Borboleta Negra

26 Capítulo Vinte e Cinco


Notas iniciais
Oie... Bom dia meninas!Olha lá, mais um capítulo de nosso Lordward e sua borboleta. Espero que gostem... Quero agradecer aos reviews, amo respondê-los!... :)Tbm quero agradecer à Donna28 pela indicação; linda, amei!... Obrigada!... :DAgora vamos ao capítulo, no final nos vemos... BOA LEITURA!

Em silêncio, Isabella acompanhou o barão se apegando em fracos argumentos para demovê-lo de sua intenção. Falhava completamente, perdida na admiração nutrida por ele. Como se não bastassem todas as qualidades morais de Edward, havia ainda o porte garboso ao cavalgar; segurando as rédeas com pulso firme mantendo a mão livre fechada num punho que apoiava em sua cintura. Correndo os olhos pelas costas largas, questionou-se como poderia dissuadi-lo do que quer que fosse quando há menos de três minutos padeceu de um ciúme doído por imaginá-lo com outra.

Para enfraquecer sua convicção, havia o enternecimento vaidoso que lhe aquecia o coração com as concessões especiais que lhe fazia. Com um suspiro derrotado, ela aceitou o fim inevitável, pois a verdade nua e crua é que há muito tempo vinha enganando a si mesma. Não queria ir embora, muito menos deixá-lo.

– Vamos ficar por aqui – o barão anunciou em voz alta, freando o andaluz.

Isabella avançou alguns metros, pois vinha distraída. Assim como Edward, ao parar, apeou e então olhou em volta. As macieiras daquele pomar eram em sua maioria baixas, mas ainda os encobriam. Fora da sela, Isabella não conseguia ver a antiga casa nem os muros frontais por sobre as árvores de galhos que quase tocavam o chão.

– Essas macieiras são diferentes – ela comentou para distraí-los.

– Muitas fieiras são novas – Edward explicou, tomando a rédea de Luna e seguindo em frente a pé. – Daqui a alguns anos elas estarão tão grandes quanto às outras. Como aquelas...

Com a indicação Isabella lhe seguiu o olhar. Descobriu que caminhavam para um conjunto de árvores maiores, semelhantes às do pomar de Apple White. De fato esteve distraída, pois não as havia notado ao se aproximarem. Logo Edward a conduzia, fazendo-a entrar em meio a elas. Caminharam poucos passos até que estivessem numa área relativamente reservada; não era possível ver o caminho daquele ponto. Havia ali três bancos feitos de troncos. Eram rústicos e envelhecidos, contudo aparentavam firmeza.

– Foi meu avô quem os fez – Edward contou ao notar o interesse com que ela mirava os bancos enquanto ele amarrava as rédeas dos dois cavalos em ganhos baixos. – Não cheguei a morar nessas terras, mas vinha muito aqui. O velho Jacques era meu avô preferido.

Tal qual o pai o era, lamentou. Ela conhecia daquela preferência, assim como sabia que Embry Sheldon era o preferido de Rosalie. A amiga nunca explicou a razão de gostar mais do avô materno, nem Isabella teve a chance de encontrar a sua; não conheceu o antigo dono daquelas terras. Ao contrário de Embry que passava duas temporadas anuais em Apple White, quando, a despeito das objeções da baronesa e Alice, pedia por sua presença juntos às netas, mimava-as com doces e as animava ao descrever aventuras insólitas vividas em sua juventude que jurava serem reais.

Recordar tais situações naquele instante, já adulta, Isabella acreditou finalmente ter sua reposta. Rosalie e ela, assim como Alice, foram crianças aduladas por uma figura simpática e sempre presente, quando o outro avô, por divergência de opiniões, recusava-se a frequentar a casa do filho barão. Naquele momento ela também lhe teve simpatia, pois entendeu que Jacques Masen Bradley deveria ser um homem de caráter. Sem dúvida Edward herdara dele todas as qualidades que infelizmente não soube incutir no próprio filho. De toda forma o comportamento de um avô não desmerecia o outro. Paparicada ou não, Embry Sheldon sempre seria considerado como o avô que não teve e seria seu preferido. Com a lembrança um sorriso saudoso lhe veio aos lábios.

– O que é engraçado?

A pergunta trouxe Isabella de volta ao presente para descobrir que o barão a encarava interrogativamente, mantendo uma das sobrancelhas erguida.

– Nada – respondeu não ocultando o sorriso. – Você dizia que seu avô, dono dessas terras era o seu preferido, achei bonita a sua afeição.

Não era o caso, ele sabia. Edward poderia reconhecer quando Isabella se perdia em suas divagações de olhos fechados. Infelizmente nem mesmo saber que pensou em algo que lhe agrava o acalmou; ela ainda se mantinha defensiva. A reserva, pelo visto não findaria, então, sem procurar por preâmbulos foi direto ao assunto desejado.

– Sim, eu dizia – ele começou, colocando suas mãos às costas para austeramente prosseguir –, mas na verdade não foi para falar de minha família que a trouxe aqui.

– Imagino que não. – Isabella se afastou alguns passos até que se sentasse num dos bancos. Posando as mãos sobre o colo, acrescentou. – Você quer voltar ao que dissemos ontem, não é?

– Sim – admitiu. – Sei o quanto as diferenças entre nós a afeta, então quis lhe dar tempo para que se acostumasse com o que virá.

