Boulevard Of Broken Dreams
36 Capítulo 36 - Escape from pain
Notas iniciais
Mas finalmente, com a graça de todos os anjinhos, voltei. Espero que vocês ainda estejam por aí e continuem lendo essa minha historinha. Desculpas mesmo por tudo e boa leitura!
Matthew se calou, completamente estupefato diante da pergunta. Engoliu em seco uma vez.
– ... eu quero uma chance.
Francis não encontrou o que responder. Tudo parecia tão simples na voz doce daquele rapaz. Doce, um pouco trêmula e quase nada acima de um sussurro.
As mãos do francês se aproximaram de seu rosto lentamente, e os dedos dele tocaram suas faces.
– Você... está chorando. – a respiração dele vinha trêmula e em soquinhos. As faces dele estavam muito quentes e havia lágrimas ali.
Matthew segurou uma das mãos do outro e apertou-a um pouco. Não entendia mais nada. No entanto, uma parte sua talvez tenha desejado que aquele minuto não acabasse mais.
O francês desvencilhou sua mão da de Matthew e tentou tirar algumas lágrimas do caminho. Foi um pouco desajeitado, ao que o canadense teve a gentileza de retirar seus óculos para facilitar. Sem eles, os dedos do outro tocaram suas faces com facilidade. Então, contornaram seu queixo e curiosamente percorreram o formato de seu nariz, até a pontinha.
Nunca fizera muito daquilo. Era estranho e desconfortável para as outras pessoas. Mas, por um momento, ele quis... ver Matthew. Talvez não como ele o via, mas como se podia ver no mundo sem cores em que o francês vivia. Ou talvez, ele simplesmente quisesse se sentir perto daquela pessoa. Mesmo depois de tocar seu rosto, Francis não exatamente formara uma imagem em sua cabeça. Era... diferente. Mas, pelo pouco que podia saber, achava que Matthew era bonito.
Mas ele tinha a impressão de que o achava bonito mesmo antes de conhecer seu rosto.
Seus dedos voltaram às faces do canadense e ele fez carinho nas bochechas macias do rapaz. Sua mão pegou uma mecha de cabelos levemente ondulados e finos, ao que seu semblante tornou-se um pouco pensativo.
Claro que gostava de estar com Matthew. A personalidade calada, a maneira como ele sempre se preocupava com tudo, a paixão sincera dele por aquela confeitaria. Gostava das conversas, dos passeios, da voz gentil dele. Claro que... ele se apaixonaria por alguém que dedicara tanto tempo a uma pessoa que já tinha desistido de si mesma. Quem poderia culpá-lo por se apaixonar por alguém que tentou entender e partilhar um pouco do seu mundo sem cores?
Mas... as coisas podiam ser tão simples assim?
– Matthew eu não...
– Eu só quero uma chance. – interrompeu o rapaz, antes que o outro pudesse dizer qualquer coisa. Antes que as coisas ficassem complicadas. Antes que eles se enganassem e acabassem pensando que, para se amar alguém, era preciso mais do que meros sentimentos.
Os dedos longos do francês contornaram os lábios levemente trêmulos de Matthew, ao que Francis deu um meio sorriso.
– Eu gostaria de ser capaz de resistir. – gostaria de ser menos passional. Gostaria de poder evitar se apaixonar por aquela pessoa. Mas não era como se ele pudesse. Não era como se ele pudesse evitar se aproximar ainda mais daquela pessoa, até o ponto em que podia sentir a respiração trêmula dela contra os próprios lábios.
Não era como se aquele beijo pudesse ser evitado.
Seus dedos desceram pela bochecha macia de Matthew, até gentilmente repousarem sobre a nuca dele, entrelaçando os cabelos muito finos e macios. Estava escuro. Como sempre. Mas, por alguma razão, o pianista fechou os olhos. O perfume suave estava próximo, muito próximo, e havia uma respiração levemente trêmula que se confundia com a sua. O toque era suave como uma harmonia, delicado como uma tecla de piano, macio e estranhamente reconfortante. Seu coração batia com muita força, muita rápido, mas parecia muito leve.
Matthew notou quando os olhos claros do francês se fecharam. Então, escolheu fazer o mesmo.
O francês inclinou-se um pouco e pressionou com um pouco mais de força, aproveitando-se dos bons centímetros em que era mais alto que o canadense. Sentiu-o estremecer de leve, ao que as mãos dele se fecharam na frente de sua camisa. Sentia a respiração quente dele, os lábios macios abaixo dos seus, o suspiro trêmulo que ele deu. Ambos se afastaram um pouco, os lábios apenas se roçando de leve. Francis levou a outra mão ao rosto de Matthew e seus dedos tocarem de leve a pálpebra fechada. O canadense sentiu quando o outro sorriu de leve contra seus lábios.
– O que é engraçado? – murmurou, sem abrir os olhos, sentindo os dedos em sua face fazerem carinho de leve.
Francis não respondeu. Apenas retomou o beijo, também mantendo os olhos fechados. Não diria. Não sabia dizer. Mas... se sentia... estranho. Era como se ,pela primeira vez, ele e Matthew... fossem iguais. Naquele breve mundo feito de segundos, que existia apenas no espaço de tempo em que durava um beijo, nenhum deles via. Aquele mundo efêmero, destruído em menos de um minuto, podia ser perfeitamente entendido por quatro sentidos.
Nunca tinha pensado assim. Nunca tinha se sentido assim. Estava... feliz. E absolutamente aterrorizado. Talvez aquele sentimento tivesse um nome, mas ele não saberia dizer.
Era estranho uma pessoa com trinta e dois anos nunca ter de verdade amado ninguém?
Seus lábios se separaram, mas o francês abraçou Matthew, apertando-o contra si como se ele fosse a única pessoa que importava no mundo. O rosto do rapaz mal alcançava acima do ombro de Francis, o que dava a leve impressão de que ele era um pouco frágil. O francês sorriu. Se enganava quem pensava assim. Matthew era, de muitas maneiras, uma pessoa forte.
– Ah. – Francis se afastou um pouco, um pensamento lhe ocorreu.
– O que foi?
– Me espera. – disse ele, segurando o canadense pelos ombros e depois soltando-o, sumindo pelos corredores da casa.
Matthew piscou algumas vezes, atordoado. Logo, a realização do que acabara de fazer o atingiu com força.
– Santo Deus. O que foi que eu fiz? – murmurou consigo mesmo. Ele tinha mesmo enfrentado alguém daquele jeito? Tinha mesmo levantado a voz e dito exatamente o que queria dizer? Parecia... mentira. Suas pernas tremiam um pouco, então ele andou até a sala e sentou-se no sofá. Seu coração batia com muita força e suas faces estavam fervendo. Mas ele sorriu consigo mesmo. Estava... muito satisfeito consigo mesmo.
– Matthew? – a voz do francês o tirou de seus pensamentos.
– Ah! Aqui. – disse o canadense, ouvindo a voz do outro procurando-o.
– Eu guardei isso para você. – apesar de ter pensado em se desfazer daquilo tantas vezes. — Achei que talvez você fosse gostar.
Matthew se virou e seu olhar recaiu sobre o que o outro trazia em seu colo.
Era um ursinho polar de pelúcia.
