Brasão de Fogo

5 Capítulo IV - Desconhecida.


Notas iniciais
Demorei bastaaante para postar, mas agora estou aqui certo! ~Meu pai ta no meu pé aqui, amanhã mudo as Notas, ook.

Capítulo IV

Desconhecida.

Se havia uma coisa que tinha aprendido lendo todos os Contos de Terror – Sou fanática por livros – era que nunca, absolutamente nunca, em hipótese alguma, a mocinha – Eu – deveria olhar para trás para saber quem era, ou perguntar algo como “Quem está aí”. Curiosidade era um defeito horrível neste tipo de situação, que infelizmente.

Poderia ser a minha. Seria um Lobo? Animal selvagem? Alguém do Bem... Ou não...?

Estava louca, ao menos ficando, pois minha sanidade ia descendo a níveis extremos quando pensava em quem poderia ser o ser que me procurava, definitivamente.

Permanecia agachada, imóvel, me esforçando para não fazer ao menos um som ao respirar, meu coração poderia me dedurar, mas já havia tanto barulho... Os sapos amigáveis que coaxavam, os grilos que estrilavam, o som da água passando por entre os pequenos rochedos, o balanço da dança entre o vento e as folhas das árvores que tocavam o alto do céu.

Sol, o que fiz a você? Perguntava-me enquanto ele dirigia teus raios diretamente a mim como um grande holofote “Veja, ela está bem ali!”, me olhando com amargura.

Sinceramente, aquele havia sido o pior erro que já havia cometido...

O único barulho diferente além de todo aquele mato eram os “crecs” que as folhas faziam ao serem quebradas, tal ser andava cautelosamente em minha direção.

E quando senti sua respiração ofegante atrás da árvore, os barulhos pararam... Estava perdida! Adeus vida, adeus mundo, fim!

Fechei meus olhos num ato de pura covardia esperando o Lobo me atacar, quando ouvi uma voz dar fim em minhas melancólicas despedidas.

–Irina! Onde você se meteu garota! Volte aqui agora mesmo! – Aparentava ser uma voz masculina, no mesmo instante que uma doce voz respondeu quase aos pés de meus ouvidos.

–Não creio nisto! Volto já, estou ocupada!

–Ocupada em encontrar o caminho para casa? –Parece que o fato de uma garota ficar perdida ali já não era novidade.

–Argh! Eu sei muito bem para onde estou indo! –O som de suas palavras saíram fortemente, porém sua pronúncia era indecisa.

–Irina! Eu disse um...

–Lá vai ele, argh!

Ela finalmente virou-se de costas –Aparentemente – e continuou sua caminhada em controversa a minha.

Esperei alguns minutos e levantei-me devolvendo meu coração ao seu devido lugar, aquilo era o cúmulo!

Andei devagar, contemplando minha plena desgraça e a bela paisagem, assoprando as mechas de meu cabelo que caíam sobre meu rosto, pois não havia vontade em minhas mãos de tirá-las. Algo mais uma vez cortou meus pensamentos.

–Princesa! –Por um instante congelei. –Princesa?–Diria que eram um de meus Guardas ou Soldados se a voz não fosse feminina como a outra.

Virei-me e deu de cara com uma bela garota, em seus aparente doze anos, com cabelos negros amarrados em duas enormes trança, uma mecha mais clara que as outras cobrira parte de seu rostinho angelical, já sujo; extremamente magra estava vestida como um homem que sobreviveu a Guerra: Bermudas velhas com uma meia grossa até suas botas vagabundas de algo parecido com couro, grandes blusões cinzas maior que teus braços finos, deveria ser de seu pai ou tio, estava horrível!

Em meio seu olhar de espanto vi um pequeno sorriso formar-se em teu rosto sofrido.

–Olá...

–É você mesmo? –Não poderia mentir, não tinha coragem suficiente de mentir á aquela pequena garota pobre que sonhava que estava diante de um ser Nobre.

Respirei fundo e toquei a sinceridade me minhas palavras:

–Sim, sou eu. Amelia Write.

Percebi sua fascinação, ela ajoelhou-se perante mim enquanto meu medo passava.

–Que grande honra!

–Não permita-me tanta adoração, ajoelhe-se somente perante Deus, não a mim. –Sorri como uma criança que acabara de fazer uma nova amiguinha.

–Eu posso...Ver teus cabelos? –Não me surpreendi com tal pergunta, porque será...

–Claro!

Ela tocou nas mechas cochichando algo como “Uau! São tão vermelhos!”.

–Você, qual teu nome?

–Irina...

–Irina o que?

–Irina... Apenas Irina.

Teu rosto foi tomado pela angústia por um segundo antes de sorrir novamente.

–Joseph! Preciso chamá-lo! Ou melhor, contar a ele... Não! Ele não acreditaria em mim, Joseph! Venha cá!

–Não! Não! Ninguém pode me ver aqui! Eu sai escondido! – Falei mais do que deveria.

–Então você fugiu de casa?

–Quase isso...

–Seria muita curiosidade minha se lhe perguntasse o que faz por estas bandas? Essa floresta escura não é definitivamente o lugar para alguém tão nobre quanto você está...

–Bem, longa história... Queria conhecer a Aldeia.

–Por quê? É sua não? A Aldeia, tudo, tudo lhe pertencerá um dia!

–Longa história...

–Tenho tempo suficiente para ouvir. –Era teimosa assim como eu... Gostei dela.

–Mas eu não tenho! Preciso voltar para casa neste instante! – Me pus a caminhar em direção ao nada.

–É muito longe daqui até os Portões da Mansão! Precisamos atravessar o Bosque, a Aldeia, e depois com os Guardas para ter permissão em entrar em seu terreno e certamente eles descobririam se tentássemos burlá-los. Você não quer ser vista certo? –Também era astuta.

–Eu fugi pelas grades de meu jardim, não foi o melhor meio, mas sim o único.

–Grades douradas né? Sei chegar lá!

–Graças! Por favor poderia me...

Fui interrompida.

–Não peça, é uma honra, aliás, um favor de amiga, não quero nada em troca.

Dirigiu-me uma piscadela.

Fomos caminhando rapidamente, enquanto contava-lhe sobre a vida na Mansão e vice-versa.

O tal Joseph gritava por ela de vez em quando, cuja mentia que estava tudo bem.

No meio do caminho ela parou imóvel, depois abaixou até o chão massageando sua cabeça. Desculpou-se que estava com um pouco de dor de cabeça até finalmente chegarmos ao nosso destino.

–Aqui! Irina não tenho palavras para lhe agradecer! Você irá ganhar algo em troca, certamente!

–Foi um prazer, mas agora tenho que ir antes que Joseph me enforque. –Ela riu – Isso não é um adeus, amanhã, duas horas esteja aqui, que lhe mostrarei a Vila onde moro.

–Agradeço muito, adeus.

Ela deu três passos e parou, imóvel como sempre, dirigiu a mão a cabeça e virou-se para mim.

–Amelia espere!

–Olá...

–Você conhece algum cara alto?

–Conheço, acho...

–Fique longe dele...– Então ela saiu correndo enquanto aquelas três palavras ecoavam em minha mente.

Notas finais
Espero que tenham gostado, agradeço a todos os comentários! Beeijos, até o próximo Capítulo!