Edward não poderia saber, mas agira corretamente. Antes, ela fatalmente terminaria por rejeitar “o que viria”. Naquele instante, porém, Isabella retomava a esperança temerária de permanecer na vida do barão. A ideia não era nova, mas ainda frágil. Seria preciso amadurecê-la, pesando o valor de cada declaração feita. Tinha apenas uma certeza, nunca revelaria o verdadeiro caráter do barão pai. Sendo realista, sabia que não poderia contar tudo, mas procurava formas de editar a verdade. No mais, almejava que o amor a tudo perdoasse. Com isso poderia revelar ser a amiguinha dada como morta, declarar seu amor antigo e então, seu ofício.

O choque existiria, mas, com sorte, o barão havia de entendê-la e então, juntos, encontrariam um meio de evitar a maledicência. Com seu Embry precisaria mais do que a benevolência vinda com o sentimento nobre. Teria, sim, que receber um verdadeiro milagre que lhe permitisse colocar os dois homens de sua vida frente a frente sem que com isso gerasse uma catástrofe na vida de ambos. Isabella sabia não ser merecedora de boas graças, já alcançara a segunda ao conseguir o amor de seu eterno príncipe, mas confiaria que Deus lhe concedesse uma terceira. Sim, Ele havia de lhe atender, pensou experimentando uma súbita animação.

– E o que virá my lord? – Isabella indagou ainda sustentando seu sorriso manso.

A mudança súbita confundiu o barão que, franzindo o cenho em estranheza, aproximou-se do banco, passou uma das pernas longas por sobre seu assento e se acomodou tendo a moça diante de si.

– Estou enganado ou você de fato se sente a vontade para conversarmos?

– Não está enganado – Isabella assegurou, sem fugir do olhar perscrutador. – Por incrível que possa parecer, o que foi dito ontem me pegou de surpresa... E bem sabe o que eu pensava ao nosso respeito.

Pensava?! – Edward não deixou a insinuação passar. Parecia que a jovem havia escolhido os últimos minutos para surpreendê-lo. Houve a reserva, o ciúme, a leveza incomum vinda em sua introspecção e então aquela declaração. Sem que ainda pudesse acreditar, acrescentou: – O que mudou?

– Meus sentimentos por você – disse sincera. – Eu o amo Edward. Tanto e de uma forma que nunca imaginei que pudesse voltar a amar, então...

O barão não a deixou terminar. Afoito, trouxe-a para mais perto e, segurando-a pelo pescoço, possessivamente a beijou. Estava saudoso dela desde que se declarou e pouco lhe interessava saber do amor que ela sentiu por outro. Bastava saber que ele tivesse transposto seu muro defensivo para tomar o lugar do ex-amante e se instalado definitivamente naquele ferido coração.

Edward não colaborava, Isabella pensou rendida ao provar luxuriante de sua língua. Fora estranho dormir sem receber aquele beijo, assim como não tê-lo naquela manhã. Desperdiçou um tempo precioso com sua tola covardia, repreendeu a si mesma, abraçando-o pela cintura.

My lady... – Edward murmurou libertando a boca macia para beijar a curva do queixo. – Também a amo tanto Bella... Se não há mais restrições e seu pensamento agora é outro, case-se comigo.

– Edward... – ela exalou num murmúrio ao ter o pedido soprado em seu ouvido antes que o barão chupasse o lóbulo de sua orelha, excitando-a. A mão enluvada que se mantinha em sua nuca ajudava a amolecê-la mais, embaralhando seus pensamentos, ainda assim Isabella não se esquecia do quão necessário era expor ao menos parte de sua realidade. – Temos que conversar a esse respeito... Existem, sim, algumas restrições...

– Considera-me velho demais para ser seu marido?

A pergunta feita enquanto ainda provava aquele montinho da delicada orelha fora um chiste ditado pela alegria. Nada restringiria sua união após a declarada rendição.

– Evidente que não.

Que tipo de pergunta seria aquela? Ela se perguntou confusa, sentindo que o colarinho de sua camisa era aperto para que os lábios espinhentos do barão torturassem a lateral de seu pescoço. Para o bem de seus pecados o nobre era experiente demais, isso sim, pois se aproveitava para toldar seus pensamentos por completo, distraindo-a daquela maneira quando tinha tanto a dizer.

– Seria enfadonho deixar a agitação da cidade e morar definitivamente em Apple White? – ele arriscou, abrindo também o colete dela para desprender mais botões da camisa, por considerar muito pouco o pedaço de pele que beijava.

– Moraria em definitivo com você onde determinasse my lord... – sussurrou, sentindo seu rosto em chamas. Precisava agir antes que a coragem se esvaísse. – Mas antes precisamos...

– Ir à igreja – ele a cortou mais uma vez, acariciando-lhe o colo. – Se não sou velho demais, nem onde moro é considerado um lugar aborrecido, não temos restrições my lady. Somente obrigações... Precisamos comunicar nossa decisão à baronesa, às minhas irmãs, à rainha e deixar correr os proclamas.

As palavras foram recebidas como um jorro de água fria que afogava sua frágil confiança, porém Isabella não teve tempo de lamentar ou ver seu desejo mitigado. Num movimento preciso, Edward a girou sobre o banco, erguendo-a para acomodá-la sobre suas coxas. Ao apertá-la contra uma iniciada rigidez e afundar o rosto no vão de seus seios, Edward nublou o que restava de seu entendimento. Contudo, ainda que seu plano tivesse naufragado, ela resistia e movida por um último fio de esperança em manter aquele relacionamento improvável, sussurrou:

– Não seja precipitado, Edward. Não sou alguém que se possa apresentar a uma mãe, muito menos à rainha. Pense com carinho em minha alternativa... Seria melhor para nós dois se me mantivesse como amante.