Os olhos claros, azuis, levemente violáceos, de Matthew encheram de lágrimas. O francês sentou ao seu lado, ao que o canadense estendeu a mão e tomou seu ursinho de volta. Abraçou-o com força, muita força, e apoiou a cabeça sobre o ombro do outro.
– Matthew? – começou o francês, alarmado com a maneira com que o outro chorava em seu colo. Desajeitadamente, ele alcançou o rosto de Matthew, tirando as lágrimas de suas faces. Até que, acidentalmente, seus dedos alcançaram o cantinho dos lábios do rapaz.
Ele estava sorrindo.
– Ei... não me assuste assim. – resmungou o francês. Ouviu Matthew rir baixo.
O canadense não conseguiria explicar os sentimentos. Porque todos eles pareciam estar acontecendo ao mesmo tempo. Estava feliz, aliviado, assustado... E, porque lágrimas podiam significar tantas coisas, ele estava chorando.
O francês começou a murmurar uma velha canção, seus dedos brincando com as pontas onduladas do cabelo do canadense.
E, por um momento, Matthew se distraiu e... as palavras foram se diluindo, lentamente perdendo o significado. Fazia muito tempo desde a última vez que ouvira alguém falando em francês. A cadência das palavras, os leves adornos e o ronronar baixo de alguns fonemas. A voz de Francis era bonita. Matthew estava ouvindo, mas não estava escutando. Os sons eram quase que borrões de tinta se espalhando sobre a tela úmida, difusos, suaves...
– Matthew? – o francês reparou quando a respiração do outro tornou-se mais pausada e o corpo dele relaxou, pesando um pouco mais em seu colo.
Sorriu um pouco. Matthew devia ter se cansado depois de chorar e acabara dormindo.
Suspirou e fitou o teto. Seu coração batia um pouco rápido e ele se sentia... um pouco eufórico. Estava... sendo irresponsável. E inconsequente. Matthew ainda não fazia ideia do que era viver com alguém como ele. As coisas podiam simplesmente não dar certo. Estava com medo. Mas... logo ele teria de descobrir que era natural ter um pouco de medo sempre que se amava alguém.
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Às duas da manhã, o celular de Arthur começou a vibrar sobre a mesa e acordou o loirinho adormecido, que instintivamente desligou o alarme ao lado de sua cabeceira. Arthur tentou se virar para o outro, mas tinha algo pesado em torno de sua cintura. Franziu o cenho e abriu dois olhos adoravelmente verdes.
Alfred...
O loirinho suspirou e fechou os olhos novamente. Alfred tinha voltado para casa. E, no momento, dormia abraçando-o pela cintura, deixando o edredom quentinho e agradável, sua respiração tocando de leve o pescoço do outro.
Arthur respirou fundo. Alfred tinha voltado...
Virou-se de frente para ao garoto, que apenas se mexeu, mas continuou dormindo pesadamente. Arthur tocou de leve a bochecha macia do garoto. Seus dedos curiosamente desceram até os lábios dele, contornando, relembrando o formato. Por que ele ficara tanto tempo sem beijar Alfred? Mesmo antes de ele sair de casa... Arthur estivera tão ocupado... A morte de Elizabeth, a faculdade, a casa, seu irmãozinho... E Alfred sempre voltava estressado depois do trabalho. Na realidade, talvez... talvez a discussão que eles tiveram tenha sido uma boa coisa. Porque antes... Arthur não tinha reparado que tinha se distanciado tanto daquela pessoa.
O loirinho ergueu-se um pouco e olhou o relógio na cabeceira ao lado de Alfred. Deu um suspiro frustrado ao perceber que precisava se levantar imediatamente. Fitou o garoto adormecido, carinhosamente tirando um pouco da franja da frente dos olhos fechados dele. Estava tão quentinho. E Arthur sentira tanta falta do cheiro de Alfred, de acordar ao lado dele. Atualmente, sentia que daria qualquer coisa para continuar naquela cama a manhã inteira.
Respirou fundo e lembrou-se de que acordara às duas da manhã porque precisava terminar de estudar para a prova que teria pela manhã. Depois, precisava aquecer o leite para a mamadeira, fazer o café, arrastar Alfred para fora da cama e mandá-lo para o trabalho... Sim, trabalho, eles precisavam sobreviver.
Beijou a bochecha do garoto e se levantou antes que pudesse refletir e se convencesse de que nada justificava deixar a sua cama quentinha e seu namorado dormindo sobre ela sozinho. Arthur se arriscou a uma última olhada antes de sair do quarto.
Alfred tirara a camiseta em algum momento e o torso nu dele movia brevemente a cada vez que ele respirava. Os ombros largos combinavam com as costas e o quadril estreito, em um formato quase irresistível. Os cabelos cor de caramelo estavam bagunçados sobre o travesseiro, macios, quase um convite ao toque. O olhar do loirinho desceu um pouco mais e se deteve nos quadris do garoto. Dava para ver o começo das boxers pretas que ele usava e que davam um contraste interessantíssimo com a pele macia. Os lençóis permaneciam um tanto enrolados perto dos tornozelos dele.
Arthur sacudiu a cabeça e saiu do quarto imediatamente. Ah, inferno. E Alfred só voltava para casa no final da tarde.
Ia ser um dia estupidamente longo.
Arthur sobreviveu bem à prova no período da manhã e voltou para casa rapidamente, apenas a tempo de ver Alfred saindo para o trabalho. Arthur nunca deixava Peter sozinho em casa, então eles sempre precisavam se desdobrar para encaixar seus horários.
A sua rotina era incrivelmente estafante, mas Arthur estava começando a se acostumar. Aqueceu o leite de Peter, trocou-lhe a fralda, colocou as roupas para lavar e tentou arrumar um pouco da bagunça pela casa. Fez uma pesquisa sobre novos imóveis, que durou por volta de uma hora, e anotou algumas opções para discutir com Alfred mais tarde.
Era sábado, o que significava limpeza no banheiro e na cozinha (Arthur considerava saudável fazer faxina ocasionalmente, nem que fosse uma vez a cada duas semanas).
Seus braços e suas costas doíam quando ele finalmente tinha terminado. Arthur teria dado muita coisa para poder simplesmente desabar na cama e dormir o sono que perdera na noite passada, mas tinha muita matéria atrasada na faculdade, de quando faltara quase um mês de aula. Ainda precisava terminar os trabalhos que prometeu a alguns professores em troca de não ser reprovado.
Uma vez que Peter resolvera que era um dia muito bonito para simplesmente ficar dormindo ( e o berço era um lugar absolutamente terrível, que cerceava sua independência e liberdade), Arthur tivera de levá-lo para estudar consigo. Sentou o irmãozinho em seu colo, apoiando-o com um dos braços, e tratou de ir estudar.
Havia se passado uma hora e meia, até Arthur se chatear e olhar o relógio. Alfred chegava em duas horas. Se terminasse aquilo logo, teria o dia seguinte livre. E domingo Alfred não trabalhava. Talvez eles pudessem fazer alguma coisa legal amanhã. Ele só precisava terminar aquela porcaria logo. Mas, Deus, ele estava acabado. Respirou fundo e voltou seu olhar para as suas anotações. Onde a criança em seu colo decidira botar as mãozinhas cheias de baba.
