Boys N' Roses
9 L'obscurité
Notas iniciais
Eu não conseguia acreditar no que meus olhos estavam vendo. É impossível! Esse livro é tão antigo quanto minha avó! Mas havia também fotos de Alec, Marie e Pietra... Todos estavam com uma roupa típica dos anos 40 e sorrisos encantadores. Não, era impossível ser eu, porque... Simplesmente é impossível!
Embaixo de cada foto, havia uma legenda. Rose Moore, filha do Tenente Phillipe Moore, um dos criadores do projeto, morta no dia 23 de Outubro de 1943. Alec Blake, o soldado Immortal, desaparecido. Pietra Histon, desaparecida. Marie Johnson, desaparecida.
Aquilo só poderia ser brincadeira. Naquele momento eu não podia e nem queria acreditar naquilo. Minha mente estava uma confusão total, tudo ao meu redor rodava. Na página havia um texto e então resolvi lê-lo pra entender aquele mal entendido.
O Projeto Immortal até hoje é mantido em segredo para a maioria do mundo. O projeto consistia em tornar os soldados do exército britânicos em pessoas imortais e aumentar suas habilidades. O projeto fora testado apenas uma vez, que foi logo após alguns anos do início da Segunda Guerra Mundial, que foi um completo desastre.
Não se sabe exatamente a história, mas a melhor teoria que se tem é que, Rose Moore encontrou as anotações do projeto na casa de seu pai e tendo uma inteligência avantajada, tentou avisar o pai que aquilo seria homicídio, pois os cálculos estavam todos errados. Alguns ainda têm uma teoria que a garota só queria salvar o menino de qualquer mal, pois eles tinham um envolvimento amoroso. Vale lembrar que são apenas teoria mirabolante, provavelmente de uma mente feminina iludida, convenhamos.
De informações concretas sabe-se que no momento da realização do experimento, algo deu muito errado, e não só o soldado alvo foi atingido por ele. Mais três garotas também foram. Como isso aconteceu? É um mistério. Os quatro milagrosamente sobreviveram a forte radiação. Meses após, Alec e Rose fugiram do país indo para os EUA, onde a garota morreu baleada e o garoto sumiu no mundo. Esta é a prova de que o experimento provavelmente não deu certo.
Então eu simplesmente parei de ler ali, naquele parágrafo. Aquelas últimas linhas resumiam o meu pesadelo que comecei a ter quando era menor, e a partir daí, todas as noites eu acordava na escuridão, assustada e chorando, com um vazio estranho dentro de mim. Como se faltasse algo... Na época eu não entendia muito bem o sofrimento em relação aos sentimentos. Eu só entendia o quanto aquilo doía em mim.
– Querida, você está bem? – a voz da bibliotecária me despertara de todo aquele momento. Estava tão em choque que nem percebi que estava chorando. Em que momento aquilo acontecera? Rapidamente limpei minhas lágrimas.
– Eu... Eu estou bem. – eu sorri amarelo, tentando convencer a moça que estava me olhando desconfiada. – Será que posso levar este livro? Prometo que trago logo.
– Pode sim. – a bibliotecária disse sem muita certeza na voz. – Tem certeza que você está bem?
– Claro que estou! – tentei soar convencida. – Obrigada por me deixar levar o livro.
Levantei-me apressadamente e senti que tudo ainda estava rodando. Milhares de perguntas disparavam na minha mente. Minha parte racional dizia pra mim que aquilo tudo só podia ser brincadeira, mas uma parte de mim dizia que aquilo realmente aconteceu. E então me lembrei dos meus sonhos esquisitos. Tudo se encaixava perfeitamente bem, como se eles fossem lembranças. MAS NÃO É POSSIVEL!, minha mente gritava. Não conseguindo andar mais, sentei-me no banco que havia no jardim. Aquele banco que me trazia boas lembranças. Quem sabe ele não me traga respostas? Era o pensamento mais ridículo que eu já tivera. Inspira, expira, Inspira, expira. Eu repetia aquele mantra várias vezes.
– Rose, você está bem?
Ótimo, a pessoa que eu precisava ver neste momento. A pessoa que me daria respostas.
– Você pode me dizer o que está acontecendo?! – eu gritei de desespero enquanto jogava o livro nele. Encarei aqueles olhos acinzentados que só mostravam surpresa.
Então ele encarou o conteúdo do livro, ficando cada vez mais pálido. Seus olhos saltaram de uma forma assustadora. Na verdade, tudo aquilo era assustador.
– O-onde você encontrou isso? – ele indagou com a voz trêmula, ainda encarando o livro.
