Boulevard Of Broken Dreams
3 Sonhar às vezes faz mal – parte 2.
*
Me senti de novo como uma criança de 5 anos, o medo e a perda me assombravam mais uma vez e eu estava andando sem rumo pelas ruas de nova York sozinho, era uma noite fria, a neve caia levemente por todas as ruas e eu só tinha uma camiseta, toda rasgada, suja, de manga curta, uma bermuda do mesmo estado e chinelos encardidos, da época quando meus pais ainda existiam, estava tão frio que tinha começado a nevar mais forte, e mais uma vez eu ia ficar sozinho, na fria neve que me fazia tremer os dentes, prestes a congelar, minhas pernas bambeavam e não sabia mais quanto tempo iria aguentar, mas o que mais me incomodava não era o frio e sim que era véspera de natal e eu não tinha ninguém para passar comigo.
A muito tempo ainda no verão me lembrava vagamente de pedir ajuda para minha avó, mas ela se recusou a cuidar de mim, iria me entregar para um maldito orfanato então eu fugi dela também, não queria ir para aquele lugar e essa foi a ultima vez que vi minha “família”( se é que da pra chamar isso de família) .
Estava quase caindo no chão quando vi uma loja de brinquedos, entrei imediatamente na loja me sentei no chão tremulo abraçando meus joelhos com os olhos fechados.
A loja estava quentinha e aconchegante, fiquei ali ate o frio se estabilizar por completo, meu corpo não tremia mais e meus dentes também não.
Abri os olhos com um sorriso no rosto, estava feliz porque o frio tinha passado, mas logo parei de sorrir, avia um homem na minha frente. Usava uma calça social, uma camisa branca, um bigode grande esquisito e um chapéu engraçado, as sobrancelhas levantadas com um ar de duvida, tive que me esforçar para não rir do chapéu oval que ficava na cabeça do homem, parecia que um coco partido ao meio tinha caído em sua cabeça.
– O que faz sentado neste chão pivete? – perguntou o homem de chapéu esquisito.
– Esta muito frio lá fora, só queria me abrigar, eu estava congelando, vou morrer de frio se ficar lá.
Disse isso para o homem, ele não me amedrontava nem um pouco, embora quando falei isso ele esboçou uma cara zangada que só me deu mais vontade de rir da cara dele.
– Ou você compra alguma coisa ou cai fora, esta assustando meus clientes – o homem disse com uma raiva imensa na voz, não sabia por que ele estava com tanta raiva.
– Mas senhor esta congelando lá fora e eu não tenho nem uma moeda sequer pra comprar alguma coisa,qual é, hoje é véspera de natal, tenha um pouco de compaixão – tentei apelar, mas ele não queria saber de natal ou compaixão só de dinheiro, podia sentir, não sei como mas podia.
– SAIA JÁ DA MINHA LOJA! – ele gritou tão alto que acho que ele estourou meus tímpanos.
– Mas senhor...
– Mas nada saia ou eu chamo seus pais!
Gelei na mesma hora que ele disse aquilo, poderia ter muito bem falado pra ele que não tinha pais, mas ai ele ia chamar a policia e eu certamente estaria encrencado, então simplesmente disse:
– Ok senhor – e sai de lá.
O vento forte me atingiu congelando meus lábios, ótimo, mais uma vez no frio, comecei a andar tremulo, ate que vi alguém acenando pra mim.
– Venha Jordan, estamos atrasados, vamos – A voz daquela moça me fez parar bruscamente, não podia ser real, meus ouvidos estavam me pregando pescas.
– Jordan Jackson nós estamos atrasados e você fica ai parado feito estatua, e olha a sujeira das merdas das suas roupas, não foi assim que eu te ensinei – continuou ela bem brava com aquela mesma voz, não, não poderia ser ela.
Tomei coragem e continuei caminhando ate lá, engolindo em seco, a moça tinha cabelos ondulados caídos sobre os ombros, eram loiros e bem cuidados mas estavam molhados e suas roupas também, olhos castanhos e roupas super caras marcavam o visual dela.
Parei bruscamente, faltando alguns passos para chegar ate ela, aquele rosto,aquele semblante serio, o olhar de morte e aquela voz melodiosa, todas elas indicavam que ela era... Não, não podia ser ela, ela estava morta, não sabia como mas era... era minha mãe .
– Mamãe? – minha voz quase não saiu, o medo invadia meu corpo, que tremia cada vez mais, estava ficando com cada vez mais frio.
– Surpresa querido, você esta atrasado, agora meu bem, você vai se afogar – ela deu um sorriso sinistro e de repente não estava mais nas ruas, estava no fundo do mar, o medo me tomava, eu não conseguia respiras, estava me afogando, não sabia nadar e cada vez que tenta subir alguma coisa me puxava para baixo.
O frio irradiava todo meu ser, aos poucos fui perdendo a consciência e a única coisa que me lembro foi de uma voz, a voz da minha mãe dizendo.
– Agora meu bem, você esta sentindo minha dor...
*
Fale com o autor