Brave Heart
20 A Lista

Rosinante P.O.V
– Aahn..!
Enfim, uma bela manhã de sol. Os raios de luz batiam nas cortinas, que cambaleavam com o vento e permitia que nossos corpos esquentassem, iluminando-nos. Os pássaros cantavam silenciosamente, pois o único som que ouvíamos, ou que pelo menos prestássemos atenção, é o de nossas vozes interligadas.
Não importa quantos dias passem. Aliás, nem mesmo eu sei quantos dias passaram-se desde que Law completara a maior idade, eu simplesmente não ligo mais para tempo. O importante é, quanto mais os dias iam passando, mais ficávamos apaixonados. E fazíamos todo, mas todo dia.
– Aah.. Law...
Apesar de termos acabado de acordar, mesmo depois de termos ficado a noite inteira acordados, esse menino parece que não cansa. Neste momento, eu estou sentado na cama, com os pés no chão e com Law no meu colo, me abraçando e soltando gemidos em meus ouvidos.
– Eu amo você... Cora-san...
– Eu te amo... mais do que tudo...
Nossa rotina juntos, no entanto, continuou a mesma de sempre. Assim que Law voltava da escola, nós ficávamos vendo televisão ou jogando videogame. De vez em quando saíamos e íamos passear em algum lugar, sempre de mãos dadas, apesar de andarmos assim mesmo antes de namorarmos oficialmente.
A única diferença de fato foi o nosso amor, já que nos beijávamos praticamente toda hora. Provavelmente devido a tanta espera no passado, ou simplesmente porque gostávamos de fazer isso. Bom, nós dois gostávamos, mas existia uma terceira pessoa que já estava quase arrancando os cabelos.
– É sério isso? – Sengoku adentrou a cozinha e logo nos viu. Law estava sentado na bancada da pia, com seus braços entorno do meu pescoço e minhas mãos em suas coxas.
– Sério o quê? – Ele pouco se importava em ser pego no flagra em momentos íntimos. Eu, entretanto, confesso que ficava um pouco corado.
– Não se peguem na cozinha! É aqui onde eu como, é o meu local sagrado e limpo.
– N-Nós não estávamos, é que eu vim aqui pegar uma coisa e o Law veio me ajudar...
– Claro, aí você acabou trocando a "coisa" por ele.
Eu não culpo o Sengoku por ficar nos interrompendo. É graças a ele que eu e Law temos uma casa, e é também graças a ele que eu ainda não morri, porque foi o Sengoku que cuidou de mim todo esse tempo. E também deve ser incomodo você morar com um casal, quando você é solteiro.
E bom, não era só na cozinha. Ele já nos pegou na sala, nos corredores, em um chão qualquer, na mesa de jantar e até no quarto dele, já que ele voltou do expediente mais cedo uma vez. De qualquer maneira, ele me chamou para uma conversa particular.
– Rossy, precisamos conversar. – Law estava no quarto dele, conversando com os amigos no computador e eu estava pronto pra levar uma bronca.
– Eu sei o que você vai dizer, mas tenta entender o meu lado! Eu e o Law sempre vivemos juntos, sempre dormimos juntos e sempre fizemos tudo juntos, desde que ele era só um garotinho. Eu não consigo mais largar ele!
– Eu sei, eu sei, não é sobre o Law que eu quero falar.
– Ah, você não tá chateado por nós ficarmos fazendo coisas... "indecentes"?
– Eu te conheço há anos, e todo esse tempo você só falava ou no seu irmão, ou no Law. Eu já me acostumei com o seu jeito carente.
– Então sobre o que você quer falar?
– Sobre a segunda pessoa. O idiota do seu irmão.
– Ah não...
Sempre que o assunto era o Doffy, desde o dia em que ele foi acusado por envenenamento, eu já não gostava. Eu odeio ele por tudo que o meu irmão fez com o Law no passado, e acima de tudo, eu odeio falar nele. É como um tabu.
– Rossy, eu sei que você não gosta de falar, mas entenda que é necessário!
No dia do aniversário do Law, meu irmão foi preso sob suspeita de envenenamento. Mas ele não está na prisão, ele está na casa dele sob regime domiciliar, já que ainda estão buscando provas para incriminá-lo. A fábrica, entretanto, foi fechada e isso é bom.
