Boulevard Of Broken Dreams

34 Capítulo 34 - A alma é cheia de mistérios


Notas iniciais
Bem, primeiramente peço milhões de desculpas u.u demorei muito mesmo u.u Bem, é que essa pessoa aqui que vos fala estava com uns problemas em casa e tudo. Ahh enfim, história comprida. Estavam brigando bastante comigo por uma série de razões ( e eu precisar passar no vestibular e ainda não ter passado não ajuda a situação) e ainda tive uns problemas na minha vida amorosa e não estava conseguindo escrever as cenas a seguir. Metade está escrito há sééculos e eu ainda retoquei esses dias. Mas a parte do meio demorou a sair. Especialmente os side pairings. Mas enfim, peço muitas desculpas. Saibam que não foi negligência xD.
Agradeço muito, muito mesmo pela paciência. Beijo beijo, vamos ao capítulo, depois eu falo mais xD

O dia amanheceu e a luz pálida do sol retirou Arthur de seu sono. Ele piscou algumas vezes e encarou o quarto. Mesmo que sua cabeça doesse de tanto que ele havia chorado, Arthur não... conseguia acreditar. Ele ainda não... tinha como entender que perdera Elizabeth. Era como se ele tivesse tido um pesadelo, não como se aquilo tivesse acontecido. O loirinho fechou os olhos e deixou que algumas lágrimas descessem em silêncio.

O dia já tinha amanhecido, mas Arthur nunca acordou daquele pesadelo.

No fundo, talvez o ser humano não soubesse entender direito a ausência. Assim como era difícil olhar o céu e imaginar que havia uma imensa extensão de nada entre os limites da Terra e a lua. Era estranho imaginar... o nada. Era difícil entender a ausência. Era difícil aceitar algo que não se pode entender.

Alfred acordara e o encontrara olhando vagamente para frente. Tentou chamá-lo algumas vezes, mas Arthur parecia... perdido. Assim que ambos já tinham se arrumado e estavam prestes a sair para o enterro, ele o chamou, baixo.

– Alfred, eu não... eu não posso levar o Peter para um lugar daqueles. Eu... – o loirinho hesitou e sua voz estava um tanto fraca de tanto que ele chorara na noite passada. Scott viera buscá-lo para irem juntos ao enterro, mas Arthur já não sabia se ia. Na verdade, não sabia se... sentia-se pronto. Ele... não queria ver. Ao mesmo tempo, queria ir e ver sua mãe uma última vez. Mas... Ele não ia levar um bebê daquela idade para um cemitério. Não para o enterro da mãe desse bebê.

Arthur era muito jovem ainda. A morte ainda lhe era muito assustadora.

– Eu acho que é melhor você ir, Arthur. – murmurou Alfred seriamente. Por um momento, ele observou o rapaz à sua frente. Arthur estava com um terno preto sóbrio e simples, e seus olhos estavam um tanto vermelhos de chorar. – Eu fico com o Peter. Senão... – respirou fundo e desviou o olhar. – Senão eu acho que você vai acabar se arrependendo depois... de não ter ido.

Arthur pareceu surpreso por um momento. Era sempre estranho quando Alfred ficava tão sério. No entanto, ele tinha razão. Ele conhecia Arthur. E sabia que ele se arrependeria.

Ouviram Scott buzinar do lado de fora. Eles se entreolharam por um momento, até Arthur assentir brevemente e sair em silêncio. Ele... não sabia o que dizer. Não sabia o que pensar. Ele estava perdido, tentando achar uma saída para aquela realidade, para aquele dia tão triste.

Alfred respirou fundo e sentou-se, escondendo o rosto com as mãos. Sentia-se mal por deixar Arthur sozinho. Não podia sequer imaginar o que estava se passando pela cabeça dele. Sabia o quanto Elizabeth significava na vida de Arthur. Sabia que tudo seria diferente agora. Mas... não sabia dizer como Arthur iria lidar com aquela dor. Não sabia alcançá-lo quando ele parecia assim tão triste.

O garoto suspirou e levantou-se, indo em direção ao quarto. Abandonou a parte de cima do terno sobre uma cadeira e sentou-se na cama. Inclinou-se um pouco e olhou a criança deitada no berço.

O que ele estava fazendo? Por que ele tinha se envolvido? Pior... por que ele não conseguia se arrepender? Não importasse o quanto alguém olhasse aquela situação, encontraria milhares de razões para arrependimento. Mas Alfred, não. Seu indicador cutucou a bochechinha do bebe, que riu dormindo. Ele nunca tinha pensado que sua vida daria uma volta dessas. Ele nunca teria pensado no quanto tudo seria diferente desde que ele pusera os olhos em Arthur. Ele nunca teria imaginado o quanto Arthur se tornaria especial. O quanto o sorriso dele não passaria a significar. O quanto Alfred estaria disposto a fazer por ele.

