Borboleta Negra

60 Capítulo Vinte e Oito - Parte II


Notas iniciais
Oie...... Acena e corre! Meninas, brincadeiras a parte, desculpem a ausência. Fim de ano, começo de ano é sempre complciado para mim. Para piorar estou meio enrolada aqui, lutando por meu lugar ao sol nesse mundo novo de autoras brasileiras. Mas saibam que não esqueço de vcs, nem do nosso barão. Assim que me organizar volto com as postagens semanais e vom com essa fic até o final antes de tentar dar um rumo para ela, certo? Bem, obrigada pelos reviews... Mil perdões pela falta de respostas. E muito obrigada a Aldinhaa, Lih e Alessandra pelas indicações. eu simplesmente, adorei! Obrigada a todas pelo carinho sempre. Agora bora ao capítulo... BOA LEITURA!

De banho tomado, Isabella olhava a si mesma pelo espelho da penteadeira de Rosalie, porém sem se ver na verdade. Em sua mente uma voz lhe dizia que a baronesa não faria mal a Embry, mas em seu coração uma ponta de angustia a deixava em alerta. Afável, Edward dissera. Isabella esperava que Elizabeth se conservasse assim. Suportaria o que viesse menos ver seu menino humilhado.

Bem, indo além, ela pensou, talvez não suportasse também o olhar de reprovação que fatalmente receberia do barão ao revelar o que ele queria ouvir, dali em instantes. Deveria deixar de se preocupar com Embry e tratar de se vestir, pois, segundo o recado de Jacob, logo Edward viria procurá-la. A moça sabia que ele não voltaria atrás em sua determinação, nem mesmo pelo desmaio da baronesa, nem pelo temor de que o menino delatasse o banqueiro.

Duas batidas contra a porta despertaram-na do transe inquietante. Recordando a recomendação do barão, deixou a escova de cabelos sobre o móvel a olhar a bandeja trazida pela governanta há menos de quinze minutos e falou:

– Não preciso de nada mais Marie. Posso me vestir sozinha, obrigada.

Ao se calar, Isabella levantou da banqueta para escolher o vestido que usaria. Sua ação coincidiu com o abrir da porta. Então ela estava diante do barão, em mangas de camisa, os cabelos ainda úmidos indicando o banho recente.

– Eu... – ela começou; subitamente tímida a fechar a frente do penhoar emprestado; muito consciente de sua nudez – pensei que fosse Marie.

– Eu ouvi – ele comentou incapaz de desviar o olhar.

Isabella não usava o vestido floral de sua irmã, nem o recebera à porta, mas, de repente, era como se voltassem no tempo e estivessem naquela noite chuvosa quando a acolheu, com ela a hostilizá-lo sem motivo aparente... Quando a única certeza dele era o anseio de seduzi-la, que se agravou ao vê-la exatamente como via naquele momento, com os cabelos de noite ainda úmidos, penteados para um dos lados do pescoço, deixando um ombro descoberto.

Não, o penhoar não deixava a pele nua, mas a leveza de seu tecido favorecia a imaginação de um homem. Um que por três vezes no dia anterior foi obrigado a refrear seu ardente desejo de forma abrupta; um que agora teria que aprender a dividi-la com alguém.

– Onde ele está? – ela indagou vacilante, como se lesse seu pensamento.

– Está com a avó – providencialmente, Edward acrescentou para si.

– Não devia tê-los deixado sozinho... Pode ser perigoso.

– Sim, mas é um risco que não podemos evitar – ele comentou medindo-a lentamente; como era bonita!

– Tem razão – concordou. Edward nada disse. Isabella se desconcertava mais, então pigarreou para observar: – E até nos ajudará, afinal temos que conversar, não?

Edward não respondeu. Por certo que sua intenção era saciar a crescente curiosidade, pensou o barão ao recuar um passo para trancar a porta, deixando assuntos perturbadores no corredor, sem nunca interromper a análise de sua noiva muito corada. Conversariam depois... Em sua mente apenas restava a imagem que via e uma voz a exultar a volta da moça. Naquele instante a prioridade do barão passou a ser outra.

– Eu... – Isabella gaguejou ao ouvir a porta ser trancada. – Estava prestes a me vestir... Recebi seu recado e...

– Afaste seu cabelo para trás – Edward pediu já muito rouco, nem a ouviu.

– Edward?

Ela estranhou o pedido, assim como o olhar intenso. Sentia a crescente tensão entre eles, mas pelo recado recebido, Isabella entendeu que ele estaria ali para ouvir sua explicação, não para...

– O cabelo... – o barão repetiu, sem se mover, interrompendo os pensamentos da moça – afaste para trás!

Isabella sentiu seus pelos se eriçar ao confirmar a intenção do barão. Ainda considerava ser fora de hora, mas o atendeu, com o coração já aos saltos, tímida ante a ininterrupta avaliação. Com mão trêmula, ela afastou o cabelo de seu ombro, deixando que este caísse solto às suas costas.

– Quero vê-la – Edward anunciou sua vontade num murmúrio urgente.

– Edward... – ela igualmente murmurou, tentando trazê-lo à razão. – Não é prudente. A baronesa...

– Eu digo o que é prudente nesta casa – ele retrucou, sem ser grosseiro; ansioso. – A baronesa está entretida com Embry. Mostre-se para mim como fazia antes... Sem tantos pudores.

Ela não ousou replicar. A expectativa trazia secura à sua boca e umedecia seu centro. E Edward nem a tocava. Estimulada pelo medo de serem flagrados, excitou-se mais e retribuiu a análise admirando seu noivo que rescindia aos odores do banho. Reparar a notória rigidez contida pela calça varreu qualquer reserva que a moça ainda conservasse. Talvez estivessem a um passo de acirrar alguns ânimos daquela casa, porém, como no trem, ela não conseguia resistir quando seu lorde se apresentava tão receptivo.

Livre do súbito embaraço Isabella lentamente correu as mãos pelas laterais do penhoar antes de separá-las completamente, exibindo-se. Ao conter a respiração, Edward a envaideceu, animando-a a escorregar o tecido pelos braços até que a peça caísse inteira aos seus pés.

– Era assim que queria ver-me my lord? – indagou altiva, em êxtase pelo olhar faminto que a escrutinava.

Não houve resposta. Edward estava completamente rígido; a garganta travada. Isabella não somente havia virado sua cabeça – como bem comentou a baronesa –, ela também virou seu coração, era dona absoluta de seu corpo. E, por todos os santos, estava de volta!

Com um esgar quase animal, o barão rompeu a distância para erguer sua noiva no colo. Não havia tempo para preâmbulos, então a deitou sobre a cama e manteve os olhos postos do corpo nu enquanto se livrava dos sapatos e das meias, depois da camisa.

