Borboleta Negra
77 Capítulo Quarenta e Cinco - Parte II
Notas iniciais
Oie... Desculpem a demora, mas novamente os trabalhos se misturaram e embolaram toda minha vida, eu desenrolo...
Sempre que puder trago novos capítulos. Obrigada pelos comentários e pela compreensão.
Bjus... :)
BOA LEITURA!
Por não saber como se davam as relações entre os cunhados, Isabella novamente rogou para que Rosalie mantivesse a discrição. Seu pedido silencioso foi esquecido ao entrarem na saleta e seu noivo fechar a porta e trancá-la à chave.
– Edward...– Estava correndo, Isabella?! – ele a interrompeu, consternado, num murmúrio. – Onde estava com a cabeça para correr quando a vida em você é ainda tão frágil?– Eu estou bem! – ela assegurou enquanto Edward a levava até para que se sentasse. Reflexiva, ela pousou as mãos no ventre. – Não me esforcei tanto.– Não deve se esforçar de forma alguma. Não pensou nos riscos? – Edward voltou a murmurar ao se sentar ao lado e pousar as mãos sobre as dela. – Nem quero imaginar o que poderia acontecer se...Isabella percebeu que o murmurar era apenas para que não os ouvissem. Cuidado sempre necessário, porém adotado com atraso. Tocada pela preocupação, e por saber que Edward consternava-se pelo motivo errado, olhou-o e lhe tocou o rosto.– Shhh... Nada vai acontecer. Já lhe disse que estou bem. – Segurando-lhe a mão, suspirou. – Temos algo importante a conversar.– O que pode ser mais importante do que um filho nosso.Isabella se comoveu com o cuidado. Ela queria poder se atirar pescoço de seu noivo é beijá-lo por ser especial, contudo, não dispunham de tempo, então disse sem rodeios:– Não mais, porém é importante. Hoje Embry citou Carlisle na frente da baronesa.Edward escrutinou-lhe os olhos por um instante, então bufou, levantou e passou a andar de um lado ao outro, pensando. De fato a vida que crescia em Isabella – e queira Deus que nada acontecesse a ela –, no momento era o mais importante, mas a delação de Embry era de suma relevância. – Como foi? – indagou num murmúrio.– Embry não fez por mal – Isabella se sentiu no dever de defender o filho. – Estava apenas animado com a iminência de conhecer o duque e o conde, então citou Carlisle num comentário sobre eu sempre dizer que ele não era da família.Particularmente Edward apreciava tal cuidado, mas não se apegaria ao detalhe. Conhecia sua mãe o suficiente para saber que não ocultaria seu espanto, nem mesmo diante do neto.– E como Embry reagiu?E lá estava a vontade de beijá-lo. Em meio à tamanha confusão Edward se preocupava com Embry. Por certo que Isabella temia o futuro, mas não poderia imaginar outra manhã na qual fosse tão feliz. – Talvez se mostre temeroso quando vocês estiverem a sós, mas por enquanto ele está bem – disse, admirando-o. – Embry não tem como saber a gravidade de seu comentário.Edward assentiu.– E o que disse a minha mãe?Isabella suspirou e narrou como tudo se deu. Ocultou o oferecimento da pequena fortuna, mas disse que sua resposta contentou a baronesa que prometeu nada dizer em consideração ao filho. Contou ainda sobre os presentes de casamento, escondidos com a ajuda de Irina. Nesse ponto, mesmo enlevada, Isabella prestou atenção às reações do barão. Foi com alívio que não percebeu qualquer alteração em sua expressão.– Tolice perdoável – ele sentenciou. Era evidente que Irina ajudaria sua senhora a realizar uma conspiração tão infantil quanto infundada. Provavelmente mais criados seus soubessem dos presentes e Edward poderia imaginar as ameaças feitas para que não as entregassem a ele ou a Marie. Sim, era uma tolice, porém perdoável apenas enquanto tivesse algo mais importante com o que se ocupar. – Agora teremos de conversar com Carlisle o quanto antes – ela deu voz ao que realmente perturbava o barão. – Antes do casamento se possível. Se me permitisse, eu poderia ir até o banco...– Não considero prudente – Edward refutou a ideia também a manear a cabeça. – Alice não esconde sua curiosidade. Agora se ocupa com o pedido de Senior, mas ao seu menor movimento ela voltará os olhos para você.