Brasília!

1 Brasília


BRASÍLIA

"Meu Deus, mas que cidade linda..."

Hoje não falaremos de política.

Eu sei que você já olhou no mapa e viu aquele mísero quadrado. Lá no centro. Dentro de Goiás.

Se você nunca o visitou, devo lhe contar as dádivas do quadrado mais maravilhoso desse país inteiro. Lá dentro, em um espaço menor ainda, se encontra Brasília.

É certo que não temos praia e mar, é certo também, que não disfrutamos dos finais de semanas quentes e suados abaixo de um sol de quarenta graus sobre a areia. Certo, talvez, tirando a parte da areia, nós disfrutamos sim de finais de semanas quentes e suados abaixo de um sol de quarenta graus, e ainda com vinte e cinco por cento de umidade de ar.

O que o clima de Brasília tem de injusto, a cidade tem de linda.

Nós costumamos sair pela manhã em direção ao trabalho, escola, faculdade ou qualquer coisa que seja, vestidos como se fôssemos fazer uma expedição ao Polo Norte. Lá para as nove da manhã, o sol está tão quente que provavelmente ele se imagina sendo o Diabo açoitando as pobres almas do Inferno, que no caso, somos nós. Você tem uma hora de almoço e o céu já está escuro como se fosse cair uma tempestade, e no final da tarde o céu definitivamente rui. É água para todo o lado. E tudo isso em um só dia.

Coitado daquele que saíra sem blusa de frio. Tão ruim quanto, é aquele que se vestira com roupas quentes, sem nenhuma leve por baixo. Mas o condenado de verdade, é o desavisado do guarda-chuva.

Nunca se sabe quando vai chover em Brasília.

De vez em quando o céu acorda simpático e já exibe suas cores cinza e branca, e a mensagem é clara: “Aê, seu lerdo! Vai chover hoje, hein. Mas antes disso vai fazer bastante calor, e a umidade? Pff... Não vai passar dos quinze por cento. Leve um casaco, mas também vista uma blusa leve por debaixo. Leve também um soro fisiológico para colocar no nariz quando ele começar a sangrar... Ah, e também aspirina. Você vai gripar. Não esqueça de levar os chinelos dentro da mochila, você vai pisar numa poça de lama com esse seu tênis nojento e vai passar o resto da tarde se reclamando com o pé molhado. E o guarda-chuva!”

Droga, eu sempre esqueço a aspirina!

Eu sei que nós não temos o mar, mas como Lucio Costa já tinha dito: “O céu é o mar de Brasília.” E ele não poderia estar mais certo.

O céu, além de ser sacana, é exibicionista. E ele é bom no que faz.

Ele tira alguns dias de domingo para caprichar. É azul, límpido, sem nenhuma nuvem. O azul é intenso e infinito. Te segue até o horizonte, te suga, te mastiga e te cospe de volta. O azul entra na sua alma, e rouba um pedaço dela. Uma vez em Brasília, nenhum céu vai te satisfazer tão facilmente.

Os finais de tarde então... O azul que é bastante egoísta, começa a dividir espaço com o rosa, o roxo, o alaranjado e vermelho. Sei que o azul é insubstituível, mas a mistura de cores que dançam no crepúsculo, é também muito magnífica.

A dança de cores que se inicia na alvorada escura, termina também no crepúsculo negro. É justo que as cores que trabalharam durante todo o dia tenham seu descanso. E tudo que nós temos é o negro enfeitado com pontos brilhantes.

Se acredita em Deus, olhando o céu você se sente mais perto dele. Se não, o infinito que lhe penetra a alma acaba se tornando parte de você.

Como já dizia Renato Russo: “O Infinito é um dos deuses mais lindos.” Os deuses do infinito provavelmente vêm fazer um bico em Brasília de vez em quando.

E as curvas? As maravilhosas curvas de Niemeyer.

São tão exibicionistas quanto o céu. A Esplanada é o lar dos deuses da beleza, realmente.

A Catedral pálida e esguia, se dobra dentro de si e ostenta em seu interior anjos sagrados que flutuam sobre cabeças que têm fé. A vidraça colorida em branco e tons de verde azul é estonteante, e a acústica é uma atração à parte.

Sempre gostei de imaginar o Museu Nacional como um planeta pálido e árido, que esconde maravilhas em sua superfície.

O Congresso é o meu favorito. Se você já visitou a Esplanada dos Ministérios sabe muito bem que o percurso da Rodoviária até o Congresso é longo e dolorido. Costumo encarar o Congresso como a premiação após uma maratona.

Alto e imponente, não consigo deixar de pensar que parece as Torres Gêmeas. Os pratos ao lado e a água a frente são a vista que eu gostaria de poder deleitar-me todos os dias. Mas logo tenho que dar meia volta e regressar até a Rodoviária novamente.

E por falar em Rodoviária... Lá é o caos. Estou escrevendo isso como forma de homenagem à minha cidade, mas não quero instruir ninguém à tolice. Mantenha a mochila sempre próxima ao corpo, bolsa também, e esconda o celular. Mas se sua intenção é comprar um iPhone 5s, fique à vontade. Lá tem aos montes. Só não reclame quando rastrearem o aparelho e você tiver que dar explicação à polícia por portar um aparelho roubado.

Mas a grande atração da Rodo é irrevogavelmente a Viçosa. A pastelaria que parece ter acesso para revender “o pastel dos deuses”. É lá que você vai encontrar algo mais próximo de uma comida típica em Brasília.

Se eu fosse continuar falando sobre lugares, esse texto seria maior que a própria Bíblia. E eu acho que não tenho nenhum dom para guia turístico, mas meu recado está dado.

Nem sei de todos os lugares, e nem me contento somente com aqui, mas não trocaria esse lugar por nenhum outro.

Brasília tem muitas faces, e eu prefiro encarar a bonita.

Feliz aniversário atrasado!

Bem atrasado. Tipo, quase um mês...

Mas, 5.5, hein? Tá inteirona!

Notas finais
Eu citei muito Legião Urbana/Renato Russo? Peço perdão.Qualquer erro, manda pra cá que eu arrumo.Queria ter escrito algo mais poético, mas acontece que não sou nada poética... Espero que Brasília se contente.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!