Rosinante P.O.V

Pode ter sido um impulso. Pode ter sido o maior erro da minha vida. Pode ter sido errado. Pode ter sido alguma espécie de karma por todas as coisas ruins que eu fiz na minha vida.

Poxa, eu sempre fui uma pessoa tão certinha. Eu ajudava velinhas a atravessarem a rua, eu doava dinheiro pra caridade, eu tentei impedir que meu irmão fizesse as merdas que ele fez... enfim, eu fui uma boa pessoa. Eu fui, no passado, porque no presente eu sou um pedófilo.

Neste exato momento, debaixo das cobertas, sendo iluminado pela lua de outono, eu estava lá. Beijando o Law. Beijando um garoto de treze anos. Eu, Donquixote Rosinante, fui completamente seduzido por um adolescente que nem consegue pronunciar meu nome.

– Cora-san...

Eu me sinto mal. Me sinto completamente mal por me sentir tão bem perto desse garoto. Me sinto completamente culpado, já que eu, como adulto, deveria ter recusado fazer isso. Deveria ter recusado beijá-lo. Deveria ter recusado dormir junto a ele.

Mas não... eu não recusei. E eu me sinto feliz por isso. Eu, definitivamente, sou um monstro que vai direto pro inferno.

– Law...

Nos afastamos e, assim que nossos lábios se desencontraram, um filete de saliva ainda nos ligava. Eu ainda estava com a mão em seu rosto e pude sentir completamente o estado de febre em que ele se encontrava. Seu rosto estava quente e seus olhos semi-abertos, semi-fechados.

Passei meu dedão por sua bochecha e ele fechou os olhos e abriu levemente a boca, me convidando para possuí-lo novamente. Eu podia ter recusado. Podia tê-lo empurrado, jogado pra outro canto do quarto, mas não o fiz.

Toquei meus lábios contra os dele novamente, adentrando com minha língua em sua boca e me encontrando com a dele. Law segurou minha camisa branca e me puxou para mais perto ainda, soltando alguns barulhos inconscientemente durante o estalar dos beijos.

Com nossos lábios ainda no mesmo ritmo, fiz um leve cafuné em seus cabelos antes de descer com minhas mãos por toda extensão de seu corpo até chegar a sua cintura, puxando-o para mais perto ainda, até sentir os braços dele me abraçando pelo pescoço e seu corpo púbere tentando subir em cima de mim.

– L-Law, espera, para...

Mas o que diabos foi isso, Rosinante? Você ficou completamente louco! Ainda bem que a minha consciência falou mais alto, porque se ela estivesse ficado calada, eu teria continuado. Teria continuado e aí sim, eu mesmo iria me oferecer em ir direto para o inferno.

– Desculpa...

– T-Tudo bem, a culpa não é sua, a culpa é minha. Eu sou imaturo demais pra perceber quando é a hora certa em parar.

Deitei virado para cima, encarando o teto do quarto. Fiquei coçando os olhos por algum tempo, com esperanças de tudo ter sido um sonho, mas é claro, a realidade era muito mais dura. Pelo menos ele estava feliz e me abraçou, deitando em meu peito.

E logo ele dormiu. Dormiu, nos meus braços, com um leve sorriso no rosto. Ele parecia um anjinho celestial quando dormia desse jeito e eu gostava de ficar olhando pra ele. Fiquei olhando pro Law até me juntar a ele no mundo dos sonhos.

Rosinante P.O.V off

No dia seguinte...

– Menina, você não vai acreditar!!

"Me conta tudo!"

– Eu fiquei espiando atrás da porta e eles se beijaram! Eles realmente se beijaram, e não foi só um beijo, foi tipo... Christina Aguilera e Britney Spears versão homens!

"Não acreditoo! Você filmou?"

– Não deu, tava muito escuro e também...

– O que você tá fazendo?

– … Eles ficaram debaixo da coberta... TIO, QUE SURPRESA BOA TE VER!!

Enquanto Dellinger contava para sua amiga sobre o beijo dos dois rapazes, Rosinante entrou no quarto bem na hora. Era de manhã, tanto Law como Doflamingo ainda estavam dormindo e os únicos acordados eram os dois.

– Ah, eu vim aqui te dar bom dia, mas aí eu ouvi a sua conversa.

– Até que parte você ouviu...?

– Basicamente tudo. Nós podemos conversar?

– C-Claro, senta aí.

Dava para perceber nitidamente que Dellinger estava um tanto quanto assustado com a futura conversa que os dois iriam ter agora. Rosinante sentou-se em sua cama, com uma aparência meio séria, pronto para falar.

– Espiar os outros atrás da porta é uma atitude horrível, não faça mais isso.

