Boulevard Of Broken Dreams
31 Capítulo 31 - O Arcano 3
Notas iniciais
Mas, enfim xD Pelo menos o cap passado teve 10000 palavras, então conta como duplo -q. Infelizmente esse também saiu meio grande. É que não dava para cortar ao meio mesmo. Vocês entenderão dps que lerem xD Mas, sem pressa, leiam com calma que segurarei o próximo até que todo mundo chegue aqui juntinho xD Enfim, muito obrigada por tudo mesmo! No mais, deixa eu parar de enrolar! boa leitura!
Alfred acordou no dia seguinte ainda meio confuso. Ele piscou algumas vezes e estranhou o ambiente. Não, não era o seu quarto. Claro que não era. No que dependesse dos seus pais, ele nunca mais pisaria lá. Toda a discussão da noite anterior voltou à sua cabeça, vívida como nunca. O tapa que levara de seu pai, as palavras de sua mãe. Naquela manhã, ele acordou e sentiu-se... realmente como se tivesse sido abortado, como sua mãe dissera que preferia. A rejeição fora muito pior do que ele imaginara. Alfred não... sabia ao certo como seguir em frente. Teria sido tão melhor se o seu pai tivesse lhe dado uma surra. Tão melhor se eles tivessem simplesmente quebrado o seu braço, ou algo assim. Agora... ter de lidar com aquelas palavras... Com o desprezo com que fora tratado.
Respirou fundo e voltou a fechar os olhos. Um perfume familiar e reconfortante o atingiu e ele olhou para baixo, encontrando Arthur entre os seus braços.
O loirinho ressonava quietamente, seus lábios levemente entreabertos e seu cabelo claro muito bagunçado. Arthur. Sempre Arthur. Alfred o fitou com carinho. Ele amava tanto aquela pessoa. Ele confiava naquela pessoa. O loirinho sempre estivera lá por ele. Era como se eles tivessem estado juntos há uma eternidade. Beijou de muito leve a testa de Arthur, apenas porque o amava demais para suportar aquele sentimento sem tocá-lo. O garoto suspirou e escolheu não acordá-lo. Ainda não. Alfred sentia que... precisava daquele momento sozinho.
Ainda sentindo o tronco de Arthur oscilar calmamente enquanto ele dormia, os olhos muito azuis do garoto fitaram a parede vagamente. Alfred se sentia verdadeiramente exausto. De uma hora para outra, ele perdera... tudo. A discussão com seus pais ainda ecoava em sua cabeça e a absoluta rejeição de sua mãe doía absurdamente. Inconscientemente, seus braços trouxeram Arthur um pouco mais para perto de si.
O loirinho acordou com a movimentação, piscando vagamente até focar seus olhos muito verdes no garoto.
– Alfred? – chamou baixo, ainda meio rouco.
O garoto o olhou, vendo-se espelhado nos olhos claros de Arthur. Então, suspirou, beijando-lhe a testa.
– Bom dia... – murmurou. Sua voz talvez quebrasse se ele tentasse falar mais alto.
– Bom dia. – murmurou Arthur de volta, com um leve sorriso, afastando a franja do garoto e olhando melhor nos olhos dele.
Alfred olhou-o, visivelmente abatido. Então, levantou-se, recolocando os óculos que deixara sobre a cabeceira.
– Você quer sair hoje para olhar um emprego ou algo assim? Eu posso ir com você. – começou Arthur, sentando-se na cama. O garoto, no entanto, não lhe respondeu. – Alfred? – sem resposta. — Alfred, você está bem?
– Não. – disse o garoto, respirando fundo, sem olhar para o outro.
– Alfr-
– Arthur. – interrompeu Alfred. – Só... me deixa, certo? Eu... preciso pensar. – murmurou ele, saindo do quarto.
Desceu as escadas, encontrando Elizabeth na cozinha, fazendo o café da manhã.
– Olá, querido.
– Oi... – disse o garoto, sentando-se, mas sem dizer coisa alguma. Continuou a fitá-la vagamente, cruzando os braços sobre a mesa de madeira e deitando a cabeça sobre eles. Passaram um bom tempo em silêncio, até que a mãe de Arthur suspirou.
– Alfred, querido. – começou Elizabeth gentilmente. Ela sentou-se à mesa com ele, olhando-o. – Não fique assim. Você ainda vai se lembrar disso como um momento feliz.
– Eu não acho. – disse o garoto, com um sorriso cansado e descrente.
– Eu sei que não. – ela riu um pouco. – Mas um dia você vai perceber... Sabe, Alfred, na vida, são muito poucos os momentos de felicidade incrível e absoluta. Sempre tem muitos e muitos momentos de insegurança, de mudanças e de dificuldades. Mas... entenda que você é feliz nas dificuldades. O mundo não é exatamente um conto de fadas. O caminho que você escolheu pode ser difícil, mas é o seu caminho, é no que você acredita. Mesmo que você nem esteja tão certo, o importante é que você esta vivendo a sua vida do seu jeito. Porque, sinceramente, a vida é sua e de mais ninguém. As escolhas que você faz vão afetar a você, então ninguém pode decidir por você. Alguém te obrigou a escolher o Arthur, ou você escolheu porque foi o que lhe pareceu certo na hora?
– Me pareceu certo...
– Agora você vai atrás de um emprego, vai refazer a sua vida, vai lutar. Alguém está te obrigando?
– Não...
– Então você está seguindo exatamente o caminho que escolheu. E, dentro do que você escolheu, essa situação não é a mais feliz possível? – perguntou ela com carinho.
Alfred parou para considerar. Era. Arthur estaria ao seu lado, eles enfrentariam aquela fase juntos, Elizabeth estaria lá também, ele podia refazer sua vida. Ele era amado. Ele era capaz. Então, ele não tinha tudo de que precisava? No fundo, aquilo também não era felicidade? Mesmo que ele não fosse capaz, ele tinha determinação o suficiente para tentar, até o fim. Mesmo que ele não fosse amado, ele tinha alguma coisa, que todo mundo tem, que o fazia querer tentar, querer alcançar. Então, se ele tinha tudo isso, no fundo, ele não era feliz? Mesmo que momentos muito melhores ainda estivessem por vir, aquele também, talvez, fosse um bom momento. Ele nunca esqueceria aqueles dias com Arthur, o apoio, a convivência, o amor que crescia silencioso em seu peito, a dificuldade, que, no fundo, fazia-o valorizar quem ainda estava lá por ele.
O garoto sorriu, olhando nos olhos da senhora.
– É. É a mais feliz. – disse ele, ouvindo Arthur descendo as escadas. Logo, o loirinho entrou na cozinha, indo pegar um copo de água.
– Então, Alfred, se você não quiser tentar organizar as coisas hoje, podemos ir amanhã, ou depois... – começou o loirinho, tentando ser cuidadoso. Normalmente, ele não se importaria. Mas... Alfred era querido demais para sofrer daquele jeito. Então, qualquer coisa que Arthur pudesse fazer para que aquele garoto sofresse um tantinho que fosse a menos, ele faria.
– Não. Vamos hoje. – disse ele, e pareceu estranhamente... vívido. Determinado. Como se ele estivesse muito decidido a lutar por cada pequeno segundo de felicidade que ele podia alcançar. Arthur se surpreendeu por um momento. Então, sorriu de volta. A felicidade era um bem muito estranho, que se multiplicava toda vez que era dividida.
Não que tenha sido fácil. Por semanas e semanas o garoto correu atrás, procurou empregos, procurou um outro lugar para morar, começou a redesenhar a própria vida. Saía cedo e voltava à noite, exausto.
Era estranho, mas os caminhos mais difíceis e tortuosos, que todos evitam, eram exatamente os que levavam a um pequeno paraíso em terra. Os esforços do garoto, lentamente, deram seus frutos. Ele conseguiu um trabalho em uma loja de informática e um apartamento alugado. Começaria na próxima segunda-feira a trabalhar e, na sexta, se mudaria.