– Justamente por isso tem de ser eu a ir – ela insistiu. Agora que a ideia lhe ocorreu iria segurá-la como pudesse. Precisava de um momento a sós com seu bom amigo. Provavelmente seria o último. – Não vê? Alice está curiosa com o que se passa entre nós, não apenas comigo. Com você aqui, controlando a todos, ninguém poderá enviar um criado em meu encalço, por exemplo. Caso chegassem a tanto... Na casa, não estão apenas os seus criados.Por certo. Talvez ele estivesse errado até mesmo em seu pensamento anterior. A ajuda para ocultar os presentes poderia vir de criados hospedados, não os da mansão. Se assim fosse, talvez sua noiva tivesse razão. Entretanto aquele não era o único problema.– O casamento será daqui a dois dias – ele disse ao se pôr de pé. – Como faremos para tirá-la daqui sem uma sombra.Isabella entendeu o comentário. Alice era uma sombra constante. E agora, possivelmente Rosalie se tornasse outra. Antes que se consternasse, porém, uma nova ideia lhe ocorreu. Animando-se, Isabella se levantou e segurou seu noivo pelo braço.– No sábado eu faria com que Embry vestisse uma das roupas que compramos em Londres, mas eu poderia providenciar algo em Wisbury e então iria ao banco. Agora que a baronesa já sabe, eu poderia levar Embry comigo. Seria uma boa forma de ele estar com Carlisle. Quem sabe assim se aquiete. Poderíamos ficar fora por duas ou três horas, amanhã.
Edward não gostou da solução. Infelizmente não havia muito que pudesse fazer. Em especial por saber que Carlisle viria ao casamento. Se encontrasse uma desculpa para que eles fossem ao banco sem ocultar o fato, não causaria estranheza quando Embry o cumprimentasse com familiaridade.– Pensarei a respeito – Edward prometeu. Precisava destrancar a porta, mas ainda tinha algo que gostaria de entender. Mirando os olhos de sua noiva, pediu: – Agora me diga, como Rosalie a trata sem ressentimento.De súbito Isabella se sentiu enregelar, mas não tinha escapatória. Sem deixar de fitar os olhos azuis, disse:– Ontem, Rosalie ouviu o que conversamos. – Edward apenas uniu as sobrancelhas, talvez tentando se lembrar do que falaram. Como realmente não dispunham de tempo, ela revelou: – Ela ouviu meu comentário sobre o primeiro barão, Edward. E ela estava na casa na ocasião, viu parte da cena... Bastou pensar e...– Não! – Edward recuou um passo, lívido. – Ela não pode saber!– Ela sabe – Isabella confirmou, sentindo sua felicidade se esvair ante a reação do barão.– E você confirmou?! – indagou num incrédulo ciciar. – Diga-me que negou. Diga-me que deixou a dúvida ao menos.– Não tinha como – se sentiu pequena por fazê-lo sofrer. – Seria inútil, pois Rosalie já tinha elucidado o mistério, Edward. Insistir seria uma ofensa à inteligência dela. Eu sempre disse que éramos muito amigas...– Uma amiga para a qual você sempre quis revelar a verdade – salientou Edward, acusador.– Sim, mas por você jamais faria – Isabella retrucou veemente. Compadecia-se, mas não se intimidaria quando nada devia. – Como já disse e você bem sabe, ela estava aqui. Viu seu pai descomposto. E ela sabe que eu jamais me relacionaria com você sem que minha felicidade transparecesse. Eu era nova para ser dissimulada e Rosalie sabe disso. Nós crescemos como se fossemos uma só.Edward sabia e entendia, mas no momento não conseguia domar sua contrariedade. Muito estava em jogo para que todos soubessem a verdade. – E eu disse para minha irmã que colocasse Emmett a par da situação – ele sibilou ao desviar o olhar. – Quanta imprudência!– Rosalie não vai dizer nada nesse sentido, Edward – ela assegurou, rogando estar certa. – Não tivemos a chance de conversar melhor, pois os meninos estavam próximos, mas ela já deu mostras de que nada dirá. E eu confio.– E esse é exatamente o problema – Edward replicou, encarando-a duramente. – Você confia em Rosalie que confia em Emmett que talvez confie em seu valete e este ainda confie em outro criado. Por certo um dia ela há de confiar também nos filhos e assim os segredos se tornam públicos e logo toda Inglaterra saberá que... Você está rindo?Isabella não pôde evitar. Sentia por ele, compreendia o cuidado e a partir dali redobraria sua atenção para ter o mesmo, mas realmente confiava em Rosalie então não via razão para o exagero. Na tentativa de resgatá-lo do pessimismo, tocou-lhe o rosto ternamente e assentiu.