– Você ficou chateado comigo...?

– Chateado? Ah não, eu não consigo ficar chateado com vocês dois. Além disso, o único culpado por essa história maluca sou eu.

– Então você não vai brigar comigo por ter contado pra Cath?

– Olha, se você ficar espalhando por aí, eu vou acabar sendo preso. Mas ao mesmo tempo eu não posso te obrigar a esconder isso, porque mentira é uma coisa que eu odeio.

– Eu não quero que você seja preso...

– Então eu vou te pedir. Você pode, por favor, não contar isso pro Doffy?

– Tá bom. Desculpa por ter espiado vocês dois, eu vou pedir pra Cath não contar nada pra ninguém.

– Ótimo. — Ele dá um pequeno sorriso vitorioso por ter conseguido abafar o caso com o Law sem precisar obrigar ninguém a fazer nada. — Agora posso te fazer uma pergunta, Dellin?

– Claro.

– Aconteceu alguma coisa entre o Doffy e o Law?

– P-Por que você tá me perguntando isso?

– Porque o Law não me conta nada e o Doffy eu já sei que está envolvido de alguma forma, já que a culpa de todas as coisas ruins acontecerem é sempre dele.

– Se o Law não te conta nada, é porque nada aconteceu. Ele te conta tudo.

– Você não sabe de nada, então?

– N-Não sei...

Rosinante acabou desistindo de tentar fazer o sobrinho falar alguma coisa, mesmo ainda desconfiando de que algo estava errado. Suas suspeitas só ficaram maiores depois dele conversar com Dellinger, que tremia a voz ao falar, mostrando que era mentira.

Do outro lado do quarto, Law estava acordando e notou que não tinha ninguém ao seu lado. Deixando a solidão de não acordar com Corazón ao seu lado, ele levantou-se, coçou o olho e foi procurar por ele, mas acabou dando de cara com Doflamingo.

– Yo, Law. Como foi ter passado a noite sem mim? Sentiu saudades?

– Vai à merda, Doflamingo.

– Nossa, você é um garoto muito corajoso pra conseguir falar assim comigo, fufufu. É por que o meu irmão está aqui em casa?

– Eu sei que você não vai fazer nada com o Cora-san por perto.

– Ah, é? — Ele olha em volta. — Não estou vendo nenhum Cora-san por aqui. Hoje é domingo e eu não trabalho, então que tal passar o dia comigo, Law?

Ouvindo a risada cínica e debochada, junto com a frase em forma de ameaça, tudo que o garoto conseguiu fazer foi lembrar-se da noite em que estiveram juntos. As cicatrizes de seu peito começaram a doer e seu corpo ficou paralisado.

– Não... me deixa em paz...

Porém, antes que Doflamingo pudesse fazer alguma coisa, para sorte de Law e seu azar, Rosinante apareceu.

– Ah, é aí que vocês dois estavam. Oi!

– Cora-san! — Law correu para os braços do mais velho. — Obrigado por ter vindo...

– Huh? De nada... — Ele não entendeu muita coisa, mas logo olhou para o irmão mais velho, que agia normalmente.

– Rosinante, eu vou preparar o café da manhã. Chama o Dellinger pra mim, tudo bem?

– Tá bom.

(...)

O tempo fora passando e já era final de tarde. Dellinger estava em seu quarto, sentado na cama, conversando com suas amigas como sempre. Law estava junto com ele, porém no chão, brincando com o Bepo e carregava uma feição meio triste.

"Me desculpe..." - Dizia Bepo ao ser apertado.

"Me desculpe..."

"Me desculpe..."

"Me desculpe..."

– SERÁ QUE DÁ PRA VOCÊ PARAR COM ISSO?

"Me desculpe..."

– Que saco! Nem depois de tanto tempo você amadurece, para de brincar com esse troço chato. Eu estou tentando me concentrar.

– Dellinger, eu não tô afim de brigar, só me deixa em paz.

– Então me deixa em paz também e para de brincar com esse urso do inferno! Se você está com tédio, vai brincar com o Rosinante e sai do quarto.

– Não dá, ele tá com o Doflamingo... e eu quero ficar sozinho.

O loiro já havia percebido que Law estava triste por alguma razão desconhecida, mas simplesmente o ignorava. Ele não se importava muito com o que o outro sentia. Mesmo assim, só pra fingir ser uma boa pessoa, ele bufou e perguntou.

– Argh, o que aconteceu?

– O idiota do seu pai fica me enchendo o saco toda hora.

– Não chama o meu pai de idiota. Você deveria era agradecer por ele ainda deixar você morar aqui.

