Boulevard Of Broken Dreams
23 Capítulo 23 - Autumn Rain
Notas iniciais
Ah e sim, vocês não erraram de fic, eu realmente troquei a capa xD Estava prevista essa troca porque, bem, o enredo esta mudando de encaminhamento e... e.. bem, sem spoilers, né? xD Chega de papo! Boa leitura!
Desceu do parapeito e seus pés silenciosamente tocaram o chão. Ele fechou o vidro da janela atrás de si, evitando que a brisa esfriasse o ambiente aquecido.
O garoto dormia. Era possível perceber o corpo de Alfred movendo-se conforme ele respirava. Arthur ainda fitou-o por alguns minutos. Alfred estava vivo, ele não. Arthur meramente tomara forma de anjo para poder falar com ele por alguns instantes. Alfred estava vivo. O tempo de Arthur já havia parado, enquanto o de Alfred continuava a correr. Arthur não o invejava. Mas se entristecia pela distância que isso os impunha.
Time is going by So much faster than I
And I’m starting to regret not spending all of it with you
(O tempo está passando, tão mais rápido do que eu
E eu estou começando a me arrepender por não gastar todo ele com você.)
O pensamento era triste, mas o amor era suficiente. Por enquanto, precisava ver Alfred. Sorriu um pouco com a perspectiva, passando a andar silenciosamente pelo quarto. Aproximou-se da beirada da cama, mas seu sorriso escorregou. O seu garoto ainda estava chorando. O travesseiro lentamente se umedecia mais por algumas lágrimas que escapavam do controle do garoto. Ele dormia de lado, parte de sua face esquerda escondida pelo travesseiro. As lágrimas do lado direito corriam e deslizavam até o nariz bem feito do garoto, tornando então a cair no travesseiro.
Arthur suspirou triste e sentou-se na cama, tocando os cabelos de Alfred. Eram macios, lembrando vagamente cetim, e se desfaziam com o carinho, como se aceitassem o flerte dos dedos do loirinho. O garoto parecia tão triste. Arthur não entendia muito porque sua morte o afetara assim. Não era como... se fizesse diferença, era? Aquilo que ele dissera no cais, logo após o seu enterro... Será que... era verdade? Arthur o amava tanto... Não podia ser. Mas... então por que o garoto estava tão triste? Alfred parecia simplesmente despedaçado. Outra lágrima correu por sua face, mas Arthur a enxugou delicadamente.
Now I’m wondering why
I’ve kept this bottled inside
Now I’m starting to regret not telling all of this to you
(Agora eu estou me perguntando
Por que eu deixei isso entalado aqui dentro
E agora estou começando a me arrepender por não contar tudo isso a você.)
– Hey… — murmurou, ainda com os dedos entrelaçados no cabelo macio do outro. – Não chora... – sussurrou, inclinando-se e chegando mais perto do rosto do outro. Eu odeio ver você chorar.
Um tanto devagar, um olho claro se abriu e seu azul encontrou verde. Familiar e doce verde. Alfred apenas encarou aqueles olhos esverdeados, incapaz de esboçar uma reação, incapaz de acreditar no que seus olhos lhe propunham. Devagar, ele se colocou sentado, sem deixar de fitar Arthur por um único segundo, esperando que ele desaparecesse em pleno ar. Seus olhos notaram as asas que se projetavam das costas do loirinho. Eram de um tamanho médio. Nem grandes como as de um vitral, nem pequenas que não parecessem capazes de suportá-lo. Cintilavam quietamente sob a luz fria da lua e pareciam estranhamente leves. Elas se moveram levemente quando Arthur suspirou. O coração do garoto pareceu se comprimir dolorosamente, preso à dúvida. Tanto podia ser aquele anjo como podia ser Arthur. Ambos era idênticos.
O loirinho pôde fitá-lo de volta, perdido no azul claro dos olhos do seu garoto. Deus, como ele sentira falta daquilo. O silêncio perdurou. Com um suspiro, tocou a bochecha de Alfred, que estremeceu sob o seu toque, seu olhar trêmulo no sutil limiar entre esperança e total desespero. Sua agonia durou alguns segundos, que tinham certos ares de eternidade.
– Oi... – foi baixinho, mas definitivamente era a voz de Arthur.
You’ll never be alone
From this moment on
(Você nunca vai estar sozinho
Desse momento em diante)
A respiração de Alfred quebrou no mesmo momento e a expressão dele contava sobre uma dor que o despedaçava. Era Arthur, ele sabia. O tom de voz que ele usava, o jeito como se movia, a maneira como o olhava. O anjo era comedido e plácido, e o verde de seus olhos era a calmaria de campos verdes que jamais foram tocados por criatura alguma. Nenhum gesto do anjo era demais ou desperdiçado. Já Arthur tinha força no olhar, mas seus gestos às vezes eram hesitantes, até atrapalhados por vezes. Arthur não sabia o que dizer e parecia nervoso. E o jeito como os olhos dele cintilavam era totalmente diferente. Era muito antes um oceano revolto que campo verde. Antes que Arthur pudesse dizer alguma coisa, teve seu corpo envolvido por um abraço sufocante e repentino do garoto que tremia agora.
– A-Alfred, calma, eu-- — O garoto interrompeu-o antes que ele pudesse terminar.