– Sim, estou rindo, meu senhor – disse ainda a sorrir. – Toda Inglaterra? Tem certeza?– Tenho certeza de que me entendeu – disse fechando sua expressão numa carranca.– Por certo, Edward, mas não há nada a ser feito a não ser confiar. Depois conversaremos com Rosalie. Considero mais delicada nossa situação junto a Carlisle, pois ele de fato não é da família.Edward foi obrigado a reconhecer seu exagero. Se ele conseguia confiar na governanta, por certo confiaria em sua irmã; mesmo que esta não fosse silenciada por um juramento religioso. Com aquele detalhe sua decisão foi tomada. Não precisariam de novos contratempos.– Hoje pedirei a Jacob que leve um recado para Kelton e amanhã Embry e você irão até Wisbury. – Edward tentou ignorar o brilho dos olhos negros, porém, baseado no mesmo pediu: – Por favor, tente não demonstrar tamanho entusiasmo e evite falar sobre esse passeio. Não quero atrair a atenção de ninguém até que seja inevitável.Isabella assentiu e, por mais uma vez se sentir feliz, sem mais palavras atendeu seu desejo anterior e se atirou sobre seu noivo para abraçá-lo e beijá-lo. Apesar de surpreso com o ataque, Edward segurou-lhe a cintura e retribuiu o beijo.Enquanto as bocas se provavam, Edward sentiu sua contrariedade pouco a pouco findar. Isabella nada disse, mas estava certa. Estarem juntos, unidos, era o que contava. Infelizmente eram cúmplices em uma casa lotada.– Precisamos sair – disse em meio ao beijo, num lamento, antes de afastar o rosto para olhar sua noiva. Encontrar os olhos lânguidos e a boca úmida não colaborou com sua convicção, porém não tinha como se render. – Temos de ir.– Sim – ela disse também a assentir. – Preciso me trocar.Ao se afastar Edward a analisou, então sorriu mansamente.– Pelo visto os membros da família ainda não perderam o hábito de sujá-la no pomar, não é mesmo?– É um fato – Isabella se rendeu ao humor melhorado do barão. – Mas eu confesso que prefiro quando é o senhor a fazê-lo.– Sua preferência está anotada e jamais será esquecida.ѼOs casais estavam na sala rosa a esperar que o almoço fosse servido. As moças com vestidos limpos e penteados aprumados. O duque e o conde, asseados após a viagem, encontravam-se a um canto, conversando entre si. Sentada em uma das poltronas, Isabella analisava o grupo. Edward e Emmett eram os que mais se assemelhavam, e não por seus olhos azuis ou seus cabelos castanhos, sim, fisicamente. Dos três, Jasper atrairia mais a atenção de alguém que entrasse.Naquele momento era quem tinha a discreta avaliação de Isabella. Disfarçadamente a olhar o conde e a condessa, ela reparou que, além da discrepância na idade, eles em nada combinavam. Enquanto Alice era pequena, delicada e pálida como um rosa de estufa, o conde era grande, tinha a pele escurecida, como alguém que vivesse eternamente ao sol. Não alto em demasia – nesse quesito, ele e o barão perdiam para o duque –, contudo era largo, com peito e braços fortes destoantes se comparados à cintura. Mesmo que não o fizesse por sua nobre posição, Jasper seria obrigado encomendar todos os seus casacos, fraques, coletes e camisas. Ao concluir o pensamento Isabella olhou para Alice. Foi constrangedor encontrar os olhos da condessa postos nela e sem que pudesse evitar, corou fortemente.– Não se preocupe – disse Alice ao olhar para o marido. – Entendo sua curiosidade. Jasper causa esse efeito nas pessoas. E sei bem o que deve estar pensando. O que, em nome de Deus, eu poderia ter visto para desposá-lo.– Milady, eu não... – tentou desculpar-se, afinal, além de analisá-lo, aquela era sua questão, porém a condessa não permitiu.– Está tudo bem... Todos se fazem a mesma pergunta.– Eu fiz – revelou Rosalie ao se inclinar na direção das duas para que não fosse ouvida pelos demais. – Nunca que eu imaginaria Alice com alguém como o conde. Viúvo e tão mais velho.– Viúvo?! – Isabella não calou seu espanto.