Borboleta Negra

71 Capítulo Tirnta e Nove - Parte II


Notas iniciais
Oie... a autora corrida veio cumprir a promessa, msm atrasada. Capítulo novo amores... Desculpe a falta de resposta. Amo cada comentário, queria responder a todos, mas não dá... :/ Então vou fazer um apanhadão. Sim, as coisas parecem tensas para o lado da borboleta, mas é apenas isso, aparência. No jardim ela estava pior. Lembrem-se que poucos dias se passaram desde sua chegada e que as coisas ainda estão se encaminhando para o desfecho. O barão ficou de mal dela, mas foi apenas uma semana e nesse tmpo os laços entre ele e Embry foram fortalecidos, então não foi de todo ruim. Sim, Rosalie está magoada e com razão, baseado no que lhe foi dito. Sobre a época e o barão não ter sua vontade respeitada, não é bem assim... Se fosse, borboleta não estaria na casa. Quem o contesta são as mulheres de sua família. Certo, houve Tanya, mas aquela não tem senso e nem foi levada em consideração, então, barão ainda é o senhor da situação... Não se desesperem. Nem tentem adivinhar o que vai acontecer, se borboleta vai ser feliz no último capítulo, ou antes... Apenas leiam e toçam por ela... Bjus minhas lindas. Espero ter tirado alguma das dúvidas... ;) Agora bora ao novo capítulo... BOA LEITURA!

– Acorde! Acorde!

Isabella atendeu a ordem lentamente, rompendo as brumas que tentavam mantê-la no bom torpor. Tinha a impressão de que poderia dormir para sempre sem que se livrasse do cansaço dos últimos dias.

– Acorde sua preguiçosa!

Ao pedido do filho, Isabella sorriu e finalmente abriu os olhos para encará-lo, espreguiçando-se. O menino lhe sorria, ajoelhado sobre a cama. Nero estava ao lado, agitando a calda, porém comportado.

– Bom dia, querido! – Isabella ergueu a mão e lhe tocou o rosto.

– Finalmente! Achei que não fosse acordar nunca – Embry reclamou com um muxoxo. – Parecia que estava encantada.

De certa forma... Isabella considerou intimamente. Não estava encantada como a mente infantil sugeria, mas sim, tranquila, pacificada pela confiança que Edward lhe inspirava. E decididamente estava enlevada pelo amor que recebia. Com todos esses sentimentos a mitigarem suas consternações, após toda a atividade na cama do barão não havia como não mergulhar num sono merecido. Tão profundo que não saberia dizer quando foi deixada em sua própria cama.

– Meu príncipe me despertou – ela gracejou, ainda acariciando a bochecha rosada.

– Não, mamãe. – Embry uniu as sobrancelhas, sério. – Seu príncipe é o papai. Eu sou seu pequeno.

Isabella arfou e imediatamente se sentou, recostando-se nos travesseiros, como se ficar deitada prejudicasse sua audição. Seguindo a regra das manhãs passadas seu estômago protestou ao movimento, mas ela não se ateria ao desconforto.

– O que disse? – indagou num sussurro.

– Disse que sou seu pequeno. – Embry franziu mais o cenho, intrigado. – Não sou?

– Claro que sim, meu amor, sempre será... Eu me refiro a quem disse ser meu príncipe.

Embry suspirou e sorriu, maneando a cabeça em divertida reprovação.

– Como não sabe que meu pai “tem” que ser o príncipe? Eu sou criança e não posso protegê-la ainda. Ele é grande e é seu amigo. E eu gosto disso.

Isabella não soube o que dizer. Na verdade nem que quisesse poderia, pois a forma natural e inocente como o filho lhe informou que aceitava sua união a comoveu. Lutando contra as lágrimas, sorriu e agitou os cabelos castanhos de seu pequeno.

– Que tonta que sou! É evidente que “tem” que ser o seu pai.

Embry sorriu satisfeito e saltou no lugar, ainda de joelhos, agitando o colchão, deixando Isabella enjoada, mas ela nada diria. Todo desconforto valeria para ver aquele sorriso contente e o brilho nos olhos azuis.

– A senhora não foi me ver e eu tenho tanto a contar... – ele começou, sem parecer aborrecido na verdade. Sem dar chance a qualquer comentário, prosseguiu. – Ontem ganhei um potro. O que está na barriga da Palomino. E ganhei duas tias e dois primos, mas os dois são filhos de uma tia. Tia Alice, a senhora sabe, não tem filhos, mas eu acho que tem um na barriga dela porque está grande como a da Palomino...

Isabella sorriu. Gostaria de explicar que sim, que crescia uma criança no ventre de Alice, mas o filho nunca lhe deu a chance. Animado, narrou sua ida ao estábulo, a promessa feita pelo pai de que um dia o deixaria montar em Luna, repetiu sobre ter ganhado um potro ainda não nascido.

Contou ainda o quanto gostou de seus primos e o quanto estava ansioso para reencontrá-los naquela manhã.

– Fico feliz com todas essas novidades – Isabella disse sincera.

– Eu também! E eu tinha que vir ver a senhora. Agora com tantas visitas na casa não sei quando vamos nos ver. Por isso Amy me deixou vir acordar a senhora, antes que vovó fosse ao meu quarto.

