Borboleta Negra

41 Capítulo Nove - Parte II


Notas iniciais
Oie... Boa noite... vim rapidinho cumprir minha promessa e finalmente igualar os capítulos do site com os do face...

Desculpem não responder, devo muitos comentários, mas o que mais chama minha atenção, são as declarações de saudades do casal. Acreditem, tbm sinto... Em breve as coisas comeram a se encaixarem... A festa de aniver do banqueiro será o divisor de águas e e tudo passará a se encaixar...

Por ora, BOA LEITURA...

Cruzavam os portões da mansão Cullen quando Edward considerou arriscar e questionar a baronesa, porém, pelo pouco tempo que teriam e ainda baseado na forma veemente com ela se recusou a falar de amor, decidiu manter-se calado como já havia determinado. A reservada senhora não falaria nada referente a sentimentos.

– Não sabia que nossa conversa fosse deixá-lo sorumbático. – comentou a baronesa ao parar da carruagem. – Melhore esse humor para não assustar sua futura noiva.

– Tudo correrá a contento senhora – o barão assegurou taciturno; seus pensamentos não poderiam estar certos, não senhor.

– Por Deus Edward! – Elizabeth rogou. – Não vá se mostrar insociável justamente agora...

– Não tenha cuidados, mamãe. – Edward retrucou, deixando seu assento para deixar a boleia.

Ainda sentia o anel a lhe pesar no bolso, porém suas cismas particulares se tornaram menores. Prestativo estendeu a mão para a mãe e então ofereceu seu braço para, juntos, irem até a porta principal depois de instruir seu criado a seguir para os fundos da construção.

À medida que avançava em direção à porta principal da grande casa branca, Edward sentia crescer sua inquietação ao novamente reservar assunto doméstico para se ocupar depois. No momento lhe aborrecia notar a agitação vinda do interior da casa. Se acaso o som do piano não fosse indicação de que a reunião familiar não seria tão restrita quanto pensou, ouvir as vozes animadas vindas da sala enquanto entregava sua cartola, luvas e casaco, seriam.

– Pensei que fossemos somente nós – ele comentou com a mãe, tentando adivinhar quem seriam os convidados.

– Ora vamos! – Elizabeth exclamou incrédula, enquanto ele a ajudava a retirar o casaco. – Esta noite é especial. Evidente que Sir Carlisle e minha querida amiga Esme desejassem convidar alguns amigos.

– Evidente! – ele repetiu a contragosto; se não estivesse tão centrado em si mesmo nos últimos tempos teria chegado àquela conclusão óbvia.

Por sorte, ao acessar a sala Edward reparou que a música tratou de dar ênfase às risadas e à conversação fazendo parecer haver muito mais pessoas do que de fato havia. Correndo os olhos rapidamente pelo cômodo, o barão reconheceu os pais de duas amigas de Tanya. Ao notá-lo sob o batente, todos os presentes cumprimentaram-no respeitosamente, os dois cavalheiros sentados de pondo de pé para, juntamente com as três mulheres, inclinarem-se ligeiramente. Edward acenou-se brevemente enquanto Esme Cullen vinha recebê-los.

Milord! Elizabeth! Sejam bem vindos!

– Obrigada – mãe e filho disseram em uníssono.

Lord Masen, Tanya ainda está a se aprontar... Já sabe como ela é não? Hoje está um tanto pior...

– Por certo. – Edward respondeu indiferente, então repetiu o que dissera sua mãe. – Esta é uma noite especial.

– Sim! – a mulher concordou com um largo sorriso. – Ela está com as amigas, mas logo virá... Meu marido está no escritório, com um amigo. Será bem vindo entre nós, mas talvez queira se juntar ao meu marido... Fique a vontade.

– Irei vê-lo, com sua licença.

Deixando a sala e a música que em nada combinava com seu espírito, Edward seguiu pelo corredor que o levaria até o escritório. Após duas batidas à porta, ele ouviu o consentimento e entrou. Senior Zimmer era o amigo citado e, assim como o banqueiro, degustava um charuto. Ao vê-lo imediatamente os senhores se colocaram de pé para apertar-lhe a mão.

– Boa noite milord! – disse Senior.

– Boa noite.

– Ah! – Carlisle exclamou afetado como sempre. – Bom que chegou a tempo de saborear um bom charuto. Venha, sente-se aqui. – Ao acomodá-lo em uma de suas poltronas, alcançou uma caixa sobre a mesa e a estendeu ao barão. – Recebi-os hoje, sinta o aroma... Retire um...

