Bourbon Street

31 Capítulo Trinta e Um - Pote de açúcar


Notas iniciais
Penúltimo capítulo, galera. Digam aí, querem que postem o último hoje ainda ou amanhã? Vai depender de vocês :* Boa leitura

Abri os olhos de repente, apenas procurando ver onde estava. Enrolado nos lençóis, quase nu, percebi que estava no meu quarto. A janela estava fechada, mas do lado de fora, via-se os flocos pequeninos de neve caindo livremente. Embora eu estivesse enrolado apenas em lençóis brancos de cetim, não sentia frio; provavelmente Rafael havia ligado o aquecedor. Eu o agradecia mentalmente por isso.

Senti um aperto no peito e, angustiado, levantei-me. Carregava meu coração na mão e uma angústia enorme no peito. Minha cabeça latejava um pouquinho, mas nada que não pudesse ser esquecido.

Desci as escadas lentamente, procurando por Rafael. As luzes estavam completamente apagadas, o que dificultava um pouco a encontrar o caminho. O encontrei na sala de lazer, sentado em uma poltrona de couro em frente à enorme lareira de pedras brancas. Vestia apenas uma calça jeans com o zíper aberto e tinha um copo de Whisky na mão direita. Seu olhar fixo nas chamas alaranjadas pareciam estar ali por muito tempo, concentrados em pensamentos embriagados.

Suspirei profundamente, analisando-o, decidindo-me se iria até ele ou não. Foi quando ele percebeu minha presença.

— Oi — seu olhar encontrou o meu, seus lábios sorriram para mim e sua mão foi levantada até estar na minha direção — Vem para cá.

Tentei sorrir, fazendo o que ele pediu logo em seguida.

Rafael me fez sentar em seu colo e, sendo aconchegado pelos seus braços, deitei a cabeça em seu peitoral definido e quente. Ele deixou um selinho no alto da minha cabeça e suspirou ao se afastar por alguns centímetros. Suas mãos na minha cintura e abdômen me acariciavam com carinho e, eu fechava os olhos lentamente, sentindo seu amor.

— Você não parece bem — ele sussurrou ao acariciar meus cabelos — E não me contou até agora o que aconteceu.

Engoli em seco, pensando silenciosamente se contava tudo ou não e, se não, o que contar.

— Quando você foi embora, Nicholas foi conversar comigo.

Ele se moveu, inquieto.

— O que ele queria?

— Eu não sei exatamente — minha voz começava a se amargurar — Não tomou o rumo esperado por ele.

Ele assentiu, acariciando meus braços com as mãos fortes.

— Eu ouvi coisa demais, Rafael.

— Não chore — limpou minha lágrima com o polegar — Você é forte.

Assenti. A dor estava forte, mas eu podia suportar. Sabia que podia. Com Rafael ao meu lado, eu podia tudo.

— Ele me usou — disse — Durante esse tempo todo, ele me usou.

Rafael me observava, atento.

— Ele me traía e dizia que não, colocava a culpa em mim e, por fim, me chamou de um pedaço de carne. Você não sabe o quanto doeu ouvir que ele adorou me comer, mas que era só isso, entende? Eu só fui mais um na vida dele.

Rafael assentiu, apertando minhas mãos entre as suas em um gesto de compaixão.

— Ele sentia prazer com a minha dor.

— Ele disse isso?

— Disse — funguei, tentando não me deixar levar pelos meus sentimentos.

— Está tudo bem — ele sussurrou, envolvendo-me com os braços e me deitando em seu peitoral — Estamos juntos agora.

Foi aí que eu parei para pensar.

— É verdade — me afastei dele de repente, procurando seus olhos.

— O que é verdade?

— Você já caiu na conversa dele — levantei as sobrancelhas — O que aconteceu com vocês? O que ele fez?

— Enzo...

— Rafael, eu preciso saber.

— Eu não quero falar sobre isso — seu olhar correu para o lado contrário de onde estávamos.

— Por quê? — perguntei aos suspiros — Não confia em mim?

— Não é isso.

— Então o que é?

— Porque dói.

Aquilo me atingiu de uma forma que eu sequer poderia imaginar. Durante todo o tempo em que Rafael e eu permanecemos juntos, eu nunca havia o visto chorar. Nem mesmo uma vez. Ele sempre estava com um sorriso nos lábios e um calor confortável, mas naquele momento, ele tinha lágrimas nos olhos.

— Sinto muito — sussurrou com a voz falha.

— Pelo o que?

