Boulevard Of Broken Dreams
5 Capítulo 5 - O arcano 13
— Brittania, você precisa dar um jeito nas nossas colônias na América.
Arthur demorou alguns segundos antes de se dar conta de que ‘Brittania’ se referia a ele. Ele era o império britânico e representava toda a Grã-Bretanha. E Alfred era uma colônia, que começava a se rebelar. O loirinho se voltou para seu chefe e suspirou. Ele sabia que estava sendo muito permissivo e que isso traria problemas ao seu país.
— Sim, eu vou dar um jeito nisso... – prometeu ele, desviando o olhar. – Se o senhor me der licença... – e saiu silenciosamente com um breve acenar com a cabeça, fechando a porta atrás de si com um pequeno clique.
O loirinho caminhou pelos corredores cobertos de tapetes, conseguindo ouvir apenas seu coração batendo tão alto que ressoava em seus ouvidos. Subindo as escadas, à direita, reto até o final do corredor. Seus pés o levaram ao seu quarto, ainda que sua mente estivesse muito longe. Ele fechou a porta e se encostou nela.
— O que eu devo fazer? – finalmente o que o perturbava deixou os seus lábios. A pergunta apenas ecoou, sem resposta.
Porque Arthur estava com medo. Seus sentimentos estavam tomando conta de cada pedaço de si, de cada decisão que ele tomava. Como tomar qualquer decisão correta quando seu coração insistia em lhe gritar absurdos? E seus sentimentos eram tão sinceros, mas tão irrefreáveis, que ele não sabia mais o que fazer. Porque, no fundo, ele estava assustado. Assustado com a força que aquelas emoções tinham sobre ele. Assustado com o fato de não ter controle. E, principalmente, morto de medo da ideia de Alfred vir a odiá-lo.
Seu corpo escorregou lentamente, até atingir o chão, onde ele se sentou e puxou os cabelos para trás com força. Não havia escolha. Ele teria que contar com Alfred. Teria que contar com a esperança de que o garoto o tentaria compreender. Teria que contar com a ideia de que ele gostasse dele, nem que fosse um pouquinho, apenas o suficiente para não deixá-lo sozinho como todos os outros fizeram. E foi se agarrando à essa esperança, que o loirinho deixou a Inglaterra.
Arthur foi até a casa de Alfred. Caminhou pelas ruas, que ele conhecia tão bem, iluminadas pelo sol singelo da manhã. Havia algumas pessoas na rua, dando uma estranha atmosfera de familiaridade. O loirinho continuou seu caminho, se dirigindo até onde Alfred morava. Passou pelo portãozinho, contemplou as àrvores em volta, andando pelo caminhozinho de pedra. E pela primeira vez em muitos séculos, hesitou. Sua mão parou a centímetros da maçaneta enquanto o seu coração batia com tanta força que chegava a doer. Nesse momento, ele se afastou da porta e olhou para cima. Era tudo muito, muito azul. E não havia nuvem nenhuma, de modo que o céu parecia muito alto, como se ele se estendesse infinitamente e como se fosse impossível tocá-lo. E Arthur se perguntou se existiriam coisas nesse mundo feitas para serem tão inalcançáveis quanto aquele céu.
Mas respirou fundo, voltou a olhar para frente e abriu a porta.
— Alfred... – chamou o loirinho, quietamente.
Alfred estava em outro cômodo, mas foi até a sala quando ouviu a voz suave de Arthur chamando seu nome. Aquela cena era tão familiar.
No entanto, o rapaz notou o tom sério do britânico. E respirou fundo.
— O que foi, Arthur?
— Eu... – Suas mãos se fecharam de nervosismo, mas sua expressão era meramente séria. – O Stamp Act está suspenso, mas eu preciso que você entenda que eu tenho o direito de te legislar quando eu precisar. – e houve uma pausa enquanto ele tirava do bolso interno do paletó alguns papéis. – Só... Meu parlamento aprovou isso e nós podemos voltar a ser como costumávamos ser.
— O que é isso, Arthur? Parece...
Dependency of Ireland on Great Britain Act. Aquilo que praticamente atava a Irlanda à Grã- Bretanha. O documento era muito, muito parecido, seus termos... Aquilo praticamente o igualaria a um dos irmãos de Arthur. Os dedos de Alfred tremeram enquanto ele segurava o papel.
- Eu não vou ser da sua família, Arthur. Eu me recuso. – disse com os dentes trancados, seu queixo muito tenso. Ele não ia lutar tudo aquilo para virar irmão de Arthur de novo. Na verdade, quando ele fitava o rosto do loirinho, ele sentia o ódio escorrer pelas suas veias. Porque Arthur olhava para ele com tanta inocência, com tanto carinho e familiaridade. Mas não olhava como Alfred queria que olhasse. E aquilo lhe tirava completamente o controle. Ele tinha vontade de apedrejar aquela mão gentil que afagava sua cabeça. Por que, droga? O que ele não tinha? Por que Arthur não o queria como ele queria? O garoto jogou o papel na cara do outro e olhou fundo em seus olhos verdes. – Eu não quero ser da sua família, não quero a sua legislação, não quero ficar perto. Eu odeio você. Por que é que você não cai morto e me deixa em paz? Ninguém ia sentir a sua falta! – e saiu da sala, batendo a porta do próprio quarto.