Arthur suprimiu um grito assim que viu o estrago. A caneta tinha borrado em vários cantos da página e suas anotações estavam praticamente ilegíveis. Arthur respirou fundo, muito fundo mesmo e engoliu em seco.
– Peter, não faça isso. Muito feio. – disse, o mais calmo possível, tentando, por tudo nesse mundo, não descontar sua frustração em uma criaturinha travessa, porém inocente.
Respirou fundo outra vez e arrancou as folhas fora. Peter estava mesmo uma bagunça, então Arthur resolveu adiantar o banho. Depois, colocou-o no berço e sentou-se no chão ao lado, copiando furiosamente os dados de seu livro em seu caderno. Suas costas doíam e ele estava quase dormindo sobre o caderno, mas o loirinho estava determinado a terminar aquilo ainda naquele dia.
De fato, terminou e fechou o livro a tempo de Peter ficar sonolento e Arthur ter de prepará-lo para ir dormir. Acabava de trocar outra fralda quando ouviu a porta da frente sendo destrancada.
– Arthur? – o garoto jogou suas coisas sobre o sofá e foi atrás do loirinho. Procurou primeiramente no quarto de Peter, onde geralmente Arthur ficava. De fato, encontrou-o lá, cuidadosamente desvencilhando a criança de seus braços e pousando-a no berço. Fez sinal para que o garoto não fizesse barulho. Alfred chegara a abrir a boca para falar , mas obedeceu. Seguiu Arthur para fora do quarto e observou-o fechar a porta. Então, ele se virou para o garoto e sorriu de leve.
– Hey... como foi hoje? – murmurou, estranhamente contente em rever Alfred. Parecia que fazia uma eternidade desde que o tivera tão perto.
– Hm... chato. – resmungou o garoto, dando de ombros, não muito interessado em prolongar o assunto. Ele aproximou-se, afundando o rosto na curva do pescoço de Arthur e respirando fundo. O perfume do rapaz em seus braços invadiu os seus sentidos, e Alfred sentiu-se verdadeiramente em casa. Suas mãos largas seguraram os quadris do loirinho, trazendo-o mais para perto. Sentiu Arthur arrepiar inteiro com aquele mínimo contato, percebendo como ele estava sensível. Alfred de repente sentiu-se um tanto alerta quanto à proximidade entre os dois. Já havia se passado ao menos uns dois meses desde a última vez em que ele e Arthur transaram.
– Você tem alguma coisa pra amanhã? – perguntou o garoto, dando um selinho nos lábios do outro.
– Não. – murmurou Arthur.
– Ótimo. — Alfred sorriu de volta e beijou a nuca do loirinho, subindo e beijando sua mandíbula, então queixo, até alcançar-lhe os lábios. Sentiu Arthur gemer e amolecer um pouco em seus braços. O rosto dele corou rapidamente durante o beijo, que ficava progressivamente mais ostensivo. Alfred ergueu um pouco os quadris, que se chocaram contra os de Arthur, fazendo ambos gemerem. O garoto mal percebeu que estava prensando o loirinho contra a parede do corredor, apenas desceu uma mão e apertou de leve a intimidade do outro.
Arthur jogou a cabeça para trás e empinou um pouco os quadris, gemendo baixo. Ainda com a respiração meio resfolegante, segurou o garoto pela nuca e o trouxe para si, beijando de leve os lábios entreabertos dele. Alfred levou uma das mãos ao rosto de Arthur, olhando no fundo daqueles olhos esverdeados. Voltou a beijá-lo, lento e apaixonado, sentindo quando o loirinho suspirou entre o beijo. Em meio minuto, apartaram-se, ofegando, inevitavelmente muito excitados. O garoto deu-lhe um selinho, rindo um pouco.
– Você não faz ideia do quanto eu senti sua falta. — Alfred voltou ao pescoço de Arthur, mordendo a pele sensível de leve, sentindo o loirinho gemer e inclinar o pescoço para o outro lado, dando-lhe espaço. Seus lábios continuaram a provocar o outro, enquanto sua mão voltou a descer, só que dessa vez abrindo a calça de Arthur. O britânico permitiu e retribuiu o gesto, também abrindo e baixando a calça do garoto até a metade de suas coxas. Alfred sorriu de lado e retirou completamente a calça de Arthur, prensando-o contra a parede e erguendo-o a alguns centímetros do chão.
Arthur gemeu quando sentiu o garoto apertá-lo ainda mais contra a estrutura sólida atrás de si. Quando ele o ergueu, o loirinho apoiou as mãos sobre os ombros largos dele e enlaçou o quadril dele com as pernas, tentando manter o equilíbrio. Sentiu a ereção do garoto tocar a sua com a nova posição.
– Hnn... A-Alfred. Vamos pra cama... – murmurou Arthur.
– Depois... – sussurrou, sua voz deliciosamente grave e baixa. Alfred deu um impulso para frente com os quadris, apertando a ereção de Arthur contra a sua, fazendo-o gemer mais alto. Seus lábios se encontraram em um beijo molhado e ofegante enquanto seus quadris passaram a se movimentar em sincronia, simulando uma penetração.
Arthur gemia baixo, mas constantemente, e instintivamente se aninhou na curva do pescoço do garoto, mordendo de leve sua orelha. O quadril de Alfred era o que praticamente o sustentava, prensando-o contra a parede, tornando o contato com a ereção dele, mesmo que ainda com a roupa íntima entre eles, deliciosa demais para suportar. Arthur jogou a cabeça para trás depois de uma investida particularmente forte, percebendo seus sentidos se embaralharem. Alfred observou a curva que as costas do loirinho fizeram, assim como a expressão desnorteada e excitada em seu rosto. O garoto afundou o rosto no pescoço do outro, gemendo alto e gozando com força, prensando o outro um pouquinho mais. Arthur sentiu a pressão a mais, assim como o sêmen quente de Alfred tocar a sua própria ereção. Estremeceu, assistindo o garoto pausar alguns instantes, ofegante. Ele delicadamente depositou Arthur no chão e seus lábios dele logo vieram se apossar do pescoço claro do britânico, sugando a pele macia, marcando-o enquanto fechava sua mão larga sobre a ereção do loirinho. Arthur fechou os olhos com força, gemendo alto quando sentiu o contato daquela mão quente sobre o seu membro. Sua mão afundou nos cabelos do garoto, puxando-o mais para perto, deixando que ele mordesse com vontade a curva de seu pescoço. Como recompensa, sentiu Alfred masturbando-o com a força de que Arthur precisava, firme, mas torturantemente lento, fazendo com que o loirinho gemesse continuamente, perto, perigosamente perto do orgasmo, mas sem deixar que ele gozasse.
– Ahnn... A-Alfred! – gemeu Arthur, sem ar, com as bochechas avermelhadas e a franja suada, olhos fechados, tão perto do orgasmo que ele nem conseguia elaborar uma frase inteira. – Hnn! A-Alfred... n-não... haa... – ele se dividia entre ofegar e gemer, tentando articular as palavras juntas, e mandar o garoto parar de provocar.