– Eu amo você. – o sussurro veio e Alfred abraçou-o ainda mais apertado. — Não como família ou como um amigo. — forçou-se a falar, tentando explicar algo que... era estranho tentar explicar. Ele podia passar a vida inteira dizendo porque ele amava Arthur, havia motivos o suficiente para ocuparem esse tempo todo. Mas não havia palavras que parecessem... poder contar aquele sentimento que ele guardara com tanto carinho. Ao mesmo tempo, por mais que palavras não fossem tudo, elas eram necessárias. Se não fossem, Arthur nunca teria... O garoto sentiu a garganta trancar, ao que apertou o loirinho um pouco mais em seu abraço. — Amo você...
Arthur parou por um momento, estupefato. Seu mundo pareceu parar naquele breve instante. Alfred... o amava? Arthur procurou alguma mentira nos olhos claros do garoto, mas não havia nenhuma. O azul cintilava triste e sincero, arrependido e honesto, culpado e apaixonado. Embora o loirinho não entendesse o que havia nele para ser amado, ele acreditou em Alfred. Acreditou na confissão solitária que ele fez no cais. Embora ainda não fizesse sentido, ele apertou o garoto em seus braços, percebendo, com certa dor no coração, como ele estava magro. Dava para sentir as costelas a se pronunciarem mais do que deveriam e a clavícula se destacar próximo ao pescoço do garoto.
If you ever feel like letting go
I won’t let you fall
I’ll hold you till the hurt is gone
(E se, em algum momento, você sentir que vai desistir
Eu não vou deixar você cair
E vou te segurar até que a dor tenha ido embora.)
– Eu sinto muito. Eu... – ele se afastou um pouco e fitou Arthur com olhos muito claros que se derramavam. Suas mãos tremiam e ele parecia verdadeiramente perdido. Simplesmente, ele tinha tanto a dizer que as palavras entalaram em sua garganta. Voltou a abraçar o loirinho, escondendo o rosto no ombro dele. – A culpa é minha. Toda minha. – Scott tinha toda a razão. Alfred sequer tinha o direito de chorar, ou ao menos era o que ele pensava. — Eu... droga, Arthur! – murmurou, irritado consigo mesmo por não conseguir dizer o que queria, irritado por não conseguir parar de chorar, decepcionado consigo mesmo. Respirou fundo e se afastou um pouco, olhando no fundo dos olhos esverdeados do outro. Sua mão alcançou uma bochecha clara e, Deus, morna como deveria ser a face de uma pessoa viva. — você é a pessoa mais importante da minha vida – o olhar do garoto foi firme, tão certo que ele estava do que dizia, e sua voz foi baixa, tão temeroso que ele estava de que aquele momento estilhaçasse e desaparecesse. – Eu... Deus, quantas vezes eu quis te odiar. Mas a verdade é que eu nunca consegui. Eu... nunca odiei você. — seu olhar tremeu, mas a sinceridade não oscilou. — Você é a pessoa mais importante da minha vida e eu te deixei ir embora sem saber disso.
Arthur tentou evitar, mas ouvir aquelas palavras significava tanto para ele que duas lágrimas lhe escaparam. Rapidamente, ele as tirou do rosto, olhando para baixo.
– Não, não... shh... – Alfred sentiu o peito apertar quando percebeu que fizera Arthur chorar. Beijou-lhe a bochecha, murmurando uma infinidade de pedidos de desculpa.
Arthur meramente negou com a cabeça e sorriu um pouco. Baixou o olhar e tentou esconder o sorriso que insistia em se formar, por mais que ele tentasse ficar sério. Ele não se lembrava qual foi a última vez em que se sentira assim.
Alfred o fitava com certa hesitação, como que temendo dizer alguma coisa de errado. Arthur inclinou-se e deitou a testa no ombro do garoto, em uma frágil tentativa de dizer que estava tudo bem. Tentando também evitar que Alfred sofresse mais ainda do que ele vinha sofrendo desde a sua morte. Não lhe passou despercebido o quão irritados estavam os olhos do garoto de tantas lágrimas que ele já havia chorado naqueles dias. Escondeu-o de novo em seu abraço, ao que Alfred afundou o rosto em seu ombro. Seu peito aqueceu quando ele sentiu o outro em seus braços, tão perto que ele podia tocá-lo. Eles tinham pouco tempo, e, ciente disso, Arthur apertou o garoto em seus braços com um pouco mais de força. Sentiu algumas lágrimas quentes tocarem seu ombro.
Arthur sentiu o coração apertar. Alfred não era alguém que tipicamente chorava. Não era alguém que ficava remoendo o passado e se afundando em remorso e desprezo próprio, como ele vinha fazendo. O pior de tudo é que, mesmo naquele momento, o máximo que Arthur pôde fazer foi abraçá-lo com um pouco mais de força, como se... como se desejasse nunca deixá-lo ir, como se estivesse segurando firme para não perder outra vez aquela pessoa em seus braços.
And now, as long as I can
I’m holding on with both hands
(E agora, enquanto eu posso,
Eu estou segurando com ambas as mãos)
Alfred sentia o peso em seu coração diminuir na medida em que a força com que o loirinho o abraçava aumentava. Tirou as lágrimas do próprio rosto com um suspiro. Seus braços contornaram a cintura de Arthur e o trouxeram para o seu colo devagar. O loirinho se acomodou melhor, passando uma perna de cada lado do tronco do garoto, olhando-o de frente.
