Borboletas do Arco-Íris
20 Rainbow Dash - A Homenagem
Notas iniciais
— D-desculpem interromper a festa — ouço a voz de Fluttershy ao microfone. — Mas preciso fazer isso.
Logo a frente da mesa da DJ, Fluttershy estava sentada em uma cadeira bonita decorada com flores rosa e amarelas, e fitas coloridas: todas as cores do arco-íris. Um foco de luz em forma de uma borboleta a iluminava, e todos no salão a olhavam.
Estava linda e angelical naquele cenário, fazendo-me lembrar-me do quanto ainda a amo. Ela estava com uma aura divina, e tudo ali combinava com ela: completamente adorável.
— Eu vou lhes contar algo — ela diz — Quando eu cheguei a Canterlot High, eu não conhecia nada nem ninguém. Não conhecia nem ao menos o que é ser uma adolescente normal. Mas alguém me mostrou algo além disso. Mostrou-me o que é ser feliz, o que é amar e ser amada. E é por isso que estou aqui, para agradecer tudo o que essa pessoa fez por mim. Por essa pessoa cuidar de mim, por me aceitar assim, inocente como sou. Por essa pessoa mudar o meu jeito de pensar, meu jeito de ver o mundo. Isso tudo é para você.
Ela termina seu discurso com um sorriso fofo, e pega seu pandeiro. DJ PON-3 coloca o instrumental de uma música, e Fluttershy marca com o pandeiro, como fez na casa da Rarity.
I’m hurting, baby, I’m broken down
I need your loving, loving
I need it now
When I’m without you
I’m something weak
You got me begging, begging
I’m on my knees
Ela começa a cantar “Sugar” do Maroon 5. Ela canta docemente, fechando os olhos e sentindo o toque da música. Cada nota parece ser cantada com sinceridade, como se dissesse aquilo mesmo.
I don’t wanna be needing your love
I just wanna be deep in your love
And it’s killing me when you’re away
Ooh, baby, ‘cause I really don’t care where you are
I just wanna be there where you are
And I gotta get one little taste
Eu me perguntava para quem ela estava cantando. Quem era aquela pessoa? Era eu? Meu coração queria muito acreditar que sim, mas meu cérebro me dizia que não poderia ser eu. Porque ela cantaria para mim, afinal?
Sugar
Yes, please
Won’t you come and put it down on me?
I’m right here, ‘cause I need
Little love and little sympathy
Yeah, you show me good loving
Make it alright
Need a little sweetness in my life
Minha cabeça girava em dúvidas. Fluttershy estava linda cantando Sugar, com seu ar inocente ao mesmo tempo corrompido pela música. A melodia de sua voz ao cantar era imensamente linda, e o cenário em tudo ajudava. Era impossível não se apaixonar por ela ali, cantando uma música de amor tão inocentemente.
My broken pieces
You pick them up
Don’t leave me haging, haging
Come give me some
When I’m without ya
I’m so insecure
You are the one thing, one thing
I’m living for
Mas por outro lado, eu não sabia dizer. Não sabia dizer se era para mim. Fluttershy nem fala mais comigo, então porque cantaria para mim? Mas no fim, eu optei por acreditar que era para mim, pois isso me confortava.
Yeah
I want that red velvet
I want that sugar sweet
Don’t let nobody touch it
Unless that somebody is me
I gotta be a woman
There ain’t no other way
‘Cause, girl, you’re hotter than the southern California day
Quando eu já estava quase conformada que era para mim, uma pessoa entra na minha frente, tapando minha visão. Toco o ombro da pessoa e ela se vira com lágrimas nos olhos e um sorriso. Sorriso do qual eu jamais me esqueceria. Seus olhos vermelhos se focam e mim e ele diz:
— Não é linda essa homenagem para mim? A coelhinha é uma namorada perfeita...
Meus olhos se enchem de lágrimas e eu digo, com a voz fraca:
— Sim, é. — e saio correndo para fora.
Quando saio pela porta, meu rosto já está tomado por lágrimas, e já estou soluçando. Além de me trair, ela ainda faz o favor de fazer uma homenagem para Discord em minha presença.
Applejack disse que ela não viria, mas ela veio e ainda, de brinde, trouxe Discord. Elas mentiram para mim, e ainda uma mentira terrível. Elas provavelmente acharam que a amizade da Fluttershy era melhor que a minha, e por isso decidiram ficar do lado dela e ajuda-la na vingança contra mim. Embora eu não me lembrasse de ter feito algum mal a Flutter...
Enfim, de qualquer jeito, elas me arrastaram até lá para sofrer!
Infelizmente, eu tinha vindo de carro com Pinkie, então se quisesse voltar para casa teria que ir com ela. Ah, mas eu não daria esse gostinho a ela. Procuro desesperadamente pelo salão, a procura de alguém que pudesse me dar uma carona naquele momento.
Então encontro Big Macintosh encostado num canto bebendo sozinho. Vou até ele e o puxo para fora sem dizer nada.
— Desculpe te interromper, mas quero te pedir uma coisa — digo meio tímida.
Ele apenas acena com a cabeça em afirmativa, indicando para que eu continuasse. Ajoelho com força no chão.
— Por favor, pode me dar uma carona para casa? — imploro para ele.
Ele sorri gentil.
— Sim — ele diz apenas e segue em direção ao carro.
O legal do Big Macintosh é que você pode pedir qualquer coisa a qualquer hora para ele e ele faz. Além de que ele é caladão, então se eu estou mal e precisando de uma carona, além de ele dar a carona, ainda não faz perguntas e me deixa em paz para raciocinar.
Então seguimos em silêncio até minha casa, onde ele me deixa e vai embora. Tudo o que eu faço é entrar em casa em silêncio, tomar um banho para relaxar e deitar na cama.
Embora seja tarde e eu esteja morrendo de sono, não consigo dormir. Apenas penso no que está acontecendo, e chego à conclusão de que o que eu sofria pela Pinkie não chegava nem perto com a Flutter. Antes dela, tudo era bem mais fácil.
Choro que nem uma condenada até cair no sono.
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