Novamente não, o nobre pensou exasperado. Porém, antes que o aborrecimento ganhasse força, Edward decidiu usar o disparate em seu favor. Procurando pelos olhos negros, indagou:

– Seria melhor que eu a escondesse de todos e a encontrasse fortuitamente em dias pré-determinados?

Tendo-o tão perto, a ampará-la pelas costas, sua vontade se perdia, porém para Isabella aquela voltou a ser a única opção aceitável.

– Seria mesmo o melhor... – falou mirando a boca entreaberta tão perto da sua. – Há tanto que eu preciso lhe dizer... Quando me ouvir verá que tenho razão. Eu viveria por você e ficaria sempre a sua espera. Seríamos felizes Edward, sem que com isso eu lhe trouxesse problemas.

– Você seria feliz sendo minha amante? – Edward insistiu, abrindo-lhe completamente a frente da camisa para expor o espartilho que ela vestiu sem o costumeiro chemise.

– Seria feliz tendo você! – Isabella afirmou, fechando os olhos ao receber um beijo na base de sua garganta. Animava-se por seu barão estar finalmente considerando a proposta quando a pergunta seguinte a enregelou.

– E enquanto feliz me aguardasse, não se importaria que eu estivesse em casa com minha esposa, fazendo o mesmo que fazemos agora?

– Se insistisse em se casar... – ela retrucou rapidamente e deu de ombros, ressentida; o coração a protestar.

– Sendo assim eu poderia sentar minha esposinha sobre o colo exatamente como agora... – languidamente correu o couro de suas luvas sobre os elevados seios, ombros e braços seguindo cada ação com o olhar enlevado antes de acrescentar: – Eu também a admiraria e então a amaria... Já que você não se importaria.

– Pare Edward! – a moça finalmente explodiu com voz embargada, segurando-o pelo rosto para que a olhasse. – Por que me tortura dessa maneira? Sabe que eu odiaria se fizesse essas coisas. Você não é obrigado a casar... Não precisa de uma esposa.

– Sim, eu preciso Bella... – Edward murmurou conciliador, encobrindo toda a sua satisfação em vê-la exasperada. – Nunca pensei a respeito, mas também nunca quis ser solteiro pelo resto de meus dias. Caso não aceite meu pedido, por mais que a ame e nosso arranjo funcione, cedo ou tarde terei que escolher uma esposa.

– Não, não tem. – Isabella teimou enciumada. – Se me ama pode muito bem ficar somente comigo. Eu seria como uma esposa para você...

Quanto àquilo o barão não tinha dúvidas, afinal nos últimos dias ela o tratava como um marido. Era atenciosa, amorosa e companheira, mas não era oficial. Sua decisão há muito tempo fora tomada; não a queria de forma ilegítima.

– Ser como uma esposa não me basta. Quero uma de verdade. Sinceramente prefiro me casar com você. Já sabe que minha palavra é única e desde o início deixei claro que não haveria aventuras para nós. Avisei que não jogasse comigo, nem tentasse desmerecer o que lhe propunha.

– Como poderia desmerecer? – Isabella perguntou derrotada; intimista. – Você é o amor da minha vida.

A nova declaração trouxe um travo à garganta do barão, dando-lhe força para ir adiante, pois estava muito perto de conseguir seu intento.

– Sendo assim não relute – pediu rouco. – Não se preocupe com minha mãe, muito menos com a rainha. Eu mesmo pouco a conheço... Não quero alguém que tenha um dote, que me traga terras ou proponha me ingressar na política. Quero tão somente você Bella... Mas juro por Deus e pelo amor que lhe sinto que não ficaremos juntos ilicitamente, então... Se não quer ceder um espaço que é seu, aceite meu pedido e nunca mais repita essa sua proposta absurda.

– Nada no mundo me faria mais feliz do que me casar com você my lord, mas antes precisamos conversar... – ao menos tinha que se revelar e então ele lhe decidiria.

– Essa declaração é um sim? – Edward não estava disposto a ouvir velhos argumentos. Preferia fazer uso do anel que colocou no bolso de seu colete naquela manhã. – Você quer se casar comigo Isabella Swan?

– Sim, Edward. Eu quero, mas...

– Sem mas – ele a interrompeu já a vasculhar seu bolso. – Ouvirei o que tem a dizer depois, agora... Dê-me sua mão.

Com a respiração suspensa Isabella agiu movida pela incredulidade, pois não podia acreditar que o barão carregasse um anel. Qual não foi sua surpresa ao ver os dedos enluvados surgirem do pequeno bolso que abrigava o relógio de ouro, trazendo a delicada peça.

– Edward... – murmurou comovida enquanto ele deslizava o anel por seu dedo anelar.

– Agora tem um compromisso comigo Isabella Swan – o barão anunciou igualmente emocionado por ver a mulher que amava receber seu anel. Segurando-lhe a mão, beijou-lhe os dedos demoradamente.

A cada gesto o barão a deixava sem palavras. Havia caído numa nova cilada; daquela vez montada com seu próprio ciúme, mas não poderia ser diferente. Não o queria com outra mulher, ainda que não prestasse para ele. Depois o barão a ouviria e, caso a aceitasse, resolveriam os rumos daquele compromisso. Naquele instante, porém, Isabella não desejava pensar em nada que não fosse o momento em si. Sem que pudesse evitar chorou ao ver realizada a cena que por inúmeras vezes vivenciou; em sonho ou devaneio. Ela era a garota mirrada, metida num vestido surrado, inocente para as maldades do mundo que finalmente recebia um anel perfeito de seu amado baronete.