O loirinho segurou o papel fracamente entre os dedos, seus olhos verdes se arregalando levemente em choque. Ele piscou algumas vezes, como que para se assegurar de que aquilo era verdade mesmo.
Eu odeio você.
Suas mãos começaram a tremer, mas seus olhos ainda fitavam o espaço à sua frente. E ele não conseguia entender porque de repente tudo ficara borrado. De repente, respirar ficou mais difícil. E uma gota molhou o papel. Arthur olhou, perplexo, outras gotas caindo, borrando a tinta. Demorou alguns instantes até o loirinho perceber que estava chorando. Um soluço entrecortou sua respiração e ele largou o papel no chão, enquanto uma de suas mãos tentou conter as lágrimas quentes que desciam pelas suas faces sem o seu consentimento. Arthur estava perplexo. Por que ele estava chorando? Ele não conseguia entender. Quantas e quantas pessoas já não lhe disseram a mesma coisa? Já não o amaldiçoaram? Cuspiram em seu rosto? Disseram a ele o quanto sua existência era amaldiçoada? E ele nunca chorou por causa disso. Porque ele nunca fora um fraco.
Então por que agora? E daí se Alfred era como todo o resto?
Por que você não cai morto
E daí se ele também queria Arthur longe e morto de preferência? Por que ele estava tão surpreso?
Arthur se virou e saiu apressado, tentando enxergar o caminho por entre as lágrimas que insistiam em embaçar seus olhos muito verdes. Quando foi que as doces palavras do garoto se transformaram em sentenças afiadas, atiradas para magoá-lo?
E me deixa em paz, hein?
Quando foi que Alfred passara a odiá-lo, assim como todo mundo?
O loirinho saiu apressado pelas ruas. Ele não sabia direito para onde estava indo. Ele só queria ir pra longe. Ficar longe. Mas ele nem sabia onde era isso, porque ele nem sabia do que estava fugindo. Ainda assim, lágrimas corriam pelo seu rosto, seus olhos ficando irritados, avermelhando. As pessoas na rua começaram a perceber e apontar. Quando Arthur reparou nisso, ele virou em uma rua qualquer e depois entrou em um beco. O loirinho respirou fundo e encostou-se na parede, pouco se importando se suas roupas estavam ficando um lixo em contato com toda aquela sujeira. Ele apertou os olhos com o indicador e o polegar, respirando fundo.
— Eu não me importo. – sua mentira foi tão tola que nem ele mesmo acreditou. – Eu não ligo porque ele não é importante pra mim. Ele é como qualquer outra pessoa. – não havia ninguém ali, mas mesmo se houvesse, o mais tolo dos homens perceberia o tamanho da mentira que o loirinho dizia. Ele mesmo percebeu que era inútil. Em um sussurro, ele disse verdades. Mas era tão baixo que ele mesmo mal conseguia escutar.
— Eu... eu não dei liberdade suficiente pra ele? Eu não estive aqui quando eu pude? Eu... – droga, ele era provavelmente o país mais democrático e liberal da Europa com suas colônias. – Por que eu nunca sou o bastante? – perguntou, magoado, tirando bruscamente as lágrimas de seu rosto. Por mais duro que ele tentasse, todo mundo sempre o deixava para trás. Por melhor que ele tentasse ser, ele estava sempre sozinho. E, francamente, ele estava cansado de se magoar por isso. Cansado de chorar por causa da família destruída que ele tinha, por causa de amigos que ele não tinha, por causa de uma solidão que ele não sabia como diminuir – Você não é e nem nunca vai ser o bastante. Você vai morrer sozinho porque ninguém nunca vai ficar ao seu lado. .. — . O melhor era atirar palavras cruéis para si mesmo. Porque assim, ele não seria mais pego de surpresa pelas palavras de ninguém. E assim ele não teria mais que se sentir assim. – As maldiçoes do Scott devem funcionar mesmo. — e ele deu um sorriso triste, ainda tentando inutilmente tirar as lágrimas da frente. Arthur detestava se sentir fraco e vulnerável. E era assim que ele vinha se sentindo de uns tempos para cá. Ele não conseguia entender a bagunça que eram seus sentimentos, porque ninguém nunca lhe ensinara o que era amar alguém. O loirinho podia ter visto muito nesse mundo, mas era só uma criança que não fazia a menor ideia do que era amar alguém. Ele só entendia que doía quando Alfred dizia aquilo, quando ele mostrava que tinha nojo dele, que o queria longe. Só não sabia porque o que o garoto achava ou deixava de achar era tão importante para si.
