Borboletas do Arco-Íris
21 Sunset Shimmer - A Pinkie no Fim do Túnel
Notas iniciais
...ALGUMAS SEMANAS ANTES...
— Bom dia, Rarity — digo. Ela me olha estranho e eu sorrio simpática.
Bem, parece que estou indo bem. As pessoas ainda estranham o meu comportamento, mas me esforço o máximo para parecer amigável. Com o tempo, eles iriam se acostumar. Quem sabe?
O importante é que agora eu era uma nova Sunset. Diferente da Sunset de antes, que achava o máximo pisar nos outros para ficar por cima, agora eu era a Sunset que se esforçava para fazer amizades. Eu era a Sunset que Twilight desejava ver. Logo ela apareceria, e veria o que eu era capaz de fazer por ela. O que não demorou a acontecer.
Vejo Twilight dobrando o corredor e vindo em minha direção sem nem olhar para mim. Tento sorrir para ela para chamar a atenção, mas ela nem sequer olha em minha direção.
— Bom dia, Twilight — digo simpática. Ela nem sequer para pra me olhar, mas a sigo pelo corredor. — Twilight, espere.
— Sparkle — ela diz — E se afaste de mim.
Puxo seu braço fazendo-a parar.
— Por favor, me escute.
— Não tenho nada a tratar com você, Shimmer. Mantenha-se longe de mim.
— Pelo menos escute o que tenho a dizer — digo, mas não obtenho resposta — Por favor.
Ela suspira e me olha. Sua expressão denunciando sua armadura de seriedade.
— Twilight, eu mudei por você! Eu não sou mais a arrogante que você viu. Eu sou o que você queria! Twilight, eu jamais cogitei a ideia de mudar. Mas você me fez ver que era preciso. E eu mudei. Mudei por você. Mudei pelas pessoas dessa escola. Mudei por mim. Por favor, acredite em mim.
Ela me olha por um minuto, provavelmente tentando ver se eu estava mentindo ou não. Ela suspira.
— Eu não tenho mais interesse em você, Shimmer. Eu não acredito que mudou, muito menos por mim. Agora vê se me deixa em paz e não atazana mais minha vida! — diz ela, e sai irritada.
Caio de joelhos. Não consigo aceitar que ela não acreditou em mim. Ela nem sequer pensou em tudo o que vivemos. Em tudo o que fizemos. Ela tinha dito que gostava de mim. Mas e agora? Nem sequer acredita que sou capaz de mudar por ela.
— É, parece que ela não vai acreditar mesmo — diz uma voz atrás de mim.
Viro-me e me deparo com uma garota de cabelos rebeldes e rosa-forte. Reconheço como Pinkie Pie.
— Você escutou... — digo, só para concretizar o fato.
— É né. — ela dá de ombros — Quer ajuda?
Ela me estende a mão e me puxa para levantar.
— O-obrigada — digo meio sem jeito.
— Ah, que isso — ela sorri — Enfim, Sun. A Twi não é fácil de convencer.
— Sei disso.
— Mas ela é bonita e beija bem. Então vale a pena você lutar por ela.
— Beija bem...? — de repente um pensamento me ocorre.
“Eu não tenho mais interesse em você, Shimmer”, Twilight tinha dito. Será que...?
— Você a beijou! — grito irritada apontando o dedo para ela. — E está com ela agora! — entro em desespero.
— Sim. — ela diz dando de ombros — E não. Eu beijei a Twi sim, mas não estou com ela. Entenda uma coisa, Sun: A Twi te ama. E não vai querer ninguém mais além de ti. Senti isso quando a beijei. E também meu sentido Pinkie diz isso. Não há erro: Ela te quer. Lute por ela se a ama. E eu sei que ama.
Abaixo a cabeça.
— Não, Pinkie. Ela não quer me ver nem pintada de ouro.
— Agora não mesmo. Se eu fosse ela não iria querer ver — ela ri. — Mas eu sei que você consegue convence-la.
Passo a mão no cabelo, visivelmente agitada.
— Eu não sei não... A Twilight é toda certinha. Ela não vai querer acreditar em alguém que fingiu ser outra pessoa para ela. Eu sou um monstro...
— Era um monstro. Ela é toda certinha mesmo. Já está perdendo um ponto com ela, matando aula.
— Matando aula? — pergunto assustada.