Ao erguer os olhos da pérola negra que ornava seu anel, Isabella encontrou o olhar de Edward. A intensidade vista nos olhos azuis a lembrou que não era uma garotinha e, sim, uma mulher formada, muito desejada. A realidade poderia não ser perfeita, mas era única. Seguindo o gesto, beijou seu novo presente antes de abraçar o barão palpável e o beijar.

De fato as surpresas de Isabella não findavam. Edward estava pronto para consolá-la e então se via abraçado fortemente e beijado de forma quase violenta depois de ter sua alegria renovada ao ver sua noiva demonstrar carinho pelo símbolo de seu compromisso. Feliz, o barão quis tão somente se entregar ao desejo por sua noiva que o inflamava, enrodilhando-o pelo quadril.

– Bella...

Para os ouvidos da moça o barão pareceu rugir com sua voz rouca antes de beijar-lhe o colo e baixar o bojo de seu espartilho para livrar seus seios de cumes hirtos. Edward provou cada um deles com deliberada lentidão, arranhando-lhe a pele até que a fizesse se perder nas brumas de um antecipado gozo.

– Vamos para casa – ela praticamente implorou num gemido entrecortado, ainda a estremecer nos braços do barão.

– Vamos. – Edward anuiu prontamente.

Envaidecia-o aquela entrega fácil, mas não a possuiria ali. Melhor seria trancá-la em seu quarto ou levá-la até a lagoa onde tudo começou para se amarem sem reservas e então finalmente ouvisse o que ela tinha a dizer.

Isabella sorriu satisfeita e prendeu os lábios dele para um último beijo. Ainda o apertava de encontro ao dorso exposto quando ouviu um chamado distante. Estava dispersa então somente acreditou ser real ao sentir Edward se retesar em seus braços e erguer a cabeça em expectante espera. Ambos se olhavam arfantes quando a voz chegou até eles com maior nitidez.

Sir Masen! – era Jacob.

– Minha nossa! – Isabella saltou do colo do barão de volta ao banco, alarmada; estava praticamente despida. Com dedos trêmulos abotoava a camisa o mais rápido que podia enquanto o barão se pôs de pé e passou a caminhar de um lado ao outro.

– Por todos os santos! – exclamou contrariado. – O que Jacob pode querer aqui?

Sir Masen! – ouviram mais uma vez. – Onde está?

– Ele parece alarmado. Algo aconteceu. – Isabella comentou, sentindo um calafrio estranho cruzar por sua coluna, levando embora os resquícios do prazer sentido. Como que para confirmar, ouviram uma segunda voz, um pouco mais próxima.

– Senhor barão!

– Mark?! – Edward estranhou e, abandonando sua contrariedade, tratou de conferir o estado de suas roupas antes de capturar os chapéus largados ao chão e olhar para Isabella que finalizava o abotoar de seu colete. Entregando-lhe o chapéu de palha, comentou. – Parece que tem razão. Sente-se pronta para montar?

– Sim... – não era de todo verdade, pensou ajeitando o chapéu sobre seus cabelos. Suas pernas estavam trêmulas, mas não havia tempo para recuperação. O ocorrido parecia de fato ter sido grave para que dois criados de Apple White viessem à procura de seu patrão num dia de descanso.

Por mais que não confiasse na afirmação, o barão vestiu o próprio chapéu, desamarrou Luna e estendeu as rédeas para a moça, antes de desprender Draco e montá-lo, preocupado com as vozes que ainda o chamavam.

– Não precisa correr – ele recomendou ao ver a moça tomar à dianteira. – Não quero que se machuque nos galhos. Assim que sairmos para o caminho, eles nos verão.

Da forma que narrou se deu; tão logo despontaram do caminho de terra batida, os criados gritaram seu nome com profundo alívio e se aproximarão mesmo que separados pelas fileiras de macieiras.

– O que houve Jacob? – Edward indagou sem encobrir o aborrecimento.

– Problemas na sidreria, Sir. – respondeu-lhe antes de correr os olhos aflitos para Isabella. Caso fosse sua intenção cumprimentá-la o moreno nada disse, pois seu patrão o interpelou ainda mais impaciente, levando o andaluz a trotar no lugar, agitado como seu dono.

– O que houve?

– Um dos tonéis se partiu – foi Mark quem respondeu ao se aproximar.

– Não acredito! – Edward bradou. Antes que qualquer um deles reafirmasse o ocorrido, o barão se voltou para a moça. – Lamento deixá-la, mas tenho que ir...

Isabella apenas assentiu num manear de cabeça, muda por imaginar o caos no qual a sidreria deveria estar mergulhada. Edward ainda lhe lançou um último olhar pesaroso, antes de se dirigir a Jacob.

– Escolte-a até que esteja em casa. Mark, você vem comigo.

Sem mais despedidas o barão incitou o cavalo a partir e então o fez correr. Isabella ainda se manteve no lugar, vendo-o se inclinar sobre a sela ganhando com o movimento mais velocidade. Mark o imitou e o seguia sem esforço até que ambos cruzassem o portão distante e sumissem de vista.

– Bom dia senhorita – a voz de Jacob a sobressaltou. Olhando enfim para o moreno, ele se desculpou. – Lamento ter interrompido o passeio.

– Bom dia Jacob... – ela respondeu meio vaga.

– Não se assuste – ele a reconfortou. – Sir Masen sabe lidar com os problemas que ocorrem no galpão. Podemos ir agora? Também quero ajudar.

– Sim, claro! – Isabella se obrigou a mover Luna; estava de fato preocupada.

Acreditava que administrar a sidreria não fosse fácil, mas jamais imaginaria que ela gerasse tantos transtornos. Aquela não era a primeira vez que eles tinham um passeio interrompido por algo urgente que lhe roubava a companhia do barão.

