Boulevard Of Broken Dreams

3 Capítulo 3 - O Eremita



— Eu volto logo, Alfred. – disse Arthur bagunçando os cabelos cor de caramelo do garoto.

Alfred sorriu e acenou com a cabeça, olhando Arthur se distanciar em direção ao seu navio.

— Se cuide. – sussurrou o britânico, apreensivo como sempre em deixar o garoto sozinho.

— Eu sei fazer um mooonte de coisas sozinho, eu sei me virar! – disse Alfred rindo.

— É... eu acho que você tem razão. – Arthur sorriu também. – Quando eu voltar eu vou te trazer vários brinquedos e vários tipos de chá para nós tomarmos juntos. – prometeu, dando as costas e embarcando no navio, evitando olhar para trás. Ele não gostava daquela imagem de Alfred parado, sozinho no porto, o vendo partir.

O garoto observou as costas de Arthur se afastando. Ele vestia um sobretudo de um vermelho nobre, calça branca e botas pretas de cano alto. O britânico lhe pareceu tão grande. Aquele era um Arthur que só existia lá fora. Porque quando ele estava com Alfred, ele corria e contava histórias. Ele sorria e cantava para que ele dormisse. O sorriso do garoto escorregou de seu rosto e ele abaixou a mão que acenava para o britânico. Quando o navio de Arthur sumiu no horizonte, Alfred sentou-se na beirada do porto e começou a chorar.

- Não vai embora...- Seus soluços sumiam no vento que o mar trazia e o sol cálido se alaranjava e morria na linha que separava o céu do mar. – Não me deixa aqui sozinho... – implorou ele baixinho, sua voz tremendo.

Ele estava com medo de ficar sozinho naquela casa enorme. Ele não queria que Arthur fosse embora. Alfred nem queria brinquedo nenhum nem chá nenhum. Ele queria que o britânico ficasse. Só que ele já desistira de implorar porque Arthur nunca ficava. E Alfred se recusava a chorar quando o inglês partia, porque não queria parecer uma criança para ele. Não queria que o achasse um covarde.

Ainda que fosse um.

Nas primeiras noites, Alfred nunca conseguia dormir. A casa era horrivelmente assustadora quando Arthur não estava. As tábuas de madeira rangiam sozinhas, as janelas faziam estalos agudos e algo sempre parecia arrastar pelo chão. O vento assobiava lá fora, parecendo latidos, parecendo gemidos de almas penadas. Ele se escondia embaixo dos cobertores e chorava, abraçando com força a última carta que Arthur lhe mandara, como se fosse um amuleto capaz de protegê-lo de tudo.

E todos os dias, ele ia até o porto, por vezes ficando o dia todo lá, esperando cheio de expectativa ver o navio do inglês despontar no horizonte. O garoto se enchia de esperança toda vez que uma embarcação inglesa se aproximava, mas sempre se decepcionava e quase chorava quando percebia que Arthur não estava naquele navio. Por alguns anos, ele esperou naquele porto. Só que Arthur nunca veio. Então, um dia, Alfred desistiu de esperar.

Essas suas expectativas frustradas foram descontadas nas cartas que eles conseguiam trocar. Alfred foi ficando mais distante e mais frio, magoado com aquela distância, com toda aquela ausência. Arthur percebeu algum distanciamento por parte do garoto, mas se recusou a acreditar. Alfred era uma criança adorável, como o britânico sempre dizia em suas cartas. E Arthur sabia que não era culpado. Seu governo, sua rainha... Tanta coisa o prendia na Europa! Mesmo que ele sempre deixasse o coração para trás, junto com sua família, em outro continente.

Quando Arthur voltou a pisar no Novo Mundo, Alfred não estava no porto esperando, como ele sempre fazia. O britânico então, se encaminhou até a casa do garoto. Quando chegou, abriu a porta sem maiores cerimônias e foi procurar por ele.

— Hello, British dude!

