Borboleta Negra

54 Capítulo Vinte Dois - Parte II


Notas iniciais
Oie... Saudades de vcs. Amores ainda na correria, então, nada de responder os reviews. Mas leio todos, e amo, obrigada!... :D Gostaria de agradecer a Djne Pattinson pela linda indicação. ADOREI!... Obrigada! Agora boa ver o que se passa com nosso casal B&B BOA LEITURA!

Casar com o barão! Ao assimilar as palavras o interior da cabine girou e o ar faltou para Isabella. Antes que pudesse prever o barão estava ao seu lado, amparando-a para que não caísse sobre o colchão, recostando-a contra seu peito enquanto precariamente a abanava, aflito.

– Isabella, respire! – ordenou.

– Não... – ela arfou. – Não consigo...

– Inferno! – Edward praguejou a si mesmo por ser tão descuidado em seu ressentimento. Preocupado ao vê-la corar ainda mais enquanto tentava sorver o ar, o nobre soltou os botões da parte superior do vestido e então desprendeu alguns colchetes do espartilho.

– Respire! – novamente ordenou, massageando-lhe o colo. – Respire Isabella!

Empenhada em atendê-lo, a moça permaneceu a puxar o ar até que este voltasse a respirar naturalmente. A grandiosidade da notícia ainda fazia seu coração bater fortemente, porém a mão que a socorria passou a aquecê-la, fazendo nascer um desejo inoportuno que não colaborava com sua recuperação. Segurando-a, afastou-a de seu peito.

– Estou bem agora – mentiu. – Obrigada!

– Tem certeza? – Edward libertou sua mão para segurá-la pelo queixo e girar o rosto corado.

– Tenho... Desculpe-me por isso.

– Eu deveria ter tomado maior cuidado – disse a guisa de escusa, sentido, ainda a manter o rosto dela próximo ao seu. – Esqueci que meus pedidos de casamento sempre a levam ao desmaio.

Não fora um gracejo. Naquele instante o barão entendia todo o teor oculto nas reações da moça.

– Por duas vezes o pedido me surpreendeu – ela retrucou mansamente, ainda sem forças; trêmula pela situação, pelos toques, pela proximidade. – Na primeira era apenas brincadeira...

– Agora não é – o barão salientou duramente. – E deveria estar preparada, pois avisei que não nos separaríamos.

– Sei disso – concordou, mirando a boca rígida. – Só não... Somente não pensei que ainda insistisse em se casar comigo, pois não sou a mulher certa Edward. Bem sabe...

– Como não, se é a mãe de meu filho?

Isabella quis acreditar que aquele tivesse sido um chiste, um dos tantos que o barão liberava quando estavam juntos e bem, mas sentia não ser. Ele não acreditava em sua inocência. Para ele, fora amante de Edward I deliberadamente. Maldito fosse o barão pai que ainda interferia. Odiava-o, mas decidiu naquele instante não mais se deixar abater. Edward poderia estar magoado, porém a queria junto a si, então faria como bem determinasse.

– É verdade... – murmurou, saboreando as palavras. – Sou a mãe de seu filho.

Edward piscou algumas vezes, confuso com a mudança. Cogitou questioná-la para saber o que pensava, porém se calou; não importava. Relevante era seu plano seguir a contendo.

– Sendo assim... – disse brandamente alisando pela última vez a pérola do anel que por meses carregou em seu mindinho antes de retirá-lo. – Acho que seria adequado que voltasse a usar isto.

Tomando a mão de Isabella, escorregou o anel que sempre pertenceu a ela ao longo do dedo anular.

– Ah, Edward... – as palavras desapareceram enquanto mirava a pérola negra em seu dedo.

– Considere-se comprometida comigo. Dessa vez para sempre, espero.

– Para sempre... – ela confirmou num murmúrio.

Ou até que aquela situação se tornasse insustentável e Edward a dispensasse, Isabella acrescentou em pensamento, sentindo um calafrio agourento correr por sua espinha. Como após sua declaração, esperou por um beijo. Agora um que selasse a retomada do compromisso e afastasse seus temores, porém este não veio.

Tudo o que teve do barão foi um mover delicado do polegar em sua mão antes que a soltasse e voltasse à poltrona.

Evitando olhar para o decote profundo que abriu nas vestes da moça para socorrê-la, o barão se recostou às costas do estofado. A satisfação em ver o anel de volta ao dedo de sua dona era ofuscada pela tensão que pairava entre eles desde que soube de seu pai; um homem que não conseguia odiar, e que intimamente invejava por ter com a mulher que amava o que ele próprio não tinha; um elo eterno, agora seu apenas no nome e por imposição.

– Cubra-se, por favor... – pediu, derrotado por aquele sentimento irrefreável.

Sem nada dizer, Isabella juntou o maior número de colchetes do espartilho que pôde sem que fosse preciso retirar todas as partes que compunham o vestido, antes de também abotoá-lo. Ainda estava trêmula, contudo, gradativamente se pacificava. Uma vez que Edward estava decidido, não seria ela a desdizê-lo. E havia outro ponto, tão relevante quanto seu futuro casamento. Em breve, estaria com Embry, apresentando-lhe um pai; dando-lhe a notícia que por anos esperou. Com esse pensamento outras dúvidas surgiram.

