Brave Sand World
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Notas iniciais

Capitulo 8
Minnesota -U.S.A- 17:53 PM
Duas semanas após o atentado em Washington D.C
Dor. Era a única coisa que ela conseguia sentir naquele dia. Pernas, braços, cabeça. Cada centímetro de seu corpo se retorcia em dor. Porem a pior de todas elas era a que queimava seu peito, uma dor que ela não conhecia, mas que havia começado assim que cruzou seus olhos com o do loiro da ponte, que ela descobriu se chamar Steve Rogers e aparentemente ser seu noivo.
Abigail Stark, era uma desconhecida para ela, alguém que ela pensava nunca ter sido, alguém que ela nunca poderia voltar a ser. Seja quem ela tenha sido um dia, as dores de cabeça eram frequentes, ela tinha a sensação de que explodiria a qualquer segundo. Noites mau dormidas, por estar sempre em alerta, sempre esperando um ataque eminente de algum subordinado da HYDRA. E falando em subordinado, porque Ikarus, um dos poucos homens que tinham a confiança de Pierce, havia ajudado a ela? Porque ele havia lhe dito onde o Capitão estava? Porque ele traíra Pierce a ajudando?
Eram perguntas que apenas ele poderia lhe responder.
Suas pernas imploravam por descanso, a cada passo que dava parecia que elas cederiam e nunca mais voltariam a se mover. A floresta onde andavam a no máximo três dias, era fechada e quase sem movimento, os animais que ali viviam pareciam com medo de se aproximar como se soubessem que eles eram perigosos de mais. A mochila pesada que ela carregava, parecia pesar uma única grama comparada ao peso que carregava em seu coração. E ela não sabia o porque, e nem sabia se queria. Aqueles olhos que mesclavam o azul e o cinza, a perseguiam o tempo inteiro, ela simplesmente não conseguia parar de pensar. Os cabelos loiros, o rosto quadrado, aquilo tudo já estava a deixando louca.
Apertou o passo quando sentiu que o parceiro já estava longe de mais, observou a floresta a sua volta na esperança de fazer com que seu cérebro parasse de voltar aqueles lindos olhos. A copa das arvores eram altas e seus galhos finos, que cresciam como braços, as folhas em diversos tons de verde se embolavam umas nas outras impedindo que o sol adentrasse, deixando a floresta que com um ar sombrio e perigoso. No chão a grama rasteira parecia morta pela falta de luz, pedras e declives, deixava tudo perigoso de mais.
Respirou fundo deixando o ar húmido preencher seus pulmões. Encarou as próprias botas por um tempo, estas estavam sujas de barro e grama. Sentiu os pés arderem, ela era forte e resistente, mas não como o Soldado invernal ou seria Bucky, agora ela ao menos sabia como chama-lo. E foi quando a mata começou a se abrir e logo uma clareira com uma pequena cabana de madeira no centro, pode ser vista pelos dois. O mato em volta da casa era alto, a madeira velha e desgastada com diversas rachaduras, a única janela de vidro estava embaçada pela poeira, porem mesmo com todos os problemas, era melhor que dormir no relento.
Olhou o parceiro que ergueu uma sobrancelha e indicou com a cabeça que ela andasse ate o pequeno casebre. A passos lentos ela o fez, lado a lado no mesmo silencio que a cada dia parecia se estender ainda mais. Os dois não eram mais como antes, não ate aquele dia no museu. Haviam se distanciado, aos poucos foram encurtando as conversas, ate chegar ao ponto de passarem horas e horas sem trocar uma única palavra, só era dito o necessário. A mulher ergueu o queixo e observou o céu nublado e cheio de nuvens carregadas, que começavam cinzas e logo se tornavam negras como a noite. O clarão de um relâmpago iluminou as nuvens escuras e logo o barulho estupidamente alto de um trovão foi escutado.
Uma tempestade se aproximava.
Assim que colocou os pés na pequena varanda a madeira rangeu alto. A cada passo que dava o mesmo barulho irritante se propagava pelo ambiente. O lugar era simples, uma pequena lareira em pedra ficava na parede principal do casebre, a sua esquerda uma cama de solteiro, também em madeira, com um colchão fino e empoeirado, coberto por uma manta, uma mesa no centro com duas cadeiras e a direita uma porta. A mulher caminhou pelo local em direção a porta, constatou que ela não tinha fechadura. Um pequeno banheiro se escondia atrás da porta, um chuveiro, uma pia e um sanitário. Era pouco, mas o suficiente.
–É um bom lugar. — A morena ousou se pronunciar primeiro.
Não esperou uma resposta, pois sabia que ela viria. Largou a mochila no chão e se sentou na cama. A primeira coisa que fez foi retirar as botas, os pés vermelhos relaxaram quase que instantaneamente. Suspirou enquanto jogava o corpo contra o colchão duro, que serviria por essa noite.