– Poderia perdoar minha pressa... – Edward se adiantou realmente preocupado, porém sem forças para parar, já a abrir sua calça e a ceroula.

O que havia a desculpar quando ela mesma sentia a mesma urgência? Seu corpo pulsava em dolorosa ansiedade por receber aquele membro hirto que o barão tão orgulhosamente apresentava.

– Estou pronta my lord – assegurou simplesmente, afastando os joelhos, exibindo-se.

– O que faz comigo... – Edward exalou antes de se deitar sobre a moça e prontamente colocar-se no corpo macio. – Bella...

O nome foi dito de encontro à boca que procurou para o beijo. Com um gemido incontido, o barão capturou a língua da moça para rolá-la na sua enquanto se movia dentro dela; retirando-se para então voltar, mais fundo a cada arremetida de seu quadril.

Isabella agradeceu por estar sendo beijada, pois provavelmente seu grito seria ouvido muito além aquele quarto quando o gozo pareceu partir seu corpo ao meio. Segurando Edward pelos cabelos da nuca, ela se moveu ainda mais para intensificar a sensação abrasadora, voltando a estremecer quando o barão a acompanhou, abafando seus gemidos na curva do pescoço delicado.

– Bella... – ele murmurou ainda de encontro a pele da moça, recompondo-se como podia para então repetir. – Perdoe-me a pressa... Você merece mais do que meus arroubos.

– Não há o que perdoar – ela o tranquilizou, acariciando-lhe os cabelos que minutos antes puxou. – Aprecio seus arroubos senhor barão.

– Não deveria – ele retrucou, acomodando a cabeça contra o peito da moça; a dor havia atenuado, mas ainda incomodava. – Eu disse que seria diferente dos... – não pôde nomear.

– Acredite... Você “é” diferente! – novamente o tranquilizou.

Estava apreciando ter o calor daquele corpo grande junto a si, tão mais “leve” em comparação aos últimos dias, até mesmo ao calar o comentário sobre seus antigos clientes. Isabella não sabia o quê ou “se” algo havia mudado, mas no momento estava decidida a aproveitar a trégua, nem que fosse por míseros minutos.

– Eu... Simplesmente precisava de você – confessou o barão, passando a correr um dedo pelo seio que tinha diante de seus olhos, divertindo-se ao vê-lo intumescer.

– E agora quer fazer o mesmo comigo – ela acusou; ainda nem tinha se recuperado e já sentia a necessidade voltar. Adoraria ter mais daquela força que a dilacerava, mas não poderiam se entender somente sobre uma cama. Tentando ignorar aquele dedo explorador que assanhava o cume de seu peito, perguntou: – O que aconteceu com o “tempo”? Está mais... “confortável” com tudo o que soube?

– Estou cansado – Edward admitiu, sem interromper o carinho aliciador. – Como já disse, sou um só... Tendo que lidar com três de você. Cada uma com um problema distinto.

– Edward, eu...

– Shhh... – ele pediu que se calasse. – Continue a me dar tempo e não tente entender. Cedo ou tarde, tudo se ajeitará entre nós, mas agora... – o barão subitamente lambeu o bico do seio próximo a sua boca, levando-a a gemer baixinho – Deixe-me aproveitar que estamos sós... Não sabe como desejei fazer isso durante toda a noite.

Ao se calar fechou os lábios sobre a auréola rosada, provando-a delicadamente a princípio para logo chupá-la com fome. Isabella arqueou o corpo, para que o barão tivesse maior acesso, adorando ter aquele princípio de barba a arranhar sua pele. Então a mão que antes tocava o seio escorregou até o ventre macio e foi além, para tocá-la intimamente, massageando aquele ponto sensível, excitando-a mais, levando a moça a desistir de vez de entender o que ela sabia o quê.

– Edward... – murmurou antes de morder os lábios para não exalar um gemido mais alto quando ele a estocou com seus dedos.

De olhos fechados, aproveitando aquela invasão de seu corpo, Isabella igualmente o tocou; primeiro o peito firme, depois o abdômen até fechar a mão do membro novamente desperto para retribuir o carinho, massageando-o.

– Bella...

– Eu preciso que venha my lord... Agora, por favor...

O barão não esperou novo chamado. Rápido, novamente abriu caminho pela abertura de sua calça e ceroula para mais uma vez invadiu-a, substituindo seus dedos para possuí-la fortemente; urgente. Somente quando os corpos estremeciam unidos pelo gozo conjunto, foi que o nobre recordou a necessidade de cuidado. Edward esperou até que as respirações se acalmassem, para comentar, ainda levemente rouco:

– Estamos sendo imprudentes? Você ainda está protegida?

Sim, ela estava. Havia pedido a Marie o necessário para trocar as esponjas. Edward poderia amá-la sem o temor de fazer-lhe um filho. Não, ela não se entristecia, somente gostaria que ele não se preocupasse tanto, afinal, casar-se-iam, não?

– Fique tranquilo – disse. – Não engravidarei.

– Por ora, é melhor assim... – Edward se apoiou num dos cotovelos para encará-la. – Pode entender?

– Sim... – concordou, porém não havia convicção em sua voz.

– Seria inadequado se acontecesse algo assim justamente agora – o barão se sentiu na obrigação de explicar, lamentando ter abalado o que de bom haviam terminado de compartilhar. – Ainda teremos tanto a enfrentar. Já não é certo tê-la nesta casa sem estarmos casados. E temos Embry... Ele acabou de chegar. Precisa se adaptar às mudanças. Tudo já acontece numa rapidez assustadora... Imagine se...

– Eu entendi Edward – ela o cortou gentilmente, comovida ao notar que parte da reserva fosse pelo seu pequeno. – Não vamos mais pular etapas.

– Exatamente! – exclamou o barão, tocando-lhe o ventre levemente saliente. – Quando chegar à hora, quero um filho meu crescendo aqui.

– Também quero ver isso Edward – ela cobriu a mão pousada em sua barriga com as suas. – E ele será muito amado, como amo você e Embry.

Edward sorriu repentinamente, retirando a mão com gentileza para se recompor e, prudentemente se afastar. Correndo uma das mãos pelos cabelos ainda úmidos, perguntou:

– Como acha que Embry receberia a notícia de que teria um irmão?

– Não saberia dizer – ela o acompanhou no riso; agradecendo que a ligação entre eles não tivesse sido perdida por suas bobagens. – Ele está me surpreendendo com essa cisma com você.

– Quem diria que um dia seu “Embry” iria ter ciúmes de mim?

– Eu não poderia prever, mas considero merecido que ele seja assim ciumento – ela arriscou brincar para elevar ainda mais o clima entre eles.