– Acha que consegue correr um pouco mais? – Jacob novamente a resgatou de seus pensamentos. – Tenho assistido às suas aulas e ontem se saiu muito bem na corrida até os muros.

– O que aconteceu é mesmo grave, não é? – comentou ao reparar no quanto o criado estava impaciente por escoltá-la.

– Sim, senhorita – ao responder ele claramente procurou por palavras e deliberou consigo mesmo, antes de acrescentar. – E acredito que o barão terá problemas maiores, pois se fala em sabotagem. Há até um suspeito e eu gostaria de estar lá caso o barão o interpele.

– Sabotagem?! – Isabella repetiu aflita, incitando Luna a acelerar o passo. Sendo facilmente acompanhada, indagou. – Acha que esse suspeito pode ser perigoso?

– Acalme-se. O barão não corre riscos reais, pois não estará sozinho.

Aquilo foi o que ele disse, mas a moça sentia que havia mais. Com o coração fundo no peito o interpelou:

– Tudo bem, Jacob. Ele não estará sozinho, mas...?

– Mas, nessas ações onde provavelmente se envolve dinheiro e guerras de interesse, eu confio apenas em mim para protegê-lo.

Com suas palavras Isabella se desesperou de vez.

– Sendo assim, por que não foi com ele? Vocês deveriam ter me deixado com Mark.

– Jamais aconteceria senhorita, pois Sir Edward também confia apenas em mim.

Edward levava Draco a correr o máximo que conseguia dividido entre a preocupação com sua sidra perdida e a irritação por ter deixado Isabella para trás naquele momento tão decisivo. Nunca imaginou que um dia o aborrecesse ter que cuidar do que se passasse no galpão; ao que parecia o dia havia chegado, pois preferia estar com sua noiva, ao invés de seguindo para a sidreria na companhia de Mark, que nem ao menos trabalhava no galpão ou na adega.

– Não saberia me dizer o que aconteceu, não é mesmo? – indagou ofegante, imaginando que ter um resumo adiantado o ajudasse antes de sua chegada.

– Infelizmente não Milord – lamentou. – Apenas me ofereci para ajudar a encontrá-lo. Quem tem os detalhes é Jacob.

– Obrigado por ajudar – o barão agradeceu e deitou-se mais sobre o dorso de Draco, ajudando-o a ir mais rápido.

Evidente que os funcionários da sidreria se reportariam ao seu criado pessoal. Jacob saberia lhe descrever o que havia acontecido, porém não deixaria nenhum outro imbuído de acompanhar sua noiva, senão alguém de sua inteira confiança. Com um bufar exasperado, Edward se conformou de que seria preciso chegar ao galpão para saber do ocorrido.

Percorreu o restante do percurso em silêncio. Tão logo Mark desmontou e abriu o portão de sua propriedade, agradeceu-o e o liberou para que voltasse ao que fazia antes de sair à sua caça. Sem esperar por respostas, seguiu até a sidreria. Encontrou alguns trabalhadores sentados do lado de fora e antes mesmo que desmontasse o odor característico da bebida ainda em fase de fermentação atingiu seu nariz. Torceu-o involuntariamente enquanto amarrava Draco diante do galpão. Então, deixou seu chapéu sobre o pito da sela, respondeu aos cumprimentos que recebia e entrou.

Seguiu guiado pelas vozes e o cheiro que gradativamente aumentava ao se aproximar. Logo Eleazar Denali, que vinha no sentido contrário amparando um colega, o parou.

– Bom que chegou Milord, mas é melhor não seguir a diante. Estávamos tentando limpar tudo por lá, mas é praticamente impossível respirar.

– Evidente! – exclamou seriamente olhando em volta, sentindo ele mesmo o ar rarefeito pela emissão do álcool e do gás carbônico contido no líquido derramado. – Alguém se lembrou de abrir todas as portas e janelas?

Sabia não ser o caso, pois mesmo que não soubesse o horário do acidente, caso aquele cuidado fosse providenciado o ar já estaria respirável.

– Não Milord – Denali respondeu. – Providenciarei num instante.

– Agora não precisa mais – retrucou o barão perscrutando o rosto pálido do trabalhador amparado. Parecia que ele queria lhe dizer algo, mas estava completamente sem condições. – Leve-o para fora que eu assumo daqui.

– Não vá ainda Lord Masen – seu funcionário pediu. – Vamos esperar algumas horas.

– Não temos horas. – Edward replicou já erguendo as mangas de sua camisa para seguir em frente.

O cheiro de fato incomodava e o ar era escasso, porém caso respirasse pausadamente, conseguiria chegar até a porta dupla dos fundos. Com poucas passadas já pisava sobre o líquido esparramado. Naquele ponto o cheiro era ainda mais forte, mas conseguiu seguir a diante. Quando o álcool lhe provocou náuseas, Edward retirou o lenço de seu bolso e cobriu o rosto, tapando boca e nariz. Ao chegar às portas, escancarou-as e saiu para o terreiro à procura de ar puro. Somente então percebeu que suava. Também se sentia tonto, então, antes que caísse se sentou mesmo no chão e fechou os olhos. Permaneceu assim até que ouvisse o ranger das portas. Ao olhar em frente viu que estas foram fechadas por um de seus homens.

– Deixe como está! – ordenou com voz rouca; ainda tonto. – Temos que ventilar a adega.

– Acho que não barão – disse o trabalhador ao se voltar.

Vendo-lhe o rosto, Edward soube que era o novato. Alec Gruen era seu nome. Estava na sidreria há cinco meses, tempo mais do que suficiente para saber como agir em situações como aquela. E com certeza em todo o tempo de sua pouca idade, deveria saber que não se discordava do patrão. Ainda que se sentisse um tanto fraco, Edward levantou para encará-lo.

