Borboleta Negra

88 Capítulo Cinquenta e Seis - Parte II


Notas iniciais
Boa noite.... Olha só, mais um capítulo... Não. Dois! Hoje vou deixar 2 para vcs. Meninas, obrigada pelos comentários... Já começo a sentir falta de tudo isso agora que estamos pertinho do final. Sentirei saudade imensa, mas vamos deixar as despedidas para depois... Agora, bora ler... BOA LEITURA!

Ao reconhecer que proferia preces incoerentes, Isabella deixou a cama. Abominava-a, mas depois de vestir o robe de seu marido, tocou a sineta para que Kate viesse ajudá-la. A jovem criada chegou ressabiada, mirando o chão.

― Bom dia, milady ― sussurrou. ― Ainda não preparei a bandeja com seu desjejum, então...

― Não tenho fome. Apenas ajude-me, sim? ― Com os olhos baixos a criada assentiu, causando maior estranheza em sua patroa. ― Kate, o que há? Olhe para mim.

― Perdoe-me, senhora ― Kate a obedeceu. ― Esta deveria ser uma manhã de alegria, porém estamos todos aflitos com... Com a saída do patrão. Só posso imaginar o que sente, e não tenho como consolá-la.

― Shhh... ― Isabella a silenciou com gentileza. ― Mesmo que tentasse, não conseguiria. Apenas estarei tranquila quando Edward voltar. Agora...

Batidas à porta calaram-na.

― Deve ser Lady Elizabeth ― informou Kate. ― Todos nós tivemos ordens de avisá-la quando a senhora despertasse.

― Entre ― Isabella liberou, considerando auspiciosa a atitude da sogra ao anunciar-se, contudo não tinha ilusões. Fora apontada e delatada. Poderia ludibriar a todos, não aquela senhora.

Para sua surpresa, não havia rancor ou ódio no semblante de Elizabeth, somente consternação.

― Deixe-nos a sós, Kate. Vejo que não trouxe o café da manhã de sua patroa. Vá cuidar disso.

― Não precisa... Não sinto fome ― Isabella reagiu de imediato, somente então se recriminou pela desobediência quando, apesar de tudo, sua situação era delicada. ― Perdoe-me... Realmente não tenho fome e...

― Não pense apenas em si ― retrucou Elizabeth, ainda sem ser grosseira. ― Vamos Kate, obedeça-me!

A criada se mostrou tanto apavorada quanto indecisa, olhando de uma a outra, sem saber a quem atender.

― Prepare a bandeja e espere que a chame, Kate ― Isabella aquiesceu para salvá-la.

Após uma reverência exagerada e breve, Kate deixou o quarto. Isabella conhecia o assunto, porém esperou que Elizabeth tomasse a palavra.

― Acha que meu filho tarda a voltar? ― esta indagou, surpreendendo-a. ― Ele prometeu que voltaria? Se Edward prometeu a você eu acredito que o faça.

― Eu... ― ali estava uma mãe aflita. ― Sim... Ele prometeu. Garantiu que voltaria quando tentei de tudo para demovê-lo.

― Acredito que tenha tentado com seu melhor. ― Elizabeth parecia cansada. Tanto que foi se sentar em uma das poltronas. Depois de mirar a cama em desordem, encarou a estática nora. ― E se nem mesmo você foi capaz de freá-lo, eu não teria a mínima chance.

― Senhora... ― Isabella não estava em condições de calar o que tinha a ser dito. ― É somente sobre a saída de Edward que deseja falar? Sei que lhe devo uma explicação e...

― Nada me deve ― Elizabeth maneou a cabeça. ― Sabe de minha desconfiança... Deixei-a clara quando a interpelei no quarto de Rosalie e vi a delicadeza de suas mãos. Aquele infeliz apenas a confirmou. Não sou ingênua. Como uma moça desonrada se manteria?Ainda mais com um bebê!

