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20 Back to the start


Notas iniciais
Pela primeira vez eu vou postar a música inteira porque eu amo essa música, e tem super a ver com tudo.

"Quando te vi passar fiquei paralisado

Tremi até o chão como um terremoto no Japão
Um vento, um tufão, uma batedeira sem botão
Foi assim, viu? Me vi na sua mão.

Perdi a hora de voltar para o trabalho
Voltei pra casa e disse adeus pra tudo que eu conquistei
Mil coisas eu deixei, só pra te falar
Largo tudo, se a gente se casar

Domingo, na praia, no sol, no mar
Ou num navio a navegar, num avião a decolar
Indo sem data pra voltar, toda de branco no altar
Quem vai sorrir? Quem vai chorar?
Ave Maria sei que há
Uma história pra sonhar… (pra contar...)
Pra sonhar… (pra contar...)

O que era sonho se tornou realidade
De pouco em pouco a gente foi erguendo nosso próprio trem
Nossa Jerusalém, nosso mundo, nosso carrossel
Vai e vem, vai. E não para nunca mais.

De tanto não parar a gente chegou lá
Do outro lado da montanha onde tudo começou
Quando sua voz falou: Pra onde você quiser eu vou
Largo tudo, se a gente se casar"

Pra Sonhar — Marcelo Jeneci

♣♣♣

O dia está lindo, ensolarado, o clima perfeito para a cerimônia que eu planejei. Mamãe vem dar uma última olhada em mim, ela está linda num vestido verde de tecido leve e ombro único que remete a um estilo grego, e é impossível não reparar na caixa de veludo em suas mãos.

—Aqui está o seu algo antigo e azul.— ela me entrega a caixa e ao abrir eu vejo a primeira joia que ela desenhou, um colar em ouro branco com um pingente de água marinha em forma de coração —Hoje estou dando ele a você, e quero que um dia você o dê para Valentina, então considere como o seu algo emprestado também.— ela pega o colar e o fecha em torno do meu pescoço, ele combinar perfeitamente com o meu “algo novo” um par de brincos, também em água marinha que ela desenhou pra mim, agora entendo porque ela relutou tanto em desenhar um colar que combinasse —Você está linda, vida.— ela diz, seus olhos brilham salpicados pelas lágrimas —Vocês estão.— seu olhar viaja de mim pra pessoinha ao meu lado.

—Obrigada, mãe.— agradeço, embora não entenda porque apenas hoje ela está me dando isso, até porque esse não é o meu primeiro casamento, mas ainda bem que ela esperou esse tempo todo, pois esse, com certeza, é o último. Mamãe me beija o rosto e ajeita o meu cabelo.

—Vovó.— Valentina chama e aponta para sua cabeça, ela também quer que mamãe a arrume.

—Pronto.— mamãe diz ao enrolar uma mecha de cabelo de Valentina em seu dedo —A vidinha da vovó está linda.

Pincesa!

—Você é mesmo uma princesa.— mamãe concorda ao beijá-la —Vejo vocês em instantes, espere um pouco até eu chegar ao meu lugar.— aquiesço e ela nos deixa.

Pego o meu buquê sobre a mesa, ele é feito com tulipas lilás e rosas brancas e entrego à Valentina a pequena cestinha com pétalas de rosas brancas —Princesa da mamãe, você lembra o que fazer?

—Hum-rum.— ela murmura sacudindo a cabeça.

—Então vamos, o papai está esperando por nós. Você vai na frente da mamãe.

Saímos da tenda e o vento nos acaricia, Tina olha pra mim e eu faço um sinal positivo. Posso ver o Tony daqui, ainda não sei como ele concordou com isso, um casamento na praia, aonde ele tem que vestir roupas claras e ficar descalço na areia, mas ele está lindo numa calça clara e camisa branca com os primeiros botões abertos. Por mais que eu já não faça questão de me lembrar de nada que tenha acontecido durante a nossa história antes de nos reencontrarmos em Londres, não posso negar que foi aqui que ela teve início. E, depois de um ano do meu penúltimo sim pra ele, hoje sigo as pequenas pegadas na areia que me levam, finalmente e definitivamente, ao homem da minha vida.



♠♠♠

Os poucos metros que as separam de mim parecem quilômetros, e eu consigo reparar em cada detalhe de cada um dos meus amores. Valentina vem à frente e faz questão de agachar para colocar cada pétala de flor no chão, os nossos poucos convidados e eu rimos da cena, isso é a cara dela, seu vestido é num tom marfim, assim como o de Pepper, mas o dela é um modelo infantil com direito a saia rodada com babados e fita lilás na cintura, seus cabelos estão soltos, enfeitados com uma coroa de pequenas rosas brancas. A nossa princesa é a coisa mais graciosa do mundo, Pepper estava coberta de razão quando sugeriu que esperássemos para que ela pudesse participar da nossa cerimônia de casamento, mesmo que ela ainda não entenda que é parte fundamental nisso.

