Notas iniciais
Obrigada meninas por já comentarem... Sempre atenciosas!...

Bom, hoje vou deixar esse e a noite mais um, pois foram os capítulos que postei no orkut... Depois emes vêm semanalmente...

Agora vamos conhecer o barão... Boa Leitura!

– Vossa senhoria deveria ir embora. É inútil esperar. – aquela era a quinta vez que recebia o alerta. – É melhor voltarmos.

– Jake não confunda certas liberdades que lhe dou. – Edward repreendeu seu criado pessoal, um grande moreno que contava com sua mesma idade, trinta e quatro anos, que por ter crescido ao seu lado tinha a pretensão de saber o que era melhor para sua vida. – Preciso vê-la mais uma vez.

– A dama entrou no hotel há uma hora. – ele insistiu livre do temor de novas reprimendas. – Caso esteja hospedada pode tornar a sair somente amanhã.

– Algo me diz que não será assim. – retrucou já esquecido de sua superioridade, conversando apenas com o amigo de infância. – Ela não carregava bagagem. Acredito que esteja apenas em visita a alguém.

– Se é como diz... – o comentário do subalterno morreu no vazio.

Edward moveu a mão impaciente, indicando que se calasse. Ajustando desnecessariamente a gola de seu casaco sobre a nuca, vagou de um lado ao outro ao lado de sua carruagem negra com os olhos azuis fixos na entrada do hotel. Não sabia o que havia chamado sua atenção, somente que precisava rever a dama do vestido verde.

Aparentemente ela era igual a tantas outras moças, vestia-se com esmero, o chapéu declinado sobre a cabeça da mesma cor do vestido, assim como a bolsinha de tecido bordado, as luvas brancas cobrindo as mãos pequenas. Ela era pequena. Quando cruzou com ele soube que lhe passava pouca coisa de seus ombros e rescendia a jasmim. Não cumprimentá-lo como comumente aconteceria o fez se voltar para observá-la e sem explicação aparente, segui-la. Quando a moça parou diante da loja de doces quis abordá-la, contudo não lhe ocorreu o que dizer.

Ainda não fazia ideia do que lhe diria, ou se a barraria, contudo preferia esperar para ver novamente seus cabelos pretos de cachos lustrosos, tão mais atraentes do que o loiro opaco dos de suas irmãs e primas. Talvez fosse essa razão do interesse, pensou coçando distraidamente seu bem aparado cavanhaque. Evidente que não seria por não ter visto seu rosto; não era amante de mistérios. Não senhor!

– Lá está ela Sir! – Jacob exclamou tirando-o de suas lembranças. – Parece que estava certo.

Edward apenas lhe sorriu altaneiro como quem confirma sua perspicácia e voltou sua atenção a dama que deixava o hotel com passos decididos. Tinha o rosto mais uma vez oculto pelo véu verde e caminhava apressadamente enquanto desviava dos poucos transeuntes que se arriscavam a passear naquele final de tarde sombrio. Logo a chuva prometida durante todo o dia desabaria. A dama de rosto velado correu delicadamente até entrar na loja de doces.

– Irá até ela? – a voz de Jacob soou como a de sua consciência.

Era sua vontade, então sem responder ao criado, seguiu de encontro a ela. Ao entrar na loja a avistou de costas debruçada sobre uma bancada onde muitos potes de vidros continham as mais variadas guloseimas. Edward notou que o véu estava erguido, mas somente podia ver a lateral de um rosto rosado.

Ainda decidia o que diria quando a dona do estabelecimento o reconheceu. Como não queria alardes, ergueu a mão num cumprimento mudo indicando que nada falasse. Em resposta conseguiu uma reverência respeitosa com um exagerado inclinar de cabeça.

Impaciente voltou sua atenção para a moça, que ainda de costas vagava diante da bancada, como que indecisa sobre qual doce comprar. Com a dedução Edward acreditou ter sua chance.

– Se me permite... – começou parando às suas costas. – Os bombons aromatizados são realmente divinos. São meus preferidos.

Ela então endireitou os ombros delicados antes de virar em sua direção para encará-lo com seriedade. Edward se viu então analisado por grandes olhos negros que curiosos desceram por suas vestes até mirar suas botas.