Alfred, no entanto, entendeu sem Arthur dizer. Mesmo assim, soltou a ereção de Arthur, sentindo quando ele quase perdeu o ar em frustração. O garoto meramente aproveitou-se dos lábios entreabertos do loirinho e guiou dois dedos até a língua dele, sentindo quando ele passou a sugá-los, de olhos fechados, sem realmente pensar no que fazia. Alfred guiou os dedos até a entrada de Arthur, penetrando-o devagar. Os olhos de Arthur se fecharam e os lábios dele se entreabriram e ele gemeu alto quando o orgasmo o atingiu com força, fazendo-o estremecer. Seu sêmen molhou os dedos de Alfred, que segurou o loirinho enquanto ele estremecia em seus braços, gemendo fracamente enquanto ofegava. Arthur sempre achava mais intenso quando o orgasmo vinha assim. O garoto parecia gostar de fazê-lo gozar só por trás e parecia empenhado em treinar isso. Não que ele estivesse reclamando.
Sentiu Alfred abraçando-o pela cintura, sustentando-o enquanto ele se recuperava do orgasmo que tivera. O loirinho ainda ofegava, de olhos fechados e com as bochechas coradas, agradecido pelo fato de o garoto ainda estar segurando-o, uma vez que suas pernas não pareciam dispostas a se firmar depois daquilo. Por alguns minutos, Arthur meramente tentou voltar a si, ocasionalmente sentindo o garoto beijar suas faces. Depois de alguns minutos, Alfred tomou-lhe a mão e a beijou, dando um sorriso tolo e apaixonado. Arthur sorriu também, ainda de olhos fechados, puxando o garoto e beijando-lhe a boca, levemente eufórico.
Alfred ainda sorria entre o beijo, subindo sua calça jeans de volta ao lugar, mas não se preocupando em fechá-la. Apenas sibilou desconfortável quando sentiu que sua roupa íntima estava úmida de sêmen. Assim que se certificou de que não ia tropeçar na peça enquanto andava, segurou Arthur pela camiseta e foi empurrando-o até o quarto, ainda beijando-o. Entre muitas paradas e esbarrões, os dois conseguiram chegar ao cômodo, rindo da bagunça que faziam, com Alfred chutando a porta atrás de si para fechá-la.
Arthur abraçou o garoto pelo pescoço, seus dedos afundando no cabelo macio enquanto seus lábios exigiam do outro mais um beijo, prensando-o contra a porta. Sentiu Alfred sorrir contra os seus lábios, ao que as mãos dele se fecharam sobre os quadris do loirinho, empurrando-o até a cama. Arthur deixou-se cair, batendo as costas no colchão macio. Alfred retirou a camiseta, seus cabelos bagunçando com o movimento, deixando-o deliciosamente descomposto. Arthur olhou-o de cima a baixo, detendo-se nos músculos definidos e nos ombros largos, que demonstravam força. Deliciosa força se bem utilizada. Arthur gemeu baixo com os pensamentos que lhe ocorreram. Levantou-se apenas o suficiente para puxar o garoto pela nuca para cima de si, invadindo-lhe a boca com língua, seu quadril ondulando de leve. Alfred inclinou o quadril para frente, proporcionado a fricção que Arthur queria, apertando-o contra a cama. O loirinho suspirou contra os lábios do outro, percebendo-se sensível e necessitado de contato. Estivera tão ocupado nos últimos meses. Sentira falta de tocar Alfred, ser tocado por ele, sentir-se tão próximo e tão íntimo daquela pessoa que agora dividia uma vida consigo.
Alfred sentiu o suspiro contra seus lábios, estranhando como aquilo confortava o seu coração. Logo, seus lábios escaparam dos de Arthur, e ele passou a beijar as bochechas do loirinho, sua testa, o topo de sua cabeça. Retirou a camiseta do britânico, beijando suavemente o pescoço avermelhado dele, como se se desculpasse por tê-lo marcado. Os polegares de Arthur se firmaram nos lados da calça do garoto, puxando-a para baixo, deixando ambos nus. O garoto ajudou-o e então deitou sobre ele, beijando-o devagar, segurando-o pela nuca e suspirando. Sentiu quando Arthur deitou-se sobre si, retomando o beijo, lento, mas intenso. As mãos do garoto logo encontraram as faces de Arthur, carinhoso, paciente, lento como se tivessem todo o tempo do mundo, desesperado como se tudo fosse acabar no próximo segundo.
Arthur se afastou do beijo, acomodando-se melhor no colo do garoto. Alfred gemeu de leve e voltou a puxar o loirinho pela nuca para conseguir beijá-lo. Arthur sentiu a língua do outro tocando a sua, lento, insinuante. As mãos de Alfred seguraram seus quadris, apertando um pouco, ao que seus braços facilmente manusearam o corpo de Arthur para cima e para baixo, devagar. O britânico deu um meio sorriso, afastando um pouco de cabelo da nuca do garoto e depositando um beijo ali. Seus olhos verdes percorreram Alfred de cima a baixo. E embora ele tivesse o corpo inteiro do outro ao seu dispor, Arthur tomou fôlego e voltou aos lábios dele. Havia algo estranhamente viciante naquilo.
Alfred sentou-se na cama, lento o suficiente para continuar beijando o loirinho em seu colo durante o processo. Seus dedos afundaram nos cabelos claros do outro, o beijo levemente mais desesperado na medida em que o ar ia acabando e eles se sentiam perto de sufocar. Arthur se afastou primeiro, com as faces avermelhadas e completamente sem fôlego.
– Camisinha.
Alfred se levantou e Arthur inclinou-se levemente, olhando o garoto andar de boxers pelo quarto. Ele gostava dos ombros largos de Alfred, realmente gostava. Das costas dele. Seu olhar baixou levemente e ele encarou o traseiro do outro. O garoto se virou a tempo de reparar o que Arthur estava olhando.
– Pervertido. – riu ele, voltando a se deitar sobre o britânico, que apenas sorriu de lado. Alfred voltou a morder o lábio inferior de Arthur, puxando a carne macia, que ficava cada vez mais avermelhada. Sua mão desceu e ele fechou os dedos sobre a ereção do loirinho, sentindo-a quente em sua mão. Apertou um pouco, ouvindo Arthur gemer um pouco mais alto.
– Ahn... A-Alfred. – Arthur fechou os olhos, sentindo a outra mão do garoto apertar a sua coxa e soltá-la. Logo, ouviu uma embalagem sendo aberta, e entreabriu seus olhos verdes a tempo de ver Alfred segurar uma de suas pernas pela coxa e abrir espaço.
– Hnn... – fechou os olhos assim que sentiu os dedos do garoto penetrando-o. Gemeu baixo conforme Alfred começou a movê-los. Ele estava ficando bom nisso.
Sentiu a respiração do garoto contra os seus lábios e puxou-o para um beijo, sentindo-o mover os dedos com mais pressa. Ele apenas parou quando sentiu Arthur gemer entre o beijo e se afastar, parecendo muito perto do orgasmo.
O loirinho ofegava um pouco, mas se levantou e alcançou uma camisinha ao seu lado, abrindo-a com os dentes, sem muita paciência. Colocou-a sobre a ereção de Alfred e despejou um pouco mais de lubrificante sobre ela, masturbando-o um pouco e vendo o garoto morder o lábio inferior a fim de conter um gemido. Arthur colocou as mãos sobre os ombros de Alfred e sentou lentamente sobre a ereção dele.