– Merecido, sim – Edward concordou e sorriu. Então voltou à seriedade, sem deixar de encará-la. – Um dia ele entenderá que não há razão para se enciumar... Ele é um pedaço de você.

– O melhor pedaço de mim – ela salientou também séria.

– Talvez, justamente por isso, eu já tenha me afeiçoado a ele. Cada vez mais me convenço que assumi-lo como meu filho foi a decisão mais acertada.

– Apesar dessa inesperada possessividade, posso lhe assegurar que Embry está muito satisfeito com sua decisão. Acho que posso dizer, sem medo de errar, que você é o pai com que ele sempre sonhou, caso pudesse ter um.

– Espero corresponder à altura... – Edward sorriu levemente.

– Já corresponde – ela assegurou, puxando a coberta para se cobrir. – Não se deixe enganar pela carranca. Meu menino o adora.

O barão então agradeceu por sua dor de cabeça ter atenuado e também que Isabella tivesse se coberto. Foi até aquele quarto com um propósito e sua noiva lhe deu a deixa para retornar a ele.

– Não mais do que ele é devotado a você – comentou. – Nem almejo que um dia chegue a tanto, mas é algo muito comovente de se ver. A forma como ele a olha, como guardou todas as suas cartas quando nem mesmo poderia lê-las.

Isabella apenas piscou, enregelando-se. Sabia o que viria.

– Sim, é comovente – murmurou, preparando-se.

– Também é perturbador ouvi-lo chamá-la apenas de senhora. Será que agora eu poderia saber o porquê disso?

Bem, antes de se entregar ao desespero deveria se lembrar de que, apesar da trégua provavelmente ainda era odiada por todas as rações já citadas, então não deveria se importar se o sentimento viesse em maior ou menor escala. Como nunca mais ocultaria o que quer que fosse, resolveu encerrar aquela questão.

– Este foi o modo que encontrei de preservá-lo.

– Como preservá-lo? – Edward franziu o cenho.

– Do que eu sou... Ou era – pontuou para que Edward entendesse sem ser preciso dizer a palavra. – Ele não precisava ter ligação com uma... “pessoa” como eu.

Deveria ter previsto, Edward pensou. Aquele era o tipo de cuidado que viria de alguém como Isabella, ainda assim, não fazia sentido.

– O fato de não nomeá-la não eliminaria a ligação – salientou o barão.

– Não em curto prazo – ela rebateu descendo os olhos para a coberta sobre seus joelhos, sem coragem de encarar o barão. – Mas com o passar do tempo... Vivendo em Londres, trocando de colégios internos até que fosse hora de cursar uma faculdade... Cada vez mais independente... Distante de alguém que ao longo dos anos o procurasse cada vez menos... O laço estaria desfeito.

Edward precisou de bons segundos para digerir cada palavra, atentando em si mesmo para ter certeza de que seu queixo não havia desabado. Isabella não poderia estar dizendo que...

– Estava preparando seu filho para pouco a pouco deixá-lo?! – Apesar do espanto a frase saiu sussurrada.

Colocado em palavras, na voz do barão, o plano soou ainda pior. Não importava que o tivesse elaborado quando Embry tinha apenas oito meses de vida, quando finalmente aceitou que nada teria a oferecer a qualquer pessoa, muito menos a um filho. Quando sequer imaginava que um dia seria dona do Jardim ou que, anos depois, teria uma renda anual que lhe possibilitaria comprar uma casa em Londres onde poderia tentar ser feliz ao lado do menino, desistindo de vez daquela loucura. Seria pouco se Edward a considerasse um monstro, porém não havia como negar.

– Estava – respondeu, encarando-o por fim.

O barão abriu a boca, contudo a fechou sem emitir um único som. Que tipo de mulher tomaria o “cuidado” de elaborar aquele plano odioso para cortar qualquer laço afetivo com um filho que amava sem medidas? Executando-o passo a passo, ano após ano, até que, quando adulto, para este apenas restasse à lembrança de uma “senhora” relapsa; inexpressiva?

Mesmo vindo “dela”, a mulher que o deixou meses atrás para poupá-lo, a revelação era chocante. Tanto que Edward deixou a cama e pigarreou, jogando a cabeça para trás, respirando profundamente por medo de vomitar algo que nem havia em seu estômago nauseado.

Se acaso fosse outra, Edward estaria assombrosamente arrependido de seu pedido de casamento e, não somente a dispensaria, como manteria o menino sob sua proteção agora que possuía o pátrio poder. Contudo, a inegável e cada vez mais comprovada obstinação daquela mulher, deu ao barão mais o que pensar. Isabella tomava decisões cruéis, mas não era vil. Já há algum tempo Edward entendia que entre todos, era ela quem mais sofria com as próprias ações.

Sim, pois, talvez ela o esquecesse um dia e se lembrasse do que viveram em Apple White com nostalgia, porém quanto ao filho, quando este crescesse e provavelmente a desprezasse depois de ser, gradativamente abandonado, ela simplesmente morreria. Como se não bastasse àquela revelação para abalá-lo, com ela veio outra ainda pior. Ninguém feriria daquela forma a quem declaradamente amava caso não fosse essencialmente ferida. Enfim Edward teve o entendimento definitivo.

Isabella estava cada vez mais preocupada com o silêncio do barão. Mesmo com o rosto erguido, ela pôde perceber as variações de cor que lhe tingiam a face. Ao confirmar seu plano, Edward esteve muito vermelho, respirando profunda e pausadamente pela boca entreaberta. Naquele instante seu noivo se mostrava branco feito cera e ela notava as gotas de suor que despontavam em sua testa.

Seria possível que ela tivesse arruinado tudo definitivamente? Como seria caso o barão a desprezasse agora que assumira a paternidade de Embry? Caso a mandasse embora, ficando com o menino para si, seria o castigo máximo pelo o que pretendeu fazer um dia, reconheceu a beira das lágrimas. Isabella ensaiava questioná-lo para encerrar a tortura de vez, quando, ainda de rosto erguido e olhos fechados, Edward murmurou:

– Eu acredito.

– Eu sei que sim... – o murmúrio saiu embargado. – Como poderia duvidar quando fiz o mesmo com você?

– Eu acredito no que disse antes... – Edward enfatizou, apertando as têmporas; a dor estava de volta. Quando imaginou estar estável o suficiente para baixar a cabeça, procurou pelos olhos de noite e acrescentou: – Em seu quarto. Acredito que “ele” foi capaz de... “machucá-la”.

Para Isabella o tempo pareceu parar. Era como se Edward tivesse dito que acreditava na violação do barão pai, mas isso seria impossível, pensou descrente. Como ele poderia ter mudado de opinião naquele instante?