― E... E a senhora não se importa?

― De ter uma ex-meretriz por nora? ― a baronesa ergueu o queixo, mas a tristeza não deixou que o conhecido orgulho chegasse aos olhos. ― Evidente que me importo. A cada detalhe você se torna mais inadequada... Mas depois de nossa conversa, não tenho como condená-la por um destino que não escolheu. Como disse, preferia ter sabido por você para evitar o choque.

― Lamento ― por fim Isabella se aproximou e sem receio sentou no tapete junto à poltrona. ― Eu ia contar, eu juro! Juro por Embry, mas fomos interrompidas. E nunca mais tivemos tempo...

― Eu acredito... Depois do susto, já em meu quarto, eu entendi que seria assim e a desculpei. Não é a mulher que idealizei para Edward, mas vejo que o ama da forma que eu esperava... E isso deve bastar. ― Elizabeth sorriu tristemente. ― Mesmo com seu passado, em sua essência é uma pessoa melhor do que Tanya Cullen. Hoje me pergunto o que vi para tentar unir nossas famílias. Se ela tivesse a mínima consideração por meu filho jamais teria permitido que aquele cretino o desmoralizasse publicamente.

Isabella somente fechou os olhos e assentiu ao rever a cena. Se ela tivesse o poder de evitar, jamais teria acontecido. Distraída, por pouco não saltou de susto ao sentir quatro palmadas leves em sua cabeça. Incrédula e trêmula, Isabella ergueu o olhar para Elizabeth. Ver a senhora correr os dedos por uma das mechas de seu cabelo em desalinho antes de afastar a mão, como a finalização de um leve e incerto carinho, foi tão insólito quanto perceber vir dela alguma simpatia.

― E é tão bonita... ― disse a baronesa-mãe como se concluísse um pensamento. ― Bem tratada. Faz boa figura ao lado de meu filho. Precisa evitar esse olhar aflito que pode vir a denunciá-la. Ao demonstrar confiança não deixa margem às dúvidas. Aprenda isso. Não importa o quanto tema, o quando deva, não deixe transparecer. Consegue entender?

Isabella assentiu.

― Quero aprender a gostar de você, menina... Não apenas aceitá-la. Adianto-lhe que não será fácil... Reconheço meus preconceitos, mas pouco a pouco tentarei eliminá-los... Por Edward... Por Embry... Pela criança em seu ventre que a senhora há de alimentar, não importando a gravidade da situação ― gracejou, levando Isabella a sorrir e consequentemente a chorar, vencida pelo embargo.

Incontinente Elizabeth lhe secou as lágrimas. Esboçando um sorriso que a tornou mais bonita aos olhos de Isabella, concluiu:

― E também por mim... Estou cansada de afetações, de amizades vazias, de sorrisos engessados... Mesmo que não estivesse velha demais eu jamais correria como uma selvagem, mas gostaria de me divertir e sentir a alegria de estar viva. Algo que aquele senhor não conseguiu roubar de vocês, apenas de mim.

Sir Edrick teve muito tempo para roubar os bons sentimentos daquela senhora, Isabella considerou. Apesar da violência sofrida e do meretrício, tivera melhor sorte.

― Esqueça-se dele! ― Isabella animou-se ao superar seu assombro. ― E não está velha... Divirta-se com Embry por ora... Logo terá mais um neto pela casa para animá-la, filho de Edward. Da minha parte digo que não tenho queixas contra a senhora e prometo ser a mais fiel, correta e amorosa esposa que poderia existir.

― É o que espero. E pretendo me divertir com meus netos... Mas somente quando estiver aqui, em visita.

― Em visita? ― Isabella uniu a sobrancelhas. ― O que quer dizer?

― Digo, Isabella, que as descobertas desses últimos dias me libertaram. Sempre amarei meu filho e terei um espaço especial em meu coração para Embry, para quantos netos vierem, mas vi que é hora de cuidar de mim. Ontem, antes que eu me recolhesse o Sr. Zimmer, Senior, refez seu pedido de casamento e eu aceitei.