Por longos minutos, ele ficou ali, sozinho, tentando encontrar alguma resposta. Era tudo tão confuso. Mais do que confuso, era... doloroso. E ele não era masoquista o suficiente para ficar ali e assistir Alfred desprezar o relacionamento que eles tinham, os sentimentos que Arthur tinha.
- Acho que o melhor é eu voltar pra casa... não tem sentido eu ficar aqui... – disse dando um leve sorriso magoado e colocando as mãos dentro dos bolsos e levantando a cabeça.
Ele não voltaria para lá. Ele não queria mais se envolver. Surgiram novas taxas. Os colonos se rebelaram. Boston foi ocupada. Alfred se aproveitou da situação e inventou qualquer coisa sobre o Massacre de Boston. Arthur sabia que morreram seis pessoas, no máximo e fora acidente. Mas sabia também que manipular a opinião pública era necessário para que certos grupos tivessem o que elas queriam. Para que Alfred tivesse o que ele queria.
E ele fingia não se importar. Ele sentava-se sozinho na sua casa e tomava chá em sua sala. Havia um grande relógio, que avisava o tempo se consumindo lentamente. Arthur se sentava lá, todos os dias, como ele costumava se sentar com Alfred. E ele fazia chá e biscoitos, como se alguém fosse acompanhá-lo. Mas ninguém nunca veio. Ele simplesmente se sentava ali, sozinho, e tomava chá. Seu olhar estava sempre perdido no horizonte e sua mente estava sempre perdida em tardes de valsa e manhãs de passeios. Seu coração estava sempre tomado por um garoto de olhos muito, muito azuis, que costumava sorrir para ele. Seus pensamentos insistiam em lhe mostrar dias de sol em um mundo muito cintilante que ficava além da linha que apartava o céu do mar. Só que do lado de fora de sua janela, caía uma chuva cinzenta e sem graça. Ainda assim, havia um brilho nos olhos do loirinho, que não se apagava. Era a chama de uma vela, alimentada por lembranças muito queridas.
Por dias, ele apenas sentou ali em sua sala. Todo dia ele pousava sobre a mesa de madeira uma xícara de chá e um bule. E se sentava na cadeira simples de madeira. E olhava para fora, perdido em lembranças. Arthur sabia que não devia viver do passado. Mas também sabia que era irresistível olhar para aquelas memórias, ainda mais quando seus dias passavam pela sua janela e pareciam todos os mesmos. Ainda mais quando ele se sentia tão sozinho no mundo.
Ninguém procurou saber notícias dele. Foram anos a fio nos quais Arthur repetia essa mesma rotina. Era o seu último recurso . Uma rotina. Quando tudo à sua volta parecia desmoronar tão depressa, era reconfortante poder contar com alguma coisa, nem que fosse com a pontualidade com que ele tomaria chá. Parecia tolo, até infantil quem sabe, mas era o pouco que ele tinha, e um pouco do qual ele não queria abrir mão.
Mas aquele desespero quieto de Arthur acabou quando ele fora mandado de volta para o Novo Mundo. Porque não se pode fugir da realidade por muito tempo...
Quando ele voltou se deparou com uma cena no porto. Alfred estava lá. Como quando ele era um garoto, estava esperando por Arthur no porto. Um sorriso abençoou as feições do loirinho quando ele reconheceu o rapaz. E, francamente, ele estava orgulhoso. Alfred estava alguns poucos centímetros maior, mas visivelmente mais forte, seus olhos azuis muito vívidos. Arthur continuava magoado, mas era difícil se lembrar disso quando ele voltava a ver o garoto. Porque Alfred, de pouquinho a pouquinho, conquistara um espaço enorme em seu coração. De fato, um espaço tão grande que Arthur já não conseguia tirá-lo de lá. Então, ele resolveu fingir que nada tinha acontecido. Quando Alfred virou para olhar para ele, o loirinho apenas sorriu e acenou brevemente.
Para sua surpresa, o garoto sorriu de volta e o chamou para vir mais para perto.
— Hey, Arthur! Que bom que você veio! – e lhe sorriu, puxando-o pela mão.
— Como assim? – perguntou o loirinho, levemente surpreso com o quão agradável era andar de mãos dadas com Alfred. As mãos dele eram largas e aninhavam sua mão com perfeição, envolvendo-a em um calor muito reconfortante.
— Chegou bem na hora da festa! – Arthur arregalou os olhos, percebendo o tom maldoso na voz do garoto.
— Alfred, o qu-
E mais adiante no porto, as pessoas chutavam caixas e caixas do melhor chá que o loirinho mandara para lá. Alfred soltou sua mão e apoiou-se em um dos containers, pisando sobre ele.
— Sabe o seu chá? – o garoto sorriu, empurrando a caixa na àgua. – Eu odeio isso.
— O q-que? Mas, Alfred, você costumava... – os olhos de Arthur continuavam muito abertos, sua voz estremecendo levemente.
