Borboleta Negra

17 Capítulo Dezesseis


Notas iniciais
Oie... Desculpem a demora... Esse final de semana eu fiquei meio atrapalhada... Meninas, obrigada pelos reviews... Opiniões divididas, umas amam outras querem chacoalhar o barão... Faz parte, então, continuem me contando... Agora vamos ler... BOA LEITURA!

Isabella se deixou ser envolvida pelo abraço forte, até que sua respiração se normalizasse. Ainda queria entender o que havia acontecido, pois toda aquela intensidade não poderia ter surgido por uma possessividade vinda à revelia.

– Edward – começou correndo os dedos pelo peito amplo. – O que aconteceu para que se enciumasse enquanto estive fora?

– Não foi nada referente a ciúmes – ele considerou que ela deveria saber parte daquilo que o consternava. Não seria justo deixá-la vagar por sua casa inocente quanto ao que acontecia.

– Então como chegamos a ele? – Isabella o encorajou.

– Os assuntos estavam interligados, na verdade. – Edward falou com cautela; não queria que ela se retraísse. – Aborreceu-me saber de algo por Marie.

– O quê?

Sua voz saiu sumida. O medo de ter sido reconhecida e delatada congelou seu sangue. Porém antes que o barão respondesse descartou a hipótese. Se fosse o caso o tratamento e o tom seriam outros.

– Sobre o que falam de nós desde que a trouxe para cá – disse receoso; Isabella era livre, mas primava pela cautela.

– Deixe-me adivinhar... – ela pediu ao finalmente entender o que acontecia.

Com ar solene a moça se colocou ereta sobre as coxas do barão e o encarou. Aliviada por não ser algo grave, tentou se valer do bom humor para livrá-lo da carranca. Após pigarrear indagou:

– Temos aqui você; um homem solteiro, no auge do vigor...

– Estou no auge do vigor? – Edward a interrompeu; a vaidade se sobrepondo ao receio.

– Não interrompa minha adivinhação – ela ralhou com simulada seriedade, satisfeita por ver o cenho franzido se dissipar.

– Perdoe-me! É que fiquei curioso. Há dois dias eu era considerado um velhinho...

– Um velhinho com todos os sentidos bem apurados, então revi minha impressão. Agora, deixe-me terminar, por favor.

Reprimindo um sorriso, Edward tocou a própria boca com o indicador em riste, indicando que se manteria calado, ao que ela inclinou a cabeça em agradecida reverência e prosseguiu:

– Como eu dizia antes de ser interrompida, temos você, solteiro e vigoroso que de repente traz para casa uma jovem igualmente solteira, muito mais jovem e o que é pior... Sem qualquer um de seus pais ou uma dama de companhia. Diante disso, o que poderiam dizer?... A questão é complicada, mas vou arriscar. Todos dizem que os dois mantêm um caso secreto e indecoroso.

– Saber não a aborrece? – Edward indagou levemente surpreso.

– Deveria? – Isabella replicou unindo as sobrancelhas. Então ergueu as mãos e, indicando seu entorno, pediu. – Veja onde estou... E não se esqueça que já fomos flagrados aos beijos no pomar. Quem pode recriminá-los?

– E eu me recriminando por tê-la exposto – o barão comentou encarando-a avaliativo. – E também preocupado com sua reação, no entanto...

– No entanto, ainda que me preocupe, não sou hipócrita – ela o lembrou. – Já havia salientado isso. E como um elogio.

– Você está certa! – Edward se rendeu. – Acho que sou eu que não estou sabendo lidar com a situação. Não gostei de saber o que corre por entre os criados. Falam de nós mesmo antes de estarmos juntos.

– Se bem me lembro, ainda hoje também me disse que não podemos mandar nos pensamentos alheios e afirmou não dar importância a falatórios.

– Sim, eu disse, mas era diferente – retrucou. – Não sabia que iam além do inusitado em vê-la aqui sozinha.

– Nenhum mexerico é banal – ela lhe disse com ternura. – Para alguém cada um sempre há de ter a devida relevância.

Dito isso ela lhe tocou o rosto carinhosamente, feliz que Edward a tenha feito ficar; ainda que quase a asfixiasse. Queria estar com ele todo o tempo que pudesse. E a bem da verdade, havia motivos reais para levar em consideração.

