Borboletas Raivosas

1 There Is a Light That Never Goes Out


Notas iniciais
The Smiths- There Is a Light That Never Goes Out

Essa música é perfeita ♥

Naquele quarto onde a luz verde predominava o ambiente e a música se encontrava sempre presente, por incrivel que pareça, a unica coisa que se encontrava viva ali naquela fria madrugada era o silêncio. A vitrola que tocava o disco do The Smiths havia quebrado e de qualquer forma, ele não tinha a menor vontade de ouvir alguma música.

Tudo o que ouvia além do silêncio era o som de borboletas voando em seu estômago. Aquele som ele nunca conseguia evitar de ouvir, mas definitivamente não era o melhor para se deixar escutar. Era o pior som do mundo. Geralmente ele não as ouvia, as colocava em uma posição de ódio e era ali aonde elas tinham que estar, mas ele esqueceu que borboletas precisam de espaço para voar, borboletas não tem ódio, borboletas só querem espalhar amor e beleza por onde passam. Muitas borboletas em seu estômago que pareciam querer explodi-lo a qualquer momento.

A mente girava em pensamentos onde a imagem dela se fazia presente, o motivo de todas aquelas borboletas raivosas em seu estômago. Sentir aquilo, assim como pensar naquela garota, era insuportável.

Insuportável, irritante e cheia de infantilidade. Era isso que ele sentia, se sentia irritado e como um adolescente com borboletas infantis no estômago.

Talvez sentir tudo isso em plena madrugada fosse devido ao vinho que tomara. Quantas taças havia tomado para espantar aquelas borboletas e a imagem dela da mente? Quantas taças havia tomado enquanto o disco do The Smiths girava na vitrola, antes dela se quebrar e ali no quarto reinar somente o silêncio e o som de borboletas incessantes?

Quando deu por si, já havia tomado duas garrafas daquele vinho que ela gostava. Ela... Aquele ser insuportável que o fazia se sentir tonto e com uma enorme vontade de vomitar naquele momento. Por mais que tentasse evitar pensar nela, e por mais que tentasse afogar todas aquelas borboletas raivosas com aquele maldito vinho, ele nunca conseguiria tirá-la do seu coração.

''Eu costumava dizer a ela que eu não tinha um coração...Mas olha aqui, Sarah, eu não tenho somente um coração como também tenho milhões de borboletas debatendo-se dentro de mim querendo voar para fora por sua causa...Droga, como eu sinto a sua falta''- Sua mente pensava desenfreada, não conseguia conter suas emoções.

Correu para o banheiro e ali rapidamente despejou todas aquelas borboletas que queriam voar de volta a natureza fazendo seu caminho até o fundo da privada. Borboletas voaram junto com o vinho, e todo o resto. Respirou fundo e começou a chorar feito uma criança.

Uma criança irritante e insuportável assim como Sarah, Era assim que ele se sentia, irritado por sentir falta dela, não queria de forma alguma sentir...Mas estava ali vendo borboletas raivosas voarem e fazendo papel de bobo assim como ela costumava fazer.

Talvez Sarah estivesse impregnada nele e pensar nessa possibilidade era terrível.

Não conseguia pensar racionalmente, não conseguia conter as lágrimas e um grito pairava em sua garganta. As borboletas tinha voltado para a natureza, mas seu coração estava apertado, sentindo falta de ter um outro batendo no mesmo ritmo que o seu como uma música boa de se ouvir.

Começou a ouvir batidas na porta do quarto. Três batidas seguidas. Três batidas...

As batidas na porta o tiraram de seu devaneio, e pensou por um momento que talvez fosse Sarah do outro lado.

Cambaleando, com a visão turva, e com a garota infantil em sua mente, ele saiu do banheiro e se dirigiu até a porta. Encostou-se ali tentando recobrar o sentidos que agora retornavam ao seu corpo.

As borboletas haviam saído, mas esqueceram-se de levar o grande vazio da alma daquele músico solitário.

''Malditas borboletas''...

O silêncio reinava novamente naquele quarto onde a luz verde predominava todo o ambiente. Dessa vez, não tinha o som de borboletas. John se viu encostado a porta tentando tomar coragem para abri-lá.

Três batidas...

Uma voz o chamava do outro lado. O Silêncio não reinava mais ali, a voz dela estava presente... A voz dela...

Sarah estava do outro lado, John tinha certeza.

John se virou para a porta e se recompôs. Três batidas na porta, uma voz conhecida que costumava confortá-lo e dizer que tudo ia ficar bem. Com ela nunca tinha fase ruim... Ela tinha uma luz que nunca ia embora, uma inocência que John admirava e que queria ter, uma criança confusa a procura de respostas para tudo, uma garota que o amava... Mas fora estúpido por tê-la deixado ir, ter deixado sua criança quase mulher ter ido embora para este mundo tão cruel.

''John? Você está ai?''- A voz do outro lado da porta o chamava.

Três batidas na porta...

''Sarah?''- John indagou, baixo.

''Sim, sou eu.''

Um sorriso se formou nos lábios do músico, que se encontrava do lado de dentro do quarto. E, instantaneamente, se viu novamente cheio de borboletas no estômago. Mas John não iria deixar que elas começassem a bater suas asas e levá-lo a loucura. O motivo de todas aquelas borboletas raivosas estava bem ali, do outro lado da porta.

Sarah estava de volta.

Notas finais
Espero do fundo do coração que tenham gostado e futuramente postarei um long-fic sobre o casal John +Sarah sjhdjdhfdjdj
Beijinhos!
x.x
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!