– Sim. O conde perdeu a esposa e o primeiro filho durante o parto – disse Alice, ainda a olhá-lo. Instintivamente Isabella olhou para o conde. Agora entendia a preocupação que eliminou sua educação ao abordá-las. – Enfim, saciando sua curiosidade, eu não o escolhi, fui escolhida.– E quando eu soube considerei bem merecido – Rosalie voltou a cochichar –, pois Alice colocava defeito em todos os rapazes que demonstravam algum interesse. – Sim – Alice concordou, disfarçando um sorriso, como considerasse sua atitude, divertida.Saber tais detalhes não dava algum sentido à diferença entre o casal, pois Alice poderia simplesmente ter recusado uma proposta de Jasper. Isabella não perguntaria, mas gostaria de saber como aconteceu.– Hoje, no entanto – Rosalie prosseguiu –, não vejo como castigo. Lorde Jasper não é sempre polido, mas tem um bom coração e jamais a enganaria. É o que conta.Foi inevitável reparar no olhar que Rosalie dirigiu ao duque. Ela não mudou sua expressão, contudo, uma sombra nublou-lhe os olhos azuis, levando Isabella a voltar sua atenção para Emmett. A forma carinhosa como se receberam e a animação da conversa dava a entender que eram felizes. E a amiga tinha se casado por amor. Fora o que Edward dissera, não?– De certo foi merecido – a voz de Alice encerrou as especulações de Isabella –, pois no início eu não estava satisfeita. Contudo hoje não me envergonho em dizer que amo meu marido.Como se tivesse ouvido a declaração, Jasper olhou para a esposa. Edward e Emmett lhes seguiram o olhar.– Graças aos céus estamos livres de nos preocupar ao ver três damas a cochichar enquanto nos olham atentamente – Emmett troçou. – Já lhes pertencemos.
– Boa definição – disse Jasper sem deixar de encarar a esposa –, mas não repita isso fora desta sala, na presença de estranhos. Ainda quero que acreditem ser o contrário.– O que precisa ser considerado o contrário? – indagou Elizabeth ao entrar, olhando atentamente cada um dos rostos. – Sobre o que falavam?Em uma casa com armários repletos de esqueletos, a reação da baronesa era natural, Edward considerou. Antes que sua mãe tecesse algum comentário que abrisse alguma porta indevida, ele a tranquilizou:– Apenas admitíamos a soberania feminina sobre nós, verdade que não se deve ser alardeada.– Ou seja – Elizabeth se mostrou aliviada –, tolices apenas. Agora venham... Fiz questão de vir avisá-los de que o almoço está servido.Sem esperar que a conduzissem à sala de jantar, Elizabeth deixou o cômodo tão intempestivamente quanto entrou. Isabella não estranhou o comportamento, pois ainda se lembrava de como a futura sogra ficava agitada nos dias que antecediam algum dos raros eventos que aconteciam em Apple White.– Westking, por favor – disse Emmett –, na ausência da baronesa, deixe que a futura anfitriã me conduza à mesa.Isabella que acabara de se levantar olhou surpresa para o duque, então para o noivo. Ela sabia que ele deveria conduzir Rosalie, por ser a titulada de maior importância, mas seguiriam para um almoço e não costumavam seguir o protocolo. Na verdade, ela compreendeu de súbito, como poderia saber como se davam as coisas com os lordes presentes. Com o entendimento, não se surpreendeu ao ver Edward aquiescer, restando apenas conter seus tremores.– Senhorita – disse Emmett ao lhe oferecer o braço ao mesmo tempo em que Edward oferecia seu braço à irmã.Sentindo seu rosto vergonhosamente vermelho, Isabella aceitou o braço do duque e esperou que Edward tomasse à frente para que o seguisse. Alice e Jasper seguiam logo atrás.– Srta. Swan, eu não sei o que lhe disseram, – Emmett comentou num murmúrio –, mas não mordo.– Sei que não, Vossa Graça – ela disse desconcertada. Era estranho ocupar o lugar da anfitriã, mas era quem seria dali a dois dias, não? Com isso, arriscou gracejar: – Aliás, espero que não, pois não me falaram muito do senhor, milorde.