– Temos aqui um aventureiro decidido! – elogiou, porém não queria criar problemas com a baronesa. – Mas... Agora que já nos vimos e você já me contou tudo o que perdi, é melhor voltar ao seu quarto. Sua avó ficará triste se não o encontrar e não queremos que ela fique triste, não é mesmo?

– Então é aqui que está?

Mãe e filho imediatamente olharam na direção da porta. Isabella não atentou que esta estivesse aberta, tanto que a baronesa entrasse sem ser notada. Não saberia dizer tampouco se a senhora ouviu o que disse. Por seu semblante não tinha nenhuma indicação. Elizabeth se mantinha impassível, olhando diretamente o neto.

– Levei seu café da manhã e não o encontrei – disse para Embry. – Não está com fome?

– Estou, sim, senhora. Mas queria ver minha mãe – ele explicou; estático.

– Pois muito bem... – Elizabeth lhe estendeu a mão. – Você a viu. Agora vamos antes que a comida esfrie.

Embry olhou para a mãe, que lhe sorriu e assentiu.

– Vá. Não é educado deixar uma dama esperando.

Elizabeth a encarou, porém ainda impassível, e assim se manteve até que Embry chegasse até ela e lhe tomasse a mão. Nesse momento sua atenção foi desviada para o neto, a quem sorriu discretamente e simplesmente levou consigo, sem despedidas.

Isabella suspirou aliviada. Não esperava amabilidades da baronesa, nem de mais ninguém, desde que fossem gentis com seu filho. E quanto a isso, ela poderia se sentir tranquila, pois se até mesmo Alice se encantou, não haveria quem, no mínimo, não o aceitasse.

Acalentando esse pensamento Isabella deixou a cama, porém o esqueceu no momento seguinte. Por haver muitas pessoas na casa, iria usar o urinol deixado num canto esquecido do quarto, contudo as paredes giraram à sua volta, obrigando-a a se sentar.

Ainda respirava com certa dificuldade, nauseada, quando Marie entrou com seu café da manhã.

– Bom dia, Isabella!

Quis responder, mas o cheiro da comida a atingiu antes do amável cumprimento, adoecendo-a mais. O que teria? Pensou aflita.

– Bom dia, Marie! Por favor, leve essa bandeja daqui.

– Levar seu desjejum embora? – estranhou a governanta. Sem obedecê-la, preocupada ao notar a palidez, depositou a bandeja sobre a escrivaninha e se acercou da moça. – O que está sentindo?

– Não sei... – disse sincera, tocando a própria testa, odiando engolir a súbita e abundante saliva que encheu sua boca. – Estava bem há um minuto, mas bastou levantar... E você entrou com a comida. Eu...

Isabella se interrompeu ao olhar a governanta e flagrar seu olhar assombrado, a boca entreaberta em muda exclamação. Aflita, tateou-se a procura de pústulas em sua pele, algo que denunciasse alguma enfermidade não comentada por Embry ou pela baronesa.

– O que há Marie? – indagou com ansiedade. – Você está me preocupando!

– Há quantos dias tem se sentido mal? – Marie a questionou, analisando-a com exagerada atenção, ignorando a pergunta.

– Não saberia dizer. Por que pergunta? Acha que tenho algo grave?

– Se for o que estou pensando não é. Especialmente agora que o casamento é certo – comentou Marie, esboçando um sorriso.

– Marie... – Isabella suspirou cansada, um tanto impaciente. – Seja boazinha e me traga o urinol, sim? Deixe-me sozinha um instante e quando voltar seja clara. Não consigo acompanhá-la.

A governanta alargou o sorriso e fez como pedido. Ainda nauseada, Isabella se aliviou e voltou para a cama, rogando por uma pronta recuperação. Também pedia em silêncio que Marie deixasse de voltas e nomeasse sua doença, uma vez que parecia ter um palpite quase certo.

Gostaria também de saber qual a relação entre o mal-estar e seu casamento. As duas coisas não estavam relacionadas e...

– Ai meu Deus! – Ao gritar Isabella imediatamente levou as mãos ao ventre, passando a tremer incontrolavelmente. – Ai meu Deus! – repetiu, maximizando os olhos. – Não pode ser!

– Isabella? – Marie entrou incontinente, ao ouvi-la. – Você está bem? Vomitou?

– Você acha... – balbuciou para a governanta. – Que eu estou...?

Marie apenas assentiu, mesmo sem ouvir a palavra que Isabella não se atreveu a pronunciar.

– Ai meu Deus! – ela novamente exclamou. Já seria possível sentir os sintomas? E como...? Quando?!

– Acalme-se. – Marie se colocou ao seu lado e lhe tomou as mãos frias, suadas. – Não há razão para ficar assim... Já tem um filho do barão e o casamento é certo, será em breve. Não há o que temer.

– Não é o melhor momento – disse ela, automaticamente, revendo todas às vezes que o barão se preveniu, todas as vezes que ela cuidou das benditas esponjas.

“Estamos sendo prudentes?” Edward perguntou ao chegarem de Londres. E estavam! Senhor! O que diria o barão?

– Desculpe-me, sou antiquada, mas essa sua “situação inusitada” com meu senhor passou a ser uma exceção natural para mim. Como eu já disse você tem um filho, então não entendo sua reação.