— A-Alfred?! Você está enorme! – disse ao se deparar com um Alfred que aparentava já seus 17 anos.

O garoto estava tão mais alto! Não só mais alto, como sua voz estava completamente diferente. Ele estava diferente. E Arthur teve um pressentimento, que ele decidiu ignorar.

Alfred ia deixá-lo. Mais cedo ou mais tarde.

Alfred fez o melhor que pôde, tentando mostrar para o britânico que ele não era mais criança. Ele não sabia exatamente por que, mas não queria que Arthur pensasse nele daquela forma. Ele não queria ser protegido, mas proteger. Não queria ser apenas um pedaço de terra no meio do nada. Ele não queria ser deixado para trás.

O início daquele dia foi um pouco estranho, os dois sem saberem muito o que dizer. Mas então, partiu de Arthur a iniciativa de fingir que nada tinha acontecido. Alfred aceitou de bom grado ficar ali com o britânico, ouvir as milhares de histórias que ele trazia de um continente que ficava muito além da linha horizonte. E a voz de Arthur continuava suave, aquele sotaque dele, o jeito como ele movia a língua para enfatizar as vogais, o jeito como ele sorria às vezes...

— Alfred, você está me ouvindo? – perguntou o britânico, rindo levemente.

— Ahn? – o rapaz tentou encontrar alguma desculpa, mas ele realmente não estivera ouvindo.

— Tudo bem, tudo bem. Crianças não tem muita paciência para conversas muito longas mesmo. – concluiu Arthur, ainda rindo. Ele olhou para fora, surpreendendo-se ao ver que já era noite alta. – Já passou da sua hora de dormir, Alfred. – e lhe sorriu.

Alguém bateu à porta naquele momento, de modo que ele se levantou e foi atender. Alfred correu para o próprio quarto, magoado. E o pior é que ele nem sabia por que estava triste. Ele simplesmente se jogou na própria cama e afundou o rosto no travesseiro, apertando-o com força.

— Senhorita, você não deveria fazer isso... – Alfred levantou o rosto do travesseiro ao ouvir a voz de Arthur falando com alguém. Ele usava um tom tão... grave e suave, quase um ronronar, extremamente erótico.

— Eu sei que não deveria, mas o que eu posso fazer se você me tenta? – em resposta houve uma foz feminina, levemente afetada. Na opinião de Alfred, era uma voz arrogante e insuportável, que lhe fazia ter vontade de afoga-la. Quem ela pensava que era para falar desse jeito com...

— Hmm.... você poderia resistir. – replicou Arthur em um tom levemente divertido, quase como se a desafiasse.

— Tão frio! – riu aquela voz irritante. Houve um barulho de tecido farfalhando, possivelmente o vestido da mulher enquanto ela andava. Alfred saiu de seu quarto e se escondeu atrás de uma parede no corredor, finalmente conseguindo ver os dois.

— Você acha mesmo? — Arthur deu um sorriso que mandou arrepios por todo o corpo do garoto. Então, o britânico, com um charme que Alfred nunca conhecera, puxou a moça pela fita de seu vestido, aproveitando a proximidade e mordendo o pescoço dela levemente, ao que ela respondeu com um gemido baixo, seus olhos se fechando.

Alfred saiu correndo e se trancou no quarto, agarrando o travesseiro.

-Vadia! – seus olhos se encheram de lágrimas enquanto ele socava o travesseiro, seu peito queimando. Era um sentimento esquisitíssimo. Parecia que tinha ácido subindo garganta acima, seu coração parecia apertado e ele estava com muita, muita raiva, mas também muito, muito triste. E principalmente, confuso. Por que ele se importava? – Porque ele é meu. – respondeu baixinho para si mesmo, egoistamente.

Mas não era verdade. Arthur nunca fora dele. Então por quê? Por que ele estava magoado?

