Brave Sand World
1 Prólogo
Notas iniciais

17 de Agosto de 1991
Local desconhecido.
A única coisa que se podia escutar era o choro descontrolado de uma mulher, ela se encolhia mais e mais contra a parede de concreto e aço, os braços entorno das pernas e a cabeça enfiada no meio tentando inutilmente se esconder. O desespero tomava o ser da pobre garota que tremia, os longos cabelos castanhos estavam embaraçados, algumas mexas do mesmo estavam colados em sua pele por culpa das lagrimas e do sangue, que já secava, as roupas sujas e rasgadas pela violência do acidente, não sabia ao certo a quanto tempo estava ali, sozinha, suja e com medo. A única coisa que se lembra era de ter saído de casa para comprar um presente, se lembra tambem de ter pego o carro e então o clarão de faróis, a dor excruciante, o desespero e então uma forte pancada na cabeça e mais nada. A moça passou as mãos com força pelos braços arranhados, ela tinha certeza que o lugar onde estava não tinha mais de 1 metro quadrado, era escuro e gelado, o chão de concreto, era alto e sem janelas e ela tinha quase certeza que estavam abaixo da terra. Senti um calafrio subir pela espinha quando o som de passos pesados ecoou pelo local, se encolheu mais ainda, logo uma porta foi aberta permitindo que a luz adentrasse o local, a morena levantou a cabeça cerrando os olhos e ficando ligeiramente cega por poucos segundo, assim que sua visão se normalizou pode ver um homem de estatura mediana, caucasiano, ele vestia um terno engomado na cor areia e possuía os cabelos em um topete perfeito devida a quantidade de gel posto ali, logo atrás dele estavam dois homens inteiramente de preto e fortemente armados, claramente o de terno era o chefe, engoliu em seco quando o “chefe” lhe lançou um sorriso sínico.
–Ora, ora, ora, olha o que temos aqui. – O tom de voz dele era sereno e debochado, com um sotaque, que ela não soube identificar, carregado. – Como está se sentindo, espero que meus humildes aposentos estejam do seu agrado.
A mulher não respondeu apenas chorou com mais força, seus braços ardiam pelos arranhões quando as lagrimas salgados dela entravam em contato com o ferimento, o homem de terno se aproximo agachando-se a sua frente e quando ele levantou a mão para toca-la a pobre moça se encolheu ainda mais, porem isso não o deteve, o homem levou a ponta dos dedos longos e ossudos até a pele levemente bronzeada dela acariciando lhe a bochecha direita, aquele simples contato a fez sentir nojo, a morena virou o rosto para o lado oposto se afastando do toque do desconhecido.
–Bom, creio que queira saber onde está. – Disse chamando a atenção da jovem para si. – Bom querida seja bem vinda a uma das inúmeras bases da HYDRA, espero que aprecie a nossa hospitalidade.
“HYDRA”
A mulher teve vontade de gritar e sair correndo o mais rápido possível daquele local, se antes já temia agora ela simplesmente não sentia nada o medo tomou conta tão rápido de seu ser que ela pensou ser incapaz de sentir qualquer coisa, estava paralisada, sabia que ninguém a ajudaria, que ninguém viria lhe buscar, ela estava perdida.
–Por favor me deixem ir embora. – A voz rouca pelo medo da morena fez com que o homem risse.
Ela não tinha ideia do que fazer, implorar¿ Não aquilo nunca funcionaria, tentar corre¿ Menos ainda eles a pegariam antes que ela cruzasse a porta. Ela precisava ter coragem, precisava lutar, seja lá o que queriam ela não deixaria que acontecesse sem lutar. Com uma coragem que nunca pensou ter ergueu o corpo tremulo impondo sua presença.
–Eu não vou deixar que faça nada comigo. – Gritou
Em resposta, o homem a sua frente riu pondo as mão no bolso da frente da calça.
–Você não está em posição de exigir nada minha cara. – O tom continuava suave e cruel. – Você não tem poder algum aqui.