– Também como já disse, não é o momento. – A aflição de Isabella beirava o descontrole, portanto não dosou a acusação. – E você deveria entender, afinal, em minha primeira estada cuidou para que todos os dias eu tomasse seu chá abortivo.

– Isabella, eu... – Marie se afastou de súbito, pálida. Talvez quisesse negar todas as vezes que abriu e fechou a boca, mas por fim baixou os olhos e admitiu ao pedir. – Perdoe-me por isso. Fiz o que considerava certo... Na ocasião.

– Não posso contestar, entretanto, teria sido honesto ter me avisado de tal “cuidado”. Depois que parti vivi dias de angustia imaginando estar... E agora... E agora...

Isabella fechou os olhos e respirou profundamente. Logo sentiu o peso de Marie que voltava a sentar para novamente lhe segurar as mãos.

– Isabella – chamou-a num sussurro. – Se é assim tão inconveniente... Tão grave. Talvez queira que eu tenha o mesmo cuidado agora. Posso lhe preparar um chá. Um mais forte para que não haja falhas. O barão não precisaria saber.

O oferecimento não a chocava. Isabella se sentou muito ereta e encarou a governanta; não se ressentia com ela tampouco. O que a consternava era não poder comemorar desde o instante em que, finalmente, reconheceu os sintomas que denunciavam seu estado.

Agora esperava o filho do homem que amava. Contrariando todas as probabilidades se casariam e ainda era assustador. Mais uma vez tinha no ventre uma criança que inspirou remoção. E novamente, mesmo apavorada, já a amava e não perderia um segundo de seu tempo considerando o oferecimento.

– Eu jamais eliminaria um pedaço de mim.

Marie simplesmente soltou a respiração e sorriu encorajadora, aliviada.

– Se tivesse aceitado eu não a reconheceria – disse a governanta –, mas respeitaria sua decisão e o barão, de verdade, nunca saberia.

– Então prometa que manterá meu estado em segredo – Isabella aproveitou as mãos unidas para apertar os dedos da criada ao notar seu hesitar. – Prometa Marie! Edward ainda não pode saber. Não antes de nosso casamento, ao menos.

– E como vai explicar essas indisposições matinais? O desmaio? – Marie tentou argumentar. – Um dia Vossa Senhoria há de estranhar. Sem contar as outras senhoras na casa. Todas sem exceção podem desconfiar...

– Terei que contar com a sorte – Isabella rebateu. Ainda não era o momento de dar ao barão uma nova consternação. Não temia uma rejeição, porém Edward nunca escondeu sua preocupação com filhos inesperados. – E com sua discrição. Prometa Marie! Você me deve isso.

– Prometo não por isso, mas por ver o quanto é importante para você.

– Obrigada! – Foi a vez de Isabella respirar aliviada e sorrir, sentindo pela primeira vez uma pontada de alegria. Ainda não entendia como, nem imaginava quando pudesse ter acontecido; muito menos como os sintomas se mostraram tão cedo, mas... – Estou grávida Marie! – festejou – Darei um filho ao barão!

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O almoço transcorria em silêncio sepulcral. Parecia que nem mesmo o tilintar dos talheres e taças não eram ouvidos. Ou talvez fosse ela quem não ouvia, pois, depois de ser tomada completamente pela alegria de ter um serzinho dentro dela parecia que o mundo desapareceu a sua volta, Isabella considerou ocultando um sorriso intimista.

Em sua bolha estavam apenas Edward, Embry e Charlie. Sim, se o barão permitisse queria dar o nome de seu pai ao filho que teriam.

– Talvez devesse dividir conosco o que a alegra.

Demorou um instante até que Isabella entendesse que Alice se dirigia a ela. Depois de baixar o garfo, um tanto constrangida, olhou cada um dos comensais antes de depositar toda sua atenção na futura cunhada. Ao fazê-lo ainda podia sentir o olhar avaliativo que flagrou em seu noivo, sentado à cabeceira da mesa.

– Não tenho nada a dividir – disse rapidamente antes de ocupar a boca com um pedaço mínimo da perdiz preparada ao vinho.

– Poderia ter dito que se casar com o barão a alegra – comentou a baronesa, antes de levar um punhado de comida à boca com indiferença.

– E alegra – Isabella disse de pronto, olhando para Edward furtivamente –, mas não é segredo, nada que eu ainda precise dividir, senhora.

Ao se calar Isabella esperou pelo comentário ácido, da baronesa ou até mesmo de Rosalie, porém este não veio. Lady Elizabeth apenas assentiu, mastigando e olhando em frente, como se nem ao menos tivessem trocado as breves palavras.

– E é este o motivo de seu sorriso? – Alice insistiu. – Pergunto, pois não se mostra animada com o casamento.

Isabella levou o olhar ao noivo. Encontrou-o a encará-la, nitidamente interessado em sua resposta.

– Milady – ela se dirigiu à futura cunhada, contudo sem deixar de encarar seu noivo – por certo estou animada, mas não acho certo demonstrar quando minha união com o barão inspira tantos dissabores.