Na quinta-feira véspera de sua mudança, Alfred fez como sempre. Tomou café da manhã com Arthur e Elizabeth, viu-a sair para o trabalho e assistiu Arthur regar e mimar as roseiras do quintal ( aparentemente falando sozinho, mas Alfred não quis perguntar. E se ele estivesse falando com um fantasma? Não, era melhor nem saber. Embora Arthur jurasse que tinha fadas naquele jardim. Enfim, Alfred nunca viu nenhuma.).
Deixou Arthur cuidando das rosas ( ele podia ficar horas naquilo ) e colocou de volta na mochila as poucas coisas que levara de casa. Elizabeth lhe comprara algumas roupas novas, uma vez que ele saiu de casa com apenas as que usava. O garoto também as colocou na mochila, tentando não amassar muito para não ter que passar depois.
O dia passou entre deveres e obrigações, parecendo um tanto monótono. Alfred, no entanto, estava ansioso. Era tão estranho. Ele teria que se organizar, pagar contas, trabalhar, enfim, virar um adulto. Era um passo e tanto.
Depois do jantar, ele subiu até o quarto de Arthur. Embora ele tivesse o quarto de hóspedes a sua disposição, e embora ele o tivesse usado naquele tempo todo, naquela noite, Alfred não se separou de Arthur no corredor. Quando o loirinho fez menção de entrar no próprio quarto e fechar a porta, Alfred o deteve.
– Posso dormir com você? – perguntou, com uma das mãos atrás da cabeça, um tanto nervoso.
– Pirralho. – sorriu Arthur, dando espaço para o garoto entrar. Há vários meses atrás, Alfred tinha feito a mesma pergunta.
Arthur não discutiu muito sobre aquilo. Geralmente Alfred pedia para dormir consigo quando estava com medo de alguma coisa. Normalmente, seria um filme ou algo assim. Mas, naquele dia, talvez Alfred estivesse com medo do futuro. Arthur abraçou-o e dormiu junto a ele, sem mais comentários.
Era justo ter um pouquinho de medo às vezes.
A manhã seguinte foi muito movimentada. Elizabeth chamou os dois cedo para eles se arrumarem. Ela comprara uma geladeira e um fogão para Alfred, e Alfred comprara uma cama e alguns bancos para dispor em volta do balcão, que servia de copa, da cozinha de seu apartamento. O garoto também comprou um pequeno sofá e Elizabeth deu-lhe a televisão que ficava no quarto de Arthur. Ambos podiam perfeitamente assistir na da sala. Arthur cedeu os seus antigos videogames, assim como alguns livros ( ele achava que era muito importante que Alfred não largasse os estudos de vez.). O proprietário do apartamento deixara uma cômoda e duas mesas de cabeceiras.
Os móveis e eletrodomésticos seriam entregues já no novo endereço de Alfred, de modo que ele precisava estar lá para receber. Arthur iria ajudar com a mudança e a limpeza, o que provavelmente iria demorar, então ele levou uma mochila com uma muda de roupas, já que ele então dormiria lá.
De fato, demorou. Eles receberam os equipamentos da nova casa, carregaram os que Elizabeth cedera, limparam a casa, rearranjaram os móveis, instalaram os eletrodomésticos, montaram a cama, guardaram a maioria dos objetos, enfim, os doze trabalhos de Hércules em um único dia. Já passava das seis horas da noite quando ambos finalmente terminaram.
Alfred desabou em um dos bancos que arranjara em volta do balcão da cozinha e deitou a cabeça sobre ele, suspirando, cansado. Arthur alcançou-o e beijou os cabelos macios do garoto, depois passando a brincar com eles distraidamente. Alfred abraçou-o pela cintura, afundando o rosto na camiseta de Arthur, suspirando.
– Finalmente acabamos. – resmungou ele.
– É... mas ficou bom, não acha? – comentou Arthur, olhando em volta, achando que estava realmente muito apresentável. Estava satisfeito com o resultado, embora estivesse com o corpo meio dolorido.
– É... – concordou Alfred, olhando em volta. Não tinha muita coisa, mas certamente estava muito bom. — Quer tomar um banho? Eu vou depois de você.
– Certo. – concordou Arthur, carinhosamente bagunçando os cabelos do garoto e se afastando. Realmente um banho quente faria um milagre em seus músculos tensos.
Alfred suspirou e voltou a deitar a cabeça no balcão da cozinha. Era um espaço pequeno, ainda bagunçado e um tanto sem móveis, mas pareceu-lhe muito bom. Fora cansativo trazer a geladeira, montar a cama em seu quarto, limpar o piso, abrir as janelas, trocar algumas lâmpadas, enfim, tornar aquele pequeno apartamento habitável. Mas fora divertido fazer aquilo com Arthur. Embora os dois mais tivessem discutido e implicado do que qualquer outra coisa.
A tarde já morria no horizonte, mas não era como se desse para perceber isso por trás do céu encoberto por tantas nuvens como naquele dia. Alfred checou as horas no celular e levantou-se do banquinho, decidindo ir colocar os lençóis em sua cama nova.
Agradeceu mentalmente a Elizabeth por mandar-lhe aqueles conjuntos de roupa de cama, toalhas, panos de prato, enfim, tudo aquilo que era necessário em uma casa, mas que Alfred nunca iria se lembrar. As toalhas e panos de prato foram guardados em um pequeno armário no corredor, e Alfred pegou um conjunto de lençóis para colocar na cama. Lutou vários minutos com o lençol de elástico que forrava o colchão, depois de alguns minutos conseguindo prendê-lo. Depois, forrou com lençóis novos e colocou fronhas nos travesseiros.
Parou por um momento e admirou o próprio trabalho.
– Eu sou um gênio. – cantarolou consigo mesmo, jogando-se na cama. Deitou nos travesseiros, testando o conforto. Parecendo muito satisfeito, sentou-se e apanhou sua mochila, que vinha jogada ao lado da cama, no chão.
Abriu a gaveta da pequena mesinha de cabeceira ao seu lado, jogando celular, carteira e chaves lá dentro.
– Hm... ah, dinheiro. – murmurou ele, guardando no armário suas economias. Precisava dar um jeito de por isso no banco. Embora já fosse tão pouco que ele nem sabia se iria fazer diferença. Voltou à mochila. – caderno... fica aqui... – murmurou, partindo para os pequenos bolsos. Seus dedos encontraram uns pacotinhos jogados lá, ao que ele franziu a testa. – O que eu guardei aqui...? Ah. – murmurou ele, um tanto embaraçado. Camisinha e lubrificante. Alfred já tinha esquecido que comprara isso algumas semanas depois da conversa com a mãe de Arthur. Corou ao se lembrar daquele dia.
– Alfred, pode ir tomar banho. – começou Arthur, entrando no quarto sem camisa, com uma calça e uma toalha em seus ombros.
O garoto deu um pulo, jogando o que tinha em suas mãos dentro da gaveta e fechando-o com um estrondo.
– Há..haha... – riu ele, sem graça, com um sorrisinho amarelo. Corou mais ainda ao ver o tronco pálido e delineado de Arthur, exposto, uma vez que ele estava sem camiseta. – O-obrigado. J-já estou indo. Há... – continuou ele, passando correndo por Arthur e indo tomar um banho frio.
– Eu, hein, garoto maluco. – disse Arthur consigo mesmo, erguendo uma notabilíssima sobrancelha enquanto secava os cabelos com a toalha. Alfred estava esquisito.
Deu de ombros. Alfred era esquisito.
Seguiu até a cozinha, decidido a tomar uma água ou fazer um chá.
– ... – o loirinho se deteve ao abrir a geladeira. Claro, estava totalmente vazia. Voltou a fechá-la, dando de ombros. Bem, Alfred teria que ver isso mais tarde.
Arthur sabia que não era exatamente da sua conta, mas... hesitou.
– Bem... eu não estou fazendo nada mesmo. – murmurou consigo mesmo, dando de ombros, voltando a vestir uma roupa de sair e indo comprar alguma coisa no mercado enquanto Alfred estava no banho.
Arthur levou por volta de quarenta minutos para ir e voltar, de modo que quando chegou à casa de Alfred, o garoto já tinha saído do banho.