― Senhora! ― Isabella levou as mãos à boca. ― Tem certeza? Nunca quis que deixasse essa casa.

― Justamente por essa razão que me sinto à vontade para ir... Não estarei deixando meu filho e netos nas mãos de uma víbora, não é mesmo? E... Oh! ― ao arfar, Elizabeth maximizou os olhos e levou a mão ao peito.

O mal que acometeu a senhora pareceu afetar também a moça que igualmente apertou o peito, na altura do coração, quando uma dor forte e profunda a estremeceu.

― Edward... ― murmurou Isabella antes de encarar a sogra e encontrá-la a sufocar. ― Lady Elizabeth?

De pronto a moça se pôs de pé. Lidando com a própria comoção passou a abanar sua sogra.

― Lady Westking! Respire!

― Isabella! ― Elizabeth lhe segurou as mãos e a encarou com os olhos castanhos arregalados em suas órbitas. ― Edward! Algo aconteceu! Notei que também sentiu!

― Não, senhora ― mentiu na tentativa de tranquilizá-la, lutando como podia para acreditar no que dizia. ― Estamos sugestionadas pelo momento... Nada aconteceu... Eu acredito que Edward até já esteja a caminho. Ele...

Isabella se interrompeu, pois a voz que já tremia falhou ante a insistente negativa de Elizabeth que maneava a cabeça, chorosa.

― Temos de acreditar, milady... ― sussurrou roucamente, recusando-se a aceitar o pior. ― Edward prometeu... Venha! Vou ajudá-la a ir para vosso quarto. Está pálida.

Livre da própria vontade, ainda a negar com a cabeça, Elizabeth se deixou levantar e ser amparada. Sem se importar por estar vestida apenas no robe de chambre, Isabella conduziu a sogra pelo corredor. Ao cruzar por uma criada da duquesa, ordenou:

― Encontre Marie. Diga que vá ao quarto da baronesa. Vá! Vá!

A jovem titubeou por um instante, então correu para a escada da ala dos criados. Sem demora, Isabella seguiu seu caminho. Antes que chegasse ao quarto encontrou Irina.

― O que fez à baronesa? ― indagou, aborrecida. ― Já não basta o mal que causou a todos dessa casa?

― Cale-se, Irina... ― demandou Elizabeth, mesmo embargada. ― Tenha mais respeito ao se dirigir à nova baronesa. Deixe de insubordinação e me ajude.

― Com seu perdão, senhora ― anuiu a criada, trocando de lugar com Isabella. ― Apenas fiquei preocupada. Está abatida e pensei...

― Não pense! ― exasperou-se. Para Isabella, em tom ameno, disse: ― Ficarei bem... Vá trocar-se, coma algo e depois tente conseguir notícias. Eu não terei saúde para...

― Sossegue seu coração, senhora ― pediu Isabella, fingindo não notar o olhar aborrecido que Irina dirigia à sua veste emprestada. ― Tudo está bem!

Sem mais palavras, Isabella as deixou e retornou ao seu quarto. Gostaria de acreditar em si mesma, mas na verdade estava apavorada. Em tempo algum a dor em seu peito arrefeceu. Era fina e profunda, bem no coração.

Pela segunda vez naquela manhã infernal ela chamou Kate, valendo-se da sineta. Antes que a criada a atendesse, lavou o rosto e escovou os cabelos. Sua sogra que a desculpasse, mas de fato não tinha fome. Com isso, apenas tomou o leite trazido e comeu a ponta de um brioche antes que fizesse Kate calar seus protestos para ajudá-la a se vestir.

― Tente descobrir como está Lady Westking e me mantenha informada ― demandou enquanto marchava decidida para a porta.

― Assim farei, Lady Westking.