– Pois eu já ouvi muito sobre ao seu respeito. Rosalie me disse quem é a senhorita e resumiu toda sua história com Westking. Sendo assim, sei que a amiga que por vezes eu a ouvia lamentar ter perdido.Mais uma vez Isabella lutou com seus tremores, para não denunciar seu nervosismo. Especulava o que a amiga poderia ter dito, quando o duque prosseguiu:– Não sou o tipo impressionável, mas considerei espantoso saber que o barão tem um filho crescido, sem que soubesse. E ainda mais espantoso que quisesse reparar o “erro” casando-se com a mãe do menino, pois é algo comum... Especialmente sendo quem é... Enfim, antes que interprete erroneamente minhas palavras, apenas me surpreendi, mas não o condeno. Eu nunca soube de nada parecido, porém considerei válida tal atitude. Com isso... Espero que essa união seja duradoura e que formem uma família honrada.– Obrigada... – Foi o que Isabella conseguiu murmurar, agradecida pela discrição da amiga e pela aceitação do duque.À frente deles, Edward lidava com a bronca da irmã. Para sua surpresa, na questão sussurrada por Rosalie, que queria saber por que ele não confiou nela desde o início, assim evitando aqueles dias de dissabor, ele percebeu apenas decepção, não rancor.– Perdoe-me por isso – pediu com sinceridade, também num murmúrio –, mas deve entender que não é algo a ser alardeado.– Por certo, mas deveria saber que eu jamais os denunciaria. Ao compreender o que tinha acontecido, fiquei com a sensação de que não me conhece em absoluto.– Tanto conheço que quis evitar sua decepção para com nosso pai – ele retrucou, agora ansiando poder ouvir o que tanto Emmett falava para sua noiva.– Ah, Edward... – Rosalie suspirou quando atravessavam o hall principal. – De uma forma ou de outra, invariavelmente eu estava decepcionada com nosso pai. O que fez foi chocante pela pouca idade de Isabella, mas eu sempre soube que ele não era santo. Você não notava por admirá-lo e então, não estava mais aqui... E quando vinha, envolvia-se em assuntos da sidreria ou com seus estudos. Por meu lado, sempre fui boa observadora. Via a forma como ele olhava para algumas criadas e em como, dias depois, elas deixavam esta casa.Edward não pôde responder a isso. Realmente esteve cego ao verdadeiro caráter do pai, e via ter sido pretensioso de sua parte acreditar que poderia enganar alguém que convivia com as outras partes envolvidas, mais do que ele.– Perdoe-me – repetiu, não tinha muito a dizer. – E não preciso pedir para...– Não precisa – Rosalie o interrompeu. – Tudo está como deve ser. E não se atreva a me agradecer, pois não estou fazendo qualquer favor.Edward sorriu para irmã e, como forma particular de agradecimento, desferiu três tapas leves na mão enluvada que tinha na curva do seu braço. Ao chegarem à mesa, posicionou sua irmã na cadeira à direita da sua. Depois de acomodá-la, esperou que Emmett fizesse o mesmo por Isabella, e Jasper por Alice. Quando Elizabeth por fim se juntou a todos e Emmett a ajudou a sentar, todos os homens se acomodaram.A um sinal da baronesa, o almoço começou a ser servido. De seu assento, duas cadeiras distante do barão, Isabella procurou por seu olhar, ao encontrá-lo também a olhá-la, sorriu discretamente antes de voltar sua atenção ao que lhe era servido. Vez ou outra, ela arriscava olhar para o noivo, para Rosalie e Emmett, lado a lado à sua frente, um pouco à esquerda.– Alguém poderia sugerir um tema, não? – disse Alice a certa altura do almoço. – Estamos a dois dias de uma celebração, não é possível que se tenha algo a conversar.– Poderia ser você a sugerir um tema, querida – disse Jasper, sem deixar de olhar a carne que cortava.– Ou eu o sugiro – disse Elizabeth à filha caçula. – Gostaria de entender o que aconteceu para que chegassem desmazeladas do pomar. E com você a fazer parte dessa vez!Por um instante Isabella se perguntou se a questão era legítima, ou simplesmente algo que desviasse a atenção de si, como ela mesma bem faria caso tivesse a chance. Jamais saberia.– Apenas brincávamos – disse Alice, como se fosse algo natural. – Eu era a árvore.Como se tivessem a mesma visão, Isabella e Rosalie trocaram olhares e riram discretamente. Diferentemente dos senhores que riram sem disfarces.– E todos acham graça! – Elizabeth maneou a cabeça, olhando de um ao outro como se todos tivessem perdido o juízo. – Decididamente é preferível não entender.