– Ao invés de se preocupar com o que pensa os criados, deveria se ocupar do que dirá à sua mãe... Pode ser o senhor da casa, mas ainda assim terá de explicar a ela o que estamos fazendo aqui.

– O problema com minha mãe é que ela falará mais do que estarei propenso a ouvir. Em todo caso ela não voltará até o final do outono. – Edward anunciou, retribuindo-lhe o carinho no rosto; com a baronesa entender-se-ia depois. – Vamos esquecê-la e também todos os outros por enquanto?

– Se é o que deseja. – Isabella lhe sorriu.

– É o que desejo – ele lhe retribuiu o sorriso, porém com certa nota de cansaço. – Essa e segunda vez que nos desentendemos em menos de 24 horas. E por tolas interpretações... Já disse que quero fazê-la sorrir e não...

Então Isabella o calou com um beijo. Não arrebatado como o dele, mas surtiu o efeito desejado. Logo Edward a abraçava e correspondia com a mesma mansidão e entrega. Não era ele o responsável por seus surtos de tristeza. Aquele barão, ao contrário, lhe deva inúmeras alegrias. Ele lhe dava vida. Com um gemido abafado, ela moveu-se sobre o colo de Edward, provocando-o.

– Minha pequena insaciável... – murmurou o barão ao beijar-lhe o rosto, porém não indo além, segurando-a firmemente. – Comporte-se ou nosso desjejum esfriará.

– Vai me trocar pela comida? – Isabella indagou demonstrando espanto.

– Com quem será que aprendi? – Edward lhe piscou; satisfeito que tivessem novamente feito as pazes.

– Acho que mereci ouvir isso – ela sorriu e lhe beijou brevemente. – Para sua sorte também estou com fome, senão veria uma ferrenha luta por sua atenção.

Ferrenha luta...? – Edward ergueu uma sobrancelha, interessado. – Pensando bem...

– Pensando bem vamos ao desjejum! – Isabella exclamou saltando para o chão antes de puxá-lo pela mão.

– Não é justo alimentar as esperanças de um homem no auge do vigor e correr assim – ele comentou com simulado pesar.

Isabella tinha plena consciência que era uma troça, mas esta foi de encontro à realidade. Todavia não se deixou arrastar para uma nova consternação.

– Prometo compensá-lo my lord. – empenhou sua palavra com uma piscadela. – Basta pedir.

Edward gostou do que ouviu, pois sempre que ela lhe despertava o desejo muitas possibilidades do que poderiam fazer juntos lhe vinham à mente. Em seu devido tempo descobriria até onde Isabella iria, no momento tratou de, assim como ela, acomodar-se ao redor da bandeja para escolher o que comer. Prestativa, sua amante lhe serviu de chá.

– Costuma acrescentar leite? – ela indagou voltando o bule ao lugar.

– Sim, por favor...

Edward lhe observava a delicadeza enquanto resgatava o pedaço de brioche para atirá-lo à boca, satisfeito em vê-la servi-lo. Admirando também o cabelo em desalinho acomodado sobre um único ombro; lindo. Logo ela lhe estendia a xícara e lhe sorria da forma que ele sempre desejaria que fosse.

– O chá não está tão quente – ela lamentou.

– Por nossa culpa, então vamos bebê-lo mesmo assim. – Edward determinou.

– Evidente – ela riu manso, voltando sua atenção para uma torrada que passou a distribuir um pouco de manteiga. – Basta de escandalizarmos Marie.

– Ela gosta mesmo de você – o barão comentou admirando-lhe os movimentos, considerando se haveria no mundo quem não gostasse dela.

– Também gosto muito de Marie. – Isabella afirmou antes de morder a torrada; qualificando-a divina como tudo que lhe era servido naquele palacete.

Sempre o melhor prato ou iguaria preparado pelas mãos da cozinheira que anos antes lhe empurrava tigelas de mingau feito com aveia e água, pois dizia que ela não merecia leite e açúcar. A mesma cozinheira que preparava a manteiga hoje provava na torrada e que antes apenas lhe permitia cheirar o pote para que imaginasse o sabor.

Águas passadas; a moça disse a si mesma. Já havia experimentado a saborosa manteiga pelas mãos de Rosalie e há muitos anos passara a ter em sua própria mesa comida decente, de tão boa qualidade quanto àquela disposta na bandeja a sua frente. Voltando o foco para uma criada daquela casa que de fato merecia sua atenção, Isabella terminou de engolir a torrada que mastigava e indagou:

– Há quantos anos Marie trabalha aqui?