– Idiota. Por que não me disse antes? – murmurou, beijando os cabelos cor de caramelo de Alfred.
O olhar do garoto ameaçou derramar e foi preciso toda a sua coragem e toda a sua força para que ele não chorasse. De que adiantava dizer que tivera medo? De que adiantava admitir que era um idiota, que ambos foram teimosos, que tudo devia ter sido diferente?
– Shh... Tá tudo bem, Alfred. Tá tudo bem... – murmurou, se afastando e tirando as lágrimas que ainda restaram do rosto do garoto. Este, finalmente o olhou melhor e seus olhos se detiveram nas asas que se desenhavam a partir das costas de Arthur, que percebeu o olhar de interrogação.
– No dia em que eu morri... – começou com a voz suave, percebendo o garoto estremecer quando ouviu a menção de sua morte. O loirinho continuou mesmo assim. – Eu... pedi pra morrer. – disse finalmente, ouvindo Alfred perder o fôlego por um momento, mas fez sinal para ele continuar quieto. – Você sabe, nós teoricamente não podemos morrer. Mas eu apelei e disse que eu tinha direito a escolher. – um meio sorriso se desenhou nos lábios de Arthur. – Bem, ele concordou, mas omitiu algumas coisas.
– Que coisas...? – perguntou-lhe Alfred, em um fiozinho de voz.
– Bem... Eu deveria saber... Sabe, suicídio não é uma boa coisa. Meu anjo da guarda não teria concordado tão fácil. A verdade é que era meu destino ter morrido exatamente naquele dia.
– O quê? – não foi mais que um sussurro. A culpa e o remorso pareciam espessos, como se lhe subissem a garganta como um punhado de lama. Então... Arthur queria morrer? A sensação era tão horrível que mesmo a dor em seu peito não a disfarçava. O garoto engoliu em seco e procurou não falar.
– É.... eu pedi a ele antes, mas ele demorou o máximo que pôde anotando as reminiscências da minha vida, até que desse a hora certa. Ele não queria que eu caísse no castigo daqueles que acabam com a própria vida. – sorriu de leve. – Eu me arrependo de ter fugido dos meus sentimentos e me arrependo muito mais do que eu deixei de fazer do que do que eu fiz. Sabe, eu não precisava de uma vida diferente. Só… ter feito algumas coisas diferente. Talvez... Só... nós dois acho que teria sido o suficiente. – foi um sussurro muito baixo, mas Alfred ouviu.
– Ainda é o suficiente...? – perguntou e observou os olhos verdes do outro se tornando pensativos, considerando a questão.
– Se você aceitar... cumprir totalmente o resto de vida que você ainda tem... e encarar o seu julgamento... Nós podemos... tentar de novo. Em uma vida nova. – disse Arthur devagar, suas mãos tocando a face do garoto, seus dedos fazendo carinho lentamente enquanto seus olhos o olhavam profundamente.
– Eu vou ter você de volta...? – murmurou Alfred, com certa urgência, como se fosse a única coisa que importava.
Porque era.
– ...! – foi embaraçoso e o primeiro instinto do loirinho foi responder algo estúpido e começar uma discussão. Mas, não, ele sabia aonde isso os levaria. Respirou fundo e respondeu com honestidade.
– Se você me quiser... – Arthur sorriu um pouco, metade feliz, metade constrangido com o olhar esperançoso e contente de Alfred sobre si. Ele tinha certeza que suas faces deviam estar muito vermelhas àquela altura. Decididamente, se as coisas continuassem assim ele iria gastar toda a sinceridade de que era capaz de uma vez só.
Mas então seu embaraço se tornou irrelevante quando seu garoto abriu o seu melhor sorriso. Cada um de seus dentes alinhados se moldando em um sorriso largo e genuinamente feliz, ainda que não suficiente para apagar a melancolia em seus olhos claros.
Cause forever I believed
That there’s nothing I could need
But you
(Porque sempre eu acreditei
Que não há nada que eu poderia precisar
Além de você)
Alfred abraçou o loirinho com força, suspirando quando sentiu o coração dele contra o seu. Ele pagaria o preço que fosse para que o coração de Arthur batesse de novo, como ele sentia agora. O garoto escondeu o rosto entre o ombro e o pescoço do loirinho, sentindo o perfume que desprendia da pele macia. Um sorriso encantado formou-se em seus lábios, que beijaram o ombro do outro.
– Idiota.. – murmurou Arthur, abraçando-o também, sorrindo de leve. Alfred tinha o estranho dom de fazê-lo se sentir amado. Afastou-se um pouco, mas ainda mantendo-se perto o suficiente para finalmente reparar na face machucada do garoto. Scott deixara uma marca visível e dolorida nele. Arthur franziu o cenho. Seus dedos tocaram de leve a bochecha, tingida em um hematoma vermelho arroxeado, que desaparecia muito lentamente. – O que foi isso? – o murmúrio veio baixo e preocupado.