– O que dirá no internato? – indagou sem sequer pensar. – Não gostaria que desmentisse a palavra de Carlisle, ele tem sido tão atencioso todos esses anos.

– Lamento por seu amigo – Edward retrucou secamente –, mas para consertar tudo o que fizeram até aqui, alguém terá que passar por mentiroso e dentre todos nós é pouco provável que este seja eu.

Ficou claro pelo tom que o banqueiro ainda não fora perdoado, assim como ela. E esperou mesmo por beijos? Tola!

– Está bem... – anuiu. Após um suspiro novamente questionou. – E, vamos supor que aceitem a versão que você apresentará... Como faremos para tirar Embry do colégio no meio do ano letivo? Não gostaria de prejudicá-lo.

– Eu jamais faria isso! – o barão assegurou altivo. – Tão logo Embry se habitue a Apple White providenciarei os melhores professores para ele e, depois, quando for à hora adequada, ele poderá voltar para Londres, assim como eu o fiz, e concluir seus estudos.

Morar em Apple White, com ou sem Embry, ainda soava como algo insólito; aterrador. Novamente a moça não pôde se calar.

– Como será isso Edward? Como viveremos com a baronesa? A ela não conseguirá enganar... Ela saberá que...

– Que Embry é meu filho – ele a cortou; aborrecido. – Pare de procurar por desculpas.

– Não estou – tentou se defender, porém não teve a chance.

– Já está tudo acertado – prosseguiu o barão. – Minha mãe e minhas irmãs acreditarão em minha palavra... Não quero que elas sofram ao descobrir o deslize de meu pai, então direi que iniciamos um romance clandestino em uma de minhas férias. Passaram-se tantos anos que ela não se atentará das datas.

Perfeito caso fosse verdade. Quantas vezes ela fantasiou um romance naqueles moldes, com o baronete a descobrindo na ala dos empregados e se apaixonando perdidamente por ela? Inúmeras, contudo o jovem nobre jamais cruzou a linha imaginária do corredor que os separava. E agora estava ali, condenando-a por algo que não fez. Paciência, Isabella demandou a si mesma, paciência. Baseando-se no que aconteceu nos últimos dias, poderia contar que, um dia ou outro, a verdadeira face do barão pai fosse exposta.

– Não, ela não atentará... – fez coro ao barão antes de acrescentar. – Devo entender que igualmente se entenderá com Sue? E meu nome?

– Pensarei em algo quanto ao nome. Sobre a senhora Wood? – Edward praticamente vociferou, assustando-a. – Esqueça-a. Ela não seria temerária ao ponto de me contradizer.

Isabella esperava que fosse daquela forma, e não se ocuparia da avó. Confiava em Edward para que a cozinheira não mais a abordasse. Ela, por sua vez, não lhe cruzaria o caminho. No entanto, enquanto a senhora era alguém de opinião insignificante, havia todas as outras pessoas.

– E minha condição Edward? – perguntou; estava de fato curiosa, visto que o barão parecia ter tudo sob absoluto controle. – Caso descubram, meu passado o manchará para sempre.

O barão deu de ombros confirmando a segurança que exalava.

– Não para sempre. Acredito que nem mesmo por um mês. Cite cinco famílias conhecidas que não tenham um segredo escabroso escondido sob os finos tapetes da suas casas – desafiou.

– Não me importo com as outras famílias Edward, somente com você.

– Estranha maneira de se importar – comentou acusador. – Deixando-me no escuro, abandonando-me no meio da noite sem deixar rastros. Tomando para si decisões exclusivamente minhas, como se eu fosse um menino não um homem.

– Foi preciso Edward. – Isabella pontuou, baixando os olhos. – Pensei que tivesse entendido.

– Olhe para mim! – ordenou. Ao ser atendido assegurou. – Se acaso não tivesse acontecido não estaríamos aqui. Somente não tente reincidir no erro, agora sou eu quem toma as decisões ou se preocupa com minha reputação. De qualquer forma acho pouco provável que a reconheçam... Não disse que sempre usava aquela máscara? Não recordava de tudo claramente, mas as cenas no quarto vermelho jamais o deixariam, assim como as palavras ditas.

– Sim, eu disse... – ela confirmou. – Dois anos antes de Lilly me vender o Jardim ela teve essa ideia, ainda assim é pouco... E há o Hunt.

– O que tem o biltre? – Edward se eriçou ao ouvir o nome.

– Ele me viu sem a máscara – não esconderia nada.– Sabe quem sou.

– Quando aquele estafermo a viu sem ela pela primeira vez? – Não era como se duvidasse do não envolvimento; precisa apenas saber.

– Pode prometer que não irá se exaltar – pediu a meia voz.

– Quando Isabella? – ciciou, recusando-se a tirar conclusões precipitadas.

– Quando... – começou delicadamente, visto que o barão não prometera. – Quando o avisei que não mais o receberia.

– Ah! – Edward exclamou, cerrando os punhos. A tensão então se tornou palpável, amedrontando a moça que já considerava não revelar o ocorrido. Ela descobriu não ser preciso quando o nobre sibilou. – Quando ele a espancou!

– Como...? – Isabella suprimiu a pergunta ao imediatamente recordar a resposta.

– Carlisle lhe contou.

