Borboletas do Arco-Íris
11 Twilight Sparkle - Chiclete com estrelinhas
Notas iniciais
— Por favor, Twilight. Eu não posso viver sem você... — diz Sunset Shimmer.
Eu não sei o que responder, então apenas me viro e começo a andar.
— Twilight! Vai me deixar aqui, sem dizer nada?
Continuo andando, dessa vez mais depressa para esconder as lágrimas que já começavam a cair. Eu tinha que organizar meus pensamentos, então assim que viro a esquina coloco o fone de ouvido. Começa a tocar “Starring Role”, da Marina and the Diamonds.
You’re hard to hug, tough to talk to
And I never fall asleep
When you’re in my bed
All you give me is a heartbeat
I’ve turned into a statue and it
Makes me feel depressed
‘Cause the only time you open up
Is when we get undressed
Ao invés de seguir para minha casa, onde sei que não vou conseguir organizar pensamento nenhum, sigo para outra direção. Eu não sei para onde vou, só quero andar um pouco e esfriar a cabeça.
You don’t love me, big fucking deal
I’ll never tell you how I feel
You don’t love me, not a big deal
I’ll never tell you how I feel
Eu estou mega confusa. Não sei se posso confiar em Sunset depois que vi do que ela é capaz. A verdade é que eu sentia algo por ela. Mas eu não sabia o que ela seria capaz de fazer comigo caso ficasse brava. Eu jamais suportaria.
It almost feels like a joke to play out a part
When you are not the starring role
In someone else’s heart
You know I’d rather walk alone
Than play a supporting role
If I can’t get the starring role
O melhor a se fazer era me afastar. Ando até minhas pernas doerem, e me sento em um banco numa praça, olhando para as pessoas ao meu redor. Um pensamento começava a se formar, encorajando-me a me afastar de Sunset.
Sometimes I ignore you
So I feel in control
‘Cause really adore you
And I can’t leave you alone
Fed up with the fantasies
That cover what is wrong
C’mon baby, let’s just get drunk
Forget we don’t get on
Sunset poderia nem sequer gostar de mim. Eu poderia estar caindo facilmente em seu joguinho idiota. Era o que suas ações me mostravam. À minha frente, estava um laguinho com vários patos. Observo-os melancolicamente, ainda não conseguindo conter as lágrimas.
I never sang for love
I never had a heart to mend
Because before the start began
I always saw the end, yeah
I wait for you to open up
To give yourself to me
But nothing’s ever gonna give
I’ll never set you free
Pego uma pedra no chão de cascalho e ataco no lago. A pedra cai com um sonoro “plop”, assustando um pato próximo, que alça voo. Continuo pegando pedras e atacando no lago, até ouvir uma voz atrás de mim:
— Isso parece divertido!
Olho para trás, tirando o fone só para ter certeza que não foi algo da minha cabeça. Uma garota de cabelos encaracolados e rosa forte me observa animada. Ao invés de dar a volta para sentar-se no banco, ela simplesmente pula o encosto e se senta ao meu lado, agachando-se para pegar uma pedra logo em seguida.
— Sabe — diz ela, observando a pedra atentamente — Isso alivia. — ela ataca a pedra no lago. Ao invés da pedra afundar diretamente como fez as minhas, ela dá três pulinhos na água antes de afundar.
— É, acho que dá certo. — digo, limpando as lágrimas.
Lembro-me então de onde conheço a garota. Foi ela quem me deu as boas-vindas em Canterlot High assim que entrei. Ela me recebeu com uma chuva de confetes e um sorriso no rosto. No fim, a escola nova não poderia ser tão ruim.
— Não precisa chorar — diz ela pegando outra pedra e analisando.
Ficamos em silêncio por um tempo, enquanto a observo pegar pedras, analisar, e em seguida atacar no lago.
— Porque esse trabalho de analisar as pedras antes de atacar no lago? — pergunto.
— Oras, se quer atacar uma pedra no lago, tem que entrar em sintonia com a pedra. — diz ela como se fosse óbvio.
Eu a olho como se ela fosse maluca. Ela apenas dá um sorriso simpático.
— Minha irmã que me ensinou isso. — ela diz — Se quiser, posso te ensinar.
— Hã... Não, obrigada...
Mais alguns momentos em silêncio. O sol estava tão alto no céu, e tão brilhante. Um dia perfeito para uma desilusão amorosa.
— Seja lá o que esteja pensando — diz ela, quebrando o silêncio — Não deve chorar. Sabe por quê?
Espero alguns segundos, até perceber que não era uma pergunta retórica.
— Hum... Não, por quê?