As horas se arrastaram e o garoto procurou se distrair. O dia foi um borrão sem graça e silencioso, que enfrentou sem dizer coisa alguma. Já tinha anoitecido quando Alfred ouviu um clique muito suave de maçaneta abrindo, vindo da sala, seguido de uma porta sendo lentamente fechada.

– Arthur?

Arthur veio na direção de sua voz, andando. Ele ainda estava de terno, e andava devagar, com os olhos vazios e parecendo incrivelmente cansado. Alfred foi até o loirinho, que simplesmente apoiou a cabeça sobre o ombro do garoto, deixando que ele o abraçasse. O silêncio se arrastou por muitos minutos até que Arthur encontrasse voz para falar.

– Alfred... eu.... encontrei minha tia. – murmurou ele, em um fiozinho de voz. – Ela... ela me contou ... – seu tom de voz era quase... ausente. Como se... como se ele já não pudesse mais entender. O olhar claro dele se ergueu minimamente e ele fitou o garoto. – Alfred... eu... fui eu que... causei a discussão. – sua voz quase sumiu e seu olhar estremeceu.

– Shh... Arthur, não é culpa sua. — Alfred pousou uma mão sobre o cabelo do loirinho, seus dedos brincando com os fios, silenciosamente. Arthur nem se moveu, cansado demais, triste demais para qualquer coisa. Simplesmente pousou a testa sobre o ombro do garoto, tentando achar algum rumo.

Não conseguia acreditar nas palavras de Alfred.

Sabia que o garoto era bom demais para dizer a verdade sobre aquilo. Claro que... a culpa era sua. Se ao menos ele causasse menos problemas... Ou se ao menos ele fosse menos egoísta. Porque ele nunca... nem percebera que estava causando problemas. Nunca nem lhe passara pela cabeça que... que uma escolha sua pudesse...

Era culpa sua. Os parentes dela tinham razão quando lhe disseram aquilo. Scott... Scott o defendera porque ele também nunca admitiria a verdade. Nunca admitiria que... que fora Arthur.

Sentiu- se vazio. Realmente, sem nada. Aquele era o pior dia da sua vida, mas ele não conseguia esboçar nenhuma reação. A única coisa que realmente passou pela sua cabeça durante o enterro, quando a dor era surreal demais para suportar, foi que ele precisava voltar para casa. Alfred estava esperando. Arthur... precisava voltar. E quando ele chegou em casa, seus pés se moveram sozinhos e ele procurou o garoto. Em algum lugar de sua mente muito confusa, ele sabia que era lá que ele queria estar. Na verdade... era lá que ele precisava estar. Ele precisava de Alfred. Precisava muito dele.

Suas mãos agarraram a frente da camiseta de Alfred, em um pedido mudo e inconsciente de que ele não fosse embora. Tanta coisa se passava pela cabeça de Arthur, que ele não conseguia terminar um único pensamento coerente. Fora tão... repentino. Estava tudo um caos e ele se sentia oco. Ele teve a breve impressão de que teria enlouquecido se Alfred não tivesse quebrado o silêncio.

– Arthur? – não foi muito, mas era a voz do garoto. Ele ainda estava ali. Ele ainda não tinha ido embora... Ele estava ali, ele estava vivo, ele não estava indo embora... Ele não ia deixá-lo também. – Arthur? – repetiu o garoto, preocupado com a falta de resposta, erguendo o rosto do loirinho pelo queixo. – Hey... – seu coração apertou quando ele percebeu o olhar despedaçado do outro. Era como se a alma de Arthur tivesse quebrado. Seus lábios depositaram um beijo silencioso sobre o topo da cabeça de Arthur. – Hey... Você se saiu bem, Arthur. – murmurou ele, segurando o rosto de Arthur entre as mãos e olhando nos olhos dele. — Acabou.

Arthur nunca iria entender como Alfred fazia tudo errado, mas parecia sempre saber o que dizer quando Arthur realmente precisava. Foi tão estranho... Ao ouvir o pequeno murmúrio de “acabou”, Arthur sentiu-se... livre de alguma obrigação invisível que ele não tinha percebido até o momento. E, livre daquilo, o vazio horrível desapareceu, e seu peito doeu. Doeu de verdade, machucou-o como ele nunca poderia imaginar. Então, Arthur chorou. Chorou de soluçar, até ter colocado tudo o que podia para fora. Aquele dia fora horrível e Arthur sabia que nunca se esqueceria dele. Mas... ele também nunca se esqueceria de que ele não estivera sozinho. Alfred o abraçou apertado, e Arthur não teria se importado mesmo se o abraço dele o tivesse partido ao meio.

Porque Alfred abraçava de um jeito só dele. Como se Arthur fosse uma coisa muito importante, como se ele fosse alguém que podia ser amado. Como se, apertando-o em seus braços, ele pudesse juntar os pedacinhos do coração de Arthur, que parecia ter se partido naquele dia.