— Por ter perdido a paciência.

— Você perdeu? — cerrei os olhos.

— Perdi.

Eu realmente não havia percebido. Até mesmo quando ele perdia a paciência, ele tinha paciência. Eu queria ser assim, mas ele mesmo havia dito que aquele era o trabalho de uma vida inteira e eu não tinha paciência para aprender a ter paciência.

— Não pareceu.

Ele tentou sorrir como resposta.

— Eu não quero te forçar a nada, mas alguém me disse um dia que quando compartilhamos nossa dor com outro alguém, ela diminui.

Ele sorriu sinceramente, apertando minhas mãos entre as suas.

— Esse alguém é esperto.

— E metido — acariciava seu rosto com a ponta dos dedos, sentindo o calor da sua pele sendo transmitido para meu corpo.

Ele também me usou — disse minutos depois — Mas eu não sei se ele me traía...

Olhei dentro dos seus olhos, interessado.

— O que ele queria?

— Uma resposta.

— Uma resposta? — cerrei os olhos, intrigado — Mas se era só isso, porque então ele só não fez a pergunta e pronto?

Rafael sorriu.

— Como se fosse muito fácil para ele deixar a pose de macho de lado, como se um dia ele fosse mostrar seu realmente eu interior, como se ele fosse se entregar para um passivo de merda como eu.

— Ei, ei — tomei seu queixo nas mãos — Pare de dizer isso, está me ouvindo? Você não é isso.

Mesmo com o rosto estático em um só lugar, seus olhos foram para longe enquanto seus lábios formavam um sorriso sarcástico.

— O que ele queria? — repeti.

Seus olhos azuis se encontraram com os meus e eu rapidamente entendi que não era tão fácil quanto eu imaginava ser. Tinha alguma coisa pesada por trás de tudo.

— Descobrir se eu era ou não o pai do filho da Denise.

— Como é? — eu não sabia se havia entendido certo.

— Ele não é o pai do Vinicius — murmurou aos sussurros — Não sabia disso?

Neguei com a cabeça, sentindo tudo se misturar dentro da minha cabeça.

— Quando ele descobriu isso? E porque ele pensou que você fosse o pai do menino?

— Quando o garoto completou cinco meses. A Denise havia bebido demais, desmaiou e falou durante a noite. Quando acordou pela manhã, teve que se explicar para o Nicholas e, sim, ela confirmou o fato de que o Vinicius não era filho dele, então, desde esse momento, ele procura quem é o verdadeiro pai do menino.

— Para que? — não fazia sentido — E porque pensou em você?

— Denise e eu estudamos juntos no colegial e nos reencontramos no casamento dela com o Nicholas. Ele sempre desconfiou que tivéssemos algo, mesmo eu dizendo diversas vezes que era gay.

— Para que ele quer achar o verdadeiro pai do menino? — repeti novamente.

— Eu não sei, Enzo — deu de ombros — Para estragar a vida dele assim como estragou a nossa? Sei lá, eu não consigo entender a mente dele.

Assenti com total seriedade.

— E o que exatamente dói em você?

Ele manteve o olhar baixo, respirando com um pouco de dificuldade enquanto remexia as mãos em um desespero silencioso.

— E-eu...

— Está tudo bem — acariciei seus cabelos, procurando olhar dentro dos seus olhos — Estamos bem.

Ele sorriu de lado, passando as mãos por sobre as minhas.

— O que dói em mim não é o fato de o Nicholas ter me usado por uma coisa fútil, não é o fato de que eu realmente sofri quando tive meus sentimentos esmagados e, muito menos, ter continuado amigo dele depois disso tudo. — Ele parou, olhou para os lados e voltou a me encarar — O que dói em mim é saber que naquele momento eu estava frágil e alguém se aproveitou disso sem sequer se importar com o que causaria em mim.

— Então você não sofreu por ele, mas por outro homem?

— De certa forma, sim — deu de ombros — Mas eu não teria sofrido por outro se não tivesse entregado meu coração logo de cara e, eu só fiz isso, porque precisava de carinho, de alguém que me acolhesse — sorriu sarcástico — Acho que não sei diferenciar as pessoas ruins das boas.

— Você me acolheu, acho que você é uma pessoa boa.

— Você é apaixonável, Enzo — ele sorria, acariciando minhas bochechas suavemente — Qualquer um te acolheria. Eu só fui... rápido.

Sorri junto com ele.

— Quem bom que você é rápido — rebati, aproximando meus lábios dos seus.