– Pois se está se referindo ao que eu disse, digo que ainda assim deveria demonstrar – Alice retrucou. – Está prestes a formar uma família com Edward, assim como eu formei a minha com Jasper e Rosalie com Lord Emmett. Todos nós – ela indicou os irmãos citados – estamos unidos pelos laços de sangue, nos amamos e nos defendemos, mas ao casarmos, devemos zelar em primeiro lugar por nossos maridos, esposa e filhos, não importando o que deva ser feito. Então, não seja reservada por nenhuma de nós, pois a única opinião que conta é de seu futuro marido e é ele quem deve ver sua alegria. Depois da cerimônia, voltaremos para nossas casas, provavelmente nos encontraremos em festas e esporádicas visitas, então, o que foi dito aqui ou o que venha acontecer no futuro, não terá tanta importância.

Ao término no monólogo todos os olhos estavam postos em Alice. Os da baronesa se encontravam especialmente arregalados. Edward esboçava um sorriso aprovador antes de voltar a comer. Rosalie o imitou sem nada dizer ou demonstrar qualquer sentimento. Isabella por sua vez sentiu certo alívio nas palavras de Alice, mas ainda preferia se manter à margem. Quando todos fossem embora, Lady Elizabeth ficaria e, mesmo não a temendo, ainda a respeitava e era o mínimo que pretendia ter de volta. E não conseguiria seu intento, afrontando-a.

– Concordo com o que disse – respondeu por fim –, mas deixarei para demonstrar minha alegria em outro momento, por ora guardarei minha energia para o casamento em si. Confesso que estou nervosa.

– Não há razão – disse o barão. – Minhas irmãs e minha mãe cuidarão de tudo. E já que tocou nesse assunto, podemos tratar dessa questão agora.

– Ainda vai insistir em uma cerimônia reservada? – Elizabeth indagou, ainda encarando a filha caçula como se não a reconhecesse.

– Faço questão. E que seja o mais breve possível.

– Se tem tanta pressa, poderia conseguir uma licença especial – sugeriu Alice. – Com ela se casariam imediatamente.

Dadas às circunstâncias Isabella considerou aquela uma ótima ideia. Somente ao ouvir um incomodado pigarrear vindo de Rosalie notou uma ligeira tensão no ar; que se confirmou ao flagrar uma breve troca de olhares entre as senhoras presentes.

Isabella especulou se seria algo referente a ela até notar o violento rubor que cobriu a face de sua velha amiga. Percebeu então que Elizabeth e Alice sustentaram-lhe o olhar até que, para ocultar o que quer que fosse Rosalie baixou o olhar para o prato.

A curiosidade a assaltou. Isabella gostaria de saber o que se passou com Rosalie para que à menção a uma licença especial a afetasse daquela maneira, mas não poderia perguntar. Pelo visto nem mesmo a Edward, que descobriu alheio, ainda a considerar a sugestão de sua irmã mais nova.

Nesse instante toda curiosidade se esvaiu. Naquele momento era seu futuro que contava não o que se passou com sua amiga e futura cunhada. Contrariando toda precaução estava grávida e decidida a contar quando estivesse casada então, quanto antes se desse a união, melhor.

Expectante, esperou pela posição de seu noivo. Edward ainda permaneceu em silêncio por um minuto infinito, então tomou um gole de seu vinho e disse:

– Seria perfeito, mas teriam como preparar a casa e providenciar um vestido adequado para Isabella?

– Se conseguir a licença, para quando seria o casamento? – indagou Alice.

Edward procurou os olhos de sua noiva.

– Para o próximo sábado.

– Seis dias a contar desde hoje – Alice comentou intimista. – Se não fizer questão de nada rebuscado, podemos procurar por um vestido esta tarde, ou amanhã no mais tardar assim a costureira teria tempo para possíveis reparos. Quanto à igreja...

– O casamento será aqui – Edward a cortou.

– Aqui?! – Alice torceu os lábios. – Por que não na igreja?

– Prefiro que seja aqui – disse conclusivo.

– Está bem, aqui – Alice aquiesceu.

– Posso cuidar da decoração da casa – Rosalie ofereceu, sem levantar os olhos de seu prato.

– E eu cuidarei da recepção – disse Lady Elizabeth. – Pequena, como deseja.

– Perfeito! – Edward sorriu satisfeito. – Esta tarde eu enviarei Jacob a casa daqueles a quem pretendo convidar. Também providenciarei para que o duque e o conde sejam informados.

– Obrigada – disseram Rosalie e Alice em uníssono.

– Quando pretendem ir à cidade, escolher um belo vestido? – Edward indagou a Alice, deixando claro que aquela seria sua função.

– Se Isabella estiver de acordo, podemos ir essa tarde. Quanto antes, melhor.

Foi inevitável a Isabella olhar para Rosalie. Nunca pensou em casamento, mas se um dia acontecesse, parecia certo ser ela a lhe fazer companhia durante uma escolha tão importante. Contudo na realidade onde sua união com Edward era possível, não teria tal alegria.

– Quanto antes, melhor – repetiu, esboçando um sorriso.

– Então está combinado! – Alice sorriu e voltou sua atenção ao prato.

– Pedirei a Beni que as leve – informou o barão, retribuindo o sorriso de sua noiva.

Ele não pôde deixar de notar como ela parecia especialmente bonita, apesar de tudo. Como Alice, ele também estava curioso com o que a fazia sorrir intimista vez ou outra.

