Brasão de Fogo
6 Capítulo V - Laços de Paz.
Notas iniciais

Capítulo V
Laços de Paz
Por um instante pensei em todos os homens altos que conhecia, de fato, era uma informação meio incerta, tal que não sabia se quando ela dissera alto se referia a um cara de um metro e oitenta e cinco, por exemplo, ou um maior com um e noventa, até poderia ser um cara realmente alto, com um e noventa e oito ou coisa parecida...
Mas logo tomei consciência que aquela não era à hora certa para devanear parada de frente ás grades, pois tinha de correr para o quarto imediatamente!
Troquei-me rapidamente colocando uma camisola minha antiga, bagunçando meus cabelos –algo que eles já haviam feito por mim –para tudo dar a indicar de que estava dormindo.
Acreditar-se-iam em mim realmente, não sabia. Nem se alguém já havia entrado em meu quarto; fazendo com que eu me arrepiasse no mesmo momento em que imaginava a reação de meu pai... Outra coisa que não me convinha era decidir-me se conseguiria continuar esta farsa.
Se minha decisão fosse sim, amanhã iria, ás duas horas em ponto estar vestida com minha capa e botas de couro em frente ás grades á espera de Irina, caso contrário inventaria algo para tomar meu tempo, fazendo tudo voltar como era antes, certo? Não tinha resposta definitiva.
Bem, mais um item para minha coleção de defeitos, não tinha senso de humor, me entediava facilmente, não sabia mentir, era campeã em gafes terríveis em Casamentos ou ocasiões extremamente importantes como o dia em que confundi o Padrinho com o Noivo com um “Devo admitir que estou profundamente encantada com o lindo casal que vocês formam!” , ou quando insultei o morto no dia de seu velório na frente de sua ex esposa... E que era péssima no quesito de tomar decisões rapidamente –Mas apenas tomar decisões já era algo difícil.
Deveria admitir que invejava a capacidade de algumas pessoas de tomar um simples ou difícil decisão em poucos segundos.
Silenciei meus pensamentos no instante que ouvi toque em minha porta.
Continuei deitada com os olhos fechados esperando a pessoa tocar mais algumas vezes. No quarto toque –mais grave que os outros – Me virei nos lençóis forçando uma voz melosa e preguiçosa respondendo um “Entre...”.
Ouvi o som da porta destrancando-se, seja quem fosse tinha a chave de meu quarto.
–É você Wi... –A figura de olhar severo dirigiu seus olhos á mim.
–Srta. Amelia, perdoe-me ter lhe acordado – ouvi um “se é que estava mesmo dormindo” escapar como um leve cochicho – Mas seu pai exige sua presença para o Jantar que hoje será servido mais cedo.
–Algum motivo especial, se me permite chamá-la apenas por Madeleine?
–Claro. Você me e parece muito curiosa e despertada para alguém que acabou de acordar, se me permite chamá-la apenas por Amelia.
–Pois não, Madeleine, continue me chamando de Srta. Amelia, assim sempre se lembrará de que você é minha criada, certamente querida, e respondendo tua pergunta já acordei, e estou despertada suficientemente para ter curiosidade e fazer-lhe uma pergunta já que como é teu primeiro dia aqui e não sabe que o Jantar nunca é servido a este horário.
–Mas... – Cortei-lhe a fala.
–Também estou acordada suficiente para ter olhado o relógio para então saber que horas são afinal. –Disse me levantando da cama com postura firme adivinhando seus pensamentos.
–Perdoe-me Srta. Amelia. –Tal abaixou sua cabeça.
–Bem... Acho que retiro o que disse, pode me chamar apenas por Amelia, não me importo.
A dirigi um sorriso doce, não a atingindo, pois tal me devolveu outro igualmente falso.
–Ah, olá Melany, nem a vi aí, minha cara, sempre tão quieta.
–Olá Srta.
–Se me permite dizer Amelia, que Melany possui natureza tímida mesmo.
–Podem ir agora, já estou ciente e irei me arrumar.
–Não quer ajuda? –Falou com desgosto.
–Não, obrigada. Vão.
As duas foram apressadas.
Não sabia ao certo porque estava estressada, nem porque havia sido tão grossa com aquela garota, mas ela me despertava um sentimento extremamente ruim, se tal continuasse a ser atrevida assim em minha vida não poderia levar meu plano adiante.
Simples, Amelia. Só apenas mais um empecilho para arruinar sua vida, pronto!
Olhei-me no espelho pensando em como me arrumaria, ah se Joana estivesse aqui para arrumar meus cabelos daquele mesmo jeito dela, me elogiando e criando maridos imaginários para mim.
Aliás, nem havia parado para pensar o porquê de sua ausência... Estranho.
...
–Devo admitir que estou extremamente curiosa para saber o porque deste Banquete enorme...
–Ah cara filha... Muitas pessoas estão chorando agora, outras em profundo pânico, todas vestidas de preto em uma noite fria e chuvosa, já como em nós corre o sangue de Harriet podemos louvar nossa glória! Harriet! Harriet! Lugar apreciado, que para todos em todos os anos sempre será lembrado! Pelas terras que nos cercam defenderemos com bravura! País de grande coração, bravos cavaleiros que encorajam a nobre nação!
Aquilo havia sido... Extremamente... Tosco! Sinceramente porque o nome de meu País haveria de ser tão ridículo, não conseguia imaginar uma Rainha defendendo um País chamado Harriet! – Que no caso seria eu — E também pelo fato de meu pai, Dominic Write, irmão do Rei do País, ter errado o Hino!
Tinha uma história por trás deste nome, Harriet a Rainha Negra, uma longa história...
–Sinceramente não estou entendendo...
–Sente-se cara, e desfrute da Glória de seu País, pois Edward Schlickmann esta morto! Haha! Chega de Guerra! Chega de conflito! Acabou tudo, tudo! Seu filho Michael Schlickmann vai controlar tudo agora, e adivinhe? Na semana de seu aniversário ele irá finalmente zelar um acordo de Paz com nosso País, isso não é incrível.
–Certamente! Incrível! – Estive tanto tempo no Luxo e conforto de uma Nobre que esqueci que por muito tempo meu País esteve em Guerra, haviam tantas histórias que cercavam sua Origem, e figuras importantes que marcaram que me imaginava contando a meus filhos a história de meu País. Se incluísse os detalhes, demorariam horas!
Apesar de toda a “anormalidade” o Jantar tinha sido normal, tirando o fato de meu Cozinheiro favorito Ronnie ter sido demitido, fato da qual percebi quase instantaneamente quando provei a comida sem teu tempero único.
Para arruinar de uma vez por todas a normalidade do ambiente, quando voltei do banheiro para terminar meu prato percebi algo de estranho em meu guardanapo. Ao virá-lo para trás reparei a frase escrita com uma letra desconhecida “Preciso falar com você. –H.”
Este mistério definitivamente... Estava passando dos limites!
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