– Como é que é? Agradecer o Doflamingo por quê, por ter transformado a minha vida num inferno? Você já se esqueceu do que ele fez comigo, ou você nunca se importou de fato?

– Para de se vitimizar, se ele fez qualquer coisa com você foi porque você mereceu. E eu nunca me importei de verdade, só tinha ficado com pena, mas passou.

– Eu mereci...? — Agora sim, Law, pela primeira vez em anos, fica realmente furioso com Dellinger. — Você nem sabe o porquê dele ter feito isso comigo, e mesmo se soubesse, COMO EU TERIA MERECIDO ISSO?

– NÃO GRITA COMIGO! Eu não sei e nem quero saber os seus motivos idiotas, só me deixa em paz, que saco!

(…)

Do outro lado da casa...

– Doffy, tá ouvindo alguma coisa?

– Ouvindo o quê?

– Acho que os garotos estão brigando. Não é melhor ir lá ver o que está acontecendo?

– Deixa eles. Crianças brigam, é normal, uma hora ou outra eles se entendem.

– M-Mas eles estão gritando muito alto...

– Argh, se você quer tanto ver o motivo, então vai lá, Rosinante. Eu vou ficar te esperando aqui.

– Tá, malvado.

(…)

– EU NÃO FIZ ISSO PORQUE EU QUIS, ELE ME OBRIGOU! E você sabe muito bem disso, por que ficar falando esse tipo de coisa?!

– Porque você transformou as duas pessoas mais importantes da minha família em PEDÓFILOS! E até hoje você não me disse o motivo do meu pai ter feito isso com você, então até eu saber, A CULPA É SUA SIM! LADRÃO DE TIOS!

Tanto Law como Dellinger já estavam aos chutes, socos e pontapés. Ambos discutiam cada vez mais alto e rolavam no chão como duas crianças. Law estava enfurecido pelo loiro ficar o culpando pela pior noite de sua vida, então acabou dizendo, sem nem perceber.

– Você quer mesmo saber o que o Doflamingo fez? Ele matou a minha família! Matou minha mãe, minha irmã e meus amigos NA MINHA FRENTE!

– MENTIRA! Meu pai nunca faria uma coisa dessas, seu mentiroso compulsivo! Você viaja muito, deve ser culpa desses livros idiotas que você fica lendo!

– Hã? Ele mesmo admitiu isso, então não tem como ser coisa da minha imaginação!

A briga só fora interrompida quando Rosinante finalmente entrou no quarto e viu aquela cena dos dois irmãos de criação brigando. No mesmo segundo, ambos ficaram calados e pararam de brigar graças a presença do mais velho.

– O que aconteceu aqui?!

– C-Cora-san... você ouviu alguma coisa? — Diz Law, com medo de acabar tendo estragado tudo sem querer.

– Eu ouvi vocês dois brigando como loucos! O que aconteceu afinal?

– Não aconteceu nad--

– CALA BOCA, PARA DE MENTIR PRO MEU TIO! — Law fora interrompido pelos gritos furiosos de Dellinger, que o segurou pelos braços, imobilizando-o.

– Do que você tá falando? E me solta!

– FICA QUIETO! Eu já cansei de você atrapalhando a minha vida. Já cansei de toda essa história envolvendo o meu pai e já cansei dessas falsas acusações que você tá fazendo!

– Dellinger, não faz isso...

– Você não manda em mim! Tá na hora do Rosinante descobrir a verdade por trás das suas mentiras, aí talvez ele perceba que você não passa de LIXO!

– Ei, do que vocês--

A fala de Rosinante é interrompida bruscamente quando Dellinger, em um ato de extrema rapidez e raiva, tira o moletom que Law usava para esconder as marcas de agressão. O garoto moreno tentou se debater para continuar usando a roupa, mas não adiantou.

– SEU IDIOTA, OLHA O QUE VOCÊ FEZ! — Assim que conseguiu se soltar, Law deu um soco na cara do loiro que o fez cair imediatamente. Em seguida, ele vestiu o moletom às pressas de novo, mas não adiantava mais.

Rosinante ficou pálido. Seu corpo não se mexia diante da cena que havia visto: o corpo púbere do adolescente tatuado, repleto de bandagens e marchas roxas de mordidas e chupões. Ele queria gritar naquele momento, mas não conseguia. Simplesmente sua voz não saia.

Ele sentiu uma tremenda ânsia de vômito, tendo que colocar a mão na boca para não ter riscos de vomitar. Em seguida, seu corpo começou a tremer de raiva e ele caiu de joelhos no chão, chorando com lágrimas pesadas e soluços incessantes. Law ficou assustado ao ver a pessoa que amava daquele jeito, então deixou a raiva de lado para ir até ele.