Aquela não era exatamente e reação que eu queria. Aquilo era praticamente a confirmação de que, de certa forma, o livro estava falando a verdade.
– Eu só quero saber o que está acontecendo, droga. – eu falei, com um resquício de voz, sentido lágrimas quentes e grossas passeando pelas minhas bochechas. – Por favor, só me ajude a entender o que é isso tudo. – eu implorei.
– Eu... não posso. – o loiro me respondeu, agora me encarando. Eu não entendia do por que ele não poderia. – Porque eu estou tão confuso quanto você.
Eu encarei-o, incrédula. Estava na cara que ele sabia de alguma coisa... A forma que ele reagiu. Ele não poderia ser tão egoísta ao ponto de negar-me respostas. E merecidas. Eu estava enlouquecendo.
– Seu mentiroso! – eu berrei num acesso de raiva. Levantei-me bruscamente do banco e comecei a andar em sua direção. – Eu sei que você sabe! Apenas me diga, por favor! – eu disse, batendo nele.
– Mas que merda está acontecendo aqui?!
Marie e Pietra nos encaravam assustadas. Acho que elas não esperavam nunca me ver numa situação como aquela. – O que é isso na sua mão, Alec? – Marie perguntou.
Alec imediatamente entregou o livro à ela e logo após, me abraçou, surpreendendo-me totalmente. – Vai ficar tudo bem. – ele sussurrou, afagando meus cabelos. Então, só chorei mais.
– Oh Mon Dieu! – ouvi Pietra exclamando. – A-achei que tínhamos destruído tudo em relação a isso.
– Evidentemente não destruímos todos. – Marie murmurou brava.
Eu escutava todas aquelas vozes, mas de alguma forma eu não conseguia compreender o que exatamente o que aquelas palavras significavam. Meu cérebro não conseguia digerir mais nada. Tudo aquilo estava uma completa confusão, principalmente na minha cabeça. E foi neste momento que tudo aconteceu.
“Eu estava num lugar totalmente escuro, não conseguia enxergar absolutamente nada além da escuridão.
– Oi? – falei. Ouvi minha voz ecoando por todo o espaço. – Alguém?
Abracei-me sentindo um frio passar pela minha espinha.
– Rose, Rose, Rose... – ouvi uma voz gutural me chamando. A voz ficou ecoando pela escuridão por eternos minutos, e logo após veio uma risada que fez todos os pelos do meu corpo se eriçar.
– Quem está ai? – fiz a pergunta mais idiota do mundo, enquanto tentava de alguma forma enxergar. Nada, escuridão total.
– Sou seu pior medo... – sussurrou, atrás de mim. O desespero tomou conta de mim.
Uma lágrima escorreu pela minha bochecha.
– Está pronta para morrer? – sussurrou novamente.
Um longo silencio tomou conta do lugar. Eu não sabia se respondia ou não. Engoli em seco e senti a minha garganta rasgar com o ato. Minha respiração estava ofegante.
– Pena que não será dessa vez...
E essa voz ficou ecoando pela minha mente...
Então, uma luz branca me cegou e ouvi barulhos de máquinas irritantes e várias vozes.
– Doutor! Conseguimos! Ela está viva! – uma voz fina ecoou pela minha cabeça, que latejava.
A luz forte fez com que eu fechasse meus olhos rapidamente. Sentia minha respiração rápida. Onde eu estava?
Ouvi uma risada masculina e passos se aproximando de mim.
– Querida, vamos, sei que está acordada. – a voz me disse e senti algo tocando meu rosto.
Respirei fundo antes de tentar abrir os olhos. Assim que o fiz, encarei olhos verdes. Verdes esmeralda. Os olhos mostravam mais que empolgação.
– Então... – o garoto pigarreou. Sim, um garoto. – Sou o Doutor Brousse. Doutor Dexter Brousse. Vamos fazer algumas perguntas básicas, ok?
Ele me encarava com expectativa através dos óculos. Eu apenas assenti com a cabeça.
– Tudo bem então, vamos começar. Lindsay me traga a prancheta. – ele ordenou a morena que estava em pé ao seu lado.
A menina andou rapidamente até algum lugar e logo voltou com o objeto. O doutor pigarreou antes de começar.
– Então, você poderia me dizer como se chama? – o doutor perguntou-me.
Como eu me chamo? Perguntei-me. Fiz o maior esforço do mundo para tentar me lembrar de uma informação tão básica como aquela. Nada. Então, apenas balancei a cabeça negativamente. O doutor me olhou preocupado.
– Sua idade, então?
Novamente, nada.
– Acho que os anos congelada devem ter afetado sua memória. – a morena comentou.
Então minha visão ficou turva novamente. Eu não entendia mais nada...”
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