– Obrigado! – Edward agradeceu, obedecendo-o; atordoado com o tratamento acalorado.

– Pegue a folha de cedro, acenda-o... Sei que minha filha ainda demora a descer.

Novamente Edward fez como recomendado. Após retirar uma das tiras de cedro, aceitou o cortador e, depois de preparar o charuto, foi até a lareira para acendê-la, aproveitando o calor bom. Como nenhum dos homens nada falou, depois da primeira baforada, Edward indagou a ninguém em especial.

– Sobre o que falavam?

– Sobre política. – respondeu Senior.

– Sobre o quanto seria importante para nosso condado se tivéssemos quem nos representasse no Parlamento. Especialmente na Câmara dos Lordes...

– Ah, política – Edward falou com certo enfado. – Prefiro quando reclamam do inverno.

– Já o fizemos milord – Senior comentou em meio a um sorriso, como se o barão tivesse troçado.

– E falar sobre política não é tão ruim – Carlisle comentou, depois de também liberar a fumaça que prendia em sua boca.

– Não seria se acaso eu não sentisse, todas às vezes, que o assunto está relacionado a mim. – retrucou o barão, sem deixar a área da lareira.

– E não está enganado. Podemos sonhar, não? Vossa senhoria é tão jovem... E dedicado... – o banqueiro salientou esperançoso.

– E estou tão longe de Londres... – Edward retorquiu, tentando manter a leveza; realmente não apreciava aquele assunto; sendo sincero, naquela noite nenhum lhe agradaria. Para encerrá-lo, acrescentou. – Não posso ditar seus sonhos, Sir Cullen, mas asseguro-lhe que jamais acontecerá. Apesar de minha sidra ser apreciada até mesmo pela rainha, não tenho influência para tanto, então...

– Está bem... – Carlisle anuiu. – Mudemos o tema.

– Obrigado!

O barão foi sincero no agradecimento, não queria ser forçado a fazer o que nem poderia. E mesmo que tivesse a chance, não deixaria suas terras, suas macieiras, muito menos iria para longe de Isabella. Sem notar, o barão distraiu-se e correu os olhos para a porta que levava ao jardim da mansão, recordando, como todas as vezes que acendia um charuto, de quando a moça lhe fez companhia, abraçando-o pelas costas, fazendo-o crer que estava em paz. A embusteira! Pensou contrariado.

– Certo – a voz de Carlisle o trouxe de volta à sala. – Já concordamos em mudar o assunto, não precisa ficar arreliado.

Somente então Edward reparou que havia exalado um bufar exasperado. Como não se explicaria, apenas repetiu, deixando o calor da lareira para voltar à poltrona.

– Obrigado!

– Bem... Animados para a missa? – Senior indagou, a apagar seu charuto ainda pela metade.

– Não sei Lord Masen, mas eu tenho que estar... – o banqueiro falou resignado, fechando os olhos e suspirando de forma cansada. Então, antes que o barão externasse sua própria conformidade, concluiu, olhando para o amigo. – Afinal vivo cercado de mulheres devotadas à religião. Nenhuma delas jamais faltaria à missa do galo.

– Sei como é isso – disse Senior, saudoso. – Minha esposa não era diferente, muito afeita a todas as pregações, não deixando de ir à igreja nem mesmo quando adoeceu e lhe foi recomendado repouso.

O barão não se aborreceria com aquela conversa, quis participar, porém não teve a chance. Após rápidas e leves batidas, Tanya espiou pela fresta da porta, levando os cavalheiros a se levantarem educadamente. Com os olhos castanhos postos no futuro noivo, ela pediu:

– Com licença papai. Eu poderia trocar duas palavras com Lord Masen?

– Poderia se não demorasse em descer – o pai retrucou a guisa de negação, apagando seu charuto. – Já que está pronta, podemos todos ir para a sala.

O barão agradeceu a recusa, pois ao ver a moça soube que não seria boa companhia. Tanya torcia os lábios, contrariada, tão bonita em seu traje de festa, não merecia a acidez que crescia a cada nova situação ou lembrança que lhe era exposta naquele dia. Somente por essa razão, e por ainda lembrar as palavras da mãe foi que Edward lhe sorriu e disse encorajador.

– Pode me dizer o que quiser quando estivermos onde seu pai determinou, não?