Talvez não tenham notado, mas Isabella se esquivou de responder. Ele notou. E quando tivesse a oportunidade a questionaria. Por ora, iria se ater aos convites que deveria enviar aos seus vizinhos, amigos e arrendatários. E o mais importante, iria atrás da tal licença, pois tinha pressa. Muita pressa, ele pensou ao levar a taça de vinho à boca, ainda curvada num sorriso dirigido à sua futura baronesa.

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Enquanto se mantinha estática para que a costureira marcasse o que deveria ser ajustado no vestido escolhido, Isabella mantinha os olhos postos em Alice, que por sua vez também a analisava. Talvez aquela proximidade nunca deixasse de ser estranha, mas, verdade fosse dita, a condessa parecia se esforçar em cumprir sua palavra.

Durante a ida à Westking manteve uma conversa amena, citando o clima ainda frio e a iminente primavera, nomeando-a sua estação predileta. Isso intercalando momentos de silêncio quando, indisfarçadamente enlevada, acariciava a própria barriga.

Por vezes Isabella fez o mesmo, porém com discrição. Infelizmente não com total enlevo, pois, passados o choque e a alegria iniciais, o temor veio forte. Como pensou aquela manhã, já amava Charlie de todo seu coração, mas recordar a gravidez difícil de Embry a preocupou. Não gostaria de passar por tudo novamente sem ter a certeza de que o final seria feliz. Restava rogar que fosse diferente.

– Não está me ouvindo?

A questão de Alice chamou a atenção de Isabella, trazendo-a de seu divagar.

– Perdão, milady, o que disse?

– Comentei a finura de sua cintura. Pelo o que me lembro, sempre foi magra, mas não possuía uma cintura. Era reta, reta. Como um graveto. – Ao comentário, riu brevemente. – Como eu. Você se lembra?

Sim, ela se lembrava. Mas não havia comparação. Enquanto Alice era magra por não ter ainda as formas de uma mulher, ela o era pela falta de alimentação adequada, mas não comentaria a diferença. Não quando ainda reconhecia o esforço em manter uma boa relação, não deboche ou diminuição.

– Eu me lembro milady. Ainda bem que mudamos, não?

– Graças a Deus! E agora estou uma bola.

Sim, era estranho, mas Isabella não pôde deixar de rir com aquela nova versão de Alice. Logo, ela também seria uma bola.

– Como está se sentindo no vestido? – Alice indagou ao se recuperar do riso. – Tem certeza de que gostou? Edward nos deu total liberdade de gastos.

Isabella alisou a cintura do vestido de cetim perolado que a costureira havia acabado de marcar com alfinetes. Com o pouco tempo que dispunham, não havia muitas opções. Dos modelos oferecidos, estava um vestido de seda branca – era lindo, mas ela jamais se atreveria a usá-lo –, um vestido de tafetá rosa – simplório – e aquele que usava. Pelo o efeito perolado quebrava o branco, deixando próximo ao amarelo muito claro, eliminando a cor da castidade.

– Este está perfeito!

– Muito bem... Quando terminar com a marcação, vamos escolher o véu e a grinalda.

De repente tudo se tornou tão real que Isabella conteve a respiração. Se fosse uma noiva normal, deveria aproveitar cada minuto daquela tarde, ou dos próximos dias, mas intimamente desejava apenas que os dias corressem e chegassem ao domingo, quando tudo já teria terminado. Então, finalmente, legitimamente, iniciaria sua vida ao lado de Edward, Embry e futuramente, Charlie. Teria a sua família.

Ao deixarem a loja de vestidos, depois de convencer Alice de que preferia uma mantilha a um absurdamente longo véu, Isabella pediu que fossem à loja de doces. Como esta ficava duas ruas paralelas àquela, voltaram à carruagem para que Beni as levasse. Prestativo, o criado as ajudou a descer tão logo parou.

E novamente o real adquiriu ares de fantasia. Era inacreditável como sua vida havia mudado desde seu encontro com o barão, ali, diante dos potes de doces, Isabella pensou ao entrar.

– Nossa! Nunca estive aqui – comentou Alice, olhando em volta com curiosidade.

– Eu venho sempre que possível – Isabella falou, sem pensar.

– Então vem com frequência? – A curiosidade da condessa mudou seu foco. – Morava perto?

– Não muito – Isabella desconversou. – Mas sempre que vinha a Westking, vinha até essa loja.

– Uma vez a cada mês, não é mesmo senhorita? – indagou a dona do lugar, sorrindo, como se tivesse lhe prestado um favor ao refrescar-lhe a memória.

– Sim – Isabella se forçou a sorrir. – Uma vez a cada mês.

– Interessante! – Alice agora avaliava, porém nada mais acrescentou.

– Perdoem-me – a dona da loja lhes chamou a atenção –, mas não pude deixar de reparar que as damas utilizam a carruagem do barão.

– Sim – Isabella se apressou em dizer. – Está é a condessa de Sheffild, irmã do barão.

– Milady... – a senhora a cumprimentou, deferente. Então voltou a encarar a moça.

– E sua antiga cliente será, em breve, a nova baronesa. – Alice anunciou, divertida, sem deixar de avaliar o comportamento da futura cunhada.

– Eu sabia! – a mulher exclamou enlevada. – Logo reparei o interesse do barão ao vê-la aqui. Eu lhe disse na ocasião, não disse? Que ele notou que a senhorita era diferente?