Isabella estacou a meio caminho. Aquela era ela! Ao recordar sua nova posição, encheu-se de força. Sim, era a nova baronesa e segundo o padre, Deus não a julgava, então não a castigaria tirando a vida de um homem justo e bom como punição.

Acalentando essa certeza, assentiu para si mesma e deixou o quarto. Sua ideia era procurar por Beni ou qualquer outro criado que pudesse enviar à propriedade de Laurent o quanto antes, porém foi interceptada ainda no corredor por Nero, Amy e um filho preocupado. Após os cumprimentos matinais, ele indagou:

― Mamãe, o que está acontecendo?

― Em qual sentido? ― Ela não sabia até onde ele fora informado.

― Todos estão estranhos ― comentou Embry, enquanto Nero cheirava a barra do vestido da moça. ― E ouvi dizer que papai saiu logo cedo para brigar com alguém... Não entendi essa parte.

Isabella abriu a boca para mentir, então levou a mão ao peito. Não sabia a gravidade, mas algo tinha acontecido e era sua obrigação preparar o menino para o que viesse.

― Mais ou menos isso.

― Papai foi brigar com aquele senhor? ― Embry maximizou os olhos.

― Quando seu pai voltar, nós saberemos o resultado dessa briga, querido. No entanto, esse é um assunto de adultos ― disse amavelmente e lhe beijou o alto da cabeça. ― Vá brincar com seus primos. Hoje é domingo e em breve eles partirão. Aproveite o dia... Vá até o pomar. Amy, por favor, leve-os até lá.

― Sim, Lady Westking! ― Amy inclinou a cabeça e tomou o menino pela mão.

Embry se afastou a contragosto, mas sem argumentos. Uma vez sozinha Isabella acelerou seus passos e por fim desceu. No hall não encontrou qualquer criado, então deixou a casa. Antes que maldissesse a tranquilidade de domingo, ouviu o ranger de madeira e cascos de cavalos que vinham em disparada pela lateral da casa.

Logo Jacob e Beni passaram por seu campo de visão. O moreno sobre um baio e o outro exortando a correr o cavalo atrelado à carroça.

― Jacob! ― Isabella gritou, correndo pelos poucos degraus para segui-lo. ― Jacob, espere!

Beni ameaçou reduzir a velocidade ao ver Jacob parar, exasperando-o.

― Não pare! Apresse-se, como mandei ― Jacob ordenou. ― Logo o alcançarei.

― Jacob... ― o chamado mal passou de um sussurro, quando Isabella parou ao lado de seu cavalo. ― O que aconteceu? Onde está o barão?

Jacob torceu os lábios, encarando-a com indecisão. Nesse instante Isabella atentou à palidez da tez morena, à sombra no olhar. Acreditando ter a resposta, a dor em seu peito intensificou-se, levando-a a abrir a boca em muda exclamação e sufocar. Jacob apeou apressadamente para ampará-la.

― Senhora! Respire ― pediu, batendo levemente no rosto lívido para que ela não perdesse os sentidos. ― Perdoe-me se a assustei. O barão está bem! Ele está bem!

― Não... ― ela conseguiu murmurar, tentando ficar de pé. ― Não está... Vejo em seus olhos.

― Certo! Não posso mentir... Como esperado, sir Laurent agiu à traição e o feriu gravemente, mas seu marido está vivo, senhora. É o que importa.

― Tem certeza?

― Bem... Como disse, o ferimento é grave... O barão perdeu sangue, está desacordado, mas eu o deixei com vida ao vir buscar a carroça. Vamos ter fé que ainda seja assim. Agora preciso ir, senhora... Acha que poderia...?

― Sim... Estou melhor, Jacob ― assegurou mesmo que ainda se recuperasse do susto. ― Para onde vão levá-lo?

― O Dr. Morrigan sequer queria tirá-lo de lá, mas todos nós sabemos que o barão não toleraria ficar sob o teto que pertenceu a Laurent Hunt, então lorde Jasper o convenceu a deixar que o trouxéssemos para cá.