– Hey. – disse Arthur, passando pelo garoto e apoiando as compras sobre o balcão.
– Eu já estava ficando preocupado. – resmungou o garoto, largando o celular sobre o balcão e sentando-se. À bem verdade, tentara ligar no celular de Arthur, mas o loirinho deixara em sua casa.
– Eu só fui ao mercado, a geladeira estava vazia... – respondeu Arthur, sem pensar, arrumando os alimentos nos armários.
Alfred abriu um sorrisinho muito contente e um tanto convencido diante da resposta.
– Estava preocupado comigo?
– E-eu?! Absurdo! – disse Arthur, sentindo suas bochechas ferverem. – Eu não comprei para você, comprei isso tudo para mim! – alegou ele, abrindo um pote de sorvete e sentando-se no balcão, furiosamente enfiando a colher no sorvete como se ele tivesse lhe feito alguma ofensa grave.
Alfred olhou, incrédulo, para o loirinho. Ele comprara sorvete! Desde quando Arthur gostava tanto de sorvete? E de chocolate? Daquela comida que ele classificava como ‘porcaria’?
Então, subitamente, uma ideia ocorreu ao garoto. Ele olhou para o restante das compras uma outra vez.
Arthur tinha comprado todos os seus favoritos. Tinha chocolate, sorvete, refrigerante, um pouquinho de cada besteira que o garoto gostava de comer, mas com que o loirinho sempre implicava e reclamava. Além disso havia outras coisas para a casa, uma coisinha ou outra para o café da manhã...
Alfred absolutamente não conseguia tirar o sorriso idiota da cara. Arthur tinha um jeito muito peculiar de fazê-lo feliz. Ele riu baixo, balançando a cabeça. Aquela pessoa... Sério, se não fosse Arthur, realmente não poderia ser mais ninguém. Ele não queria mais ninguém. Na verdade, no momento, não havia nada que ele quisesse mais do que tocar Arthur.
Alfred tirou seus óculos e os deixou sobre a mesa. Então, deu a volta no balcão da cozinha, sorrindo e puxando Arthur pela mão para cima de si, enlaçando-o pela cintura.
– Alfred, o- hnnn...- de repente os lábios do garoto estavam sobre os seus, fazendo-o estremecer com o choque térmico. A língua dele estava absurdamente mais quente que sua boca, ainda fria por causa do sorvete. Alfred sentiu o peito aquecer quando sentiu o loirinho em seus braços dar um suspiro trêmulo e apoiar as mãos em seus ombros, relaxando. Seus lábios afastaram-se milímetros, suas respirações se confundindo.
– O que te deu, hein? – murmurou Arthur,ofegando um pouco, perguntando embora ele não se importasse muito com a resposta. Já fazia muito tempo desde que Alfred tivera tempo para o loirinho. E, Deus, como aquele garoto fazia falta. Os últimos tempos foram tão tumultuados que eles mal puderam ficar juntos...
– Te amo. – murmurou Alfred.
Arthur olhou para os olhos azuis do namorado por um segundo, então, avançou de volta os milímetros que perdera, voltando a beijar o garoto.
Os lábios de Arthur estavam levemente anestesiados, dando a vantagem a Alfred, que se aproveitou e enfiou a língua na boca do loirinho, massageando a língua dele com a sua, gentilmente mordendo os lábios dele. Arthur correspondeu-lhe com um tantinho a mais de firmeza, tendo a sensação muito agradável de seus lábios frios voltando a esquentar. Separaram-se por um momento, Alfred sem soltar a cintura de Arthur, e Arthur ainda com as mãos sobre os ombros do garoto. Os olhos esverdeados do loirinho fitaram os olhos azuis do outro, e nenhum deles foi capaz de desviar o olhar. O elo entre eles parecia quase tangível, palpável, de tão fixa que foi a troca de olhares.
Mas aquela estagnação não durou. Em poucos segundos, seus lábios se chocaram um contra o outro, em um beijo que nenhum deles soube dizer quem começara, em que nenhum deles soube dizer de quem eram os suspiros. Uma espécie interessantemente deliciosa de desejo aflorava, andando tão ao lado do amor e cuidado, tão ao lado da euforia e da calmaria.
Arthur sentiu as pernas começarem a ceder, o corpo todo percorrido por um arrepio delicioso, a falta de ar tirando cada vez mais sua linha de raciocínio.. Alfred gemeu de leve dentro da boca de Arthur, afundando os dedos nos cabelos dele e aprofundando ainda mais o beijo.
Os dois se afastaram alguns milímetros para respirar, os lábios ainda se tocando enquanto os dois ofegavam, dando pequenos beijos, recusando-se a quebrar completamente o contato. A mão de Alfred ainda estava entrelaçada nos cabelos do outro enquanto a outra mão segurava a cintura de Arthur. O garoto puxou-o e prensou-o contra a parede da cozinha, ainda meio ofegante, mas voltando a beijá-lo.
Arthur gemeu dentro da boca do garoto, agradavelmente sentindo cada pedacinho do corpo dele contra o seu, apertando-o. O loirinho inclinou o quadril mais para frente, fazendo ambos gemerem com o contato. Alfred inclinou o quadril também, apertando-o contra o do britânico lentamente, diminuindo também o ritmo do beijo, sugando os lábios do loirinho, sua língua percorrendo a boca dele bem devagar, para a tortura do britânico, que gemeu em protesto. Quando ele tentou aumentar o ritmo do beijo de novo, Alfred se afastou um pouquinho, seus lábios meramente se tocando. Quando Arthur avançou de novo, o garoto afastou outro pouquinho, deixando-o apenas roçar seus lábios nos dele. O britânico bufou em frustração, ao que Alfred resolveu ajudar um pouco. Ele se aproximou e beijou o cantinho direito dos lábios do loirinho. Então o esquerdo. E quando Arthur tentou aprofundar o beijo, o garoto se afastou e sorriu, mordendo o lábio inferior.
– Hnngh... Você é insuportável, sabia? – resmungou Arthur, ofegante, suas faces meio vermelhas do exercício, seu corpo meramente em pé porque a parede e Alfred o apoiavam. Tentou alcançar os lábios dele de novo, mas, mais uma vez, o garoto se afastou e mordeu o lábio inferior bem devagar, torturando-o com o espetáculo de seus dentes cravando na carne muito macia, vendo-a deslizar e voltar ao lugar.
– Você está me provocando... – resmungou Arthur. E o pior de tudo era que aquilo realmente o excitava.
– Eu? – perguntou o outro, fingindo-se de desavisado. – Imagina... se eu – começou, beijando o pescoço delicado do loirinho. – faria... – mordeu de leve a curva entre o pescoço e o ombro dele, vendo-o fechar os olhos e segurar seus ombros. – uma coisa dessas. – terminou mordendo a nuca de Arthur, que fechou os olhos e inclinou a cabeça, dando-lhe espaço e deixando escapar um gemido longo e um pouco manhoso.
– Ei... – Alfred deu um sorriso muito malicioso. – O que nós temos aqui... – mordeu a nuca do loirinho de novo, vendo-o cobrir a boca e tentar conter um segundo gemido. O garoto sorriu-lhe, muito maldoso, ao que Arthur corou e desviou o olhar, ainda cobrindo a boca com a mão. Alfred continuou a morder a nuca dele, prensando-o ainda mais contra a parede, ouvindo-o gemer ainda mais. Arthur começou a movimentar o quadril, friccionando-o contra o do garoto. Estava tão quente! Seu corpo inteiro sentia cada movimento que Alfred fazia, cada mordida que ele dava em seu pescoço, cada centímetro do corpo musculoso que ele tinha. Arthur ainda podia sentir um leve e tentador arrepio percorrer lhe diante da situação. Só havia os dois ali. Ninguém interromperia absolutamente nada que eles resolvessem fazer.
Ele trouxe Alfred para outro beijo, invadindo a boca dele, sentindo-o gemer. Havia uma inegável animosidade ali, uma inegável euforia. Alguns minutos depois, os dois se afastaram poucos centímetros, ofegando. Arthur deu um gemido meio torturado quando Alfred se mexeu, a coxa dele prensando sua ereção.