– Eu acho que você não entendeu – disse pausadamente; o estômago a dar voltas. – Não pedi sua opinião. Abra a porta.

– Perdoe-me barão, mas eu acho que vou deixar como está – o rapaz loiro, tão alto quanto ele, abertamente o desafiou.

Aquela foi a segunda vez que o novato se referiu a ele como barão; sem nenhum tratamento formal antes ou depois do título. Edward conhecia apenas um que se dirigia a ele daquela maneira. Enquanto sustentava o olhar castanho do rapaz, o barão enumerou mentalmente todos os incidentes que vinham ocorrendo em sua sidreria nos últimos tempos. Contratempos sempre existiram, mas as perdas do material que repassava aos fazendeiros, as rachaduras e agora a quebra real de um tonel se deram nos últimos meses. Não era preciso ser muito esperto para deduzir o óbvio.

– Abra a porta – ordenou mais firme, mesmo que ainda não se sentisse bem.

– Venha abrir. – Alec o incitou.

– O que pretende garoto? – o barão indagou impaciente, avançando em sua direção. – Nós dois sabemos que me desafiar não o levará a lugar algum. Vou abrir essa maldita porta, limpar a bagunça que arranjou e...

– Não vai barão... – ciciou o outro, abaixando-se para atacá-lo.

Edward esperava pela ação e se preparou para ela, contudo o mal-estar o privou de sua agilidade, tornando-o um alvo fácil. Seu oponente, sabendo de sua debilidade o atingiu exatamente no estômago. Talvez por algum nervosismo, ou mesmo falta de força, o golpe do rapaz levou o barão a se curvar de dor, mas não o derrubou permitindo que segurasse o punho que descia em direção ao seu rosto.

Relutando em se manter de pé, Edward ainda socou o garoto, duas vezes seguidas, antes de igualmente ser atingido no canto da boca. Aquela investida veio mais forte, partindo seu lábio e o levando a cambalear. O barão iria investir contra o garoto quando ele encerrou a briga, sacando uma pistola das costas e apontando em sua direção.

– Já chega barão. – Alec sentenciou ofegante.

– Não se aponta a arma para um homem durante uma luta se não há a intenção de usá-la. – Edward retrucou. Respirava com maior dificuldade sentindo o gosto de sangue em sua boca e tendo o estômago a doer fortemente agravando a náusea, porém não se curvou perante seu atacante. A despeito das dores sentidas, endireitou os ombros e indagou altivo. – Era essa sua intenção desde o começo? Matar-me?

– Não barão – ele negou. – Nem era para estar aqui.

– Pois já que seu plano mudou, o conclua e me mate, pois quando colocar minhas mãos em você eu não responderei por meus atos.

Não seria uma arma apontada para ele por mãos trêmulas que o deteria. Enraivecido, avançou na direção de Alec. Antes que desse o segundo passou ou seu oponente reagisse, Edward viu toda a ação acontecer a uma só tempo. A porta do galpão abriu bruscamente, chamando a atenção do rapaz tarde demais. O barão saiu de sua rota instintivamente e tal reflexo salvou seu peito de receber a bala disparada acidentalmente, porém esta ainda atingiu seu braço, abaixo do ombro.

– Desgraçado! – Edward blasfemou ao derrubar o rapaz com uma desequilibrada rasteira, quando este tentou correr.

Jacob, que havia aberto a porta, adiantou-se e atingiu o agressor com uma coronhada de sua própria pistola.

– O que já está fazendo aqui? – o barão perguntou agastado. – Não pedi que levasse Isabella até em casa.

– “Obrigado” seria a palavra, sir. – Jacob retrucou inabalável.

Seria caso saber que ameaçaram algo que lhe era tão importante não o tornasse super protetor com tudo e todos que lhe eram caros. Segurando o braço ferido, arriou os ombros e encarou o amigo.

– Obrigado, Jacob! Você provavelmente salvou minha vida.

– Não fiz mais do que minha obrigação Sir Masen. – o moreno disse sem orgulho ou vaidade. Então, descendo os olhos para o braço ensanguentado, indagou. – Como está o braço. Foi de fato atingido?

– Não – Edward moveu a mão para analisar o sangue em sua luva e camisa; o ferimento doía, mas fora superficial. – Passou raspando.

– Sendo assim, deixe-me fazer uma coisa.

Sem esperar pela permissão de seu patrão, o criado se aproximou e, depois de rasgar a manga suja e danificada, rasgou uma larga tira e com ela envolveu o machucado que ainda vertia sangue, para estancá-lo.

– Isso deve bastar até que veja um médico e resolva outro problema.

– Vamos cuidar de tudo aqui antes de pensarmos em médicos – a adrenalina e o enjôo não o demoviam de suas obrigações. – Veja se consegue alguém para amarrar este estafermo e se conseguir, abra as janelas para que possamos limpar a bagunça que ele fez. Vou saber com Denali como Gruen veio trabalhar para mim.

– Lamento dizer que eles estavam juntos Sir Edward. – Jacob contou, cutucando a perna do rapaz caído com a ponta de sua bota.

– Como disse? – o nobre imaginou não ter ouvido corretamente. – Denali trabalha aqui desde o tempo de meu pai.

– Sim, Sir Edward. Denali parece ser alguém de confiança – o criado concordou, e assumindo o mesmo ar debochado com o qual provocava seu amigo, acrescentou. – Quando ele despertar e explicar o que imaginava quando estava prestes a danificar outro tonel eu peço desculpas por tê-lo nocauteado.

