Bound to Love
21 Capitulo 21
Notas iniciais
Sophia Queen
Chamo-me Sophia Queen e tenho 14 anos.
Considero-me uma das garotas felizes do mundo e garanto a vocês que os motivos que me levam a ter essa certeza são muitos e simples. Apesar de que sempre vai existir algo em mim, um vazio que nada nem ninguém vai preencher...algo que me faz pensar que o mundo as vezes é injusto. As vezes eu sinto uma raiva dentro de mim...e logo depois ela é substituída pela tristeza...uma dor que não passa...e acredito que nunca vá passar.
Mas apesar disso eu sou feliz, tenho ótimos motivos para me sentir assim na maior parte do tempo...
Primeiro, bom primeiro, meu pai. Costumo dizer que ele é simplesmente demais! Oliver Queen é o pai que toda garota sonhou em ter. Não consigo me lembrar de uma única vez em que precisei dele e ele não estava ao meu lado. A não ser é claro quando fiquei mocinha pela primeira vez...naquele dia ele surtou...o que me leva ao meu segundo motivo...
Mas antes eu preciso dizer que meu pai é meu herói. Sem máscaras, capa, disfarces ou armas. Sei que ele passou por momentos terríveis quando eu era pequena e mesmo antes disso quando foi para a guerra. Eu nunca soube dos detalhes, mas sei que ele os superou e hoje é essa pessoa maravilhosa, meu porto seguro.
Por falar em superação, posso agora falar sobre meu segundo motivo: minhas mães!
Isso mesmo, mães!
Então, minhas mães: Sarah Lance e Felicity Smoak Queen.
Sarah, minha mãe biológica, morreu quando eu nasci. Papai falou que ela teve complicações na gravidez e no parto. Não pude conhecê-la. E é por isso que me sinto vazia...porque apesar de tudo ela me foi tirada...nem mesmo sei como era sua voz...se era macia ou mais alta do que o normal. Nunca saberei como é seu toque ou como ela lidaria com meus problemas infantis.
As vezes fico imaginando como seria se ela tivesse sobrevivido...claro que ai eu não teria minha segunda mãe...e não me entendam mal, eu amo a Felicity como uma mãe de verdade (o que ela é para mim desde muito cedo) mas, não sei como explicar...é algo que me falta todos os dias desde o momento que acordo até quando me deito.
Lembro-me desde que me “conheço por gente” me falaram dela e em minha caixa de fotos havia várias dela. Sempre sorrindo. Sou eternamente grata ao meu pai por sempre ter sido franco comigo mesmo quando eu nem entendia direito.
Ele me fala muito de como ela era: linda, divertida, fiel e companheira. Ela também foi para a guerra e ajudou meu pai depois disso, assim como ele a ajudou.
Sei também que ela me queria muito e me amava acima de tudo. Meu pai diz que provavelmente ela é um anjo e que olha por nós agora.
Às vezes eu ficava confusa, como podia amar duas mulheres, duas mães...uma sem nem conhecer e a outra que eu conhecia bem.
Na minha lógica infantil isso não parecia certo. Por um tempo eu parei de chamar a Felicity de mãe...não conseguia. Sei que ela me entendeu, porque quando veio me perguntar o motivo eu falei. Sabia que podia abrir o jogo com ela. Ainda é difícil às vezes conciliar isso na minha cabeça. Sempre parece que estou traindo ou uma ou outra.
Mas então, eu tenho em minha vida uma pessoa fantástica que eu amo do fundo do meu coração e que é minha mãe, Felicity Smoak Queen. E com todo seu jeito meigo ela me explicava que uma nunca ocuparia o lugar da outra e que sim, eu podia amar as duas com a mesma intensidade e que com certeza elas me amavam da mesma forma.
Papai me disse que fui eu que a encontrei no parque e que decidi que ela seria minha mãe. Um dia no parque ele se distraiu e quando viu eu estava no colo da Felicity como se ali fosse meu lugar. Gosto de pensar que foi minha mãe Sarah que a colocou no nosso caminho
Felicity é uma pessoa doce, extremamente dedicada aos seus, às vezes ela se enrola com as palavras (o que é engraçado e adorável), e o mais importante, que me ama como se eu fosse sua...como seu eu tivesse nascido dela.