Acompanhando a avaliação desejou que seu calçado não estivesse sujo de lama. Inexplicavelmente queria passar uma boa impressão àquela desconhecida. Quando levantou a cabeça encontrou os olhos pretos fixos em seu rosto. Com um suspiro cansado, ela finalmente retrucou.

– Agradeço a indicação.

E sem mais lhe deu as costas para continuar sua escolha; sem acréscimos ou qualquer reconhecimento. Como era possível?

– Perdoe-me. – ele insistiu, interceptando-a antes que passasse à outra bancada. A dona da loja apenas o assistia. – Deixe-me presenteá-la com um bombom para ter a certeza do que digo.

Isabella novamente mediu aquele homem de alto a baixo. Vestia-se impecavelmente com roupas de tecidos caros, indicando ser alguém de poses, talvez importante. A cabeça estava livre de chapéu e seus longos cabelos castanhos puxados para trás e presos; ela não tinha como saber seu comprimento. Os olhos eram de um azul esmaecido, como o da maioria dos ingleses, nada extraordinário. Lembrou-lhe alguém que ela não atinou quem.

A boca circundada por um cavanhaque talvez fosse digna de nota, pois os lábios não eram finos e inexpressivos; talvez fossem bons de beijar; isso para alguém que de fato apreciasse tal contato pegajoso. Contudo a inconveniência demonstrada não animaria a mais casadoira das jovens de Westking e adjacências.

– Novamente agradeço senhor, mas prefiro eu mesma fazer minhas escolhas. Fique a vontade para efetuar sua própria compra. Não tarda a chover e acredito que, assim como eu, deva ter muito a fazer... Boa noite!

Quando ela lhe deu as costas pela segunda vez, Edward se encontrava tão estupefato quanto a dona da loja que assisti a cena com indisfarçado interesse. Depois das palavras amáveis, porém firmes, a moça havia deixado claro não o conhecer. Ele considerava tal absurdo impossível, ainda assim novamente se adiantou disposto a apresentar-se. Sem dúvida ela se mostraria mais receptiva quando soubesse quem lhe oferecia o mimo.

– Perdoe-me por novamente interrompê-la. – ele ignorou o nada discreto bufar que a jovem exalou, assim como seu revirar impaciente de olhos; quando ela o conhecesse ficaria lisonjeada com a atenção recebida e se recriminaria pelo descaso. – Não nos apresentamos corretamente. Permita-me?

Isabella olhou para a mão coberta pela luva de couro preto que lhe era estendida. Não estava com vontade de conhecer ninguém, apenas queria comprar seus doces e partir. Ainda assim considerou que não havia necessidade de ser grosseira com quem nem conhecia. Tinha consciência de sua beleza e ele não seria o primeiro homem inconveniente que a abordava nas poucas vezes que rondava pela cidade. Com exalar resignado, deixou que ele segurasse sua mão também enluvada. Então os lábios expressivos se curvaram num belo sorriso antes que ele dissesse.

– Edward Edrick Masen Bradley II, barão de Westking. Seu criado.

Isabella precisou de todo seu alto controle para não estremecer ante a surpresa. Nunca antes imaginou estar diante do barão. Sentia seu rosto em chamas e se recriminava por corar diante dele que agora lhe sorria abertamente, com certeza creditando ao seu afogueamento, alguma importância ao seu título nobiliárquico. Não era o caso, nem cabia esclarecer. Por ela aquele encontro findaria tão logo as apresentações se dessem, então, forçando um sorriso que parecesse no mínimo educado, apresentou-se.

– Isabella Swan. Encantada. – ela fechou os olhos e inclinou cabeça e ombros num floreio reverente. Quando os abriu encontrou o mesmo sorriso contente no rosto afilado.

– Acaso é parente dos Swan de Wembley? Minha família costumava passar tardes agradáveis nos jardins da...

– Não... – ela negou para interrompê-lo, recolhendo a mão. – Sou dos Swan das redondezas. Ninguém importante... E foi realmente um prazer conhecê-lo Sir Bradley, mas agora preciso me adiantar. Logo...

– Choverá. – ele igualmente a cortou, apagando seu sorriso; o que havia de errado com aquela garota? Outra em seu lugar estaria revirando os olhos em deleite, não por aborrecimento.

– Exatamente! – ela lhe sorriu condescendente, esbofeteando seu ego. – Se me der sua licença...