– A-Ah! Alfred...- murmurou, seus olhos se fechando. Ele podia sentir a parede fria em suas costas e ficar em pé já estava ficando cansativo. Ao mesmo tempo, ele estava excitado e era difícil querer parar. No entanto, aquilo não estava certo. Podiam chamá-lo de fora de moda, mas ele não estava muito certo de que queria que a primeira vez dele fosse na cozinha. Não que ele fosse contra a ideia de sexo na mesa da cozinha, na mesa da sala, no corredor ( Arthur era bem flexível quanto ao que ele considerava um bom lugar ou hora para aquilo). Era só que... – Ahnn... – o garoto começou a sugar a pele sensível do pescoço do loirinho, que começou a perder a linha de raciocínio. Aquilo era tão bom. N-não, foco. Você ama essa pessoa, você não vai fazer as coisas de qualquer jeito, vocês tem a noite toda.... Mas sua mente estava um tanto vaga, de modo que ele apenas pôde murmurar. – A-Alfred, não. – respirou fundo. — Eu... não... quero.
– Desculpe! – o garoto afastou-se rapidamente, tentando pensar direito. Era muito difícil tendo o corpo de Arthur ainda tão colado no seu, sentindo-o duro contra sua coxa, ofegando e chamando o seu nome. Francamente, ele estivera a meio milímetro de fazer uma loucura. Uma que incluía transar com aquele britânico sexy na sua frente até a semana que vem. Ao mesmo tempo, ele não queria que Arthur o interpretasse mal. Na verdade, olhando bem a situação, ele praticamente atacara Arthur sem mais nem menos. – D-Desculpe! Eu não estava pensando. — ele colocou uma mão na nuca, nervoso e embaraçado. – Nós... não... vamos fazer nada.
– N-não! Quero dizer... eu... – o loirinho começou, voltando a se aproximar do garoto. — ... — escondeu o rosto na curva do pescoço do outro, suspirando, abraçando-o e murmurando em seu ouvido. – não foi isso que eu quis dizer. – seu rosto esquentou ainda mais. – só... aqui não.
– Hnn... – Alfred estremeceu quando sentiu a respiração quente de Arthur naquele sussurro. — ... odeio admitir, mas você tem razão. Aqui não é um bom lugar. – murmurou ele divertido, cheirando o pescoço do loirinho, beijando a pele sensível, então se afastando para olhar naquelas íris tão verdes. Não... Arthur era muito especial, eles precisavam fazer tudo muito certo. Afundou os dedos nos cabelos dele, fazendo um carinho lento e agradável, ouvindo Arthur suspirar. Os dois se aproximaram, beijando-se de leve, várias vezes. Aquilo era bom, definitivamente muito bom. Era simplesmente tão certo estar um com o outro.
Alfred sorriu para Arthur, tirando a franja da frente de seus olhos. Arthur deu um meio sorriso e voltou a beijar o garoto, que o correspondeu enquanto o empurrava suavemente na direção de seu quarto.
Chegando lá, Alfred empurrou o britânico sobre a cama com cuidado. A cama era muito espaçosa, e estava toda forrada com lençóis brancos e frescos, coberta por outros lençóis, com três travesseiros muito fofos próximos à cabeceira. Era confortável e macia, e tinha um leve aroma de lençóis recém-lavados e do perfume do garoto. Nunca teria imaginado que Alfred podia deixar algo tão bem arrumado. Bem, acho que ele era do tipo de pessoa que conseguia, se se esforçasse. Não que aquela organização toda parecesse que fosse durar...
Arthur se deitou e sentiu a textura abaixo de si, ouvindo o farfalhar leve do tecido, de repente muito consciente do que estava prestes a fazer. Seu coração disparou e ele engoliu em seco. Não sabia ao certo porque, mas estava nervoso.
Sentiu quando o colchão afundou um pouco mais quando Alfred se aproximou, cobrindo o seu corpo com o dele. Arthur sentiu o coração bater com mais força ainda. Seus sentidos pareciam perceber tudo com o dobro de intensidade. O som do lençol amassando, o jeito como ele estava deitado e como Alfred estava perto, em cima de si, a cama rangendo levemente. Suas bochechas coraram e seus dedos apertaram o lençol com força quando Alfred segurou seu rosto com ambas as mãos, beijando-o devagar. Era gostoso sentir a língua dele enlaçando a sua daquele jeito. E Arthur conhecia aquele beijo, de modo que seu nervosismo pareceu diminuir. Os lábios do garoto escaparam dos de Arthur e começaram a vagar, beijando a pontinha do nariz do loirinho, suas bochechas e seu queixo. Arthur riu levemente contra os seus lábios.
– Qual é a graça? – perguntou Alfred sorrindo também.
– Nada... – apertou-lhe as bochechas com uma mão, forçando-o a fazer biquinho. Então riu de novo, soltando-o e dando um selinho nos lábios dele. – É só que você está tão bonzinho agora. – murmurou ele sorrindo um pouco de lado, alfinetando o garoto, tentando se distrair do próprio nervosismo, embora o frio na boca de seu estômago ainda fosse muito real.
Alfred beijou o loirinho abaixo de si, corando fervorosamente. – Eu só... – começou ele, hesitante. – Quero que seja especial. – murmurou ele escondendo o rosto no peito de Arthur.
Arthur, por sua vez, sentiu uma fisgada súbita em seu coração. Era idiota, mas... Se ele fosse uma dessas pessoas bobas, que acreditam em bobagens, ele diria que podia sentir seu coração sendo roubado. Porque, sinceramente, o quão adorável Alfred podia ser?
– Vem cá... – murmurou Arthur, entrelaçando seus dedos nos cabelos do outro, puxando-o para um beijo lento e profundo.
Alfred beijou-o de volta, gemendo com o jeito com que a língua de Arthur percorria a sua boca. Seu corpo relaxou sob o toque dele. Lentamente, suas costas bateram no colchão e o britânico deitou-se sobre ele, começando a tirar sua camisa, seus dedos levemente frios percorrendo seu tronco, fazendo-o estremecer. Arthur não sabia exatamente o que estava fazendo, suas mãos levemente trêmulas. Resolveu deixar seu próprio corpo o guiar, simplesmente tocando onde queria. Seus dedos guiaram a camisa para longe, deixando o dorso inteiro do garoto ao seu dispor. Não pôde deixar de gemer baixo, intimamente excitado com o quão forte Alfred era. Arthur se deitou sobre ele, suas mãos lentamente sentindo cada pequeno entalhe que formavam o tronco do outro, até alcançarem o rosto de Alfred. Então Arthur olhou no fundo dos olhos azuis do garoto. Alfred nem ousou se mexer. Aquele era um olhar que parecia capaz de deter a própria morte.
– Eu amo você. – murmurou o garoto, ainda preso ao olhar de Arthur, vendo a franja de cabelos loiros pender para frente enquanto o loirinho o fitava de cima. – De verdade. – e sua mão afastou os cabelos loiros da frente dos olhos de Arthur. As pupilas dele estavam dilatadas, e a escuridão ameaçava a fina auréola de verde que restara. Diante da confissão do garoto, tão sinceramente arrancada de seu coração, os olhos de Arthur cintilaram em lágrimas que ele conteve.
Ele não respondeu ao que Alfred disse, ainda que sua parte da promessa pairasse no ar, silenciosa, mas presente. Arthur não sabia o que dizer. Não sabia explicar o que era aquele sentimento que vivia em seu peito. Não sabia como aceitar, em palavras, que alguém pudesse amar a pessoa que ele era. Não sabia o que dizer, mas sabia que se sentia a pessoa mais feliz do mundo inteiro toda vez que ouvia aquelas palavras, mesmo que ele fosse incapaz de responder.
Mas os olhos eram a janela da alma. Seus olhos verdes cintilaram em uma promessa que fez o garoto sentir como se o mundo tivesse parado naquele breve momento. Ele simplesmente fitou aquelas íris esverdeadas, como se realmente pudesse ouvir as promessas que Arthur ainda não tinha coragem de dizer. Porque ele realmente podia.