– Sim. E, acredite... Hunt que não se atreva a cruzar nosso caminho. Não precisaria dizer, mas aquela agressão o enfurecia mais do que o atentado a sua sidreria. Caso o distinto “cavalheiro” sequer olhasse para sua mulher seria capaz de matá-lo, com ou sem provas que configurassem o assédio. Abalado em seu âmago com a lembrança daquela agressão, e aborrecido por Isabella insistir em preservá-lo, demandou:

– Deixe de tantos cuidados. Saberei lidar com o que vier, afinal, eu tenho idade suficiente para me defender. E se um dia for apontado será por estar acompanhado pela dama mais bonita desse condado; não pelo passado dela.

– Não tem como saber... – Isabella murmurou; recriminando-se por se comover com o elogio em meio à tão dura colocação.

– Nem você tampouco! – replicou, apaziguando o coração ao vê-la corar. Contendo o tom, acrescentou: – Deixe de tentar prever o futuro, por favor. Agora que estamos juntos e a aceitei com todo o seu passado não vou escondê-la. Embry, você e eu formaremos uma família. Sua resistência somente me aborrece.

Findas as questões, Isabella sentiu sua garganta travar. Evidente que se irritou por não ter sido consultada, contudo, imaginando-se nas palavras do barão, queria aquela família que ele secretamente formou e, mesmo que ainda não estivesse unida, já temia perdê-la.

– Impossível não tentar prever o futuro – revelou embargada –, quando temo que com o tempo venha a me odiar.

– Já aconteceu Isabella – o barão revelou calmamente, reduzindo o coração da moça. – Eu a odiei quando descobri que mentiu sobre trabalhar para o Stevenson e tive a certeza de que havia me abandonado. Na terça-feira disse que a desprezaria, porém seria impossível então novamente a odiei por renegar seu amor e assegurar ser uma oportunista. Odiei-a quando li sua carta, quando apareceu seminua no alto daquela escada. E a odiei mais ao saber que pertenceu ao meu pai.

– Não Edward... – ela murmurou, não refreando as lágrimas; como formariam uma família?

– Não chore Isabella – pediu o barão inclinando-se para frente, novamente lhe estendendo o lenço.

– Como não? – perguntou num fio de voz, comprimindo o lenço em seu rosto, evitando olhar para o barão. – Por que me pedir em casamento se agora me odeia?

– Porque também a amo... Tanto que o amor despertado em mim é maior que meu rancor, que meu ciúme ou meu orgulho – o barão declarou abertamente; rouco. – Não importa o quanto estes sentimentos me incomodem. Desde que foi embora descobri não ser capaz de viver sem você, então Isabella, está condenada a ficar comigo para sempre. Até que a morte nos separe!

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O jantar transcorreu no mais absoluto silêncio. Isabella não tinha palavras depois da impactante declaração. Sabia que não havia sido perdoada, mas descobrir que era odiada tão intensamente quanto era amada a assustou. Tanto que não encontrou o que retrucar, preferindo ficar quieta em seu canto, livre do choro, para que não agravasse sua situação. Recusou o almoço, o chá da tarde e teria dispensado o jantar caso um Edward taciturno lhe tivesse dado escolha.

Agora estava ali, a mirar o prato que antes continha sua refeição, alheia aos olhares que ambos recebiam, temendo que suas próprias ações ou colocações agravassem o ânimo do barão, fazendo com que a balança pendesse para o lado contrário. Não poderia permitir, pois não se importava com a condenação perpétua, o que ainda temia era perdê-lo.

– Deseja algo mais? A voz do nobre a assustou, despertando-a das divagações.

– Não, obrigada! Estou satisfeita. Edward assentiu com a cabeça e, depois de terminar de beber seu vinho, limpou o canto da boca e deixou a mesa para lhe estender a mão.

– Então venha... Deve estar cansada.

De fato estava, pensou ao segurar os dedos que o barão lhe oferecia. Eletrizada, reconheceu estar exausta apenas emocionalmente, apesar das parcas horas de sono durante a noite tempestuosa.

Ao deixar a mesa, pensou que seria liberada, contudo o barão segurou seus dedos, puxando-a até a porta, sob os olhares de alguns passageiros. Sim, despertavam o interesse; sérios, altivos, bonitos. Era sobre aquilo que o nobre falara. Evidente que despertava a curiosidade daqueles cujos rostos lhe eram familiares, porém tinha certeza que não somente por sabê-lo solteiro, mas pela escolha da bela companhia.

Quando o vissem casado com Isabella o que correria a boca miúda seria ainda a sua beleza; seu passado ou estado civil quando fora vista sozinha com ele pela primeira vez seriam meros detalhes a ser discutido às mesas dos chás da tarde, por senhoras e moças despeitadas. Isabella por sua vez atribuía a curiosidade ao porte do barão, tão lindo em sua austeridade a estufar o peito com seu brasão; imponente.

Por certo, ser sua esposa seria a melhor das penas. Para ser perfeito, bastaria sua lama nunca o atingir e, também, deixar de ser odiada. Novamente, ao saírem do restaurante, Isabella imaginou que a mão férrea do barão a libertasse, porém mais uma vez se enganou. Edward a manteve firme, levando-a através do corredor até que entrassem na cabine reservada. O toque durou mais do que o esperado, porém a moça considerou ser cedo demais quando este finalmente foi rompido.