– Eu... – ela começou incerta – acho que não entendi.

– Então eu repito. – Edward passou a andar de um lado ao outro, sem olhá-la. O ato de seu pai era desonroso e o constrangia como se tivesse sido ele a praticar tal ação. – Eu acredito que o primeiro barão de Westking a violentou. Acredito que, apesar do amor que você sente por seu filho, ele foi feito com brutalidade, contra sua vontade. Acredito que deva ter implorado para aquele senhor parar. Não, eu “sei” que implorou. Que...

Edward foi incapaz de ir além. Odiava-se por ser um fraco, mas simplesmente não pôde conter algumas lágrimas que vieram agravar sua vergonha, calando sua voz. Havia dado as costas para a cama então não notou a aproximação de sua noiva que logo o abraçava por trás, apertando-se contra seu dorso, chorando sem reservas.

Ele queria consolá-la, mas simplesmente não conseguia se mover. Tudo o que fez foi cobrir as mãos que apertavam seu peito, lutando para cessar aquele pranto vexatório que insistia em verter de seus olhos. Isabella o abraçou ainda mais ao notar que ele também chorava. Poderia imaginar como era difícil para aquele homem altivo e viril se render a algo tão feminino e aquela demonstração de sensibilidade a fez amá-lo ainda mais. Assim como se compadecer da dor que ele estaria sentindo, afinal, a imagem do pai irrepreensível estava definitivamente destruída.

Isabella ensaiou dizer que lamentava, pois realmente sentia. Cogitou manter-se em silêncio, dando ao barão tempo para remoer sua dor, porém o que venceu foi sua alegria. O barão não somente não a julgava como acreditava em sua palavra. Com isso passou a distribuir vários beijos nas costas do homem que amava, sentindo o gosto de seu próprio pranto. Queria tranquilizá-lo, agradecê-lo, porém o que conseguiu foi ter suas mãos apertadas fortemente – quase ao ponto de doer – e uma incontida torrente de novas lágrimas.

– Edward, por favor... – ela tentou se libertar, preocupada.

– Como ele pôde?! – a pergunta saiu estrangulada na voz muito rouca.

Edward não a soltou, pois não tinha coragem de encará-la naquele momento de fraqueza. Se tivesse a mínima noção que naquele instante aceitaria o que os muitos sinais, desde o início, indicavam ser verdade, ele não a teria interpelado. Preferia estar sozinho para prantear sua indescritível decepção e a morte “real” do velho barão.

– Edward, você está me preocupando – Isabella falou já completamente recuperada de seu choro, tentando novamente se libertar; seus dedos doíam. – O que eu posso fazer?

– Apenas me perdoe... – ele pediu.

– Não há o que perdoar... Não tinha como acreditar em mim, tanto que eu nunca esperei que acontecesse... – falou a verdade com o rosto colado nas costas largas. – O que me chocou e que eu gostaria que acreditasse era que eu jamais mantive um caso com seu pai, isso...

– Aquele senhor não pode ser meu pai – o barão vociferou, assustando-a com a força de seu desprezo. – Ele não é meu pai. O homem que me criou seria incapaz de uma animosidade dessa contra uma menina. Deus, como eu o odeio!

– Edward... – Isabella novamente tentou se soltar sem conseguir, então achou melhor dizer a verdade. – Está me machucando.

Suas palavras surtiram efeito imediato, porém ela não ficou livre. O barão se voltou abruptamente e a apertou num abraço aflito, beijando-lhe os cabelos.

– Perdoe-me. Eu nunca a machucaria...

– Sei que não, eu só...

– Como ele pôde? – repetiu rouco, cortando-a. Finalmente livre do pranto vergonhoso, adoecendo ao imaginar alguém, grande como foi o primeiro barão, a forçar alguém como aquela mulher que ele mantinha junto ao peito. – Você é tão frágil, delicada, pequena... Se aquele animal não estivesse morto, por certo eu o mataria!

– Pare! – Isabella demandou, entendia o ódio sentido, mas não poderia deixar que o barão pecasse por palavra ou pensamento. – Não repita isso uma segunda vez, por favor. Não importa o que ele fez, sempre será seu pai. E já não está aqui, então...

– Que queime no inferno! – Edward ciciou. – Como ele pôde se declarar em seu leito de morte? Por certo a culpa o fazia delirar.

– Por certo... – ela fez coro, queria se soltar para olhá-lo. – Edward, deixe-me ver como está.

– Prefiro que não o faça – ele disse sem soltá-la. – Vou até meu quarto um instante, depois voltarei para conversarmos.

– Por favor, não seja tão machista. – Isabella pediu brandamente. – Chorar não é sinônimo de fraqueza.

– Eu não choro – ele retrucou por teimosia; para ganhar tempo e não expor para ela sua lamentável figura.

– Bem – ela comentou, preferindo troçar com a situação. – Esqueceu de dizer isso a si mesmo, pois bem sei que chorou em Saint Joseph.

Edward se viu sem saída. Estava claro que sua noiva não o deixaria sair. Como não poderia negar e se via sem argumentos, o barão a liberou do abraço. Isabella se afastou um passo e o encarou. Sem nada dizer ela vestiu o penhoar e foi até o aparador. Voltou em seguida com a bacia na qual despejou um pouco de água e um pano sobre o ombro. Em silêncio o barão lavou o rosto e depois o secou. Sim, mesmo recuperado era aterrador saber que seus olhos estavam vermelhos, porém o barão sustentou o olhar de sua noiva. Por sorte não viu nenhum traço de piedade nos olhos de noite, somente... Admiração.

– Eu não teria palavras para descrever o quanto estou feliz. – Isabella finalmente falou, voltando até o aparador para deixar a bacia e o pano. Ao voltar acrescentou: – Pensei que fosse me odiar mais depois que eu contasse sobre meu plano para afastar Embry, no entanto...

– Esqueça o que disse no trem – ele pediu, escrutinando os olhos dela, igualmente vermelhos. – Eu não a odeio. Estava apenas ressentido com tudo. O que odeio são as situações, mas quanto a isso... Sei que sente o mesmo, não estou certo?

– Está!

– Então esqueça – ele ordenou – e volte para a parte onde é feliz.

– Estou nela – a moça gracejou, esboçando um sorriso. – Agora não temo o que vier. Não estamos apenas juntos... Você acredita em mim!

– Também noto a diferença – Edward segurou-lhe as mãos para beijá-las, apertando os olhos involuntariamente após uma pontada mais forte na cabeça que doía mais.

– O que houve? – Isabella estranhou a expressão.

– Minha cabeça dói – ele revelou, ainda a beijar os dedos delicados e inconscientemente machucou.

