Brasmenia Conquests
1 Capítulo 1 - De volta a Brasmenia!
Notas iniciais

Era sensação e mais ansiado MMORPG internacional, “BRASMENIA CONQUESTS”, que celebra hoje a abertura de seu primeiro servidor RV*! Após meses de testes no beta, a empresa DRELLE GAMING! Anunciou que o servidor BEGINNING ficaria online a partir das 00:00 do dia 17/09/2066 e no dia 27/09/2066 teria a atualização definitiva do mais realista MMORPG já inventado. As contas registradas para participar desse fenômeno chegou a mais de 60 milhões em todo o planeta. Nos últimos anos, tem visto a ascensão de incríveis guildas, assim como também muitos jogadores(as) profissionais populares. Como todos sabem, entre os mais conhecidos e lendários players, está o jogador “LEON” chamado de: O DEUS DE TODAS AS CLASSES, e por 4 anos seguidos ele trouxe vitória a todas as guildas das quais participou. Ele atualmente está sumido, já fazem 3 anos desde seu último aparecimento... E sabem da última? Seu assessor nos informou que ele esta de volta, e de volta pra ficar! – A voz saia eufórica, quase que gritada. – Segundo as informações, LEON retornará para o novo servidor, não sabe-se se ele continuará a esconder o rosto... Eu espero que ele se mostre logo, LEON SOU SEU FÃ! – Gargalhou o apresentador gordinho de meia idade. – E ai, oque acharam da novidade? Gostaram? Mande-nos sua opinião através do número 665... – A televisão fora desligada.
Leon nunca quis ser famosa.
Sim, famosA. Era um pensamento tolo, claro. Um detalhe fútil ao mundo em sua volta, mas que querendo ou não, lhe trouxe bens e alegrias. Já eram 00:02 o dia 17/09/2066 quando desligou a TV e deitou relaxadamente na cama, vestindo o console que era uma espécie de viseira conhecida como NewAge71. Para conectar-se ao mundo virtual era necessário cadastrar a sua digital, existia um coletor de digital bem ao lado do console. Após fazer o login já estava tudo pronto, acomodou-se melhor no colchão e assim fechou os olhos e alguns segundos depois sendo automaticamente tele-transportada para seu mundo virtual favorito: BRASMENIA!
Escolha seu nick...
Foi a primeira imagem que teve ao se dar conta de que já estava conectada ao mais novo servidor de BC*. Entretanto, a experiência fora muito diferente da criação de um personagem em qualquer outro MMO, ou até mesmo antigos servidores. Neles, um personagem era apenas um reflexo em tela das característica escolhidas. Aqui, cada detalhe poderia ser visto em si mesmo, ser sentido em si mesmo e isso era simplesmente maravilhoso.
Detalhes...
Enrolou alguns fios das madeixas negras que lhe caiam na lateral do rosto. Leon não se importava em ser confundida a ser um homem, até porque nunca revelou seu rosto diante da mídia e de seus inúmeros fãs, sempre abdicou de ser uma celebridade mesmo que ironicamente tenha se tornada uma. Vai saber, a humanidade gosta de mistérios e deve ser por isso todo o fascínio que criaram em sua volta, mesmo acreditando ser pela falta de um rosto e não pela sua habilidade em jogo.
Leon sempre quis ter o cabelo curto.
Não era possível no mundo real, infelizmente. Não era por ego, ou até mesmo coragem, fora uma promessa que fez a sua falecida mãe, ela sempre amou e cuidou de seus longos fios negros, lhe penteava todas as noites e sempre ressaltava o quão os cabelos lhe representavam, sendo forte, cheiroso, cumprido e rebelde.
Lembranças...
Nunca se importou em tentar mudar ou ocultar sua essência. Pelo o contrário, orgulhava-se das principais características, duas delas sendo suas lamentações: a altura e sua desprovida vontade em cultivar amizades. E, levando em consideração todo o seu orgulho e vontades, seu avatar fora criado: um esguio sem classe*, com cabelos curtos e negros como os seus, seus olhos de coloração âmbar igualmente como aos de sua criadora, pele clara e inegavelmente charmoso com o cachecol vermelho que cobria seu pescoço (único item escolhido como parte definitiva do traje) e trajando as demais roupas e itens iniciais de BC deu-se inicio a mais uma aventura nesse inigualável mundo RV com sua aparência masculina.