– Esquece, eu mereci. – murmurou Alfred, tomando a mão de Arthur na sua em tentativa que ele parasse de reparar na contusão. Beijou-lhe a mão e ficou em silêncio, brincando de entrelaçar seus dedos com os de Arthur. O loirinho sentiu o coração apertar um pouco. Alfred estava silencioso e melancólico. Ele fitava a mão de Arthur na sua sem dizer coisa alguma, pensativo, seu polegar se movendo em círculos lentos, em um carinho saudoso e reticente.
– Hey, Arthur... – chamou Alfred, de repente, mas baixo. Ele se afastou e fitou o loirinho. Uma ideia pareceu lhe ocorrer e iluminar um pouco suas feições.
– O que? – disse o outro, um tanto embaraçado com a proximidade e com o olhar do outro sobre si.
– Você acha que estão nos observando lá em cima?
– Eh? – a pergunta fora um tanto inesperada, mas Arthur escolheu respondê-la mesmo assim. — Talvez, por quê?
– Bem... – Alfred riu sem jeito, olhando para baixo e talvez corando em dois tons de rosa. – porque... eu...- seu rosto esquentou um pouco mais; ele bem sabia o quão embaraçoso era o que ele tinha a dizer e o quanto ele gostaria de não ter de dizer. Mas, não. Daquela vez, ele perguntaria. Ergueu os olhos e fitou o fundo dos olhos verdes do outros. Então, respirou fundo e murmurou, baixo, mas audível. – posso beijar você?
Arthur sentiu o coração bater contra a garganta e as palavras lhe faltaram quando ele se viu fitado por olhos muito azuis, em um olhar firme, mesmo que ansioso, límpido e transparente como o cristal simples de uma gota de água. Uma parte de si queria se defender, dizer coisas que ele realmente não sentia, escapar logo daquela situação tão embaraçosa. Sua capacidade de ser honesto com o que sentia estava realmente sendo posta à prova. Porque o que ele queria mesmo era aceitar, era dizer o que sentia, permitir-se a expor quem ele verdadeiramente era. Estava ansioso, conhecendo o nervosismo quase pueril de algo que parecia um primeiro beijo, embora estivesse longe de ser.
Os dois se olharam nos olhos, azul tão preso no verde que parecia querer diluir-se no tom do outro. O nervosismo esvaiu-se, assim como a ansiedade e o embaraço. Arthur soube, assim como Alfred o soube, que eram apenas os dois ali. E não havia outra pessoa no mundo em quem eles confiassem mais que um no outro. Arthur meramente assentiu, sem quebrar o contato visual.
Alfred aproximou-se, pressionando seus lábios contra os lábios de Arthur. Inclinou-se alguns poucos milímetros, devagar, apenas tocando de leve. Seu coração pulou dentro do peito, talvez por saber que Alfred esperara uma vida inteira por aquele momento. A respiração de Arthur ficou um pouco pesada e seus olhos se fecharam.
Ele simplesmente estava tão feliz, tão cheio de esperança, tão aliviado que seu corpo todo tremia. Os lábios de Alfred ainda tocavam os seus com sutileza absurda, como se ele temesse que o loirinho desaparecesse em pleno ar. Mas, por Deus, o beijo de Arthur era tão delicado, tão aquecido, que Alfred mal conseguia pensar. Ele afundou os dedos nos cabelos loiros do outro, puxando-o mais para perto, sentindo seus lábios se curvarem em um sorriso aliviado, simplesmente feliz demais para dizer qualquer coisa. Alfred sentiu-se sorrir também, dando pequenos beijos sobre a boca do outro. Sua mão puxou a nuca de Arthur ainda mais para perto, entreabrindo os próprios lábios, sua língua tocando os lábios do loirinho.
Os braços de Arthur circundaram a cintura de Alfred e o puxou, entreabrindo a boca também, sua língua indo buscar a do outro, brincando com ela. Alfred passou um braço pelas costas do loirinho e aprofundou o beijo, acariciando a nuca do britânico, massageando a língua dele com a sua, sentindo-o suspirar contra os seus lábios. Em seguida, Alfred recuou um pouco, escolhendo dar vários pequenos beijos sobre os lábios de Arthur, então suas bochechas e sua testa, sorrindo ao ver que ele fechava os olhos a cada beijo, levemente encabulado com toda aquela atenção. Encabulado, mas feliz mesmo assim. Arthur realmente gostava de Alfred segurando-o assim, beijando-o daquele jeito, olhando em seus olhos. Timidamente, ele passou a retribuir o gesto, beijando as bochechas macias de Alfred, a pontinha de seu nariz e seus lábios, muito levemente. O garoto ria um pouco e seu sorriso era encantador. Arthur continuou a beijar seu rosto e Alfred fez o mesmo, ambos se aninhando um no outro. O loirinho deu um beijo breve sobre os lábios do outro, finalmente se afastando um pouco e abraçando-o pela cintura, repousando sua cabeça sobre o ombro dele. Os cantinhos de seus lábios insistiam em fazer-lhe sorrir um sorriso meio bobo. Alfred sorriu também, sua mão larga indo brincar com os cabelos loiros de Arthur, abraçando-o mais para perto de si.