– Sim, posso – ela concordou não muito satisfeita.

Edward então novamente sorriu indo também apagar seu charuto, sem achar graça na verdade, especulando onde Tanya iria querer conversar, quando o jardim estava impossibilitado de ser visitado; se não fosse pelo adiantado da hora, seria pelo frio invernal daquela noite. Agradecendo também a restrição imposta pela estação, o barão seguiu os senhores e, ao estar com sua futura noiva, tratou de ser simpático e tomou-lhe a mão para beijar.

– Não se aborreça com seu pai, nem lamente não podermos ficar a sós... Sua demora valeu cada minuto.

– Obrigada – agradeceu a moça, os olhos a brilhar.

Sim, não mentia. A filha do banqueiro estava de fato bonita e durante o tempo de demorou ao aprontar-se, agraciou-o com sua ausência. Ao pensamento novamente o anel escolhido se fez ser lembrado no bolso, e a culpa tocou a consciência do barão. O que fazia não era certo, ele sempre soube, contudo nunca se recriminou pela nova postura, por experimentar ser dissimulado.

Naquela noite, as palavras da mãe, a suspeita de que seu pai tenha feito algo semelhante e a lembrança de Isabella tornava sua ação muito pior. O problema para ambos, Edward reconheceu ao ceder seu braço para a jovem, era que ele não via como voltar atrás.

– Que bom que vieram! – Esme exclamou ao ver todos de volta à sala. – A mesa já está posta para nosso jantar, não devemos nos demorar...

Tanya segurou o braço de seu par e o apertou levemente, como comumente fazia ao ser contrariada. Edward sabia ser por novamente não ter a chance de lhe falar em particular, e não se importou.

– Venham – Esme novamente chamou a todos como se estes não a seguissem.

Na sala de jantar indicou o assento de todos antes de também se acomodar. Como das outras vezes que esteve àquela mesa, Edward foi colocado à direita de Carlisle tendo Tanya a sua frente. A baronesa foi colocada ao lado de Esme, diante de Senior, restando às amigas da moça e seus pais serem distribuídos pelos outros assentos ao longo da grande mesa.

Logo os criados iniciaram o serviço, servindo os convidados. Evitando olhar para Tanya, Edward experimentou o que foi posto em seu prato, sem distinguir o que seria. Tentou participar dos assuntos sugeridos, respondia quando citado, porém sua mente estava distante. Na casa do único amigo onde, provavelmente, ele e a esposa dividiam um jantar simples e, com certeza, saboroso; onde a conversa não seria maçante, nem o casal afetado nos modos. Onde haveria afeto despretensioso e, sobretudo, onde ele, Edward, gostaria de estar, juntamente com Isabella.

– ... não é mesmo milord?

Com o resto de indagação vinda de Carlisle seguiram-se risadas contidas dos comensais. Reflexivo, Edward olhou em frente, para Tanya e a descobriu com o rosto corado, a esconder o sorriso; encabulada. Pois sim! Ele conhecia bem o “acanhamento” da moça. Cerrando o cenho, o barão esqueceu-a e encarou o anfitrião que, ao notar sua expressão fechada, pediu:

– Perdoe-nos milord. É que parecia estar em outro lugar. Minha esposa perguntou se a sobremesa está a contento e, como não lhe respondeu, questionei-o quanto ao nervosismo pela ocasião especial.

– Ah, sim... Sou eu quem pede desculpas. Estava de fato distraído, mas não por esta razão. – falou o barão, desarmando-se. E, como não iria retroceder, não naquele instante, limpou a garganta com um pigarro e ameaçou se levantar, já dizendo: – Bem, como citou o extraordinário da ocasião, creio que...

– Espere um momento Lord Masen... – Carlisle o teve, segurando-o pelo braço e indicando que permanecesse sentado.

– Papai?!

Tanya expressou à sua maneira, o questionamento do barão; o banqueiro havia de fato interrompido quando iniciaria seu pedido? Assim como os demais ao redor da mesa, Edward novamente encarou o anfitrião e esperou por alguma explicação, sem questioná-lo. Então foi a vez de Carlisle pigarrear e dizer, sorrindo conciliador.

– Pode parecer bobagem, mas gostaria que vossa senhoria fizesse o pedido após a missa.

– Como?! – Novamente foi Tanya quem demonstrou espanto, sendo seguida pela mãe.

– Querido, por que essa exigência?