Piscou duas vezes..
Como se para ter certeza de que estava ali, na cidade central de BRASMÊNIA. A cidade estava lotada! Santo deus, quase nem dava para caminhar. Lembrou-se dos outros jogos, os que ainda não era RV, provavelmente estaria com um LAG* infernal e riu com esse pensamento bobo. Bom, não havia tempo a perder, já conhecia tudo ali, tinha participado dos testes beta e, portanto começou a correr em direção a saída da cidade sem se importar com a euforia e conversas paralelas dos demais players.
Era encantador como os sons e as paisagens pareciam tão vivas, tão realistas, era quase como poder sentir fisicamente aquilo que presenciava. Os cantos dos pássaros, o alvoroço dos iniciantes, o encontro de conhecidos jogadores... SIM, amava tudo isso, amava até mais de que a própria realidade.
Em sua jornada no beta testers fora a primeira descobrir o BOSS secreto no mapa JARDIM DA LIBERDADE, já tinha isso em mente enquanto trilhava seu caminho para fora da cidade, sabia que antes de ir até o boss necessitaria de mais leveis, não necessariamente de itens, até porque era questão de estratégia para matar o boss, mesmo que seu avatar fosse forte, as investidas do chefão alternavam conforme seu ritmo, dificultando qualquer aproximação.
Seria tão mais fácil se tivesse um parceiro...
E foi no meio desse pensamento que voou para o chão. Como havia relatado, estava alheia a qualquer movimentação da cidade, correndo obstinada até a saída que não se deu conta do avatar estacado logo a sua frente, tendo como resultado uma forte trombada, ela caiu pra um lado e ele para outro. Aparentemente ele estava tão alheio quanto, pois assim que resmungou das dores nos joelhos, ele se levantou, se prontificando a lhe erguer. Esticou a mão olhando diretamente aos olhos de cor mel.
—- Perdoe-me, estava distraído... Você está bem?
Sua voz saiu calma e em bom tom, seus olhos brilharam, não que estivesse realmente reparando neles, mas assim que seus olhos se encontraram pode jurar ter visto um brilho intenso naquela íris lilás. Estacou, quis responder, quis mesmo... Mas a voz não saia, os joelhos ainda doendo não colaboraram para se pôr de pé. Reparou no nome em cima de sua cabeça, provavelmente o nick dele: “Vênus”. Ainda olhava praqueles olhos tão curiosos e diferentes que pode notar quando os lábios se entortaram num riso de lado e tornou a falar.
—- Precisa de ajuda meu anjo?
Demorou alguns segundos ainda. Se recompôs. Não sei dizer, mas, aquele risinho de lado despertou a fúria da morena. Se levantou dispensando a mão estendida, batendo nas vestes como se para tirar a poeira que ali ficou.
—- Dispenso suas desculpas, vê se presta atenção ao redor cara!
Não entendeu o porque da falta de cordialidade, talvez tenha achado o jeito do outro cara sarcástico. Lhe chamando de “meu anjo” já nos primeiros segundos, quanta audácia pra uma pessoa só! Sua feição estava emburrada e a dor nos joelhos ainda era presente, se esticou como se fosse afastar as dores e se espreguiçou. Achou que o outro já teria ido embora porém não, aquele cara de cabelos grisalhos permanecia olhando-o, como se fosse a coisa mais incrível ali no meio da cidade. Revirou os olhos, assim como os calcanhares e se direcionou novamente para a saída da cidade. Deu uns cinco passos até sentir uma mão segurando-a pelo ombro.
—- Eu sinto muito mesmo. – A voz seguiu no mesmo tom de calmaria, e assim que parou de andar a mão fora retirada de cima do ombro.
Hesitação...
Demorou quase meio minuto, ou talvez mais, vai saber. Primeiro veio o choque, depois o raciocínio e depois a hesitação de se virar. Suspirou vencida e virando-se disse:
—- Tá tranquilo, não se preocu..
