Notas iniciais
DOIS ANOS DE BORN TO DIE e EXILE ♥ Comecei escrever essa história em impeto de ouvir a voz de Willa. Era para ser uma fanfiction sobre um amor improvável, impossível, regado por um cd que, narrava a história desses dois personagens: Bucky e Willa. Pouco a pouco, um enredo surgiu. Personagens pediram um pouquinho de atenção. Uma história de um passado obscuro surgiu na jogada, como também de um amor que não teve tempo de florir (ALO, PIETRO!) e olha onde chegamos? Dois livros e meio - e um terceiro que, vai rolar em algum momento de 2019/2020 SE WILLA E DEUS QUISER! Eu só tenho a agradecer: obrigada a você que lê, obrigada a você que compartilha, obrigada a você que comenta, só muito obrigada ♥ Está história me ajudou em uma fase onde escrever era a minha única saída e eu serei eternamente grata pelo nascimento de Willa Fairchild. Ela me trouxe muita coisa: confiança, liberdade, coragem e novas ideias! E não poderia ser mais destinado do que comemorarmos dois anos com um capítulo novo - AINDA MAIS SENDO ESSE CAPÍTULO!!! Vamos lá: tem retorno de pessoas MUITO importantes na vida de Willa (e para vocês também), tem revelação e tem um final babadeiro! Esse é, de longe, um dos capítulos mais importantes na história de Willa: ele é um divisor de águas. Muito obrigada por tudo, ninjas! Vejo vocês em breve, até lá, dá uma conferida nas notas finais :)



ZEMO
Helmut Zemo

SOKOVIA

A especialidade de Willa como ninja era público. O que era isso? Era infiltrar-se e não ser identificada no meio, conseguindo realizar a sua missão que podia ser reconhecer um lugar como eliminar alguém. No caso, ela era o alvo. Com seu instinto ligado a mil ela reconhecia a presença de cada um dos seus amigos entre aquelas pessoas divertindo-se em meio ao festival com música e comida boa. Wanda estava na barraca de temperos, experimentando alguns. Não muito longe dali, usando um boné vinho estava Visão quase sendo ludibriado por um vendedor a levar um tapete persa cinza bem questionável. Pietro estava mais próximo dela, não usava um boné, mas não abriu mão da sua jaqueta de couro. Conversava com uma jovem vendendo bijuteria, debruçado no balcão com um olho nela e outro na irmã.

Quando Willa sentiu a fragrância de Natasha, ela pensou em Wanda, a conexão mental entre elas estava fraca nesses últimos dias, por conta da pouca convivência, mas o fio que estava ligado entre elas, foi o bastante para ela olhar por sobre o ombro, conferindo os redores e imediatamente transmitir o recado de Willa aos rapazes. Quando os dois buscaram pela ninja, ela não estava mais ali. Ela estava seguindo o perfume da agente russa.

Encontrou a encharpe de Natasha enrolada no braço de uma cadeira de madeira em uma mesinha redonda de uma barraca de comidas típicas de Sokovia. Willa pegou o acessório e confirmou o cheiro, comprimindo um sorriso ao reconhecer não estar mais sozinha. Ao se virar deparou-se com eles.

Steve estava diante dela com a sombra de um sorriso escondido por trás de uma barba espessa e os cabelos loiros, agora maiores e dourados puxados para trás emolduravam seu rosto. Sam não mudará absolutamente nada. Sua barba continuava milimetricamente cortada, como seu cabelo e aquela ruguinha de preocupação marcava seu cenho. Willa sabia que não deveria atrair atenção para eles e atitudes emocionais era um alarde público, mas ela não conteve suas emoções ao envolver seus braços no pescoço de Steve e abraçá-lo, ficando na ponta de seus pais, sentindo ele relaxar e abraçá-la em retorno. Ela não demorou a repetir o gesto com Sam recebendo não só um abraço, mas uma saudação calorosa. Sentados à mesa, uma garçonete serviu eles com chá. Willa estava atenta às proximidades e Sam tinha seus olhos em cada ponto. Steve encontrava-se concentrado ao relato de Fairchild sobre as suas últimas semanas. Era difícil resumir tudo que ela viveu e descobriu, mas ela tentou fazer isso de uma forma que não deixasse pontas soltas para a compreensão da dupla.

Quando ela chegou ao momento em que ela se encontrava com as peças faltantes de sua história e uma saída perigosa, ela dividiu com os rapazes o seu plano. Não era o mais esperto e nem seria o mais seguro, mas certamente, cabia a situação. Ela iria ao encontro do General Ross, sem armas, sem escutas, sem GPS. Wanda manteria contato mental com ela, assim saberia onde encontrá-la, para isso elas precisariam treinar conexão à distância e Visão se predispôs ajudar nisso. Pietro garantiu que estaria a sua espreita em terra para caso precisasse resgata-la, mas no momento que ela entrasse no avião para o RAFT, eles precisariam de uma equipe no ar e aí entraria os Vingadores Secretos.


— Você gosta desse nome, né. — Sam implicou cruando os seus braços.

— É catchy. — Ela retrucou com um bico nos lábios. — Precisamos de um codinome para nos identificar, então não reclama.

TChalla disponibilizou ao trio um jato com tecnologia única de Wakanda. Willa queria retribuir tal gesto, financeiramente, mas o rei de Wakanda negou. Era um presente, uma ajuda depois dos dias ruins, tal ato era uma esperança de um futuro próspero como aliados, possíveis amigos.

Ele pediu que nada da estrutura do avião fosse compartilhado com outras pessoas, logo Tony Stark nunca pisaria ali para ele nem ter nenhuma ideia criativa, como ele teve com Ultron. O plano era: Steve, Sam e Natasha estariam no jato com o campo invisível ligado, assim não seria detectado no sistema aéreo, pois o avião desabilitava qualquer sistema de GPS ou rastreador. Uma vez dentro do RAFT, ela estaria sozinha. Ela duvidava que o RAFT continuava o mesmo desde a sua última visita e ela precisaria se virar para conseguir encontrar Zemo, ela teria pouco tempo para arrancar dele o que precisava saber antes de ser detectada pela equipe de segurança e conseguir retornar para o topo do RAFT para ser coletada pelo trio.

— Fácil — Steve proferiu, assentindo. Sam arqueou as sobrancelhas, olhando para Rogers com uma incógnita em seu semblante. Onde aquilo era fácil? — Precisamos terminar de coletar alguns dos materiais do armamento chitauris que encontramos na África para tirá-los de circulação e podemos seguir na sua missão em uns cinco dias. — Willa concordou, comprimindo um sorriso. Sua missão? Isso soava tão... Importante. Seu passado era uma missão dos seus amigos. Ela era importante para eles. — Acha que você e Wanda ficam prontas nesse tempo?

— Com ajuda do Visão, acho que ficamos preparadas em três dias ou menos. — Ela refletiu a possibilidade. Eles poderiam tirar um dia para repassar todo o plano, isso seria bom ter essa vantagem.

— Gosto de como vocês têm um otimismo acima da média e eu preciso ser o portador das notícias ruins — Sam interrompeu apontando seu indicador para o Capitão e a Ninja. Eles trocaram um olhar, cúmplice. — E se o plano falhar? Qual é o plano B?