– Bem... – Edward começou, desabotoando seu casaco. – Teremos uma grande jornada até a capital, então aconselho que descanse. Acordou cedo.

– Você também acordou – ela o lembrou, sem saber exatamente o que fazer; presa à visão do colete preto e da camisa branca que surgiam enquanto o casaco era retirado completamente.

Estava habituada à companhia do banqueiro. Conversavam, jogavam cartas... Era natural. Edward, ao contrário, não somente lotava a cabine como cada vez mais a desconcertava.

– Pretende se deitar assim? – Edward a indicou por inteiro. Sem esperar pela resposta acrescentou: – Posso aguardar no corredor caso queira se trocar.

– Não será preciso – negou, indo até sua bolsa para dela retirar a camisola branca que sempre trazia em suas viagens.

Era tolice, ela sabia, contudo não se sentiu a vontade para se despir enquanto não voltou às costas ao barão. Somente assim desabotoou e retirou a parte superior de seu vestido. Despiu também a saia e as anáguas. Acomodava todas as peças numa das poltronas, evitando olhar para o homem que respirava pesadamente atrás de si. Desprendia os colchetes do espartilho quando sentiu o toque na ponta de sua trança. Prendendo a respiração e refreando um sobressalto, paralisou esperando pelo o que viria.

Sem nada dizer, Edward – que se aproximou sem que notasse – delicadamente desfez seu penteado e escovou-lhe os cabelos com os dedos. Com o coração aos saltos, ainda a segurar a frente do espartilho, Isabella sentiu seu cabelo ser afastado para que recebesse um beijo morno na curva de seu pescoço. Foi impossível calar um gemido.

– Shhh... – o barão soprou em sua pele enquanto roçava os lábios ao longo do caminho até seu ouvido, onde a lembrou: – Não estamos sós.

– Edward... – murmurou ao ter o lóbulo de sua orelha capturado pelos lábios do barão; sem entender a aproximação. – O que...?

– Shhh... – ele novamente exalou, correndo as mãos ao longo dos braços nus da moça até alcançar-lhe as mãos para assumir a tarefa de desprender o espartilho.

Os dedos mal a tocavam, contudo, o manipular de sua orelha e o corpo quente às suas costas a excitavam dolorosamente. Quando o espartilho foi abandonado e as mãos delicadas de Edward invadiram a barra do chemise, Isabella mordeu o lábio inferior para se manter calada. Ao ter seus seios acariciados sob a peça, desistiu completamente de entender o que havia acontecido; aquela tortura era melhor do que os beijos que ansiou. Quis se virar para abraçá-lo, porém Edward a segurou fortemente, mantendo-a presa contra si.

Enquanto apertava um mamilo entre os dedos, desceu uma das mãos pelo ventre plano e desatou o laço da calça branca para que pudesse também invadi-la. Instável pelo balanço do trem a moça se apoiou na parede, sentindo também o mundo girar ao ser tocada intimamente; sendo comprimida contra a dureza do barão. Não havia como suportar e bastou Edward mover um dedo em seu ponto mais sensível para que sucumbisse, estremecendo violentamente.

– Isso... – ele lhe soprou ao ouvido, envaidecido por afetá-la daquela maneira, no entanto, ainda atacado pelo ciúme. – Algum homem já a contentou tão prontamente?

– Sabe que não... – ela exalou trêmula; querendo mais. – Só você... Só você Edward...

Que era um rendido aos encantos da moça o barão bem sabia, porém ao se enfurecer com o próprio nome, o nobre questionou se era apenas movido pelo desejo despertado ao vê-la se despir ou pelo ressentimento por imaginar que fosse daquela forma que seu pai a viu, como Cora, reservada e tímida, ainda a mais virginal das moças antes que...

Imediatamente Edward calou seu pensamento, porém era tarde. A raiva daninha que o acometeu inflamou seu desejo, tornando-o insuportável. Precisava desesperadamente estar nela, contudo, temendo novamente machucá-la, soltou-a abruptamente. Depois de pegar seu casaco, deixou a cabine e marchou de volta ao vagão restaurante sem olhar para trás.

Parou a meio caminho para acalmar seu corpo e pensamentos, esperando que o evidente desejo fosse mitigado antes de estar entre os demais passageiros. Parcialmente recuperado, entrou no vagão e ocupou o primeiro assento que encontrou vazio. Logo um funcionário do trem veio atendê-lo.

– Boa noite, cavalheiro – o cumprimentou como se não o tivesse visto há poucos minutos.

– O que deseja? – Uma taça de vinho, por favor – pediu roucamente; ao que parecia tão cedo não se recuperaria.

Isabella permaneceu imóvel por tempo indefinido, recusando-se a acreditar que havia sido deixada. Não atinava o que poderia ter feito de errado para afastá-lo daquela maneira e se recusava terminantemente a acreditar que Edward se arrependera. Era apenas ciúme, disse a si mesma ao finalmente se mover para retirar o chemise e vestir sua camisola. Afinal, qual a razão de perguntar por outros homens?