— Não termine essa frase. – cortou o garoto, sua voz mortalmente séria, encarando o outro com ódio. – Eu não quero lembrar daqueles malditos anos com você. – mentiu ele, se virando e indo embora. Gritou para o resto das pessoas jogarem o restante das caixas no mar, que ele estava indo para casa descansar.
Na verdade, ele estava indo para casa tentar esquecer o olhar que Arthur lhe lançara. A decepção estampada naqueles olhos tão verdes dele doía muito mais do que Alfred imaginara.
Arthur voltara para casa e fora reportar o incidente aos seus superiores. Ele simplesmente jogou tudo o que ele viu, nem se dando ao trabalho de continuar no recinto para discutir o assunto. Ele não queria saber. Qualquer coisa sobre Atos Coercivos. Ele não queria ouvir.
O loirinho apenas se dirigiu ao próprio quarto, tirando do armário uma caixa muito bonita, decorada com várias conchinhas coloridas. havia ainda alguns detalhes em prata e um nome na caixa. Lentamente, ele retirou a tampa e tocou seu conteúdo. Ali estavam desenhos, presentes, bilhetinhos, dezenas de objetos sem nenhum valor. Mas o sorriso que se desenhou no rosto de Arthur denunciava o quão importantes todas aquelas coisas eram para ele. Aqueles milhares de rabiscos, retratos muito mal-feitos... Pequenos pedaços da infância de Alfred. O britânico retirou, com muito cuidado, os papéis e lembrancinhas, colocando-os de lado, achando o fundo da caixa. Ali, duas das vestes que Alfred usava quando era uma criança muito pequena. O lacinho era muito bem feito, ainda que a costura fosse sem detalhes. Arthur bordara aquilo, mas, na época, ainda um adolescente. Fora um trabalho meio tosco, que custara muitas gotas de sangue tiradas com a agulha, que insistia em perfurar seu dedo no lugar do tecido. Mas a roupa havia ficado muito bonita e Alfred havia ficado encantador.
Um sorriso doce e suave abençoou as feições de Arthur. Muito cuidadosamente, ele recolocou tudo de volta na caixa e fechou a tampa. Depois, saiu do quarto, abraçando a caixinha. Desceu as escadarias, virou na sala, à esquerda e em direção ao porão. Lá, ele foi até o final do cômodo, se ajoelhando e abrindo a caixa de novo.
Respirou fundo e olhou para frente. Seus olhos verdes refletiam as chamas alaranjadas da fornalha. Duas lágrimas beijaram cada lado de suas faces e suas mãos, tremendo, tocaram os desenhos do garoto. Um a um, Arthur os colocou nas chamas, assistindo-os se consumir, enquanto mais lágrimas queimavam suas bochechas. Finalmente, ele alcançou as pequenas vestes. Seus dedos acariciaram o tecido muito delicado e seu sorriso foi muito triste, seus olhos se perdendo em um tempo que nunca mais ia voltar. Devagar, suas mãos acolheram as roupinhas de criança e ele as levou até o rosto, beijando de leve o tecido, seus olhos se fechando ante à delicadeza de seu gesto, algumas lágrimas seguindo sua doce despedida. Finalmente, ele jogou as vestes dentro da fornalha, fechando-a e se colocando em pé. Por longos minutos, ele viu as chamas consumirem fio a fio, desfazendo sua costura. Arthur assistiu apenas, sem desviar o olhar, sem nem se importar com as lágrimas que acariciavam suas faces.
Aquele era o certo. Por mais que ele amasse as lembranças que aquelas pequenas coisas trouxessem, ele devia jogá-las fora. Porque aqueles objetos não eram dele. Aqueles objetos pertenciam a Alfred. E Alfred não queria mais aquelas memórias, aqueles anos que eles tiveram.
Aquela tinha sido a decisão mais difícil que Arthur fora obrigado a tomar até então. Mas houve outra. Da qual ele nunca conseguiu se esquecer. Em uma noite que o perseguiria em seus sonhos até o final de seus dias. No momento em que, finalmente, aquela doce fantasia, a mais linda quimera que Arthur cultivara se fora. O dia em que a única pessoa que ele pensava que não o deixaria, foi embora.
- Ei, Inglaterra. Eu... no final das contas... eu escolho a liberdade. – a voz de Alfred tremia. Ele tinha chegado tão longe, mas ainda estava com tanto medo. Porque agora ele se perguntava se Arthur entenderia os motivos que o levaram a destruir tudo o que eles tinham juntos.
- Eu não sou mais criança, nem o seu irmãozinho. — justificou-se ele. — Por isso, agora, eu estou me separando de você! – seus olhos muito claros vacilaram, mas sua voz saiu sem estremecer. Seu tom já não era a voz doce que ele tinha. Seu timbre era mais masculino, mais grave. Mas seu rosto ainda tinha as feições meio infantis, assim como seus olhos aparentavam uma inocência de alguém que nunca vira nada.