Só então olho em volta e percebo. Somos as únicas no corredor. O intervalo acabara e eu nem sequer percebera.
— Como...? Eu não ouvi o sinal tocar!
— Não ouviu mesmo. Estão com um probleminha no sinal da escola, estão resolvendo agorinha. Ele não irá tocar hoje.
— Tenho que ir pra sala! — digo já saindo. Pinkie me segura pelo braço.
— Se entrar agora, ficará com problemas. — ela diz — Venha comigo.
Ela me puxa pelo braço indo em direção a uma sala que não costuma ter aulas. Dentro, tem diversos alunos mexendo com papéis, tecidos, confetes, balões, e mais uma diversidade de coisas. Pinkie entra me puxando.
— Cheguei! — ela grita animada.
— Está atrasada! — diz Rarity vindo em sua direção.
— Desculpe, fui resolver uns probleminhas.
Só então Rarity me vê. Ela me olha sem expressão, como se decidisse que atitude tomar.
— Ah, espero que não se importe. Trouxe a Sun para nos ajudar. — diz Pinkie.
Todos os alunos no ambiente param e me olham.
— Mas o que ela está fazendo aqui? — pergunta uma garota.
— Ela vai estragar tudo! — diz um garoto.
— Estamos perdidos! — diz outro.
— Parem! — grita Rarity. Então ela me olha gentil — Se Sunset veio nos ajudar, não devem reclamar. Tenho certeza que ela será de muita ajuda. Não é? — ela pisca para mim.
— S-sim! — afirmo incerta.
— Venha, Sun, vou te mostrar o que fazer. — diz Pinkie pegando um saco de confetes e me entregando
— Bem... Mas porque essa bagunça toda? — pergunto sem jeito.
Ela ri.
— São as preparações para o campeonato. Embora ainda falte um mês, todos estão animados para preparar a maior torcida de todos os tempos. É um recorde que queremos quebrar.
— Recorde?
— Sim. Além do campeonato, eles dão um prêmio para a melhor torcida. Ano passado chegamos perto, mas a Starswill Academy ganhou. Esse ano iremos ganhar com certeza.
— Tenho certeza que sim.
— Venha, vou te mostrar minha super invenção.
Sigo Pinkie até um canto da sala onde tem uma cerca-elétrica ligada, câmeras de segurança e vários alarmes. Através da cerca-elétrica é possível ver algo coberto com um lençol branco. Ninguém parece se incomodar com a cerca-elétrica, mas também ninguém ousa se aproximar.
— Uma cerca-elétrica? — pergunto espantada — Deixaram você instalar uma aqui?
Ela revira os olhos.
— Claro que não né. Só contrabandeei uma para cá sem que ninguém soubesse. É necessário, para que ninguém mexa no meu experimento até que fique pronto. Ninguém viu ainda, então sinta-se honrada.
Ela se aproxima de um mini-monitor e digita algumas coisas. A cerca se desliga com um estalido, e Pinkie usa sua digital para abrir um cadeado enorme que fica no portão. Só então, entramos.
— Caramba, tudo isso deve ter custado uma nota — digo maravilhada.
— Ah, nem tanto. Enfim, a invenção ainda não está pronta porque falta alguns ajustes e alguns testes. Mas tenho certeza que a Twi me ajudará com isso se eu pedir.
Suspiro. Com certeza, Twilight iria deixar a invenção de Pinkie perfeita para o uso. Ela era um gênio.
— Agora, mademoiselle, lhe apresento o Super Canhão de Festas 3.000! — diz ela levantando o lençol, revelando um canhão rosa normal.
Tento parecer o mais animada possível, e bato palmas.
— Parece... Interessante — digo sorrindo. — Mas o que, exatamente, ele faz?
— Mas não é óbvio? Ele organiza festas, solta confetes e balões, canta, tem luzes coloridas, e até conversa com você se estiver se sentindo sozinha!
Olho para ela perplexa.
— Claro que precisa de alguns ajustes. Ele não está organizando as festas exatamente como quero, o som está com um defeitinho, e ele solta tortas de maçã ao invés de confetes e balões, mas acho que dá pra arrumar — ela diz animada.
— Oh, tenho certeza que consegue — digo.
— Com a ajuda da Twi, com certeza!
— Sim...
— Agora venha, preciso tentar de novo com os confetes — diz ela pegando o saco de confetes da minha mão.
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