Sim, era ciúme e com a certeza vinha à dúvida, por quanto tempo Edward o suportaria? O amor declarado seria tão mais forte do que todos os sentimentos nocivos que enumerou? Tentando acreditar que fosse, Isabella se conformou com o que não poderia mudar naquele instante, usou o reservado para os dejetos e lavou a boca. Depois ocupou a cama espaçosa. Recostada contra o travesseiro, cobriu-se.

Frustrada, sim, porém tranquila quanto à volta do barão, disposta a esperar. O cansaço e o balanço do trem, contudo, fizeram-na cochilar; não dormir continuamente. Das primeiras vezes que despertou não viu Edward na cabine. Aconteceu apenas na quarta ou quinta vez que acordou e olhou em volta.

Encontrar o barão sentado em uma das poltronas, muito rígido, livre da gravata, do casaco e do colete, mirando-a fixamente, espantou seu sono. Alerta, Isabella sustentou o olhar escurecido, sentando-se para vê-lo melhor. Ainda temia agravar sua situação, porém não havia como se calar.

– Oi!... – testou a voz e o ânimo do barão.

– Oi – ele devolveu igualmente silábico, sem entonação especial.

– Está aí há muito tempo? – indagou, ajeitando uma mecha de cabelo atrás da orelha.

– Tempo suficiente para vê-la dormir o sono dos justos – respondeu sombriamente.

– Como você observou antes, eu estava cansada – ela começou mansamente, então, baseada na certeza de que era considerada culpada, revestiu-se de coragem e emendou em defesa própria – E não tenho razão para não dormir o sono dos justos.

– Acredita ter a consciência assim tão limpa? – Edward indagou num sussurro, reduzindo os olhos. – Depois de tudo o que fez?

– O que fiz a quem? – perguntou ainda agarrada a sua coragem. – Do que exatamente estou sendo acusada?

– De brincar com os sentimentos alheios – o barão respondeu sem nem pensar; era o que em seu íntimo remoia. – Os meus, os de meu pai... Hoje, sabendo que não se deita com eles, compadeço-me até mesmo dos senhores que ilude, exibindo-se.

– Esteve bebendo Edward? – Isabella questionou, escrutinando-lhe o rosto corado sob a luz da lamparina fixada à parede da cabine. – Algumas taças de vinho não me afetariam – retrucou secamente.

– Não estou bêbado.

– Então não há motivo para dizer bobagens – ela rebateu; temia perdê-lo, sim, contudo não se curvaria enquanto estivesse com a razão. – Os senhores pelos quais se compadece, têm de mim mais do que deveriam e pode acreditar, todos ficam satisfeitos apenas com o que vêem.

Como resposta teve um esgar enfurecido e um resmungo ininteligível. Sem se abater com o péssimo gênio, ela prosseguiu:

– Quanto ao que pensa sobre mim e Lord Bradley, não posso mandar em seu pensamento, mas me reservo o direito de pedir o beneficio da dúvida. Como nós dois já salientamos, “você” não estava lá... Não sabe o que aconteceu. Aliás, nem mesmo quem morava em Apple White na ocasião o sabe. Lord Bradley encobria perfeitamente a verdadeira face, então somente eu a conheci. Tudo o que tem é minha palavra...

– E, talvez, a da sua avó – ele a provocou.

– Foi por seu envolvimento com meu pai que foi expulsa.

– Sim – confirmou segura. – E lhe adianto que ela pensa o mesmo que você. Que seduzi o barão... Vindo dela posso entender, mas de você... Eu tinha apenas quatorze anos quando ele roubou minha inocência Edward, quatorze. O que poderia entender de sedução com essa idade, pelo amor de Deus!

A semente da dúvida, já germinada na mente do barão desde sua conversa com Sir Cullen, avançou um pouco mais. Ainda lhe parecia improvável acreditar na versão da moça, mas sentia que conseguiria atender-lhe o pedido, concedendo-lhe o beneficio como fizera o banqueiro, pois igualmente necessitava dele para que não enlouquecesse. Sim, faria daquela forma, mas não pôde se calar ao recordar de um detalhe citado em sua visita à mansão Cullen.

– Talvez você não precisasse entender... Sir Cullen comentou que era uma menina bonita. – Baixando os olhos, num murmúrio intimista, acrescentou: – Não a vi depois de crescida, mas, se aos quatorze era a promessa do que é hoje, entendo que tenha sido impossível não se apaixonar...

Isabella sempre repudiaria aquele sentimento declarado pelo barão pai em seu leito de morte, porém o tom de seu sucessor a comoveu. Depois de afastar as cobertas, a moça se arrastou até os pés da cama e então escorregou até o piso, sentando-se aos pés do novo barão, colocando-se em seu campo de visão sem ele precisasse erguer os olhos.

– Acredite em mim. – Isabella pediu, tocando-lhe a barra da calça xadrez. – Não precisa odiar seu pai caso um dia consiga. Eu jamais pediria isso, mas entenda que não existiu sentimento no que aconteceu. Não posso responder por Lord Bradley, mas em meu passado nunca houve um amor que não fosse o meu por você Edward. Você sempre foi meu único senhor.