– Absolutamente – ele negou com veemência. – Não é exigência e, sim, um pedido. Como iniciei minha explicação, pode parecer bobagens de um velho tolo, mas gostaria que se oficializasse o noivado no dia de Natal, não na véspera. Há algum problema milord? Importar-se-ia em esperar, atendendo ao pedido de um pai sentimentalista?

– Absolutamente – o barão repetiu ao responder.

Não se importaria com as horas a mais até que fosse tempo de retirar o anel que esquentava seu bolso, colocando-o no dedo de Tanya. A mesma moça que, muito vermelha, corria os olhos do pai ao futuro noivo, calando palavras nada agradáveis a julgar sua expressão revoltada. Edward ouviu ainda o muxoxo de sua mãe e de sua futura sogra. Os convidados por sua vez não emitiram qualquer som, voltando suas atenções aos próprios pratos.

A degustação da sobremesa se deu em silêncio sepulcral, até que o anfitrião os chamasse de volta à sala. Enquanto seguiam, Tanya se pôs ao lado do barão e tomou-lhe o braço, não o deixando até que se sentassem nos estofados dispostos pela sala; não no mesmo, como Carlisle recomendava todas às vezes. Com isso a moça se inclinou na direção do barão para indagar em baixo tom.

– Vossa senhoria saberia me explicar qual a razão desse pedido estapafúrdio de papai?

– Estou tão perdido quanto a senhorita – Edward responder a meia voz. – Mas não vejo mal em atendê-lo. São apenas algumas horas.

– Não gosto disso! – Tanya segredou contrariada. – Estou com um péssimo pressentimento de que isso não acabará bem... Papai está estranho meu querido barão. Sempre corta meus assuntos quando tento abordar nossa união, pedindo para que eu espere. E agora isso... O que tem a esperar?

– Permaneço sem saber senhorita. – Edward quase se divertia com a revolta; não o fazia por compartilhar da estranheza.

– E ainda há isso! – ela novamente sussurrou arreliada. – Quando deixaremos as formalidades? Está prestes a pedir minha mão, fará de mim a baronesa e ainda me trata por senhorita... E nunca me permitiu chamá-lo pelo nome.

– É assim que deve ser – retrucou o barão, não imaginando a possibilidade de encerrar a formalidade entre eles. – Minha mãe, também baronesa, sempre tratou meu pai com deferência.

Deferência em demasia, ele pensou ao atinar que de fato a mãe nunca tratou seu pai pelo primeiro nome; era no mínimo estranho, porém não para aquele momento quando Tanya parecia disposta a externar suas opiniões.

– Mas nós somos diferentes. Somos jovens e nos amamos, não?

Não a amava e, por muitas ocasiões em toda aquela corte, teve dúvidas de que a jovem lhe nutrisse algum sentimento além daquele explicitamente declarado ao seu título. Nas conversas que tinham a sós, por vezes ficou claro o quanto lhe agradava o fato de vir a ser a baronesa de Westking. Edward não entraria no mérito da questão, pois não lhe importava, então apenas seguiu com o tema.

– Com esse comentário devo entender que a senhorita pressupõe que meus pais não se amavam?

– Não foi minha intenção! – Tanya maximizou os olhos, alarmada. – Perdoe-me a indiscrição, milord. Apenas comentei, pois é sabido que muitos casamentos são arranjados em nosso meio, então as esposas de fato conservam o respeito mesmo após o surgimento de algum afeto por homens que mal conheciam.

Sem a intenção Tanya deu algo mais para Edward pensar. Talvez fosse aquele o caso, pois nunca soube como se deu o casamento dos pais.

– De fato – murmurou apenas; distraído.

– Então? – Tanya começou, aproximando-se minimamente. – Quando poderei tratá-lo por Edward?

Mirando-a como se a enxergasse pela primeira vez na noite, o barão deixou que o som de seu nome, em outra voz passeasse por seus ouvidos. Evidente que nada lhe acrescentaria, além de estranheza.

– Ainda é cedo para modernidades. – disse para dissuadi-la. – Até mesmo seu pai insiste para que mantenhamos certo distanciamento, mesmo que o burlemos às vezes. Vamos às festas, sempre acompanhados, não como casal.

– Esse é outro detalhe estranho. – reclamou a moça. – Parece que não quer que nos vejam como um casal.

Edward não sentia como se formassem um par, então não se importava com as limitações que o banqueiro impunha para ambos. Entre “as duas moças” que Carlisle “amava”, apenas uma interessava ao barão; a mesma que o senhor atencioso parecia não desejar manter distante, colocando-a deliberadamente em seu caminho.