Edward deixou que passasse e voltasse a sua compra. Não insistira em conhecer alguém que lhe dava pouco ou quiçá nenhuma importância. Empoando seus ombros dignamente, ruminou uma despedida a quem desejasse ouvir e saiu da loja em passos decididos.

– E então? – Jacob indagou tão logo o barão retornou para a carruagem. – Como foi com a senhorita?

– Desde quando lhe devo satisfações de minha vida? – Edward ciciou já abrindo a porta do veículo. – Vamos embora daqui. Logo choverá.

– Bem imagino como foi...

Acomodado em seu lugar Edward bloqueou o olhar recebido – tão jocoso quanto acintoso – assim como o comentário e o riso discreto do criado por sua falha com o flerte. Acaso não o tivesse em alta conta o dispensaria; ou se também não reconhecesse a própria culpa pela liberdade demonstrada. A verdade é que não deveria se voltar contra Jacob por ver graça no inusitado. Geralmente o patrão voltava de encontros daquele tipo satisfeito ou entediado; jamais contrariado.

Enquanto Jacob manobrava a carruagem, Edward mais uma vez se perguntou, qual seria o problema com aquela jovem. Nunca saberia.



Isabella esperou alguns minutos para se voltar. Não queria se deparar com o barão novamente. Ao ver-se sozinha, respirou aliviada e, com as mãos carregadas, foi até o balcão e depositou os doces sobre ele para que a dona da loja, uma senhora de cabelos completamente brancos, vestida num vestido preto e feições suaves, colocasse-os em um pacote pardo.



– Quanto lhe devo? – indagou já a contar algumas moedas no interior de sua bolsa. Seus dedos esbarraram no grosso envelope renovando seu desejo de reler a carta recebida.

– Cinco pence.

– Aqui está... – ao estender-lhe as moedas notou que a senhora a olhava com curiosidade. Não gostava de ser observada tanto quanto de ser abordada então mediu seu tom e indagou. – Algum problema?

– Estava tentando entendê-la. – a senhora disse sincera. – Qualquer outra jovem em seu lugar teria ficado encantada com o claro interesse do barão.

– Não sou como as outras. – retrucou lacônica.

– Eu percebi. – ela lhe sorriu sugestiva. – E o barão também notou a diferença.

– Melhor para mim. Caso realmente tenha notado se manterá distante.

Isabella não obteve qualquer comentário. Sustentando o mesmo sorriso, a senhora terminou de embrulhar seus doces e os entregou. Para a moça pareceu que a ela lhe piscou, mas não tinha certeza.

– Aqui está minha jovem... Que Deus lhe dê boa sorte!

– Amém! – exclamou educadamente ao recolher seus doces.

Saiu para a rua com a impressão de que a senhora gostaria de lhe dizer algo mais, contudo, mesmo curiosa não voltaria para perguntar. Já tivera sua dose de emoções por aquela tarde. Desejava somente ir embora então caminhou até o início da rua onde o coche de aluguel já deveria estar a sua espera.

Não estava. Isabella rodou em círculos, nervosa com o atraso. Deveria estar de volta antes do cair da noite, pois precisariam de sua presença antes de iniciar as atividades de sua casa. Também estava ansiosa para deixar a cidade. Era justamente para evitar aquele tipo de encontro que se mantinha em Wisbury; uma cidade pertencente ao mesmo condado a cinco quilômetros dali.

Não era muito distante, mas para ela tinha sido o suficiente por anos. Vinha a Westking mensalmente somente para atender aos caprichos de Sir Cullen, pois lhe devia alguns favores; os mais importantes de sua vida.

Somente por essa razão fazia questão de manter seus encontros a salvo de mexericos que pudessem chegar aos ouvidos da senhora Cullen; não desejava ser o pomo da discórdia do casal. Por essa razão que igualmente não gostava de estar ali, exposta a curiosidade dos passantes ao ver uma jovem dama sozinha a zanzar de um lado ao outro. E para bem de seus pecados de fato logo choveria.

– Maldito cocheiro! – exclamou indignada. – Onde se meteu?

Olhando ao longo da rua viu somente uma carruagem que não vira antes; não era seu coche. Analisando-a lhe ocorreu que era luxuosa demais. Ao reparar em seu condutor considerou também que talvez conhecesse seu dono. E pior, que ele estivesse no interior do veículo vendo sua espera.

Enchendo-se de mais indignação, Isabella rodou a saia de seu vestido e rumou para a estrada. Sequer lhe ocorreu conseguir outro coche ali mesmo, pois não queria ninguém daquela cidade ciente da direção que tomaria.