Se calou assim que viu o rapaz já afastado se enfiando em meio a multidão que se aglomerava cada vez mais no centro da cidade. Bom, dos males o pior não é mesmo? Não teve de fingir simpatia. Sorriu aliviada tornando a seguir seu caminho.
---x---
Já eram 04:00 am. e sua fadiga já dava sinais, finalmente pegou nv 12. Para enfrentar o boss era necessário estar no mínimo nível 15. Não queria mais esperar, sabia que outros players já sabiam da existência desse boss e certamente tentariam derrota-lo primeiro. O Pointed Horn – chifre pontudo – como assim chamava-se o boss, tinha como recompensa caso o derrotasse SOZINHO (poderia ser duo* também)e pela PRIMEIRA VEZ, um item e uma habilidade rara, e isso de fato lhe traria vantagens para subir de nível rapidamente, como uma jogadora solo player*, isso era essencial para seu desenvolvimento.
Sentia o suor escorrendo pelo rosto...
Aquele coelho em sua frente, gigante de pelagem alaranjada e com algumas partes brancas, os olhos eram tão grandes quanto as pernas longas, era um dos mobs (monstros) iniciantes. Tinha a espada empunhada com as duas mãos em posição de alerta. O fôlego já começava a faltar. Tinha de ser só mais essa investida. Era isso ou perderia o boss, não aceitava perder sua própria descoberta.
Então correu...
Correu ao mesmo tempo em que soltava o famoso urro de ataque, aquele “ahhhh” acompanhado de uma rasteira ao lado do mob. Deixou que sua espada o ferisse nas patas, fazendo-o cair, foi quando pulou para cima dele, a espada levantada ao alto, desferindo-o o ataque certeiro e derrotando-o no mesmo instante. Foi questão de segundos para o corpo do animal virar cinzas em forma pixel e minha exp aumentar. Não só a exp, foi também recebidos pontos em agilidade e precisão.
Sorriu satisfeita.
Era a hora de ir enfrentar um dos chefões, acima de tudo, o boss secreto! Caminhava determinada, sua barra de vida já havia voltado complemente 100%, até que enfim chegou no NPC*, localizado bem ao canto superior direito do mapa. Conferiu seus itens mais uma vez e enfim falou com o NPC, bem rápido por sinal, ignorando algumas explicações e agradeceu aos Deuses por ter chego primeiro que outros players. Assim que aceitou a quest*, um portal apareceu a sua frente e caminhou até lá.
Foi em um piscar de olhos.
Quando fixou sua visão à frente, pode enxergar aquele gigantesco minotauro. Era muito, mas muito grande mesmo. Tinha umas 5x o seu tamanho, fora isso, aqueles chifres eram gigantes. Possuía 2 barras de vida, coisa que na versão beta era somente 1.
Medo...
Coração batendo loucamente, boca seca, olhos vidrados naquele monstro a sua frente. Apertou com mais força a espada em mãos. O ambiente em volta era uma espécie de coliseu, um típico mapa de x1, era engraçado porque não tinha plateia, nenhuma gritaria ou incentivos somente o som das respirações e mais nada. O mob não dava sinais de que se mexeria, parecia medi-la, medir sua capacidade ou até mesmo sua força. Gargalhou mesmo que brevemente.
—- Eu já te venci uma vez... E não vai ser diferente desta vez! –
Foi então que correu em disparada iniciando a luta e já no primeiro ataque que recebeu voou pra longe, não conseguiu nem ver se onde tinha vindo a pancada. Levantou atordoada não reconhecendo o poder de ataque que aquele mob possuía, ele certamente não era o mesmo que na versão beta. Burra, burra, burra! Blasfemou contra si mesma, se culpando por não ter prestado atenção nas explicações do NPC. Agora não adiantava se lamentar, firmou novamente a espada nas mãos e foi com tudo pra cima apostando na pouca experiência que obteve no servidor de teste.
Triste engano! Já era a 4º vez que morria e ressuscitava, já tinha tentado de todas as maneiras, defesa, ataque, emboscada, truques... Parecia que quanto mais cansava mais o boss ficava forte e por estar solo não tinha com balancear o dano recebido e isso dificultava demais, estava praticamente achando impossível de passar sozinha.