– Tanya, não monopolize o senhor barão – pediu o pai, encerrando a conversa privada.

– Como queira papai. – Tanya obedeceu a sua maneira, pondo-se de pé, empertigada para anunciar. – Vou terminar de me aprontar para sairmos. Com vossas licenças.

Carlisle e Edward a dispensaram para que, depois de chamar as amigas para acompanhá-la, Tanya deixasse a sala. Com a saída da moça todos os presentes tentaram manter a atenção do barão. Inutilmente era a verdade, pois a mente de Edward vagava insistente para a casa de Jacob e sua simplicidade pacifica, assim como para as oportunidades perdidas de estar com Isabella o quanto antes. Era ingênuo de sua parte acreditar, mas alimentava a esperança de que um encontro se desse em breve.

Como pouco atentou ao que foi dito na sala – e até mesmo pela baronesa que em algum momento veio queixar-se como Tanya pela interrupção – Edward estranhou quando fixou sua atenção ao que se passava e reparou que a moça já estava de volta, envolta num pesado casaco de lã que a protegeria do frio noturno. Na verdade, todos se movimentavam para deixar a casa, indo até a entrada principal para receber seus pertences de volta.

– Vamos? – a baronesa o chamou, tirando-o da letargia. – O que tem hoje? Não pode ser apenas nervosismo.

– E não é – ele retorquiu cansado; sem mais acréscimos antes de deixar o estofado e se juntar a todos.

A mãe lhe lançou um olhar enviesado e o seguiu. Senior a esperava com o casaco pronto para ajudá-la a vesti-lo. Edward não gostou da deferência, porém nada comentou observando em silêncio tamanho cavalheirismo do senhor a acomodar a veste nos ombros de uma empertigada baronesa. Não, ele não se ocuparia do fazendeiro; lidaria com suas contrariedades de forma parcelada e naquela noite bastava o iminente noivado com Tanya e a falta que sentia de Isabella.

Uma vez agasalhados e prontos, anfitrião, convidados de honra e os demais, seguiram para a igreja a pé. O barão agradeceu a caminhada, feita ao lado da mãe – que ele tratou de oferecer o braço para que outro não o fizesse –, pois esta pareceu distraí-lo. Ao longo do curto percurso o grupo juntou-se a outros fiéis que igualmente seguiam à igreja.

Ao chegarem viram que a maioria dos acentos já estavam ocupados, porém o barão de Westking, esperado para a celebração juntamente com a família do banqueiro tinham seus lugares reservados nos primeiros bancos diante do altar. Edward soube que estava entre a baronesa e o banqueiro, Tanya ao lado do pai e só. Esta ele viu sentar, reclamando não estar junto ao futuro noivo, sendo discretamente repreendida.

Não fosse pela breve argumentação o barão nem atentaria ao lugar ocupado por ela, assim como não sabia dos demais. Com os olhos postos no altar-mor, o barão iniciou uma prece particular e improvisada, rogando que seu desejo fosse atendido o mais breve possível, pois a espera o sufocava. Começava a precisar de Isabella como quem necessitava de ar.

Com isso, ao iniciar da missa, Edward discretamente afrouxou o colarinho sob a gravata, obrigando-se a respirar e a seguir as recomendações do padre; levando ou sentando de acordo com os ritos. Seguia a todos automaticamente, seu ouvir ou pensar. A certa altura Edward se recriminava por não conseguir prestar a mínima atenção ao que dizia o celebrante.

Sua mente traiçoeira, pouco se importando com a falta de ar em seus pulmões, vagava para aquela que o deixou, sabendo que ela estava perto ainda que não imaginasse “onde”. Ali, durante aquela celebração Natalina junto aos seus, qualquer resquício de ressentimento se esvaiu ao vislumbrá-la sozinha; talvez, pela falta de companhia até mesmo já estivesse recolhida. Impaciente com a cena que recriou, o barão correu as mãos pelos cabelos e se moveu sobre o banco.

– O que tem essa noite? – A mãe murmurou repreensiva. – Aquiete-se!

O barão não lhe respondeu, cismando com as convenções que o faziam estar onde não queria. Não fosse a tradição, nem a detestável devoção feminina em... Edward não concluiu seu pensamento sendo interrompido pela associação de ideias que o levou a outro abruptamente. “Isabella” era tão devotada quanto qualquer outra mulher de sua vida, assim como aquelas que conviviam com Carlisle. E quais foram as palavras do banqueiro?

