Bourbon Street

17 Capítulo Dezessete - Brigas e discussões


Notas iniciais
Espero que gostem :3

— Mas que merda...?

Assustei com a voz grave, mas não tive como me manifestar, apenas permaneci quieto, observando o homem parado à soleira da porta com um olhar assustado e repleto de ódio.

Paul sabia que eu era gay e certamente também já sabia sobre Nick. Porém, o fato de eu ser encontrado em situações tão íntimas me deixava realmente encabulado.

Nicholas parecia assustado também, mas no segundo posterior ele já estava de pé. A feição estava contraída em raiva e talvez um pouco de diversão. Não sei por que, mas logo veio um pensamento diferente na minha cabeça e, ao olhar para o sorrisinho sarcástico desenhado no canto dos seus lábios, o imaginei como um psicopata em busca de vingança.

Continuei deitado sem saber direito o que fazer enquanto trocava olhares entre os músculos tensionados de Nick e os olhos enraivecidos de Paul. A tensão era palpável.

Respirei fundo, esperando que alguém assumisse a fala.

— Não vai continuar com seu showzinho, chefe? — Paul zombou.

— Abaixa o tom, Paul — Nick começou — Você ainda está falando com seu chefe.

— Eu não conheço você — Paul gritou — O Nicholas que eu conheci não era a droga de um viadinho.

— Cala a sua boca — Nick retrucou, enraivecido.

— O que ele fez com você, porra? — o funcionário continuava a gritar — Você não era assim.

— Eu continuo o mesmo homem de sempre.

— Você sequer pode ser chamado de homem — os olhos de Paul queimavam e, quando os mesmos se voltaram para mim, pareciam me queimar vivo. Eu podia até mesmo sentir seus sentimentos assassinos — Foi você — ele rosnou, irritado, e um segundo depois, já estava andando na minha direção.

Levantei-me do sofá, mas antes que eu pudesse me preparar para me defender, Nick o segurou com força e o manteve longe de mim.

— Para, Paul — Ele grunhiu, mas o outro homem continuava com os olhos vidrados em mim.

— Você é um merda de um viadinho problemático — Paul continuou a gritar como uma adolescente histérica e Nick o empurrou para longe — Até mesmo uma prostituta é melhor do que você.

Meu corpo inteiro formigou de raiva e minhas mãos se fecharam em punho. Estava pronto para descontar todas as minhas frustrações naquele idiota, quando vi Nicholas praticamente pular no pescoço dele.

O delegado o segurou pelo colarinho e o colou na parede, resmungando xingamentos. Paul se debatia, mas estava difícil para ele se livrar das mãos fortes de Nick.

— Fala essa porra de novo, Paul — ele gritou completamente tomado pelo ódio — Fala.

A porta da sala se abriu e dois homens negros adentraram o local. Um deles era Jimmy, que deu um passo para frente, mas se conteve assim que o olhar de Nick encontrou o dele.

Paul olhou para mim, finalmente parando de se debater.

— Você... — ele estava sem ar — ... é um merda... — gemeu de dor — ... de uma prostituta.

Aquilo foi o que bastou para Nick começar a espancar o homem. Ele o jogou no chão e se agachou, dando soco atrás de soco no rosto de Paul. Sangue escorria pelo nariz do mesmo e espirrava no chão, manchando o carpete.

Os dois homens partiram para cima de Nicholas e o agarraram por trás, segurando seus braços nas costas.

— Me larga — Nick gritava e se debatia, mas tanto Jimmy quanto o outro homem era mais forte do que ele — Me solta, porra, eu estou mandando.

Assim que os mesmos ouviram a frase, o soltaram, afinal, Nicholas era o chefe ali. O delegado os olhou com uma feição nada divertida e bufou de raiva.

— Há muito tempo eu desejo fazer isso com ele — apontou para Paul, que ainda estava gemendo de dor jogado no chão — Então não me impeçam.

Ele se virou novamente para Paul, sem se importar com as reclamações do outro homem. Os olhos de Nick estavam fixos nos de Paul, que tinha uma feição mista em raiva, desprezo e sarcasmo.

— É o que você quer fazer? Vá em frente — Paul sorriu de lado, demonstrando um pouco do seu sarcasmo. Ele fechava e abria os olhos suavemente. Certamente a dor estava insuportável.

Eu não me importava em vê-lo daquela forma. Na verdade, o ânimo em que eu estava era abrasador, era como se um sonho estivesse sendo realizado.

— Chefe, você não é assim — Jimmy tentava acabar com a briga.

Nicholas continuava parado, observando sua presa com as mãos fechadas em punho e uma feição séria. Seus pensamentos pareciam estar bagunçados, pois ele mexia o nariz de um jeito diferente como sempre fazia quando estava pensando.

— Ele tem razão, Nick — eu sussurrava à medida que me aproximava aos poucos. Meu olhar encontrou com o de Paul e eu pude ver algo diferente ali, mas ininteligível — Você não é assim — os homens respiraram em alívio, mas Nick apenas fortaleceu os músculos, olhando para mim pelo canto do olho e tentando descobrir o que eu pensava — Mas eu sou — agachei-me rapidamente e soquei o rosto de Paul com toda força que consegui. A cabeça dele bateu contra o piso e voltou. Pude ouvir um gemido de dor antes de olhar para ele outra vez e perceber que seus olhos estavam fechados.

— Cara, você é louco? — Jimmy segurou meus braços e eu não impedi que ele me puxasse para trás, afinal, eu já tinha realizado minhas vontades.

Nicholas empurrou o outro homem e andou até sua mesa, levando as mãos até a cabeça, como se sentisse dor. Caí sentado no sofá e me mantive quieto, apenas observando os dois homens carregarem Paul para fora da sala.