05:38 am. Sentou-se visivelmente frustrada em frente ao NPC resmungando e amaldiçoando sua incapacidade de fazer amigos, parceiro, colega... Droga! Precisava de ajuda, precisava agora, mas sabia que não tinha mais tempo, se fosse até a cidade certamente perderia o boss.
—- Precisa de ajuda meu anjo?
Deu um pulo. Estava sentada perdida em seus próprios dilemas que não percebeu a aproximação repentina, mas assim que ouviu novamente aquela voz se pôs de pé num instante, se virando para aquele rapaz de cabelos grisalhos.
—- Você está me seguindo?
Sua voz saiu mais alta do que previa e com isso deu um passo a frente. Será que ele queria lhe roubar? O que poderia estar fazendo aqui? Seria um beta testers? Ele quer MEU boss? Sua mente rodava enquanto seus olhos o mantinham em foco. Novamente notou aquele sorriso de canto ser formado, ele se aproximou. Somente alguns passos, mas mesmo assim diminuindo a distancia consideravelmente.
—- Hãn... Digamos que sim. – Ele fez uma pausa como se avaliando as reações do outro. – Eu estava com um grupo de amigos pegando exp... Então alguns se desconectaram e outros foram pra cidade. Eu pretendia seguir pra cidade também quando vi você matando aquele coelho gigante. Aliás, devo admitir aquilo foi incrível! Aí então você veio tão rápido pra cá, eu fiquei apenas curioso que nem mesmo percebi que estava te seguindo.
A voz saia entusiasmada e seu semblante era de puro deleite como se revivesse aqueles momentos tão nítidos nas memórias.
—- Então além de me seguir está me observando e analisando? Afinal, o que você quer?
Esbravejou já sem paciência, estava cansada e frustrada com toda aquela situação. Sua mão foi automaticamente para o cabo da espada. Ele se aproximou mais. Filho da mãe. Ele ta achando que eu tô de brincadeira? Ok, seria bem ruim ser PK* logo no início do servidor, mas porra era o meu boss.
—- Eu só quero ajudar.
Pela primeira vez ele ficou sério, e ficaram encarando-se de forma intensa. A morena estava desconfiada, não queria ceder, se bem que já tinha aceitado que para passar o boss somente se fosse em dupla – duo.
—- Como posso acreditar em você se está mentindo pra mim? Acha que vou acreditar nesse “nem percebi que estava te seguindo”? Meu amigo... Só pode ser sacanagem! – Empunhou a espada com ambas as mãos adquirindo a posição de ataque.
Ele gargalhou.
Foi uma risada alta e gostosa, como se tivesse sido pego em flagrante. Ele ergueu os braços como se estivesse se rendendo e nossos olhares se encontraram novamente, e então sua face ganhava expressões cansadas.
—- Veja bem meu anjo... Eu estive aqui te observando a três rodadas, eu assisti todas as suas derrotas de camarote, e devo dizer, você é muito, muito bom mesmo! Só que infelizmente esse boss não é questão de somente estratégia, infelizmente temos que ter uma quantidade de HP* muito maior do que somente de um avatar e ainda low level*. – Ele suspirou, parecia escolher bem as próximas palavras. – Portanto se você for tão esperto, como eu acredito que seja... – Sorriu brevemente – Já concluiu que é impossível passar sozinho por esse boss, a não ser que seja no mínimo nível 20, e com bons itens... – Ele esperou que o outro se manifestasse, como não aconteceu, ele continuou – Então eu lhe proponho, aceita formar grupo comigo e assim derrotar esse minotauro de merda?
Ponderou..
Ainda não conseguia depositar confiança naquele cara, talvez a culpa fosse da primeira impressão que ele deixou. Mas ele se desculpou. Que cacete, justo esse moleque tinha que aparecer, por que não uma menina super fofa que usasse magias de cura? SERÁ QUE ISSO SERIA PEDIR DEMAIS DEUSES DO BC? Sua cabeça fervia mas sua expressão não deixava transparecer todo o conflito interno.
—- Qual é seu nível? – Respondeu por fim se sentindo fracassada.