– Provavelmente é fome – a moça diagnosticou; ainda tentando administrar o misto de admiração e euforia que agitavam seu íntimo. – Tudo tem sido tão intenso desde nossa chegada que nem almoçamos. Marie me trouxe aquela bandeja. O chá já deve estar morno. Posso chamá-la para repô-lo e então...

– Não quero que chame Marie e, sinceramente – ele torceu os lábios – duvido que consiga beber ou comer coisa alguma, então deixe como está.

Isabella também não queria que os vissem às portas fechadas, tomaria aquele cuidado por ele; que deveria comer, não importando sua opinião.

– Vamos ver isso. – ela retrucou, assumindo o cuidado de seu barão. – Se não conseguir basta não beber. Vou pegar a bandeja, então se sente – ordenou alargando o sorriso; estava de fato feliz.

Edward considerou recusar, porém, ainda preso à vergonha por ter fraquejado diante dela, atendeu-a. Acomodou-se sobre a cama e esperou até que ela voltasse e dispusesse a bandeja entre eles. Novamente em silêncio esperou que sua noiva servisse o chá e nele misturasse um pouco de leite e açúcar antes de entregá-lo.

– Está mesmo morno, mas vai ajudar. Beba.

Sem querer contrariá-la, subitamente envergonhando-se também por todas as acusações que fez, ele bebericou um pouco do chá. Como imaginado, o primeiro gole pareceu rasgar sua garganta, porém logo desceu facilmente despertando uma fome imediata, levando-o a beber tudo de uma só vez. Isabella sorriu satisfeita e tratou de espalhar geleia em uma torrada já a se vangloriar.

– Viu como foi fácil? Agora coma isto...

Com os sólidos não foi tão simples, porém o barão conseguiu ingerir tudo o que a moça lhe estendia. Ela também se servia. Vez ou outra sorria encorajadora em sua direção, contudo Edward não lhe acompanhava no bom espírito, mesmo sentindo que a tensão entre eles dois havia se dissipado completamente. Talvez estivesse vivenciando o luto, agora pela perda definitiva da imagem endeusada que tinha do primeiro barão.

– Quero saber como foi – Edward se ouvir dizer antes de depositar a xícara sobre a bandeja e encarar sua noiva.

– Para quê? – Isabella escrutinou o rosto ainda marcado pelo pranto de seu noivo. Entendeu a colocação truncada, porém ele não deveria querer saber.

– Não sei para que... – ele respondeu dando de ombros, cansado. A dor de cabeça havia cedido, mas ainda havia uma que incomodava seu coração. – Eu estive cego durante toda minha vida... Acho que preciso tentar entender como tudo aconteceu. – encarando-a seriamente fez a pergunta direta. – Como aconteceu?

Incomodada, Isabella se moveu sobre a cama, fechando a frente do penhoar fortemente apenas para ocupar as mãos. Sua primeira intenção foi veementemente se recusar a dizer qualquer coisa, porém a ansiedade que via nos olhos azuis, ainda mergulhados nas órbitas avermelhadas, convenceu-a do contrário.

– O que exatamente deseja saber? – perguntou.

– Bem... – Edward correu uma das mãos pelos cabelos. – Quando deixei esta casa você era muito pequena. E como tantas vezes comentamos não nos vimos depois disso, então... Eu não sei como você se relacionava com todos. Desculpe-me por perguntar, e não me interprete de forma errada, mas... Acha que de algum jeito, pode ter contribuído para que...

– Eu nem mesmo dirigia a palavra para o barão – ela o cortou inabalável. Era justificável que ele quisesse formar uma linha de raciocínio. – Nada além dos cumprimentos esperados ao nos vermos pela primeira vez no dia ou quando me era solicitada alguma tarefa.

– E ele lhe solicitava... – Edward jamais o perdoaria, mas queria entender. – Tarefas?

– Raramente quando comecei a ser preparada para servir, aos doze anos. Ele passou a me requisitar mais logo depois que completei quatorze anos – Isabella sustentava o olhar do barão –, mas não pedia nada além de copos com água que eu deveria levar ao gabinete ou à biblioteca. Ou xícaras de chá. Jamais vi algo errado, mas lembrando agora, ele sempre me pedia para esperar que terminasse, e por vezes levava bons minutos até que me entregasse o copo ou a xícara e me liberasse para deixar o cômodo.

Provavelmente o velho amoral ficava a admirá-la nessas ocasiões, Edward pensou exasperado. Ela não teria como saber, pois não era comum aos criados ficarem encarnado seus patrões.

– Entendo... – ele disse roucamente – E foi numa dessas vezes que...?

– Não... – ela negou receosa. – Quer mesmo saber?

– Sinto que preciso saber – foi a resposta simples e verdadeira.

Isabella assentiu com a cabeça e, mirando a xícara que Edward usou minutos antes, narrou o ocorrido na cozinha, quando tinha ainda quatorze anos e se deixou iludir pelo ardil do barão pai. Contar sobre seus pesadelos de forma trucada ao barão foi nada se comparado a revelar a verdade sem edições. A moça seria capaz de jurar que sentia a raiva vinda do homem retesado à sua frente.

– Canalha! – vociferou o barão, cerrando os punhos. – Ele ainda teve a coragem de usar sua amizade com Rosalie para atraí-la.

Temendo que Edward tentasse liberar sua fúria na prataria ou na louça da casa, Isabella se adiantou para retirar a bandeja da cama. Ainda voltava ao seu posto quando ele perguntou:

– Foi apenas essa vez?

– Infelizmente não – ela murmurou ao se sentar. Sua garganta estava seca, preferia não contar, mas como já havia começado, iria até o fim. – Depois daquela noite nunca mais fui à cozinha durante a madrugada. Tentei evitá-lo ao máximo, nunca mais fiquei em um cômodo onde ele estivesse sozinho, mas... Numa tarde em que a casa estava relativamente calma depois da saída da baronesa e suas irmãs, ele me cercou na dispensa. Eu já estava com quinze anos então...

– E essa foi a última vez?

Tinha de ser, pois Edward não suportaria ouvir muito mais; não importava o que Isabella dissesse sobre aquele estranho ser seu pai, simplesmente tinha ganas de matá-lo.

– Sim – ela respondeu num fio de voz – mas arrisco dizer que somente porque ele foi flagrado sobre mim...

– Por sua avó – Edward recordou novamente nauseado. – Como ela pôde não defendê-la? Ele estava abusando de você... Foi pego durante o delito.

– Ele alegou que eu o seduzi. Também não me interprete de forma errada, mas até mesmo você não acreditou na minha palavra. Parece que a culpa sempre recai sobre as mulheres. Para a sociedade é como se já nascêssemos erradas. Eternas sucessoras de Eva que por respirarem tentam os impolutos filhos de Adão.