–A-ah! — os olhos claros de Arthur se fecharam com um pouco mais de força ao que ele gemeu baixo. Naquela posição o membro de Alfred o penetrava bem mais fundo. Arthur prendeu a respiração e soltou-a devagar, trêmula. O garoto beijou seu pescoço de leve, movendo os quadris instintivamente.
Arthur ergueu o próprio quadril e baixou-o, firme e com força. Ele se inclinou sobre o garoto, e seus lábios procuraram os dele. Alfred sentou-se na cama, devagar o suficiente para continuar beijando Arthur. O loirinho manteve o ritmo até sentir a ereção do garoto tocando-o onde ele realmente queria. Arthur involuntariamente gemeu e se afastou do beijo, fechando os olhos e sentindo as pernas estremecerem. Fracamente voltou a erguer o quadril e baixá-lo, gemendo baixo e segurando os ombros do garoto com força. Alfred o segurou pelos quadris, erguendo-o com facilidade e penetrando-o mais fundo. Arthur quase gritou com a sensação, deixando o garoto manuseá-lo em seu colo, ao que seu corpo não parecia muito propenso a lhe obedecer. Alfred começou a morder sua nuca, então a curva de seu pescoço, enquanto o penetrava, fundo, lentamente, com força, deliciosa força. Arthur fechou os olhos e gemeu com vontade, suas mãos sobre os ombros do garoto, fracamente entrelaçando os dedos nos cabelos suados de Alfred. Sua mente estava vaga, ele estava cansado por não ter dormido quase nada na noite passada, muito cansado, mas aquilo era bom, ele queria aquilo, ele desejava Alfred, ele precisava de mais.
O garoto afastou-se um pouco e cravou seus olhos azuis nos olhos verdes de Arthur, registrando os lábios avermelhados e entreabertos, a expressão de completo deleite no rosto do outro, a franja de cabelos loiros, que já colava à testa do loirinho. Alfred capturou os lábios dele em um beijo de língua longo e devoto, absolutamente devoto àquela pessoa em seus braços. Suas mãos apertaram os quadris dele e impuseram um ritmo mais rápido, mais forte, mais fundo. Arthur segurou os ombros do garoto com um pouco mais de força, fechando os olhos e gemendo.
Alfred... estava tão perto. A respiração quente dele tocava os seus lábios e, às vezes, o beijo escapava e pousava em sua bochecha. Era agradável. Alfred mordeu de leve seu lábio, antes de colocar a língua em sua boca. Era como se cada parte de si estivesse tão entrelaçada ao garoto que Arthur mal sabia onde Alfred começava e onde ele terminava. Podia sentir o garoto em si mesmo. Era como se distância nenhuma existisse. E era por isso que Arthur sentia que todos os seus sentimentos mais secretos pudessem tocar Alfred, como se pertencessem a ele também.
–A-Alfred... – murmurou Arthur, abraçando o garoto pelo pescoço e gemendo em sua nuca. Alfred estava penetrando-o tão rápido e com tanta... força. – Hnn... A-Alfred! Nã- ngh... – ele fechou os olhos, sentindo o garoto penetrá-lo de novo, as mãos dele apertando seus quadris. – A-Alfred... e-eu.... A-ah! – seus olhos verdes se entreabriram. Mas voltaram a se fechar enquanto Arthur estremeceu e gozou no colo do garoto. Ele foi tomado pela sensação familiar de alívio e deleite absoluto, incapaz de contê-la, deliciosa, incrível, mas... cansado, muito cansado. Registrou os dedos do garoto se fechando com força em seus quadris, então a sensação familiar do orgasmo dele. Houve um momento, que Arthur nunca saberia dizer se durou uma deliciosa eternidade ou um agoniante segundo. Então, sentiu um beijo. Ouviu de Alfred um sussurro, provavelmente, ‘eu te amo’.
Arthur sabia. Pelo jeito como ele sussurrava. Pelo beijo que ele sentiu em seu pescoço, então sua bochecha, e, finalmente, em seus lábios levemente trêmulos. Então, sentiu-se abraçado, envolvido por um calor aconchegante e conhecido. O abraço de Alfred era tão seguro. E ele estava com tanto sono...
– Arthur? – o garoto tocou de leve o ombro do outro, mas ele não respondeu. Ele então se afastou e olhou para o rosto de Arthur. Ele tinha simplesmente apagado. –Se estava cansado demais podia ter me dito. – murmurou ele, delicadamente deitando o loirinho na cama e se retirando de dentro dele.
Arthur apenas virou-se de lado, voltando para o meio da cama, e dormiu.
Alfred sorriu de leve e afastou a franja suada da frente do rosto de Arthur, beijando-lhe a testa e cobrindo-o com os lençóis. Espreguiçou-se e colocou uma calça, descendo para a cozinha. Um copo de água parecia uma ótima ideia.
Arthur permaneceu desmaiado na cama por duas horas seguidas. Apenas foi tirado de seu sono porque tinha a impressão de estar ouvindo algo importante. Aquilo... era um bebê. Havia um choro de criança. Arthur acordou imediatamente, num susto, colocando a roupa íntima e uma camisa que achou no chão, saindo do quarto. Idiota, idiota! Como ele podia ter simplesmente dormido? Há quanto tempo seu irmãozinho teria estado chorando? E se alguma coisa tivesse acontecido? Como ele podia ser tão idiota? Milhares de pensamentos percorreram sua mente alerta nos breves segundos em que ele correu pela casa.
Mas quando chegou ao quarto de Peter, ele encontrava-se seguro no colo de Alfred, que desajeitadamente conseguira convencer o bebê a aceitar a mamadeira. O garoto sorriu, seus olhos claros cintilando em uma felicidade muito tola e... paterna. Arthur parou por um minuto inteiro, sentindo-se estranhamente... tocado com aquilo. Alfred era tão grande, era estranho ver a delicadeza com que ele segurava o bebê contra seu peito largo. Era... incrível aquele garoto, tão novo e irresponsável, deixando Arthur na cama dormindo para cuidar de uma criança por ele. Arthur nunca teria esperado. Toda a sua apreensão e seu receio se esvaíram quando ele percebeu que podia contar com o outro, que seu irmãozinho tinha outra pessoa com quem contar. Arthur não podia negar que... Alfred conquistou-o mais um pouquinho naquela noite.
O garoto viu o loirinho, percebendo que ele usava apenas a roupa íntima e sua camisa social aberta. Os cabelos dele estavam ainda mais bagunçados, dando para perceber que ele levantara num susto. Mas os olhos verdes dele cintilavam quietamente com uma emoção muito terna que o garoto não soube nomear.
Em alguns minutos, o bebê pareceu se cansar da mamadeira, virando o rostinho e voltando a dormir contra o peito de Alfred.
– Eu consegui. – murmurou o garoto, sorrindo diante do próprio feito. Ele sempre tivera certo medo de fazer aquilo. Sei lá, e se o bebê engasgasse? E se ele deixasse Peter cair? Era uma criança tão pequena, dava medo que ela simplesmente se quebrasse.
– É. Você conseguiu. – murmurou Arthur de volta, um meio sorriso emocionado em seus lábios, ao que ele encostou-se na porta.