—- 11. – Ele respondeu no momento em que enviava o pedido de party – grupo.
Agora não tinha como voltar atrás...
Ainda que hesitante, aceitou o pedido de grupo do outro e, assim que o fez, notou a expressão de satisfação que os olhos lilás demonstraram.
—- Eu sei que usa uma espada de duas mãos, alguns truques como bomba de fumaça e dardos de veneno... Pude analisar seu estilo de combate nessas ultimas três rodadas. Para um iniciante, saber usar esses itens e técnicas é impressionante. – Ele respirou fundo, seus olhos concentrados em mim, ele não desviava nem por um segundo a visão. – O que me leva a acreditar que és um beta testers, estou certo?
E lá estava aquele riso de canto, de novo.
Revirou os olhos, ora essa. Ela não lhe devia explicações, aliás, esse cara é irritante! Santo deus, até esse modo de falar “nhenhenhe sou um cavalheiro” pau no c*. O semblante da morena não era das melhores, com certeza sua vontade era de mata-lo nesse momento, mas, seria muito errado perder todos os bônus do boss por orgulho. Isto é, ORGULHO FERIDO.
—- E isso tem importância? – Foi grossa, não queria papinho só queria acabar com aquele chifrudo e cair fora o mais rápido possível desse mapa. – Se não se importa, já são 06:00 am e eu realmente queria terminar isso logo. – Suspirou. – Eu vou atacar primeiro ok? Vou pela esquerda e você pela direta, enquanto eu defendo você ataca e vice-versa, assim balancearemos o dano e o confundiremos trocando de função constantemente. Pode ser? – Viu os cabelos grisalhos acenar positivamente. – E então na metade da segunda barra de vida quando ele invoca vários mobs, iremos ignora-los, eu irei usar a cortina de fumaça e iremos explodir o boss com tudo oque temos.
Ele concordou e assim aceitaram a quest se dirigindo até o portal.
E como da primeira vez, em um piscar de olhos estava os 3 naquele coliseu deserto. O minotauro bufou, bufou com tanta raiva que chegou a sair fumaça das narinas. Dessa vez o riso esboçado por ambos os garotos eram confiantes e, como havia adiantado, a morena atacou primeiro, seus ataques eram fortes e precisos. Não precisou ditar oque fazer para o outro, o que a deixou embasbacada. Ele ere tão rápido que quase não conseguia acompanhar os movimentos das duas espadas que empunhava, sendo uma em cada mão. Pode notar também que assim como espadas ele usava dois punhais ou seriam adagas? E alternava entre o uso da espada e punhal/adaga. Era brilhante a maestria da qual utiliza seus itens e sua velocidade era capaz de ser até maior que a da morena.
—- Bom trabalho. – Ela falou e sorriu assim que recuaram já na metade da segunda barra de vida do boss, ele estava ficando enlouquecido e começava a invocar alguns mobs aleatórios. Não pode deixar de elogiar o outro, estava impressionada. Ele nada disse apenas esboçou aquele riso torto e acenou com a cabeça. – É agora, vou usar a fumaça e quero que façamos o ultimo golpe no chifrudo juntos. – Ela falava com emoção, a adrenalina das batalhas lhe tornava outra pessoa. Foi questão de segundos, ela estourou a bomba de fumaça e aquele clarão pode ser visto, era o tempo de ambos correrem juntos para dar o ultimo golpe.
Era.
Não foi como o planejado. O Pointed Horn em sua loucura e invocações conseguiu invocar um GOLEM DE PEDRA tão forte quanto ele e aquela porra entrou em sua frente enquanto ela corria desesperadamente para finaliza-lo. Não ia conseguir, não conseguiria desviar, não tinha visto nem seu ataque sem antes senti-lo, diretamente na sua cara. Foi jogada para trás, de volta para a fumaça, bem no ninho de mobs invocados.
Já era.
Foi o seu pensamento enquanto seus olhos vasculhavam por de dentro da cortina de fumaça alguns vultos vindo rapidamente em sua direção. Sua espada caiu um pouco longe do seu corpo, estava se esticando para alcança-la mas, parecia ser inútil, sua barra de vida estava quase no fim e para piorar a situação as poções de HP haviam acabado. – Não acredito que vou perder aqui... – Ela sussurrou para si mesmo aceitando a derrota já que seu corpo não a obedecia. Enxergou os primeiros mobs nitidamente e fechou os olhos quando viu que iria ser atingida por um golpe fatal.