Sem se importar com as regras de boa educação, ao se calar, lambeu a manteiga em seus dedos antes de se servir de mais.

– Há seis anos – Edward respondeu ainda a admirar-lhe os movimentos; aquela moça tão bem educada havia mesmo lambido os dedos?

– Ela é bem dedicada. – Isabella comentou inocente à avaliação; daquela vez distribuindo geleia sobre a torrada antes de mordê-la.

O barão demorou alguns instantes antes de responder, vendo-a comer com gosto invejável.

– Sim, ela é... – ao notar haver um único pedaço, pediu. – Posso provar essa sua torrada?

Instintivamente Isabella desceu os olhos ao cesto repleto delas, mas não comentou ao encará-lo e ver o interesse com que era observada. Com um meio sorriso estendeu o braço e ofereceu o pedaço diante dos lábios do barão. Imediatamente Edward abriu a boca para recebê-lo. Antes que a moça afastasse sua mão, ele a segurou e lambeu-lhe os dedos fazendo com que um leve estremecimento corresse por seu corpo.

A partir dali, ela passou a alimentá-lo com pedaços de pão comum, nacos de brioches compartilhados e cacos de torradas, muitos e todos lambuzados de manteiga ou geleia que eram prontamente lambidos de seus dedos até que passassem a ser chupados demoradamente e com languidez cada vez maior.

– Considero que já seja hora de ter minha compensação – Edward anunciou rouco, quando a comida passou a ser desnecessária.

– Eu disse que bastava pedir... – ela respondeu, afastando-se rumo ao travesseiro, já retirando a camisola e a pantalona, enquanto o barão livrava a cama da bandeja.

Quando Edward voltou para ela trazendo consigo um potinho, Marie já havia sido esquecida, assim como qualquer outro assunto. E logo o barão fazia melhor uso da geleia, provando-a sobre os cumes enrijecidos dos seios da moça; esta já muito excitada desde o provar indecente de seus dedos. O barão também experimentou a pasta gelatinosa naquela parte dela que tão bem aproveitou na madrugada, levando-a a implorar pela posse já muito faminta e disposta a comprovar tanto vigor.

Pouco mais de uma hora depois, uma Isabella sorridente, com o rosto muito corado tentava finalizar o escovar de seus cabelos, sentada à penteadeira de Rosalie. Simplesmente não conseguia. A imobilidade de suas mãos se dava por lembrar que limparem-se depois da lambança com a geleia, levou-os a outra sucessão de carícias que por muito pouco não os levou de volta à cama. Ambos resolveram em comum acordo se comportarem, caso contrário não desceriam e alimentariam ainda mais o falatório.

Somente por esta razão estava de volta ao quarto cedido à espera de Edward que depois de pronto viria ajudá-la a se compor completamente. Palavras dele; não queria que andasse tão à vontade. A moça sabia que ninguém notaria a falta de um espartilho sob as roupas de sua amiga, contudo não o contrariou. Estavam bem e queria que assim se mantivessem.

Ainda a sentir o rosto afogueado, Isabella voltou à atenção aos cabelos. Tentou domar os cachos naturais para deixá-los soltos. Prenderia apenas uma parte dele em cada lado para que ficassem arrumados. Trabalhava na última mecha quando ouviu o toque leve de Edward sobre a porta.

– Entre.

Ao vê-lo, sentiu seu coração saltar como se não tivessem se separado há pouco mais de quinze minutos. Assim como havia recomendado a ela, o barão vinha vestido completamente; até mesmo trazendo uma gravata meticulosamente arrumada entre o colarinho fechado. O casaco escolhido era azul escuro e contrastava com a calça de tecido de mínimo xadrez azul e cinza. Os cabelos como sempre vinham presos, deixando-o ainda mais bonito. Como se fosse possível!

– Passei na avaliação? – Edward indagou curvando lábios e cavanhaque.

– Com louvor – ela retribuiu o sorriso que para sua surpresa se extinguiu tão logo o nobre avistou o que Marie havia deixado sobre a cama.

– São suas roupas? – Edward indagou desnecessariamente ao reconhecer o veludo verde.