— Porque, em primeiro lugar, o seu sorriso é lindo, e combina com esse sol maravilhoso que está hoje. E em segundo lugar, porque a vida é curta demais para se perder tempo chorando. Sorrir é muito mais saudável.
Dou um sorriso fraco ao perceber que ela está certa.
— Obrigada.
Ela apenas sorri de volta.
— Você deu um fora na Sunset Shimmer quando percebeu que ela é cruel, não é? — ela é direta.
— Como...?
— Foi só um palpite.
Penso por um instante. Minhas bochechas coram quando eu percebo que ela acabou de afirmar que tenho um caso com uma garota. Boa impressão no primeiro dia de aula? Fail.
— Bem... Eu... Hã... — tento explicar, enrolando uma mecha de cabelo como se estivesse tudo bem.
— Só está constrangida por que acabei de insinuar que você é lésbica — diz ela naturalmente. — Mas não se preocupe, eu sou bi.
Suspiro aliviada. Então ela me entende.
— É. Foi isso que aconteceu. Eu...
— Não pode suportar o jeito malvado de Sunset porque ela pode te machucar, certo? — diz ela — Sei como se sente. Mas pensando bem, não é qualquer um que rejeita a Sunset. Pô, ela é mó gata. — ela ri de si mesma — Me desculpe.
— Tudo bem — sorrio — Também a acho uma gata.
— Você também é — ela diz — E vocês formam um casal bonito.
Coro imediatamente.
— Hã... Obrigada. — digo — Você também é muito bonita.
— Twi e Pinkie iria ficar bonito também — ela diz, sem rodeios. Sinto minhas bochechas ferverem.
Ela ri.
— Não se acanhe. — ela ri depois que vê que ainda estou acanhada — Foi só um comentário, nada mais.
Sorrio envergonhada.
— Você é bem direta. — digo.
— Sinceridade é tudo — diz ela assentindo.
Ficamos mais um tempo em silêncio. Olho para o lago, pensando em como seria se eu ficasse com a Pinkie. Ela é uma ótima pessoa, e conseguiu me fazer sorrir mesmo estando triste. Por um longo momento, consigo esquecer Sunset totalmente. Estar com Pinkie era reconfortante.
Estou tão aturdida em meus pensamentos, olhando para o reflexo quase cegante do lago, que quase me esqueço das coisas a minha volta. Uma mão boba me traz de volta a realidade. É Pinkie, apertando meu seio direito. Dou um salto, totalmente corada, afastando sua mão. Ela apenas ri do meu constrangimento.
— Eles são grandes — ela diz — Gosto deles.
Pigarreio.
— É melhor que não me assuste assim. — digo, tentando não soar rude.
— Ah, sem problemas — ela diz — Eu poderei toca-lo quando estiver com você na cama.
Ela se aproxima lentamente, enquanto tento me afastar.
— Eu não... — tento dizer, mas as palavras não saem. A verdade é que gostei de seu toque, mas não poderia admitir assim.
Ela chega perto o suficiente para que eu sinta sua respiração. Seu hálito tem cheiro de chiclete de morango. Tento desviar-me de seu olhar penetrante.
— Ah, Twilight — diz ela — Meu instinto Pinkie está apitando. E ele me diz que você tá afim.
Quero empurra-la e dizer que está errada. Quero gritar com ela por me atacar. Quero correr dali dizendo para nunca mais chegar perto de mim. Mas isso é apenas o que o meu lado consciente quer. Meu lado inconsciente não me deixa fazer isso.
Ela chega cada vez mais perto. Não há mais como me afastar. Minhas costas já estão curvadas sobre o apoio do banco. Não que meu corpo conseguisse se mover mais também. Eu apenas fico ali, paralisada, vendo-a se aproximar.
Ela captura meus lábios em um beijo. Sua língua pede passagem, e abro a boca correspondendo. Meu estômago se contorce em algumas voltas, como se borboletas ali habitassem. Sinto todos os músculos do meu corpo corresponderem ao beijo.
Ela leva sua mão a minha cintura, apertando. Eu finalmente me movo, enrolando meus braços em volta de seu pescoço, acariciando seus longos cabelos encaracolados. Ela me solta, ofegante. Ambas estamos sem fôlego, procurando por ar. O calor do sol que paira sobre nós também não ajuda em nada.
— Você devia vir na casa da Rarity comigo mais tarde — ela diz por fim — Já que é a heroína dela.
Não sei do que ela está falando, mas aceno com a cabeça mesmo assim. Ela se levanta.
— Eu tenho que ir agora — ela diz, me entregando um papel com um número de telefone — Falo com você mais tarde. Não se esqueça de me ligar, pois preciso do seu endereço para te pegar às sete.
Então some saltitando.
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