– O que o Doffy fez agora?
– Não é o que ele fez, é o que vai acontecer. Eu sei que você tem evitado olhar os jornais e muda de canal quando estão falando do Mingo, então você provavelmente não sabe.
– Lá vem bomba...
– Eles terminaram a lista e vão dar o nome de todos os criminosos envolvidos com o lance da fábrica hoje à noite.
– S-Sério? M-Mas já? Q-Quer dizer, f-foi tudo tão rápido... – Eu já estava me preparando para pegar um cigarro do meu bolso e acendê-lo, tamanho era meu nervosismo.
– Rosinante. – Sengoku me segurou no ombro, me olhando sério.
– Q-Quê..?
– Seu irmão vai ser preso hoje à noite. Como você se sente em relação a isso?
Na hora eu congelei. Quer dizer, eu não perdoei e nunca vou perdoar o que o Doffy fez com o Law e as outras crianças, mas vamos combinar, com a família é algo totalmente diferente. É difícil ver alguém que você amou no passado sendo preso. É difícil mesmo.
– Eu tô ótimo! Nossa, nunca estive melhor! – Minha cara de desespero me entregava, dava para ver claramente que era mentira. Pelo menos o Sengoku me entendia.
– Você sabia que isso iria acontecer um dia, certo?
– Olha, a única coisa que eu me preocupo são com as crianças que o Doffy envenenou. Elas estão bem?
– Sim, a maioria já saiu do hospital.
– Então é isso que importa. – Eu já estava me preparando para sair, quando fui impedido novamente.
– Rosinante, só mais uma coisa.
–O quê?
– Me responda com TODA sinceridade do mundo, pelo bem da nossa amizade.
– Você tá me assustando...
– Você ainda sente alguma coisa pelo Mingo?
– Claro que não! Não diga besteiras, eu nunca iria gostar de alguém tão cruel, naquela época eu não sabia que ele era um assassino.
– Isso é verdade mesmo? Você afirma isso com toda certeza do mundo?
– Quem você acha que eu sou, Sengoku? Você mesmo viu o que ele fez com o Law!
– Eu acho que você é uma pessoa que perdoa fácil demais os outros.
– Mas eu não vou perdoá-lo nunca. Só fico com pena do Doffy ser preso, eu queria que ele desse um jeito na própria vida e deixasse de ser um psicopata envenenador de criancinhas.
(…)
Depois de tentar convencer o Sengoku POR HORAS que eu não sinto mais nada pelo Doffy, retornei ao meu quarto e fui me encontrar com Law. É claro, graças a essa conversa chata, eu estava fumando para esquecer tudo como sempre.
– Cora-san, não fuma. Isso só piora a sua saúde.
– Eu preciso me acalmar, não vou conseguir assistir meu irmão sendo preso.
– Então deixa eu te ajudar. – Ele pegou o cigarro da minha boca, sugando toda fumaça para si mesmo antes de me beijar. – Funcionou?
– Só você mesmo pra me acalmar.
Acabei beijando ele de novo, deixando o cigarro pra lá, pegando ele no colo e o lançando direto na cama. Fizemos mais uma vez e sabe-se lá quantas outras vezes fizemos em um mesmo dia, tudo o que importa é que esse garoto me dá alegria de viver por mais anos. E eu já tinha me entregue totalmente à minha doença e aceitado a morte, antes de conhecê-lo.
Eu salvei ele das garras do meu irmão. Ele me salvou de mim mesmo.
Certamente o destino fazendo seu trabalho.
O trabalho de nos deixar juntos para sempre.
– Ei, Cora-san... – Ele estava deitado no meu peito e eu, como sempre, brincando com suas madeixas macias.
– Sim?
– Não é que eu não goste do Sengoku. Mas....
– Lá vem...
– Você não acha que nós poderíamos, sei lá, morar juntos? Eu prometo que arrumo um emprego.
– GRAÇAS A DEUS!!
– Huh, quem disse isso? – Perguntei, já que eu certamente ouvi a voz do meu melhor amigo comemorando nós dois pensando em deixá-lo morar sozinho, o que seria impossível, já que ele nos ama. Não é?
– Ele tá nos escutando?
– Isso é impossível, nós estamos trancados no quarto.