– São.

– Muito bem – fora o comentário estranho e breve.

Assim como ele, Isabella as olhou. Estava tão enlevada ao entrar no quarto que nem lhes deu atenção, indiferente por tê-las de volta. Ainda não as usaria. Preferia que ficassem guardadas até o dia... Até ser preciso, sentenciou, proibindo-se de pensar no futuro. E ainda faltava seu chapéu. Depois teria que perguntar à criada o que havia sido feito dele.

– Estavam aí quando entrei. Será bom poder calçar minhas próprias botas.

– As de Rosalie não lhe servem? – Edward perguntou desviando a atenção das roupas; tentando não pensar em nada que estragasse o humor entre eles; Isabella estava ali. Tinha tempo.

– São um pouco maiores do que as minhas, mas nada que me atrapalhe. – Isabella esclareceu. – Assim como as roupas; umas cabiam bem, outras ficavam largas... Mas para mim estão perfeitas – tratou de acrescentar para que não soasse como reclamação.

– Muito bem! – Edward repetiu enquanto uma ideia nascida desde que a viu num dos vestidos largos ganhava força.

– Ao invés de ficar repetindo muito bem, venha me ajudar – ela pediu se levantando.

Vestia as pantalonas de Rosalie, assim como seu chemise, mas o espartilho seria o seu próprio. Depois de pegá-lo sobre a cama tentou ignorar a avaliação do barão enquanto abotoava os colchetes. Com este acomodado no lugar, deu as costas a Edward e avisou:

– Sua vez, mas não aperte muito – como ele sequer a tocasse, ela se voltou para encontrá-lo ainda a analisá-la. – Não veio me ajudar? Caso não saiba o que fazer, basta chamar Marie.

– Sei como apertar um espartilho. – Edward retrucou rouco. – Estava cogitando retirá-lo.

Isabella riu como se ele estivesse brincando, mas dizia a verdade. Nunca esteve com uma mulher como aquela; tão entregue ao que se dispusesse a fazer com ela, sem falsos pudores, sem melindres que a impedisse de caminhar normalmente, vestida em trajes menores. Que não se importava em ser vista livre deles em plena luz do dia. O desprendimento que o enciumava também lhe instigava a querer mais.

– Não considero aconselhável – o comentário dela veio eliminar sua vontade. – Precisamos descer como combinado... Primeiro você. Tão logo eu termine minha toalete irei encontrá-lo.

– Será um tempo muito longo – ele lamentou finalmente segurando os cordões do espartilho para puxá-los.

– Não demorarei, nem você sentirá – Isabella gracejou. O barão não lhe respondeu e logo soube que ele já dava o laço, encerrando sua tarefa. – Obrigada por não apertar. No fim, sabia mesmo o que fazer, não?

– Eu disse que sabia – vangloriou-se, admirando a cintura reduzida.

– Devo entender que prestou o mesmo favor a muitas damas? – Isabella indagou sem pensar; o coração pequeno de ciúme.

– Quer mesmo saber? – Edward nutriu certa esperança que ela se importasse.

– Não – respondeu sincera antes que lhe dar as costas e pegar a anágua para vesti-la, sem nada mais acrescentar.

– Sendo assim vou deixá-la para que termine de se vestir – anunciou sério.

– Por favor... – Isabella murmurou agradecida.

Sem mais palavras ou breves despedidas, Edward se foi. Isabella se voltou em tempo de vê-lo fechar a porta e teve a nítida impressão de que ele esperava mais; mas não havia como atendê-lo. Já lhe dava tudo o que podia. No mais lhe concernia se arrumar para seguir com o plano daquele dia. Que viveria como se fosse o último, assim como o próximo e o próximo. Nesse meio tempo faria o possível para alegrar a vida do barão sem especular sobre seu passado, pois não tinha quaisquer direitos sobre ele.

Decepcionado com a falta de interesse, Edward chamou por Marie a plenos pulmões tão logo chegou aos pés da escada próxima a cozinha. A criada o atendeu de pronto, vindo do cômodo apressada.

– Sim Lord Masen?

– Quero que arrume meu quarto e não se esqueça de trocar os lençóis.

– Farei isso pessoalmente Milord – ela garantiu e, mirando as próprias mãos, indagou. – Posso ir agora ou...