A coragem mais uma vez apareceu em seu corpo, que em um ato imprudente a fez se jogar sobre o homem tentando inutilmente escapar, o medo força as pessoas a fazerem coisas estupidas e isso com toda certeza foi uma coisa estupida, já que os outros dois homens se puseram antes mesmo dela toca-lo, com brutalidade um deles lhe desferiu um tapa na face que de tão forte a jogou no chão, desnorteada ela tentou se levantar porem foi impedida por um forte chute na costela a fazendo perder o ar e cair mais um vez com as mãos no local, viu os sapatos lustrosos do homem de terno se aproximar e logo sentiu uma mão se infiltrar em seus cabelos e com brutalidade a erguendo do chão, sentiu quando as lagrimas de dor atingiram seus olhos e sem forças as deixou escorrer, se sentia humilhada. As pontas do dedos ossudos do homem ergueram com uma falsa gentileza o queixo da mulher a forçando encarar-lhe nos olhos.
–Olha o que me obrigou a fazer. – Disse com um falso tom de tristeza. – Se não vai colaborar por bem, serei obrigado a tomar atitudes drásticas.
A moça sentiu ser jogada no chão quando o homem estalou os dedos, ainda respirando com dificuldade ela apoiou ambas as mão no chão olhando em direção a porta onde os três se encontravam, por uma pequena brecha entre as pernas do homem a direita ela pode ver um par de botas negras, havia mais alguém ali.
–Bom, fiquei sabendo que seu sobrinho está inconsolável com sua morte, primeiro os pais, agora a tia e guardião, pobre garoto tão novo e já passou por tanto na vida. – A mulher arregalou os olhos. – Quantos anos ele fez mesmo, hum acredito que 21 não é mesmo. Seria uma pena ela tambem sofrer um pequeno acidente.
A mulher sentiu todos os músculos do corpo enrijecerem, eles não seriam tão baixos assim, o medo em seu corpo a fazia tremer, um enorme bolo se formou em sua garganta, eles o machucariam, machucariam seu bem mais precioso. A morena esqueceu de toda a dor que sentia em seu corpo, ou do gelo na espinha com a simples ideia de machucarem seu sobrinho, a única família que lhe restara, correu de encontro com a porta que ela ao menos percebeu que estava sendo fechada, chocou com força seu corpo nela fechando os punhos e com toda a força que lhe restara os bateu contra o aço impenetrável da porta.
–Não, eu faço, mas por favor não o machuquem. — Gritou chorando enquanto batia cada centímetro de seu corpo contra a porta. – Por favor, eu faço o que quiserem. Por favor, por favor não machuque ele eu imploro.
Percebendo que seus gritos eram inúteis ela deixou seu corpo escorregar até o chão, soluçando e com o coração ardendo ela pensou no seu jovem sobrinho, pensou em cada detalhe que o fazia tão especial, os cabelos castanhos um pouco rebeldes, os olhos de um tom de chocolate iguais ao seus, o sorriso maroto e um pouco arrogante, o humor impecável e o sarcasmo que ele herdara do pai, a inteligência, se lembrou de cada segundo desde o nascimento do seu pequeno, pode ver cada estágio de seus desenvolvimento e então o golpe, a morte de seu irmão e cunhada, ele tinha apenas 10 anos porem a confortou como se aquele acidente não doesse nele, viu ele se tornar um rapaz lindo e um conquistador, charmoso como o pai e a tia, e agora ela seria a responsável por sua morte a HYDRA o mataria só por um capricho dela, chorou com força deixando seu corpo cair no chão gelado, porem a porta foi novamente aberta lhe dando uma pequena gota de esperança, o mesmo homem de terno voltou a entrar na cela.
–Tudo bem querida, como estou de ótimo humor seu sobrinho será poupado. – A morena sentiu o peso em seu coração sumir. – Já que concordou em nos ajudar.