Seria uma boa caminhada, mas não se assustava. Qualquer coisa seria preferível a ficar parada esperando por alguém que talvez nem viesse, sendo observada por outro alguém que desprezava. Para seu infortúnio não andou vinte metros depois de entrar no caminho terroso que levava ao trecho que cortava o bosque antes que a chuva viesse forte e logo a ensopasse.

– Perfeito! – ironizou.

Preocupada com o conteúdo em sua bolsinha de pano, Isabella retirou o chapéu e a cobriu com ele juntamente com o pacote de doces. Os saltos de suas botas logo começaram a afundar nas poças d’água levando-a a constantemente desequilibrar-se. Por sorte não caiu nenhuma vez, mas a barra de seu vestido de veludo ficou coberta de lama. Ele todo se tornou muito pesado também dificultando seu caminhar.

Caso se encontrasse com o cocheiro seria capaz de arrancar seus olhos, tamanha era a raiva que sentia. Pagou-lhe bem e adiantado pelo serviço. Não era certo deixá-la esperando e simplesmente desaparecer. Estava prestes a dirigir-lhe alguns insultos íntimos quando viu o clarão súbito e ouviu o clamor vindo do alto. Retirando o excesso de água que corria por sua testa e entrava em seus olhos, Isabella olhou para cima em tempo de ver outro raio cruzar o céu e então novo clarão seguido do estrondo.

– Ai meu Deus! – desesperou-se.

Desde pequena tinha horror a raios e trovões. Estar no bosque somente agravava seu medo. Considerou que estava mais perto de Westking do que Wisbury, então fez meia volta para retornar. Qual não foi seu espanto ao se deparar com uma carruagem a poucos metros de distância. Não ouviu sua aproximação, pois a chuva caia pesada e ruidosa. Com a visão comprometida pelo excesso de água, viu que o cocheiro estava coberto por uma capa preta e tinha o rosto oculto por um chapéu da mesma cor. Não sabia a quem o veículo pertencia, mas seu medo a livrava de toda cerimônia. Estendendo o braço, pediu para que parasse.

Tremendo de frio e pavor pelos raios que subitamente passaram a cruzar o céu e estremecer a terra, ela esperou que a carruagem parasse ao seu lado. Somente então a reconheceu. Antes que pudesse esboçar qualquer reação, o passageiro apareceu em seu campo de visão olhando-a pela janela sobre a porta.

– Ora veja se não é a dama da loja de doces! – ele falou como que para uma terceira pessoa. – Estaria perdida?

– Estou bem, obrigada!... Não deveria tê-lo feito parar. Desculpe-me pela ousadia Lord Bradley. – disse altiva, tentando domar a instabilidade do corpo. – Tenha uma boa noite!

Sem esperar por resposta ergueu os ombros e retomou seu caminhar, indiferente a uma imprecação ouvida; tentando domar seu medo dos raios.

Incrédulo Edward a viu empertigar-se e seguir caminho. Decididamente havia algo errado com aquela jovem, determinou. Ao que parecia fizera bem em contrariar sua aversão a mistérios e o desejo de seu ego ferido de deixar a cidade o quanto antes, ordenando que o criado parasse tão logo fez a volta para partirem; não iria se abater por um mau começo.

Decidiu esperar que ela deixasse a loja disposto a segui-la. Nunca a vira em sua cidade e desejava saber mais sobre aquela que não tardou a sair para a rua. De longe assistiu seu caminhar rotativo no final da rua principal e depois sua partida inexplicável rumo a saída de Westking, em direção a estrada que levava ao bosque; o caminho de seu palacete.

Sim, foi maldoso ao deixar que se molhasse, não atendendo a sugestão do criado em lhe oferecer carona antes que chovesse; considerou uma merecida vingança por tê-lo esnobado e acreditou que estar em desvantagem a fizesse ser mais receptiva. Contudo havia se arrependido no momento em que a viu encharcada e trêmula na beira do caminho. Estava disposto a levá-la para onde pedisse então a nova rejeição o atordoou. Qual era o problema dela afinal?

Batendo no teto da carruagem para que Jacob a seguisse, o nobre esperou que ela estivesse emparelhada à sua janela para dar voz ao seu pensamento.

– Poderia saber o que há de errado com a senhorita?