– Eu poderia ficar assim pra sempre. – murmurou, cheirando o pescoço de Arthur, sentindo-o morno contra seu rosto, arrepiando-se quando finalmente sentiu o perfume dele. Deus, como ele amava aquela pessoa. Seus lábios sentiram o pulso de Arthur acelerar em seu pescoço em reação às suas palavras, mas o loirinho não verbalizou seus sentimentos. Apenas abraçou-o com um pouco mais de força, fechando os olhos também, sentindo o garoto totalmente ao seu redor. Tomou um pouco de coragem e tentou dizer um pouquinho do que sentia.
– Eu também... – murmurou Arthur, ouvindo uma risada baixa por parte de Alfred.
– Deve ser o tempo que você passou cercado de anjinhos... Onde está o meu mal-humorado e mentiroso Arthur que eu conheço? – afastou-se um pouco e olhou nos olhos esverdeados do outro.
– Idiota... Meu sarcasmo é de excelente tom, ouviu? – ao contrário de sempre, seu tom não se alterou e a tranquilidade não deixou seus olhos. Ele meramente suspirou e tornou a ficar sério. – A visão de mundo de uma pessoa muda um pouco, sabe? Morrer é uma coisa engraçada, no final das contas. Depois que você está morto, consegue ver que bem pouca coisa que parecia importante é realmente tão importante assim. – havia um meio sorriso em seus lábios enquanto seus olhos se desviaram, não olhando para lugar algum em especial.
– E o que é importante? – murmurou o garoto, atraindo o olhar de Arthur para si.
– Geralmente, as pessoas. – seus olhos percorreram cada linha que formava o rosto do rapaz à sua frente. – Cheias de defeitos e qualidades, volúveis, imprevisíveis. Mas que sentiriam sua falta se você se fosse. Chorariam por você. – seus dedos afastaram a franja do garoto e seu olhar se tornou pensativo. Quanto tempo ele tivera... Tanto tempo e nunca dissera o que importava. Tanto tempo gasto hesitando e tão pouco tempo acreditando. Tanto que ele podia ter mudado, tanto que ele podia ter aprendido. Percebeu como o tempo parecia parar quando ele estava com quem ele amava. Aqueles pequenos minutos pareciam ter mais valor do que sua vida inteira. De repente, entendeu porque não era preciso que ninguém vivesse para sempre na terra. Não era preciso. Ele nunca devia ter desejado que o tempo parasse quando estivera junto de Alfred naqueles dias de guerra. O encanto era exatamente aquele momento ter terminado e, com o seu fim, a chance de outro momento ainda melhor acontecer surgia.
A graça é que tudo terminava para começar de novo, de um jeito diferente.
Arthur tocou uma das faces um pouco vermelhas do garoto, que virou-se e beijou-lhe a palma. Os dois se sobressaltaram quando um relâmpago iluminou repentinamente o quarto. Pouco depois, houve um rugido baixo de trovão. Ambos olharam para fora e viram água descendo pelo vidro da janela. O som da chuva tocando o chão se somou ao leve farfalhar das folhas lá fora e tomou o ambiente interno.
Os dois voltaram a se olhar. Arthur mantinha os braços soltos, apenas ao redor da cintura de Alfred, que também mantinha os braços em torno do tronco de Arthur. O garoto notou uma mudança nos olhos esverdeados do outro. E valorizou isso. Ainda que Arthur estivesse minimamente mais honesto, ainda omitia a maior parte do que sentia. Só que Alfred estava atento como se sua vida dependesse daquilo. Então, quando notou a tristeza naqueles olhos claros, sua mão imediatamente tocou a face de Arthur e a pergunta veio gentil.
– O que foi...?
– Nós só temos mais alguns minutos... – murmurou o loirinho, tomando a mão de Alfred na sua e segurando-a como uma criança faria diante da fúria de um trovão. Entretanto, não era da tempestade que Arthur tinha medo. A chuva caía silenciosa e gentil lá fora. Alfred apertou a mão do outro com um pouco mais de força. Arthur voltou a sussurrar. – Eu preciso ir...
– Só mais um beijo. – Alfred puxou a mão do loirinho até seu próprio peito, trazendo-o mais para perto, até suas faces estarem a poucos centímetros de distância. Sua voz foi baixa e suave e seu pedido, sincero. As respirações dos dois se cruzaram e eles estremeceram. – Só mais um... – sussurrou o garoto, segurando o queixo de Arthur com a mão livre e inclinando-o em sua direção. Seus olhos azuis viram quando o loirinho fechou os olhos e se aproximou também.
Ainda que eles tivessem se beijado várias vezes nos últimos minutos, não era como se seus lábios parecessem prontos para aquilo. Quando eles se tocaram novamente, ambos estremeceram diante da sensação, como que percorridos por uma corrente elétrica. A noção de que não havia muito tempo deixara o beijo mais afoito, longo, profundo. Alfred trouxe Arthur pela nuca, arrepiando-se quando sua língua encontrou a do loirinho e a massageou e percorreu. Alfred estremeceu e, àquela altura, o ar começava a faltar e sua mente estava um tanto vaga, simplesmente sentindo os lábios macios de Arthur nos seus. Suas costas lentamente deitaram sobre a cama e suas mãos seguraram o loirinho pelos quadris, deitando-o sobre si.
Arthur gemeu baixo com a posição, mas não se afastou. O beijo continuou mais lento e o loirinho sentiu quando as mãos do garoto subiram do seu quadril para a cintura e uma delas subiu ainda mais e entrelaçou nos seus cabelos. Devagar, Alfred inverteu as posições, deitando-se sobre Arthur, prensando o corpo dele contra a cama e o sentindo ofegar contra seus lábios.