Nenhuma delas jamais faltaria à missa do galo.”

Tal entendimento o abalou fortemente e, antes que pudesse prever, Edward deixou o banco. Sequer pediu licença à mãe, a Carlisle ou a Tanya. Esta quis segui-lo, porém o pai a deteve. O barão não deu importância à cena, ou aos resmungos da baronesa, já a correr os olhos ansiosamente por cada rosto compenetrado na pregação, seguindo para a saída pelo corredor lateral. Começava a duvidar de sua epifania, quando avistou a figura corpulenta meio oculta pela porta da sala de pedidos, na mesma direção que seguia.

Mesmo que ainda estivesse relativamente distante, Edward notou que sua aproximação já estava sendo observada. Os olhos escuros do moreno não desviaram dos seus enquanto caminhava sem que domasse seus pés. Sabia que sua estrada seria barrada, contudo, simplesmente não conseguia intimidar-se. Logo estava a menos de cinco passos do criado quando este desviou o olhar para o altar. Prostrado rigidamente, com as mãos postas para trás, Samy não voltou a encará-lo mesmo que chegasse mais perto.

Talvez fosse um truque para capturá-lo sem alardes, e Edward arriscou descobrir parando exatamente ao seu lado. Samy o ignorou completamente como se não existisse. O barão não o entendeu, nem quis fazê-lo. Com o coração a pulsar frenético em seu peito, ele deu o passo que o colocaria definitivamente na sala reservadas às muitas velas e então... Lá estava ela. Ajoelhada diante do altar de pedidos, Isabella mantinha a cabeça baixa, encostada contra as mãos postas, rezando compenetrada. Tanto que nem notou a presença do barão.

Incrédulo por finalmente vê-la, Edward moveu os olhos brevemente para o criado que ainda mirava o altar, e novamente para a moça. Ele não sabia como agir, o que dizer, pois decididamente não poderia seguir sua vontade e levantá-la, arrancar-lhe o véu que não lhe permitia ver os cabelos de noite ou seu adorável rosto. E abraçá-la, beijá-la... Não, não poderia. Com certeza a concessão de Samy não se estenderia a tanto e Isabella o afastaria, como fez em seu único encontro.

Então restou ao barão admirá-la em silêncio, mirando a nuca delgada que marcou como sua quando ainda lhe era permitido. Finalmente entendeu o sonho do amante velho e ridiculamente meloso que a recriou como uma fugidia borboleta, sabendo que no seu caso, não bastaria chamá-la para que viesse pousar em sua mão.

A voz cadenciada do padre embalava as rezas de Isabella que, naquela noite de Natal, mais do que todas as outras que passou sozinha, agradecia pelos dias em Apple White e acima de tudo, pela vida de seu pequeno Embry. Enquanto agradecia, ela tentava não pensar no noivado que se deu mais cedo, nem na armação de Carlisle que quase a colocou face a face com Edward. Estremecendo em expectativa tardia, a moça especulou como seria vê-lo depois de tanto tempo; com certeza estaria em melhor estado, pensou um tanto ressentida, baseando-se nos muitos comentários.

Cismava sobre o que teriam dito um ao outro, quando o ar estagnou; os sons silenciaram. Tudo porque sua mente traiçoeira resolveu pregar-lhe uma peça ao reproduzir a fragrância boa que o barão exalava, misturada ao odor de tabaco. O cheiro muito vívido levou Isabella a ergueu a cabeça e aspirar profundamente, fazendo crescer a falta sentida. Foi então que dedos frios lhe tocaram a nuca, assustando-a tanto quanto a voz rouca a sussurrar seu nome de forma abreviada e íntima.

– Bella...

Antes que se voltasse, todos seus pelos se eriçaram. Era como se o barão de Westking fosse um espectro, evocado por sua vontade, pois, por mais que negasse, sempre iria querer vê-lo. Contudo não era uma aparição. E ele estava tão bonito! De fato mudado, em nada recordando a sombra do homem que a abordou à saída do hotel. E como se não o enxergasse perfeitamente, Edward tratou de puxar-lhe o véu, para que nenhuma barreira estivesse entre eles. E, sim, ela pensou entre enlevada e enciumada, ele estava ainda mais bonito com o cabelo aparado, sem barba ou cavanhaque.