– Sim, a senhora disse... – Isabella anuiu, apressando-se em escolher os caramelos e chocolates que levaria para Embry e aos futuros sobrinhos que ainda não teve a oportunidade de conhecer.

– Então eles se reencontraram aqui? – Alice se dirigiu à dona do lugar.

– Foi um reencontro? Que romântico!

Antes que a condessa prosseguisse com a indiscrição, Isabella entregou os doces à sonhadora mulher.

– Aqui está! Quanto lhe devo?

– Aceite como presente – pediu a senhora. – É uma honra para mim que a futura baronesa seja minha cliente. E uma que já é antiga. Se desejar, pegue algo mais.

– Estes bastam, obrigada – Isabella murmurou constrangida.

– Quem diria? – a senhora indagou como que para si, enquanto embrulhava os doces escolhidos. – Um reencontro. Que romântico!

– Sim... – ela novamente murmurou ao receber o pequeno pacote. – Até breve.

De volta à carruagem, foi incômodo sustentar o olhar especulativo da condessa durante a volta para Apple White. Por vezes Isabella esperou ser sabatinada, porém Alice nada dizia apenas a analisava. Sua voz voltou a ser ouvida durante as despedidas, ao descerem diante da porta principal.

– Foi uma tarde interessante e proveitosa.

– Sim, obrigada! – Não ocorreu nada mais que pudesse dizer.

– Milady, senhorita... – Marie as cumprimentou ao entrarem. – Lady Elizabeth e Sua Graça estão na saleta – informou.

– Eu as verei no jantar. Agora preciso de um descanso – disse Alice, seguindo para a escadaria.

– E eu gostaria de estar com Embry – disse Isabella; não lhe animava ficar a sós com nenhuma das duas senhoras.

– Ele está no quarto dos primos. Quer que eu vá chamá-lo?

– Não. Gostaria que me levasse até lá – pediu.

– E então? – Marie indagou quando já subiam. – Encontrou um vestido?

– Sim. E é lindo! – Com a governanta ela se sentia à vontade.

– A baronesa nos informou que provavelmente o casamento seja no sábado. Devo entender que o barão o adiantou por que você lhe contou que...

– Não lhe contei nada, Marie. – Isabella a cortou rapidamente – Por favor, não comente. Sabe que as paredes têm ouvidos!

– Desculpe-me. Apenas pensei...

– Sei disso, mas não. Como disse não contei e só o farei depois que estivermos casados e de preferência com a casa mais vazia. Sei que de toda forma os comentários virão e prefiro evitá-los.

– Entendo perfeitamente. E como se sente?

– Bem... As primeiras horas do dia são as piores. Com Embry foi diferente, então nem saberei dizer quando passará.

Nesse instante Isabella se sobressaltou ao ver a porta do quarto da baronesa ser aberta para dar passagem a Irina.

– Boa tarde – ela a cumprimentou, indiferente, antes de seguir seu caminho.

– Acha que ela ouviu? – Isabella indagou a Marie, analisando a criada se afastar.

– Acho que não. Não falávamos alto o suficiente – tranquilizou-a.

Isabella ainda se manteve no lugar, até que Irina se perdesse de vista. Então se obrigou a não dar tanta importância ao fato. Realmente nada de concreto foi dito e se a criada as ouviu, não saberia do que se tratava.

– Vamos... Quero ver Embry antes de também me recolher até a hora do jantar.

Depois do breve encontro, não trocaram novas palavras.

– Vou cuidar de meus afazeres – Marie anunciou ao deixá-la diante no quarto onde os meninos estavam.

Isabella apenas assentiu antes de bater levemente na porta. Bastou ouvir a voz de Amy, liberando sua entrada para invadir o território infantil.

– Mamãe! – Embry correu em sua direção e a abraçou pela cintura. Nero, agora não tão presente na vida da moça, se juntou à festa, saltando ao seu redor. – Venha... Venha conhecer meus primos.

Isabella se deixou ser puxada pela mão. Antes de ser apresentada acenou e sorriu para Amy.

– Mamãe, estes são Lionel e John, os primos de quem lhe falei essa manhã... E, Lionel, John, está é minha mãe, Isabella Swan.

– Prazer em conhecer Lady Isabella – o mais velho lhe estendeu a mão, educadamente.

– O prazer é meu.

Houve certa emoção quando tocou um pedaço vivo de Rosalie. Ela sempre soube dos sonhos de sua amiga, e ter muitos filhos estavam entre eles. Assim como casar por amor. Olhando aqueles rostos sorridentes, Isabella teve a certeza de que a duquesa era feliz, e se alegrou por ela. Era merecido.

Intimamente Isabella lamentava apenas não ter sua afeição. Talvez aquele fosse um dos motivos que desejar que a semana corresse. Estava confiante nas palavras de seu noivo, mas não sabia quanto ainda poderia suportar da indiferença que recebia.

Bem, aquele não era o momento de esmorecer. Os preparativos de sua união com o barão foram efetivamente iniciados, em menos de uma semana estaria casada, e diante dela havia três rostos lindos e sorridentes. Não precisava de mais no momento. Retribuindo o sorriso, ela agitou o pacote que trazia.