O sorriso de Alfred foi ainda maior e ainda mais feliz, se é que uma coisa assim era possível. A mamadeira foi deixada sobre a mesinha de cabeceira, ao que o garoto se aproximou de Arthur.
– O herói merece um beijo? – perguntou em um sussurro, tentando não acordar o pequeno em seu colo.
– Não. – murmurou Arthur, sorrindo divertido. Sua mão segurou o garoto pela nuca e o loirinho pressionou seus lábios contra os do outro.
Alfred sorriu e aceitou o prêmio. No entanto, afastou-se em alguns segundos, decidindo que era uma melhor ideia deixar o bebê no berço. Arthur seguiu-o, mantendo-se alguns passos atrás. Seu coração bateu com muita força quando ele viu o garoto depositar a criança de volta no berço com muito cuidado. E, sob a réstia de luz da lua que provinha da janela, Arthur percebeu que... tinha uma família.
Naquele dia, em um março que já se despedia, há tempos atrás, ele nunca teria imaginado antes, que aquele garoto com quem ele encontrara por acaso viria a ser tão importante. Bem, talvez não por acaso. Mas Arthur não sabia se tinha coragem de chamar de destino.
Alfred, completamente alheio ao que se passava na cabeça de Arthur, simplesmente virou-se e sorriu para ele. E, ah, se ele soubesse como aquilo mexeu com o coração de Arthur. O garoto meramente se aproximou e o abraçou. Inspirou o perfume dele e sentiu-se ficar cada vez mais calmo. Sorriu um pouco. Na verdade, estivera morrendo de nervoso quando estava cuidando de Peter. No entanto, estava muito feliz por tê-lo feito. Sentiu quando os braços de Arthur circundaram sua cintura e o loirinho o apertou contra si levemente.
Alfred suspirou e sorriu, contente. Houve um silêncio muito agradável por alguns minutos, mas o garoto pareceu se cansar dele mais rapidamente que Arthur.
– To com fome. – comentou ele.
Arthur riu contra o peito do garoto e se afastou.
– Já que insiste, eu vou fazer alguma coisa pra gente. – estava de bom humor e cozinhar era algo que ele gostava de fazer.
– Err...
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Trinta minutos depois havia alguma coisa disforme colocada caprichosamente em um prato à frente de Alfred (que não conseguira pensar em uma desculpa rápido o suficiente). Arthur assobiava, contente consigo mesmo. Alfred experimentou um pouco da massa disforme em seu prato.
Horrível... – pensou consigo mesmo, mas encheu outro garfo e continuou a comer.
– Eu aproveitei hoje e dei uma olhada em uns imóveis. – começou Arthur, destacando uma folha de seu caderno e passando-a ao garoto. – Eu anotei alguns que me pareceram bons, mas eu não sabia ao certo o que procurar... – continuou, sentando ao lado dele na mesa da cozinha e o observando ler o papel.
– Hmm... – Alfred pegou o lápis e brincou com ele entre seus dedos.
– Acho que dois quartos é o melhor. – começou ele finalmente, com uma expressão mais leve em suas feições. – O Peter vai precisar de um quarto só para ele em algum tempo mesmo. E eu e você ficamos com o outro quarto.
– Também acho. Podíamos até pensar em algum apartamento com um quarto só, mas acho que ia ficar apertado. E teríamos que nós mudar de novo assim que o Peter crescesse um pouco mais. – murmurou, desenhando uma estrela ao lado dos lugares que ele se interessara. — E eu realmente não gostaria de ficar me mudando tantas vezes. É um saco, nada fica no lugar, é ruim se adaptar a outra casa e é muito cansativo lidar com as caixas da mudança. – acrescentou o garoto.
– E eu gostaria de alguma privacidade também. – disse Arthur, debruçando na mesa e se espreguiçando.
– Pervertido. – sorriu o garoto, voltando a olhar o papel.
Arthur socou de leve o ombro dele, mas abandonou o assunto em favor de terminar de discutir tópicos mais importantes.
– Acho que apartamento vai ser melhor para gente. Casa térrea dá muito trabalho... E o aluguel...
– Eh? Mas aí como nós teríamos um cachorro?
– Cachorro? Ah, claro, e uma casinha de cerquinha branca, dois filhos. – ironizou Arthur, revirando os olhos.
– Era uma ideia. – riu o garoto, brincando com o lápis. – Hmm... sempre tinha pensado em ter um cachorro.
– Negativo. Só se fosse um pequeno e ainda assim seria complicado. Não tenho muita confiança em deixar um cachorro perto do Peter. Ele ainda é muito pequeno e o cachorro não estaria acostumado. Além do mais, eu já fico cansado o suficiente sem ter um bichinho de estimação para cuidar. – disse, inclinando a cabeça para o lado, ouvindo seu pescoço estalar de leve.
– Bem, isso é verdade. – suspirou o garoto. Realmente, estava em tal nível de cansaço que só de imaginar o trabalho ele mesmo já não gostava da ideia. — Certo. – concordou o garoto, voltando à lista. – Hm... Acho que esses quatro aqui podem dar certo. Esse último nem tanto, mas talvez não custe olhar. Esses outros dois ficam em lugares bons para gente também. Precisamos ver se dá para negociar o preço...
– É verdade... – Arthur parou por um momento, tentando calcular. – Eu tenho algum dinheiro guardado. É uma quantia até boa, mas talvez fosse bom deixar para uma emergência e só usarmos quando realmente não conseguirmos fechar as contas do mês. Somando com o que a gente conseguir por essa casa e com o que o Scott manda para ajudar, a gente deve conseguir ir levando. Talvez eu consiga uma monitoria ou uma bolsa para ajudar... e não demora muito até eu me formar e arranjar um emprego que pague um pouco melhor. – murmurou ele. Arthur calou-se por alguns instantes, até respirar fundo e sorrir de leve. — eu vou dar uma olhada assim que terminar minhas provas na faculdade. Acho que dá para agilizar um pouco. Assim que sobrarem uns dois, acho que seria bom você ir comigo dar uma olhada. – continuou o loirinho, voltando a pegar a folha e olhando os lugares que o garoto marcou.
Alfred tomou a mão de Arthur e entrelaçou os dedos. O loirinho sentiu o rosto esquentar um pouco, mas não se afastou. Os dois continuaram a comentar várias coisas sobre a casa nova e sobre o que fariam dali em diante.
Era estranho. Era muito estranho, mas... Os dois estavam, aos poucos, deixando de pensar enquanto ‘eu’ e se preocupando com o ‘nós’. O que ‘nós’ vamos fazer, onde ‘nós’ vamos morar. Aos poucos, estavam entendendo o que significava construir uma vida juntos.
Arthur apertou um pouco mais a mão do garoto na sua e o olhou longamente. Ele... estava sorrindo. Alfred tinha um sorriso muito bonito. A felicidade era estranhamente adorável sobre as feições dele. Aqueles olhos claros se voltaram em sua direção e os lábios do garoto desenhavam uma porção de palavras, mas, por um momento, Arthur não ouviu nenhuma delas.