E depois de alguns minutos, a mulher quase gritava de prazer no quarto ao lado. Ele podia ouvir o britânico ralhar com a mulher para que ela não fizesse tanto barulho porque seu anjinho estava dormindo. Alfred estava feliz por Arthur pensar nele antes daquela mulher. Mas estava triste por perceber que qualquer um podia roubar o britânico dele. Qualquer um podia ter Arthur.

Menos ele.

No final das contas, Alfred não conseguira dormir. Ele virava de um lado para o outro, inquieto. As horas se arrastaram e ele decidiu andar pelo quarto, muito nervoso para pregar os olhos. Seus passos faziam sons suaves no chão de madeira do quarto enquanto sua mente corria à mil. Por que Arthur lhe tirava o sono? Por que a ideia de outra pessoa tê-lo era insuportável?

Sem contar que na noite passada, enquanto o britânico conversava com ele, Alfred começara a reparar... Arthur era um homem muito bonito. Às vezes, a voz dele fazia seus joelhos ficarem instáveis, como se fossem de gelatina. E o jeito como os lábios dele se moviam era tão... interessante. E quando ele virava, dava para perceber a pele clara da nuca dele, com alguns fios loiros muito finos. Alfred começara a se perguntar como seria se ele ficasse arrepiado. O rapaz engoliu em seco.

— No que diabos eu to pensando? – perguntou-se, sentando na beirada da cama e, afastando a cortina e olhando pela janela, constatou que o dia já começava a amanhecer. Ele esfregou os olhos com força, meio irritadiço. – Argh... eu não consegui dormir nada!

Alfred se levantou da cama e saiu de seu quarto, descendo as escadas e saindo da casa. Quando abriu a porta, sentiu o ar muito fresco da manhã lhe invadir os sentidos. Depois de alguns minutos, ele percebeu que, na verdade, fazia muito, muito frio. As árvores ainda tinham algumas gotas de orvalho em suas folhas, o qual começava a congelar, e o resto do mundo ainda parecia dormir.

— Bom dia, jovem mestre. – disse educadamente uma senhora, uma das criadas da casa, que morava em uma casinha em um morro abaixo da casa de Alfred.

— Bom dia... — respondeu o rapaz distraidamente.

— Você deveria entrar, meu menino, está muito frio. Deve nevar por esses dias...

— Então você também deveria entrar – respondeu Alfred em um sorriso levemente rebelde, ainda que carinhoso.

— Eu vou, eu vou. Mas acredite, eu não ficaria doente com tão pouca coisa – piscou a senhora.

— É... – Alfred continuava aéreo, olhando quase que para o nada.

— Algum problema, criança? – perguntou a senhora, quase retoricamente. Ela já tinha certa idade, de modo que sabia, de longe, o que um olhar daquele significava.

— Mentir não vai dar certo, não é ? – perguntou o garoto, sorrindo meio encabulado. – A senhora descobriria.

— Descobriria.

Ela lhe sorriu e ele lhe deu a mão, indo sentar-se com ela um pouco afastado da casa, sobre um banco que ficava no jardim. Eles se sentaram em silêncio por alguns minutos, até a senhora se manifestar.

— Então. – a senhora lhe segurou a mão e olhou-o, quase maternalmente. O garoto mexia nos cabelos, embaraçado.

— Então. – repetiu ele, tentando ganhar coragem.

-... – ela esperou, lançando um olhar levemente exasperado. – Diga.

— Sabe... Tem uma pessoa. Sabe. E ela me confunde. Muito. – disse, finalmente.

— Como assim, te confunde?

— Eu… não sei… Eu fico muito, muito feliz quando essa pessoa está perto de mim. Mas quando eu vejo ela com outra pessoa, eu fico com raiva. Mas fico triste também. Parece que minha garganta queima e meu peito aperta. E eu tenho vontade de ter ela só pra mim... Essa pessoa é muito, muito bonita. E charmosa. E gentil comigo. Mas… — ele tentou, torcendo as mãos e olhando para baixo.

— Você está apaixonado. – constatou a senhora, quase rindo diante do olhar muito chocado que o garoto lhe lançou.