– São jovens, Lady Westking – disse Emmett, condescendente –, não há razão para tanta rigidez. Tenho certeza de que não será um hábito.– Está bem... – Elizabeth aquiesceu. – Então, já que a celebração foi citada, todas consideram que têm tudo sob controle?– De minha parte, sim – disse Rosalie. – Esta tarde, Marie e eu vamos iniciar a arrumação da capela e dos cômodos que usaremos após a cerimônia.– Bem – Alice disse a seguir –, de minha parte tudo está acertado. Hoje a costureira virá trazer o vestido e fará algum ajuste, caso seja necessário. Por certo na cozinha tudo esteja de acordo, não?– Por certo – Elizabeth confirmou. – Apesar do tempo limitado, acredito que tudo saia de acordo com o que determinei.– Sei que estará perfeito – Edward a encorajou, porém a olhar sua noiva.– Sim, estará – Jasper fez coro ao cunhado. – Afinal esta não será a primeira vez que a senhora organiza um casamento em uma semana. Não foi esse o tempo que teve para cuidar das bodas de Vossa Graça, quando ele também conseguiu uma licença especial?– Sim.Depois de baixar os talheres e tomar um gole de água, Isabella se congratulou por não engasgar. Ouvir a resposta monossilábica da baronesa foi tão ou mais espantoso do que saber de tal detalhe. Ao olhar para a amiga, Isabella descobriu-a corada até a raiz dos cabelos. Estava explicado o desconforto demonstrado em outra ocasião, Isabella pensou antes de olhar para o duque. Este em nada se abalava, tanto que expressou sua opinião:– E foi uma festa esplêndida, não é mesmo Rosalie?– Sim, foi maravilhosa.– Não pude participar, mas soube que tudo saiu a contento – disse Edward. – Por isso estou tranquilo. De mais a mais, será uma reunião entre amigos. E as novidades não tinham fim, Isabella admirou-se. Além de casarem-se às pressas, Edward não esteve presente. No final, mesmo formando um casal harmonioso, jovem e bonito, assim como os Whitlocks, os McCartys carregavam sua cota de curiosidade. Isabella gostaria de ter detalhes, mas no momento não se atreveria a perguntar.De sua parte, apenas procuraria por maior tranquilidade ao saber que naquela, como em várias famílias, nem tudo era tão transparente e correto como a baronesa – e até mesmo Alice – queria fazer parecer.– Bem – Edward prosseguiu ao notar que ninguém mais responderia –, já que está tudo bem encaminhado, saibam que amanhã pela manhã Isabella e Embry irão até Wisbury.– Novamente? – Elizabeth se mostrou preocupada. – O que será dessa vez?– Nada extraordinário – o barão minimizou o fato. – Sei que há necessidade, mas pedi que comprasse algo para Embry. – Antes que alguém se manifestasse ele acrescentou: – Será uma forma de mãe e filho terem alguns momentos a sós antes do casamento. Quero que seja assim.– Então assim será – disse Elizabeth.Isabella se manteve em silêncio, ao que foi seguida por todos. Pelo visto até mesmo Alice pareceu satisfeita com o que foi dito, e se ocupou de sua refeição. Ao término do almoço, Edward pediu licença e se retirou para a sidreria na companhia dos cunhados para que as damas cuidassem de seus afazeres. Como nada teriam a fazer até que a costureira chegasse, Isabella e Alice acompanharam Rosalie, Marie e alguns criados até a sala rosa; primeiro cômodo a ter os móveis reorganizados.Mais uma vez Isabella sentiu o desejo de ser participativa, mas descobriu não haver nada que pudesse fazer. Rosalie dava as ordens, Marie as acatava, ou sugeria algo diferente, e os criados executavam a tarefa. Alice quicava de assento em assento sempre que se encontrava na rota de alguma mudança.Quando o trabalho alheio passou a ser tedioso, e Isabella considerava ir até os meninos, Amy veio anunciar a chegada da costureira.– Graças aos céus! – exclamou Alice ao se pôr de pé. – Agora poderei colocar ordem nessa bagunça.– Como? – indagou Isabella, confusa. Rosalie apenas olhou para a irmã, esperando por sua resposta. Alice agitou as mãos e indicou o entorno antes de atendê-la.