Bourbon Street

14 Capítulo Quatorze - Como você consegue dormir?


Notas iniciais
E o último capítulo da semana premiada está aqui, espero que gostem xD

— Enzo, por favor.

Aquela voz adentrou meus tímpanos e se fixou na minha mente. Fechei os olhos ao sentir meus poros se arrepiando e todo meu corpo corresponder ao seu chamado.

— Não faça isso, Enzo, eu imploro.

— Quem é você para implorar algo, Nicholas? — virei-me para encará-lo.

Quando os meus olhos encontraram os dele, verdes e intensos, uma sensação estranha me envolveu, era como se Nick fosse um imã e me chamasse até ele.

O delegado estava completamente parado com as mãos suspensas no ar, pedindo rendição. Sua feição era a representação do assombro.

— Eu sou... — engoliu em seco — ...eu sou o idiota que te abandonou, mas não pense nisso, eu estou aqui agora — ele deu um passo a frente, mas se deteve ao perceber que eu havia recuado.

Uma risada sarcástica escapuliu da minha garganta.

— Eu estava lá para você, nas suas horas mais difíceis, eu te livrei de um problema e você sabia que eu estava lá para você, sabia que podia contar comigo, mas na primeira oportunidade você me deixou — eu praticamente gritava.

— Você pediu.

— Eu não pedi nada, seu idiota — definitivamente eu estava gritando — E mesmo se eu tivesse pedido, você deveria estar lá, me protegendo — solucei — Você disse que me queria, mas não fez nada para me ter novamente.

— Me escuta — ele falava baixo e mantinha as mãos suspensas no ar — Tudo que eu fiz nessas últimas semanas me lembrava você, todos os caminhos e todas as ruas que eu pegava me faziam pensar em como eu queria errar a rua e parar na sua casa, bater a campainha e te dizer qualquer coisa antes de te jogar na cama e possuir seu corpo — respirava com dificuldade — Mas meu orgulho foi maior e eu sinto muito por isso — suspirou pesadamente e mais um passo foi dado. Dessa vez continuei parado — Nunca mais vai acontecer, eu prometo.

— Não precisa prometer nada, Nicholas, não vai ser preciso.

Dei um passo para trás e meus olhos se arregalaram ao perceber que havia tocado o limite do prédio, meu coração acelerou ainda mais e espancou meu peito.

— Por favor — uma lágrima escorreu pelo seu rosto.

Fiquei atento, preso àquela imagem que eu nunca havia visto e sequer havia pensado em ver. Ele era lindo enquanto chorava, uma verdadeira escultura de cera que finalmente havia deixado de ser mármore.

— Sinto muito, Nicholas...

— Porra, Enzo, o que você quer que eu faça? — estava finalmente alterado — Quer que eu me ajoelhe? — deixou que seu corpo tombasse para frente — Tudo bem, aqui estou — nessa altura do campeonato eu chorava de soluçar. Era praticamente impossível me controlar — Quer que eu diga que te amo? — parou, respirou fundo como se estivesse se preparando, mas nada escapou da sua boca. Meu coração parou por um segundo, esperando-o — Quer que eu me humilhe? Já estou fazendo isso. Quer que eu te assuma? — soltou todo o ar pesadamente — Eu assumo.

Arregalei os olhos ao ouvir aquelas palavras. Meu peito se aqueceu, mas eu logo tratei de apagar o fogo com um balde cheio de verdades frias. Ele estava dizendo aquilo apenas para me impedir e, quando eu saísse daquela posição perigosa, ele daria meia volta e seguiria seu caminho.

— Não confio em você — sussurrei em meio a soluços esganiçados.

Ele respirou fundo e se levantou, fechando as mãos em punho ainda com os olhos colados no chão.

— Tudo bem — suspirou — Eu desisto — falava com a voz falha — Mas antes de você pular e acabar com a nossa vida... — seus olhos tristes se encontraram com os meus — ... me deixe pedir algo?

Suspirei pesadamente. Odiava vê-lo daquela forma.

— Diga.

— Me beije — sussurrou — Toque meus lábios, Enzo, sei que sente falta do meu gosto... da minha língua... — consertei meus ombros tensos — Me beije — se aproximava aos poucos — Um último beijo.

Meu corpo tremia e, minhas pernas extremamente bambas contradizendo a mim próprio, caminharam até ele.

Pude sentir seu perfume envolver meus pulmões e, ao fechar os olhos, suas mãos apertaram minha cintura.

— Senti saudades do seu calor — sussurrou sedutoramente contra a pele do meu pescoço. Um segundo depois seus lábios roçaram nos meus calmamente como se tivéssemos todo o tempo do mundo — Eu te amo, Enzo Carter — pude sentir meu corpo desabar contra ele, que me segurou e me manteve em pé.

Ele havia dito aquilo mesmo que eu ouvi?

— E eu vou te fazer muito feliz — seus lábios envolveram os meus e sua língua adentrou minha boca, trazendo seu sabor almiscarado e extremamente excitante.

Aquele beijo acendeu as chamas dentro de mim, era como se eu tivesse voltado para a lareira que existia entre Nicholas e eu. Naquele momento éramos um só, apenas ele, eu e seu sabor incrível. Parei de sentir meu corpo assim que seus lábios tocaram os meus e, no momento em que ele me apertou contra seu peito, meu coração começou a bater mais e mais forte. Chegava a doer a forma como eu amava Nicholas Phillips e, se eu tivesse tido a opção de escolher, eu nunca teria amado ninguém, porque essa é a pior coisa que pode acontecer a uma pessoa.

Espera aí. Ele disse que vai me fazer feliz? Eu não havia dado chance alguma para ele. Seria apenas um beijo de despedida e pronto.

Afastei-me rapidamente, fugindo das suas mãos fortes e me deparando com seus olhos decididos.

— Adeus, Nicholas — sussurrei sentindo apenas o toque dos seus dedos nos meus.

— Eu... — ele se aproximou novamente, abraçando-me pela cintura — ... sinto muito por isso.

Quando eu ia abrir a boca para falar algo, senti uma dor concentrada na minha espinha e uma pequena picada no mesmo local. Perdi todos os meus sentidos naquele momento e tudo sumiu.

As sirenes, as vozes na escadaria, tudo...

A última coisa que eu vi foi os braços de Nicholas tentando suportar o peso do meu corpo.

Notas finais
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