— É o que?! – desesperou-se ele.

— Você se apaixonou por essa pessoa. Você não só a admira, como a deseja e tem vontade de tê-la para si, para proteger e possuir. – ela sorriu e se levantou, bagunçando os cabelos de Alfred.

— Mas.... – tentou ele, meio sem chão.

— Hehe... – a senhora se afastou, balançando a cabeça. – Você é um bom menino. Só precisa convencer o mestre Arthur de que você não é mais uma criança. – riu ela.

— Como você sabia?! – gritou o garoto, corando em milhares de tons de vermelho.

A senhora saiu rindo com gosto, deixando para trás um Alfred muito embaraçado.

E aquilo martelou na cabeça do rapaz. Será que era isso mesmo? Seria possível uma coisa assim?

E no começo, ele negou. Noites e noites de sono roubado, dias e dias corando como o adolescente que era toda vez que Arthur esbarrava suas mãos nas dele. Alfred se odiava por ser tão óbvio ás vezes. Até a criada tinha percebido de seus sentimentos tempos atrás! Antes dele mesmo!

Para completar seu embaraço, foi nessa época em que o britânico resolvera lhe dar aulas de dança.

— Alfred, é um conhecimento essencial para um cavalheiro – disse, exasperado.

— Mas Arthur, quem disse que eu quero ser um cavalheiro? – o garoto não queria. Mesmo. Ele com certeza faria papel de ridículo na frente do britânico.

— É importante, Alfred. Como você faria a dama que você gosta se apaixonar por você se não souber um mínimo disso? – respondeu-lhe Arthur charmosamente, bagunçando seus cabelos.

Alfred fitou longamente o rosto de Arthur. O britânico não fazia a menor ideia. Quem ele queria que se apaixonasse por ele estava bem diante de seus olhos, querendo ensinar-lhe as artes para cortejar mulheres.

-Ahhh e eu te trouxe uma coisa! – disse o loirinho animadamente, completamente alheio ao conflito que se passava no coração do garoto.

Foi assim que Alfred ganhou seu primeiro terno.

Arthur o olhou, admirado. Era uma roupa muito bem feita, exatamente do tamanho do garoto. Caríssima, última moda na Europa e o melhor tecido da Inglaterra. Alfred reclamou, porque ele não gostava de ternos. Ele não ia usar. O britânico lhe dizia como isso era um problema para ele, já que Alfred era uma de suas colônias e não condizia andar como um caipira. O garoto reclamou e reclamou. Aquela foi a única vez em que ele usou aquele terno.

Mas também nunca teve coragem de jogar fora. Porque aquilo era presente de Arthur. Era do país dele. Era uma lembrança. E Alfred sempre se lembraria daqueles dias pacíficos em que ele estava ao lado de Arthur. Daquelas inúmeras tardes ao lado dele, das inúmeras horas em que ele ouvia a voz suave do britânico a lhe contar milhares de coisas sobre um mundo que ele não conhecia. Eram lembranças que se tornariam suas memórias mais queridas de toda a sua vida.

Uma vez com o terno, Alfred acabou tendo as tais aulas de dança. Embora isso tenha sido, como ele mesmo previra, muito embaraçante, também fora muito agradável.

— Aqui, pegue na minha cintura... – Arthur guiou a mão de Alfred para a própria cintura, colocando sua mão sobre o ombro dele. O garoto sentiu o corpo todo se arrepiar quando sua mão envolveu as costas do loirinho, sentindo seu quadril estreito, a firmeza de seu corpo por baixo das roupas que ele usava... E ainda tinha a mão de Arthur em seu ombro, segurando-o. Sem contar que o loirinho ficava absolutamente adorável visto de cima. Alfred nunca agradeceu tanto por ter ficado mais alto que Arthur. Porque os olhos verdes que ele tanto amava ficavam absolutamente adoráveis vistos dali. Seus cabelos loiros caíam suavemente, em um contraste quase injusto de tão perfeito.