Esfregando as mãos nervosamente para espantar o frio que enregelava suas palmas, Isabella caminhava de um lado ao outro pela varanda a frente da casa. Nero, ressentido pela falta de atenção, a acompanhava com o olhar fixo, sentado sobre as patas traseiras. A moça já estava arrependida de ter brigado com o galgo ao chegar, mas estava nervosa. Tanto que o frio sentido vinha de dentro, não da brisa daquele final de manhã outonal.

Havia se passado mais de uma hora desde que se separou de Jacob ao entrar em Apple White e ainda não via nenhum sinal dos dois. Sentia o peito aflito e somente sossegaria quando visse Edward aparecer no caminho. Não gostou do que o criado lhe disse justamente por essa razão se aventurou a correr o máximo que pôde e dispensou sua companhia tão logo cruzaram os portões. Jacob ainda tentou argumentar, mas a jovem foi irredutível, lembrando-o de que seu patrão talvez estivesse precisando mais de sua ajuda do que ela.

Enquanto percorria a extensão da varanda, a jovem rogava que o desespero sentido fosse somente sugestionado por sua preocupação. Calafrios corriam seu corpo somente por imaginar que o citado sabotador pudesse ferir seu barão. Se algo acontecesse a Edward a culpa seria sua. Caso não fosse uma covarde, tudo o que desejou dizer naquele dia já teria sido esclarecido então ele não a teria levado tão longe para conversarem. Com Edward na propriedade talvez o boicote criminoso não tivesse sido viável.

– Isabella – Marie chamou às suas costas. – Venha trocar de roupa e tomar o chá que lhe preparei. Está em seu quarto.

– Em meu quarto – ela repetiu num murmúrio.

– Sim – ela insistiu, aproximando-se. – Se é assim que o barão o vê, eu também o considerarei. E pelo o que pude notar desde que vim chamar-lhe pela primeira vez, agora é oficial.

Isabella sabia que ela se referia ao anel que ainda acariciava.

– Pois é... – começou em baixo tom.

– Meus parabéns! – Marie cumprimentou contente. – Fico feliz em ver que estava errada e ainda mais por Lord Masen fazer o que é certo. Já que comprometeu sua honra, deve reparar o erro.

– Ele não está reparando erro algum – disse para si, distraída. Novamente olhando o caminho. – Queria que tudo pudesse ser diferente, mas não tive como negar.

– Não parece muito feliz – a governanta comentou, analisando-lhe o rosto. – Outra em seu lugar estaria exultando.

– Estou feliz, acredite! – Isabella esboçou um sorriso para a boa criada. Então voltando a ficar séria, acrescentou. – Mas se não o amasse tanto, de uma forma tão egoísta, deixaria mesmo era o caminho livre para outra desse a Edward o que eu provavelmente vá tirar.

– Sinceramente não estou entendo nada do que diz Isabella. – Marie tocou-a no braço, gentilmente a forçando a andar, como se fosse uma incapaz. – Acho que está abalada pela demora e o noivado. Venha antes que o chá esfrie. Asseguro-lhe que seu noivo logo estará de volta. Lord Masen está acostumado a lidar com os assuntos da sidreria.

A moça achou por bem se manter calada e ceder ao chamado da governanta. Nada mudaria por se lamentar quando sabia que não abriria tal espaço para outra mulher, mesmo que não se casasse com o barão. A menos que ele não a aceitasse em sua vida depois que se delatasse, contudo, caso se desse ao contrário, o convenceria a viverem na clandestinidade.

Poderia vender seu bordel a alguém que tratasse suas meninas com algum respeito para então se afastar daquela vida definitivamente. Talvez pudesse viver do arrendamento de suas duas propriedades, pois não permitiria que Edward a sustentasse. Ou até, morasse numa delas e finalmente se dedicasse à criação de ovelhas. Aquele era um sonho acalentado por anos e protelado por ainda não ter razão de mudar; seu barão era uma boa razão.

Já no quarto, ela tentou calar seus pensamentos quanto às suposições e tratou de beber o chá servido por Marie. Como em todas as misturas feitas pela prestativa criada, seu aroma era bom e ao final se notava uma leve nota de hortelã. Sentindo-se pacificada, Isabella estendeu pires e xícara à governanta.

– Perfeito como sempre Marie. Qualquer dia precisa me ensinar essas suas receitas de chá. Do que era esse?

– Camomila – disse prontamente, ao levar a delicada porcelana e pousá-la sobre a bandeja.

– Camomila? – Isabella se levantou e começou a desabotoar o colete antes de acrescentar. – Apenas camomila? Senti outro sabor. Aliás, eu o sinto em praticamente todos os chás que me traz.

– Deve ser o poejo. Ele tem um leve sabor de hortelã.

– Não me lembro dessa erva, mas então é isso. – Isabella comentou. Tentava apenas se distrair da sua real questão; o que estaria acontecendo no galpão.

– Bem, agora que parece mais calma, posso lhe trazer o almoço? Ou descerá até a sala de jantar?

– Acho que esperarei por Edward, Marie.

Evitando olhá-la após ter tirado a camisa e exibido o dorso vestido apenas no espartilho, a governanta a lembrou:

– Bem sabe como o barão pode demorar quando está na sidreria. Acho que não deve esperar.

– Sei disso – a jovem reconheceu com o coração fundo no peito –, mas de toda forma estou sem fome, obrigada!

– Não aceito que esteja sem fome. – Marie retrucou ainda que amável. – E sei que Milord também não aceitaria. Não há razão para...