Não era tão fácil. Queria acreditar, principalmente quando a decepção por seu pai já era realidade. Se acaso viesse a descobrir que seu antecessor de fato fora capaz de violar uma adolescente indefesa, evidente que o odiaria; sem remorsos. O problema para eles dois era que simplesmente não conseguia associar a violência ao senhor que o instruía quanto às responsabilidades e atitudes de um homem honrado, que anos depois, já debilitado, delirando, declarou em seu sofrimento o quando amava a menina “dele”.

– Por que não a descobri antes? – Edward questionou a si mesmo, retoricamente, tocando os cabelos de noite, afagando-os. – Tudo teria sido diferente.

– Por que eu era tola! – Isabella respondeu, esboçando um sorriso; não poderiam mudar o passado, apenas cuidar do futuro. – E me escondia...

– Se escondia na cozinha quando eu estava em casa – o barão falou sobre a voz dela, calando-a, relembrando as palavras de sua irmã. – Deveria ter se mostrado. Eu não a morderia.

– Imagine! – Ela sorriu mansamente, deixando-se levar pelas boas recordações. – Eu morreria consumida pela vergonha caso me dissesse um simples bom dia.

– Seria assim tão grave? – Edward uniu as sobrancelhas, incrédulo, porém deixando-se contagiar pelas palavras da moça para sufocar seu ciúme.

– Evidente que sim! – Isabella assegurou enfática.

Animando-se com aparente trégua, ela se aventurou a deixar o chão e, lentamente, insinuou-se para o colo do barão. Este se retesou por um instante, contudo logo se acomodou sob ela, deixando-a confortável. Reprimindo um sorriso pela vitória, ela acrescentou nostálgica.

– Quase aconteceu certa vez.

– Quase a matei com um bom dia? – indagou verdadeiramente curioso, mantendo as mãos nos braços da poltrona; rígido.

– Antes fosse! – A moça exclamou, aproveitando para exibir o sorriso que conteve.– O que fez parar meu pobre coração foi uma reprimenda a mim e a Rosalie quando...

– Quando entraram correndo e gritando na biblioteca. – Edward completou ao se recordar da cena.

– Exatamente! – ela confirmou; feliz por ele se lembrar.

Buscando imagens em sua mente pobre de memórias dela, o barão reviu a menina de cabelos pretos, o rosto tão corado quanto os de sua irmã, que o encarava, chocada e muda. Os olhos negros maximizados enquanto ele repreendia as duas por não respeitarem um cômodo onde o silêncio deveria ser absoluto, especialmente quando ele estivesse estudando.

– Quantos anos você tinha na ocasião? – perguntou perscrutando o rosto próximo ao seu; não reconhecendo nela os traços da menina mirrada.

– Sete – respondeu, arriscando mais ao tocar-lhe o cabelo próximo ao colarinho. – E foi naquele dia que passei a evitá-lo. Pareceu tão maior e bravo.

– Então a culpa de sua permanência na ala dos criados foi minha? – questionou, tentando ignorar o eriçar de seus pelos vindo com o carinho leve.

– Em parte, sim – ela admitiu –, mas a culpa maior foi minha. Quanto mais eu crescia e entendia o que sentia por você, mais o evitava. Não importa o que Carlisle tenha dito, eu era magra demais, meu cabelo era horrível e havia as malditas espinhas... Você não teria olhado para mim duas vezes e eu também morreria com isso.

Foi um gracejo, que em Edward calou fundo; por reconhecer que adolescentes jamais chamariam sua atenção, especialmente uma com a aparência descrita. A descrição também o levou a questionar a atitude de seu pai ao seduzir alguém tão jovem. Edward I não deveria ter sido tão leviano, determinou rendendo-se mais uma vez ao formigar de sua mão. Delicadamente tocou o rosto bonito e o afagou, levando-a a fechar os olhos, amolecida.

– Veja como é o destino – disse o barão ao correr o polegar sobre os lábios dela. – Hoje é você quem tem todo esse poder sobre mim. De forma inversa – esclareceu ao ser encarado inquiridoramente pelos olhos escuros. – Morri um pouco por não ter os seus cumprimentos diários, por não encontrá-la quando voltava da sidreria para perguntar como havia sido meu dia...

O destino era cruel, pois também morreu um pouco, ela pensou.

– O que poderei fazer para que me perdoe? – perguntou embargada. – Não quero que me odeie Edward.

– Esqueça o que eu disse – pediu o barão, movendo-se sob ela para que descesse de seu colo. – E volte a dormir... Amanhã o dia será cheio.

Relutante em aceitar o fim da trégua, já de pé, Isabella segurou a mão do barão e, encarando-o como ele apreciava, chamou-o languidamente.

– Venha comigo... O dia será cheio para nós dois.

Edward cogitou negar, pois não confiava em si mesmo, no entanto, rendeu-se ao chamado. Deitar-se com ela era o que mais queria desde que regressou à cabine, horas depois de sair. Ao vê-lo se erguer e libertar a mão para descer o suspensório e desabotoar a camisa, a moça mais uma vez travou os lábios para não sorrir com a nova vitória, e o deixou para que se despisse. De volta ao seu lugar, esperou pelo barão que, vestido apenas em sua ceroula, apagou a lamparina e foi se acomodar no espaço vago da cama mínima; muito perto.

– Nunca sente frio? – Ela perguntou a primeira tolice que lhe veio à cabeça para fugir de assuntos inquietantes.