-E agora você se move... – Arthur guiou-o, ainda que Alfred estivesse na posição masculina do par, suavemente lhe mostrando o que fazer. O garoto tropeçou, seu rosto absurdamente quente, suas mãos começando a suar. Arthur ria e Alfred se fascinava ainda mais.

E eles dançaram a tarde toda, rindo, nem sentindo o tempo passar. Alfred pisou no pé de Arthur várias vezes, chegando a tropeçar e cair em cima dele alguns pares de vezes. Seu rosto ficava completamente vermelho quando ele ia ao chão, seu corpo sobre o do britânico, suas faces centímetros uma da outra. Arthur ria do seu garoto atrapalhado, aceitando a mão que ele lhe oferecia para levantar.

Depois de algumas horas, a camisa branca de Arthur já colava em seu corpo, o esforço do movimento parecendo finalmente cansá-lo. E Alfred tentava não olhar, não reparar no contorno que aquilo lhe mostrava. Ele nunca vira Arthur sem roupas. O britânico era bem reservado. No entanto, naquela tarde, o loirinho se soltou mais, permitindo-se tirar um pouco a camisa e ir para a cozinha preparar alguma coisa para os dois comerem. E eles lancharam naquele finzinho de tarde, talvez um pouco tarde demais para um chá da tarde, mas agradável mesmo assim. Arthur ria e a voz dele era quase etérea, assim como seus cabelos loiros cintilavam na luz alaranjada do pôr-do-sol. Eram dezenas de fios de ouro, balançando junto com um anjo que sorria para ele.

Alfred era tão fascinado por Arthur que muitas vezes ele conseguia apenas fitá-lo.

E, mesmo com tantas tardes assim, naquele tempo, existiram crises. Arthur teve problemas em casa. Mas aquilo nada tinha a ver com o relacionamento entre eles. Alfred percebeu que seus sentimentos eram completamente à parte de relações políticas.

Um dia, Arthur teve de voltar para casa, resolver qualquer encrenca com a França. E isso deixara o garoto sozinho de novo, agora tendo todo um novo sentimento para remoer.

Depois daquele dia em que ele dançara com o britânico a tarde inteira, ele não tinha muito que negar. Amava o loirinho. Amava a desenvoltura que ele tinha, os sorrisos que ele lhe dava, o charme que ele exalava, a voz com que ele ria... Mas Arthur era completamente alheio a todo esse sentimento que ele despertava em Alfred. Porque Alfred o amava e desejava. Mas Arthur não o via assim. E talvez nunca viesse a ver.

Em uma noite em especial, Alfred estava olhando pela janela, com os cotovelos apoiados no parapeito, observando a paisagem lá fora. A luz que vinha de dentro da casa lhe permitia enxergar a neve que caía lá fora. Havia uma vela em uma mesinha próxima à janela, concedendo uma luz cálida para a paisagem congelada do lado de fora. Ele contemplou aquela cena quieta, verdadeiramente sentindo falta de Arthur. O britânico lhe fazia tanta falta... Alfred vestia um cachecol que o loirinho fizera à mão para ele. E ele por vezes apertava o tecido, como se aquilo pudesse amenizar a saudade que o consumia.

— Arthur... – sussurrou no silêncio da casa vazia. Alfred deu um meio sorriso triste. Como ele não tinha percebido que o amava? Era tão óbvio. – Há quanto tempo esse sentimento existe? – provavelmente ele já amava Arthur bem antes do que ele mesmo imaginava...

Completamente sozinho naquelas horas que se arrastavam, o garoto olhou para fora. E ele sussurrou, ainda que não houvesse ninguém para escutar, alguns versos. – I feel in love with you... How long it had been since then? My feelings have only been getting deeper…

(Eu me apaixonei por você.

Quanto tempo faz desde então?