— Se eu não retornar no tempo previsto significa que o Ross me capturou no RAFT. Seria tolice vocês tentarem me resgatar. Na realidade, eu não duvidaria que Ross sentasse na porta de entrada esperando para dar as boas vindas para vocês. — Sam entortou os lábios e Steve abaixou o seu olhar. Willa respirou fundo, decidida. — Vocês vão precisar se reunir com o grupo e seguir para o esconderijo em Nova York e iniciar o projeto. — Steve uniu as sobrancelhas, olhando para Willa com uma incerteza inundando os seus olhos azuis. — Por mais que eu odeie dizer e eu espero que isso não saia daqui, mas o Tony tem razão. — Sam piscou os olhos duas vezes acreditando que cochilou e imaginou aquelas palavras. — As pessoas precisam dos Vingadores. Quando tudo isso se resolver, eu e o meu passado, vocês terminando essa missão na África... Eu acho que devemos parar com essa vida de Bonnie e Clyde e nos estabilizar no esconderijo.

— Nós já conversamos sobre isso, Willa. — Steve negou com a cabeça. — Nada será como antes.

— Eu sei, mas isso não quer dizer que não pode dar certo sendo diferente. — Steve refletiu as palavras da amiga.

— Se não tentarmos não saberemos. — Sam concordou franzindo a testa e deferindo um olhar curioso para Willa. — A mansão está pronta?

— O último e-mail do empreiteiro dizia que a equipe dele estava trabalhando nos últimos detalhes para a mansão da família Clampett. — Willa abafou uma risada. Ela tinha criado essa história mirabolante onde um casal recém casado, os Clampett decidiram comprar um casarão abandonado pelos seus antigos donos, em uma região a ermo em Nova York e construir ali a casa de sua família. O comprador acreditou na história prontamente, ao ver a maleta cheia de dinheiro oferecida pelo casal que, no caso, era Willa e Pietro, interpretando com maestria um casal apaixonado. Tudo estava saindo como planejado. — O sistema de segurança foi conectado semana passada, mas eu ainda acredito que precisamos aprimorá-lo e eu consegui com um amigo a documentação dos Maximoff, para eles não terem problemas a longo prazo com a imigração. — Ela olhou para Steve com cuidado. — Eu sei que você e o Stark não estão nem perto de se entender, mas eu penso em falar com ele. Ross fez contato com ele sobre mim e ele me protegeu. Ele não precisava fazer isso.

— Natasha nos contou. — Sam cortou o silêncio, ao se dar conta que Steve entrou naquele estado de letargia, preso em seus pensamentos.

— Eu não quero mais fugir, nem me esconder. Essa vida não me serve mais — Willa revelou, trocando um olhar com Sam e recebendo um aceno dele. Ela fixou os olhos em Steve que sentiu a intensidade de suas mãos e correspondeu ao seu gesto. — Eu quero fazer outras coisas. Eu quero poder dormir e não precisar ter uma adaga entre os dedos por proteção. Nós merecemos isso, um direito a nos explicar para as autoridades, para as pessoas.

— Eu não sei se você já conferiu os jornais, mas a mídia do mundo inteiro quer nossas cabeças em bandejas de prata e o governo americano pretende indiciar cada um de nós por crimes hediondos a população. Não existe entrelinhas para nós. Eles nos vêm como criminosos e nós seremos. Não tem como mudar isso. — Sam interferiu, gesticulando negativamente. — Você prefere abrir mão da sua liberdade a fugir?

— Que liberdade, Sam? Ter que olhar por sobre o ombro duas vezes para ter certeza que não me reconheceram ou que a sensação de estar sendo vigiada, na realidade é uma paranoia da minha cabeça? — Steve franziu a testa, abaixando o seu olhar. — Garantir todos os dias que o Pietro não vai falar demais para alguma garotinha querendo o telefone dele? — Sam arqueou as sobrancelhas, ponderando. — Ficar mudando de cidade em cidade sem paradeiro, sem uma casa? Não. Uma hora os meus milhões de dólares vão acabar e eu não pretendo retornar aos serviços da Casta para enriquecer. Não é mais o meu lugar. E é isso que eu pretendo encontrar.

Um lar.

— A cadeia é uma opção? — Sam debochou arqueando as sobrancelhas.

— Tragicamente talvez seja, mas eu nunca vou saber se continuar fugindo — Ela pontuou entortando um sorriso.

— Vamos conversar com todos sobre a mansão e decidiremos juntos, assim que nos concluirmos sua missão. — Steve cortou a discussão dos amigos. — Pode ser? — Os dois concordaram como duas crianças evitando de iniciar uma discussão com seu pai. Sam trocou um olhar com Steve que, assentiu. Willa só pensou que os dois desenvolveram alguma espécie de telepatia e a deixara de fora dessa nova conquista.

— Eu vou falar com a Natasha. — Sam levantou da mesa, seguindo para o caminho oposto ao vindo por Willa. Ela achou tal atitude estranha, revelando tal sentimento ao olhar Steve e encontrá-lo comprimindo um sorriso. Ela não sabia se era o sorriso de boas notícias ou o de: isso que vou contar não é bom, mas podia ser pior.

— Tem outra coisa que preciso falar com você — Ele começou e Willa reprimiu o ar. Ela não era capaz de ler a mente dele, mas conhecia Steve, seus maneirismos, suas expressões escondendo os seus sentimentos. E ali, naquele instante, ele imprimia uma postura pouco vista nele: conforto e satisfação.

— É sobre o Bucky — Ela deduziu empertigando a sua postura.

— É. — Ele assentiu, sorrindo. — Ele foi acordado.

— O que? — Willa encontrava-se sem reação. Isso era bom? Isso só podia ser bom.

— A princesa Shuri encontrou uma solução para desligar os gatilhos da HYDRA — Willa deixou um riso escapar dos seus lábios, repousando a sua mão para abafar o som e não atrair atenção dos pedestres. — Depois de alguns testes, ela resolveu arriscar e fez o procedimento.

— E como ele está? Eu posso ver ele? Quanto tempo faz isso?

Steve riu da empolgação de Willa, repousando sua mão sobre a dela em um carinho afetuoso.

— Duas semanas. Ele está em processo de recuperação. A princesa acredita que Bucky está demonstrando alguns sinais de estresse pós-traumático, por isso, ela recomendou que ele passasse por um tratamento terapêutico e espiritual, até como uma garantia de que o procedimento saiu como o planejado e ele está pronto para prosseguir.

— Ele está tão mal assim? — Willa deixou o seu olhar cair, pesarosa.

Ela não podia esperar que seria assim tão simples. Cortar os gatilhos e magicamente, ele é o homem ao qual ela conhecia encoberto por aquelas camadas construídas pela HYDRA.

— Ele está melhor. Ele precisa de um tempo para se adaptar a esse mundo e a tudo que ele viveu e fez. — Willa refletiu as palavras de Steve, comprimindo os lábios. — É muito para ele entender em tão pouco tempo, mas ele está tendo uma boa recuperação. A princesa acredita que, em breve ele estará liberado para encarar a internet, por exemplo. — Steve sorriu, conseguindo arrancar um semblante de satisfação de Fairchild. — Ele até tem frequentado um terapeuta.

— Eu não posso vê-lo, não é? — Ela assentiu, conhecia bem Steve para saber quando ele tinha boas notícias e quando ele tinha medo de quebrar um coração com as suas palavras. Ele não conseguia olhar nos olhos da pessoa e ele não a olhava nos olhos desde que o assunto veio a tona.