Envolvi sua boca com a minha lentamente, aproveitando para deslizar minhas mãos pelas suas coxas. A mão dele voou para minha nuca, forçando nossa união por mais tempo.

— Você me acolheu simplesmente por sentir dor? — o olhei nos olhos.

— Eu não queria que você sentisse dor — ele mantinha um sorriso melancólico nos lábios.

— Você nem me conhecia.

— Não preciso conhecer alguém para sentir compaixão pelo mesmo — deslizou a mão até meu pescoço — É estranho?

— É admirável.

Rafael soltou um suspiro triste e me puxou sutilmente pelos ombros até nossos troncos voltarem a ficar colados. Ele me abraçou com certa força e o batimento acelerado do seu coração voltou a repercutir em minha pele, enquanto uma lágrima rolava pelo seu rosto e escorria até alcançar meu ombro.

Eu nunca havia sentido aquilo...

— Você sabe que eu nunca vou te magoar, não sabe? — sussurrei.

— Sei — respondeu e eu não consegui dizer mais nada.

O silêncio falaria por nós dois. Talvez pudesse até amenizar a dor que o corroia por dentro como um veneno dilacerando a vítima aos poucos.

“Ele pode te amar mais, mas eu posso te foder melhor”

Eu tentava reprimir toda a angústia que aquela frase havia colocado em mim, mas eu nunca fui muito bom em esquecer.

— Eu sei que não é só isso que está te incomodando — Rafael acariciou minhas costas vagarosamente, fazendo-me suspirar ao sentir inúmeros arrepios.

Eu não esconderia nada dele.

— Quando eu me virei para ir embora, ele me segurou e disse algo.

— E o que era? — sua voz passava tranquilidade.

Ele pode te amar mais, mas eu posso te foder melhor.

Mais uma vez o silêncio se moldou.

— Hã... e-eu... hã... eu posso não te foder melhor do que qualquer um dos seus ex-namorados, mas... eu posso tentar.

Eu sorri involuntariamente, sentindo meu corpo inteiro formigar com a proximidade dele. Deixei que ele me beijasse e tomasse as rédeas, assim como ele queria.

— Você sabe que não precisa me provar nada, não é mesmo?

Ele sorriu de lado.

— Você pode ter o que quiser comigo, Enzo — suspirou contra meus lábios — Eu posso ser o que você quiser.

Foi a minha vez de sorrir.

— Você nem imagina o tanto que eu te desejo.

— Eu tenho ideia — um sorriso divertido delineou seus lindos lábios, que logo tocaram os meus.

Suas mãos deslizaram até minhas coxas, levantando-me junto a ele e me levando para seu quarto.

Um sorriso brincou nos lábios de ambos quando ele finalmente me deitou por sobre a sua cama. O peso do seu corpo por sobre o meu acelerava meu coração de um jeito inexplicável, assim como suas mãos em minha cintura pareciam ter sido feitas para estarem ali. Envolvi seus ombros com minhas mãos, passando meus braços por seu pescoço logo depois e aprofundando o beijo. Rafael apertou minha cintura com mais força e eu enrosquei meus dedos em seus cabelos, puxando-os para trás. Ele deixou que meu puxão afastasse sua cabeça, mordendo meu lábio inferior enquanto a distancia aumentava.

Seu olhar no meu me fez sorrir. Rafael me olhou, afastando seus lábios dos meus. Ergui meu tronco depressa e o empurrei até estar sentado com as costas coladas na cabeceira da cama. Rapidamente arrastei minhas mãos pelo seu corpo, retirando toda e qualquer peça que me incomodasse e, quando terminei, ele estava nu e pronto para mim. Acabei sorrindo ao ter a visão do paraíso e ele não deixou de me acompanhar, tendo um olhar atordoado e veias saltadas. Praticamente o ataquei, beijando-o com fúria ao mesmo tempo em que me inclinava cada vez mais sobre ele. Rafael segurava firmemente em minha cintura, correspondendo com muito mais do que avidez ao beijo e, eu, decidido a proporcioná-lo muito prazer, segurei sua ereção com uma mão, sentindo-a mais enrijecida do que nunca.

Parti o beijo contra a vontade dele e embrenhei meus dedos da mão livre nos cabelos de sua testa, levando-os para trás e fazendo-o jogar a cabeça na mesma direção, totalmente submisso. Sorri comigo mesmo e comecei a masturbá-lo. Ele agarrou minhas coxas com mais força e jogou a cabeça para frente, observando os movimentos rápidos da minha mão. Seus músculos se contraíam visivelmente e as veias dos seus braços estavam saltadas, o que só me deixava ainda mais excitado. Tudo nele parecia extremamente viciante de um tempo para cá, apenas convidando-me a permanecer mais tempo, atiçando-me.