Nos primeiros dias foi particularmente difícil. Ele simplesmente não falava. Alfred tentava iniciar uma conversa, mas logo o olhar do loirinho se perdia e ele se tornava introspectivo. Então, quando finalmente voltava sua atenção ao garoto, olhava-o e pedia desculpas. Então voltava a se calar. Às vezes, ele abraçaria Alfred pelos corredores, sem motivo.

Naqueles primeiros dias, Scott e Alfred tentaram continuar levando as coisas, tentando cuidar de Peter, embora os dois absolutamente não levassem o mínimo jeito. Houve muita discussão, leite na temperatura errada, banheiro alagado na tentativa de banhos na criança, um caos. No segundo dia, Arthur, ainda calado e recluso, no meio de uma discussão entre Alfred e Scott, sentou ao lado do berço de Peter, sem uma única palavra e assumiu a responsabilidade. Nos dias que se seguiram, ele não foi à faculdade e permaneceu ao lado do irmão mais novo.

Por um mês, Arthur parecia... ausente de tudo. Não contara a ninguém a culpa que o corroía e condenava. Ele não falava muito, não comia direito, não dormia bem. Ficava calado, sério, sempre com o olhar longe.

Brittania sempre vinha visitá-lo durante a noite. E, naqueles dias, foi necessário como talvez nunca tivesse sido.

.

O anjo passou ao lado do berço, que ficava próximo à janela, perto do lado de Arthur na cama. Ouviu um choro baixo começar, e se inclinou imediatamente para olhar.

– Olá... – disse o anjo, inclinando-se e tocando de leve a mãozinha da criança.

Olhos muito azuis o fitaram, então uma risada que lembrava sininhos tilintou baixo pelo quarto. Para a criança, pareceu-lhe meramente que seu irmão resolvera brincar consigo. Embora Arthur estivesse diferente do usual. Havia uma tênue luz dourada em torno de seus cabelos claros e havia uma aura de muita tranquilidade e placidez. Peter ficou brincando de tentar pegar a mão do anjo, rindo conforme ele ora se desviava, ora deixava.

Outro anjo inclinou-se e entrou no campo visual da criança. Brittania acenou levemente com a cabeça, ao que o anjo da guarda do menino sorriu.

Sabia que o anjo da guarda continuaria o tempo todo com Peter até que ele estivesse mais crescido. Então, suas visitas a esse plano se tornariam regulares e diárias, mas não mais o tempo inteiro. Brittania beijou de leve a bochechinha da criança, que voltou a rir. Então, afastou-se do berço, deixando o anjo da guarda continuar a distrair Peter até ele dormir.

Andou até o próprio protegido, beijando a testa de Arthur e segurando sua mão levemente. O loirinho dormia com Alfred abraçando-o por trás, os braços em torno da cintura do outro. A expressão de Arthur tornou-se mais suave com a presença do anjo, que permaneceu ao seu lado. A expressão do anjo demonstrava muita dor enquanto ele se permitia carregar os sentimentos negativos de Arthur. Ele permaneceu ali longos e longos minutos, até o protegido estar melhor. Seria bom se ele pudesse fazer isso mais vezes, facilitaria tanto o fardo que Arthur precisava carregar...

Mas Arthur nunca o chamava. Ele nunca pedia ajuda. Apenas enquanto dormia, existia aquele consentimento, e apenas naquele momento o anjo podia tocá-lo.

Mas era difícil. Os sentimentos confusos e negativos de Arthur doíam em sua própria essência. Seus dedos pálidos entrelaçaram silenciosamente nos do protegido e o anjo suspirou. Ele conhecia aquela pessoa. Há tanto, tanto tempo. Então ele sabia do quanto aquela pessoa era capaz.

Era só preciso que Arthur soubesse.


Arthur piscou algumas vezes, confuso. Estava escuro. Ele olhou em volta, mas ali não era o seu quarto. Viu um grande portão de ferro e, alguns metros à frente, uma construção meio antiga de um colégio interno. Alguns flocos de neve começaram a cair gentilmente pela noite fria, gradualmente caindo em maior quantidade. Parecia ser tarde. Estava tudo muito, muito quieto.



No entanto, o silêncio foi quebrado assim que o um menininho passou correndo ao seu lado.



– Até amanhã, Arthur!



O menininho virou-se e acenou para um pontinho de luz violeta perto de algumas árvores do jardim.



Arthur conhecia aquele jardim. Conhecia aquele lugar.



Seus olhos verdes fitaram a criança, mas ela não o viu. Continuou andando em direção à entrada do orfanato. Arthur engoliu em seco e o seguiu. Por que ele estava sonhando com aquilo agora? Ele... sabia o que ia acontecer. Ele não...