― Pertenceu? ― ela não deixou o detalhe lhe escapar.

― Laurent Hunt deve estar ardendo no inferno, senhora ― disse sem preâmbulos. ― É uma longa história. Depois contarei os detalhes... Por ora, com vossa licença.

Sem esperar a liberação, Jacob montou e partiu em disparada, deixando-a sozinha para que digerisse as notícias. Um ferimento, mesmo grave, era infinitamente preferível à morte, portanto Isabella se alegrou e agradeceu pela graça. Quanto a Laurent, ela não identificava o que sentia. Apesar do imenso alívio, lamentava e até se entristecia. Não precisavam ter chegado tão longe.

Paciência! Por culpa de Laurent Hunt todas as tentativas de paz foram esgotadas. Que Deus se apiedasse daquela alma e o aceitasse no céu, pensou ao tomar o rumo de casa.

Chegava ao hall, disposta a preparar o espírito de uma mãe desesperada, quando suas cunhadas a interpelaram.

― Isabella! ― Rosalie tentou pará-la. ― Já soube?

― Sim... ― Isabella disse apressadamente, sem nunca reduzir a velocidade de seus passos. ― Acabo de falar com Jacob. Eles trarão Edward para casa, então preciso avisar Lady Elizabeth e...

― Não! ― Alice disse às suas costas, também a subir a escada. ― O Sr. Zimmer considera melhor não alarmá-la.

― Acredite, Alice ― Isabella parou e se voltou para encará-la. ― Ela já sabe. Quando for mãe irá entender.

― Acho que já entendo ― Alice voltou a segui-la quando Isabella retomou a subida. ― Mas o Sr. Zimmer nos fez prometer.

― Bem, eu não prometi ― salientou. ― Se fosse de Embry que estivéssemos falando, eu iria quer ser a primeira a saber. E onde está o Sr. Zimmer?

― Saiu assim que soube ― respondeu Rosalie. ― Parece que houve uma troca de tiros depois que Laurent foi morto. Não precisa citar esse detalhe para minha mãe.

Apesar do tom, Isabella entendeu a ordem. Desnecessária, pois o foco era Edward. Ela nem mesmo se abateu pelos co-cunhados, pois se as cunhadas se mantinham estáveis era sinal de que sabiam que seus maridos estavam incólumes.

― Não se preocupe ― aquiesceu. ― Nada direi nesse sentido.

― Irei esperar Jasper em meu quarto ― anunciou Alice. ― Todas essas emoções não são benéficas para o bebê. Porém, Isabella... ― A moça mais uma vez parou para olhá-la. ― Quando todos estiverem calmos, eu gostaria de ter uma palavra com você.

― Eu também, Alice ― disse Rosalie. ― Mas isso realmente pode esperar. Vá descansar. Vamos, Isabella!

Isabella assentiu. Nem por um minuto se iludiu, acreditando que as cunhadas não estivessem curiosas quanto ao que foi dito por Laurent; que agora estava morto... Era insólito imaginar que nunca mais seria perseguida e acuada.

Saciar qualquer especulação era nada ante a sensação de segurança que a invadia. Quando Edward estivesse a salvo e lúcido, estariam livres.

― E então? ― Elizabeth se levantou da cama ao vê-la entrar. ― Temi olhar pela janela, mas ouvi os cavalos. Edward...?

― Era Jacob, senhora ― disse com cautela. ― Tente não se abalar, mas precisa saber que Edward foi ferido.

― Não! ― Elizabeth levou as mãos ao ventre e recuou um passo.

Irina engasgou ao lado, levando Isabella a fuzilá-la com o olhar. Esta o sustentou com bravura, mesmo que seu queixo tremesse.

― Não precisava ter dito ― falou a criada, claramente para desviar a atenção de seu abalo. ― Veja como está a baronesa!

