Notas iniciais
Esse é o primeiro capítulo da minha primeira estória. Sejam legais

Daniel fora uma criança comum. Durante todos os anos de sua infância, dos quais o mesmo não lembrava muito bem, não houve maiores acontecimentos que denunciariam quaisquer desvios de conduta que ele viria a sofrer durante sua adolescência.

De fato, Daniel fora muito esperado e celebrado por seus pais. Sua mãe, Madelaine, a quem todos ironicamente chamavam de Mad, era uma figura alta e esguia com longos cabelos tingidos de loiro e olhos verdes e escuros como musgo, que refletiam junto com sua aparência cordial uma aura de idolatrável ternura. Seu pai Jonah, a quem todos chamavam John, era verdadeiramente alto e corpulento, em sua juventude devido aos músculos que cultivava com o árduo trabalho nos campos da fazenda de seu pai, e em sua velhice devido ao tempo que esgotou a sua força e deixou para trás uma espessa camada de gordura que, junto com a sua barba contribuía para o seu visual rústico. Eles se casaram e tentaram ter um filho durante anos, quando a chance de Mad engravidar foi ficando menor e eles decidiram adotar uma criança, ela descobriu estar grávida de seu primogênito.

Depois de meses imersos numa alegria quase que narcótica, durante uma tarde calma como qualquer outra Madelaine sentiu fortes dores em seu ventre e clamou pela ajuda de seu marido. Em prantos ao ver o sangue inundando seu vestido, escorrendo por suas pernas e chegando ao chão ela gritou. gritou como um animal que via a própria morte bem na sua frente; mas para ela era pior, pois ela não via a sua morte; ela via a morte de seu filho. Quando John chegou na sala e viu sua mulher aos berros com uma poça de sangue embaixo de si ele ficou aterrorizado. Então ela olhou em seus olhos e disse:

– Me ajude, John.

Ele a levou para o carro com todo o cuidado e dirigiu para o hospital enquanto pensamentos ruins inundavam a sua cabeça e não o deixavam pensar direito.

Eles não conseguiram. Segundo o médico o bebê havia morrido muito antes de chegar ao hospital e tudo que ele poderia fazer era retirar o feto morto de dentro da mãe para que ela não morresse também. E assim Mad e John foram ao funeral do seu primogênito, que não havia nem mesmo nascido.

Meses depois, ainda profundamente tristes pela perda de seu filho, Mad e John descobriram que havia outra criança crescendo no ventre da mulher, e a alegria retornou a vida deles. Porém, ela tinha medo de que a mesma coisa que aconteceu com o seu primogênito acontecesse com seu segundo filho. Mas o medo deu lugar à confiança, pois ela faria qualquer coisa para garantir que seu filho nasceria com vida. Qualquer coisa.

Notas finais
Se você gostou, comente e diga por que gostou.Se você não gostou, comente e diga por que não gostou.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.