– Um pouco, sim... – respondeu, encarando-a –, mas sempre gostei de dormir assim. Agora feche os olhos e durma.

Complicado quando seu coração não parava quieto no peito, ela pensou, analisando o rosto sério do barão. Na penumbra Isabella o viu cerrar as pálpebras, dando o exemplo. Em momento algum a tocou, porém não era preciso. Bastava à proximidade, a lembrança dos toques anteriores... Isabella precisava da conclusão do que o barão começou. Talvez arranjasse um problema pela insubordinação, mas não privou seus dedos de tocarem o queixo escanhoado.

– Por que desistiu do cavanhaque? – sussurrou.

– Durma Isabella! – demandou, sem abrir os olhos; cada vez mais confiava menos em si.

– Responda a minha pergunta para que eu possa dormir livre da curiosidade – insistiu. – E me diga também por que optou por esse corte de cabelo. Eu gostava como era antes.

Impossível relevar as questões, tanto que o barão abriu os olhos para encará-la.

– Fui obrigado a escolher esse corte Isabella – falou roucamente –, pois certa manhã “surgiu” uma falha que não me permitia prendê-lo.

– Oh! – exclamou arrependida; linguaruda. – Edward, eu...

– Não se preocupe – ele a tranquilizou, simplificando. – Eu o cortaria de toda forma, assim como eliminei o cavanhaque. Seus cuidados me deixaram preguiçoso e mal acostumado... Preferi facilitar o trabalho de todas as manhãs.

Foi por ela, pensou comovida. E mesmo sendo inadequado, envaideceu-se. Padeceu de ciúmes ao vê-lo ainda mais bonito e, durante todo o tempo, a mudança fora por ela. Ao segurar o pescoço do barão não pensou, precisava tão somente demonstrar o quanto o amava e lamentava toda a dor que lhe causou. Aflita, tentou beijá-lo, porém Edward a afastou.

– Por favor, Isabella, durma... – pediu num fio de voz; a miscelânea de sentimentos discrepantes que nutria por ela abalando-o fortemente.

– Não quero dormir – revelou, ajoelhando-se. – Não sem ter você, por favor...

– Bella... – exalou, perdendo a convicção ao vê-la retirar a camisola apressadamente para exibir o dorso nu, os cabelos escuros caindo em cascatas.

– Por favor, my lord... – ela implorou, desfazendo o laço da calça branca.

Como temia, enlouqueceu ao vê-la se oferecer daquela forma, questionando-se qual homem no mundo teria chances contra ela. Após um impropério, puxou-a sobre seu peito e a segurou pelo cabelo da nuca, obrigando-a a encará-lo.

– Sempre fui seu único lorde? – ciciou.

– Sempre! – garantiu segura, trêmula pelo susto, ignorando a dor em seu couro cabeludo. – Como posso provar?

– Esse é o nosso problema Isabella, você não pode! – Edward rosnou antes de finalmente beijá-la.

O mover de lábios era aflito, assim como as mãos do barão que desceram pelas costas nuas da moça até alcançar-lhe as nádegas sob o tecido da calça e massageá-las, apertando o quadril dela contra ele.

– Edward – murmurou ao senti-lo enrijecer, movendo-se para provocá-lo mais.

– Inferno de mulher – ele sibilou, rolando-a sobre a cama, antes de retomar o beijo, prendendo a língua dela ferozmente; apertando-lhe um seio.

Com fome desesperada, o barão procurou pelo mamilo hirto e o provou. Calando gemidos indiscretos, Isabella se deixou ser levada ao limite sem cuidados, sendo sugada, mordicada, até que Edward os livrasse da calça, da ceroula e se deitar sobre ela, completando-a; igualmente calando urros contra seu pescoço. Isabella não pôde reter lágrimas de alegria por ter sido amada apesar da força, da indelicadeza. Logo, prendia-se ao barão, trêmula e satisfeita; amando-o mais. Quando este indicou que se afastaria, enrodilhou-o pela cintura com suas pernas, mantendo-o no lugar.

– Pare com isso Isabella... – ordenou. – Não devemos...

– Estou preparada... – avisou.

Naquele instante Edward se odiou pela fraqueza que o fez se render a ela, alcançando sua satisfação quando a imaginou no quarto vermelho, usando aquelas mesmas palavras. Após a entrega, com mente e corpo instáveis, o barão se deixou ficar sobre ela por alguns instantes, antes de se afastar e deixar a cama.

– Edward o que houve? – Ela indagou num sussurrou ofegante. – Eu fiz algo errado?

– Não... – ele respondeu no mesmo tom, apoiando-se ao lado da janela. Olhando a escuridão através da fresta da cortina, demandou a si mesmo que esquecesse o que ouviu, pois era irrelevante. A preparação declarada fora para ele.

– Se eu não fiz nada de errado agora, olhe para mim... – ela pediu embargada; temia nem sabia o quê.

– Já fizemos o que queria... – Edward falou sem atendê-la. – Então, por favor, Isabella... Apenas durma.

Lutando contra as lágrimas, a moça alcançou suas roupas e as vestiu em silêncio, mirando as costas escurecidas do barão.