Ela me disse isso várias vezes e posso sentir todo esse amor todos os dias, em cada gesto e em cada olhar...olhar esse que não é diferente do olhar com que ela olha para minha irmã Valentina.
Que, aliás, é meu terceiro motivo de felicidade.
Mamãe descobriu que estava grávida logo depois de devorar potes de doce de leite (que ela odiava) no meu aniversário de dois anos.
Valentina é minha amiga para todas as horas, estamos sempre juntas. Posso falar com ela sobre tudo e por horas. Ela é alegre, contagiante...tem a personalidade de minha mãe e lembra muito meu pai na aparência.
Claro que temos nossas brigas, ficamos sem nos falar por algumas horas (ou nem isso), acho que é normal. Mas perdi a conta das vezes que brigamos para defender uma a outra. Se aquela história de almas gêmeas se refere a todas as pessoas que te completam e te entendem, posso dizer com toda a certeza que minha irmã é minha alma gêmea. É com ela que eu desabafo sobre minha mãe e minhas incertezas...ela muitas vezes nem sabe o que me dizer, mas somente o fato de me ouvir já é o suficiente.
Bom meus outros motivos são meus avós, Moira, Walter e vovô Lance...meus tios Thea e Roy...meus padrinhos John e Lyla e Bruce e Nyssa...minha amiga Sarah...a lista é grande...
E querem saber de mais uma coisa? Hoje é meu aniversário de 14 anos. Acabei de acordar e fiquei perdida em meus pensamentos por não sei quanto tempo...
Tenho uma foto de minha mãe Sarah nas mãos, isso se tornou meu pequeno ritual de manhãs de aniversário: olha para uma foto dela. Sinto tristeza...o vazio está ali. Talvez um dia eu consiga lidar com tudo isso melhor. Ouvi um dia meu pai falar de um amigo dos tempos de exercito e ele disse: ele se foi, mas nunca será esquecido. Minha mãe se foi e mesmo que eu não pude conhecê-la nunca vou esquecer dela e de seu sorriso que agora eu encaro através da foto.
Ouço batidas na porta...são meus pais e Valentina.
Trazem flores e presentes...ganhos beijos, abraços, carinhos...
– Feliz aniversário, meu amor! — minha mãe me abraça e me beija o rosto. Meu pai vem logo depois com aquele abraço de urso que só ele sabe dar e me aconchega em seu peito e diz que me ama....
Valentina pula na minha cama e fica ao meu lado e espera eu abrir todos os meus presentes...outro ritual da família Queen. Olho para eles e o sentimento de felicidade me invade. Nunca poderei dizer que não tenho motivos para ser feliz...
Quando terminei de abrir todos os presentes meu pai me chama:
– Sophi? – vejo que ele está um pouco sério, percebo que seja o que for que ele quer me falar é importante.
– Hum? –ele tem um envelope com meu nome em suas mãos.
– Eu tenho algo para te entregar, algo de Sarah. Não entregamos antes por acreditar que agora você poderia compreender melhor tudo o que houve.
– De minha mãe? – eu não consegui acreditar! Felicity pegou em minhas mãos e me olhou compreensiva.
– Sim, filha. Pouco antes de casarmos seu pai decidiu vender o apartamento onde ele e sua mãe moravam. Quando foi limpar e separar as fotos e documentos ele encontrou três cartas escritas por Sarah: uma para ele, uma para você e uma para a mulher que ele viesse a amar.
– Ela deixou uma carta para mim? – eu que sempre quis algo de minha mãe especialmente para mim...mal conseguia acreditar.
– Sim, Sophi – meu pai estava emocionado, eu podia ouvir em sua voz – ela sabia dos riscos da gravidez e por te amar tanto resolveu deixar algo dela para você.
Ele me entregou a carta, me deu um beijo demorado na testa, sussurrando:
– Eu te amo, filha... – e saiu.
– Vamos te deixar sozinha, é um momento só teu. Quando e se você quiser te deixo ler a carta dela que guardo comigo...e você pode pedir para seu pai que te deixe ler a dele – ela me abraçou forte.
– Eu te amo, mãe! – com lágrimas nos olhos ela me respondeu:
– Eu também, filha. Estaremos lá em baixo se precisar – ela estendeu a mão para Valentina que observava tudo quieta. Só ela sabia o quanto eu ansiava por algo de minha mãe biológica. Antes de sair ela me abraça:
– Aproveita! — eu concordo e lhe dou um sorriso.