Meus sentimentos só tem ficado mais profundos)

E ele imaginava… Será que o britânico desconfiava? Será que ele o aceitaria...? Não, ele nunca o aceitaria. Ele nunca olhou para Alfred daquele modo. – “I wonder… have you realized how I feel? Even though I have never said a word…”(Eu imagino… sera que você percebeu como eu me sinto? Ainda que eu nunca tenha dito uma palavra...)

Alfred encostou a cabeça no vidro gelado da janela, olhando a neve cair silenciosamente sobre o chão. – “It’s like the snowflakes drifting gently, Continuing to pile higher and higher...” (Como os flocos de neve, à deriva, gentilmente continuam a se empilhar cada vez mais alto)

-Arthur… eu estou com frio… — sussurrou o garoto, seus olhos enchendo de lágrimas.

Hold me tight…

(Me segure apertado)

Doía. Aquela distância toda. Aquele amor que eles nunca poderiam viver. Aquele sentimento que estava fadado a viver escondido para sempre. Aquela saudade de Arthur... – “If this is how it feels the feeling of falling in love with someone…. I never wanted to know that feeling” (Se é assim o sentimento de se apaixonar por alguém... Eu nunca quis conhecer esse sentimento)

— Por que você me encontrou, droga? – disse em um sussurro trêmulo, sua mão se fechando com força. – Se você não tivesse me achado, você não me veria como uma criança pra sempre. Você olharia pra mim... Não pra todas aquelas vagabundas. Aqueles vagabundos… — lágrimas caíam silenciosamente sobre o parapeito, enquanto o peito de Alfred se apertava. Ele morria de ciúmes de todos aqueles casos que o charmoso britânico tinha. Ele odiava ter que ver aquilo. Mas ao mesmo tempo, ele tinha medo de sair de perto. Porque e se Arthur nunca voltasse? Ele não estava pronto ainda para deixar aquela felicidade acolhedora que ele podia ter com Arthur. Mas ao mesmo tempo, estar com ele o fazia sofrer.

I love you I can’t stop my tears from falling

In that case, then you

Should never have come into my life

(Eu amo você…

Não consigo impedir minhas lágrimas de caírem

Nesse caso, então

Você nunca deveria ter entrado na minha vida.)

Alfred mordeu o lábio inferior, tentando conter as lágrimas. Percebeu que não conseguia e sentou-se no parapeito, fitando perdidamente a vela que estava sobre a mesinha de canto. Será que um dia ele conseguiria deixar de amar Arthur? Esquecê-lo? Apagar aquele sentimento como se apaga a chama de uma vela? Seu coração aguentaria até lá? Doía tanto... Com a voz trêmula, ele continuou. – “I wonder… how long will I keep thinking about you? My breath is fogging up the window glass… My trembling heart is next to the lit candle and melting now. I wonder… will it survive? ( eu me pergunto… por quanto mais eu vou continuar pensando em você? Minha respiração esta embaçando o vidro da janela... Meu coração trêmulo está perto de uma vela acesa e derretendo agora. Eu me pergunto... ele vai sobreviver?)

E estava frio. Alfred não tinha certeza se o frio que ele sentia era por causa da neve ou daquela solidão silenciosa que percorria cada canto da casa. Além da trêmula luz que a vela oferecia, o resto da casa jazia em uma escuridão profunda. O rapaz evitou olhar para as sombras. Seus olhos se encheram de lágrimas de novo.

— Arthur... eu estou com medo... – sussurrou fracamente, abraçando o próprio corpo. – Por que você não está aqui comigo? Está frio, droga... – Seria tão bom se ele estivesse. Porque aí ele o abraçaria. E o seguraria até que ele dormisse.

Hold me tight

So tight that I might break

So that when we meet in the frigid gale of a blizzard

I won’t be cold anymore

(Me segure com força

Com tanta força que eu talvez me quebre

Para que então, se nós nos encontrarmos

Na frígida ventania de uma nevasca

Eu não vou estar mais com frio.)