Arthur hesitou. E tentou travar sua expressão em uma severa, como se ele soubesse o que estava fazendo. Mas no fundo, ele não sabia. Porque ele olhava no fundo dos olhos de Alfred e via um garoto. Suas íris muito verdes tremeram quando ele avançou na direção do seu garoto.
— Eu não vou aceitar isso! – gritou ele em uma voz trêmula. Sua expressão vacilou por uma fração de segundo. Porque a determinação dele escondia aquele medo sincero que ele tinha de ficar longe do garoto.
Alfred viu Arthur se aproximar e retirou sua arma da frente, por medo de machuca-lo. E seus olhos azuis se arregalaram, seus lábios se abrindo levemente, perplexo. Porque mesmo tendo chegado até ali, ele nunca imaginara o dia em que Arthur lhe apontaria uma arma. Não Arthur. Porque o seu Arthur lhe apontava flores. Ele sorria para ele em tardes que tinham cor de pôr-do-sol e ria quando o garoto se confundia ao dançar com ele. Arthur lia histórias e contava sobre um lugar muito bonito que ficava muito, muito além do horizonte. Ele lhe estendia a mão e o guiava de volta para casa, porque sabia que ele tinha medo de se perder.
A arma de Alfred caiu no chão com um baque surdo, mas ele não conseguiu se mexer.
— Você é muito ingênuo, seu idiota... – sussurrou Arthur, sua respiração tremendo. O garoto não reagia. Apenas fitou a arma que lhe era apontada. E o loirinho percebeu, à beira das lágrimas que o garoto não ia voltar atrás. Percebeu que mesmo ingênuo assim, ele queria se jogar no mundo, para qualquer lugar. Qualquer lugar bem longe dele. Alfred preferia morrer a voltar para perto dele.
Então, finalmente, o loirinho viu que não havia mais sentido naquilo tudo. Ele estivera lutando para ter o seu garoto de volta. Mas ele não voltaria. Alfred preferia morrer a estar com ele. Então não era em vão tudo aquilo? Ele devia atirar na cabeça dele e acabar com tudo aquilo. Seus dedos tocaram o gatilho e suas mãos ficaram tensas.
E mesmo tão magoado, Arthur fitou o rosto de Alfred e, sinceramente, não conseguiu. Porque Alfred era tão querido para ele, tão especial. Como ninguém nunca fora. Então, sua arma também caiu ao chão, assim como o loirinho, os soluços aos poucos deixando sua garganta, que doía como se houvesse algo entalado nela.
— Inglaterra... – Alfred não ousou pronunciar o nome de Arthur. Porque o nome de Arthur era doce em seus lábios. E sua boca estava corrompida com um gosto amargo que ele não sabia dizer exatamente o que era.
E Arthur se calou. Porque estava profundamente decepcionado. Porque ele tinha se entregado e acreditado em algo que jamais poderia ser verdade. Aqueles dias de paz em um mundo imenso e cheio de luz, preenchido pela companhia de alguém por quem ele tinha uma afeição tão profunda... Aquelas promessas de que eles nunca se separariam, de que ele nunca mais teria que ficar sozinho.
Alfred mentira, enquanto Arthur se abrira. E, finalmente, estava na hora dele pagar pela ingenuidade. Era a hora em que ele se arrependeria por ter baixado a guarda, por ter deixado seu coração tão na mão dele. Porque agora, Alfred o magoaria. E não havia sarcasmo nem frieza que o protegesse. Era o seu coração na linha de tiro, e apenas ele. Porque Arthur se deixara levar. Acreditara em palavras, que são breves como a vida de uma borboleta.
— Você costumava ser tão grande. – disse Alfred, olhando do alto para o que lhe pareceu um Arthur muito patético.
E o estrago estava feito. Os soluços do loirinho sacudiam seu corpo e sua mão tentava, inutilmente esconder as lágrimas que desciam e queimavam suas faces. Finalmente, Alfred dissera suas últimas palavras, como em um golpe pouco misericordioso em alguém que já tinha caído. Porque Arthur tinha caído. Finalmente, deixado seu coração ser despedaçado por alguém. E agora ele se ajoelhava, embaixo de uma chuva que parecia querer fazê-lo sumir, magoado e ferido, finalmente quebrado.
Suas tropas recuaram e Alfred foi embora junto com seus colonos, rumo a uma suntuosa comemoração. Mas Arthur apenas continuou ali, chorando como se alguém se importasse. A chuva continuou a açoitar seus ombros, o encharcando até os ossos. E o loirinho chorou, tremendo em soluços, por uma mágoa dolorida demais para suportar. Seus olhos verdes se derramaram, cintilando em uma cor muito triste enquanto ele fitava o chão abaixo de si, suas luvas brancas apertando com força a terra barrenta. Porque ele estava tentando se segurar. Qualquer coisa que o desse apoio, porque a dor chegava a cegá-lo e confundi-lo. Nada nunca tinha doído assim porque Arthur nunca se entregara. Mas ali estava. A dor era real e a mágoa era verdadeira. E, por Deus, doía. O loirinho chorou, como há muito tempo não chorava, tentando ignorar a maneira como seus olhos ardiam e como seu corpo tremia, como o ar queimava quando ele inspirava bruscamente, soluçando. Aos poucos, ele sentiu-se febril, seu corpo anestesiado de frio.