Exatamente como ele se lembrava, viu-se sendo trancado do lado de fora. Ouviu-se batendo contra a porta e gritando. Mas... era muito tarde. As paredes eram muito grossas. Ou talvez fosse a sua voz, que tremia tanto que mal era audível. O fato era que a porta não se abrira. Seu pequeno eu se abaixara e começara a estremecer diante do frio. A respiração tênue e aquecida condensava em uma pequena nuvenzinha à frente dos lábios pálidos. A neve começou a acumular sobre o cabelo claro da criança e o vento gelado rapidamente tornou suas bochechas muito vermelhas. Arthur teve a impressão de ter visto alguém ao seu lado, mas... não se lembrava de nada assim. Mesmo que as asas do seu anjo estivessem abertas sobre si naquela noite, ele não se lembrava. Só lembrava daquele frio absurdo e de que estava com medo.

Olhando bem para si mesmo... Arthur não pôde deixar de reparar em como ele era... pequeno. Muito pequeno. Talvez em parte por ele estar encolhido em sua blusa de frio, talvez porque aquilo fora há muitos anos atrás. Mas Arthur não conseguia tirar aquela impressão de sua cabeça. Ele era... tão pequeno. E, naquela época, ele estivera tão sozinho. Ainda não tinha Elizabeth, ainda não havia Alfred, ele e Scott estavam brigados, não havia... ninguém. Naquela noite, não houvera ninguém.

A criança à sua frente perdeu a consciência. O corpo pequeno cedeu e as faces vermelhas encontraram o chão quase congelado abaixo de si.

Tudo escureceu nas lembranças de Arthur e ele se viu acordando na enfermaria.

Seu pequeno eu olhou a senhora que entrava no quarto. Um Arthur muito mais velho seguiu o olhar do menino e encontrou Elizabeth. Ela passou ao seu lado, mas não o viu. A senhora começou a falar com o seu eu febril deitado na cama. A voz dela... realmente não mudara nada. Arthur segurou a vontade de chorar. Viu quando o menino começou a chorar no colo dela e, por um momento, Arthur sentiu que daria qualquer coisa para estar no lugar dele. A senhora o abraçou e disse palavras gentis, consolando a criança que se revirava em febre sobre a cama. Estranhamente, ela parecia tão... feliz.

A realização o atingiu subitamente e ele sentiu-se tolo por só perceber aquilo naquele momento. Elizabeth... era feliz com a família que tinha. Ela... o amara desde o começo. E... nunca deixara de amá-lo, nem por um segundo depois daquilo. Mesmo Arthur sendo... exatamente do jeito que era.

Elizabeth voltou a passar ao seu lado assim que saiu do quarto. Seu filho a olhou se distanciar. Arthur não tirou os olhos dela sequer por um momento. Porque ainda era difícil admitir que a imagem dela era apenas uma lembrança. Era difícil admitir que uma pessoa como ela... era apenas uma memória agora. Arthur olhou novamente para a criança.

Tão pequena. E tão sozinha. Arthur já tinha se esquecido como era aquilo. Depois daquele dia, ele não fora mais tão sozinho. Ele ganhara uma família e... alguns anos depois, viria Alfred. Arthur nem mais podia se lembrar como ele vivera antes daquelas pessoas na sua vida. Ele já não podia se lembrar como... ele suportara aqueles dias da sua infância.

– Não é incrível como você conseguia suportar tudo isso mesmo quando não tinha ninguém?

Arthur olhou na direção da voz. O menino na cama olhou-o diretamente, pela primeira vez parecendo vê-lo. Arthur viu seus próprios olhos esverdeados olhando de volta.

Não... aquele menino não era tão pequeno assim. Ele era... em muitos aspectos, mais forte que o Arthur de agora.

Mas talvez... Talvez Arthur ainda carregasse aquele menino no coração.


Arthur acordou e se deparou com o próprio quarto, fracamente iluminado pela luz da manhã. Passara-se pouco mais de um mês desde a morte de sua mãe. Quietamente, ele sentou-se na cama. Observou os pálidos raios de sol iluminando suas mãos. Então fechou os olhos e respirou fundo. Peter precisava de si agora mais do que nunca. Alfred não merecia aquilo. Scott estava preocupado. Sua mãe não ia voltar.



Baixou a cabeça e respirou fundo de novo. Elizabeth não o criara para ser um covarde. Ele não podia continuar daquele jeito. Ele não era mais criança e era hora de parar de agir como uma.



No entanto, o sonho daquela noite veio à sua lembrança. Talvez... fosse o contrário. Talvez ele precisasse se lembrar de como era quando criança. Talvez aquele menino que conseguia superar os dias sozinho ainda estivesse consigo. Talvez fosse possível trazer de volta um pouco da coragem que ele tinha, um pouco de esperança que ele cultivava, em uma época em que ele ainda não duvidava tanto do mundo. Era verdade que ele tinha medo de escuro e tempestades quando ele era criança. Mas... ele não tinha medo de... continuar vivendo. Porque, por um momento, Arthur talvez tivesse começado a temer a vida em si. Porque ele sabia que se machucaria, inevitavelmente. Sabia que se corria o risco de chorar quando se deixava cativar por alguém. Sabia que... às vezes as coisas não saem como se espera. Que sonhos não aconteciam simplesmente por se acreditar neles.