Iria.
Vênus surgiu como um herói renomado, sua postura altiva, seu olhar determinado e sua voz rouca e grave lhe gritando.
—- SATURN, LEVANTA LOGO DAI PORRA! – Ele lhe defendeu dos ataques dos mobs e pode perceber que a barra de vida dele estava tão baixa quanto a sua. Isso não era uma desculpa.
Foi como um choque, os sentidos voltaram e o corpo reagiu. Conseguiu alcançar a espada e assim que o fez se levantou. Juntaram-se, um de costa para o outro. Estavam cercados enquanto o boss permanecia atrás do nevoeiro de fumaça, podia-se ouvir os seus grunhidos de ira.
—- Eu vou tentar algo. Preciso que me de cobertura, certo? – Ele me olhou sério, não como das outras vezes. Sua irís estava mais escura e sua voz saiu firme e dura. A morena só pode concordar, obviamente. Ela contra atacou alguns golpes, acobertando-o enquanto o acompanhava com os olhos, ele saia correndo se esquivando de algumas investidas, até que ao chegar ao centro daquele ninho de mobs, ele pulou, mas pulou tão alto que deu para acompanhar certinho seu movimento no ar, ele rodopiou com ambas as espadas em mãos, abriu seus braços e as espadas brilharam.
MAS QUE PORRA DE HABILIDADE É AQUELA?
Acho que foi uns 4 rodopios. A névoa de fumaça foi dissolvida e eu vi que TODOS os mobs em nossa volta haviam sido eliminados e viraram aquelas cinzas de pixel sendo levadas pelo vento.
Ele caiu.
—- MERDA! – Não teve uma reação imediata, acho que demorou um minuto até se dar conta de que ele não se mexia. – Vênus... – Falei baixo me ajoelhando próximo ao seu corpo e vendo que ele ainda tinha 2% de vida mesmo estando inconsciente. Preciso fazer alguma coisa.
Ela se levantou, pondo-se de frente ao boss, era só eles 2 agora. Agachou para pegar uma espada de Vênus. Era tudo ou nada agora, mesmo que não gostasse de usar duas espadas, pois sentia-se vulnerável, sabia que seu poder de ataque era instantaneamente duplicado e como quase não tinha vida estava em 9%, teria de arriscar.
O boss pareceu querer ajudar, como se no momento em que se encararam tivessem chegado num acordo mutuo em acabar aquilo com seu golpe mais forte. Sua postura ficou firme, seu olhar concentrado e as duas espadas foram apertadas com força. O Pointed Horn não esperou mais, estava em pé somente com duas pernas porém se pôs em 4 patas e começou a correr com toda a sua fúria apontando seus enormes chifres na direção da menor.
Ela correu em sua direção de volta.
E, a partir dai passou tudo em câmera lenta. Perto do choque em ambos os ataques a morena saltou, um ágil salto por de cima dos chifres, tendo uma de suas pernas atingida por um deles. O gemido de dor veio acompanhado com um grito de raiva e, juntando todas as suas forças que ainda restavam ela penetrou ambas as espadas nas costas daquele minotauro, o que lhe desencadeou um urro de agonia tornando a ficar em pé sobre duas patas.
Eu não vou perder.
Sua mente gritava essa frase para si mesma enquanto as espadas ganhavam mais força brilhando como se estivesse explodindo-o por dentro, rasgou as costas do boss quase partindo-o ao meio. Seus joelhos foram ao chão assim que observou o formato do corpo do boss virar pixels e um “congratulations” com alguns confetes surgir caindo sobre ela e Vênus.
—- Bom trabalho. – Ouviu a voz rouca de Vênus, mais próxima do que esperava e sem ter tempo para alguma reação se viu apoiada ao ombro do mesmo, enquanto seu braço enlaçava o quadril e a mantinha de pé. Pela primeira vez junto a troca de olhares, trocaram também um riso cumplice.
Fale com o autor