– Eu preciso ir. – murmurou Arthur, suas mãos segurando as faces do garoto enquanto fechava brevemente os olhos e tentava respirar com mais normalidade. – Eu preciso ir. — Seus lábios buscaram os do outro mais uma vez, apenas tocando-os, então outra, então mais outra. Apenas parou quando sentiu algumas lágrimas caindo sobre o seu rosto. Ergueu-se um pouco, uma de suas mãos fazendo carinho sobre a bochecha do outro, tentando fazê-lo parar de chorar.
– Shh... vai ficar tudo bem, Alfred. – murmurou, tirando algumas lágrimas com a ponta dos dedos, tentando, por tudo, não chorar também. – A gente vai conseguir...
And when all hope is gone
I know that you can carry on
(E quando toda a esperança tiver ido
Eu sei que você pode seguir em frente.)
No entanto, seu cuidado e gentileza faziam a despedida ainda mais dolorosa, de modo que as lágrimas apenas fluíram mais rápido, o choro veio com mais força e o abraço veio por parte do garoto, inseguro e apertado. Arthur abraçou-o de volta, aninhando-o um pouco contra o próprio peito,
I’ll hold you till the hurt is gone.
– Hey... não chora.. – o pedido era um pouco egoísta, mas era simplesmente porque era insuportável ver aquela pessoa chorando. No entanto, ainda que o pedido tivesse sido baixo e difícil de atender, Alfred respirou fundo e tentou afastar as lágrimas. Porque se o tempo dos dois estava acabando, então ele queria ao menos ver Arthur com clareza. Este se afastou um pouco, aninhando suas faces entre as mãos. O garoto sentiu quando Arthur beijou-lhe as bochechas, afastando sua franja para beijar sua testa.
– Feche os olhos... – murmurou o loirinho.
Alfred parou por um breve momento.
Notou o tom misterioso que formava os fios dourados de Arthur sob a luz azulada da noite. Traçou mentalmente cada linha que formava seu rosto. Deteve-se no osso da mandíbula pronunciada e masculina. Percebeu a contradição entre isso e as bochechas macias, um tanto coradas. Tomou coragem e perdeu-se nos olhos esverdeados que o olharam de volta.
Suas pupilas estavam um tanto dilatadas, fazendo com que ele lembrasse algo como um coelho sob as luzes de um holofote. Ao mesmo tempo em que ele parecia levemente assustado por estar tão exposto, ele não parecia nem um pouco inclinado a atacar para se defender. E havia um cintilar quase febril nos olhos de Arthur. Como se sua alma estivesse sinceramente exposta por aqueles dois pedaços de jade líquido.
Então era esse o olhar que ele tinha quando fitava quem ele mais amava?
Por que eles tinham hesitado tanto?
You’ve got to live every single day
Like is the only one
(Você precisa viver cada dia
Como se fosse o único.)
Lentamente, Alfred fechou os olhos como Arthur havia lhe pedido. Seus sentidos foram tomados pelo leve barulho da chuva caindo lá fora e pelas folhas que farfalhavam ao longe. Ainda podia ouvir a respiração suave, ainda que um pouco acelerada, de Arthur. Esse respirou fundo uma vez, um pouco trêmulo. Alfred sentiu quando os braços dele contornaram seu pescoço. Então, reconheceu o beijo de Arthur novamente em seus lábios.
E, ainda que tivesse provado dos lábios dele antes, percebeu que aquele beijo era diferente. O movimento dos dois sincronizou e Alfred deixou-se levar pelo carinho delicado. Havia algum sofrimento escondido pela doçura do ato, assim como havia saudade reprimida e medo do que aconteceria no futuro. No entanto, havia um amor jurado ali e havia a força de um sentimento que levou séculos para amadurecer.
Era tudo o que Arthur sentia, mas que nunca conseguiria dizer.
Então ele jurava seus sentimentos naquele beijo. E seu coração batia com força dentro do peito quando ele sentia Alfred corresponder-lhe com tanta sincronia. Porque isso era prova de que ele entendia o que Arthur tentava tão desesperadamente lhe dizer. E era prova de que Alfred sentia o mesmo. A mesma exata saudade reprimida, a mesma força de um amor que ele mesmo começara e só agora via correspondido.
You know it’s only just begun
(Você sabe que apenas começou)
Arthur se afastou e fitou o garoto, que ainda estava de olhos fechados. Seus dedos entrelaçaram nos cabelos dele e ajeitaram um pouco a franja, que havia desarrumado na confusão. Alfred sentiu e virou o rosto de lado, seus lábios alcançando parte do pulso do loirinho. Foi trêmulo porque ele tinha medo de nunca mais encontrar Arthur de novo.
What if tomorrow never comes?
(E se o amanhã nunca chegar?)
Lentamente, os dedos deixaram seus cabelos e ele sentiu frio quando sentiu o loirinho se afastar.
Every single day may be our only one
(Cada dia talvez seja o nosso último)
– Não abra os olhos. — murmurou Arthur, pousando a mão sobre as pálpebras do garoto. – Nós não vamos mais nos ver por um tempo, mas não ache que eu te deixei sozinho. – o sussurro era quase devotado. Arthur recolheu a mão e se afastou um pouco mais.