Olhei dentro dos seus olhos antes de passar a língua devagar por sua glande, fazendo pressão contra ela. Eu ouvia seus gemidos dolorosamente excitados toda vez que repetia o mesmo ato diversas vezes. Isso se seguiu até que ele não pode suportar mais. Rafael fechou os dedos ao redor dos meus braços e me virou na cama, quase rasgando minha boxer ao tirá-la.

Respirei fundo de uma só vez ao ver sua expressão e, exatamente como eu imaginava, ele investiu de uma só vez com uma força extraordinária e, por pouco, eu não arranquei seus cabelos, tamanha foi a força com a qual eu o agarrei. No início eu senti dor, já que não fazia aquilo há muito tempo, mas depois tudo que eu queria era mais e mais. Eu podia senti-lo profundamente dentro de mim, sentia seu corpo quente estremecer rente ao meu, sua voz aveludada gemer ao pé do meu ouvido e, a cada movimento seu, eu sentia meu coração quase sair pela boca.

Envolvi seus quadris com minhas pernas, puxando-o para mais perto ainda, sendo que ele já estava prestes a me rasgar por dentro. Rafael afundou seu rosto em meu pescoço, mantendo seus lábios selados contra a minha pele em uma tentativa falha de abafar seus gemidos. Cravei minhas unhas — as partes que eu não roia — em sua bunda, arranhando-a lentamente.

— Droga — ele xingou de repente, quase em um grunhido e, em seguida, gozou dentro de mim.

Ele investiu mais algumas vezes em vão, soltando urros de raiva por não conseguir prolongar aquele momento, até finalmente relaxar e se deixar cair sobre mim, respirando com dificuldade.

— Enzo, me desculpe — ele sussurrou contra a pele do meu pescoço — Mas é que tem muito tempo que eu não faço isso e acabei perdendo o controle.

Eu sorri, apesar da falta de ar, e ele se afastou para me olhar.

— Eu te desculpo por não me rasgar por dentro — murmurei, ofegante.

Ele soltou um risinho aliviado ao mesmo tempo em que se debruçava no meu corpo.

— É a sua vez — deitava a cabeça em meu abdômen, abrindo a boca levemente.

Segurei a base do meu membro e comecei a me masturbar rapidamente, sentindo impulsos elétricos percorrerem meu corpo incessantemente. Rafael, de repente, me surpreendeu. Colocou a boca em meu membro, lambendo a glande ao mesmo tempo em que tomava meu membro em sua mão e me masturbava com vigor. Eu formigava, pegava fogo e então eu gozei, vendo-o engolir tudo. Era delicioso vê-lo se lambuzar com meu gosto.

Limpando a boca, ele se deitou sobre o meu peitoral, fechando os olhos lentamente. Passei os braços pelo seu corpo e o abracei, sentindo o contraste da sua respiração já calma e os batimentos do seu coração acelerado. Aquele som foi estranhamente tranquilizante.

Suspirei, fechando e abrindo os olhos lentamente diversas vezes seguidas, respirando com dificuldade. Meu coração já batia rápido quando eu vi o que não queria ver. Abracei Rafael com mais força e, de soslaio, o vi abrindo os olhos.

— O que aconteceu?

Prendi a respiração.

— Uma barata — disse com os olhos nela — Isso aconteceu.

Ele sorriu e olhou para a porta, onde a barata estava. Rapidamente se voltou para mim com um sorriso esperto nos lábios.

— Deixa de palhaçada, é só uma barata.

De repente a barata começou a voar e Rafael não precisou de incentivo nenhum para puxar a coberta para cima e nos cobrir por inteiro.

Por baixo das cobertas, rimos feito dois idiotas.

— É só uma barata — ironizei com um sorriso.

Ele riu um riso sem fôlego.

— Eu adorei te comer — repetiu minhas palavras com bastante esforço, por causa do cansaço, acariciando timidamente minha pele com seus dedos.

— Não é assim que se diz — soltei um sorrisinho discreto.

— Não? Então o que eu preciso dizer?

Meu estômago revirou, causando-me uma sensação inquietante pelas palavras que estavam prestes a sair da minha boca, mas eu estava cansado demais para pensar no assunto.

— Eu amo você.

Notas finais
E então...?