Precisava... falar com os pais de Alfred. Tinha decidido isso, mas... o que Alfred faria quando soubesse? Seria... muito cedo ainda para ele se reencontrar com os pais? Será que Alfred não seria mais feliz se nunca mais os visse? Arthur não podia deixar de se perguntar. Não era mesmo possível proteger aquela pessoa? Se Alfred nunca mais encontrasse seus pais, talvez... ele não sofresse? Se Arthur pudesse escondê-lo de tudo... seria possível evitar que aquele sorriso desaparecesse?
O loirinho se inclinou e calou o que quer que o garoto estivesse falando ao encostar seus lábios aos dele.
– O que foi? – perguntou ele, aquelas lentes muito azuis observando-o curiosamente.
– Nada...
Era impossível escondê-lo do mundo. Arthur... não tinha o destino em suas mãos. Ele não podia evitar o sofrimento de ninguém. Houve silêncio por vários minutos, até Arthur tomar coragem para começar um assunto que... de verdade, ele gostaria de evitar.
O garoto disse qualquer coisa que Arthur não ouviu, e se levantou, pegando uma caneca e começando a esquentar um pouco de água.
– Hm... Alfred? – começou Arthur, ainda sem muita certeza de que gostaria de começar aquele assunto.
– Que?
– Você... tem tido notícias dos seus pais?
Alfred imediatamente parou o que fazia. Arthur podia ver como o corpo dele imediatamente ficou tenso à mera menção dos pais. Por alguns segundos, o garoto nem respirou. Até que ele suspirou e voltou a fazer o café, ainda absolutamente quieto.
– Alfred? – perguntou Arthur, depois de minutos de silêncio.
O garoto virou-se para ele, com um sorriso que enganaria qualquer pessoa que não fosse Arthur. Ele encostou-se ao balcão da pia e tomou um pouco da sua caneca de café.
– Eu não tenho pais. – e deu um meio sorriso que quase partiu o coração de Arthur. Incapaz de sustentar o olhar por mais tempo, o garoto baixou seus olhos muito azuis e não o encarou.
– Alfred, isso não é verdade.
– Foi o que disseram quando me chutaram de lá. – cortou o garoto, um tanto friamente.
– Alfred...
– Arthur. – interrompeu ele, começando a ficar nervoso. — Eu não quero falar sobre eles. – disse o garoto antes que o outro pudesse dizer qualquer coisa. — Na verdade, sinceramente? – a voz de Alfred baixou e ele parecia que ia chorar. De repente, Arthur se lembrou que ele não era muito mais que uma criança, que acabara de terminar o colégio. Ele... deveria estar na faculdade. Devia estar correndo atrás dos próprios sonhos ingenuamente. Devia estar saindo com os amigos, não cuidando de uma criança em casa. Não devia.... dizer o que ele estava dizendo. — Eu não quero ver nenhum deles nunca mais.
A cozinha permaneceu em silêncio. Tudo o que Arthur queria dizer permaneceu entalado em sua garganta. Podia argumentar o que quisesse, mas inevitavelmente magoaria o garoto. Mas... se não dissesse... Era justo Alfred continuar com aquela vida? Fazendo um trabalho que detestava, ganhando qualquer coisa que mal dava para metade do mês? Claro, tinha a ajuda de Scott e o dinheiro que eles tinham guardado. Mas isso era o suficiente apenas para as despesas atuais. E a faculdade de Alfred? Arthur ainda não tinha desistido. Mesmo que Alfred tivesse, ele não podia desistir. Não quando sabia o quanto aquilo significava para o outro. Arthur cravou seus olhos muito verdes no rosto do garoto, mas ele não olhou de volta.
Arthur... tinha a impressão de que, talvez... talvez, se ele pedisse ajuda aos pais de Alfred sem o consentimento dele...
Talvez Alfred nunca mais o perdoasse.
E se ele precisasse escolher entre a própria felicidade e a de Alfred? E se não fosse possível ter as duas coisas ao mesmo tempo?
Arthur se calou. Estava com medo de ter de decidir. Estava com medo de que Alfred precisasse sofrer, independente do que ele escolhesse fazer.
.
– Como?
– Festa junina! Você vai gostar, confie em mim! – disse Luciano, parte de sua frase abafada enquanto ele recolocava o casaco sobre a camiseta que usava. Tirara assim que chegara à casa de Afonso, uma vez que o ambiente interno estava um pouco quente. – E se eu fosse você, colocava um casaco também, faz frio nessas festas. – continuou ele, pegando as chaves do carro e a carteira.
O lusitano bufou um pouco, mas pegou um casaco e o seguiu. Seus planos para o sábado à noite incluíam ficar na cama lendo seus livros ou apreciando a paisagem da janela. Sair não era exatamente o que ele tinha em mente, mesmo que fosse para a tal festa que Luciano queria ir. Sair significava ir lá fora e lá fora tinha muita gente e pouca poesia.
No entanto, teria de dar o braço a torcer daquela vez. Estava uma noite muito agradável. A viagem de carro foi curta, até uma pequena igrejinha. Ao longe, era possível ver uma miríade de linhas, onde se penduravam bandeirinhas coloridas, que pareciam quase sorrir com o vento que dançava com elas. Os olhos verdes do mais velho fitaram acima e em redor em um fascínio quase infantil. Havia música e pessoas, mas era um clima estranhamente... reconfortante. Não eram pessoas demais a ponto de ficar desconfortável, nem de menos a ponto de parecer solitário. Era... simples. Era o suficiente. O ar era permeado pelo aroma de vários doces diferentes, que o rapaz ao seu lado facilmente identificara como bolos de milho e vinho quente com canela. Era... adorável.
– Eu sabia que ia gostar. – riu o mais alto.
– Eu quero um doce. Vai lá comprar pra mim. – resmungou o professor ao ser pego parecendo tão deslumbrado, corando até a pontinhas das orelhas.
O rapaz ao seu lado sorriu, soltou a sua mão e foi. Às vezes... o lusitano se perguntava porque aquela pessoa sempre fazia tudo para agradá-lo. E porque isso despertava seu lado mais mimado. O que... Luciano poderia ter visto em uma pessoa assim?
Logo, ele voltara para o seu lado, trazendo um potinho de curau polvilhado com canela. Não sem antes passar pelas pessoas e atrair olhares e pequenos risinhos envergonhados de garotas mais jovens. Afonso resmungou um pouco e se recusou a admitir que o sentimento escaldante que trancara sua garganta fossem ciúmes. Sabia que Luciano era bonito. Era... um tanto óbvio que as pessoas olhassem.
Mas o rapaz não olhara para nenhuma delas. Seu estudante, que ia se formar naquele ano mesmo, olhou apenas para o professor de literatura, tomando sua mão e arrastando-o para outro lugar.
– Luciano! – reclamou ele, correndo atrás do outro, ofegando um pouco, o vento frio invadindo seus pulmões.
Mas o rapaz só parou assim que chegaram a um canto mais vazio, onde ainda havia música, mas não pessoas. Os olhos dele, de cor de maneira muito nobre, com um leve fundo esverdeado, cintilavam em uma alegria muito sincera.
– Dança comigo! – disse ele finalmente, sorrindo.
