Brave Sand World
23 Recomeços
Notas iniciais
Torre Stark—04h44min AM
Horas depois
Os dedos trémulos de Abigail acariciavam a pedra azul em seu pescoço, seus olhos se mantinham aberto admirando as luzes coloridas que brilhavam durante toda a noite, pelas enormes vidraças, que ocupavam quase toda a sala de estar. Não admitiria a ninguém, mas tinha medo, muito medo do que poderia vir a acontecer. O liquido desconhecido injetado em sua veia parecia ter se fundido ao seu sangue e desaparecido em seu organismo como aguá, nenhum exame alterava sua saúde, apenas a falta de nutrientes e vitaminas. Mas Abigail temia aquela calma, os motivos de seu sequestro continuavam um mistério, contudo o que acabava com seu sono era o fato de Bucky também ter sido vitima, era estranho pensar desta forma, mas preferia imaginar que de alguma forma a HYDRA ja havia tomado conhecimento de seu retorno e gostaria de terminar o serviço, mas por algum motivo não o fizeram.
— Malditos, bastardos filhos de uma puta — praguejou aos murmúrios fechando as mãos em punho com força.
Entretanto sua sanidade parecia esvair quando se lembrava de um detalhe importante que vinha no pacote, por algum motivo o ser que comandava aquele balaio de loucos chamado Terra, ou Midgard se preferir, resolveu adicionar mais uma letra a equação. E isso a deixava ainda mais assustada. Moveu a mão direta do joelho em direção a barriga ainda lisa, sem qualquer indicio de uma vida inocente crescia ali. Tentava manter sua primeira gravidez conturbada bem longe de seus pensamentos, não aconteceria a mesma coisa, Steve estava lá e não deixaria que isso acontecesse.
Beliscou de leve a pele fina de seu ventre e pediu internamente para que aquela barriga crescesse logo. Suspirou imaginando a cara do noivo quando o bebe desse o primeiro chute ou o sentisse mexer, eram experiencias que Abbie adoraria ter outra vez.
— Abbie? — a voz de Clint a pegou de surpresa.
A mulher sorriu e girou o corpo sobre a cadeira de bar, observando o gavião que coçava os olhos um tanto sonolento.
— Tudo bem passarinho? — brincou acenando com a mão direita. — Caiu da cama foi?
— Treino — informou erguendo o arco com um sorriso pequeno nos lábios.
— Entendo — murmurou descendo da cadeira e caminhando para perto do homem que bocejava pela terceira vez. — Quer que eu faça um café?
— Presumo que tenha passado a noite em frente aquela vidraça — comentou com um tom preocupado tomando o elevador com a Stark. — Sabe, não entendo bem dessas coisas. Nunca tive filhos, mas você deveria dormir, acho que faz mal para o bebe toda essa tensão.
— Você tem razão, mas...
— O sono simplesmente não vem — completou compreensivo. — Desde que conheço Natasha, ela sofre de insonia. E ela sempre me diz a mesma coisa.
Abigail assentiu e caminhou para fora do elevador quando as portas e abriram. Uma grande cozinha ricamente equipada, brilhava de tão limpa. Pelo contos dos olhos conseguiu ver Clint ignorar a mesa e contornar o balcão se sentando sobre o mármore, alinhando as cordas de seu arco enquanto hora ou outra espiava o que a morena fazia. A cafeteira apitou rompendo o silencio e o cheiro de algo doce assando inundou os olfatos do Barton, assim como cheiro de café fresco.
— O cheiro de bolo de laranja e café fresco me lembra a minha mãe — murmurou nostálgica, com um tímido sorriso nos lábios pálidos. — Antes de toda aquela confusão de guerras e exercito.
— Como se conheceram? — perguntou agradecendo com um sorriso a xícara de café fumegante oferecida por Abigail.— Você e o Capitão.
A mulher sorriu e refletiu por alguns segundos apreciando as lembranças que inundaram sua mente. Deu um curto gole no café e direcionou seus olhos brilhantes para o homem.
— Foi no fim de 1942, a guerra já havia começado a algum tempo. Conheci Bucky primeiro — contou sorrindo vendo os olhos atentos de Clint a encararem. — Ele havia sido enviado pelo General Phillips para buscar alguns cartuxos de reposição acelerado e fui eu quem os entreguei, como fui com a cara dele, dei de presente dois localizadores que ainda estavam em testes. Lembro dele ter zombado de mim dizendo que não iria funcionar, então batemos uma aposta, se o localizador funcionasse ele me pagaria uma rodada, se não funcionasse eu sairia para jantar com ele.
Clint ergueu as sobrancelhas e esperou pela continuação.
— Ele ganhou a aposta? — perguntou sorrindo de leve ao observar o brilho claro nos olhos castanhos de Abigail.
— Claro que não — explicou em um falso tom ofendido.— Eles funcionaram muito bem, mas Bucky não teve a chance de me pagar, eu e meu irmão fomos enviados para outra base do exercito onde teríamos mais material de pesquisa. Alguns meses depois teve a feira mundial, foi onde conheci Steve. Magrelo e com mais da metade da minha altura, mas o homem mais lindo que eu ja havia visto.