What if tomorrow never comes?
(E se o amanhã nunca chegar?)
O garoto sentiu falta do contato e um nó se formou em sua garganta ante as palavras de Arthur. No entanto, ele engoliu o choro. Ele nunca chorara quando vira Arthur ir embora de casa, quando ele ainda era uma criança. Arthur sempre partia sem vê-lo verter uma única lágrima e era assim que Alfred queria que fosse naquele momento. Talvez ele só nunca tivesse desistido de tentar provar o seu valor ao outro.
Seu rosto estava quente por ter chorado há alguns minutos atrás, então ele sentiu quando a janela foi aberta e o vento frio, com algumas gotas de chuva, atingiu-lhe as faces.
Era estranho pensar em como os dois nunca estiveram tão perto quanto agora, quando estavam tão longe. Era estranho porque quando Arthur esteve realmente ao seu alcance, nenhum dos dois fez nada. Porque não queriam arriscar o pouco de contato que ainda tinham. Ambos viveram sempre adiando suas decisões, adiando verdades. Sempre deixando para amanhã, deixando para depois, deixando-se levar pela ilusão de que o outro sempre estaria ali.
Tomorrow never comes...
(O amanhã nunca chega…)
Houve um momento de hesitação por parte de Arthur, ele sabia. A janela ficou aberta por um minuto inteiro ainda, até que o garoto sentiu o vento cessar e o som da chuva ficar mais distante.
Seus olhos abriram e se depararam com o quarto vazio de novo.
E então foi questão de segundos. Alfred sentiu os olhos encherem de lágrimas, borrando o cenário azulado do quarto. Seus dedos seguraram os lençóis, como que se perguntassem se aquilo tinha acontecido mesmo. No entanto, qualquer que fosse a verdade, o único fato ali era a ausência de Arthur. As lágrimas correram muito rápidas, queimando as faces do garoto. Ele as limpou depressa e respirou fundo. O perfume de Arthur o atingiu com força.
E, Deus, como ele sentia falta do outro. Como era assustadora a perspectiva de nunca mais ver Arthur de novo. Havia um sentimento estranho no fundo da sua garganta. Era mais do que sentir falta de alguém. Doía latente ainda que fosse um sentimento suave. Era a lembrança persistente de Arthur, acompanhada da vontade de tornar a vê-lo. Era melancolia por não poder alcançá-lo naquele momento.
Saudade era um sentimento inexplicável.
Alfred jogou-se de volta na cama, escondendo-se embaixo dos cobertores, um tanto embaraçado com as lágrimas que insistiam em cair. Um trovão rasgou os céus com força, fazendo o garoto estremecer. Aquela fúria o fazia sentir-se pequeno e frágil. Fazia-o se lembrar de como era ver-se incapaz de fazer alguma coisa. Fazia-o se lembrar que ele perdera Arthur uma vez e podia muito bem perdê-lo de novo.
A chuva continuou, seguida de ocasionais estrondos no céu. Alfred fechou os olhos com força, desejando, por tudo, não estar sozinho.
Mas aí ele se lembrou de que não estava. Arthur prometera, não? Que não ia deixá-lo sozinho. Alfred inspirou fundo, fechando os olhos e colocando todas as suas forças para acreditar naquilo.
Talvez tivesse funcionado, porque a chuva passou a cair mais gentil lá fora. E algo naquele jeito mais suave de chover lembrava Arthur. Alfred suspirou, aliviado que não estivesse mais trovejando. Estranhamente, a chuva o acalmou, fazendo-o lembrar de tudo de bom que acontecera. Seu coração ainda palpitava, como que muito contente por ter sentido o coração de Arthur de novo. Os beijos eram vívidos em sua memória e ele provavelmente estava tão feliz por ter visto o loirinho de novo que poderia gritar. Ainda que sua saudade doesse aguda em seu peito, ele estava feliz.
Alfred ainda estava muito triste para deixar de chorar. Mas, ao mesmo tempo, estava tão feliz que seu sorriso era largo e sincero. Que importava todo o resto?
– Ele me ama. Ele me ama. – murmurou consigo, sorrindo, afundando a cabeça no travesseiro. Deus, do que ele poderia reclamar?
Quando Alfred acordou, a chuva havia passado e o perfume de Arthur, se esvaído. Não restava mais nada de concreto sobre quem o garoto amava. A noite parecia ter levado seus sonhos com ela. Alfred levantou da cama e abriu as brancas janelas, vendo o sol lá fora. Era um sol muito fraco, que lançava uma luz tímida sobre o mundo. O garoto dormira bem na noite passada, mas acordara pior do que antes. A presença de Arthur ainda era vívida em sua memória. Seu amor era correspondido. Arthur o amava de volta. Nunca o loirinho estivera tão perto de si, ao mesmo tempo em que nunca estivera tão longe. Seu peito doeu e sua garganta trancou.
Alfred não sabia como era possível. Mas era fato que ele se sentia infinitamente abençoado por terem-lhe concedido seu desejo sincero de que seus sentimentos fossem correspondidos e alcançassem Arthur. Ao mesmo tempo, saber-se amado de volta tornava a distância ainda mais dolorida.