Alfred voltou a olhar para fora. A neve ficava cada vez pior. Ele se perguntava se estava frio na Inglaterra. Será que Arthur dormia? Será que ele estava bem?

— Será que ele também sente a minha falta? – perguntou-se, abraçando os próprios joelhos.

I miss you

When I think about you

With this hand knitted muffler

I’m here alone, holding myself again tonight

( Eu sinto a sua falta

Quando eu penso sobre você

Com esse cachecol feito à mão

Eu estou aqui sozinho, me abraçando de novo esta noite)

E a neve continuava. Há horas ela se amontoava, colorindo de branco o chão de uma noite muito fria. Naquela neve, pegadas sumiam, pessoas se trancavam em casa, a paisagem comum desaparecia. If there was an eternally falling snow ...Will it cover up my feelings for you? (Se existe mesmo uma neve que cai eternamente… Ela conseguiria seconder meus sentimentos por você?)

— Arthur… — sussurrou carinhosamente o nome do outro, gostando de como isso soava em seus lábios. Alfred aninhou o rosto melhor no cachecol, observando a vela consumir-se lentamente, até apagar. Quando isso aconteceu, a sala mergulho na mais completa escuridão e ele deu um pulo, indo procurar por outra fonte de luz, andando com o coração aos pulos pela casa. Tentou desesperadamente não olhar demais para os cantos, não pensar naquela sensação nas suas costas, como se alguém estivesse andando atrás dele. As escadarias rangiam e as sombras pareciam persegui-lo como se houvessem mãos embaixo de cada degrau, tentando segurar-lhe pelos calcanhares. O corredor também era muito escuro e Alfred o atravessou quase correndo.

Quando finalmente chegou ao seu quarto e acendeu outra vela, o garoto respirou fundo, tentando conter seus dedos trêmulos. Como sempre, havia uma vela acesa ao lado de sua cabeceira. Ele deitou-se na cama, mas os travesseiros estavam completamente errados. Quando sua cabeça pousava sobre eles, ficava tudo errado. Só Arthur sabia arrumar seus travesseiros. Só Arthur sabia como colocá-lo para dormir. Alfred estava cansado, mas não conseguir adormecer. Faltavam as doces palavras que o britânico lhe dirigia antes de dormir. Faltava aquele último sussurro de boa noite que Arthur lhe desejava carinhosamente quando achava que ele já estava dormindo.

O garoto encolheu-se na cama e abraçou os cobertores, tentando amenizar aquela solidão, aquele silêncio, aquela falta que Arthur lhe fazia.

Hold me tight…

O eremita:

SIGNIFICADO DIVINATÓRIO

Informação. Conhecimento. Solicitude. Prudência. Discrição. Cautela. Vigilância. Espírito de sacrifício. Retraimento. Recuo. Deserção. Anulamento. Falta de sinceridade. Ausência de expressão. Um solitário ou uma pessoa incapaz de partilhar com outras pessoas. Enganoso. Tendência para esconder emoções. Medo de ser descoberto. Tendência para delongar-se complacentemente dentro dessa riqueza de conhecimento, como se ela fosse algo de muito valor, sem conseguir utilizar as informações para atingir um objetivo ou uma aplicação.

Notas finais
Olá! Eu queria agradecer à invisibleJu ( a primeira a comentar, de novo xD )Moro-chan, Kyuna ( amei seu review gigantesco, moça xD) e a Lirium-chan! Senti a falta da Taiichan e da Carolchan989 T-T
Bom, mas enfim, um beijo enorme à essas pessoas lindas que me deixaram review xD Falem comigo, sou uma autora carente D: kkkkkkkkkkkk Sério, só os reviews de voces para me darem animo para continuar *-*
Enfim, a música do capítulo é Eternal snow - e não me pertence xD
Eu consegui atualizar no tempo certinho, apesar deu ter ficado doente essa semana u.u Enfim, pelo menos deu tudo certo xD Beijo, beijo! :D