Então, ele tinha medo. Medo de seguir adiante e continuar vivendo. Medo de virar aquela página na sua vida. Porque ele não sabia o que faria. Não sabia o que aconteceria se ele começasse de novo. Mas... ele precisava fazer isso. Precisava começar de novo, nem que fosse apenas pelas pessoas que ele amava. Mesmo que ele não soubesse como conseguiria viver com aquela culpa.



Abriu os olhos novamente. Havia uma réstia de determinação crua em seus olhos verdes. Continuou sentado ali, pensando no que fazer dali em diante. Por quase duas horas, ele permaneceu ali, em silêncio, pensando.



O despertador tocou ao lado de Alfred, que, após alguns minutos, tateou a mesa de cabeceira para desligá-lo. Voltou a deitar, mas seu olhar recaiu sobre o loirinho, que, para a sua surpresa, estava acordado.


– Arthur? – chamou, sentando-se também.

– Alfred... – começou. Respirou fundo e virou-se para olhá-lo. – Será que a gente podia conversar?

O garoto assentiu, um tanto surpreso. Fazia muito tempo desde a última vez em que ele e Arthur conversaram. Na verdade, depois de alguns dias daquele jeito, Alfred resolvera voltar para casa e... dar um tempo a Arthur ou algo assim. No entanto... assim que ele chegara até a porta, Arthur falou, pela primeira vez em muito tempo. “Alfred...? Você também... está indo embora?” E Arthur parecera tão magoado e decepcionado com a ideia, que Alfred não tivera coragem de sair.

– Eu... – murmurou o loirinho ao seu lado. — Sabe, eu... acho que passou da hora... As contas estão se acumulando, meus estudos estão atrasados... Acho que nós temos que pensar em alguma coisa. – Arthur estava reagindo. Isso era excelente. Também não se desculpara, como vinha fazendo a cada cinco minutos naqueles últimos tempos.

Ele passou a mão pelos cabelos, bagunçando-os ainda mais. Seus olhos esverdeados refletiam palidamente a luz da manhã e uma preocupação quase desesperada. Arthur era estupidamente bonito e Alfred não pôde deixar de reparar nisso. – É difícil e eu não gosto de te meter nisso, mas... Ah, Alfred. – o loirinho estava muito confuso com tudo aquilo ainda, mas estava decidido a resolver as coisas. – Olha... primeiramente eu acho que eu vou vender essa casa.

O garoto encarou-o seriamente.

– Arthur, você... tem certeza? Essa casa era... – hesitou um pouco, mas o olhar firme do outro o fez perceber que... estaria tudo bem. – Essa casa era da sua mãe. Você tem certeza de que quer se desfazer dela?

– Eu... – o loirinho suspirou e voltou a olhar para o garoto. – Eu acho que é o melhor, sabe. Eu não sei se posso continuar a conviver... com as minhas próprias lembranças aqui. – uma de suas mãos bagunçou os próprios cabelos nervosamente. Então, parou. – E... bem, é uma casa muito grande. Eu não vou precisar de todo esse espaço. Além do mais... Com o dinheiro da venda, vai dar para ajudar enquanto eu não arranjar um emprego. – seu olhar se desviou e suas bochechas se tornaram vermelhas. — E... nós podemos nos mudar para um apartamento só. Eu... e você também. – murmurou, agora definitivamente evitando o olhar do garoto.

Alfred riu. Uma risada alta e aberta, feliz e... estranhamente, livre. Arthur jogou seu travesseiro no garoto, que voltou a se deitar, rindo.

– Está pedindo a minha mão em casamento, Arthur? – piscou o garoto, ainda sorrindo.

– Seu...

– Eu aceitaria, sabe. – interrompeu o garoto, antes que o outro se irritasse mais. – Mas você está certo. – respirou fundo e seu tom tornou-se um pouco mais sério. – Eu tenho praticamente morado com você esses dias. E seria bom não ter que continuar pagando pelo meu apartamento já que não estou usando. Podemos procurar um lugar melhor para você ir à faculdade e eu, ao meu trabalho.

Arthur voltou a deitar e olhou o teto por um momento.

– Deve dar para arranjar algo com o dinheiro da casa.

– E os móveis. Podemos usar os que eu tenho e vender os dessa casa. Ou ficar com os seus e vender os meus. Devemos conseguir alguma coisa. – tornou o garoto, também fitando o teto.

– Amanhã mesmo vamos atrás disso. – e, pela primeira vez em muito tempo, Arthur soava como... ele mesmo.

Alfred voltou a sorrir e virou-se para olhar o loirinho deitado ao seu lado.

– É bom ter você de volta.