– N-não! – respondeu o outro imediatamente, suas faces queimando em embaraço. – Estamos em público! – murmurou, mas o rapaz se aproximou mesmo assim. -
E o sorriso dele parecia tão feliz. Ele sorria tanto, tão verdadeiramente alegre, que não havia como recusar. Sua mão foi tomada e sua cintura, enlaçada. A música continuava e o sorriso daquele menino não sumiu uma única vez enquanto ele cantava a música, olhando para o seu par, contente, absolutamente contente..
–Tô numa boa, Tô ficando esperto. Já não pergunto se isso tudo é certo. Uso esse tempo pra recomeçar... Aah Aha – cantarolou, e, então, ele riu, uma risada franca e aberta, um pouco baixa.
– Idiota. – murmurou, mas um meio sorriso o traía.
– Eu também te amo. – o sorriso do outro não foi pela metade, mas inteiro, de ponta a ponta.
Toda mágoa que passei
É motivo pra comemorar
Pois se não sofresse assim
Não tinha razões pra cantar
Olhou para cima e encontrou o sorriso franco do outro. O que... aquele menino estava pensando? Era realmente a cara dele pensar algo assim. Mas... Que pessoa era aquela, que era tão alegre, mas também tão triste?
Luciano continuou a conduzir, a mão dele embaraçosamente na sua. O lusitano sentiu as faces esquentarem. Mesmo que eles estivessem um tanto afastados dos demais, ainda ficava um pouco sem jeito.
Ha ha ha ha ha
Mas eu tô rindo à toa
Não que a vida
Esteja assim tão boa
Mas um sorriso ajuda a melhorar
Aah Aha
O sorriso dele foi gentil e o olhar dele se tornou tão terno que o lusitano sentiu que quase podia chorar.
E cantando assim
Parece que o tempo voa
Quanto mais triste
Mais bonito soa
Eu agradeço por poder cantar
Então, ele apoiou a cabeça no ombro de Luciano, escondendo-se do olhar dele.
Sua poesia o havia traído. Não houvera, como nos versos, aquele único momento que o fizera amar aquela pessoa. Era... tudo. Eram todos os dias. Era o café da manhã apressado dos dias de semana, e o preguiçoso dos domingos. Era... aquela música. Era o chocolate quente que eles dividiram naquela festa. O perfume dele em meio àquela profusão de cores e aromas de doces que Afonso nunca provara.
O seu amor não parecia muito com poesia. Estava muito mais para um longo e agradável conto, que se estendia por páginas e páginas e acabava por se tornar parte da vida de quem lia. Um conto capaz de tirar um sorriso de alguém em um dia triste.
Era possível... que um dia ele se esquecesse de uma história assim?
E se tudo que eles passaram anos construindo juntos... pudesse se acabar em uma curva em alta velocidade na estrada?
Nesse momento, Luciano teve sua narrativa. Um par de olhos verde-escuros o fitava curiosamente.
– Mas... o que aconteceu? – disse, e a voz dele ainda despertava sentimentos que o rapaz tentara desesperadamente enterrar. – Eles ficaram juntos?
– Pois sejamos felizes de uma vez, antes que você peque em si, morto de esperar, e vá espairecer em outra parte. ¹ – suspirou o narrador, exasperado. — Casaram-se. Na verdade, foram morar juntos, mas o jovem herói dessa historia tinha certas ideias românticas e gostava de chamar aquilo de casamento. Embora nunca tivesse havido um pedido. Talvez ele nunca tenha sido amado de volta. Isso nunca saberemos.
– Eu acho que ele era amado. – interrompeu o seu ouvinte, uma de suas mãos apoiando o queixo e sua franja caindo displicentemente sobre seus olhos verdes.
O rapaz desviou o olhar. Por favor, não fala assim. Eu posso achar que tenho chances...
– Mas e ai? O que aconteceu depois? – insistiu o mais baixo, seus olhos cintilando brevemente. Era verdade... Afonso adorava histórias.
– Você é bem impaciente para alguém que leu os lusíadas inteiro. – disse o outro, sorrindo de lado.
Para a sua surpresa, o outro franziu o cenho e mordeu o lábio inferior.
– Estranho. – murmurou ele.
– O que?
– Nada. Só... tive a impressão de que alguém já me disse isso. – disse ele, dando de ombros.
O rapaz sentiu a garganta trancar. Ele tinha dito aquilo há alguns meses atrás. Seu coração batia com força contra o seu peito.
Não me dê esperanças.
Sua garganta estava trancada. Não tinha pensado naquilo quando começara a contar aquela história. Ele só começara... porque não aguentaria carregar o peso daquelas lembranças sozinho. Porque queria que o outro soubesse o que tinha acontecido, mesmo que não soubesse que tudo aquilo era parte de seu próprio passado. Mesmo que o outro achasse que era só uma mentira... Era melhor do que se ele nunca soubesse.
Mas Luciano tinha se esquecido de que... acabaria chegando à parte do acidente. A parte em que... Afonso se esquecera dele, e apenas dele. E... ele não queria falar sobre aquilo. Não queria reviver aquele dia por meio das palavras. Não queria sequer... pensar sobre aquilo. Não sabia se... queria sentir mais dor.
Lembrou-se de algo que Afonso lhe dissera há alguns anos atrás. Ele lhe dissera... que a dor não era simplesmente ruim. A palavra “castigo” tinha suas origens em “casto”. Quando as bruxas eram queimadas na idade média, a gordura escorria por sobre a pedra, e a chuva, levemente ácida, fazia com que uma reação acontecesse. A reação da formação do sabão. Por isso, a pedra, sobre onde aquelas mulheres morriam, ficava sempre muito limpa depois de uma execução. E atribuía-se aquilo à dor. Acreditava-se que a dor purificava as pessoas. E talvez, fosse verdade. Talvez o sofrimento tornasse as pessoas melhores.
Mas... algumas vezes, as pessoas tinham medo de sofrer.
Notas finais
A minha previsão é de que no máximo no capítulo 40 essa fic termine... Espero que vocês tenham paciência para continuar a ler. xD Escrever aqui me deixa feliz...
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¹ - trecho presente em Dom Casmurro, que nem preciso dizer, é do Machado de Assis.
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Ahh, a música não me pertence também! Ouvi tocando em uma festa junina e imaginei essa cena... É do Falamansa, se não estou enganada...
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O título do capítulo também é titulo de um dos episódios de Trigun! Não me pertence, infelizmente e obviamente. Mas enquanto estive escrevendo, me lembrei do nome desse episódio...
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Muitos, muitos beijos e agradecimentos a: Ju, Punk Hell, Jashi, Izzi, Tiia, Shin, ThegleameyesGin ( bem vindaaa! :D Nunca imaginei que ainda haveriam almas corajosas que começariam a ler isso à essa altura xD), Catherine, Yuki e Luby Blue ( outra alma de bravura!) Muito obrigada mesmo meeeesmo a todos que estão lendo. Aos antigos agradeço muito a paciência e por nunca terem me abandonado aqui falando sozinha xD E aos novos, agradeço muito por terem dado uma oportunidade a essa história mesmo ela já estando tão grande (sempre achei que o número de palavras assustaria qualquer um que pensasse em começar a ler agora xD) Muito obrigada mesmo mesmo por tudo, vocês fazem isso valer a pena ;-; Irei imediatamente responder seus amáveis reviews! Muito obrigada mesmo! Beijo beijo!
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