— O terapeuta acredita que essa decisão tenha que ser dele, não nossa. — Então, ele não queria vê-la? Willa abriu e fechou os olhos, primeiro, pelo impacto da informação e por fim, por compreensão. Ele não tinha mais os gatilhos. Ele era um homem livre. Consequentemente, ele se lembrava. Do que fez, de quem foi, de quem era, de sua história com Willa. — Se serve de consolo, ele perguntou por você, ele queria saber se eu estava cuidando da garota dele...

Os dois dividiram uma risada calorosa e Willa sentiu uma lagrima escapar de seus olhos.

— Ele deve se lembrar. De mim, de nós na HYDRA. Isso deve estar fazendo um nó na cabeça dele. Imagina ele saber que me conheceu adolescente e nós ficamos juntos uma década depois.

— Eu acho que ele pode estar mais preocupado com o que você vai achar disso. Ele não sabe que você está atrás do seu passado. Eu disse que você estava escondida, com Wanda e Pietro. Eu achei que era algo para você contar a ele e não eu.

— Ele pode me ajudar. — Willa constatou recebendo um olhar reflexivo de Steve.

— É possível.

— Não seria justo pedir isso a ele agora— Willa abaixou seu olhar, negando com a cabeça.

— Se for a escolha dele... Não vejo mal algum. — Steve abriu os olhos de Willa para a possibilidade, mas por mais tentada que ela estivesse a aceitar o seu fio de esperança, ela meneou com a cabeça em negativa.

Bucky precisava de tempo para se adaptar a quem ele era, ao seu mundo. Ele não precisava que Willa o arremessasse direto a uma trama de espionagem de filme B para satisfazer o interesse funesto da ninja de desvendar o próprio pasado, quando ele estava lidando com os próprios problemas. Zemo ainda era a sua pista mais quente depois de Bucky.

— Não. Vamos seguir com o plano.

— Como você quiser, madame — Ele proferiu com a sua cordialidade.

Willa entortou os lábios, reprimindo um sorriso, o que não deu muito certo.

O tempo passou mais rápido do que Willa poderia prever e controlar.
Tudo estava saindo conforme o planejado. Willa recolheu toda a sua pesquisa e informações sobre o seu passado expostos nas paredes e empilhados na mesa, ela guardou tudo em uma caixa que Natasha prometeu tomar conta e enfiou no fundo da van junto com os outros pertences do grupo, onde ela e os três partiriam no fim do dia. Natasha estava encarregada de liderar o grupo em terra: Wanda, Pietro e Visão. Eles tinham pouco tempo para deixar Sokovia, mas a russa era boa com cronograma e tinha tudo esquematizado. Pietro não queria deixar Willa e Wanda sozinhas, no entanto, ele não tinha ainda a capacidade de estar em dois lugares ao mesmo tempo, com isso ele precisou tomar uma decisão. Após ouvir e ralhar sobre o plano de Willa para mais de três vezes, ele aceitou que ao lado de Wanda sua presença poderia vir a ser mais necessária. Além do mais, se tudo saísse como planejado, em poucas horas, Fairchild estaria deixando o RAFT na companhia de Steve e Sam. Mesmo que Wanda tivesse sugerido que o androide retornasse para Nova York, já que ele estaria mais protegido na companhia de Stark, ele garantiu que mesmo não tendo um lado no conflito entre o bilionário e o capitão, ele tinha escolhido estar ao lado de Wanda em qualquer conflito futuro e não arredaria seu pé de perto da sokoviana, nem se Pietro o obrigasse. Isso foi o bastante para Pietro revirar os olhos, desgostoso. Steve comandava o segundo grupo com Sam. Ele mandou o sinal para Natasha informando que eles estavam prontos.
Willa estava pronta.

Com o boné vinho, Willa levantou o seu olhar após digitar um número de um cartão de visita, celular descartável. Ela esperou, transferindo um olhar inquieto pela rua movimentada.

— Escritorio de Thadeus Ross, como eu posso te ajudar? – A voz de uma mulher jovem atendeu. Willa não pretendia demorar na ligação. O mais rápido que ela fosse naquela ligação, ela impediria que sua localidade fosse encontrada por algum sistema de GPS.

— Eu sou Willa Fairchild. Eu acredito que o Senhor Ross está procurando por mim. – Ela proferiu firme. A linha ficou quieta. Willa sentiu pânico dominar o seu coração. Talvez ela tenha cometido um erro.

Uma vida de fugitiva não era tão ruim quanto não ter vida nenhuma.

— O Senhor Ross está... inalcançável no momento, posso marcar um encontro entre vocês? — Ela estava tentando ganhar tempo. Possivelmente acreditava que Willa rejeitaria um encontro cara a cara com o General. Uma rejeição levaria a uma discussão, logo, ela conseguiria uma conexão através do GPS. Willa cortaria esse tempo pela metade.

— Sim. — A mulher pareceu conter a respiração. Ela não esperava por isso. — Quando?

— Eu posso arrumar um encontro entre vocês amanhã, às oito da manhã, esse horário estaria de acordo? — Ela demorou muito para responder algo tão simples e ao mesmo tempo, soava tão milindrosa em suas palavras.

Ela não estava sozinha.

— Sim. Onde? — Willa acelerou as suas palavras, passara quinze segundos e ela precisava terminar aquela ligação, sem levantar questionamentos de sua postura e desaparecer daquela região, para seguir para o próximo passo da missão.

— Um jato estará te esperando, em qual aeroporto a senhora poderia se encontrar? — O tom da conversa mudou e Willa comprimiu um sorriso. Eles queriam ter o domínio da situação, mal sabiam que estavam caindo na armadilha dela.

— Paris, o aeroporto principal.

— Eu tenho tudo anotado, Senhorita Fairchild. O Senhor Ross a esperará amanhã. — Ela a agradeceu e esmagou o aparelho contra uma pedra, despedaçando a tela e o seu conteúdo interno com alguns golpes. Antes de despertar a atenção de alguém, atirou os restos no rio e levantou-se, respirando fundo. Ela olhou para o horizonte e comprimiu um sorriso.

Isso não tinha saído tão mal quanto poderia. Atrás de si, sentiu uma presença próxima, reconheceu o perfume da sua colônia e revirou os olhos. Ele não sabia obedecer uma ordem simples. O que ele podia fazer, ele pensou a admirando incapaz de ler sua mente. Ele envolveu a cintura dela com um dos seus braços e beijou o seu pescoço, sorrindo contra a sua pele. Willa olhou por sobre os ombros encontrando Pietro vestindo seu casaco de couro com o seu melhor sorriso jovoso, segurando o capacete da moto dela.

— Eu não posso demorar muito ou a Natasha vai me escalpelar. Eu só queria me despedir. — Ele sussurrou a olhando de perto. Tirou o boné dela, deixando seus dedos acariciarem os cabelos dela com um sorriso terno. Os seus dedos tocaram o rosto dele e ele deixou eles delinearem um carinho que durou pouco, temia como ela reagiria. Willa não gostava de despedidas. As coisas não terminaram bem para ele na última vez. Willa engoliu o seu impulso natural de esbravejar com Maximoff por conta de sua irresponsabilidade. Ele estava ali para se despedir dela, como da última vez. Isso não estava nos planos, por um motivo. Ela retornaria. Eles se reecontrariam e prosseguiriam. Juntos. Era isso que ela queria. Ela queria Pietro.

Mais rápido do que o raciocínio de Pietro, ela conectou os seus lábios em um beijo casto e gentil. Distanciou-se, temendo que acabasse por se perder naquele sentimento e segurou o capacete, acreditando que Maximoff o soltaria para deixá-la ir e ele até o fez, mas antes, a puxou pela cintura para si e retomou o beijo com paixão. Queria deixá-la com algo para pensar.