― Fique quieta, Irina ― demandou Rosalie. ― Minha mãe precisa estar preparada.

― Preparada para o quê? ― Elizabeth migrava nervosamente de uma dama a outra. ― O que me escondem?

― Acalme-se ― pediu a moça e, valendo-se da intimidade demonstrada em seu quarto, foi segurar as mãos da sogra, causando estranheza em Irina. ― Nada escondemos. Tanto que aqui estamos. Apenas sabemos que Edward foi ferido e que o trarão para cá. Creio que o Dr. Morrigan também virá.

― O Dr. Morrigan?! Então é algo grave. Precisamos nos preparar para recebê-los! ― Elizabeth de súbito se tornou ativa. ― Irina, melhore essa cara e vá até a cozinha. Mande que fervam muita água. Para tudo pedem água quente.

― Mamãe... ― Rosalie tentou acalmá-la. ― Não seria o caso de ficar aqui e...

― Não! ― refutou a senhora. ― Meu filho precisará de mim. Ele... ― calou-se ao pousar os olhos em Isabella. ― Se não se opor, já que é a esposa.

― Eu não poderia cuidar de tudo sozinha ― disse, diplomática. ― Mas concordo com Sua Graça. Por ora, espere aqui. Quando chegarem, veremos o que nos pedem e ajudamos. De nada adiantará nos agitarmos desde já.

― Eu não conseguiria ficar aqui... Sinto que preciso fazer alguma coisa.

― Então vamos descer para esperá-los ― propôs Rosalie. Como Irina, deixava clara sua estranheza ante ao novo tratamento entre nora e sogra, mas nada disse. Com muda anuência, marcharam para fora do quarto.

Chegavam ao hall no momento exato em que Hart, na companhia de outros dois criados carregavam uma cama rumo ao corredor.

― O que fazem? ― Elizabeth os interpelou.

― Bom dia, miladies ― Hart as cumprimentou. ― Lady Elizabeth, Jacob ordenou que levássemos uma cama para o gabinete. Parece que sir Edward não poderá...

― Já entendi ― cortou-o a senhora. ― Leve a cama, por favor.

Na verdade, todas entenderam. Tanto que nada disseram entre si. Isabella apenas podia supor o que faziam com seu silêncio. Ela rezava, ainda que mais uma vez sem precisão alguma. Não deveria se desesperar mais, afinal sabia que o ferimento era grave, mas ao ponto de Edward não poder ser levado ao quarto? Como seria levá-lo até Apple White em uma velha e precária carroça?

Tentando calar seus pensamentos, agradeceu o fato de Embry e os sobrinhos estarem brincado no pomar, assim não veriam a chegada dos senhores. Algo que a cada minuto parecia que jamais aconteceria.

Estavam paradas à entrada, com os olhos postos no portão, sem que nunca qualquer um dos homens conhecidos o cruzasse.

― Por que não chegam? ― Elizabeth deu voz ao pensamento de Isabella.

― Devem estar vindo devagar para não agravar o ferimento de Edward ― elucidou Rosalie.

― Chegaram! ― anunciou Isabella alto demais, antes de erguer a saia de seu vestido e correr para encontrá-los. Ainda ouviu o chamado de sua sogra, mas não a atendeu; suas pernas adquiriam vontade própria.

Esquecida das boas maneiras, ela sequer olhou para os cavalheiros que ladeavam a carroça e passou a acompanhá-la, tentando ver o homem acomodado no piso.

― Senhora, não deve...

― Oh! ― antes que ouvisse a advertência de Jasper, Isabella avistou seu marido deitado sobre casacos, inconsciente, com o médico a segurá-lo de lado. O que fez com que estacasse completamente trêmula foi ver também o florete atravessado em seu tórax, a roupa suja.

― Não deveria ter vindo até aqui, senhora ― Jacob estava ao seu lado, amparando-a. ― Não era para ter visto isso. Mas já que veio, sabe dizer se colocaram a cama no gabinete, como pedi?