Seu olhar se ergueu lentamente e ali estava a prova absoluta de que seu coração estava partido além de qualquer possível reparo. Seus olhos verdes fitaram o lugar onde Alfred estivera horas atrás. E, finalmente, não havia brilho nenhum. Finalmente, seu olhar esvaziou, suas orbes muito verdes em contraste com seus olhos vermelhos das lágrimas. E um fantasma de um sorriso pairou sobre seus lábios trêmulos enquanto ele sussurrava cruelmente para si mesmo: bem feito.
Quem mandara achar que seria diferente? De onde ele tirara a ideia ridícula de que Alfred se importava com ele? Ninguém se importava.
Seus olhos, nem tão verdes assim agora, se fecharam e ele tombou para frente, caindo com o rosto sobre a terra barrenta. Um calafrio percorreu seu corpo inteiro diante do contato da superfície gelada com seu rosto muito quente.
Só que Arthur não se importava mais. Sua consciência aos poucos se esvaiu e seu corpo repousou em silêncio na madrugada, enquanto o céu desabava sobre o campo de batalha, completamente alheio ao loirinho, que tremia. Alguns minutos depois, houve alguns tímidos soluços. Arthur voltou a chorar enquanto dormia.
Alfred virou sua sexta dose de cerveja. O clima da comemoração era contagiante. Havia alguns homens tocando músicas alegres, outros dançavam, gritavam uns com os outros. Ocasionalmente, havia uma briga aqui e ali entre dois bêbados mais exaltados, o que animava a comemoração, formando rodinhas de aposta sobre quem ganharia a luta. Em sua mesa estavam os melhores homens de suas tropas, dando-lhe tapas nas costas e o desafiando a beber ainda mais.
Ele virou a terceira dose sob aplausos gerais, ainda que sua cabeça rodasse muito agora. O rapaz logo percebeu que estava bebendo muito rápido e que isso fazia a bebida subir mais à cabeça mais depressa. Arthur nunca lhe dissera isso. Na verdade, Arthur nunca dera bebida a ele.
— Esse é o nosso homem! – gritou um dos rapazes ao seu lado, dando-lhe um soco brincalhão nos ombros. Alfred sorriu para ele e bateu a caneca vazia na mesa. O rapaz o segurou pelos ombros e sorriu também. – Esse é só o primeiro passo. Nós somos livres! E vamos ser o melhor país de todos. Nós somos fortes. Vencemos o maior Império do mundo como se não fosse nada! Agora, nós podemos ter o mundo.
Alfred sorriu-lhe de canto. – É, nós podemos mesmo. – e seu sorriso alargou ainda mais. Mesmo enquanto andava, trôpego até sua casa, seu sorriso não vacilou.
Seu ego inflava. Porque ele agora era livre. E podia fazer o inferno que bem entendesse. Ele havia ganhado. Ele vencera. E a Inglaterra, que um dia lhe pareceu tão grande, era só um rapaz caído na lama.
No entanto, uma parte de si queria tomar aquele rapaz nos braços e confortá-lo. Porque ele pareceu tão destruído, tão magoado. Porque, no fundo ele sabia, que fora injusto com o loirinho. Ele podia ter dito como se sentia. Ele podia ter sido gentil em suas palavras.
Mas... sem Arthur... ele podia ser grande. E se ele fosse grande, ele não teria mais que sofrer. Porque todos o respeitariam. E ele não precisaria chorar porque uma pessoa não o quis. Porque se fosse grande, ele podia ter qualquer pessoa do mundo. Melhor... Ele podia ter o mundo todo.
E ali despertava uma parte de si que Alfred não conhecia. Uma parte que queria jogar fora todos aqueles sentimentos que o confundiam. Aquele passado. Aqueles dias em que o mundo era tão grande e tão brilhante. Dias que pareciam ter sido marcados a ferro quente em suas lembranças.
Porque todas aquelas memórias eram desnecessárias.
Porque ele queria ser grande. Maior que qualquer outro. Mais rico e poderoso do que qualquer um. Ele nunca percebera isso enquanto estivera sob a guarda de Arthur. Porque, perto dele, Alfred só conseguia pensar em livros e jardins, ocasionais passeios no campo e tardes de valsa.
Mas isso estava atrapalhando. Finalmente, seus sentimentos ficaram em seu caminho. Laços, relacionamentos, lembranças.... Nada daquilo tinha valor. Nada daquilo era concreto. Alfred chutou o baú que ficava dentro do seu quarto, observando que havia um pouco de ouro ali. E ele sorriu para o metal. Porque aquilo era concreto. E ele podia ter muito mais. E se suas terras fossem ricas também? Aquele continente todo podia ser muito rico...