E agora estou aqui com minhas mãos tremulas segurando o envelope. Respiro fundo e o abro.
Sophia, minha filha e meu amor maior...
Antes de qualquer coisa preciso que você saiba que te amei desde o primeiro instante...talvez até antes disso.
Você não imagina o quanto eu desejei você...eu e seu pai. Quando decidimos ter um bebe todo nosso amor foi direcionado a ele...a você.
Logo nos primeiros meses descobrimos o risco de levar a gravidez adiante, mas não havia o que decidir. Nós já não imaginávamos uma vida em que você não estivesse nela.
Tudo era novo e maravilhoso. Quando senti você se mexer a primeira vez dentro de mim foi como estar no céu. Nunca tomaria outra decisão.
Bom, agora preciso te dizer algumas coisas.
Primeiro, meu coração dói em pensar que você não terá uma mãe por perto, por algum tempo. Mas sei que seu pai compensará isso, ele é maravilhoso. O amo de todo o meu coração.
Mas sabe, meu amor, ele precisará de alguém do lado dele...ele deve amar novamente...você vai precisar de uma mãe e ele de uma mulher que o ame.
E não digo isso com tristeza...sei que vocês devem seguir adiante. Vocês acima de tudo merecem a felicidade.
Eu confio que seu pai só vai voltar a amar quando encontrar alguém que te ame incondicionalmente, que te aceite como sua...e quando isso acontecer você mesma vai amá-la como mãe. E filha, nunca se atreva a sentir-se culpada por isso.
Oliver é um homem fantástico (você mesma vai perceber isso com o passar dos anos). Mas ele pode se tornar super protetor...entenda isso como amor...como ele mesmo poderá te contar um dia, ele teve perdas significativas na vida e isso faz com que ele tenha essa coisa de tentar impedir a todo custo que os outros sofram. E quando não o consegue ele mesmo sofre por isso. Procure entender esse lado dele.
Quando ele ouviu teu coraçãozinho bater pela primeira vez, ele chorou de emoção e depois disso ele nunca ia dormir sem te dar boa noite.
Ele te ama, nunca duvide disso.
Seja boa com as pessoas, aceite as diferenças, não se deixe abater pela tristeza e lembre-se que você tem ao seu lado pessoas maravilhosas. Seja forte e procure apoio de quem te ama na hora das dificuldades.
Ame com todo seu coração. Não desanime quando seu coração se partir por algum garoto...as vezes o caminho para o amor e a felicidade é um pouco torto, sabe?
Lute por aquilo que você acha certo, confie nos seus para aconselhá-la.
Nunca deixe de dizer a sua família o quanto os ama, todos os dias...é importante que eles saibam que são amados...
E filha, acredite que eu te amo com todo o meu coração. Sempre vou estar do teu lado...você é minha vida, agora e sempre.
Mamãe vai olhar por você de onde estiver. Viva, aproveite os pequenos milagres da vida, seja feliz!
Com todo amor do mundo,
Mamãe...
Eu não consegui conter minhas lágrimas. Chorei por não sei quanto tempo, todos os sentimentos misturados. Agora eu sabia como ela pensava como ela era e não podia estar mais feliz pelo que ela foi e pelo quanto me amou. Eu pude sentir amor em cada palavra...mas também senti uma tristeza, uma falta dela...queria ter podido ter mais tempo com ela, mas sei que ela está cumprindo a promessa de estar ao meu lado...ela é meu anjo.
Permaneci um tempo com a carta em meu peito. Não consigo explicar o quão feliz eu estou por esta carta. Ela me mostrou o quanto fui e sou amada e o quanto minha mãe era sábia.
Agora nos momentos em que o vazio por sua ausência me invadir tenho algo para me trazer conforto, algo só meu.
Guardei a carta junto com as fotos dela, sorri uma ultima vez ao olhar aquele pedaço de papel tão importante e desci para seguir um dos mais importantes conselhos de minha mãe: “Viva, aproveite os pequenos milagres da vida, seja feliz!”
Encontro minha família na cozinha e abraço cada um e digo o quanto eu os amo (outro conselho de minha mãe).
E os olhando assim, rindo e felizes...sentindo seu amor por mim percebi que sou a garota mais sortuda do mundo!
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