Tímidas batidas contra aporta fechada a fez se calar. Isabella parou em meio ao processo de retirar a calça de montaria e esperou que a governanta fosse atender quem quer que fosse. De onde estava a jovem entreviu uma criada baixinha que tentou olhar o interior do quarto por sobre o ombro de Marie.

– Obrigada, pode voltar à cozinha Amy. – Marie a dispensou com tom severo.

– Sim, senhora Newton.

Isabella a ouvir dizer antes que aporta fosse fechada e a governanta, de expressão sisuda, se voltasse com uma pequena bandeja nas mãos. Sobre ela a moça viu haver um pequeno envelope, lacrado com cera vermelha. Antes que o pegasse, ela já sabia de quem se travava, pois conhecia aquele selo.

– Edward me mandou um bilhete selado? – indagou intimista ao pegar o papel.

Ao ter o envelope diante de si já tremia, então sentou na beirada da cama antes de abri-lo. Previa que não seriam boas notícias.

Querida Bella

Envio-lhe este somente para que não se assuste com minha demora. O acontecimento seguinte à quebra do tonel deixou de ser minha responsabilidade, tornando necessária a presença do inspetor de polícia. Terei que esperá-lo e talvez acompanhá-lo até Westking.

Espero que toda a ação não tome muito de meu tempo, contudo temo que minha esperança seja vã. Com isso conto que não me espere para as refeições, nem se preocupe em demasia. Tão logo esteja livre voltei para casa.

Com amor seu lord.

P. S. Mandar-lhe-ia um beijo, porém prefiro entregá-lo pessoalmente.

Se com aquele bilhete, Edward quis distraí-la, ele atingiu seu intento. Preocupava-se em saber que Jacob estivesse certo e que a polícia tivesse que ser envolvida, mas folgava em ver que o barão estava bem e ansioso em vê-la. Ao dobrar o papel a jovem tinha o coração inflado no peito e um sorriso iluminando seu rosto. Seu contentamento era tamanho que ela acreditava que sorriria para sempre; seu lord. Era o que Edward sempre foi e sempre seria. Tanto amor não lhe voltaria às costas e aquela certeza fez reascender em Isabella a esperança esmorecida.

– Se não for incômodo – disse a Marie que a encarava entre expectante e animada com sua súbita alegria. – Traga aqui o que prepararam para o almoço. Agora, pode-se dizer que estou faminta.

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SPOILER

– Infelizmente. – Edward murmurou ainda de olhos fechados. – Ele estava roubando o bagaço que repasso aos fazendeiros, para vendê-lo nas cidades vizinhas.

– Sinto muito Edward! – Isabella lamentou tirando o pano quente de sua testa.

– Eu também sinto! O senhor Denali trabalha na sidreria há anos, era amigo de meu pai... Estive com ele praticamente toda a minha vida e descobri não conhecê-lo.

A decepção estava em cada palavra levando Isabella a se sentir tão desleal quanto o antigo criado; retornando o pano enxaguado e fresco à testa febril, indagou:

– Por que o perdoou?

– Eu o perdoei apenas por estar velho demais até mesmo para ser preso. E também por sua esposa que se ocupa de criar porcos no terreno que lhes cedo. Ela não tem que pagar pelos erros do marido.

– Foi um gesto muito nobre de sua parte – murmurou, correndo os dedos pela borda da bacia; o barão seria benevolente com ela?

– Não se iluda Bella – o pedido lhe trouxe um sobressalto, era como se ele novamente lesse sua mente. – Não fui magnânimo como possa lhe parecer. Apiedei-me da Sra. Denali, mas em parte. Não queria que ela se tornasse um estorvo, pois caso seu marido fosse preso ela seria minha responsabilidade, afinal seus filhos se perderam pelo mundo.

– Entendo – ela murmurou intimista; inquieta deixou a cama para pegar o bálsamo; precisava se ocupar.

– Quanto ao senhor Denali não foi a piedade que me moveu. – Edward prosseguiu sem ouvi-la. – Eu o rebaixei de posto, pois toda a consideração e confiança que depositava nele não mais existem. Mas não o demitiria, pois o quero sob minhas vistas. Não poderia deixar alguém que conhece tanto sobre minha sidreria livre para ser novamente usado contra mim.

– Acha que tentarão novamente? – Isabella tentou se concentrar no assunto. Depositando a bacia sobre o aparador, passou a separar os paninhos que usaria e comentou. – Você disse que o outro está preso.

– Sim, ele está preso, mas não entregou o mandante. – Edward ciciou, retirando o pano de sua testa, raivoso. – E o cretino com certeza tentará algo.

Ao final do relato, feito em tom raivoso, Isabella comentou solitária.

– Uma pena... E você tem um suspeito? Seria alguém que trabalha para você e por isso não o delataram?

– Não... – o barão ciciou, quando ela já voltava com o frasquinho e um pano branco. – O traidor não disse, nem eu pude nomeá-lo para não incorrer calúnia, mas tenho certeza que o mandante é Laurent Hunt.

Ao ouvir o nome, os sentidos de Isabella falharam por um segundo, levando-a a estacar e deixar cair o que tinha em suas mãos. Deixou sua decisão nas mãos do destino e ele prontamente lhe indicava o que viria; uma nova separação incitada por Laurent Hunt.

Notas finais
Bem... Espero que tenham gostado. Edward, acreditando ter tempo e feliz em "prender" sua borboleta, deixou para depois a conversa que tanto esperou. Bella por sua vez vê o cerco cada vez mais se fechar. E agora essa sabotagem... Vamos vendo o que virá!... ;)Qlq coisa comentem; responderei com prazer... Bjus suas lindas, bom final de semana!