– Tenho caramelos e chocolates. Quem vai querer?

– Eu! Eu! – disseram duas vozes animadas, John apenas ergueu as mãos, imitando os dois meninos mais velhos.

Ao ouvir o suspiro de Amy, Isabella olhou e sua direção. A criada nada disse, mas por seu olhar apavorado, a moça entendeu a restrição. Ainda sorrindo, voltou a olhar os meninos e disse; diplomática:

– Por essa tarde será um de cada para cada um de vocês. Não queremos apetites estragados no jantar. – Houve um muxoxo conjunto ao qual Isabella alargou o sorriso e prometeu. – Se aceitarem minha proposta, amanhã terão mais, mas... Tem que ser nosso segredo.

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A hora que passou com os filhos de Rosalie arrefeceu as dúvidas e os temores de Isabella, fazendo surgir uma nova esperança de que sua segunda gravidez não seria sofrida como a primeira. E se fosse, valeria o sacrifício ao ter um segundo sorriso como o que viu nos lábios de Embry enquanto ele brincava feliz.

Vê-lo socializar com os primos, igualmente trouxe a Isabella à certeza de que o menino ficaria tão entusiasmado com a chegada de um irmão, quanto estava com a vinda dos novos parentes. Esses sentimentos por si só deram-lhe forças para enfrentar o jantar, no qual, mais uma vez, teve que lidar com o silêncio e a indiferença de Rosalie.

– Dê-lhe tempo – Edward disse em resposta quando ela se lamuriou ao ficarem a sós, em seu quarto.

Isabella gostaria de insistir, pedindo que ao menos para Rosalie, revelassem a verdade, mas se calou. De certa forma tudo corria bem e, se fosse se basear nas palavras de Alice durante o almoço, de fato, deveria se ocupar com a sua família; uma que aumentaria em breve.

– O que há? – O barão a puxou para si e a abraçou pelas costas. – Não deve ficar assim por Rosalie. Entendo que esteja magoada, mas chego a considerar a reação exagerada. Eu lhe pedi que tivesse boa vontade com minha noiva.

– Acontece que sua noiva é a amiga que a traiu, que a excluiu, que a manteve no escuro por anos, mesmo estando tão perto e muito bem – Isabella retrucou; trêmula por ter seu cabelo afastado e seu pescoço cheirado profundamente.

– Certo! Não vou diminuir o sentimento de minha irmã – ele anuiu, ainda correndo o nariz ao longo do pescoço delgado –, mas peço que se contenha. Dê-lhe tempo – repetiu.

Isabella perdeu a linha de pensamento ao sentir as grandes mãos masculinas sobre seu ventre. Instintivamente as cobriu, discretamente esboçando um sorriso. Edward tocava em Charlie.

– Vejo que se animou – Edward comentou ao sentir que ela sorria.

– Você me anima – disse sincera; gostaria de poder contar, mas temia a reação.

Antes que Isabella pudesse prever, Edward a girou em seus braços para abraçá-la corretamente. O movimento a desnorteou por um segundo, mas não a adoeceu.

– Por isso sorria durante o almoço? – ele indagou, escrutinando-lhe o rosto.

– Exatamente. – Não era mentira; ele tinha metade da participação do motivo que a alegrava. Para desviar a atenção de seu noivo, indagou: – Então, acha que vamos conseguir a licença?

– Como disse durante o jantar, é praticamente certo. Amanhã eu receberei a confirmação. Então no sábado – ele a apertou mais no abraço, baixando o tom –, nesse mesmo horário... Você será a nova baronesa.

– Nossa! – ela suspirou. – O que eu terei que fazer?

– Enfeitar os salões nas raras vezes que formos a uma festa, receber um ou outro visitante com a educação que eu sei que possui; esquentar minha cama e cuidar de nossos muitos filhos.

– Muitos filhos? – perguntou despretensiosamente.

– Será o resultado das noites que aquecer a minha cama – ele troçou.

– E... – ela começou esperançosa – quando pretende que venha o primeiro, digo... O segundo – corrigiu ao vê-lo franzir o cenho.

– Assim que tudo se resolver. Quando minhas irmãs não estiverem aqui e Embry totalmente acostumado a sua nova vida, a mim... Quando não tiver mais nenhum vínculo com aquele lugar.

– Já não tenho – ela salientou rapidamente. – Basta falar com sir Carlisle e Angela uma última vez e saber como Sam ficará.

– Se ainda resta o que fazer, resta um vínculo – Edward observou seriamente. – Depois disso, peço que pare de se prevenir.

Isabella achou por bem não insistir. Charlie viria antes do esperado, mas seria bem-vindo, era o que importava.

– Diga-me como é seu vestido – Edward pediu, decidido a mudar de assunto. Não gostava de imaginar que sua noiva tinha assuntos pendentes com sua antiga “casa”.

– Não posso – Isabella sorriu, aproveitando a mudança de tema. – Será surpresa.

– E como saberei se combina com isto... – Ao se calar o barão se afastou um passo e retirou algo do bolso de seu chambre, em sua mão fechada.

– O que é?

Isabella nunca se imaginou ansiosa por ganhar um presente, mas não podia ser diferente. O barão sabia como tornar o recebimento numa experiência interessante.

– Feche os olhos – ele pediu.