– No momento? – ela começou prestando mais atenção aos seus passos sobre as poças de lama; cair seria o vexame máximo. – Estar sob uma verdadeira cachoeira, com o vestido a me puxar para baixo e ainda ter que saciar a curiosidade alheia...

Edward ignorou a ironia quase hostil. Começava de fato a se preocupar com ela. Mais um pouco naquela chuva e ficaria doente. Sem contar os perigos que corria sob todos aqueles raios.

– Então esqueça minha curiosidade e aceite uma carona. Posso levá-la para onde desejar. – então, sem se preocupar em molhar-se, abriu a portinhola e lhe estendeu a mão.

Isabella cogitou ignorá-la e seguir em frente, afinal não queria nada que viesse dele, contudo no mesmo instante um poderoso raio rompeu o céu com brilho quase cegante para logo fazer a terra tremer sob seus pés. Engolindo seu orgulho, ela aceitou a mão estendida e se deixou ser puxada para o interior da cabine.

Caiu pesadamente no assento diante de Lord Edward Edrick Masen Bradley II o barão de Westking. Um nome pomposo para alguém que pertencia a uma família de hábitos não tão nobres, mas não era problema seu. Intimamente regozijou-se por estar enlameando o piso de sua luxuosa carruagem, assim como inundando o assento forrado.

Que extraordinária criatura Edward pensou com seus botões. Mesmo em tão miserável situação não baixava seu queixo diante dele. Sustentava-lhe o olhar como se fosse alguém da nobreza. Ele sabia que não era. Conhecia todas as moças bem nascidas das redondezas e com certeza ele se lembraria daquela. Não entendia a razão, mas queria conhecê-la, então sem demora perguntou.

– Para onde posso levá-la? Estava indo para Wisbury ou...

– Se não fosse incomodá-lo poderia me levar de volta a Westking.

– Nunca deixa que as pessoas terminem suas falas? – o barão indagou levemente aborrecido, afinal ele a estava socorrendo. Demonstrar um pouco de agradecimento e simpatia seria o esperado.

– Perdoe-me mais uma vez... – ela pediu baixando os olhos negros. – Sinto-me constrangida por não estar apresentável em vossa presença e por sujar sua linda carruagem. Se me levasse de volta livrar-se-ia de tal incomodo sem demora.

Edward foi tomado pelo espanto. Não esperava ouvir tal declaração. Ainda a repassava mentalmente a procura de algum detalhe que a desabonasse, quando a moça prosseguiu.

– Já seria de grande ajuda se me deixasse na entrada da cidade. Tenho algum dinheiro. Poderia me hospedar em alguma estalagem próxima até que tempo firmasse e pudesse ir embora.

Ela parecia de fato sincera. Talvez a tivesse julgado erroneamente afinal. O que considerou descaso poderia tão somente ser uma forma defensiva de encobrir seu recato. Todas as outras ficavam felizes com sua atenção e com ela não haveria de ser diferente. Acalentado pela revelação, Edward lhe sorriu na tentativa de parecer confortador.

– Asseguro-lhe que não seria incomodo levá-la para onde precise ir.

Evidente que não seria Isabella pensou contrafeita. Mesmo nobre ele não era diferente de todos os homens. Prontos a fazer os maiores sacrifícios para socorrer uma dama indefesa, ironizou. O problema era que não poderia lhe indicar onde morava, nem tampouco insistir em voltar de onde veio sem gerar estranheza e curiosidade. Num lampejo imaginou que poderia pedir para que ele a deixasse às portas da igreja de Wisbury. Conhecer sua cidade não significava saber seu endereço.

– Se vossa graça me garante não ser incômodo. – disse ainda de olhos baixos; nobres apreciavam a submissão. Esperavam por ela então ele não lhe daria maior atenção. – Eu estava mesmo indo para Wisbury...

– Para Wisbury, Jake. – falou alto para ser ouvido além da chuva, batendo sua bengala contra o forro do teto. Então retirou um lenço de seu bolso e o estendeu a ela. – Por favor, aceite...

– Obrigada! – sabia que de nada adiantaria, mas ao menos secaria seu rosto.

– Não se aflija. – ele a tranquilizou. – Logo estará em casa!



Notas finais
E então? Gostaram?... Espero que sim!... :D

Lá por volta das oito horos trago o segundo capítulo... ;)

Bjus