– Acredito que do meu jeito fique melhor, então sugiro uma troca. Você vai com a noiva ver como está o vestido e eu fico aqui, cuidado de tudo com a Sra. Newton.Isabella não saberia dizer o que Rosalie pensava enquanto olhava para Alice como se jamais a tivesse visto. Ela, por sua vez, quis crer que a condessa estivesse reparando um erro cometido pela força das circunstancias na hora da divisão de tarefas, não apenas ansiosa por organizar a sala.Tomando a alternativa como certa, intimamente Isabella agradeceu a iniciativa, pois, por mais que quisesse a companhia da amiga recentemente reconquistada, jamais proporia a troca por não desejar magoar Alice, alguém que vinha sendo uma presença agradável. Quem poderia prever que um dia se sentiria daquela forma?– Bem... Sendo assim... – Rosalie por fim se moveu para sair. – Vamos ver seu método de organização. Se precisar de ajuda, basta chamar. Vamos, Isabella.Isabella sorriu para a condessa, agradecida, e seguiu a duquesa para fora da sala rosa. No entanto, seu contentamento se esvaiu ao ver que era Irina quem ajudava a costureira com seus embrulhos. Sem nada comentar a esse respeito, Isabella cumprimentou a senhora, assim como fez a duquesa antes que todas subissem e fossem até seu quarto.A moça sabia a restrição era infantil, mas não gostaria que a criada visse seu vestido, então esperou até que esta entrasse e deixasse os pacotes sobre a cama para pedir:– Irina, gostaria que me fizesse um imenso favor... Vá até a cozinha e peça a Leah que venha até aqui.– Leah está muito ocupada... Senhorita – disse Irina, sem se mover para atendê-la. – dificilmente Lady Westking deixará que ela saia.– O que tenho a lhe dizer será breve e creio que você não se oporá a assumir o que ela esteja fazendo por alguns minutos – replicou a moça antes de incluir Rosalie na conversa: – Acredita ter algum problema, milady?– Por alguns minutos? Creio que não – disse sua amiga. – Não sei o que possa querer com a cozinheira, mas que ela venha então! Vá Irina... Não temos a tarde toda.A criada dirigiu um olhar aborrecido para Isabella, porém nada acrescentou. Após uma reverência à duquesa, deixou o quarto.
– Pronto! Vamos à prova, sim? – pediu Rosalie, animada. – Agora posso confessar que a curiosidade estava me matando. E que estava triste por não ter ido com você até a vila.– Eu senti o mesmo – Isabella assegurou, sorrindo para a amiga. – Estou feliz que esteja aqui agora.Se lhe dissessem que em menos de uma semana parte da confusão que era sua vida nos últimos dias estaria resolvida, ela não acreditaria. Até mesmo estaria com Carlisle no dia seguinte!Sua alegria só não era maior por saber que não poderia ver Sam, ou Angela, muito menos as meninas do Jardim. Sim, era pouco tempo para tantas mudanças, mas parecia uma eternidade se pensasse há quantos dias ela não as via... Se considerasse que provavelmente nunca mais fosse até o casarão dos Krane.Paciência, Isabella decidiu ao se deixar ajudar pela costureira para que se despisse então colocasse seu vestido de casamento. Sentiria falta das pessoas, mas não do lugar.– Está perfeito! – Rosalie elogiou.Isabella apenas assentiu, mirando sua imagem no espelho enquanto a senhora já se ocupava de procurar por possíveis defeitos. Por sorte, por estar ainda no início, sua gravidez em nada tinha mudado seu corpo, com isso a costureira se ocupava em ajeitar o decote e as mangas, quando Leah bateu à porta.– Com licença – pediu desconcertada ao entrar e cumprimentar a duquesa, deferente. – Disseram que queria me ver...– Sim, entre – disse Isabella. – Edward me pediu que lhe emprestasse um de meus vestidos, então... Fique à vontade para escolher.– Oh! – O rosto moreno de Leah se tingiu de vermelho e seus olhos vagaram para Rosalie. – Eu não sei se devo. Agradeço o convite, mas... Era minha intenção assistir de longe... Então...– Deixe de bobagens, Leah – foi Rosalie quem a repreendeu. – Até as pedras da minha casa sabem da amizade entre Edward e seu marido, então não gaste seu pouco tempo com reservas. Vá logo ver se algo lhe serve.Isabella não usaria as mesmas palavras, nem tanta firmeza, mas diria o mesmo, então apenas acrescentou:– Pegue qualquer um que desejar.Leah se mostrou indecisa por um instante, porém se dirigiu ao guarda-roupa. Estavam todas absortas nos ajustes do vestido que a exclamação da criada, seguida pelo som produzido pelo despencar de uma caixa, quebrou o silêncio como um trovão.