Como Isabella não se movesse, Edward aproveitou a catatonia para tocá-la mais além do breve contato ao lhe revelar os cabelos e o rosto. Deixando cair o véu que segurava, aventurou dois dedos pela curva das bochechas coradas. Ao se atrever a tocar os lábios que tanto desejava beijar, ela aspirou o ar de súbito, como se estivesse muito tempo sem fazê-lo.

Não era certo, Isabella disse a si mesma ao sentir o toque em sua boca. Por mais que sentisse a falta do barão e seu toque a aquecesse como antes, fazendo saltar mais seu coração, nada havia mudado. Ou sim, segundo o que sabia, ele agora era um homem comprometido, nem deveria estar ali. Com isso ela olhou para seu criado que matinha os olhos fixos à frente; com ele se entenderia depois. No momento era preciso lidar com aquele encontro, sem alardes. Quis levantar, porém não teve forças, então falou mesmo de onde estava.

– O que faz aqui? Quantas vezes eu lhe disse que não deve ser visto ao meu lado?

As palavras dela reacenderam o constante ciúme; levando-o a franzir o cenho e ciciar:

– “Ele” está entretido com a família, não nos verá aqui.

Isabella precisou de alguns segundos para entender o tom, as palavras; para ele, ela era a amante de Carlisle. Tanto melhor, pois o barão “era” o futuro genro do banqueiro.

– Prefiro não correr o risco – ela murmurou sentindo certa dificuldade em sustentar o olhar indecifrável. Estar tão abaixo de Edward não ajudava e como não se colocaria de pé sozinha, estendeu a mão para ele. – Poderia ajudar-me, por favor?

Sim, ele poderia. Na verdade esperava por aquele contato de mãos que o eletrizou ao ponto de esquecer-se do ciúme, de Samy e todo o resto para puxá-la de encontro ao corpo e abraçá-la fortemente. Não tinha tempo, não tinha um plano, então o barão falou o que seu coração ditava, com os lábios a tocar a testa macia.

– Não haverá risco se o deixar. Estava disposta antes, então, faça-o agora.

– Edward...

A moça não conseguiu dizer mais do que isso. O nome sussurrado exprimiu a ambiguidade sentida, negação e prazer por ser novamente abraçada. Não poderia fraquejar, mas, ali, sendo apertada possessivamente, aspirando à fragrância e o tabaco diretamente nas vestes do barão, suas convicções se esvaiam.

– Agora entendo o que sempre tentou me dizer, e aceito. – Como se fosse possível, Edward estreitou o abraço. – Estou disposto a viver com você como determinar. Longe das vistas de todos. Indique o dia, o lugar... Eu irei.

Seria possível? Renegar o barão sem vê-lo era tarefa fácil, mas depois de tanto tempo, ali, na prisão de seus braços, não teve forças e inadvertidamente Isabella considerou a hipótese.

Edward lhe dizia, com todas as letras, que estava disposto a viver com ela em sigilo, longe de todos como sempre sugeriu? Parecia que sim, contudo a cafetina tinha dificuldade em acreditar. O barão havia se comprometido, não? Ela ainda não sabia o que pensar quando ele a afastou bruscamente, porém sem soltá-la, segurou-a firmemente pelos ombros para que o encarasse.

– Aqui não há como conversarmos, mas precisamos... Então marque um encontro. Qualquer dia, qualquer hora, eu irei. E, por favor, deixe-o Bella... Deixe-o. Se não mentiu ao jurar seu amor, permita que seja eu a cuidar de você.

– Edward, eu...

Isabella nem ao menos sabia o que diria ao ser calada pela boca aflita do barão. O encontro dos lábios galvanizou-a por inteiro, enregelando seu coração para logo em seguida aquecê-lo. Não, não devia beijá-lo, especialmente quando não sabia o que havia acontecido para tê-lo ali, a lhe dizer aquelas coisas, porém a moça mandou a prudência às favas e o abraçou, apertando-se contra o corpo grande e sólido.

Com um gemido abafado, muito satisfeito pela vitória em conseguir a aceitação de Isabella e, pouco se importando com uma possível interferência do criado que guardava a porta, Edward segurou-a pela nuca e intensificou o beijo, prendendo-lhe a língua, rolando-a na sua com sofreguidão e certa fúria. Ouvi-la gemer baixinho, correspondendo à sua paixão era o melhor presente de Natal que poderia receber. Amava-a e, não importava o que tivesse feito, queria-a de volta.

