Brasão de Fogo
4 Capítulo III - Por trás dos portões.
Notas iniciais

Capítulo III
Por trás dos portões.
Estava sentada sobre minha mesa de mármore apreciando um livro que havia comprado na minha primeira vez que havia ido ao Festival, eu era pequena e minha mãe tinha decidido que seria um ótimo passeio ver como eram feitos os preparativos para o Festival de um jeito diferente, não em Carruagens elegantes e com vestidos de gala revestidas de joias acenando para os aldeões, mas sim fingindo que éramos aldeões como os outros. Para mim naquele momento aquilo seria uma aventura incrível!
Então acabei comprando este Livro em um pequeno comércio, tratava-se de uma garota chamada Rapunzel, que vivia em uma Torre, prisioneira do mundo por uma Bruxa malvada.
Sinceramente, o comprei por me identificar pela Sinopse, já tão pequena, pensava que quando crescesse teria liberdade total, algo que não aconteceu até então.
A cada segundo que passava olhava para os arbustos e a estradinha que levava ás grades, enquanto lutava com a tentação de sair correndo e simplesmente partir dali, mas me aguentei, ainda não era a hora.
–Já reparei que você gosta de ler... – Era ele.
–Bem se continuar aparecendo de surpresa assim todas ás horas acho que vou acabar morrendo de susto. -Sim, eu não tinha senso de humor.
–Perdoe-me, seu Jardim é... Lindo.
–Acho que está sem assunto, todas ás vezes que vem aqui elogia algo...
–Faz parte da minha educação, minha cara.
–Educação é algo da qual lido todos os dias, que tal deixar de lado um pouco esta formalidade, me chame de Amelia, ou Lia, Mel, o que preferir, mas por favor, não acrescente “cara” ou “querida” antes.
–Quer que eu seja menos formal? Pois então, Lia, me chame de Henrique, ou Henry, como preferir, mas não acrescente Duque antes ou d’la Graille depois.
–Aliás Henry, porque Graille? É teu sobrenome? Nome da sua cidade, o que?
–Meu pai já fora grande amigo dos irmãos Write, e quando Declan se tornou Rei lhe doou grande porções de Terra, o nomeando Duque. Como teu sobrenome era Graille, ele decidiu que formaria uma Cidade chamada Graille em sua homenagem, e como formou-se uma grande Metrópole acabou expandindo-se e tornando um Estado, quando tal faleceu, eu tomo conta agora, ficando com seu título.
–Quantos anos você tem?
–Dezessete, faltam dois meses para completar dezoito.
–Quinze; poucas semanas para dezesseis. Aliás, gostaria de sua presença em meu Aniversário.
–Terá uma grande festa, imagino. Fico honra... Feliz, com seu convite! – Formando um lindo sorriso em seu rosto.
–Ei vocês dois, o que fazem aí? -Dominic chegou de surpresa.
– Conversando pai, apenas... Isso.
–Aaaah, fico feliz que estejam se dando bem, o Duque...
–Henrique.
–Henrique, é filho de um grande amigo meu, sua visita foi uma honra. – Ele deu uma piscadela para mim, aquilo já estava me dando nos nervos.
–Senhores, sinto muito atrapalhar á conversa, mas desejam algo? Suco, frutas, preparamos um imenso banquete para o Almoço, caso estejam com fome. –Falou uma moça de longos cabelos loiros escuros, olhos esverdeados, e não havia reparado, mas ao seu lado havia outra idêntica á ela.
–Não, obrigado. Eu e Henrique ficamos lisonjeados com o convite ao Banquete, mas tenho planos. E Amelia, estas são as gêmeas Madeleine e Melany, nossas novas empregadas.
–Porque novas? Nós já não temos tan... – Tal não me dera ouvidos.
–Olá Srta. Amelia. – As duas me reverenciaram. Uma havia uma cara estranha como se olhasse para mim de uma maneira diferente, senti uma atmosfera ruim em volta dela; enquanto a outra parecia tímida e quieta.
–Eu sou a Madeleine, e esta é minha irmã Melany. –Ela falou, enquanto Melany permanecia calada com um sorrisinho tímido.
–Prazer. –Sorri com destreza.
–Acompanhe-me Henrique.
Nós fomos seguindo meu pai até o Salão Principal, onde minha mãe andava apressada carregando caixas com suas criadas.
–Onde esteve mãe?
–Aaaah, ocupada com os Preparativos para o Festival, este ano decidi ajudar. – Aquilo foi como uma grande facada em meu peito, minha mãe estava fazendo o que eu sonhava em fazer e eu não podia acompanhá-la.