Arthur virou-se e olhou-o também. O olhar dos dois permaneceu um no outro. Por um momento, Arthur se viu refletido nos olhos claros do garoto. Mas, no momento seguinte, o loirinho quebrou o contato visual e colou seus lábios aos do garoto brevemente. Afastou-se. Então Alfred colou seus lábios aos dele outra vez, assim que ele se afastou. Não durou muito, mas tinha uma série de significados que nenhum deles diria em voz alta. O garoto abriu os braços e o loirinho ocupou o espaço que o abraço dele descrevia, um lugar que era seu por direito. Seus braços circundaram a cintura do garoto e seus lábios deslizaram pela bochecha macia dele carinhosamente.

Um meio sorriso equilibrou-se fragilmente nas feições do loirinho. Mesmo depois de tanta dor, era estranho como ele ainda era capaz de insistir em um gesto como aquele, em um sorriso que ninguém nem veria, em uma pequena e insignificante felicidade. A alma humana era, definitivamente, cheia de mistérios.¹


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– É uma história que tinha tudo para dar errado. Mas acabou dando certo. Ao menos até certo ponto. – o rapaz sorriu, dando de ombros. Por um momento, o lusitano não pôde deixar de reparar nas feições bonitas e bem feitas e na maneira agradável como o sorriso se encaixava naquelas feições, como se estivesse permanentemente cravado ali.



Luciano tinha um tom de pele muito diferente. Era quase como leite e café, mas era suave, parecia quase... macio. Os olhos dele fitaram os seus por um momento, até que ele tornou a falar.



– É a história do quociente e da incógnita.



– Quê? — o português ergueu uma sobrancelha e abriu a boca para criticar o título da história.



– Shhhh! Silêncio que a história é minha e eu dou o título que eu quiser. — interrompeu o rapaz, erguendo uma mão. O lusitano deu de ombros e deixou que ele continuasse.



– Bem. Passemos por alto sobre os anos que decorreram desde o nascimento e batizado do nosso memorando, e vamos encontrá-lo já na idade de vinte anos.²



Era no tempo do rei, ou ao menos era essa época para a poesia trovadoresca lusitana que o tal professor ensinava.



O nosso jovem engenheiro não se importava nem um pouco com as características da trova na idade média em Portugal, mas ainda assim, lá estava ele assistindo a palestra. Ele fora convencido a ir assim que vira o nome do palestrante. Nome que foi omitido na história que ele contava no presente, mas que estava escrito no folheto da palestra.



Afonso Henriques. Seus cabelos eram cor de castanha média, finos e desordenadamente ondulados em alguns trechos. Vinham presos em um rabo de cavalo baixo, que seguia até um pouco abaixo do ombro. Ele se voltou para olhar para os que assistiam a palestra. Os olhos muito verdes dele eram um tanto escuros, e mal se discernia suas íris por detrás da franja que caía levemente sobre seus olhos. Ele era um tanto pequeno, também. Luciano era um palmo ou dois mais alto, definitivamente.



O lusitano era certamente adorável em sua aparência. Sempre com uma pilha de livros velhos andando pelos corredores, distraindo-se e depois correndo para a próxima aula. Ele era um professor novato, então, ficava com as matérias que ninguém queria ministrar e seus horários não eram dos melhores. Mas ele gostava daquele emprego. Gostava especialmente da biblioteca da universidade, com exemplares únicos e esquecidos em suas dezenas e dezenas de estantes. Talvez fossem até centenas, quem iria saber! A mera expectativa o animava.



Foi, na verdade, em um dia mais ou menos assim, que o seu caminho desandou a cruzar com o de Luciano. Era um dia um pouco quente, com um céu tão azul que era quase ofuscante. Não passava muito das três, e a tarde era tão frondosa quanto sempre naquela época do ano. Afonso saía da biblioteca e ia em direção ao prédio onde seria sua próxima aula. Ainda havia alguns minutos, então ele não veio correndo como sempre.



Talvez porque aquele dia fosse um que marcaria suas lembranças, ao menos até ele perdê-las.


Passou por um rapaz, sentado sob uma das tantas árvores e com um livro cheio de gráficos aberto. Os traços do rosto do rapaz eram bem feitos e suaves, ainda que um tanto agressivos no maxilar. Eram suaves especialmente em seus olhos, que percorriam as linhas desesperadamente. O professor riu baixo, escondendo o sorriso com uma das mãos. Não soube porque riu. Mas a expressão confusa e desesperada do menino, à beira de sua prova de cálculo 3, era incrivelmente engraçada.

Teve um pouco de dó dele. Claro que achava muito bom que ele estudasse e se esforçasse, se aplicasse. Mas, talvez o seu eu-lírico achasse um desperdício de uma tarde tão bonita alguém estar tão desesperado por conta de meia dúzia de linhas e números.