– Eu ouço tudo, seus coelhos! Essa casa não é tão grande assim, sabiam?
– Sengoku, por favor! Ouvir você conversando com a gente tão longe me dá medo.
– Quer que eu finja não escutar nada?
– Q-Quero...
– Tá bom. Eu não estou ouvindo!
– Viu? Ele não tá ouvindo. – Confirma Law.
– Que bom...
– Ei, Cora-san.
– O quê?
– Quer fingir uns gemidos pra irritar o Sengoku?
– Claro que não, isso seria errado!
– Por quê?
– Porque nós não precisamos fingir.
(…)
Rosinante P.O.V off
A noite finalmente caiu. Os três rapazes estavam na sala, esperando o noticiário começar para ser revelada a lista com os culpados pelos doces envenenados. Rosinante estava no meio dos dois, colocando quatro cigarros em sua boca ao mesmo tempo.
– Rossy, tira isso da sua boca.
– Não, nunca, nem pensar. Não agora.
– Deixa ele, Sengoku. É impossível.
"Estamos ao vivo na porta da Mansão Donquixote..."
– COMEÇOU! – Sengoku estava animadíssimo, comendo seus biscoitos com um sorriso de entusiasmo no rosto e olhos brilhantes.
– Eu quero morrer... – Ele acende os quatro cigarros.
"… Separamos uma lista com os culpados pelo aparecimento da droga NHC10 em diversos doces. Tal droga tem um efeito..."
– Para de enrolação, eu quero ver sangue!
– Calma, Sengoku, assim até eu me assusto. E eu tô preocupado com o Cora-san.
– Você não está feliz pelo Doflamingo ir preso, Law?
– Eu quero mais é que ele se foda, só não quero que o Cora-san acabe tendo um derrame.
"… E agora, a tão esperada lista. Em primeiro lugar..."
– É AGORA!!
"… O atual herdeiro da fábrica, Donquixote Dellinger."
– ISSO! – Law levanta-se do sofá, indo abraçar a televisão. – Bem feito! B-E-M F-E-I-T-O!
– Não! – Exclama Rosinante. – Até o meu bebê? Ele foi influenciado pelo pai, isso é injusto!
– Se ele teve participação, deve ser preso também.
– Mas Sengoku, você não tá entendendo, eu troquei as fraldas desse garoto!
– Eu sei, eu sei, sinto muito pela sua perda. Agora calem a boca todos vocês, o melhor está por vir!
"… O antigo herdeiro da fábrica, e também responsável pelo esquema..."
– É agora!!!
"… Donquixote Doflamingo..."
– AWWWWN, ISSSSSOO! – Sengoku teve um orgasmo. – SE FU-DE-UU! SE FUDEU BONITO, FLAMINGO DE MERDA!
– Dooffy... – Rosinante chorava com quatro cigarros na boca. – Ele trocou as minhas fraldas...
– Rossy, isso lá é hora pra chorar?! Vamos comemorar!
– Mas, mas... ele é o meu irmãozinho...
– Ele é um assassino! – Sengoku começa a sacudi-lo. – Acorda, Rosinante!
– Eu disse pra ele... largar tudo isso e tentar se tornar uma boa pessoa... – Ele coloca o quinto cigarro na boca.
– Para de chorar, você tá acabando com a minha felicidade!
– Eu quero meu irmãozinho de volta...
"… Os responsáveis pelo comércio de NHC10 e por efetivizar o plano, Vergo e Caesar..."
– ISSO! – Rosinante para de chorar na mesma hora, levanta-se do sofá e dá um grito.
– Mudou muito rápido... – Murmura Law.
– Se fudeu, ladrão de irmão! Vai passar a vida inteira na cadeia, você e esse cientista maluco aí! LADRÃO DE IRMÃO! – Dá a língua pra televisão.
"… Estes foram todos os culpados pelo processo de envenenamento pela Fábrica Smile. Todos serão julgados e serão devidamente condenados..."
– Enfim, acabou. – Sengoku dá um sorriso de vitorioso, com uma lágrima escorrendo.
– Ótimo. O que era pra ser, já foi. – Rosinante tenta se acalmar.
"… PORÉM..."
– Porém?! – Os três indagam-se.
"… Aproveitando o embalo, nós passamos pente fino na fábrica e encontramos diversos materiais de corrupção..."