— Vi uma foto do alistamento dele — Clint gargalhou alto jogando a cabeça para tras. — Era de dar pena.
— Não fale assim — brigou colidindo sua mão com o ombro do homem em um tapa ardido. — Ele podia ser magrelo e franzino mas tinha a coragem de um gigante e foi exatamente isso que me atraiu nele.
Abigail suspirou sonhadora em pensar no amado e Clint sorriu um pouco mais acompanhando os movimentos lentos da mulher.
— Vamos continue — exigiu tomando mais um gole da bebida quente.
— Impaciente — resmungou revirando os olhos. — Então depois daquela noite eu só o vi entre os recrutas em uma instalação em Jersey, mais nos falamos bem pouco, Peggy era a responsável por ele ate o fim do projeto "SuperSoldado", que eu participei. Demos nosso primeiro beijo naquele laboratório e depois ficamos quase um ano inteiro sem nos ver, só nos correspondendo por cartas.
— Você ja estava apaixonada — aquilo não era uma pergunta. Pois o sorriso torto e um tanto malicioso o denunciou.
— Sim — suspirou entorpecida pelas sensações que Steve lhe causava naquela época. — Depois dele ter retornado, foram apenas flores. Claro, ainda havia uma guerra acontecendo alem daqueles muros, mas... Simplesmente não conseguia me importar com nada alem dele. Eu sei é um pensamento egoísta.
— O amor nos torna egoístas — Clint murmurou sorrindo. — Olhe pra mim e Natasha. Vivemos por puro egoismo e eu adoro isso.
— Foi isso que aconteceu em Budapeste? — perguntou erguendo uma sobrancelha.
— Isso é serio? — comentou rindo. — Ate você ja sabe sobre isso.
Abigail sorriu um pouco mais enquanto observava Clint se inclinar ainda rindo. Por um momento ela pensou que talvez, mas só talvez tudo estivesse onde deveria estar.
[...]
Steve acordou sozinho pela terceira vez, apenas naquela semana. O lado direito da cama intocado denunciava que Abigail ao menos havia se deitado ali. Com um suspiro cansado, ele se levantou procurando mais uma vez pela noiva e foi quando percebeu o suave som do chuveiro, sendo abafado pela porta fechada. Sorriu quase que imediatamente, caminhando para onde provinha o som, a porta de madeira branca e lisa se abriu timidamente, a luz se encontrava apagada, mas as grandes janelas refletiam o sol quente da manhã de Nova Iorque resolviam o problema.
O box de vidro claro estava embaçado, contudo a silhueta morena se destacava entre as suaves gostas que escorriam tanto pelo vidro quanto por seu corpo. Os longos cabelos castanhos formavam desenhos simplórios pelas costas desnudas, emoldurando a cintura fina de Abigail. Sem desgrudar os olhos da noiva, Steve deslizou a calça de moletom por suas pernas e se ocupou em dar paços silenciosos, abrindo o box no mesmo cuidado. O rosto confuso de Abbie se virou quase que instantaneamente e se suavizou quando o reconheceu, ela não sorriu apenas permaneceu da mesma forma, parada encarando azulejo frio do banheiro.
A aguá estava morna, quase fria, contrastando com sua pele quente que se embola ao edredon a poucos minutos. Não deixou de perceber a tensão que caia sobre o pequeno corpo da mulher, quando colou seu dorso as costas dela. Os ombros rijos e assim como seus músculos, Steve então, salpicou beijos naquela região esperando pelos suspiros baixos que não demoraram a vir. O cheiro forte de lavanda inundou suas narinas quando Abigail puxou os cabelos para frente, inclinando seus corpo para que ficasse ainda mais próximo ao de Steve.
— Seria muito idiota, dizer que estou com medo? — perguntou apoiando uma das mãos sobre o ventre.
Steve acompanhou o movimento com seus olhos azuis claros, percebendo que o abdômen da mulher continuava plano, sem qualquer evidencia de uma gravidez. No final ele não sabia pelo que Abbie sentia medo, mas no fundo ele também sentia.
— Nada vai acontecer — murmurou arrastando os dedos compridos nas mesma direção onde a mão feminina repousava. — Estou aqui dessa vez e não vou embora.
A aguá continuou a cair se misturando as finas lagrimas de Abigail, que sempre fora uma mulher forte. A principio tal comportamento não fora notado por Steve, mas apos alguns segundos em silencio um soluçou rompeu o ar e compriminndo o coração do Capitão. Ele sempre odiava ve-la chorar, seu coração sangrava a cada lagrima que pelo rosto belo escorria, mas em um suave movimento o corpo magro se virou, agarrando as costas largas de Steve com suas pequenas mãos. Abigail enterrou o rosto no vão do pescoço do noivo, suspirando e ofegando pela falta de ar que o choro lhe trouxe. Desde o seu retorno, era a primeira vez que chorava, ao menos na frente de Steve, era baixo e estrangulador, fazia seu corpo tremer e logo em seguida se apertar um pouco mais.
Com o chuveiro ainda ligado, Steve permitiu que todo o sentimento que Abigail guardava em seu peito escorrace por seus olhos. Entretanto, ali ele se fazia uma promessa, uma da qual daria a vida para manter.

Fale com o autor