Sem hesitar ela o atendeu e esperou. Logo sentiu seu cabelo ser levado para as costas e imaginou se tratar de um colar. Argumentava consigo que não o seria por não caber numa mão, quando sentiu o primeiro brinco ser colocado em sua orelha. Quis tocá-lo, mas levou um leve tapa na mão.

– Espere... Também é surpresa.

Isabella sorriu e esperou até que o segundo brinco estivesse no lugar.

– Posso tocar agora?

– Não, mas pode ir até o espelho para ver-se – liberou o barão.

Ele não precisou dizer duas vezes. Erguendo a barra da camisola como se esta lhe atrapalhasse os movimentos, Isabella correu até o espelho próximo à cômoda, onde se via de corpo inteiro. Contudo sua atenção era voltada aos brincos compostos de pequeninos diamantes e uma pérola de pingente.

– Edward... – murmurou, tocando-os com cuidado. Logo o barão lhe fazia companhia na imagem. Não sorria, mas o brilho nos olhos azuis indicava sua satisfação. – Por quê? Ontem já me deu um presente.

– Não se acostume – disse, torcendo-lhe o cabelo para que o pescoço ficasse livre –, pois não receberá uma joia todos os dias. Mas achei melhor lhe entregar seu presente de casamento.

– São lindos! Obrigada!

Como fora muito bem instruída, Isabella tentou se virar para agradecer, porém o barão a manteve no lugar.

– Espere... Ainda tem mais – disse para ela através do espelho

Antes que pudesse questioná-lo, ele a fez retirar o penhoar, tão lentamente que pareceu durar uma eternidade. Então, sempre a encarando, ergueu a barra da camisola e a retirou. Edward analisou os seios fartos por um instante, antes de tocar-lhe a cintura e fazer escorregar a pantalona para igualmente retirá-la. Antes de ser completamente despida Isabella já se encontrava fortemente excitada.

Não costumava ter vergonha do próprio corpo, mas ali, diante do espelho, tendo a visão que o barão tinha dela, seu rosto se tingiu de vermelho. Sorrindo satisfeito, Edward lhe tocou uma das bochechas.

– Quando você cora sei que estou com minha Bella... – sussurrou-lhe ao ouvido. – Não se mova.

Nem que quisesse poderia, ela pensou. O constrangimento e a expectativa a mantinham no lugar. Enquanto não se movia, foi inevitável olhar seu ventre ainda plano, onde a vida crescia. O melhor presente que o barão poderia lhe dar, depois de ter aceitado seu pequeno incondicionalmente.

Acalentava esse pensamento quando o barão voltou a surgir em seu campo de visão. Ela não o ouviu retirar o chambre, mas lá estava ele, de peito nu, já posicionando um novo colar em seu colo; um que fazia conjunto com os brincos.

– Edward... – Ela não tinha palavras.

– E então? – ele indagou ao terminar de prender o colar, admirando-a no reflexo. – Combina com seu vestido? Como é o decote? – Antes que respondesse o barão lhe cobriu o colo com as mãos formando um grande V – Assim? Ou assim?

Ao indagar, Edward moveu as palmas num carinho e lhe amparou os seios, improvisando outra forma conhecida de decote, formando um retângulo com os polegares.

– Terá renda ou pedras a adorná-lo? – perguntou, movendo os lábios em seu ouvido.

– Não me lembro... – Realmente não recordava. Apenas tinha consciência das palmas a lhe eriçar os mamilos, acendendo um fogo onde nem tocavam.

– Não precisa se lembrar... – disse o barão roucamente. – Vou esperar pela surpresa.

– Então, deixe-me agradecê-lo – ela pediu, movendo seu quadril para trás, sabendo que o encontraria endurecido; não se decepcionou. – Por favor...

– Sentir-me-ei agradecido se segurar a moldura do espelho... Segure! – ele ordenou.

A confusão de Isabella durou um minuto depois de atendê-lo. Com o rosto completamente vermelho, acompanhou os mover das mãos masculinas em seus seios, apertando-os, eriçando-os. Com a respiração entrecortada assistiu uma das mãos descerem até seu ventre e ir além, para baixo.

– Tão macia... – sussurrou guturalmente o barão, enquanto agravava sua dureza comprimindo-a nas nádegas cheias, sempre a acariciando, lá.

Quando estava em seu limite, Isabella o viu se afastar apenas para fazê-la separar os pés, posicioná-la, liberar-se e invadi-la, calando um gemido audível. Bastou ele se mover para que Isabella, instintivamente, fechasse os olhos.

– Não, Bella... – Edward a repreendeu num fio de voz. – Agradeça-me. Olhe para nós...

Para o bem de seus pecados ela olhou, e agradeceu, empinando mais, não calando seus gemidos, mesmo que os liberasse baixinho. E logo ficou cativa da imagem luxuriante e altamente obscena. O que poderia importar além daquilo? Isabella se questionou antes de ter sua mente nublada pelo ápice do desejo pulsante.

Nada. Absolutamente nada era a resposta.

Notas finais
Bom, espero que tenham gostado... Bjus amores... Até o próximo! E para quem for na Bienal de São Paulo, fica o convite para ir ao Lançamento de Lembranças, no Estande da Modo Editora, dia 24 às 18:00h... Estarei lá... Bjus