– Fudeu. – Afirma Rosinante, colocando seis cigarros na boca.
– Fudeu o quê, Rosinante? – Sengoku já preocupa-se.
– S-Sengoku, v-você sabe que eu te amo, né?
– ROSINANTE, O QUE VOCÊ FEZ?
"… Diversos projetos superfaturados, importação de materiais ilegais, cúmplice no caso NHC10. Tudo isso em nome do irmão mais novo de Doflamingo, e também membro da família Donquixote..."
– Por favor, que o Doflamingo tenha um irmão perdido... por favor...
"...Donquixote Rosinante..."
– EU VOU MATAR VOCÊ!
– SOCORRO, POLÍCIA!
Sengoku perde a cabeça e sai correndo atrás de Rosinante, que no momento estava com oito cigarros em sua boca, indo em direções aleatórias para fugir do amigo. Law ficou olhando fixamente para televisão, não acreditando no que estava ouvindo.
O moreno chegou a pegar uma vassoura na cozinha para correr atrás do loiro, que já era bem desengonçado e, por isso, não demorou muito para ele escorregar. Deu um mortal no ar, caindo de bunda no chão. Sengoku pôs-se a subir em cima dele.
– ME FALA! POR QUÊ? – Ele encarava os olhos azuis de Rosinante profundamente.
– M-M-Me perdoa, eu fui fruto da manipulação do meu irmão!
– Por que você não me contou?!
– Porque você ficaria chateado comigo!
– ÓBVIO! O que deu na sua cabeça pra assinar contratos superfaturados?
– Eu não li!
– COMO NÃO LEU?
– E-Eu era só uma criança, o Doffy mandou eu assinar, eu assinei. Sengoku, ELE É MUITO BOM EM ARGUMENTOS!
– O que ele te disse?!
– Ele disse que não iria mais dormir comigo se eu não assinasse!
Sengoku acalma-se. Ele não fica calmo de fato, só estava em um estado hipnotizado pela idiotice que julgara ser os argumentos de Doflamingo. Sendo assim, ele se levantou, ajudando o loiro a se levantar também.
– Rosinante.
– Oi.
– Eu odeio você.
– Desculpa...
– Ahn... gente... – Law interrompe a discussão dos dois.
– Sim?
– Ainda não acabou...
– Não?
– A mulher tá falando um monte de nomes, não é importante vocês ouvirem? – E assim, os dois voltaram a se sentar com Law no sofá, sendo que Sengoku dava vários cascudos na cabeça de Rosinante enquanto ouviam a televisão.
"… E esses foram todos os nomes acusados pela corrupção, no total de trinta e quatro..."
– Tudo isso?
"... PORÉM..."
– Porém?! – Indagam-se os três de novo.
"… Tantos crimes assim seriam facilmente encontrados pela polícia com uma certa facilidade. Existem casos de até trinta anos atrás, todos que foram apagados de algum jeito. Encontramos o responsável pelos apagamentos..."
– Fudeu. – Afirmam Sengoku e Rosinante ao mesmo tempo.
– O que houve? – Indaga Law. – O que é dessa vez?
"… Antigo informante de polícia, acusado por queima de arquivos, extorsão, tráfego de drogas, Trafalgar..."
– MEU PAI? – Exclama o moreno. – POR QUE ELE FOI METIDO NISSO?!
– Seu pai era...
– SEU PAI ERA UM INÚTIL, CHANTAGISTA HORRÍVEL! – Desabafa Sengoku.
– Que exagero, ele não era tão ruim assim...
– Ele era tão ruim assim?
– Desculpa, foi mal, eu exagerei. É o nervosismo.
"… Espera, cometemos um erro! Parece que esse homem morreu, então não podemos acusá-lo..."
– Ótimo. Agora sim, acabou.
"… PORÉM..."
– Porém?!
"… Descobrimos uma informação interessante. O filho dele é também filho de Doflamingo, acusado no caso CNH10, e sobrinho de Rosinante, acusado por superfaturamento..."
– Fudeu. – Os três afirmaram.
"… Trafalgar Law, acusado por cúmplice. E com isso, concluímos a nossa lista. Todos os citados serão encaminhados para delegacia o mais breve possível. Tenham uma boa noite, e até a próxima."
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