– Pode ir agora – assegurou sério. – Isabella está no quarto de Rosalie. Quando terminar fique a vontade para voltar à sua casa. Tenha um bom domingo!

Após se calar não esperou por respostas. Simplesmente seguiu pelo corredor que o levaria até a entrada de sua casa. Esta normalmente silenciosa se encontrava fantasmagoricamente livre de sons pela falta de boa parte dos criados que tinham seu descanso garantido aos domingos. Muitos àquela hora estariam na missa celebrada na igreja de Westking.

Com o pensamento o barão acreditou ter mais um detalhe comportamental de Isabella. Além de não ser possessiva, ela parecia não ser religiosa nem afeita a missas dominicais, pois em tempo algum se preocupou com o compromisso. Antes disso, ficou muito à vontade em sua cama enquanto lhe servia de base para que experimentasse geleia de amora.

Relembrar seu feito o excitou, contudo não dispersou o leve aborrecimento pela falta de questionamento sobre sua habilidade com espartilhos.

– O que farei com você Isabella? – Edward perguntou a ninguém ao chegar à varanda e se apoiou na mureta branca.

– Comigo?

Ao ouvir a voz surpresa o barão se voltou imediatamente para descobrir a jovem que lhe atormentava o juízo, parada à porta, encarando-o interrogativamente.

– Como já está aqui? Pensei que no mínimo demorasse meia hora.

– Qual a preocupação comigo? – Isabella insistiu sem responder-lhe, indagando-se o que acontecia com Edward todas as vezes que o deixava para que o encontrasse com o humor alterado. – Eu fiz algo errado?

– Não fez nada – ele garantiu ao se aproximar para tomá-la pelas mãos. – Estava apenas falando sozinho.

– Eu ouvi. Indagava-se o que fazer comigo. Muito preocupado, por sinal – ela observou se deixando levar para mais perto.

Notando a ruga interrogativa na testa delicada e o olhar meio sentido, Edward exalou um bufar resignado e admitiu.

– Exatamente. Perguntava-me o que fazer com você que não deixa minha cabeça em tempo algum.

– Ah!... – foi sua única exclamação.

A ruga cedeu lugar à algo que Edward não reconheceu. Havia também no olhar de noite um brilho que poderia significar muitas coisas. Então um sorriso surgiu manso e ampliou-se; contente.

– Foi por também não deixar minha cabeça que me vesti rapidamente my lord – ela externou sua saudade precoce; dividida entre a consternação e o delete de se saber tão presente na mente do barão.

– Ah, Bella... – Edward murmurou apertando-lhe a mão.

Trazendo-a para mais perto a abraçou demoradamente sem se importar que estivessem diante da casa, visíveis a quem os pudesse ver. Para que iria querer demonstrações de ciúmes se ela de bom grado admitia também sentir-lhe a falta?

– Abolimos a cautela? – Isabella indagou retribuindo o abraço acolhedor.

– Como bem lembrou já nos viram aos beijos – o barão retrucou aspirando-lhe o odor dos cabelos negros. – Um abraço é quase nada.

– Bem observado – ela elogiou apertando-o mais; ficaria mal-acostumada.

– O que gostaria de fazer essa amanhã? – Edward perguntou ainda com os lábios a tocar os cabelos escuros.

– Se estivesse em casa, teria ido à missa – ela comentou, indicando a ele que havia errado na dedução. Logo a moça riu mansamente e acrescentou. – Aqui fui distraída ao extremo cometendo três pecados capitais... Terei muito que confessar quando voltar para Wisbury.

Ignorando a observação sobre a separação futura, Edward indagou curioso sem soltá-la, afetado também pela lembrança da distração.

– Três?!... Eu contaria dois.

– Luxúria e gula; não é mesmo? – Isabella sentiu seu rosto corar, mas ainda assim esclareceu. – Esses são os seus e meus também, mas conto ainda com a vaidade.

– Vaidade? – Edward finalmente a afastou; estava ali algo que jamais atribuiria a ela.

– Sim – admitiu sentindo até mesmo seu couro cabeludo arder. – Você tem a incrível capacidade de fazer com que me sinta bonita.

– De fazer...? – Edward não soube que dizer.