Então, o loirinho trouxe o garoto para outro beijo, lento, profundo, absolutamente devoto. Alfred suspirou contra os seus lábios, ao que Arthur relaxou e deixou Alfred inverter as posições, voltando a se deitar sobre ele.
O garoto sorriu, beijando o pescoço do loirinho, uma de suas mãos tirando cada um dos botões da camisa do britânico lentamente. Deslizou a camisa branca de Arthur pelo tronco delineado dele, livrando-o da peça. Suas mãos largas envolveram o tronco de Arthur, apertando a pele firme, virando-o de costas para si. Deitou-se sobre as costas do loirinho, seus dedos brincando com a beirada do cós da calça jeans de Arthur. Encaixou seu rosto na curva do pescoço dele, sussurrando em seu ouvido. – Eu sei o seu ponto fraco. – murmurou, divertido, e mordeu a nuca do loirinho.
– Hnn... – os dedos de Arthur apertaram os lençóis e ele sentiu o baixo ventre apertar, seus olhos se fechando. Arthur gostava de mordidas, decididamente.
Alfred sorriu e continuou a provocar o loirinho, beijando de leve a pele sensível da nuca dele enquanto seus dedos baixavam a calça dele, livrando-o daquela peça também. Arthur sentiu seu corpo inteiro arrepiar quando Alfred tirara tudo o que o cobria. O garoto gemeu, encarando a bunda levemente arredondada, que parecia absurdamente macia e firme. Alfred tocou, então apertou com força, ouvindo Arthur dar um gemido baixo e surpreso, escondendo o rosto nos lençóis. Alfred deixou que suas mãos subissem, tocando a pele macia e os músculos firmes, delicadamente apertando aqui e ali, até parar na cintura do loirinho, envolvendo-o em seus braços. Seu rosto afundou no pescoço do outro e seus dedos tocaram curiosamente os fios loiros muito finos da nuca, vendo-os arrepiar sob o seu toque. Seus lábios tocaram a pele arrepiada, ocasionalmente mordendo, ouvindo a respiração de Arthur estremecer e acelerar. Ao mesmo tempo, o garoto começou a mover os quadris lentamente contra a bunda firme do outro, gemendo de leve enquanto beijava a curva do pescoço dele.
Era quase perfeito. Só não era perfeito porque Alfred não conseguia conviver com a ausência dos olhos claros de Arthur. Então, virou-o de frente de novo e pôs-se sobre os próprios joelhos, seus olhos azuis percorrendo cada pedaço do corpo de Arthur. Este se sentiu levemente desconfortável. Na verdade, ele estava meio autoconsciente sobre o próprio corpo. Era estranho ter alguém olhando tão descaradamente para si. As mãos largas de Alfred logo começaram a tocar a coxa de Arthur, apertando-a de leve, sentindo a textura, a firmeza. Então subiram, tocando o quadril estreito dele, olhando desejoso para o membro já excitado do outro, levantando o olhar e encontrando olhos muito verdes que o observavam com curiosidade. Era um tanto adorável a face meio constrangida do loirinho somada ao fato de que ele não conseguia desviar o olhar de cima do que o outro fazia.
Nem mesmo Arthur entendia seu nervosismo. Ele não era uma pessoa cheia de pudores tolos, e provavelmente passava longe de ser inocente. Mas... era Alfred ali. Se fosse qualquer outra pessoa... mas era Alfred. E por ser Alfred, era importante. Talvez seu coração soubesse que era importante demais. Porque talvez, em algum lugar, ele soubesse que estivera esperando por aquilo há um tempo que parecia beirar à eternidade. Então, ele não podia deixar de estar nervoso.
Nesse momento, no entanto, quando o loirinho pousou uma mão sobre o peito do garoto, notou o coração dele batendo desesperadamente. E, em seus olhos azuis, havia uma nota muito clara de nervosismo. Ele também estava nervoso. Era estranho como eles podiam ser tão diferentes, e ainda assim, tão parecidos.
Arthur sorriu e Alfred se aproximou, capturando seus lábios de novo. Para o seu deleite, o loirinho afundou os dedos em seu cabelo, puxando-o pela nuca, aprofundando o beijo. As mãos dele tocaram o seu tronco, sentindo os músculos, descendo até parar no cós de sua calça. O indicador dele deu um pequeno puxão no tecido, silenciosamente se queixando do fato daquilo ainda estar ali, escondendo o que o loirinho queria ver.
Alfred sentiu o puxãozinho, sorrindo contra os lábios de Arthur e se afastando. Sentou-se sobre o quadril do loirinho, seus dedos tocando o botão metálico da calça que vestia, deslizando-o para fora de sua casa devagar. Inclinou-se sobre o britânico e retirou a calça junto com a roupa íntima.
Arthur trazia os lábios avermelhados e entreabertos, seus olhos verdes observando cada centímetro de pele se revelando, incapaz de desviar o olhar. Alfred estava muito excitado. O loirinho olhou longamente para o membro do outro, seus olhos seguindo uma veia grossa que ia da base até a cabeça. Alfred mordeu o lábio inferior. Será que Arthur fazia ideia da expressão que tinha no rosto enquanto o encarava daquele jeito?
Alfred alcançou a boca dele de novo, sugando sua língua sugestivamente enquanto sua mão tateava a mesa de cabeceira.
– Hnnn.... – gemeu Arthur enquanto Alfred se mexia, sentindo a coxa dele massagear sua ereção de novo. O garoto gemeu também, tentando abrir a gaveta enquanto beijava Arthur. Seus dedos bateram em um frasco e em alguns pacotinhos, os quais ele pegou com pressa. Em seguida, afastou-se, depositando um último beijo sobre os lábios do loirinho antes de abrir o frasco em suas mãos.
Arthur ofegava, observando com curiosidade o que Alfred fazia. Seu coração batia contra a sua garganta. Havia certo... nervosismo e expectativa? Talvez ansiedade e receio. Mesmo Alfred não estava muito menos tenso que o loirinho. Arthur não se arrependia de estar ali, mas parecia haver uma pedrinha de gelo na boca de seu estômago. Seus olhos verdes se fecharam com força quando o garoto inseriu um dedo dentro dele, tateando. O loirinho sibilou quando sentiu a temperatura fria do lubrificante.
– Arthur? – Alfred parou qualquer movimento, procurando algum sinal de que houvesse machucado o outro.
– Isso está gelado... – murmurou o loirinho, ainda de olhos fechados, tentando esconder a face avermelhada com uma das mãos.
– Oops. Esqueci. – disse com um meio sorriso nervoso, alcançando o frasco e colocando mais um pouco em suas mãos, agora friccionando entre suas palmas a fim de aquecê-lo um pouco. Arthur quase riria do embaraço do outro, mas apenas sorriu um pouco, talvez um tanto contente com o cuidado do outro. Um dígito voltou a penetrar o loirinho, que suspirou de leve, um tanto nervoso. Arthur abriu os olhos lentamente, sentindo uma fisgada em sua ereção quando se deparou com aqueles olhos azuis percorrendo-o por inteiro.
Quando um segundo dedo se seguiu ao primeiro, Alfred ficou um tanto preocupado. Arthur ainda era muito apertado. O loirinho gemeu dolorido com a invasão, fechando os olhos e comprimindo os lábios. Alfred tentou separar mais os seus dedos. O loirinho não reclamou, nem disse como aquilo doía ou como parecia que ele estava sendo partido ao meio. Um: porque era muito teimoso. Dois: porque isso seria como admitir derrota, seu orgulho não permitia. E três: porque ele não queria que o outro parasse. Alguns minutos despois um gemido dolorido lhe escapou pelos lábios, ao que seus olhos marejaram um pouco mais.
– Arthur... – chamou Alfred baixinho, inclinando-se sobre ele, beijando sua bochecha. – relaxa... – murmurou, seus lábios contra os lábios de Arthur, sentindo-o respirar fundo. – Shh... — Beijou suas bochechas de novo, então seu queixo e maxilar, procurando distraí-lo.