–O que estamos fazendo? — Perguntou encarando o teto baixo.
Alguns segundos se passaram ate que ele finalmente respondeu.
–Sobrevivendo.
–Achei que estivéssemos fugindo. Nós escondendo.- Disse de forma irritada erguendo o corpo e voltando a se sentar.
Soldado invernal não respondeu, se limitou apenas a encara-la em descaso. A mulher se levantou da cama ainda irritada e caminhou a passos decididos ate o homem que se encontrava encostado na parede de madeira com os braços cruzados.
–Eu quero saber quem é Abigail Stark, o que ela foi e quem ela foi. — Disse encarando as orbes verdes do homem. — Quero lembrar, saber quem eu sou, o que eu fui. E porque da HYDRA ter feito isso.
Ele não pareceu ter gostado da atitude dela. Ele andava irritado demais nos últimos dias, aquela maldita lembrança. As historias batiam, a queda do trem, aquele homem tentando salva-lo, e o painel no museu dizia que Bucky Barnes havia sido o único a morrer em combate. Ele sabia que era Bucky Barnes, mas porque não conseguia se lembrar.
–Vá atrás dele então. Tenho certeza que Steve Rogers vai dar todas as respostas que você procura. — Disse de forma enciumada.
Era claro que eles eram aquelas pessoas, e estava mais claro ainda para ele que a sua Madame Aniquilação ou Abigail Stark, era noiva do tal Capitão américa. E ele não gostava nem um pouco da ideia de ter outro homem a tocando.
–Não. — Foi a única coisa que ela disse antes de se atirar nos braços dele o beijando.
Mesmo que sua cabeça insistisse que aquilo era errado, seu corpo gritava para que ela se entregasse outra vez a ele. O beijo dele era forte e possessivo. E naquela noite a pequena cama de madeira abrigou dois corpos, que se moviam em sincronia e a floresta antes silenciosa de mais ecoou gemidos e suspiros.
Porque Madame Aniquilação sempre pertenceria ao Soldado Invernal. Mas e Abigail Stark, ela pertencia a quem?
X
Torre Stark — New York City — 20:32 PM
–Washington, Oklahoma, Kansas, Colorado, Nevada, Califórnia, Arizona, Oregon, Montana, Idaho, Indiana, Illinois, Georgia, Alabama, Dakota do sul, Dakota do norte, Missouri, Utah e claro Virginia. — Sam riscava cada estado em que já estiveram, enquanto os ditava. — Esqueci de algum?
–Iowa e Canada. — Tony disse observando a enorme janela panorâmica, que dava a mais bela visão de NYC.
Steve suspirou, enterrando as mãos no rosto de modo frustrado. A duas semanas que eles procuravam Bucky e Abigail, por cada canto dos E.U.A e nada, nem uma pista. As manchas escuras abaixo de seus olhos, mostrava o quanto ele estava exausto. Quase doze dias sem uma noite de sono, Steve sabia que não teria uma ate encontra-los. Tony usava todos os seus recursos atrás da tia, ele ligou para pessoas, pediu favores, usou JARVIS e nada. Parecia que mesmo que ele se esforçasse nada acontecia.
–Eu preciso encontra-la. — A voz de Tony era arrasada.
Parecia dizer mais para si mesmo do que para os outros. Rogers afundou o corpo tenso ainda mais no sofá de couro da torre, e instintivamente ele levou os dedos trêmulos ate a joia que agora ele carregava junto ao peito, assim como Abigail havia feito por muito tempo. Era como um refugio, algo que o fazia se sentir mais próximo a ela. Sentiu quando seus batimentos cardíacos aumentaram, apertou com ainda mais força a joia e logo lagrimas quentes escorreram por seus olhos. Steve nunca havia sido um homem de chorar, mas ultimamente ele o fazia com frequência. Sam que o observava os dois homens de longe sentiu compaixão com tudo aquilo. Steve e Tony sofriam. Dividiam a mesma dor e ele queria ajudar mais não sabia como.
–Sr. Stark, o ex-diretor da S.H.I.E.L.D pede autorização para subir ao andar privado. — A voz britânica do AI fez com que todos olhassem imediatamente na direção da porta do elevador.
–Claro , deixa ele subir. -Tony se aproximou do sofá.
Alguns segundos se passaram ate que um suave barulho cortou o silencio da sala, e a imagem de Nick Fury foi vista. Porem o ex-diretor não estava sozinho. Um homem alto, com os cabelos em um tom de loiro escuro e grandes olhos azuis o acompanhava.
–Trouxe alguem que pode ajuda-los.- O homem disse enquanto se aproximava com o desconhecido ao seu lado — Devo isso a Abigail.
O homem de olhos azuis colocou as mãos no bolso da calça e deu um passo a frente, impodo sua presença no local. Logo a voz de Fury se propagou pelo ambiente.
–Esse é Ikarus Vrasduck, mas eu prefiro chama-lo Patrick Redfield.
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