeiras. De nossas noites, de todos os nossos momentos. Como eu sentia falta dela. Amor não é necessário para alguém que nunca soube o que é amar, mas agora eu vejo que eu soube e que eu sinto muita falta disso. Sinto falta das suas mãos acariciando meus cabelos, de sua cabeça encostada em meu ombro, dos seus beijos calorosos e apaixonados. Percebi que o restaurante não estava muito movimentado, havia poucas pessoas ali. Talvez tivesse chegado cedo, ninguém costuma almoçar meio dia em ponto. De qualquer forma, sentei-me em uma mesa na janela e observei os grandes quadros nas paredes. Campos, neve, pessoas, desenhos. Lembrei-me de quando fomos ao Canadá. Ri abobadamente. Ela ficou furiosa comigo, não estava acostumada com tanto frio. Mas soubemos nos esquentar muito bem no final. O Garçom veio em minha direção, carregando uma bandeja e um cardápio. Perguntou se eu queria sentar na área VIP do Restaurante, respondi que não. Sou uma pessoa normal, oras. Ofereceu-me algo para beber e eu pedi um vinho. Disse-me que quando quisesse pedir a entrada, era para chamar. Olhei para o lado da mesa e havia uma espécie de interfone pregada na mesma. Assenti com a cabeça e olhei para a porta, observando casais e famílias chegarem para mais um dia de almoço na calorosa Los Angeles. Ela estava ali, sorrindo feito boba, de mãos dadas com um homem. Ria e balançava os cabelos fazendo isso, beijaram-se. Ele a abraçou, ela passou os braços sobre suas costas e fez o mesmo. O mesmo garçom que havia me atendido minutos atrás, foi em direção a eles. Dirigiu-os até uma mesa no centro do restaurante. O homem puxou a cadeira e ela sentou-se, ele fez o mesmo. Entrelaçaram as mãos e sorriram juntos. Riram de algo que ela falou e começaram uma conversa animada. Desviei o olhar, fitei novamente os quadros no aposento e o campo verde me fez lembras dos dias que passávamos deitados no jardim de casa, olhando as nuvens e descrevendo-as. O garçom pousou sobre minha mesa um caldo de capeletti, arrumou o prato e os copos, ajeitou os talheres com detalhe e perguntou-me se queria mais alguma coisa. Pedi uma porção de massas, disse que não ficaria para a sobremesa. Elogiei o lugar e ele me agradeceu, feliz. Terminei meu almoço normalmente. Ela parecia não ter notado a minha presença. Paguei a conta e chamei o garçom para perto de mim. Perguntou-me o que desejava, entreguei-lhe vinte dólares e pedi papel e caneta. Ele me olhou, seus olhos brilhavam. Tirou uma caneta do bolso e foi até o balcão da outra extremidade do bar pegar um papel, entregou-me e perguntou se precisava de mais alguma coisa. Escrevi no papel um bilhete "Amanhã, na praia dos moles às 19h30min", disfarcei minha caligrafia e pedi para ele entregar para a moça da mesa 22. Ele assentiu com a cabeça e sorriu pra mim, retribuí. Que rapaz simpático, ele.
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