Ele olhou para o outro lado de seu quarto. Lá havia uma pequena arca, sobre sua cômoda. Lentamente, o garoto andou até ela e a abriu. Lá dentro havia cartas e cartas de Arthur. Assim como uma pequena latinha do chá favorito do britânico. E a caneta que ele mais usava, mas que um dia estragou e ele jogou fora, sem nem perceber que Alfred a recolhera do lixo e guardara consigo. A caixa tinha vagamente o cheiro de Arthur. Os dedos do loirinho costumavam cheirar à canela. Mas as roupas dele tinham cheiro de chá e de livros. Só que o perfume da caixa era uma imitação falha e pobre do que era o perfume que o loirinho exalava. Existia um frescor no aroma dele, quase como uma tarde com chuva de verão.
O garoto fechou a caixa e a abraçou, perdido.
Metade de si era um monstro de ganância que queria passar por cima de tudo e todos. Que não hesitaria em assassinar, destruir. E outra metade queria voltar para os braços de Arthur, queria ouvir a voz dele mais uma vez, sentir o perfume dele, nem que fosse uma última vez. Algumas lágrimas desceram pela face macia do rapaz, que deitou-se em sua cama, ainda com a arca nos braços.
Como será que estava Arthur agora?
Quando Arthur voltou a si, o dia já amanhecia. E, claro, fazia uma maravilhosa manhã de sol. Porque não bastava ele estar arrasado. O clima tinha que rir da sua desgraça. A luz era tão intensa que irritava seus olhos e o ar era muito fresco. Ele olhou, exasperado para aquele espetáculo de luzes. E, sinceramente, mandou tudo ir pro inferno.
O britânico voltou ao seu navio e trocou de roupa, jogando-se em sua cama e encarando o teto de sua cabine. Respirou fundo e empurrou para longe as lágrimas que insistiam em cair. Sinceramente, ele não aguentava mais chorar. Seus olhos estavam muito irritados àquela altura e sua cabeça estava uma confusão. Tudo era tão surreal. Arthur pegou a jarra de àgua que ficava ao lado de sua cama e a virou em seu rosto, ainda febril, tentando impedir-se de chorar de novo. A água bateu, gelada, em suas faces avermelhadas, fazendo seus lábios tremerem de frio. Ele ainda estava magoado, se sentindo traído e usado, mas não conseguia mais chorar. Então, ele colocou um dos braços sobre a cabeça e em alguns minutos, adormeceu. Seu sono era preenchido por pesadelos cheios de sombra e penumbra. A maioria deles incluía, no entanto, fatos reais. A maioria era uma repetição maldosa de todas as palavras que Alfred atirava contra ele.
O loirinho acordou várias vezes, assustado, seu coração palpitando. Só que ele acordava para uma realidade que era pior que seus pesadelos. Porque era possível acordar de um sonho ruim. Mas aquela realidade ali era absoluta. Cada vez que ele se levantava, ele voltava a se jogar na cama de novo, ainda sentindo-se suar frio. Depois de algumas horas, ele não conseguiu mais repetir aquilo, de modo que se levantou e saiu.
Sentou-se ali perto, entre as árvores, onde ninguém poderia vê-lo. Não que alguém o estivesse procurando, claro. Ele apenas sentou-se e olhou para a àgua que batia no porto.
E nada se passou pela sua cabeça. Arthur tinha chegado a um limite. Ele não conseguia mais lidar com os sentimentos que o sufocavam. Ele não tinha mais a menor condição de continuar sofrendo. Ele perdera tanto tão rápido, que já não conseguia mais. O loirinho olhou para frente, simplesmente. Seu olhar era tão vazio quanto as veias de um cadáver. Ainda havia algo ali. Mas estava podre. E como sangue putrefato, aquilo envenenava o resto do seu corpo.
Demoraria alguns anos até Arthur finalmente conseguir voltar a chorar sobre aquele dia. Naquele primeiro momento após aquele último conflito, ele apenas fitou o vazio. Porque, de repente, ele já não tinha mais nada. O que se podia ter de precioso nessa vida? Família? Amigos? Ele não tinha nada disso. Na prática, nem dinheiro ele tinha. Se ele precisasse de algo, tinha que pedir ao seu governo, mas geralmente isso nunca acontecia. Ele sofria junto com a maioria do povo dele. Então, depois de todos esses séculos, o que ele tinha?
Ele tinha mais é que se conformar com o fato de que ele estava sozinho e continuaria sozinho até o último dia da sua vida. E daí se ele odiava se sentir solitário? E daí se ele queria alguém que olhasse em seus olhos e dissesse que ia ficar tudo bem? E daí se ele só queria que alguém o segurasse apertado algumas vezes e o escondesse do mundo nem que fosse só por cinco minutos? Ele não podia ter nada daquilo e era completamente sem sentido continuar insistindo.