Foi assim que ele se afastou da janela e trocou de roupa. Queria passar no cemitério de novo, talvez amenizar aquela distância. Foi apenas quando ele foi até sua mesa de cabeceira pegar o casaco, que ele parou. Embaixo da jaqueta, havia vários de seus pertences, mas não pareciam estar onde ele deixara. Havia fora de lugar uma caneta e um papel.
E, no papel, havia a letra de Arthur.
Do not stand at my grave and weep
(Não pare em frente ao meu túmulo e chore)
I am not there. I do not sleep
(Eu não estou lá. Eu não durmo.)
I am a thousand of winds that blow
(Eu sou milhares de ventos que sopram)
I am the diamond glints on the snow
(Eu sou o cintilar de diamante sobre a neve)
I am the sunlight on ripened grain
(Eu sou a luz do sol sobre grãos prontos para colheita)
I am the gentle autumn rain
(Eu sou a gentil chuva de outono)
When you awaken in the morning’s hush
(Quando você acordar na quietude da manhã)
I am the swift uplifting rush
(Eu sou o repentino ímpeto)
Of quiet birds in circled flight
(De pássaros quietos em voo circular)
I am the soft stars that shine at night
(Eu sou as estrelas suaves que cintilam à noite)
Do not stand at my grave and cry;
(Não fique em frente ao meu túmulo e chore;)
I am not there. I did not die.
(Eu não estou lá. Eu não morri.)
Sabe, Alfred... Os cemitérios são bons de se visitar ás vezes. A quietude e a paz daquele lugar são bons para que se lembre dos que se foram. Mas você não pode se esquecer de que aquilo é só um lugar. As lápides repousam apenas sobre restos. Apenas pó, que volta ao pó, volta ao mundo. Os restos daquelas vidas se tornam vida de novo, como um rio interminável. Quem aquelas pessoas foram. Quem eu fui. Nenhum de nós fica lá. Ninguém morre. Eu não te deixei.
Brittania sorria com algum humor quando viu Arthur retornar. Seu protegido parecia absolutamente embaraçado; mas inegavelmente feliz, se o sorriso que ele tentava esconder dizia alguma coisa.
O anjo ficou um tanto pensativo. Sim, sim, estava acabando o tempo daqueles que foram amaldiçoados e se tornaram nações. No início, não havia países bem definidos e as pessoas não sabiam sob a figura de quem deveriam viver. As representações humanas de nações vieram para reunir aquelas pessoas. No entanto, era um destino triste e uma vida violenta. Com o tempo, sua própria existência já não fazia sentido, não quando o mundo já conhecia suas bandeiras e seus símbolos nacionais. Eles apenas precisavam se desapegar ao seu eu enquanto nações e então, o castigo terminaria. O anjo voltou a olhar para a lista, respirando fundo. Seria doloroso, mas daria certo. Ele mesmo faria questão de se certificar daquilo.O anjo sorriu e voltou a olhar a lista que trazia em mãos.
Arthur Kirland — ok. Matthew Willians...
O outro observava o anjo, um tanto apreensivo. Não podia ver a lista, mas sentia a seriedade do assunto. Preocupava-se com Alfred. Preocupava-se com o que aconteceria dali em diante. Mas, depois de tudo que vinha acontecendo... Seu coração parecia incrivelmente leve.
Pensar no futuro que ele e Alfred poderiam ter. Tanto que ainda aconteceria entre eles! Era como se um caminho inteiramente novo se abrisse subitamente. Então, Arthur acabara por... aceitar aquela gotinha de esperança que acendia em seu coração. Era como uma fresta de luz que adentrava o quarto de uma criança que tinha medo do escuro. Não era como se aquela réstia de luz fosse resolver tudo, mas era sim alguma coisa. Esperança talvez não fosse tudo, mas ela o fazia ansiar pelo o que viria adiante, ainda que temesse também. Era contraditória como tantos outros sentimentos e talvez a mais difícil de definir, provavelmente por ser a que menos precisa de definição. O loirinho não sabia ao certo. Mas... a esperança fazia uma companhia suave e agradável ao amor correspondido que vivia agora dentro do seu coração. Então, naquele momento, ele tentou aceitá-la.
Arthur nunca tinha visto um final feliz. Mas, naquele momento, mais do que nunca, ele colocou toda a sua fé para acreditar em um.
Notas finais
-
Enfim! xD A música do capítulo é Never gonna be alone, não me pertence, tudo mais, sabem como é essa vida. O poema também não me pertence( droga xD) e... bem, não sei quem é o autor, quem souber, me diga e darei os devidos créditos o/
-
Sinto que estou esquecendo de dizer alguma coisa o.õ Hmm... hm... é, não consigo lembrar xD Bem, tomara que não fosse nada importante! Talvez hajam erros no texto, mas confio que a Ju me dirá se eu deixar passar algum xD ( essa menina tem olhos de raio x, não sei o que faria sem ela xD)
-
No mais, por último e não menos importante: agradecimentos super especiais a Labi, Jojo, Bia, Carol, Shirayuki, akimi, Ju, Cath, Yaya, Mah, Nocturne, Fraulein e Lirium! Vocês são lindos e fazem tudo isso valer a pena! Beijo, beijo, obrigada mesmo! :DD
Fale com o autor