Apressadamente, anotou qualquer coisa em um pedaço de papel e o colocou sobre a página que o garoto lia. Então, saiu antes que ele pudesse ler ou dizer alguma coisa. Luciano olhou-o, pasmo. Por dois minutos inteiros, ele assistiu o professor muito esquisito se afastar.

No entanto, logo acordou de seu transe e pôs-se a decorar a matéria. Guardou o bilhete no bolso e tentou se concentrar.

Três horas depois, saía da sala de aula nosso herói, derrotado.

Ele respirou fundo e caminhou lentamente pelo corredor vazio. Estaria absolutamente perdido se reprovasse aquela matéria de novo. Precisava se formar e começar a trabalhar logo. Precisava... sentir que estava fazendo alguma coisa, indo para algum lugar. Tinha tantas coisas que ele queria fazer. Tanto em que ele precisava pensar.

Sua vida estava se tornando estranhamente... monocromática, por assim dizer. Tudo era um bom tanto automático, e muito ele fazia por obrigação. Ele até sorria por obrigação. Ele ocasionalmente flertava com mulheres, mas também era por obrigação.

Descobrira seu interesse por garotos há uns dois anos atrás e ainda não tinha contado a ninguém. Decididamente, preferia contar aos seus pais só depois de sair de casa, se contasse. Luciano, apesar de todas as aparências, não era muito otimista. Bem, e dadas todas essas circunstâncias, nenhum dos seus romances foi adiante. Geralmente coisas de uma noite só. Na sua melhor tentativa, o rapaz desistira assim que soubera que o caso deles seria sempre segredo.

E, para completar sua desgraça, acabara de se ferrar na prova de cálculo.

Ele olhou bem para a porcaria do livro, que não o ajudara em nada e jogou-o no chão, em pura frustração. O inocente papelzinho que estava dentro voou alguns bons centímetros para longe.

O rapaz pegou e abriu o bilhete, distinguindo a tinta preta sobre a folha muito alva.


Creio no mundo como num malmequer



Porque o vejo. Mas não penso nele



Porque pensar é não compreender...



O mundo não se fez para pensarmos nele



(pensar é estar doente dos olhos)



Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo



Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...



Se falo na natureza não é porque saiba o que ela é,



Mas porque a amo, e amo-a por isso.



Porque quem ama nunca sabe o que ama



Nem sabe por que ama, nem o que é amar



Amar é a eterna inocência,



E a única inocência não pensar...³



Seus passos pararam e ele permaneceu no meio do corredor. Claro que um jeito tão despretensioso de ver a vida só podia ser coisa dessas pessoas de cursos de humanas. Mas... mas, um pouco... Talvez ele tivesse... precisado um pouco daquelas palavras. No fundo, ele não podia deixar de... achar estranho. Como alguém podia reduzir a vida a coisas tão simples como sentimentos sem filosofia, paisagens sem pretensões?



Mas, no fundo, talvez ele admirasse muito aquilo. Talvez ele estivesse um pouco encantado. Porque uma pessoa tinha que ser muito fora do comum para... ter uma visão de mundo tão diferente da sua, mas ao mesmo tempo, tão próxima.



Seu livro de cálculo permaneceu no chão, calado. Ele não podia ajudar o rapaz. Ele não sabia o que dizer sobre sentimentos ou filosofias.



Luciano deu de ombros e sorriu de leve, recolhendo o livro e guardando o bilhete dentro.



‘Que cara legal.’



A partir daí, deu-lhe na cabeça o interessantíssimo hobby de procurar aquele professor por entre as pessoas da faculdade. Era só... um passatempo, talvez? Mas era divertido vê-lo correndo pelos corredores depois de passar até o último segundo que podia lendo um livro antes da aula. Era bem verdade que mesmo os alunos não chegavam no horário, mas ele tentava não se atrasar muito.



Em alguns dias, em que Luciano tinha parte da tarde livre, ele ficava para algumas aulas dele. Chegara a ter a cara de pau de fazer-lhe perguntas depois da aula, mesmo nem estando inscrito para aquela matéria e mesmo não dando a mínima para a mesma.



Era só que... era divertido estar na companhia do outro.



Não foi preciso muito tempo para que eles passassem a se esbarrar mais vezes pelos corredores e que as conversas se tornassem almoços no refeitório. Não foi preciso muito mais tempo depois disso para que Luciano começasse a perceber o quão adorável era o outro rapaz. E também que ele aceitasse que... talvez tivesse uma quedinha pelo tal professor.



Portanto, não foi preciso tanto tempo assim para que encontrássemos nosso jovem protagonista sentado em uma palestra absolutamente entediante sobre a trova portuguesa no século... que século era aquele mesmo?



Acenou brevemente quando o lusitano olhou em sua direção. O professor fechou a cara e corou levemente, desviando o olhar.