– Hnn... – o loirinho pensou em responder algo, mas apenas pode gemer de leve.
Alfred continuou, embora um tanto preocupado. Estava um tanto mais difícil do que ele imaginava. Uma pergunta lhe ocorreu, e, ele terminou por fazê-la em voz alta.
– Arthur, você é virgem?
Arthur escondeu o rosto com um dos braços, acenando brevemente.
– Sério? – insistiu o garoto, meio incrédulo. Só podia haver algo muito errado nesse mundo mesmo. Como alguém como Arthur escapara virgem da adolescência?
– Sim, sério, seu idiota! – murmurou Arthur encabulado, excitado e impaciente. O garoto continuava a olhar para ele, incrédulo. Arthur bufou. Sentia-se um tanto bobo. Ainda mais porque soubera que Alfred chegara a transar com uma de suas namoradas anteriores. O garoto assumira que Arthur fosse mais experiente por conta de um livro ou outra revista de conteúdo duvidável que encontrara no armário do loirinho. Bem, Arthur teria mesmo sido mais experiente, mas ele sempre acabava estourando com suas namoradas antes que seu relacionamento fosse para frente. De fato, nenhum deles foi. Bem, talvez fosse o preço que ele pagava pela devassidão de um passado que ele já há muito esquecera.
Alfred riu da expressão mal-humorada e do embaraço do outro. Embora, no fundo, sua risada fosse em parte felicidade pelo fato do loirinho confiar nele.
– Desculpe. – murmurou, ainda sorrindo, mas com um olhar um tanto mais adorável, para que ele pudesse convencer o outro a não ficar bravo. O loirinho resmungou um pouco, mas não conseguiu continuar irritado. Suspirou. Sinceramente, Alfred podia escapar de qualquer coisa com aquele olhar. Ele sorriu outro tanto, sabendo que o namorado deixaria passar.
O garoto tornou a beijar-lhe na boca, massageando a ereção de Arthur com a palma da mão e penetrando-o com os dedos. Sentiu-o gemer contra sua língua, enquanto seus quadris se inclinavam e procuravam pelo contato da mão larga e quente de Alfred. O segundo dígito deste tentou outro ângulo, deslizando com um pouco mais de facilidade, tocando Arthur de um jeito diferente. O loirinho fechou os olhos, um gemido alto, quase agoniado, abandonando seus lábios.
Admitindo, ele já tinha tentado se tocar daquele jeito, mas era bem melhor quando era outra pessoa que o fazia. O prazer que aquilo lhe dava acertou seus sentidos com força. Ele se sentia dolorosamente perto do orgasmo, querendo que aquilo o atingisse e levasse embora o calor que se acumulava em seu baixo ventre. Ao mesmo tempo, ele gostaria de ficar naquele limiar, naquela excitação quase insuportável, mas que crescia, à beira de um prazer absoluto, mas ainda não, não agora...
A mão de Alfred o massageava com firmeza ao mesmo tempo em que ele mordia seu pescoço, provavelmente marcando, mas Arthur estava excitado demais para se importar. Na verdade, se o gemido que lhe escapou dizia alguma coisa, ele estava realmente gostando da ideia de ser marcado, ainda que agora pensasse em um jeito de marcar o garoto de volta.
Arthur era um sujeito competitivo, sem mais. Alfred o beijou, colhendo o gemido dele com a própria boca, sentindo a língua dele procurar a sua com pressa. O garoto retribuiu com firmeza, descontando um pouco de sua excitação ali, de modo a ser o mais gentil possível onde seus dedos tocavam.
Quando o garoto sentiu que Arthur estava distraído o suficiente pelo beijo, um terceiro dígito se seguiu e se perdeu, minutos e minutos. Então se movimentou com relativa facilidade depois do tempo que Alfred levara e da quantidade de lubrificante que ele colocara. Arthur já tinha a respiração entrecortada, os olhos embaçando de desejo contido, tão excitado agora que chegava a doer.
– A-Ah... Alfred... – murmurou, entre um gemido baixo, afastando a mão dele e parando alguns segundos para retomar um pouco a respiração. – Hnn... A-Alfred, vem logo. – murmurou, puxando o garoto para um beijo. Embora eles tivessem se beijado incontáveis vezes só naquela noite, não era como se seus lábios parecessem prontos para aquilo. Ainda era como se tivessem tomado um choque elétrico. Ambos gemeram baixo com o toque macio e quente, com o toque das línguas, enlaçando uma à outra, quase sobrecarregando os seus sentidos com a sensação.
Alfred separou-se do beijo dele, agarrando uma camisinha ao seu lado e abrindo o pacotinho. Os olhos verdes do outro acompanhavam o movimento e registraram a camisinha sendo desenrolada sobre a extensão do membro de Alfred. Também estiveram observando quando o garoto passou lubrificante, agora em si, e enxugou o excesso na camiseta, que depois jogou sobre o ombro, com pouco interesse sobre onde ela cairia.
Assim, Alfred segurou o quadril de Arthur com uma das mãos, seu polegar acariciando-o lentamente, em formas de pequenos círculos. Sua outra mão segurou o próprio membro e guiou-o para dentro de Arthur. Suas mãos repousaram uma de cada lado da cabeça do loirinho e seus quadris foram se aproximando dos de Arthur lentamente.
Alfred penetrou-o devagar e continuamente, gentil, sentindo-se deslizar pelo caminho, até finalmente ter penetrado o outro por completo, parando em seguida. O loirinho perdeu o ar por alguns segundos e fechou os olhos. Alfred mordeu o lábio inferior e apertou os lençóis, tentando não se mover muito até Arthur parecer bem com isso. Mas, por Deus, era difícil. Arthur era deliciosamente apertado. Mesmo com o cuidado, Arthur gemeu dolorido, seus olhos verdes derramando uma lágrima em cada bochecha. Ele sibilou. Doía. E, por alguns instantes, ele só soube distinguir aquilo.
– Shh.... desculpa. – murmurou Alfred suavemente. Viu-se fitado por dois olhos esverdeados, que cintilavam em lágrimas contidas. O garoto alcançou seus lábios, beijando-o devagar, então tirando as lágrimas do rosto dele com o polegar. Suas mãos procuraram as de Arthur e seus dedos entrelaçaram. Alfred sentiu-o apertar a sua mão.
O loirinho fechou os olhos por um breve momento, respirando fundo. Alfred deslizou os lábios sobre a bochecha de Arthur, então seu pescoço, mantendo seu quadril parado. O loirinho arrepiou-se de leve com a sensação dos beijos somado à sensação de Alfred penetrando-o. É, doía. Mas, se ele podia sentir mais daquele prazer, sim, ele podia lidar com a dor. Puxou Alfred e beijou-o na boca, sua língua massageando a do outro gemendo entre o beijo, seus quadris estreitos movendo-se lentamente. Alfred fechou os olhos, gemendo alto, seus lábios involuntariamente se afastando dos de Arthur. Suas mãos desceram e seguraram os quadris do loirinho, recuando e voltando a penetrá-lo com força.
Arthur mordeu o lábio, assistindo o membro de Alfred entrar e sair, com um som molhado que o excitava ainda mais. Foi lento, de início, uma vez que o garoto queria que ambos realmente apreciassem o ato. O loirinho gemeu baixo, sentindo Alfred ondulando os quadris e procurando sua boca. O beijo também pareceu ir se construindo aos poucos, as línguas se tocando torturantemente devagar até que o ritmo fosse aumentando, sem que nenhum dos dois realmente tivesse controle sobre isso.
Em questão de minutos, aquele ritmo inicial lento já não era suficiente para nenhum deles. Arthur abraçou o pescoço do garoto, que gemeu de leve quando sentiu a respiração quente do loirinho contra a sua orelha.