Pepper está descalça e o seu vestido rendado parece ter sido feito para ser usado com os pés no chão. Ela segura seu buquê um pouco abaixo do decote e caminha pra mim de acordo com a velocidade imposta pela nossa pequena. Seus cabelos estão presos numa trança frouxa sobre o ombro direito adornada com flores bancas. Finalmente elas chegam até mim, Valentina vai para o colo de Pierre, o marido de Elena, e tudo o que eu vejo diante de mim é ela. A minha Pepper.

Enquanto o juiz de paz está diante de nós na praia dizendo as suas palavras tudo o que eu consigo sentir são mãos de Pepper nas minhas, só consigo prestar atenção em seus olhos azuis merejados e seu sorriso, se eu pudesse a beijaria agora e então nossa união estaria selada, afago seus dedos e sorrio ao notar a sutil batalha que ela trava contra a brisa que cisma em levar um cacho de cabelo até sua boca, solto sua mão direita e coloco seu cacho de cabelo atrás da orelha.

—Obrigada.— ela sussurra.

Parece que somos as duas únicas pessoas aqui nesta praia até que o juiz desperta a minha atenção para que eu diga os meus votos matrimoniais.

—Pep, hoje é o primeiro dia do resto das nossas vidas...— ela suspira —Nossas vidas se cruzaram por acaso, nosso amor nasceu de repente. Eu nunca procurei por um amor, talvez por isso a vida tenha se encarregado de trazer você pra mim, mas por ser cético, demorei pra perceber que o amor da minha vida sempre esteve ao meu lado, e que você também me amava. Mas felizmente eu vi. Todo mundo viu. E foi aí que eu percebi que você poderia ser tirada de mim num piscar de olhos...— engoli em seco —... Te deixar, na tentativa de te proteger, foi a coisa mais difícil que eu tive que fazer na vida, porque estar longe de você nunca diminuiu o que eu sentia. Então a vida tratou de nos juntar novamente, no entanto, saber que você talvez nunca mais se lembrasse de mim foi o meu martírio, mas o passado não podia estragar o nosso presente, eu não poderia viver o mesmo erro duas vezes, por isso eu me reaproximei, e foi incrível encontrar novas maneiras de fazer você se apaixonar por mim mais uma vez. Porque o amor da minha vida é você. Sempre foi você, eu vou te amar até morrer, mesmo que doa e quando doer eu vou fazer melhorar.

Lágrimas escorrem de seus olhos, ela leva algum tempo para se recompor então suspira fundo e diz:

—Tony, quando eu te encontrei, reencontrei...— ela corrige —...Eu não estava procurando ninguém que me completasse, se me divertisse já estava bom, mas você fez mais que isso. Você prometeu me consertar, e você fez, mesmo que pra isso tivesse que me quebrar um pouco mais. Nosso amor é como a Fênix, precisou virar pó para ressurgir e é isso que fez dele tão forte. Você é o amor da minha vida, mais cedo ou mais tarde eu te reencontraria e te reconheceria. Entre mil outros, você. Entre mil sorrisos, o seu. Entre mil amores, o nosso. Não quero que o tempo volte, nem que as lembranças passadas sejam recuperadas, só quero novas histórias ao seu lado, histórias maiores e ainda melhores, e elas com certeza serão, porque há quase dois anos nós demos um ao outro o pedacinho que faltava.

Ambos estamos chorando quando o juiz pergunta se eu a aceito como minha esposa —Pra sempre.— eu respondo no lugar do comum “Aceito”, Valentina vem até nós e me entrega as alianças como Elena instruiu, eu tiro o anel de noivado do dedo anular esquerdo de Pepper e passo para o direito e então deslizo sua delicada aliança no lugar onde antes estava o anel.

O juiz pergunta a ela se ela me aceita como esposo e ela sorri um “Sim” e depois diz —Pra sempre— assim como eu fiz, pega a aliança das mãozinhas de Tina e desliza em meu dedo anular esquerdo.

—Eu vos declaro marido e mulher. — anuncia o juiz de paz.

Agora que tenho o consentimento pra beijar a minha mulher eu não o faço, permaneço olhando pra ela enquanto ela olha pra mim. Vejo um filme passar na minha cabeça, como se todos os nossos beijos estivessem me trazendo pra esse. Cansada de esperar é ela quem toma a iniciativa. Eu amo a Pepper decidida que voltou pra mim há pouco mais de dois anos, e amo a Pepper delicada que eu conheci há quase vinte anos. Ela era só uma menina quando eu a conheci, agora ele é uma mulher, minha mulher. Correspondo ao seu beijo, aperto suas costas a trazendo mais pra mim, tiro seus pés descalços da areia e nosso primeiro beijo de casados dura até perdermos o fôlego. Pepper é minha esposa.