Se acaso ela não estivesse mordendo o lábio ou vermelha até a raiz de seus cabelos, Edward acreditaria que dizia aquilo somente para agradá-lo. Todavia percebia que ela externava a verdade inacreditável, pois para ele, Isabella era uma das moças mais bonitas que já conhecera. Com isso se equiparou a ela em pecados, pois se envaideceu na mesma proporção.

Sentindo o coração inflar em seu peito, assim como o ego em sua mente, o nobre refreou o desejo de beijá-la somente por saber que seria obrigado a parar. E da forma que ela o fazia desejá-la, não conseguiria. Apenas tocou-lhe a boca para livrar o lábio da prisão de seus dentes e falou com voz muito rouca e pausada.

– Agora é tarde para levá-la até Westking, mas se desejar, aqui em minha casa um dos salões foi transformado numa espécie de capela pela baronesa para que ela fizesse suas preces diárias – com um riso manso e condescendente, ele gracejou. – Na verdade é um grande oratório diante de alguns bancos, caso queira posso levá-la até lá.

Isabella agradeceu a mudança de assunto. Na exposição gratuita percebeu certa sabotagem a si mesma ao fazer a declaração truncada. Deveria era aproveitar o oferecimento para seguir até a sala citada, sua velha conhecida na verdade, mas não estava coberta de acordo.

– Não tenho um véu – lamentou ainda a sentir o rosto afogueado; temendo também que a passagem dos anos tivesse convertido a criada que evitava encontrar em beata fervorosa.

– Não creio que minha irmã tenha deixado tal peça. – Edward comentou, sentindo por sua indicação se tornar inútil. Porém não se deixou abater e opinou encorajador. – Seria mesmo necessário cobrir sua cabeça para ir até um salão de minha casa? Como lhe disse, é apenas um grande oratório.

– Acha mesmo que não seria um desrespeito? – Isabella indagou, titubeando em seu temor; gostaria de poder ao menos rezar.

– Acredito que não seria! – Edward a encorajou, satisfeito por conhecer aquele lado devotado dela. Aos poucos a conheceria completamente.

Isabella deliberou consigo mesma por alguns instantes. Considerando que a velha criada jamais mudaria suas crenças, decidiu por atender sua vontade.

– Sendo assim, leve-me até lá.

– É possível que o salão esteja sendo usado por alguns criados – ele avisou.

Por certo estaria, pois sua mãe – num gesto de extrema benevolência – permitia àqueles que não podiam ir à cidade, realizarem lá suas preces dominicais.

– Não tem importância.

Considerando Isabella intimista, Edward acariciou o rosto ainda corado antes de tomá-la pela mão e, sem mais palavras contornar a varanda levando-a para a ala leste. Como previsto as portas duplas estavam abertas e como era de se esperar, alguns criados espalhavam-se pelos seis pequenos bancos distribuídos em fila dupla.

Aqueles que perceberam a chegada do barão quiseram levantar, contudo Edward indicou que não o fizessem com um aceno impaciente. Logo os olhares vagavam entre o ele e sua hóspede que, depois de benzer-se diante do oratório, rica e ostensivamente decorado pela baronesa Elizabeth, veio ajoelhar ao seu lado, atrás do banco dianteiro.

Apesar de ainda aborrecido por saber o que falavam sobre eles, o barão não se importou com a indisfarçada curiosidade que pôs fim as preces. Entendia-lhes o espanto, pois ele não era frequentador daquele salão. Dificilmente assistia as missas do padre Newton quando ia a sua igreja em Westking, então a estranheza era redobrada.

Ignorando a todos, como Isabella bem o fazia já compenetrada em sua própria oração, Edward permaneceu no banco ao lado dela. Não havia aonde ir e se houvesse não iria. Queria estar com ela todos os momentos daquele dia em que era livre de suas obrigações; bastaria os dias da semana para ficar longe. Ele também não se furtaria de assisti-la rezar em silêncio, com os braços apoiados no banco da frente, ajoelhada sobre o genuflexório. Como se não bastasse os delitos cometidos fora daquela sala, pecava naquele exato momento, pois a considerava muito desejável.

Alheia à observação do barão e a presença dos criados a sua volta, Isabella em pensamento se dirigia a Deus, desculpando-se pela falha na confissão semanal, avisando que faltaria nas próximas, pois jamais iria a Westking na companhia do barão. Pediu perdão pelos pecados cometidos, assim como pelo atrevimento de aceitar a corte de um homem bom como Edward; e pela covardia em não revelar detalhes relevantes de sua vida.