Antes de sair, Jimmy se virou para Nicholas e pronunciou:

— Vá com calma, Nicholas, você é o chefe, mas também pode ser preso.

Nick continuou com a cabeça apoiada nas mãos e o olhar baixo. Ele bagunçava os cabelos, desesperado. Era possível ouvir sua respiração.

Alguns minutos se passaram e, assim que tudo se acalmou, tentei falar.

— Acho que a gente deveria fazer algo diferente hoje.

— Algo como o que? — ele demorou, mas respondeu. Sua voz estava grave até demais.

— Não sei, mas a bancada da cozinha está pronta para ser usada — sorri malicioso.

— Tarado — riu baixinho — E sexo não é algo diferente, Carter.

— Mas pode ser — pisquei, mordendo levemente o lábio.

— Posso saber no que você está pensando? — cruzou os braços na frente do peito e recostou-se à cadeira, encarando-me divertido.

— Na hora certa.

— Para casa agora, Carter — ele praticamente pulou da cadeira — Estou curioso.

Ri alto e deixei que ele me puxasse pela mão.

Assim que adentramos a sala principal todos os olhares foram virados para nossa direção. Tentei soltar a mão de Nick, mas ele se negou. Procurei por Paul e o vi sentado em uma das cadeiras, longe de nós. Ele tinha a cabeça apoiada em uma pilastra e uma das mãos segurava um pano branco que mais parecia vermelho.

— Se sente melhor? — Nick riu sarcástico.

— Vá para o inferno — um filete de líquido vermelho escorria do seu lábio inferior.

— Vou pedir sua mãe para me ensinar o caminho.

Enquanto Nicholas conversava tranquilamente com Jimmy sobre algumas coisas do trabalho, virei-me para o lado e encarei Amélia. Novamente ela estava com a cabeça baixa, evitando-me. Respirei fundo, preparando-me para começar uma conversa. Mas antes que eu pudesse avançar, ouvi um grito alto em forma de chamado.

— Nicholas.

Olhei para o lado e me deparei com a ex-mulher de Nicholas entrando pela porta principal.

Revirei os olhos, revoltado, eu não merecia presenciar tanta briga.

— Te vejo mais tarde, docinho — segurei o ombro de Nick e o encarei de lado — Pode me dar o endereço da empresa do seu amigo?

Ele enfiou a mão no bolso e retirou o papel de lá de dentro, entregando-me ao mesmo tempo em que tentava não ouvir os gritos da ex-esposa. Eu sabia disso porque eu tentava fazer o mesmo.

— Vai chegar cedo? — sussurrou.

— Claro — fiz o mesmo — A gente tem muito o que resolver — pisquei, já me movendo. Ele riu baixinho, mas assim que a mulher foi se aproximando mais e mais, seu sorriso foi desaparecendo.

Andei por algum tempo em silêncio, prestando atenção apenas no trânsito e no meu relógio de pulso. Atravessei algumas ruas sem olhar até que cheguei ao grande prédio em uma das esquinas.

Respirei fundo e caminhei para dentro do mesmo, entrando no elevador e seguindo para o décimo primeiro andar. Eu não queria me envolver em problemas e eu sabia que Nick estava planejando algo errado, mas para descobrir, eu precisava me jogar de cabeça e alma no plano.

Plano, o qual, não fazia ideia de qual era.

— Oi — cumprimentei a secretária — Ér... eu procuro por Rafael Pucket.

— Quem é você? Marcou hora? — ela sequer me olhou, apenas continuou jogando Paciência no computador enquanto falava com desprezo.

Cerrei os olhos ao ser tratado com tamanha falta de educação.

— Eu... não...

— Enzo — ouvi meu nome ser chamado e olhei diretamente para o enorme corredor bem iluminado e repleto de janelas de vidro — Pelo jeito Nicholas se lembrou da minha profissão — o homem caminhava na minha direção com um sorriso animado estampado nos seus traços e os braços abertos — Finalmente — piscou e, ao perceber que estava próximo o bastante, passou os braços por mim e me puxou para um abraço caloroso.

Merda, pensei, nunca vou ter um chefe normal.

— Ah... Sr. Pucket, eu... ér... — nos afastei levemente — Acho que... — cerrei os olhos e apontei para o elevador — Acho que esqueci meu currículo, eu deveria ir...

— Claro que não, Enzo — ele alargou ainda mais o sorriso — Você é... — parou para pensar — ...alguma coisa do meu amigo — riu baixinho — Não precisa de nada disso.

— Mas é que...

— Venha comigo — começou a andar pelo corredor e a única coisa que eu pude fazer foi imitá-lo.

Entramos em uma sala repleta por móveis de madeira e couro. Rafael se sentou em uma grande poltrona e fez um gesto com a mão para que eu pudesse também me sentar. Porém, preferi ficar em pé.

— Precisamos conversar — falei.

— Sim, tem razão, o quê acha de um drink antes de tudo? — levou a mão até um pequeno bar que ficava atrás da sua poltrona.

— Não, senhor — neguei e ele se conteve — Estou bem, obrigado.

— Então, Enzo, sobre o que quer falar? — ele se levantou com calma e andou até mim, olhando dentro dos meus olhos.

Não posso negar que aqueles olhos azuis eram incrivelmente bonitos. Também não podia mentir e dizer que não estava curioso sobre o que havia debaixo daquelas roupas. Entretanto, eu havia prometido para Nick que não haveria mais nenhum outro homem na minha vida que não fosse ele.

Meus olhos se arregalaram ao finalmente descobrir a charada.

Rafael tocou meu ombro com sua mão forte e eu rapidamente me afastei, ainda o encarando, assustado.

— Diga-me — comecei — Nick pediu para você dar em cima de mim, não é mesmo?

Notas finais
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