Luciano riu consigo mesmo. Definitivamente, adorável. Suspirou. A verdade era que... gostava do professor. Em algum momento, passara a realmente gostar daquele pequeno bagunçado. Passara a gostar da pilha de livros que o acompanhava aonde quer que ele fosse. Uma vez, dera-lhe de aniversário um livro e tivera a sorte descomunal de ser um que ele ainda não tinha. O professor dera um sorriso tão... sincero e seus olhos verdes cintilaram quietamente em felicidade. Luciano inconscientemente afastara a franja da frente dos olhos do outro e sorrira carinhosamente.

Afonso parecera... surpreso. Suas bochechas esquentaram, mas ele não se afastou. Apenas desviou o olhar e agradeceu, passando a abrir o livro e fingir estar muito concentrado.

O relacionamento deles era do tipo... do tipo de relacionamento que melhorava com o passar do tempo, silenciosamente progredindo, os sentimentos quietamente se tornando mais profundos em meio a qualquer tolice do dia-a-dia.

A palestra continuou, mas o estudante de engenharia a ignorou. O rapaz passou a escrever rapidamente um bilhete, que deixou sobre a mesa do professor assim que a palestra terminou. Custou cada centímetro de sua coragem, mas ele não era alguém de ficar apenas nos sonhos.

Afonso ainda ficou preso vinte minutos respondendo perguntas, mas assim que se viu livre, abriu o bilhete, um tanto curioso.


Às folhas tantas
do livro matemático
um Quociente apaixonou-se
um dia
doidamente
por uma Incógnita.
Olhou-a com seu olhar inumerável
e viu-a do ápice à bases
uma figura ímpar;



– Eh? – o rapaz piscou algumas vezes. O que...? Que tipo de bilhete...? Procurou pelo seu remetente, mas o jovem estudante de engenharia já tinha ido embora. Afonso voltou seus olhos verdes ao bilhete.




Fez de sua uma vida
paralela à dela
até que se encontraram
no infinito.
"Quem és tu?", indagou ele
em ânsia radical.
"Sou a soma do quadrado dos catetos.
Mas pode me chamar de Hipotenusa."



Aquilo arrancou uma quase risada do rapaz. Que... tolice. Mas era tão... simples e encantador. Ele nunca tinha lido nada parecido.




E de falarem descobriram que eram
(o que em aritmética corresponde
a almas irmãs)
primos entre si.
E assim se amaram
ao quadrado da velocidade da luz
numa sexta potenciação
traçando
ao sabor do momento
e da paixão
retas, curvas, círculos e linhas sinoidais
nos jardins da quarta dimensão.
Escandalizaram os ortodoxos das fórmulas euclidiana
e os exegetas do Universo Finito.
Romperam convenções newtonianas e pitagóricas.
E enfim resolveram se casar
constituir um lar,
mais que um lar,
um perpendicular.



Convidaram para padrinhos
o Poliedro e a Bissetriz.
E fizeram planos, equações e diagramas para o futuro
sonhando com uma felicidade
integral e diferencial.



Então, havia reticências. Afonso procurou o restante do poema, mas não estava ali. Virou o verso da folha, encontrando um recado simples, na mesma letra apressada.



Está livre hoje depois da aula?



Notas finais
Bem... hmm... como direi? Espero que vocês gostem do capítulo. Não sei, acho que as partes mais emocionantes, acabaram ficando para o próximo. Como o desfecho da história brxpt e a nova vida do Arthur e Franada... Esse capítulo é meio de transição, eu sempre tneho problemas com transições u.u enfim, espero que tenha ficado aceitável xD
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Agora às referências!
¹- O título do capítulo é título de um dos capítulo de Dom casmurro! o/ Yayy o/ essa proposta de usar trechos da literatura é difícil.. fiquei um tempão pesquisando xD
² - É um trecho do livro Memórias de um Sargento de Milícias. O começo é meio chatinho mas depois fica legal xD
³ - Como o Afonso é português, coloquei um poema do Fernando Pessoa xD
⁴ - E esse maravilhoso e divertido poema é do Millor Fernandes xD
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Peço desculpas enfim pela demora. Na próxima, tentarei ser mais rápida u//u
Quero agradecer e mandar um beijo para Punk Hell, Yuki, Ju, sir Arthur, Tiia, Carol, Homumoemura, Shin no Tamashi, Catherine Kirkland, Izzi Takashima e Narah! Sério, obrigada mesmo mesmo a quem continuou aqui e aos novos! Como Narah, Izzi 8DD Obrigada mesmo vocês fazem tudo valer a pena *snif* por favor, não abandonem essa autora bagunçada, ela faz o melhor que pode ( não é lá essas coisas, mas veja xDD)

Estou indo imediatamente responder aos amáveis reviews de vocês pessoas lindas. Desculpem mesmo a demora. Mas resolvi publicar o cap antes para não enrolar vocês mais ainda. Sei que é tarde e duvido que ainda tenha gente online, mas é questão de honra, tenho que publicar o antes que posso sempre xD
Obrigada mesmo e muitos beijos para vocês! :D