Afastaram-se sem olhar para trás. Pietro seguiu caminhando pela rua e ela acomodou-se na moto, bisbilhotando por ele pelo retrovisor, até vê-lo desaparecer na calçada. Natasha ia acabar com ele, Willa pensou curvando os lábios em um riso frouxo. Ela sentiria falta deles.

Esse era o primeiro passo do seu plano. Essa era a escolha certa.


Aquele homem tarrancudo de olhar frio e os cabelos perfeitamente escovados a olhava de cima abaixo, inexpressivo. Willa lembrava dele. Ela tinha tido uma enorme antipatia por ele em seu breve encontro nas Nações Unidas. Ele ficou absorto em curiosidade com ela, mas não deu importância a garota com uma katana. O soldado mandou ela esperar antes de prosseguir para a entrada do jato. Ele a revistou sob o olhar atento do General, acenou para ela não se mover e ele seguiu até o chefe. Ela atentou sua audição para uma aproximação repentina e escutou o que o soldado tinha a dizer ao chefe. Ross abriu um sorriso sinistramente animador quando o seu soldado o informou que Willa estava livre de armas. Com isso, o general gesticulou para ela se aproximar. Ela não demonstrou um sentimento.

Everett Ross estendeu a sua mão para Willa e os seus olhos escanearam o rosto dela na luz matinal, em reconhecimento, talvez e agora, ela não era tão ameaçadora, sem a sua katana.

— Senhorita Fairchild, eu presumo? — Ele ia brincar de não conheço você? Como ela não queria demonstrar a ele ter desejo de tomar as rédeas da situação, ela resolveu prosseguir com o seu teatrinho, enquanto não conseguia ler as suas emoções com a clareza.

— Sim, Senhor Ross.

— Por favor, me acompanhe. — Ele guiou Willa pela entrada do jato, ficando alguns poucos passos a frente dela, por segurança. Não queria que ela sentisse que estava sendo levada para uma armadilha. Ele apontou para um assento e ela largou a mochila no chão, sentando sem muito conforto.

Ao levantar o seu olhar encontrou Thadeus sentado a frente dela com aquele sorriso sinistro brincando nos seus lábios. Ele pediu uma bebida e questionou se Willa desejava algo. Aceitou um uísque. Ela não pretendia beber, mas se precisar de uma distração, um liquido nos olhos era uma ótima dispersão.

— Nós seguiremos para um aeroporto particular de lá, seguiremos para Berlin. — Ele informou com um aceno em sua cabeça, buscando fazê-la se sentir confortável.

Por incrível que fosse, ele não conversou com Willa. Manteve os seus olhos no seu celular e ocasionalmente, na mulher. Willa estava atenta a tudo e não conseguiu relaxar por nenhum segundo.

A viagem foi graças a deus, rapida, já que o esforço dos seus sentidos aguçados estavam começando a desnortear Fairchild. Meia hora mais tarde, o jato pousou em um pequeno aeroporto privado. Um atendente pegou a mochila de Willa e Thadeus guiou a ninja para o lado norte do aeroporto. Ajudou ela a subir as escadas para dentro de um jato privativo, um jato muito bonito, provavelmente pertecente a ele ou a JCTC. Willa o seguiu para a area de acomodação, sentando a sua frente. Os raios de sol invadiram as janelas por entre eles.

Um arquivo estava no banco vazio ao lado de Everett e ele o pegou, checando antes de abri-lo, algumas informações em seu celular.

— A viagem para o RAFT não será tão rápida quanto o voo anterior. Tivemos que mudar a localização após os últimos eventos. E também será turbulenta. O tempo está muito ruim para aquelas redondezas. Em oito horas deveremos chegar. Fique confortável.

Willa assentiu, correspondendo ao seu pedido pela primeira vez. Ela recostou na cadeira, encontrando conforto no couro macio da cadeira. Seus olhos encontraram um ponto fixo na janela, admirando o céu de Berlim até que lentamente eles começaram a se fechar e Ross fechou a janela com força. Willa acordou assustada por conta do som.

— Devemos ir direto aos negócios?

— O que você gostaria de saber? — Ela se mostrou aberta às suas questões e terrivelmente submissa, e a sua educação nunca se mostrou tão impecável para aquele momento. Aos olhos de Stone, ele veria ali uma veia para os negócios, encarvalhada no seu tronco duro.

Ross guardou o celular e o cruzou uma perna sobre a outra. Ele deu a ela um sorriso condescendente, uma lembrança de quem estava no comando ali.

— É verdade que você e o Coronel Zemo tiveram um breve encontro nas intermediações das Nações Unidas, antes dos eventos na Sibéria? — Ele questionou. — E ele escapou de ser capturado por descuido seu?

— Sim, é verdade. — Se ela não tivesse se deixado levar pelas palavras de Zemo, talvez conseguiria prendê-lo.

Ele sabia disso, mas gostaria de saber se ela pretendia enrolá—lo com meias verdades. Ele tinha assistido as gravações desse breve encontro, mas Willa desconhecia esse detalhe. E Ross tinha muito interesse no desenlace daquele encontro.

— E você acreditou que ele poderia te machucar? — Ele questionou. Willa negou com a cabeça.

— Dificilmente. Eu fui treinada para conseguir desarmar um homem com um golpe. O Coronel não demonstrou perigo para mim em nenhum momento.

— E mesmo assim, você foi contida por ele e quase lançada seis lances de escada abaixo. — Ele pegou algumas fotos dentro do arquivo, mostrando algumas imagens das gravações daquele embate. — Para alguém com tamanho preparo, isso deve ter sido uma enorme surpresa para você.

— Zemo mostrou ter habilidades peculiares.

“Você tem um super poder, não é?” Ele questionou, sabendo muito bem a resposta. Ele tirou uma caneta do bolso do seu terno, retornando o seu olhar para o arquivo.

— Eu não diria isso.

— Não? — Ele inclinou a cabeça, mostrando desconfiança com a resposta dela. — Você é conhecida por muitos com uma capacidade infinita de combate corpo a corpo. Sabe usar dezenas e distintas armas. Tem uma mira impecável, considerada pelo extinto líder da SHIELD, Nick Fury, como uma sniper nata. E é claro, tem a questão dos sentidos aguçados. — Ele leu do arquivo. — Escuta como uma loba, enxerga como uma águia e tem uma capacidade sensorial digna de um radar militar. — Ele afirmou, levantando o seu olhar para Willa.

— Eu não nasci com isso. Eu aprendi.

— O tão certa disso você está?

— Na mesma proporção que você está sobre quem sou e o que significo para você.

— Você já matou alguém acidentalmente por conta do uso desregrado dos seus dons?

— Não.

Ao menos, não acidentalmente.

Ele arqueou as sobrancelhas, retornando os seus olhos para o arquivo.

—Você nasceu na California?

— Sim. – Willa respondeu, inclinando seu rosto. – Mas eu tenho dupla nacionalidade japonesa/americana por conta do meu pai adotivo.

— E ele vive no Japão? — Ele questionou, pensativa. — Ele está bem?

— Eu desconheço o paradeiro dele, mas ele certamente está bem — Ela entortou um sorriso, brincalhão. — Ele é uma dessas pessoas que nada consegue penetrá-los.

— Você não tem um bom relacionamento com ele?