Quando a nossa cena romântica termina o juiz nos cumprimenta, seguido por nossos convidados. Rhodey, Rebecca, Mel, Happy, Carrie, Samantha, Jean Pierre e finalmente Elena.

—Bem-vindo a família, Anthony.— com essa frase ela termina o seu sermão que resumidamente quer dizer “Cuide bem da minha filha e da minha neta”.

—Obrigado, Elena.— respondo —Eu vou fazer a sua filha muito feliz, e com isso a nossa princesa será feliz também.

—Mamãe pincesa!— Tina diz esticando os bracinhos para Pepper pega-la.

—Vem, princesa da mamãe.— Pepper a pega e nós posamos para Elena nos fotografar, ela é quase tão boa nisso quanto a filha.

—Mamãe pincesa!— Valentina repete ao segurar o rosto de Pepper entre as mãos e da-lhe um selinho.

—Vocês não tem noção de quão linda ficou a foto que acabo de captar.— Elena diz.

—Você pegou o nosso beijo, mãe, me deixa ver?!

—Depois você vê, vida.

—Pepper sempre faz isso com ela, amassa suas bochechas entre as mãos e a beija, talvez por isso ela esteja repetindo.— eu disse.

—Imagino que sim, mas o “princesa” nesse caso é elogio da Tina pra Pepper, ela a está chamando assim desde o início da cerimônia. Acredito que seja por causa do vestido, dos cabelos.— minha sogra esclarece.

—A mamãe é uma princesa, filha?— Valentina sorri ao confirmar —Se a mamãe é princesa o papai é o quê?

—Papai lindo!

—Ele é mesmo.— Pepper concorda e me dá um beijo esmagando a nossa filhota entre nós dois.



♣♣♣

Meu marido me acorda com beijos no pescoço, mas eu ainda finjo dormir, embora a luminosidade no quarto seja intensa graças as cortinas semiabertas. Faz três dias que oficializamos a nossa união e há dois estamos hospedados na cobertura deste hotel de luxo. Estamos em Florença, Itália. Nosso casamento na praia acabou se transformando num lindo luau, como tudo que diz respeito a mim e ao Tony nada saiu como planejado, mesmo assim foi incrível passar aquelas horas na companhia de pessoas tão especiais pra nós dois. No dia seguinte deixamos nossa filha, mamãe e Pierre em Paris, estava apreensiva em, pela primeira vez, me separar de Valentina, mas ela pareceu nem ligar. Que bebê de 1 ano e 9 meses vê a mãe embarcar num avião e não chora, ainda manda beijo e tchauzinho? Só a minha mocinha.

—Eu sei que você está acordada.— ele sopra atrás da minha orelha, um arrepio bom percorre minha espinha, resmungo preguiçosamente, me viro e sorrio pra ele —Bom dia, Sra Stark.— ele sorri pra mim. Sra Stark, eu amo ouvir isso.

—Bom dia, Sr Stark.— respondo, seu olhar exala luxúria, não sei como alguém consegue já acordar assim —O que você quer?— pergunto sabendo exatamente o que ele quer, é o que temos feito desde que chegamos aqui.

—Café da manhã.— seu braço envolve minha cintura, puxando-me contra ele, Tony roça o nariz em meu pescoço.

—Amor...?— eu ofego.

—Hum?— ele paira sobre mim quando acomodo-me de costas sobre o colchão.

—Precisamos sair dessa suíte, hoje, há quase 48 horas eu não sei o que é vestir roupas.— eu digo.

—Hum-rum.— ele concorda ao me provocar correndo beijos para os meus seios.

—Promete?— eu peço, sua boca já está na altura da minha barriga, a alguns centímetros do elástico da minha calcinha —Não vim à Florença pra ficar o tempo todo no hotel.— seus beijos param —Porque você parou?

—Vou tomar banho e vestir roupas para desbravar Florença.— ele diz ao levantar da cama —Você vem?

—Tony...? Nós estávamos prestes a...— pisco algumas vezes. Que merda de autocontrole é esse?

—Ah...Isso pode esperar.— ele diz —Vem, vamos nos arrumar pra passear pela cidade.— ele me estende a mão com um riso safado no rosto, pego sua mão, o puxo de volta pra cama e me coloco sobre ele, Tony ri —Você é tão previsível, amor.

—Bem, dizem que o café da manhã é a refeição mais importante do dia—eu o beijo.

—E Florença?— ele pergunta ofegante quando nossos lábios se separam.

—Florença pode esperar.— respondo, habilmente ele nos muda de posição, e me deixando novamente sobre a cama ele volta a percorrer o trajeto de onde parou.

Notas finais
Tem cara de capítulo final? Estou pensando em escrever a conclusão da história com um capítulo onde Valentina interaja mais, por isso pode rolar uma passagem de tempo. Porém, o capítulo adicional da história depende só de vocês. Manifestem-se. See you. Xoxo, Ivy.