Era uma madrugada fria , não havia uma alma sequer nas ruas de Lisboa , a única coisa que ouvia era o som dos saltos médios de meus sapatos batendo contra a calçada , a luz fraca dos postes me guiava , foi quando comecei a ouvir outro som , outros par de sapatos , acelerei o passo e quando dei por mim já estava correndo. Fui empurrada para um beco e em seguida pressionada contra a parede , aqueles olhos chocolate estavam cravados nos meus.

– Jeferson – sussurrei assustada

– Helena minha querida – ele respondeu

– Me larga seu bastardo !

– Ahh Hele quanto mais você resiste , mais eu me apaixono – disse ele beijando meu pescoço

O afastei com tamanha força que ele bateu contra a parede oposta a que tinha me pressionado , porem logo eu estava novamente em seus braços

– Que feio Hele , espero que depois do nosso casamento você melhore

– Nunca irei me casar com você – protestei

– Infelizmente temos um acordo de sangue

– Eu era inocente , eu acreditava nas suas mentiras! — gritei

Ele riu e acariciou meu rosto , me soltei e corri para casa .

O sobrado não era grande coisa , mas desde o dia que renunciei Jeferson e suas mentirar meu melhor amigo , Bernard , me acolheu em sua casa , ele havia aberto meus olhos e mostrado quem realmente era Jeferson.

Eu havia acabado de me sentar na bancada da pia para recuperar o folego quando Bernard entrou na cozinha e encheu um copo com água

– Que cara é essa ?

– É a única que eu tenho

Ele abafou uma risada e sentou-se ao meu lado

– Tenho que me afastar de Jeferson – eu disse

– Por que não sai de Portugal ?

– Ele me acharia

– Acho que se você atravessa-se o Atlântico seria difícil

– Como assim?

– Uma caravela ira para a colônia portuguesa nesta madrugada , tenho um amigo que poderia te colocar lá dentro mas , você teria que se transformar em morcego para não perceberem que você está lá dentro

– Isso é incrível , eu finalmente posso fugir das garras do Jaferson – eu o abracei forte – Você é o melhor Bernad

– Vou conversar com esse meu amigo , voltarei em breve – disse ele saindo

Esperei pelo o que me pareceu horas e horas , Jeferson podia a qualquer momento aparecer , me arrastar até o cemiteiro local e arruinar toda a minha eternidade , mas se eu estivesse em outro continente , do outro lado do Atlântico , ele não poderia fazer nada . Finalmente Bernad chegou e corri até ele

– O que seu amigo disse ? – perguntei animada

– A viagem demora alguns dias e chegando lá você trabalhara para a família de um barão

– Obrigada Bernad , nem sei como te agradecer

– Não precisa , você me apresentou a Karla e hoje somos um casal , eu te devo um refugiu – ele disse

– Obrigada mesmo – agradeci o abraçando forte

Eu o soltei e ele subiu as escadas e me olhou

– Você tem menos de duas horas para arrumar suas coisas , acho melhor você começar agora – ele aconselhou

Corri até meu quarto animada , não podia acreditar , eu sairia de Lisboa e iria para outro continente . As horas passaram num piscar de olho , coloquei um vestido simples e sem espartilho ou crinolina . Bernad me levou até o porto , um homem nos esperava

– Cris – chamou Bernad enquanto nos apoximavamos dele

– Bernad – disse o homem abrindo um enorme sorriso

– Essa é Helena , a amiga que te falei –Bernard apresentou

– É um prazer conhece-la senhorita

– O prazer é todo meu — respondi sorrindo

Cris me levou até onde guardavam os mantimentos , havia um pequeno pedaço de pano em cima de duas caixas

– Pode dormir ai , durante a noite você poderá ficar normal e venho lhe alimentar 2 vezes ao dia

– Falando assim parece que sou um cão – brinquei

Me transformei em morcego e me deitei no pano , Cris escondeu minha mala em algum canto e saiu trancando a porta atras de si . Agora eu estava sozinha na mais intensa escuridão , mal podia acreditar que dentro de alguns dias estaria longe de Jeferson e de seu maldito acordo de sangue . Me aconcheguei no pequeno pedaço de pano e acabei adormecendo .

Quando acordei estava sentada em frente a uma penteadeira com várias mulheres ao meu redor , meu cabelo estava solto com apenas pequenas e delicadsa tranças de cada lado da cabeça , eu estava de espartilho e crinolina por baixo de um longo vestido branco com detalhes negros , em meu pescoço havia um colar de perolas , em minhas mãos luvas de renda branca sem dedos . As mulheres me levaram até um cemitério , não era um cemitério qualquer , era o que eu e Jeferson havíamos nos conhecidos , logo o avistei em pé ao lado de uma lapide , ele estava de fraque , meus olhos estavam marejados e minha voz havia sumido , entrei em desespero e lagrimas corriam pelas minhas bochechas , tentei de todas as formas me soltar das mãos daquelas mulheres mas foi em vão . Abri meus olhos ofegante , havia sido um sonho , apenas um sonho .

A porta se abriu e vi Cris vir em minha direção

– Estão todos dormindo – disse ele

Voltei ao normal e saltei da caixa , caminhei até chegar na ponta do navio , fiquei lá de bruços olhando o horizonte , a Lua naquela noite tinha companhia , a água do mar estava calma e um vendo frio batia em meu rosto , minutos depois Cris estava ao meu lado com uma taça de vinho

– Não acho que eu deva beber – o adverti

– Não é vinho , se é que me entende

Sorri e bebi aquele liquido vermelho , Jeferson não pode lhe fazer mal Helena falei a mim mesma

– Posso lhe fazer uma pergunta ? – perguntou Cris

– Claro

– Do que esta fugindo ?

– Do meu ex namorado , eu acabei fazendo um acordo de sangue com ele e depois descobri que ele não era quem eu pensava

– É um pena , mas acho que assim que chegarmos a senhorita arrumara um novo namorado

– Obrigada — sorri sem jeito — agora é minha vez de lhe perguntar algo

– Diga

– Aonde estamos indo exatamente ? -perguntei

– Estamos indo para o Brasil

Brasil repeti a mim mesma , esse era um lindo nome para um refugiu .

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.