— Tenho o que podemos chamar de conveniente — Ela mentiu buscando verdade em sua interpretação.

— E a sua prima? Ela é uma mulher muito, muito problemática. Homicidio, estupro e vários casos de violência e abuso de autoridade. Jessica Jones, certo?

— Nós nos afastamos. – Ela respondeu imediatamente.

— Você conhece o paradeiro de Steve Rogers? – Willa deu um olhar falso de desconhecimento com um triste menear de sua cabeça.

— Eu não vejo Steve desde o nosso último encontro, no Raft. – Ela mentiu, esperaçosamente convincente. Ela olhou para os joelhos, pensando na sua memória mais triste para conseguir arrancar algumas lágrimas dos seus olhos. Ela pensou imediatamente em Pietro morrendo diante de si, na sua visão mais dolorosa do seu pior pesadelo. Uma lágrima pesada desceu pelo seu rosto.

Ross assentiu e ignorou as emoções da jovem. Ele era um daqueles homens que se sentiam desconfortável na presença de uma mulher chorando. Ele parou de batucar a caneta no papel e ele prosseguiu com os questionamentos.

— Você se simpatizou por Helmut Zemo? Por isso você poupou a sua vida no Raft? – Ele perguntou sem olhá-la.

— Os meus sentimentos pela sua atitude com os meus amigos não foi um fator determinante para a minha decisão — Ela proferiu com firmeza. — Eu não acredito na punição homicida, Senhor Ross.

— Mas o eletrocutou — Ele pontou crispando um sorriso.

— Eu sabia que não o mataria — Ela devolveu a resposta, arqueando uma sobrancelha.

— E porque você fez isso? — Ele estava se achando o terapeuta dos condenados?

— Ele me irritou. — Ela proferiu trincando os dentes. E ela faria de novo, se tivesse a oportunidade.

— E é isso que você faz quando te irritam? – Tinha certo prazer acido em suas palavras.

— Só com os caras ruins — Ela mirou os seus olhos azuis gélidos so a figura do General.

Ele aceitou a sua resposta sem problemas.

— Isso não teve nenhuma relação com o seu envolvimento com o criminoso procurado James Barnes? — Ele questionou acidamente.

— Eu estava buscando provar a inocência de James. Existiam muitas evidências para comprovar isso, mas infelizmente, tudo foi destruido na Siberia. Mas, Zemo sabia a verdade e ele usou James mesmo sabendo por tudo que ele tinha passado. Minha empatia me impediu de ser racional. Zemo confessou que enquadrou James, não? – Ross assentiu e a caneta batucou no arquivo.

— Você sabe onde ele está, James Barnes? — Willa abafou uma risada debochada.

— Não.

— Como você escapou? – Ele questionou inesperadamente com um olhar morto.

— Da onde?

— Do aeroporto.

— Que aero...? — Ela gesticulou com as mãos.

— Em Berlin, você estava lá, com os outros, mas os meus homens não conseguiram capturá—la por que você, magicamente, desapareceu. Na realidade, na palavra de um dos meus homens você pareceu ter sido teletransportada. – Confiante de ter desconcertado Willa, ele prosseguiu com arrogância. – Eu desconheço qualquer humano com tal superpoder e talvez, você possa até conhecer algum, mas, essa descrição me fez pensar naquele rapaz que morreu em Sokovia. Qual é o nome dele? Maximoff, Pietro Maximoff.

— Ele morreu — Ela proferiu com ressentimento falso.

— Sim. Triste. Um infortúnio. Mas isso não responde, como você sumiu diante dos olhos dos meus soldados. E depois, reapareceu no Raft na companhia de Rogers e Barnes que, curiosamente, a senhorita desconhece os paradeiros. Como você sumiu do aeroporto?

— Eu tenho uma amiga, ela me leva a lugares.

— E essa sua amiga tem nome?

— Madison Montgomery. – Uma cortesia America Horror Story e por sorte, ele demoraria a jogar esse nome no Google.

— Não me venha com essa. – Talvez ele tenha netflix. — Ele ficou meses sem abrir a boca para pedir um copo de água. Aguentou as torturas. Aguentou a fome. Ele parecia um sadio, se divertindo com aquele. Então, um belo dia e voluntariamente ele fala que incriminou o Barnes e eu acreditando que ele estava aberto a continuar um diálogo, ele diz seu nome e fala que só responderia a você. Não me diga que você não sabe, porque se existe alguém que sabe sobre isso é ele e você. Se ele não está apto a falar, só nos resta você.

— Eu não sei. Como eu posso ser mais clara para você entender? — Ela arqueou as sobrancelhas. — Eu não compreendo o motivo para ele querer falar comigo.

— O que vocês conversaram nas Nações Unidas? — Ela revirou os olhos, pensativa. — E no Raft?

— Nós não conversamos.

— Eu vi as gravações, Fairchild. — Ela crispou os lábios, não conseguiria enrolar ele. — Eu tenho os melhores leitores labiais e eles não conseguiram decifrar as suas palavras por que, curiosamente, vocês mal moveram os lábios. Coincidência? Mas, eles conseguiram pegar algumas palavras: Supremacia. Encontrar. Riddle. Não parecem palavras de inimigos.

— Eu entendo. Você está tentando arrancar a confissão de um terrorista e ele diz o nome de alguém que supostamente é um aliado e isso o torna uma pessoa de interesse — Ela racionalizou as suas palavras, buscando ganhar tempo para não responder sua pergunta.

— O seu encontro com Zemo nas Nações Unidas foi a primeira vez? — Ross interrompeu a linha de raciocínio dela. Ela assentiu. — Eu preciso da sua resposta verbal.

— Sim, eu nunca o conheci antes. — Ross deu o seu sorriso doentio para mim.

— Nós estamos terminando, Senhorita Fairchild, e então você poderá aproveitar o resto da nossa viagem. Só mais uma pergunta... — Ele mexeu em alguns papéis no arquivo. — Você estava dormindo com James Barnes? Antes dele sumir? — O seu sorriso apertou o estômago de Willa.

— Isso não é da sua conta! — O seu rosto se transformou por conta do seu sorriso insano.

— Tudo o que você faz é do meu maldito interesse. Tudo que você diz, tudo o que você pensa, todos os seus segredos mais obscuros, enquanto você estiver em minha custódia, você me pertence. — Ela o olhou com nojo assistindo aquele homem crescer diante de si com sua raiva, machismo e frieza. — Você está presa a mim, a não ser que eu diga o contrário, você me compreende? Você é o meu problema. Você dá um passo fora da linha, e eu saberei. Você me desafia de qualquer modo, e eu saberei. Não a motivo para você ficar protegendo a sua sombra, Senhorita Fairchild, porque eu tenho dois olhos e eles estão sob você. Isso está claro?

Willa não tinha se dado conta de como ela estava agarrada aos braços da poltrona, até ele se calar e esperar pela resposta dela. Se ela tivesse a super força de um supersoldado ela teria partido os braços da poltrona com as suas mãos. Os olhos de Ross fizeram buracos pela intensidade fria de um predador, na espreita da sua presa prestes a morrer, para ele atacar.

— Claramente, senhor. — Ela respondeu com estabilidade nas suas palavras. Ele voltou a sorrir como antes, ele guardou a caneta no bolso e batucou a mão no braço de sua poltrona. Satisfeito.

— Bom, eu estava com medo de você ter se esquecido do seu lugar, mas eu estou feliz em estarmos na mesma página novamente. — Ele voltou a olhar para o arquivo, conferiu algumas informações e fechou.