No mesmo pedido rogou ainda que Deus não a castigasse, pois iria reincidir em todos os erros, visto que não havia como se afastar do homem que descobriu amar; não antes da hora. Em sua conversa com o Altíssimo, Isabella pediu também que Ele mantivesse aqueles que poderiam reconhecê-la longe de seu caminho; fosse entre os criados, fosse entre os familiares de Edward. Prometeu que apenas viveria com ele aqueles dias, mas que o deixaria livre para seguir sua vida com quem de fato o merecesse e nunca o envergonhasse.

Finalizando, suplicou que Ele mantivesse Sam calmo durante aqueles dias de sua ausência para que não fizesse nada impensado, como cobrar sua falta junto àquele cavalheiro ignóbil que daquela vez nada devia. E por fim, talvez o mais importante de todas as coisas, implorou por paz e alegria para o jovem coração de seu Embry; que o pequeno não lhe sentisse tanto a falta, pois tal castigo cabia unicamente a ela.

Lembrá-lo a comoveu, levando-a a verter algumas lágrimas. Contudo durante a sequência de dez Pais-Nossos e dez Ave-Marias – a penitência usual do padre Homero – ela se recompôs. Todavia, ao se levantar após se benzer, seus cílios permaneciam úmidos e a denunciaram.

Edward percebeu que a moça havia chorado, mas como ela mal se moveu durante todo o tempo de sua silenciosa oração, ele considerou que havia imaginado. Porém lá estavam os olhos de noite, úmidos e brilhantes. Queria questioná-la, contudo não estavam sós. Nenhum dos criados que encontrou havia deixado o salão e, sentados exatamente onde os encontrou, pareciam esperar pelo desenrolar da cena inédita e totalmente inesperada.

Ainda a ignorá-los, Edward cedeu a mão para Isabella e a conduziu à saída. Ambos despediram-se com um breve aceno ao qual todos responderam verbalmente inclinando suas cabeças em respeito ao barão.

Isabella agradecia à deferência que lhe roubou a atenção nos instante de sua saída. Assim como na entrada, ela evitou olhar diretamente para quem se encontrava nos bancos, pois mesmo que se sentisse um pouco a vontade, não poderia abusar da sorte; o risco de ser reconhecida ainda era real. Intimamente agradecia ao fato da cozinheira não estar no salão, indicando que estava certa quanto a uma improvável mudança; talvez ela não tivesse mudado em nada. Seria típico de Sue Wood.

– Posso perguntar por que chorou?

Edward a tirou os pensamentos quando já seguiam lentamente pela extensa varanda, sem rumo certo. Sem olhá-lo, Isabella sorriu e comentou.

– Já perguntou – como ele nada retrucasse, ela ergueu os olhos para ele. Ao notar certa ansiedade, lembrou-se da mania em decifrá-la então respondeu com a verdade. – Apenas me comovi com uma boa lembrança.

Embry sempre seria a mais feliz, mesmo que às vezes lhe despertasse tristeza.

– Então não foi por eu tê-la feito perder a missa enquanto pecava de forma quase imperdoável? – Edward troçou; contente pela resposta não ter ido de encontro a nenhuma de suas cismas.

– Não senhor barão – ela riu de leve, sentindo seu rosto corar mais uma vez. Edward a havia estragado. – E lhe agradeceria se esperasse minhas preces esfriarem antes de comentar as obscenidades que faz comigo.

– Perdoe-me – pediu quase sincero; não lamentava tanto, ainda mais ao vê-la corar graciosamente. Para mudar o assunto ao qual não poderia ainda discorrer, indagou pela segunda vez naquela manhã.

– O que gostaria de fazer?

– Não faço ideia! – Isabella exclamou novamente feliz com a mudança de assunto.

– O que faria caso estivesse na sua casa? – Edward indagou rogando que soasse tão despretensiosamente quanto queria parecer.

– Eu teria ido à missa – ela respondeu prontamente.

Intimamente agradecia que a especulação viesse justamente sobre um dia da semana que invariavelmente nada faria de relevante. Como prova que o assunto iniciado tinha por objetivo descobrir mais sobre ela, Edward exalou um bufar e voltou ao tema demonstrando saber que ela já tinha descoberto sua intenção.