E a sociedade estaria de todo errada? Edward se perguntou, amargo. Não que ela fosse culpada pela desgraça que a abateu, mas que as mulheres constantemente os tentavam era um fato. Cabia aos homens a não rendição, e mais, a decência de não tomar meninas a força. Sim, ele a entedia. E diferentemente do que talvez tenha imaginado ao pedir o relato, saber não aliviou a dor em seu peito e sim, agravou-a.

– Não fui eu quem o descobriu sobre você – usou as palavras dela, pois nenhuma outra era melhor. Antes que ela retrucasse, ele prosseguiu. – E se tivesse sido, naquela época, sem ter nenhum laço entre mim e você, eu o condenaria sim, mas atribuiria à maior parte da culpa a você. Porém Sue é sua avó. Ela tinha o dever de defendê-la, não expulsá-la.

– A verdade é que ela nunca gostou de mim – Isabella disse sem rancor. – Ao contrário do que sente por todos vocês. Estranho seria se ela me defendesse.

– Como isso é possível? – Edward custava a crer em tamanha crueldade, mesmo tendo tido uma mostra naquela tarde do quanto sua cozinheira poderia ser vil.

– Eu não saberia lhe dizer. Ela simplesmente me odeia, essa é a verdade. Quando me reconheceu na minha última noite aqui, ela...

– Você esteve com Sue Wood antes de partir?! – o barão franziu o cenho; ela não havia citado aquele detalhe.

– Estive – confirmou – mas, mesmo que ela tenha me expulsado uma segunda vez, eu já estava decidida a partir. Apenas esperaria que você se recuperasse do tiro.

– Sei que faria – ele retrucou acusador, rouco –, porém não muda o fato de que ela continua sem o direito de expulsar quem quer que seja de minha casa. Você não deveria ter partido.

– Minha avó ameaçou contar a versão dela – Isabella se defendeu um tanto sentida por fim. – Hoje também sei que você seria capaz de me colocar pessoalmente para fora depois que descobrisse minhas mentiras agravadas por intrigas.

Edward sustentou o olhar, recebendo de volta a acusação que dirigiu a ela. Merecia ouvir o que provavelmente fosse expressão da verdade. Sendo frio, reconhecia ter sido melhor que tudo tivesse acontecido daquela maneira. O tempo e a distância, aliados à falta que sentiu dela ao longo dos meses lhe deu estofo para suportar o que soube. Se ciente de que havia algo errado agiu como agiu ante as revelações, como não teria sido igualmente cruel ao se descobrir enganado por ela horas depois de tê-la pedido em casamento?

– Não tenho como negar... – disse por fim, rendido. – Eu a teria expulsado e, talvez nunca mais olhasse em sua direção.

– Eu tinha esperanças, mas no fundo sabia que seria assim... Por isso parti.

– Hoje nem me importa saber como deixou a propriedade no meio da noite – o barão comentou, aproximando-se para segurar as mãos de sua noiva. – Importa é que está de volta e que eu acredito em você.

– Isso é o que importa. Você acreditar em mim – ela fez coro, voltando a sorrir. Com um suspiro acrescentou. – E também que a baronesa esteja sendo “afável” com meu menino.

– Com seu filho... – Edward a corrigiu. – Diga.

– Edward... – ela murmurou subitamente embargada. – Eu nunca me referi a ele assim... Vamos esperar que...

– Nem mais um minuto – ele a cortou firmemente. – Até entendo seus motivos, mas eles não mais existem. Embry é seu filho, então nada mais natural do que se referir a ele como tal. E saiba que a partir de hoje ele também deve parar de tratá-la por senhora fora do contexto. Vamos, diga!

Isabella mordeu o lábio inferior, sentindo seu coração bater acelerado. Era algo simples, nada além da verdade, mas até mesmo se recusou a pensar na palavra por quase oito anos, então a iminência de dizê-la lhe tratava a garganta.

– Estou esperando – ele insistiu. – Embry é seu...

– Filho... – ela murmurou antes de voltar a chorar; era o que seu menino adorado era. – Ele é meu filho – disse com maior firmeza, saboreando a palavra, sorrindo em meio às lágrimas. – Meu filho.

– Muito bem... – Edward a puxou para seu colo para beijar-lhe o rosto molhado, troçando para consolá-la. – Não precisa repetir tanto. Ele não é só “seu”.

– Nosso – ela corrigiu segurando o rosto espinhento próximo ao seu, com ambas as mãos. – Nosso filho, não é? Viu como é impossível não amá-lo com todo o coração?

– Não apenas vi meu amor, como senti – ele sorriu e a abraçou mais forte contra seu peito, contagiado pela comoção enlevada da moça. – Embry é especial. Tanto que lhe digo, minha mãe já está derretida pelo novo neto. Não será de admirar que até o final da noite ela o eleja seu preferido.

– Edward... – ela o enlaçou pelo pescoço, receosa; sem saber o que pensar sobre a possível predileção da baronesa.

– Sei o que está pensando – Edward a liberou de dizer –, e sinto a mesma apreensão, mas foi o risco que assumi. Vamos continuar como determinei. Um assunto por vez está bem?

– Não há nada que possamos fazer... – ela murmurou, torcendo o lábio.

– Posso pensar em uma ou duas coisas que podemos fazer agora... – ele sorriu sugestivo, correndo uma das mãos pelas costas de moça para prendê-la pela nuca, decidido a encerrar a seriedade que os envolvia.

– Edward! – nomeou-o em tom repreensivo, já a se eriçar. – Estamos tratando de coisas sérias!

– Sérias demais para minha cabeça cansada – ele retrucou, beijando-a na curva do queixo, sentindo o gosto das últimas lágrimas. – Um assunto por vez – repetiu, beijando exatamente onde a mordeu quando esteve no quarto do bordel, deslizando a mão livre pela abertura do penhoar para segurar um seio.

– Edward... – ela soprou, empertigando-se excitada ao ter um mamilo beliscado. – Isso não é possível! Não podemos ficar aqui trancados... fazendo...

– Não sei o que você possa estar fazendo de errado senhorita – ele troçou afastando o penhoar para ver o que fazia, precisava brincar com aquela moça de vida sofrida; precisava que ela sentisse o quanto era amada e verdadeiramente desejada para que nunca mais alimentasse ideias separatistas. – Eu mesmo estou apenas conversando com minha noiva...

– Disse bem... – murmurou num gemido, vindo com o carinho ritmado em seu peito. – Sou a noiva... Até mesmo se fossemos casados não seria correto. Não quero que a baronesa se aborreça por minha causa. Vamos nos comportar até que seja noite e não haja o risco de alguém bater à porta.