Ele abriu a proteção da janela, permitindo os raios de sol entrarem na cabine.

— Você está aqui por um motivo: falar com Zemo, fazê-lo falar o que ele não quer falar conosco. Eu, honestamente, não sei que tipo de ligação especial você tem com ele, mas é fofo, contanto que eu consiga as minhas respostas e leve esse terrorista para o corredor da morte.

— Corredor da morte? — Ela arqueou uma sobrancelha. Isso não era nada bom para os seus planos.

— É, claro. — Ele riu. — É aonde terrorista pertencem, você não acha? — Willa se manteve em silêncio, olhando para a janela em reflexão. Ele sorriu, aceitando isso como uma concordância. — Aproveite o resto da sua viagem, Senhorita Fairchild. Só faltam serem horas.

As sete horas mais longas da sua vida.

RAFT

— Você está pronta? — A mulher perguntou, com as suas mãos enlaçadas atrás de suas costas. Willa foi alocada em um quarto para descansar do Jet lag da viagem. Ela agradeceu, informando que precisava de um tempo para recompor. Mentira, ela estava bem. Ninguém a informou isso, mas ela não podia esperar menos do General. O quarto tinha duas câmeras de vigilância e um grampo. Eles esperavam conseguir pegar algo dela. Não conseguiriam. Eles não conseguiram pegar o GPS no salto do seu coturno, até parece que ela ia falar alguma coisa. Para decepção do General, ela tirou os seus coturnos e deitou na cama, fechando os seus olhos, fingindo dormir. Tolos. Ela estava concentrando cada fibra dos seus sentidos para ouvir cada cômodo do RAFT. Os cheiros, conseguindo captar a quantidade de armamento e os tipos. Controlou sua fome e a sua sede. Ela não comeria absolutamente nada oferecido por eles. Inclusive, um dos sanduíches tinha um cheiro rançoso, certamente, tinha algum medicamento ali. A distância ela escutou os seguranças informarem que iriam transferir o deliquente para a sala de interrogatório. Ela abriu os olhos, espreguiçando. Não demorou para ela ouvir uma aproximação no quarto e uma batida contida resoar na madeira. Chegara a hora. Ela caçou os sapatos, escutando o bipe distante do GPS. Ela abriu a porta e encontrou a mulher com um sorriso polido. Ela assentiu a sua questão fechando a porta atrás de si, arrumando os seus cabelos. — Bom. Hoje nós vamos ter algumas respostas.

Ela garantiu. Seu nome era Nina e Willa reconheceu a sua voz como a da assistente do Senhor Ross, na sua ligação. Ali, ela descobriu que Nina era uma das suas melhores agentes e um dos seus disfarces era como assistente de Ross. Esperto.

Ela seguiu pelo corredor e Willa precisou acompanhar os seus passos. A viagem no elevador foi estranha e quieta. Ela olhava para frente, focada,até que, lentamente, ela olhou para o lado e inexpressiva, encarou Willa. A ninja começou a desconfiar da postura da agente e sustentou o seu olhar. Se ela pretendia ataca-lá, esse era o seu convite. Ela sorriu e a porta do elevador abriu. Sem ataques, sem agentes preparados para a prendê-la. Era um teste? Ela estava tentando ler ela? Ela estava a salvo. Se é que ela tinha como estar naquela situação.

Quando eles alçaram a sessão secreta, onde levava para as prisões com os bandidos mais perigosos do mundo, os seguranças revistaram Willa e só a deixou com as roupas no corpo e os sapatos, porque seria atentado à pudor andar nua.

Thaddeus Ross tinha a estranha habilidade de surgir dos lugares mais inesperados. E antes dela entrar na área restrita, ele agraciou com a sua presença. Willa agarrou o seu crachá de visitante a ponto de amassar as pontas, por sorte, ele não notou.

— Devemos começar? — Ele gesticulou para ela acompanha-lo e Nina partiu, sem despedidas.

Willa o acompanhou pelos labirintos de corredores até alcançarem a sala de interrogatório. Ela lembrava dessa sala, mas ela parecia sinistramente alterada. Isso devia ter haver com a invasão de Steve e os seus amigos.

Ela podia ver Zemo através do vidro fumê, ele tinha mais arranhões e hematomas do que no dia anterior. Tinha um homem armado na porta.

Por algum motivo, Willa sentiu a mão tremer com os seus olhos na figura de Zemo.

— Você tem uma lista de perguntas? — Willa não teve cuidado com as suas palavras, administrando um olhar desconcertado de Zemo por trás do vidro e Ross.

— Não. Gostamos de trabalhar com o improviso, é o que deixa o criminoso despreparados para as possibilidades. — Ele sorriu e gesticulou para frente. — Pode ir. — Ele colocou as mãos dentro dos bolsos do seu colete e sorriu. — Se você não me conseguir respostas hoje... — Willa parou de caminhar, olhando o reflexo de Ross no espelho. — Eu vou enviar para Nova York um grupo dos meus melhores homens para buscarem a sua prima. — Jessica. — É uma troca justa, não acha? Minhas respostas para a sua prima não ser arrancada da existência medíocre dela.

Ele riu. O sangue de Willa congelou, ela tentou manter os seus olhos nele, mas sentiu as lágrimas irromperem dos seus olhos e a sua garganta começou a queimar. Ela conseguiria as suas respostas. Não as dele, mas as que ela precisava. Ela recuperou as suas forças e coragem e abriu a porta, encontrando novamente com os olhos do criminoso.

Ela foi acometida por aquele sentimento de... Ela não sabia dizer, mas era o mesmo sentimento que ela sentiu quando o olhou pela primeira vez nas Nações Unidas. Era como ficar presa em um minuto inteiro incapaz de pensar, incapaz de sentir, incapaz de falar. Presa a ele.

Perdida momentaneamente em sua mente, ela demorou alguns segundos para ela cruzar a sala e sentar diante dele e ele notou o seu estresse.

O semblante de Zemo mudou de profundamente feliz para profundamente angustiado em segundos.

— Olá. — Ele cumprimentou, forçando um sorriso para ela ou talvez, para Ross.

— Oi. — Ela respondeu mais convidativa do que esperava. Ela mexeu os ombros desconfortável e moveu os seus olhos para a sala de interrogatório de paredes metálicas e claustrofóbicas. – Pode me explicar o que eu estou fazendo aqui?

Ele assentiu enrugando o seu cenho.

— Eu te explicarei. Eu prometo. — É ali estava aquele sorriso novamente.

As mãos de Willa voltaram a tremer e ela escondeu no seu colo tentando esconder o tremor. Por que Ross iria atrás de Jessica? Isso quer dizer que eles não encontraram o sinal de Steve e dos outros, o que era um bom sinal. Significava que ela tinha uma chance. Aquela missão estava a um passo de ir para as cucuias. Aquela missão foi um erro?

— Você está com frio? — Ele questionou a arrancando de pensar em Pietro. — Você parece com frio.

— Sim. — Ela mentiu, e ela não soube dizer se ele acreditou nela, mas contou que Ross acreditasse.

— Parece que sempre que nos encontramos está frio. — Ele comentou, cuidadosamente analisando o rosto de Willa. — Você... Você está com medo de mim? — Ele perguntou com os seus olhos indo das mãos dela aos seus olhos. Ela olhou para ele como atraída pelo seu olhar. Primeiro erro.