Colocando-se sob as cobertas, aceitou que não havia feito ou dito nada que o afastasse; não naquele instante. O barão lutava com o que ouviu “antes”, e com os sentimentos que cedo lhe expôs. Qual venceria? Infelizmente Isabella não poderia escolher qual prevaleceria, então, finalmente chorou ao descobrir aquilo que deveria temer. Apertando os olhos fortemente, tentou calar um soluço. Nesse instante o colchão ao seu lado cedeu.

– Shhh... – Edward soprou, abraçando-a. – Não chore meu amor! “Meu amor”, ela repetiu em pensamento, chorando mais. – Por favor, Bella... Está me matando... Não chore. Perdoe minha insensibilidade.

– Não é insen... insensível my lord – ela soluçou de encontro ao peito nu. – É sin... sincero e... e disse que me... odeia e me... acusa... E quando penso que vai passar... você... se afasta.

Não importava o que Isabella dizia, ele era insensível ao ser sincero em demasia. Contudo não conseguia ser diferente; não quando os sentimentos despertados por ela eram tão intensos e muitos deles – os piores deles – eram ainda recentes.

– Por que tem que escolher a parte ruim? – perguntou de encontro à testa dela, aspirando-lhe o odor dos cabelos; afagando-os delicadamente.

– Eu disse também que a amava, apesar de tudo... Que ficaremos juntos. – É verdade... – ela murmurou, tentando conter as lágrimas.

– Dê-me tempo. – Edward pediu antes de beijar-lhe a testa. – Tudo o que descobri é demais para mim. Sou apenas um.

– Eu sei... – ela se afastou para encará-lo na penumbra. Feliz por ele estar perto, consolando-a, beijou-o nos lábios brevemente.

– Comporte-se Isabella – pediu aninhando a cabeça dela novamente contra seu peito. – E pelo amor de Deus, durma!

Precisavam descansar, pois as emoções os esgotavam, Edward bem sabia. Como se não bastassem as que compartilharam até ali, ainda haveria o dia seguinte, quando conheceria seu irmão; seu filho.

– Não vai acontecer – ela revelou, movendo os lábios sobre sua pele, eriçando-o.

– Então, fale-me de Embry... O tema os ajudaria a acalmar os ânimos, Edward ansiou, sem soltá-la. – O que deseja saber? – Isabella perguntou com cautela.

– Para onde iremos amanhã? – começou pela questão mais fácil. – Para o Saint Joseph... É um internato religioso. O reitor é o padre Hastings.

– Conheço a instituição de nome. Sei onde fica – revelou, satisfeito que ao menos tivessem optado por uma das melhores em Londres.

– Então, nem precisarei indicar o caminho... – ela comentou, tentando reprimir um bocejo repentino; ao que parecia logo atenderia ao pedido do barão.

– Não será preciso... – ele fez coro antes de indagar o que já sabia baseado na carta que leu. – Como é para ele estar no internato?

– Embry considera um castigo – Isabella respondeu novamente comovida –, mas era preciso.

O barão achou por bem não entrar no mérito para que o momento de frágil paz não fosse perdido. Com isso apenas repetiu:

– Sim, foi preciso... – calando-se por um instante para se apegar ao benefício da dúvida, ordenando a si mesmo que não tirasse conclusões precipitadas, tentou esclarecer um dos detalhes que mais o arreliava.

– Por que “Embry”?

– Foi uma forma de ter Rosalie por perto – ela respondeu sem hesitar, era a verdade. – Seu avô materno sempre foi o preferido dela. E era bom para mim, então...

– Quis homenageá-los – Edward completou; contente por não haver relação com seu pai. Isabella apenas assentiu com a cabeça, movendo-a contra seu peito. – Você e Rosalie sempre foram amigas, não é?

– Sempre – ela se permitiu sorrir. – E em momento algum pensou em procurá-la? – precisava saber de mais aquele detalhe.

– Rosalie não poderia fazer nada por mim... – Isabella respondeu, deixando morrer seu sorriso. – E ela não precisaria de uma amiga perdida, nem de um irmão ilegítimo. Sem contar que vale o que disse antes, eu não suportaria caso vosso pai tomasse o menino de mim... O melhor que tinha a fazer era ficar longe e esquecer todos de Apple White.

– Em algum momento você me esqueceu Isabella? – indagou seriamente.

– Por muitos anos acreditei que sim... – foi sincera. – Racionalmente sempre soube que você não tinha culpa do que aconteceu, mas por algum tempo eu me ressenti por não estar lá para me defender... Quando soube que voltou de Londres proibi também que me dessem notícias suas, pois imaginei que fosse como seu pai...

– Por isso foi tão fria na loja de doces – deduziu o óbvio; odiando o fato de realmente não morar em Apple White anos atrás. – E nos primeiros dias em minha casa.

– Sim, mas bastou demonstrar ser diferente para que tudo voltasse.

– Então... – começou num murmúrio rouco. – Quando se rendeu a mim, no pomar e na lagoa, não foi precoce e, sim, com atraso...

– E com amor... – ela respondeu, beijando-lhe o peito, sonolenta, leve por se declarar. – A primeira vez com amor...

O que dizer quando verdadeiramente nada pôde fazer para evitar o que quer que tenha acontecido, e ainda assim continuasse a ser tão amado? O barão não sabia.

Notas finais
Bem, espero que tenham gostado... Depois me contem... ;) Bjus suas lindas...