– Devo confessar que estou gostando de me mostrar comportado quando quero fazer o contrário – ele revelou enquanto distribuía beijos abrasadores ao longo do colo da moça, sempre a tentando com a mão. – O nosso café esta manhã se tornou bem interessante quando passamos a tomar cuidado com a atenção de nosso filho.

– Poderia repetir essa parte – ela pediu languidamente, rendendo-se à excitação do barão que sentia crescer abaixo de seu quadril.

– Sobre nos comportarmos para os olhos de Embry? – Edward ergueu a cabeça para encará-la, confuso.

– Sim – respondeu se movendo sobre o colo do barão para se sentar com cada uma das pernas ao lado do corpo forte, ficando de frente para ele. – Quando o chamou de “nosso filho”.

– É quem ele é Bella... “Nosso”, só nosso. Isso está determinado desde nossa conversa no trem.

– Sim... – ela assentiu segurando-lhe o rosto. – Você me disse, também no trem, para que não atribuísse a você a responsabilidade de me fazer feliz, no entanto, acho que sempre foi o único capaz de me entregá-la completamente. Disse também que não era um príncipe de contos de fada e novamente demonstra estar errado.

– Sou seu Kalil então? – Edward sorriu, agradecido por ter alcançado seu intento, distraindo-os da seriedade que ainda restava em suas vidas; juntos, precisavam de trégua.

– E eu sua Yasmim. A princesa que você resgatou de um futuro infeliz, dando a ela mais do que se atreveria desejar. Acredito que nunca, até o último dia de minha vida, vou conseguir demonstrar o quanto eu o amo.

– Acredito que começaria a ter uma vaga noção do quanto caso “Vossa Alteza” deixasse de tantos cuidados quando já erramos tanto e me beijasse agora...

– Não quero que tenha uma vaga noção my lord... – ela lhe sorriu, retirando o penhoar de sobre os ombros para se apresentar novamente nua para o barão. – Quero que sempre tenha a máxima certeza.

Sem mais palavras, ela mais uma vez segurou o rosto de seu noivo e o beijou. Edward liberou um gemido, talvez audível demais, e a espremeu num abraço férreo enquanto os lábios e línguas e procuravam famintos. Sim, beijaram-se nos momentos de maior tensão, fizeram amor além do esperado – até mesmo naquela tarde –, contudo, naquele instante os sentimentos eram outros.

Não havia apenas desejo na urgência com que se beijavam ou se tocavam; havia carinho, havia saudade, muito amor; tanto que os sufocava. E, acima de tudo, havia confiança. Definitivamente a balança tombou para um só lado. Todos os sentimentos ruins que o barão por sua cansada borboleta naqueles dias haviam se esvaído.

– Edward... – ela murmurou, abraçando-se a ele quando novamente se tornaram um.

O barão calava seus gemidos, movendo-a em seu colo, deixando que a falta inexplicável que ainda sentia dela lhe desse forças para ter mais do que ela poderia lhe oferecer. Logo se apertavam mais num abraço espasmódico, com as bocas unidas num beijo silenciador. Ao afastarem seus rostos, Isabella sorriu; cansada, contente. Feliz!

– Devo parabenizá-lo pela boa disposição my lord? – gracejou, sem soltá-lo; ainda sentindo-o esmorecer dentro dela.

– Deve congratular-se – ele retribuiu o gracejo com a verdade. – Confesso que há muitos anos uma mulher não atiça tamanha boa disposição.

– Fico lisonjeada, mas dispenso todo o resto... – Isabella o beijou levemente antes de finalmente deixar o colo do barão e se estender sobre a cama; cobrindo-se.

– Eu senti falta de seu ciúme – ele sorriu manso, antes começar a se livrar da calça.

– O que está fazendo? – ela indagou alarmada.

– Ficando mais a vontade para dormir – Edward respondeu já a deitar ao lado de Isabella.

– Logo terá que descer para o jantar – ela o lembrou. Estava adorando a companhia, todo aquele clima de reconciliação, mas de verdade não queria se indispor com a baronesa.

– Ainda temos tempo – ele retrucou, puxando-a para si sob as cobertas. – Preciso descansar um pouco e tenho que ter você ao meu lado. Então não me expulse de seu quarto.

– Jamais o faria – ela disse rapidamente; o cansaço estava também na voz do barão, comovendo-a ao se lembrar de tudo o que aconteceu naquele quarto. Ele poderia brincar, e até distraí-la com seu amor, porém estava alquebrado; era um homem de luto. O certo seria se calar e deixar que ele descansasse, porém, mesmo que o pior tenha sido superado, ainda restavam alguns assuntos que ela não poderia esquecer. Dentre eles estava “seu filho”. – Edward... – chamou num murmúrio.

– Não insista, pois não irei deixá-la... Apenas fique quietinha para que eu possa abraçá-la.

– Eu já disse que não o mandarei embora – ela ocultou um sorriso satisfeito ao ter os braços fortes do barão a prendê-la mais junto ao peito. – Eu só queria conversar mais um pouco. Saber como foi o encontro de nosso filho com a avó – ainda era um pouco estranho, mas Isabella saboreou cada palavra, mesmo apreensiva.

– Posso dizer que foi melhor do que poderíamos prever – ele disse com os lábios a roçar os cabelos de noite, tentando adivinhar qual seria a reação de sua noiva ao saber dos planos da futura sogra.

– Fico feliz em saber – Isabella murmurou, movendo a cabeça para olhar diretamente nos olhos azuis –, mas até mesmo essa aceitação me assusta.

– Assusta também a mim – assegurou o barão, ciente de que as razões possivelmente fossem diferentes. Sim, ele estava de fato cansado de assuntos sérios e por um instante cogitou adiar de dizer o que deveria, porém decidiu que não haveria momento mais oportuno para fazê-lo. Sustentando o olhar escuro, perguntou sem preparações. – O pensaria caso lhe dissesse que minha mãe esboçou o desejo de assumir a educação de nosso filho?

Isabella piscou algumas vezes, assimilando a informação que não foi colocada nas palavras ditas. Ao entender seu coração enregelou-se, porém brevemente. Antes que seguisse o impulso e veementemente negasse qualquer participação da baronesa na educação de Embry, lembrou a si mesma aquilo que pensou na carruagem, ela não tinha bases para repassar. A grande verdade era que nem ao menos se preparou para ser “mãe”, pois até pouquíssimo tempo atrás, fazia exatamente o contrário. Ocupou-se apenas em ser a “senhora” que se distanciaria.