– Diga que o fará – Edward demandou roucamente, liberando-lhe os lábios para beijar a curva do pescoço, aspirando-lhe o odor de jasmim. – Não suporto saber que estão juntos... Esqueceu que é minha lady?

– Jamais – ela se ouviu murmurar, sentindo as pernas falharem com o violento desejo que os lábios e o rosto, agora macio, lhe provocavam.

– Então onde nos veremos? – Edward indagou inflamado pela esperança após a declaração. Segurando-a novamente pelos ombros, insistiu: – Diga o lugar... Onde você mora Bella? Irei até lá pela manhã, passaremos do dia de Natal, juntos.

Impossível! A mente dela gritou. Por mais que estivesse tentada a aceitar, uma vez que, apesar do que revelou na carta, ele parecia aceitá-la, não estava preparada para que ele soubesse onde morava; o que fazia. Edward não sabia de tudo e não poderia deixar que ele descobrisse de qualquer jeito, quando nem havia analisado as chances de se render ao que ele lhe propunha. Não, não descartava a possibilidade, mas precisaria pensar. Com isso, tocou-lhe o rosto livre dos pelos que amava e o afagou carinhosamente.

– Amanhã é impossível, mas prometo marcar um encontro para conversarmos.

– Quando? – Edward perguntou seriamente, não gostando da recusa.

– Ainda não sei...

– Está vindo alguém – Samy avisou da porta.

– Por Deus Isabella, diga quando – o barão demandou; aflito com a iminência da separação. – Onde você mora?

Perdida nos orbes azuis que lhe escrutinavam o rosto, Isabella vasculhou a mente a procura de uma resposta.

– Estão mais perto... – Samy novamente alertou.

– Isabella? – Edward insistiu, beirando ao pavor.

– Por favor, senhora... Barão... – Samy pediu com urgência.

– Eu procuro você.

Tão logo Isabella se comprometeu duas senhoras entraram na sala e imediatamente estacaram ao ver o barão que ainda a segurava pelos ombros. Lamentando não ter um encontro concreto ou a oportunidade de um último beijo, Edward deu um passo atrás e levou as mãos aos bolsos para cumprimentá-las educadamente:

– Boas noites senhoras!

– Boa – murmuraram olhando de um ao outro, mais para Isabella, provavelmente especulando quem seria.

Imediatamente a moça se abaixou e recolheu seu véu para ocultar-se. As pernas ainda estavam instáveis, porém ela as forçou a se moverem em direção à saída. Agradecendo por não ser ninguém de seu círculo a tê-los flagrado, Edward a seguiu, ignorando a atenção das duas senhoras.

– Por favor, Edward, não me acompanhe – Isabella pediu disfarçadamente, sem olhá-lo. – Não é prudente que nos vejam...

– Confirme que irá procurar-me... – ele pediu num sussurro, ainda as suas costas.

Já a dois passos de deixar a igreja por uma das portas laterais à principal, Isabella parou se voltou para olhar o barão através do véu; de fato tão lindo!

No fundo de sua mente as restrições gritavam para que não o fizesse, porém ela alimentava a esperança de que talvez desse certo, uma vez que ele se mostrava disposto a viver como sempre lhe propôs. Com isso lhe sorriu e assegurou.

– Sim, eu irei até você e... Feliz Natal my lord!

O contentamento o inundou de tal maneira que foi difícil até mesmo sorrir. Edward quis retribuiu ao cumprimento, porém, mesmo que ele fosse capaz de juntar duas palavras estas seriam ditas ao vento, pois sua amada já havia deixado a igreja e descia a pequena escadaria às pressas, seguindo os passos do criado.

Ao vê-la entrar no coche e partir, mantendo os olhos fixos nele até que fosse possível Edward sentiu certa paz inundá-lo e o ar encontrar o caminho até seus pulmões. Teria um encontro, pois acreditava em Isabella. Como duvidaria após a pronta entrega ao seu beijo ou depois de novamente demonstrar intimidade entre eles requerendo-o como seu? Sim, havia esperança e sem dúvida, aquele fora o melhor presente de Natal que poderia receber.

Notas finais
Feliz Natal!.... o/
Gostaram?... Me contem!... Talvez eu tbm não consiga responder, mas é por uma boa causa... estou correndo como posso para terminar BN, assim nunca terei que imberná-la...

Bjus em todas... tenham uma linda semana!