– Oh, me desculpem! – Leah pediu atabalhoada, abaixando-se para pegar o que derrubara. – Me desculpe, eu... O que é isso?Isabella prendeu a respiração ao ver a cozinheira se levantar tendo o pano preto em uma de suas mãos. Por segurá-lo pelas tiras de pedrinhas, o arremedo de vestido usado por Amber não tinha forma alguma. Isabella poderia inventar o que quisesse. O problema era o que Leah tinha na outra mão; sua máscara de borboleta.Enregelada, como se seu sangue tivesse desaparecido, Isabella se recriminou por sua falta de cuidado. Nunca que deveria ter deixado algo tão significativo em local de fácil acesso. E tal descoberta não era o pior...– O que é aquilo? – quis saber Rosalie já a seguir até a criada.Assistindo a cena como em um sonho, Isabella viu sua amiga tomar a máscara em sua mão e experimentar no próprio rosto.– Que linda!A voz da duquesa também vinha de longe. Se Isabella não lutasse, desfaleceria; algo que tornaria tudo catastrófico. Obrigando-se a manter a lucidez, ela esboçou um sorriso e comentou o óbvio, apenas para ganhar tempo:– É uma máscara... E ficou bonita em seu rosto.– Por certo que é uma máscara – Rosalie retrucou antes de entregá-la a Leah para pegar o pano preto. Virando-o em todas as posições, tentando decifrar o que seria, indagou: – O que é isso? Nunca vi nada parecido. Isabella?Isabella olhou ao redor, para os rostos voltados para ela ainda sem saber o que dizer. Então entendeu que estava entre mulheres. Todas decentes, mas ainda assim, mulheres. E não foi entre muitas delas que conviveu por anos a fio? Angela sempre não lhe assegurara que todos, sem exceção, tinham curiosidade e atração por segredos iníquos? Era o momento de ter a prova.– Por certo que nunca viu nada igual, milady – disse após um pigarro. Então sinalizou para que a costureira se afastasse e foi até a duquesa. – Dê-me cá?Ao ter sua veste de Amber em suas mãos ainda trêmulas, Isabella a colocou na posição correta e a aproximou do próprio corpo para explicar:– É para ser usado assim... Essas tiras são passadas pelos ombros e pressas aqui.– Por cima de um vestido? – Rosalie estranhou, olhando a peça com atenção. – Que estranho!– Não... – Mais confiante Isabella a corrigiu. – Sobre a pele apenas.Isabella não saberia como estaria a costureira às suas costas, então apenas imaginou que a reação fosse semelhante à de Rosalie e Leah que imediatamente maximizaram os olhos e abriram boca em muda exclamação. Em instantes a duquesa foi além e indagou estupefata:– Sobre a pele, você disse? Mas isso é o mesmo que estar despida! Onde conseguiu algo assim?– Onde consegui não é importante – desconversou enquanto tratava de enrolar o tecido, aproveitando-se da distração geral. – O que importa dizer, já que descobriram meu segredo, é que essa será minha surpresa para Edward na noite de núpcias.– Teria coragem de usar isso... Só isso... na frente de seu marido?!– Como bem comentou, milady, vestirei na frente de meu marido. Ele não verá nada que não tenha visto.Leah ainda se encontrava corada e muda; chocada por certo. Rosalie, no entanto, sorriu com malícia. Porém, também cúmplice.– Sim, eu sei... Ontem ele nem ao menos se deu ao trabalho de manter a discrição. Bem... Considero ousado, e dou-lhe os parabéns pela coragem. Se Edward não fosse meu irmão, depois eu iria querer saber como reagiu.Com a piscadela, veio o alívio definitivo para Isabella. Depois de sorrir para a duquesa, recolheu a máscara, juntou ao tecido preto e os acomodou na caixa para voltá-los ao lugar. Quando estivesse sozinha, ela trataria de encontrar melhor lugar para ocultar aquela parte de seu passado. A descoberta anterior de Rosalie e aquele incidente vieram para mostrar que todo cuidado seria muito pouco.
Notas finais
Espero que tenham gostado....
Como prometi acima, assim que puder eu trago mais. Bjus suas lindas!
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