Sue não poderia nem mesmo ser comparada às madrastas más das histórias infantis, então ela própria não teve em quem se espelhar durante seu crescimento. O mais próximo de uma figura materna e disciplinadora fora justamente a baronesa de Westking. Evidente que para ela eram repassados os ensinamentos e posturas de uma criada, mas ela conhecia a forma de criação dada aos filhos. Ali, diante dela, não havia um bom exemplo do que a nobre senhora era capaz de proporcionar para uma boa educação? Não seria para ela, motivo de grande alegria caso Embry se tornasse a cópia fiel de Edward?

– Seu silêncio me preocupa – disse o barão, afastando-se um pouco para analisar toda a expressão da moça em seus braços. – Por favor, não quero arreliá-la, então...

– Não me arrelia. – Isabella o interrompeu mansamente, confundindo-o. – Estava apenas pensando no que esse desejo implicaria. Se eu dissesse que fico grata e triste ao mesmo tempo, você entenderia?

– Sinceramente, não... – ele respondeu, preocupando-se mais. – Explique.

– Bem – ela suspirou. – Evidente que, agora que nós finalmente estamos juntos, gostaria que fosse eu a responsável pela educação de meu filho, mas tenho plena consciência de que nem saberia como fazê-lo, então fico grata que a baronesa tenha demonstrado o interesse de assumir esse compromisso. O que me entristece é saber que não tenho conhecimento nem mesmo para mim... O pouco que sei me foi passado pela própria baronesa, por Carlisle e Angela. E uma coisa é saber se portar a mesa em uma casa como a sua, sendo você um nobre de hábitos simples, mas eu não saberia como me portar numa recepção mais rebuscada, ou me colocar diante da rainha, por exemplo.

Com o comentário todo o peso do futuro que a aguardava a sufocou ao ponto de estar quase aos prantos ao se calar.

– Shhh... Não chore por isso. – Edward pediu, voltando a abraçá-la, aninhando a cabeça dela contra seu peito. – Não há tanta diferença e o que não souber eu posso ajudá-la, ou Marie. Mas não se preocupe. Não tenho compromissos agendados com a rainha – gracejou na tentativa de diverti-la. O barão se congratulou ao perceber que a moça sorriu em meios às lágrimas. Novamente afastando-a para secar as bochechas dela com as mãos, ele prosseguiu seriamente. – Por favor, já temos problemas demais para nos ocupar, não comece agora a se sentir inferior.

– É que ainda vale tudo o que eu tinha dito antes. Não quero envergonhá-lo. Não tive educação de berço, nem...

Antes que Isabella pudesse prever o barão a beijou, calando-a. Ela tentou protestar, porém ele aprofundou o beijo, capturando-lhe a língua para prová-la sem pressa. Logo a questão se esvaia da mente, antes, cada vez mais preocupada, deixando-a rendida ao carinho em sua boca. Quando novamente se encontrava acesa e livre de tantos cuidados, Edward a libertou.

– Nossa! – ela murmurou, apertando-se contra ele. – Isso foi golpe baixo.

– Eu diria que necessário – ele brincou, ainda que falasse a verdade. – Não quero que volte a esse assunto e se bem me lembro já há algum tempo a proibi de chorar, não seja tão teimosa. Sobre o que diz sempre se pode aprender o que for preciso e, mesmo que o impossível aconteça e nada assimile jamais me envergonharia.

– Se é o que diz... – ela torceu os lábios, erguendo uma das mãos para acariciar o peito que tinha diante de seu rosto.

– É o que sinto – ele retrucou mansamente, apreciando o carinho, aquecendo-se, porém sabendo que não evoluiria. – Vamos voltar a Embry... Então não se opõe à minha mãe assumir a sua educação?

– Não tenho como me opor – ela disse sincera. – Sei que ela fará um excelente trabalho. Veja você, Rosalie... – ela parou ali, pois com Alice a baronesa não fora bem sucedida.

– Infelizmente – Edward falou sentindo o amargor em sua boca – parte do que sou deve-se ao que aquele senhor acrescentou. Sempre tão íntegro! Foi praticamente impossível não me iludir.

– Shhh... – foi a vez de ela silenciá-lo, porém apenas cobriu-lhe os lábios com o dedo indicador. – Bons valores, apenas isso... Ele lhe passou bons valores, provavelmente os mesmo que aprendeu com o seu avô. Conhecê-los não significa aplicá-los. No seu caso, você os assimilou e os segue, assim como confio que também fará com Embry. Estamos todos bem agora. Como você mesmo recomendou, vamos vivendo um assunto por vez... Esqueça-se “dele” está bem? Por mim.

– Lamento, mas... Justamente por você que jamais vou esquecer. – Edward garantiu, correndo dois dedos delicadamente pela curva do queixo de Isabella, onde ainda estava marcado. – Tudo o que aconteceu a você, as coisas pelas quais passou e também o que vier daqui para frente, foi e será por culpa única e exclusiva daquele senhor... Se antes, quando não confiava na sua inocência já seria ruim caso a hostilizassem, imagine agora...

– Pois eu lhe digo que agora estou pronta para o que vier nesse sentido – e não seria fácil, ela bem sabia. A educação de Embry era o menor dos problemas. – Agora que você acredita, eu sou capaz de enfrentar o mundo, caso descubram o que fui.

– E eu capaz de romper com todos que nele habitam, my lady – o barão assegurou, segurando-lhe o queixo para que ela o encarasse. – Até mesmo com a rainha.

– Saber que sim me faz imensamente feliz! – ela lhe sorriu, satisfeita. Não tranquila, mas com ânimo reforçado para de fato aguentar o que viesse. Forçando-o para se deitasse de costas, ela se apoiou sobre o peito largo e acrescentou acusadora, alargando mais o sorriso. – E ainda tentou me convencer de que não era um príncipe.

– Pois bem... Este príncipe nota certa má intenção nos olhos de sua princesa – ele se rendeu ao clima bom que parecia ter se instalado definitivamente apesar dos temas não serem os melhores. Precisavam mesmo de descanso. – Adianto-lhe que nada conseguirá deste pobre homem... Bem sabe que não sou um rapazola e a boa disposição é limitada, ainda que a companhia seja a mais amada e desejada.

– Será? – ela o provocou, cheirando-lhe o queixo espinhento, mordiscando-o. – Deveria ter pensado nisso antes de fazer declarações arrasadoras sobre romper com o mundo por minha causa. Agora quero o enredo completo...

Notas finais
Espero que tenham gostado! Me deixem saber... ;) Meninas, não vou me estender, pois quero aproveitar a sexta de carnaval para pular na frente do pc, na folia de organizar minha bagunça aqui... Bom carnaval a todas... Curtam da forma que mais gostam! :D Bjus...