Porque não perguntar? Porque a resposta seria não, sempre não.
–Clarissa querida você não poderia ficar aqui para fazer companhia a Amelia, eu combinei com Henrique ontem de hoje sair para caçar, um programa de homens! Como fazia com seu pai, lembra-se?!
Se este era um programa que meu pai fazia com seu sogro, então Henrique iria fazer com seu... Droga. Não, eles não poderiam fazer isso comigo...
–Que pena querido, estou tão ocupada, mas Lia não se importa em ficar sozinha um pouco não é minha Flor?
–Claro mãe, problema algum.
–Madeleine e Melany, como são jovens quero que faça companhia para minha filha, uma grande responsabilidade, hein.
–Claro Senhor, com prazer!
–Não! Não! – Acho que gritei muito alto, aquela era minha chance de ficar sozinha, ninguém estragaria isso! – Eu sei me virar bem sozinha, estava lendo um livro, e gostaria de um pouco de paz e sossego, entende?
–Claro! –Sorriu sem jeito. – Vamos Henry, tenho muitas coisas para conversar com você!
–E eu já vou indo, okay. Se cuide moça!
Despedi-me e enquanto me dirigi ao quarto percebi meu pai cochichando algo para Madeleine, enquanto Melany continuava quieta.
Tranquei o quarto, vesti a mesma roupa de ontem, abri as vidraças e ás tranquei também, corri pelas estradinhas para as grades, e em um click e três passos, estava finalmente livre! Fechei as grades e olhei ao meu redor, nenhuma palavra descreveria minha satisfação naquele instante.
Grandes árvores recobriam o local sombreado, ouvia-se pequenos insetos voando, sentia um cheiro de terra molhada misturado com o perfume de meu Jardim.
Pus-me a caminhar lentamente, em algum momento encontraria uma casa ou ouviria vozes de pessoas e logo estaria na Aldeia, certo? Certo!
O Sol brilhava acima das folhas, ouvia, cautelosamente, sapos coaxando e grilos estrilando distantes; vi uma árvore, aparentemente maior que ás outras, e continuei caminhando... Acabei encontrando um pequeno riacho rodeado de rochedos, parei para ver meu reflexo perante a água suja de terra e folhas, e continuei caminhando... Logo vi o Lago onde os sapos coaxavam olhando para mim com enormes olhos, como se dissessem “Olá, nunca vi você aqui, que estranho...”, mas continuei caminhando, quando avistei outra árvore enorme maior que as demais...
E outro riacho rodeado de rochedos idêntico ao outro... Okay, continuar caminhando, certo? Certo! Porém passei novamente pelo mesmo lago onde os sapos diziam “Você aqui novamente, que estranho...”, e por este instante parei, estava andando em círculos.
Continuei andando, dessa vez mais rápido e prestando atenção para achar outro caminho, até que finalmente avistei uma outra árvore... Maior que as demais! Eu estava perdida!
Chocada com o impacto, sentei-me no chão em êxtase, observando o Sol lá no alto me olhando com repreendimento “o que você havia feito Amelia!”.
Não sabia quantas horas havia andando, meu pai estaria voltando para casa agora, junto a Henry, e assim iriam se der conta de meu sumiço, não importa o quanto tentasse, só conseguia encontrar uma árvore enorme, um riacho e um lago com sapos simpáticos.
Percebi o Sol se recolhendo aos poucos acima de mim, estava escurecendo.
Meus pensamentos foram interrompidos por um barulho de passos quebrando ás folhas, será que era alguém que meu pai havia mandado em meu resgate? Ou pior... Um animal selvagem! Continuei lá parada escondida atrás da árvore enorme, cansada, exausta, com medo e angustiada, enquanto seja quem for, se aproximava de mim.
...
Salão Principal
16: 03
–Até que enfim vocês chegaram, estávamos ficando preocupadas.
–Então Madeleine, e Amelia?
–Esteve o tempo todo em seu quarto, senhor. Melany ficou na porta do quarto e não ouviu nenhum barulho.
–Deve estar dormindo, bem, obrigada á vocês duas, fiz bem em contratar vocês, uma futura Rainha precisa de cuidado dobrado...
–Já que ela esta dormindo não irei incomodá-la...
–Espere uns vinte minutos e vá ao quarto dela ver se está bem Henry, acho que não se incomodará com sua presença.
Tal olhou para o relógio que marcavam 16:04.
–Ok, vinte minutos...
...
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