— Não, não de você. — Ela negou com a cabeça, sussurrando a sua resposta em um nível apenas escutado pro Zemo. Como ela não ouviu nenhuma batida no vidro, ela acreditou que Ross não a escutou ou gostava da ideia dela sofrer naquele interrogatório.

Zemo correu os seus dedos nas correntes finas da sua algema esquerda.

— Porque não? — Ele riu desconcertado. — Eu sou um criminoso. Um terrorista. Eu arruinei a sua vida e a vida dos seus amigos. Eu estou surpreso que você não me matou até agora.

Ele estava mudando de assunto, tentando fazer com que ele parecesse ruim aos olhos dos caras considerados os bons da historia.

— Para alguém que sabia cada detalhe da minha vida, o tempo te causou uma leve amnésia sobre os meus ideais. — Ela debochou, arqueando as sobrancelhas. — Eu não vejo um motivo para ter matar. Você merece um julgamento justo, por isso você está aqui, não sou eu quem decide se você merece ou não.

— Você sabe que eu não terei isso aqui. — Ele rebateu. — Uma pena de morte, no mínimo.

— E o pior?

— Prisão. Alguns dizem que é melhor do que a morte, mas eu não quero ficar aqui para descobrir.

— Não precisa ser assim. — Ela argumentou. Erro número dois. O olhar dele levantou e ele sorriu. Ela grunhiu pela forma descuidada que ela estava agindo naquilo, ela ainda sentia que tinha algo de estranho na falta de um guia da parte de Ross. Ele um homem tão organizado e cheio de regras, não daria a ela perguntas prontas. Ele estava tentando incrimina-lá?

— Foi como você disse, Riddle. De qualquer forma, eu apodreço aqui, certo? — O coração de Willa se apertou em seu peito por conta da maneira que o seu nome deixou os seus lábios. Um frio desceu pela sua espinha e não era pela sua ansiedade. E ele podia ver isso. A sua pequena compaixão deixou a sua guarda baixar e involuntariamente fez seus ombros caírem e o seu coração apertar. Erro número três. Ele encostou as costas contas a cadeira, próximo da barra a qual ele estava preso.

Ele conectou os seus olhos nela, como um caçador lançando uma isca e Willa foi o coelho estúpido que foi direto para a armadilha, cega pelas consequências.

— Como você sabe o meu nome? — Ela questionou firme.

— Como eu não saberia? — Ele abafou uma risada frouxa e ela revirou os olhos, desgostosa.

— Responde a minha pergunta — Ela murmurou, fria.

— Quando eu tinha 12 anos, eu conheci uma garotinha, ela perdeu os pais e o irmão mais novo em um acidente de avião orquestrado por um homem ganancioso. O que ele não sabia era que essa garotinha tinha um dom. Ela podia trazer pessoas de volta à vida e ela tinha uma pedra. — Willa inclinou a cabeça, arqueando as sobrancelhas. Ele ia tentar enrolá-la com uma historinha? Sério? Justamente ela, a rainha de descobrir o que as pessoas sentem com um olhar. — Quando ela entrava em junção com essa pedra não existiam limites para ela. Essa menininha era um milagre, mas pessoas ruins queriam usá-la para os propósitos errados.

“Meu pai, um barão conhecia a família dela e se compadeceu e pegou a menina para criar. Comprou a mansão da família em Berlim e se mudou para lá comigo, levando os seus negócios para essa nova região. Ele queria que essa menina fosse a minha irmã, mas o tempo me fez ver que eu queria que ela fosse o meu amor. Eu a amava e eu acho que ela me amava também. Mas esse amor, não a salvou do seu destino. Ela cometeu um erro e serviu de lição para outros. Meu pai nunca mais foi o mesmo depois daquele dia, o dia que Riddle se tornou Willa Fairchild.”

Willa estava atordoada por aquelas palavras. Ela esquecera de onde estava. Esquecera de Ross ouvindo tudo. Esquecera dos soldados. À distância ela ouviu um dos agentes comunicar Ross que os batimentos cardíacos de Zemo apontavam que ele dizia a verdade. Ela se deu conta que não respirava e levou a mão aos lábios, respirando fundo e levantando da cadeira metálica. Deu alguns passos até o vidro, encarando o seu reflexo. Do outro lado Ross mandou que os soldados ficassem atentos. Ela olhou para Zemo pelo reflexo e sentiu a sua cabeça dar uma pontada dolorosa.

Esse era um dos seus pesadelos.

Só podia ser um dos seus pesadelos.

— Isso é uma história para um livro — Ela não tinha um pingo de humor para aquela brincadeira sem graça de Zemo.

— Eu bem queria. — Ele proferiu suavemente sem desconectar os seus olhos dela. — Ao menos, ele teria um final feliz. — Ele deixou o seu olhar se perder pela primeira vez, refletindo as suas palavras. — Riddle, você precisa de mim.

— Ross, eu quero sair — Ela engoliu em seco após seu pedido. Retornado os seus olhos para o reflexo de Zemo.

— Riddle, eu sou o único que pode te ajudar a entender o que é incompreensível para você agora — Era isso que ela queria. Ela precisava de sua ajuda. Ela estava ali para ouvir a verdade dele, encaixar as peças faltantes do seu quebra cabeça. Descobrir sua verdadeira essência.

Ela só não esperava que ela não iria desejar essa essência.

— Ross, eu não tenho capacidade para falar com ele, me deixa sair. — Ela deu um tapa no vidro, olhando o seu reflexo com horror. Ela estava apavorada. Ela não ouvia reações alguma vindo do outro lado do espelho. Ela tateou com as mãos o vidro, questionando se havia a possibilidade de ter alguma coisa bloqueando sua audição? Algum dispositivo, talvez.

Suas emoções não condiziam com a mulher que entrou naquela sala. O que ela sentia, o que ela racionalizava encontrava-se em duas vias opostas.

— Você tem medo do mar. — Willa arregalou os olhos, enrugando o cenho. Ela não tinha medo do mar. Hoje. Ela sempre resseava antes de entrar, sentia até um incomodo no estômago. Temia se afogar e não ser achada. Ela não temia hoje, mas quando nova... — Você não sabia nadar. E você tinha muito medo de se afogar. Um dia, você quis conhecer o lago congelado próximo a mansão e eu ia te levar lá, mas você era teimosa e foi sozinha. — Willa abaixou o seu olhar, refletindo suas palavras. Ela reconhecia o que ele contava, como se tivesse em algum momento lido isso em algum lugar. — Acabou caindo em um buraco no gelo e quase se afogou, mas eu te encontrei a tempo de te salvar. — Ela respirou fundo, sentindo uma lágrima escapar dos seus olhos repousando as mãos em seu pescoço. Ela sentia um nó doloroso em sua garganta, uma queimação de ar faltando e água entrando violentamente. Por um instante, ela se viu naquela água com o gelo sobre si e os seus dedos tateando a película gélida, buscando escapar. Por um instante ela se viu menina e retornou ao presente, soltando o ar horrorizada. — Eu tentei te ensinar a nadar, mas você sempre mudava de assunto ou brigava comigo.

Ela não queria ser um estorvo.

— Isso é... — Ela abafou uma risada, tentando retomar o controle da situação. Ela não tinha nenhum.

Ela reconhecia aquelas memórias. Ela não escutava o que acontecia do outro lado do espelho. Ela estava encurralada. O que ela podia fazer?

— Você queria ser astronauta. — Willa olhou para Zemo, estarrecida. — Você dizia que gostava da ideia de morar nas estrelas porque elas eram...—

— Imortais — Ela o interrompeu e completou as suas palavras, piscando os seus olhos em choque.