– Mais forte... – foi o sussurro que Arthur lhe disse, ofegando e gemendo baixo. Quando sentiu Alfred o penetrando com força, ofegou contra o pescoço dele e gemeu, abraçando-o e instigando-o a ir mais rápido. Arthur sentiu dor como nunca pensava que fosse sentir, mas era bom demais para parar. Na verdade, um tipo diferente de prazer vinha do fato de doer, mas de ser gostoso demais para se pensar em qualquer outra coisa, mesmo em sentir dor. Era tão bom que era quase agoniante, ele se sabia ofegante, se sabia gemendo, queria um orgasmo, mas queria continuar naquela agonia, naquele prazer desesperador e contínuo.
Os quadris de Alfred chocaram-se contra os de Arthur com mais força, fazendo-o estremecer e desvencilhar os braços do pescoço do garoto, uma vez que eles não mais pareciam capazes de sustentá-lo.
– A-ah! A-Alfred, nã- Ahnn... — O loirinho deixou-se cair de volta na cama macia, jogando a cabeça para trás quando Alfred o acertou mais fundo. Com algum esforço, Arthur ergueu um pouco o rosto para conseguir um ângulo que o permitisse ver o que acontecia entre eles.
O quadril do garoto passou a mover-se rápido, o membro dele saindo quase inteiro, de modo que Arthur quase conseguia ver a cabeça avermelhada, até tudo voltar a se afundar nele. Alfred se inclinava, mudando de ângulo com insistência, até investir com força e em cheio, fazendo Arthur gemer tão alto, que fora praticamente um grito, perdido entre outros gemidos que se seguiram. Aquilo era muito, muito melhor que dedos. O garoto continuou a investir naquela posição, mentalmente agradecendo à sorte e memorizando onde Arthur era sensível.
Desnorteado com o prazer súbito e com o calor que se acumulava em seu baixo-ventre, o loirinho puxou Alfred para outro beijo, sentindo-o corresponder com desespero, ofegando contra seus lábios, ainda penetrando-o com força. Logo, a boca do garoto escapou do beijo e mordeu a nuca de Arthur, que gemeu, suas coxas se fechando em torno da cintura de Alfred, puxando-o mais fundo, acompanhando o ritmo quase insano dos quadris dele. Alfred continuou a morder e lamber a nuca de Arthur, que virou o rosto um pouco de lado e passou a morder de leve a orelha do garoto, assim como sua bochecha, beijando-o onde conseguia alcançar, gemendo e ofegando. Mordeu-o no pescoço com certa força, descontando um pouco da dor e do prazer estranho que aquele garoto o estava fazendo sentir ao mesmo tempo.
Alfred inclinou-se mais, segurando os quadris de Arthur com força, prensando a ereção dele ao fazer isso, movendo o corpo inteiro para frente e pra trás, masturbando o loirinho ao fazê-lo. Arthur tapou a boca com uma mão, tentando abafar os gemidos que escapavam de seus lábios avermelhados, mas falhando completamente e gemendo mesmo assim. Alfred penetrou-o com mais força, mais fundo, fazendo-o quase gritar. Arthur ofegava com força, estremecendo, tão, mais tão perto... O garoto tomou-lhe ambas as mãos e entrelaçou os seus dedos. Arthur assistiu um sorriso doce, um pouco de lado, desenhar-se nos lábios de Alfred. E foi assim que um beijo longo se seguiu, que tinha exatamente o mesmo gosto do sorriso que o garoto dera. Era doce e malicioso, como licor de cereja escorrendo pela língua.
O garoto penetrou-o outra vez, acertando-o com força e em cheio. Então, Arthur soube que não podia mais.
– Ah-a-a!... -Em um gemido alto e entrecortado contra os lábios de Alfred, ele fechou os olhos e gozou, o orgasmo o atingindo com força.
Arthur não soube bem se fora mesmo o jeito como Alfred investira dentro dele. Porque o que realmente pareceu atingi-lo foi o jeito como ele lhe sorrira, as mãos dele apertando as suas com firmeza e os lábios dele gemendo palavras desconexas, que sempre tinham a ver com o quanto ele o queria, com o quanto ele o amava.
Alfred continuou a entrar e sair de dentro de Arthur, cada vez mais rápido e sem controle. Ao olhar o rosto do loirinho, percebeu-o agradavelmente desfrutando dos efeitos que o orgasmo lhe causara. Arthur trazia os lábios entreabertos e ofegava, seus olhos fechados e uma expressão de completo deleite em seu rosto um pouco corado. Ele ainda gemia baixo toda vez que o garoto se movia, apertando fracamente os lençóis, ainda desnorteado com as sensações que percorriam seu corpo. E a cena lhe foi tão erótica, que Alfred acabou por morder o ombro de Arthur e gozar dentro dele com força, com um gemido abafado contra a pele clara. Ainda moveu os quadris algumas vezes, deixando todo o sêmen sair. Então, seus dentes deixaram o ombro de Arthur e ele afundou o rosto no pescoço do loirinho. Seus braços ainda sustentavam seu peso, mesmo que estremecendo, uma vez que ele julgou uma boa ideia não desabar em cima de Arthur. O loirinho instintivamente o abraçou, fazendo-o relaxar e deitar parcialmente sobre si.
Por alguns minutos, os dois permaneceram exatamente como estavam, ofegando, com os olhos fechados, aproveitando as sensações que o orgasmo trouxera. Arthur recuperou-se um pouco antes e passou a brincar com os cabelos de Alfred, em um carinho suave e agradável. O outro ofegava e Arthur podia senti-lo levemente febril sob suas mãos. Em alguns segundos, o garoto pareceu finalmente conseguir voltar à realidade. Saiu de dentro do loirinho e retirou a camisinha, dando um nó na extremidade e jogando de qualquer jeito no chão, voltando a se deitar sobre Arthur. Este ia censurar o desleixo do outro, mas estava muito cansado para isso. O garoto alcançou a toalha molhada que deixara sobre a mesa de canto e gentilmente enxugou o sêmen de Arthur do corpo dele, assim como do seu próprio. Então, deixou a toalha em um canto, contente com o murmúrio de agradecimento de Arthur. Alfred deitou-se ao seu lado, inclinou-se e alcançou vários lençóis, cobrindo a ambos. Ainda estava com calor, mas provavelmente iria esfriar à noite e eles acabariam ficando resfriados se dormissem nus e descobertos. Aconchegou o outro perto de si, com um suspiro. Arthur aceitou de bom grado o abraço e o breve beijo que foi depositado sobre os seus lábios.
– Hmm... amo você. – murmurou Alfred, ocupando-se em espalhar beijos sobre a face de Arthur, corada pelo exercício. A face dele se tornou ainda mais vermelha e ele afundou o rosto na curva do pescoço de Alfred. Tentou se virar de lado, mas seu corpo parecia meio dormente. O garoto puxou-o contra si, ao que Arthur gemeu baixo, desconfortável.
– Desculpe. Você está bem? – perguntou Alfred, um tanto apreensivo, afastando-se para olhar o rosto de Arthur.
– Acho que sim. – murmurou Arthur, fechando os olhos. Seu corpo estava um tanto estranho. Ele se sentia bem, muito bem, mas estava tão cansado... Não sabia ao certo se sentia dor, era algo tênue, meio dormente... Provavelmente, estava doendo, mas Arthur estava com muito sono para se importar.
Aproveitando-se da guarda aberta, Alfred beijou-lhe as faces, mimando Arthur enquanto esse deixava. Um tanto cansado, o loirinho retribuiu os beijos em seu rosto e passou os braços em torno da cintura de Alfred. O garoto sorriu e beijou-o também, em um encontro e desencontro de gestos de carinho que foram se tornando menos apressados à medida que os dois foram ficando gradativamente mais sonolentos. Alfred beijou o topo da cabeça do loirinho, apertando-o em seus braços, rindo um pouco quando ele bocejou.
No entanto, fora um bocejo tão gostoso, que Alfred acabou por bocejar também. Seus olhos lacrimejaram e uma sensação agradável percorreu o seu corpo. Respirou fundo, somando o perfume do outro à sensação confortável. Beijou os cabelos macios dele, murmurando palavras suaves e delicadas, que apenas Arthur ouviu. O loirinho levantou um pouco a cabeça e beijou-lhe o queixo, aconchegando-se no abraço dele, um tanto contente com a atenção.