Demorou um tempo infinito até que Isabella compreendesse que Jacob tentava distraí-la. Queria respondê-lo, mas seu olhar seguiu para a baronesa, parada à porta, ao lado de Rosalie.

― Lady Westking não pode ver isso ― disse com uma firmeza que não sentia. Sabia, pois e fosse com seu pequeno, morreria.

Como se tivessem ouvido seu pensamento, Emmett e Senior já se afastavam. Quando Isabella por fim se moveu, viu que os senhores tentavam retirar as damas da entrada. Ela não saberia o que disseram, mas estes conseguiram seu intento.

― Entre, senhora ― pediu Jacob. Ao vê-la hesitar, insistiu: ― Não quer ver o que faremos.

― Convencemos Lady Elizabeth e Rosalie a esperarem na biblioteca ― disse Emmett. ― Quando estiver tudo acabado, mandarei chamá-las.

O que ela podia contra todos? E ainda, insistir somente atrasaria mais o devido socorro. Depois de lançar um olhar à carroça e ao médico que já saltava para o chão, Isabella marchou porta à dentro, rumo à biblioteca. Com a mente em redemoinho, entrou e fechou a porta.

― Você o viu ― Elizabeth veio sabatiná-la. ― Como estava meu filho? Acordou? O quanto está ferido? Está agonizando?

― Não ― ela lutou para conter a voz. ― Edward está desacordado. Irão levá-lo para o gabinete.

Rosalie quis saber por que tiveram de se manter na biblioteca enquanto levavam seu irmão. Isabella mal a ouviu e respondeu sem notar. Tinha apenas a certeza de que não contara a verdade.

Desde que viu seu marido, toda tristeza que pudesse haver pela morte de Laurent se foi. Por sua crueldade, que o covarde ardesse no fogo do inferno como disse Jacob. Surda aos comentários das damas ao lado, ao acreditar que não iria contra qualquer pedido, Isabella deixou a biblioteca.

Qual não foi sua surpresa ao encontrar Alice com o ouvido colado à porta do gabinete.

― O que faz aqui?! ― a surpresa a distraiu.

― Ouvi quando chegaram ― informou Alice, sem se afastar. ― A propósito, obrigada por me avisar.

― Perdoe-me. Não tive como lembrar.

― Claro! Não me dê ouvidos ― Alice agitou as mãos. ― E fique quieta. Quero ouvir o que fazem.

Ao que parecia, a conversa que a condessa desejava ter com ela estava momentaneamente esquecida. Antes que dissesse qualquer palavra, Elizabeth e Rosalie chegaram às suas costas. Como se não fosse extraordinário Alice ter o ouvido junto à porta, a mãe indagou:

― O que ouve?

― Menos do que ouvimos aqui dentro! ― disse Jasper ao abrir a porta de supetão e sair para repreendê-las. Sem amenizar seu tom, ajudando a esposa que amparou a se erguer, disse: ― Senhoras, eu sinceramente entendo a preocupação, mas em nada nos ajudam ao confabularem aqui. O estado do barão é crítico, o procedimento delicado, então... Queriam se retirar, por favor. Farão melhor se rogarem a Deus por um milagre.

Sem mais, o conde entrou e fechou a porta. Apesar das palavras polidas, o tom da voz eliminou o pedido, justificando a descrição de “essencialmente cavalheiro”. Para Isabella a interpretação foi além, pois não deixou de reparar que o nobre sequer ralhou com a esposa por inclinar-se para a porta o que quase a fez cair quando esta foi aberta.

Se o conde de Whitlock, atencioso ao extremo, não tinha um minuto para cuidar da integridade de sua condessa, restava obedecê-lo e implorar pelo milagre.

Notas finais
Espero que tenham gostado... Me deixem saber antes de correr para o próximo. ;)