— Como você — Ele a surpreendeu com um sorriso comprimido e, talvez, sincero aos olhos da ninja.

— Como você sabe dessas coisas? — Ele não tinha como saber dessas coisas nos seus arquivos, em suas entrevistas, nem se ele fizesse uma viagem no tempo, ele não conseguiria saber o que ela pensava, sentia com tanto domínio e certeza. Ele podia ser um bom ator, mas nem mesmo um ganhador de Oscar conseguiria interpretar aquela emoção saudosa.

— Eu te disse. Eu te conheço. — Ele abriu a mão permitindo apenas o suficiente de luz mostrar o que ali tinha, o brilho acinzentado atingiu Willa em pânico. Ele sussurrou o mais baixo que pode, ainda usando Willa como escudo.

— Se você me ajudar, eu posso te ajudar. — Ele proferiu, colocando a chave no encaixe da algema.

Ela fez a primeira coisa que sua mente a instigou: ela falou a primeira coisa que veio em sua mente para encobrir o barulho da chave tentando a todo custo escutar o que acontecia na sala diante deles. Um teque teque de passos ou podia ser um teclado?

— Eu vejo o que você está tentando fazer aqui. Me ludibriar a acreditar nesse seu conto de fadas. Usar a minha fraqueza contra mim. Esperto, mas superestimado. — A chave fez um clique antes dela concluir suas palavras. Ela cruzou os braços, respirando fundo. Certamente aquela sala era revestida, a prova de sons, era intencional para eles não conseguirem prever suas ações? Para ela prever. Era definitivamente uma armadilha.

Willa se sentiu uma otária.

— Eu sempre a considerei a mais esperta do seu grupo. — Ele respondeu, encobertando a sua atitude, retirando as algemas cuidadosamente e massageando os pulsos livres no colo. Ele deixou a chave na mão ainda algemada. — Mesmo que as suas emoções pelo Soldado Invernal a tenha cegado para os seus propósitos reais.

Soldado Invernal? Então, será que Ross chegou à hipótese dela ter tido algo com Bucky por causa de alguma indireta de Zemo?

Isso acertou ela como uma picada. Ela não sabia dizer se isso tinha ligação com o plano ou não, mas ela sentiu um desejo compulsivo de acertar o pé na nuca dele. Como ele podia saber tanto sobre ela?

— Eu conheço esse sentimento. Eu sei como é cair no abismo do esquecimento. Olhar nos olhos de quem se ama e ele não te reconhecer. De ter sua vida drenada, às vezes você precisa relembrar as outras pessoas que eles são humanos. — Willa sentiu um nó em sua garganta, um aperto temido em seu coração e as lágrimas em seus olhos a sufocaram. Ele deu a ela um sorriso estranho. Era obscuro e cheio de fascinação. Um sorriso que fez os seus olhos eclipsar. — As vezes você precisa lembrar aqueles que estão no seu caminho como é se sentir como nada.

A realização atingiu Willa e ela o olhou, recebendo o seu silêncio em resposta, ela não tinha tempo para pensar nisso, esse era o momento de agir. Ela revirou os olhos e fixou sua atenção em algo que percebeu por uma questão de milésimos. O vidro fumê diante de si tremeu. Primeiro foi um movimento quase imperceptível levando Willa a duvidar dos seus olhos. Na segunda vez, teve mais força, mas durou pouco atraindo até a atenção de Zemo, foi nessa vibração que Willa percebeu que quando acontecia o tremor, ela ouvia o que acontecia do outro lado e, não parecia nada bom. Ela repousou as suas mãos contra o espelho, concentrando sua atenção, aguardando um novo tremor que, veio, mais forte do que o anterior e ela escutou. Estampidos? Eletricidade? Madeira craqueando?

Ela escutou um rachar de vidro anteceder um novo tremor, mais bruto e violento. Ela levantou os seus olhos encontrando uma rachadura descer do topo do vidro até o centro, por segundos, quase entrando em contato com uma nova rachadura vinda da parte de baixo.

Willa distanciou-se encaminhando-se para próximo de zemo, ambos com os seus olhos conectados na janela fumê desenhada por rachaduras, até que em um segundo, um vácuo atraiu as rachaduras e em um estouro, explodiu todos os seus pedaços para dentro da sala. Willa agachou-se e Zemo virou a mesa de metal para a sua base protegê-los dos cacos. Um caco atingiu o rosto da ninja e alguns passaram raspando pelas mãos do alemão que grunhiu pela ardência.

Os dois se olharam.

— São os seus amigos? — Ele questionou entre os dentes.

Uma voz feminina suave e aveludada proferiu algo em alemão, Fairchild olhou para Zemo unindo as sobrancelhas. Ela conhecia aquela voz. Era daquela mulher que a seguiu no clube no Japão? Se ela estava ali, isso só podia significar uma coisa: HYDRA.

O som de algo fluindo em energia recarregou e ecoou nos ouvidos dela. Não era só isso: ela escutava ao menos, dez batidas de coração. Tinha pessoas desmaiadas e o som de um alarme apitava atordoantemente. Havia cheiro de pólvora, definitivamente, tinha armas envolvidas. Não sentiu cheiro de metal, o que também não era um bom sinal: ela se garantia melhor em um confronto de facas do que com armas. Ela precisaria conseguir uma arma, para isso, precisaria estar perto e ao mesmo tempo longe. Ela olhou para a mesa. Ela podia arremessá-la contra o grupo, mas Zemo... ele estava de que lado?

— Eu acho que são os seus amigos — Ela acusou repousando as mãos contra o metálico da base. O que ela podia fazer?

— Eu não sei quem é! — Ele se defendeu, olhando para Willa.

— Ela falou em alemão! — Ela apontou, arqueando as sobrancelhas.

— Isso não quer dizer que seja minha amiga.

— O que ela disse? — Ela o olhou, séria.

— Que? — Ele negou com a cabeça, demonstrando nervosismo. Ele não esperava aquilo ou se esperava, era um bom ator. — Senhor, está tudo bem?

O pouco que ela entendia de alemão conferia com o que foi dito por ele. Ela crispou os lábios.

— Responda e questiona qual é a missão — Ela apontou para frente. Ele assentiu, prosseguindo com o que foi pedido por ela falando com a tal mulher.

Zemo levantou de sua posição, olhando de soslaio para Willa e lentamente levantou as suas mãos. Em uma passagem de dois milésimos ela escutou o descompassar de dois corações: um em angustia e outro por ódio. Um deles era de Zemo. Ele estendeu a mão e uma arma branca encontrou os seus dedos e ele caminhou a mira na direção da ninja. Willa agarrou os segundos que tinha e acertou um chute na canela dele e mirou um soco nas suas partes intimas, mas antes que acertasse, duas agulhas conectadas penetrou em sua pele do rosto acertando-a com uma onda de eletricidade alta o bastante para ela perder o controle de seu corpo, tremendo e convulsionando até que seu corpo caiu pesado e inerte no chão. Zemo largou a arma no chão.

Willa fechou os olhos.

Notas finais
O que vocês QUEREM ver no próximo capítulo? Pela primeira vez, eu não tenho capítulos prontos, só MUITAS E MUITAS ideias. Tenho o esqueleto do capítulo 11 em mente, mas eu queria saber o que você, ninja, quer ver no próximo capítulo? Me conte e eu farei acontecer ♥