A cama era tão espaçosa e macia e estava tão quentinho e agradável ali... Alfred ainda conseguiu se inclinar e apagar a luz, antes de voltar a se aconchegar a um Arthur que já dormia muito confortavelmente. Alfred nem percebeu quando ele próprio adormeceu também.
O dia seguinte amanheceu com uma leve garoa, que deixara o céu nublado e o clima, um tanto frio. De fato, estava tão nublado que nem parecia ter amanhecido. O que significava que era nublado o suficiente para que Alfred continuasse perfeitamente desmaiado na cama até mais de meio-dia sem nem se incomodar com o sol lá fora. O garoto provavelmente teria continuado a dormir até umas duas da tarde, se não fosse por um breve gemido de dor que lhe alcançou.
Alfred piscou, um tanto confuso de sono, procurando de onde vinha o som.
Arthur estava tentando sair da cama, mas aparentemente desistira depois de uma pontada particularmente dolorosa. Ele estava de costas para o garoto, que conseguiu ver a extensão das marcas que deixara no pescoço dele. Bem, não dava para negar que Arthur ficava muito atraente assim, mas Alfred sentiu-se um tanto mal por ele. Sua mão se fechou delicadamente em torno do pulso do loirinho, puxando-o e fazendo-o se deitar de novo.
Arthur sibilou de dor ao bater de volta no colchão, ao que Alfred veio para cima dele pedindo milhares de desculpas.
– Ugh... meu corpo dói. – murmurou Arthur, fechando os olhos. Em um dia normal, teria provavelmente batido no garoto, mas Arthur realmente não estava em condições. – Oww... droga.
Ontem ele ficara um tanto.. anestesiado depois de um tempo, então fora bom, mas... o dia seguinte era pior que ficar de ressaca. Ok, talvez nem tanto. Mas não era legal.
– Desculpe. – murmurou o garoto, mas sorriu enquanto beijava o topo da cabeça de Arthur.
O loirinho resmungou qualquer coisa, mas aceitou o beijo. Apenas quando Alfred tentou beijar-lhe os lábios que Arthur o afastou, sorrindo de leve.
Não disse coisa alguma. Mas a verdade é que ele não queria estragar uma manhã romântica como aquela com um beijo na boca de alguém que acabara de acordar e ainda não escovara os dentes. Seus olhos detiveram no pescoço do garoto e ele constatou, muito satisfeito, que ele estava marcado. Era muito justo, Arthur podia apostar o que quisesse que a leve dor em sua nuca era uma marca como aquela. Beijou de leve o ombro do garoto, aceitando o abraço e aproveitando o momento agradável. Era muito bom acordar assim. Seu celular vibrou sobre a mesinha de cabeceira, ao que o loirinho afastou o garoto um pouco, alcançou o telefone e atendeu. Alfred saiu de cima e se pôs a colocar uma roupa íntima, mais ou menos atento à conversa.
– Alô? Ah, oi mãe. Bom dia. – respondeu Arthur, ainda deitado na cama, um meio sorriso carinhoso em suas feições. – Não, não, eu já tinha acordado. Uhum. Uhum, estamos bem. — tentou se sentar, mas mudou de ideia imediatamente, fazendo uma careta e tentando não deixar o desconforto transparecer em sua voz. — Deu tudo certo. Daqui a pouco vou fazer o café da-... o que, deixar o Alfred cozinhar? Por que não eu? Não, sim, mas... Certo. Sim. Mando um beijo para ele sim. Certo. Beijo.
Elizabeth suspirou, deixando o telefone de lado. Arthur estava tão crescido. O dia em que levou Arthur e Scott para casa parecia ter sido ontem. Ou talvez fosse só seu coraçãozinho de mãe um tanto chocado em ver o filho já tão crescido. Ficava um tanto apreensiva, mas uma parte de si sabia que precisava deixar os filhos andarem com as próprias pernas. Imagine só, dormindo na casa do namorado. Ainda podia lembrar quando ele era só um menininho assustado, que tinha medo do escuro. Ah, eram tantas lembranças... Ela divagou por alguns momentos.
Elizabeth não fazia ideia do quanto era importante. Do quanto era especial. Ser mãe talvez fosse algo assim. Ela acabara ajudando a Arthur, Scott, Alfred. E de uma maneira incrível. Ela era, talvez, uma daquelas pessoas extraordinárias que viviam camufladas pelo cotidiano. Uma estrelinha de brilho entre a confusão do dia-a-dia.
Ahh, aquela casa ficava tão vazia sem Alfred, Arthur e Scott. Sem saber que era também uma protagonista da história, ela respirou fundo e balançou a cabeça.
– Ahh, estou ficando velha. – disse ela, rindo de si mesmo e enxugando o cantinho dos olhos. Bem, não tão velha! Ela ainda poderia criar um filho ou dois com uma mão nas costas!
O que, na verdade, era algo sobre o qual ela vinha pensando...
O Arcano 3 — A IMPERATRIZ
SIGNIFICADO DIVINATÓRIO
Esta carta simboliza o progresso feminino. Ação. Desenvolvimento. Frutificação. Fertilidade. Concretização. Realização. Interesse pelos detalhes do dia-a-dia. Mãe. Irmã. Esposa. Filhos. Influência feminina. Evolução. Capaz de motivar os outros. Um líder. Toma decisões fundamentadas em todos os fatos disponíveis.
– Está vendo essa carta? – perguntou o francês, radiante de felicidade, inclinando-se na direção de Matthew.
– Ah sim. – murmurou, o canadense, sentado ao seu lado no sofá, corando um pouco com a proximidade.
– Eu ainda me lembro da imagem dela. Muito bonita. Uma mulher coroada com uma diadema de estrelas. – seus olhos não focaram a imagem, mas ele sorriu de verdade com a lembrança. Nunca pensara que poderia voltar a tirar cartas. Mas Matthew lhe trouxe essa alegria de volta. Ele conseguira gravar em braile o nome do arcano na beirada superior de cada carta. Tão simples, mas tão significativo. Fora um presente de aniversário não muito caro, mas, ah, para o francês aquilo significava tanto. O simples fato de Matthew se importar, ter corrido atrás daquilo, ter se preocupado...
Era muito difícil não se apaixonar por uma pessoa assim.
Francis tocou-lhe a bochecha, e, quando convencido de que sabia onde ela estava, depositou um beijo ali.
O canadense corou, mas não disse coisa alguma. Seu coração batia como um louco. Mas, enfim, quando é que fora diferente? Seu coração nunca parecia normal quando Francis estava por perto. Durante os passeios, que o francês decidira que dariam de mãos dadas. Durante as tardes no café, quando Francis tocaria as músicas favoritas de Matthew.
Ele já prolongara aquele estágio por tanto tempo. Em uma semana, ele deveria voltar para casa.
Então... mesmo que tivesse entendido tudo errado... ele provavelmente seria perdoado por aquilo.
O canadense delicadamente tocou a face do outro, que se sobressaltou de início, mas depois relaxou. Matthew fez com que ele se virasse em sua direção. Bem, se estava mesmo indo embora em uma semana, ele poderia ao menos ter aquela lembrança, não poderia?
Surpreendendo ao francês e a si mesmo, Matthew colou seus lábios aos de Francis.
Notas finais
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Hmm... Não estou conseguindo me lembrar sobre nenhuma observação sobre esse capítulo. Apenas que ele ficou meio grande, desculpem pela falta de métrica xD
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Então, cath, que acha de considerar isso um presente de niver ultra atrasado? xDD Os outros acho que não eram muito felizes para serem presente -q Embora esse cap não seja também bom o suficiente, mas enfim, importa a intenção! xD
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Um beijo super ultra especial para Yuki, sir Arthur ( novo nominho? 8D), Neko, Ju, Homumoemura, Cath e moro-chan! Obrigada mesmo, vocês sao a luz da minha inspiração, o ar que essa fic respira xD Vou agora terminar de responder os amáveis reviews que faltam, seus maravilhosos! Muito obrigada mesmo! Um beeeijo!
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