– Cora-san, eu...

– Foi o Doffy... quem fez isso...?

– N-Não conta pra ele, por favor! Olha, eu estou bem, isso tudo não significou nada pra mim. Eu nem ligo mais pra isso na verdade! Então, por favor, não conta... pra ele...

O nojo que sentia do irmão só aumentou ainda mais depois de ver Law pedindo para que ele deixasse isso em segredo. Seus olhos se arregalaram e Corazón levantou do chão, com o rosto vermelho de tanta raiva e saiu correndo, indo em direção ao quarto onde o mais velho estava, gritando pelos corredores.

– DOFLAMINGO, EU VOU MATAR VOCÊ!

Os dois garotos o seguiram. Ambos nunca viram Rosinante com tanta raiva de como estava agora. Chegava a ser irreconhecível, visto que seus dentes rangiam e seu corpo tremia indo em direção ao alvo. Ao chegar no quarto, Doflamingo estava sentado na cama e se assustou ao ver o irmão daquele jeito.

– Rosinante! O que deu em você, por que está gritando por aí feito um lou--

– EU SABIA! EU SEMPRE SOUBE! Eu sempre soube que você era um monstro horrível, que vivia apenas de dinheiro e não tinha pena em drogar crianças se isso te fizesse rico. MAS FAZER ESSE TIPO DE COISA COM UMA CRIANÇA?!

– Ah, ele contou...

– O QUE DEU NA SUA CABEÇA PRA VOCÊ FAZER ISSO? Não, não precisa nem responder! Pra você ter feito uma coisa tão--

A fala de Rosinante foi interrompida. Doflamingo levantou do conforto de sua cama, na maior calma do mundo, e desferiu um soco na cara do irmão mais novo, o fazendo cair no chão imediatamente e tossir sangue. Os dois garotos estavam assistindo.

Depois de Rosinante cair no chão, o mais velho o levantou novamente e o empurrou até a parede mais próxima, prensando seu corpo contra o dele e não deixando que fugisse. Em seguida, pois uma de suas mãos no pescoço dele, o enforcando.

– Você quer saber o motivo que me levou a fazer isso, Rosinante? Eu te digo. Fui eu quem matei a família do Law, incluindo o seu amiguinho, o pai dele.

Para piorar a situação, Doflamingo lança seu sorriso cínico de sempre enquanto admitia ser um assassino, o que deixou o irmão mais novo com ainda mais nojo. Tanto Law como Dellinger estavam assistindo, mas nenhum deles teve coragem para entrar no meio.

– Por.. quê...? — Rosinante tentava falar, mas tinha sua garganta pressionada com força pelo mais velho.

Ao invés de uma resposta em palavras, Doflamingo preferiu tirar mais proveito ainda da situação. Ele larga o pescoço do irmão e dá-lhe um soco certeiro na barriga, fazendo o menor tossir ainda mais sangue.

Mas antes de Rosinante cair no chão com o soco do outro, Doflamingo põe um de seus joelhos entre a perna do irmão, segura seus braços para não fugir e dá-lhe um beijo. Um beijo forçado onde a língua era enfiada por completo na boca do outro, até fazê-lo engasgar, mas sem ainda separar os lábios. O mais novo tentava se debater para sair mas não conseguia.

– O que foi isso...? — Resmunga Dellinger, em choque ao ver tal cena. Law faz o mesmo enquanto chorava.

– Cora-san...

Doflamingo finalmente separa seus lábios e, como consequência, Rosinante quase estava desmaiando por falta de ar. Sua respiração estava tão pesada que ele não conseguira dizer nada, apenas encarar o irmão mais velho com raiva, nojo, repulsa e asco.

– Fufufu... quem você acha que é pra tentar me dizer o que eu devo ou não fazer, Rosinante? Você deveria ter ficado bem caladinho ao saber, assim talvez eu não tivesse que te matar agora. Bom, é uma pena que você tenha feito escolhas erradas em sua vida.

Depois de ouvir tais palavras proferidas pelo irmão, a doença de Rosinante aparece. Seu coração estava disparando tão rápido que acabou parando de bater, fazendo com que ele engolisse ar em busca de sobrevivência, mas sem êxito. Seu corpo caiu de joelhos, tossindo sangue e desmaiando completamente no chão.

– CORA-SAN!! — Law gritou em desespero, mas logo fora interrompido por Doflamingo.

– Tsc, viu só o que você fez, pirralho imundo? Por você não ter conseguido guardar o nosso segredo, agora meu irmão está morto.

Notas finais
Vish, prevejo gente atirando pedras em mim...