Naquele mesmo dia, Arthur embarcou de volta para a Europa. Era noite quando seu navio partiu. Ele virou para trás e olhou, uma última vez, para todas aquelas terras. Para todas as lembranças do que um dia ele vivera ali. A àrvore um pouco mais a frente onde ele costumava ficar lendo enquanto Alfred corria. Aquela macieira no jardim, embaixo da qual eles tomavam chá. Aquele porto, onde ele encontrava Alfred à sua espera. Aqueles degraus de madeira que o garoto percorria correndo, pulando em cima dele e o abraçando apertado, dizendo o quanto sentiu a falta dele. Tudo aquilo...
Ele olhou para a àrvore. Para a maciera. Para o cais. Era noite e estava escuro. A àrvore era só mais uma árvore como qualquer outra. A macieira nem era distinguível na escuridão. E o cais era só uma construção de madeira que dormia em silêncio no escuro. O mar refletia palidamente a lua que minguava. Então, ele percebeu, que ali era só um lugar. Ele não sentiria falta daquele lugar. Ele sentiria falta de Alfred. Daqueles momentos. Daquele passado tão cheio de vida, daqueles sonhos, que ele já não podia mais alcançar.
Ele deu as costas ao continente e embarcou em silêncio. Sua experiente tripulação já sabia o que fazer apenas com o acenar que ele deu com a cabeça. E em alguns instantes, o navio de Arthur partia, deslizando pelas àguas escuras, em completo silêncio, como um navio fantasma.
Em direção à Europa. Arthur odiava aquele lugar. Quando chegasse as pessoas ainda ririam do seu fracasso, ririam ao ver o quão despedaçado seu coração estava. Mas, sinceramente, não importava mais. Seu coração tinha sido partido de maneira tão absoluta que ele já nem conseguia senti-lo direito no peito. Ele apenas batia de um jeito oco dentro de si, a dor tão grande que ele já nem conseguia sentir. Ele só queria chegar em casa. Sair na noite, se embriagar até se esquecer quem era, se perder. E, com sorte, ninguém o encontraria. Até porque ninguém o procuraria.
O mais acertado a se fazer era nunca mais deixar ninguém chegar perto dele de novo. Ele não queria se abrir nunca mais, não queria que alguém o deixasse tão destruído de novo. Ele devia se afastar das pessoas, criar barreiras, muros, qualquer coisa que mantivesse todo mundo bem longe. O loirinho colocou seu chapéu de capitão, dando um sorriso vazio e cínico. A dor lentamente forçava aquela doçura estúpida que ele tinha a se tornar cinismo. Cínico, sarcástico, amargo e desamparado. Porque talvez fosse chegada a hora de enterrar aquele Arthur gentil, cheio de sonhos. Aquele eu tão mais vulnerável.
O britânico se apoiou no convés, olhando a terra se distanciando, pouco a pouco, até ser só um borrão no horizonte. Seus olhos verdes estavam tão sem luz quando as àguas muito escuras abaixo de si.
O Arcano 13 — A morte
Um esqueleto, numa armadura e montado num cavalo, cavalga por um campo, onde pessoas de diversas posições na vida estão reduzidas à condição inanimada.
Significado divinatório:
Perda. Fracasso. Alteração. Mudança brusca do antigo eu, nem sempre obrigatoriamente através da morte física. O fim de uma situação familiar ou de uma amizade. Perda de rendimentos ou de segurança financeira. Começo de uma nova era.
Notas finais
Enfim, fiquei sabendo que, no final das contas, tinha gente lendo mas não tinha gente comentando (pelos mais diversos motivos - até preguiça T-T Acho paia, mas enfim xD) E também que tenho leitores fantasma! D: Por favor, gasparzinhos da vida, falem comigo e deixem de ser fantasmas que eu tenho medo de assombração xDD
Eeeee agradecendo à toooodos os lindos e maravilhosos que deixaram review no capitulo passado, me ajuda muito à botar no papel, como eu expliquei quando respondi aos reviews.
O capítulo também veio maior - por sugestão da Simone, segundo ela, para nooooossa alegria~ xD.
Enfim, não sumam por favor xD Até porque agora preciso do voto de vocês. No próximo capítulo, eu tenho um lemon, sabe? Mas não é USUK e não é romantico. É um menage a 4, inclusive. A questão é: incluo ou pulo essa parte? Não sei, tem gente que não curte muito a baixaria xD Enfim, me digam o que acham! o/
Ufa, hoje eu falei! Bom, por fim, beijos para Labi, Simone, Lolita, mahchan ( leia minha resposta, ainda não entendi muito bem o que voce quis dizer no review anterior o.o), tiia - minha ex-fantasminha, não volte a assombrar o fim da página , InvisibleJu ( firme e forte aqui como sempre õ/), Moro-chan, Carolchan, Lirium-chan, gabee, lawbd, valquiriaclara ( seu review quase me fez ter um ataque do coração *-* sério, sua pessoa linda, você fez minha semana xD) e Aneeta!
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