O homem de terno fez um sinal com a mão ao dois “guardas” que estavam a suas costas que logo a pegaram cada um por um braço e saíram a arrastando. O corredor era longo e iluminado, a mulher não tinha ideia do que fariam com ela naquele momento, sentia a ponta de seus pés sendo arrastados, sua saia longa estava rasgada na lateral exibindo sua perna direita por completo, ela ainda não tinha parado de chorar e não sabia se pararia, mas o desesperou voltou a se apossar de seu corpo quando eles pararam a frente de uma porta de aço, que assim que aberta revelou uma espécie de sala medica, com diversos utensílios, porem o que realmente a assustou foi uma enorme cadeira de metal com amarras, haviam alguns médicos no local e mais daqueles “guardas”, gritou desesperada quando eles voltaram a arrasta-la em direção a cadeira, tentava inutilmente se soltar porem eles eram muito mais fortes que ela, foi violentamente jogada nela, amarraram com pressa seus pulsos e calcanhares a imobilizando, um dos médicos se aproximou.
–Abra a boca. – Ela pediu, ela não o fez. – Abra.
Ela novamente não o fez o que lhe gerou um tapa forte na face, dado por um dos “guardas”. Assim que a mulher abriu a boca, um protetor foi posto ali, daqueles iguais aos que os lutadores usam, e aquilo só a assustou mais. Teve sua cabeça forçada para traz e logo uma espécie de dispositivo foi posto em suas têmporas, correu os olhos desesperada por todos os cantos, viu um painel de controle, mais médicos, mais “guardas”, viu o homem de terno. Ele se aproximou dela com elegância e acariciou lhe os cabelos, em pânico ela virou o rosto para o lado esquerdo vendo um homem grande parado ali, ele possuía um braço de metal e uma máscara que lhe cobria o rosto, os cabelos ligeiramente grandes lhe batiam no queixo, a roupa inteiramente negra era diferente dos demais “guardas”, as botas, era ele que estava do lado de fora de sua “cela”, ele a encarava com uma expressão fria, parecia desligado ou algo parecido, porem o homem era incrivelmente familiar.
–Não fique com medo, quando tudo terminar você será como ele. – O homem de terno apontou para o homem com o braço de metal.
A mulher arregalou os olhos e sentiu as lagrimas virem com mais força, soluçou e tentou gritar, mas o protetor a impedia.
–Comecem.
Seja lá o que eles iriam começar, não havia escapatória, fechou os olhos com força e pensou em seu sobrinho, ele ficaria sozinho, totalmente sozinho. Pensou no irmão e na cunhada, pediu perdão em silencio por ter falhado miseravelmente, pensou em sua melhor amiga e por último pensou nele, o homem que visitava seus sonhos todas as noites, o homem que preenchia seus pensamentos a qualquer hora do dia, o homem com os belos e doces olhos azuis acinzentados que ela já havia visto. Pensou no quanto o amava mesmo depois de todo aquele tempo, porém foi interrompida por uma dor excruciante em seu cérebro, um choque correu seus membros, tentou gritar, outro choque veio com mais força, porem dessa vez não gritou de dor e sim de medo, não conseguia se lembrar do rosto do irmão ou da cunhada, de seu sobrinho e logo não se lembrava dele, cada um dos rostos que ela havia visto ao longo dos anos iam sumindo a cada choque, os gritos dela se tornaram agoniados, cheios de dor , mas quando o rosto do homem que um dia amou e ainda ama, ameaçou desaparecer para sempre ela forçou, negou a si mesmo esquece-lo, mesmo com toda a dor ela resistiu, ouviu vozes alteradas mas não se importou, logo uma carga mais forte a atingiu, cuspiu o protetor e gritou alto e trincou os dentes com força, ela não o esqueceria, ele não, os coques continuavam vindo e ela tentava a todo custo resistir, porem a dor era forte e seu cérebro doía assim como sua mandíbula, e logo os detalhes do belo rosto foram desaparecendo, lagrimas de puro desespero escorriam por sua face, primeiro os lábios cheios e vermelhos, depois o corpo, o rosto, os cabelos cor de ouro e por último os olhos, porem o nome ainda estava ali tatuado em sua mente e foi o nome do homem que mais amava que ela gritou antes da inconsciência a levar.
–Steve. – Seu grito cortou a sala, era arrepiante mais todos ali eram cruéis e frios de mais para se importar.
E segundos antes da escuridão lhe tomar ela pode escutar uma voz longe.
–Reprograme. A partir de hoje Abigail Stark deixou de existir. – E uma última pergunta se fez presente na mente da mulher. Quem era Abigail Stark¿
E depois mais nada.
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