– Muito bem sabichona!... E depois da missa o que faria?

– Nada – mais uma vez disse de pronto sem mentir. – Talvez lesse algum Romance. Talvez preparasse o almoço.

– Então sabe cozinhar! – Edward observou com um sorriso.

– Nada que chegue aos pés do que é preparado aqui em Apple White, mas tenho meus préstimos – disse com orgulho. Ao menos um dos ensinamentos feitos pela cozinheira daquela casa lhe era útil. E justamente por essa razão, por ser útil.

– Qualquer dia terá que provar – ele a provocou, animado com o fluir da conversa.

– Qualquer dia... – ela repetiu sabendo que este nunca chegaria. Para desconversar, perguntou. – Onde está Nero? Não o vi ainda essa manhã.

– Se não estiver no canil para os cuidados semanais, está correndo pelo bosque a perturbar algum pobre animal. – Edward lhe saciou a curiosidade nascida somente para distraí-lo; conhecia-a. Sem se abalar, retomou o assunto, demonstrando não ter mordido a isca. – Bom... Agora que conhece as possíveis atividades dominicais de seu protetor, falta me dizer se sabe bordar.

Não poderia culpá-lo por querer conhecê-la mais, pensou vencida, decidindo por lhe saciar a vontade.

– Meus préstimos se resumem a cozinhar e a tocar piano pessimamente. Caso não seja para pregar um botão ou fazer pequenos remendos não possuo nenhuma habilidade com tecidos, agulhas e linhas... – mais do que isso era considerado futilidade para que uma futura criada precisasse saber, ela lembrou livre de ressentimento; era passado. Com isso acrescentou. – Nunca houve quem me ensinasse a bordar.

O contentamento do barão por obter respostas arrefeceu ao perceber que novamente se aproximava de um campo perigoso. Ciente que a partir dali talvez outras não mais viessem, indagou.

– Quem lhe ensinou a cozinhar? – antes que ela se pronunciasse, acrescentou rapidamente. – Pergunto, pois ontem me contou que mal conheceu seus pais e hoje disse haver alguém que a renegou. Bom, se não quiser me dizer, entenderei.

Com isso Edward quis demonstrar que ela poderia ficar a vontade para contar apenas o que desejasse livre de obrigatoriedade. Isabella por sua vez, especulou que mal haveria dar algo que saciasse um pouco mais parte da curiosidade do barão. Decidindo não haver nenhum, respondeu:

– Foi minha avó materna. A única que conheci.

– Muito bem... – Edward murmurou quase que para si.

Já haviam deixado a varanda e naquele momento caminhavam lado a lado no gramado diante da casa; ela contorcendo os dedos, ele com as mãos para trás, refreando o desejo de segurar as dela. Ainda sem acreditar que conseguiu uma informação pessoal, Edward testou até onde poderia ir.

– Então foi essa avó que a renegou – não foi uma pergunta.

– Foi... – Isabella subitamente se sentiu incomodada, considerando que mais uma vez havia se exposto além do devido. Edward poderia começar a fazer associações.

– Eu poderia saber o motivo que a levou a tanto? – Edward arriscou.

– Eu preferia mudar de assunto caso não se importe.

E ali estava o limite, o barão pensou pesaroso. Não queria forçá-la, mas gostaria de saber um pouco mais. De toda forma, no que se referia à avó, para alguém cuja vida contava com relacionamentos fracassados, Edward poderia fazer uma ideia das razões que a moveu e deixar aquele assunto passar, mas poderia seguir por outros cominhos, então sugeriu:

– Poderíamos continuar no assunto, mas seguindo em outra direção.

– Como assim? – Isabella indagou receosa.

– Conte-me quem não foi capaz de ensiná-la tocar piano decentemente – ele pediu a lhe sorrir, tentando mantê-la em bom espírito.

Era uma questão perigosa, mas a moça sorriu mesmo sem querer ao se lembrar dos esforços do banqueiro. E também por saber que sua avó se benzeria mil vezes somente por chegar perto de um instrumento que, como todos os outros, a velha considerava obra do diabo por produzir sons que levavam as pessoas a dançarem. A mulher era avessa à alegria; possuía uma alma obtusa e negra, sem chances de remissão. De fato aquele não era um tema melhor que o outro, mas ainda assim ela disse sem pensar.

– Decididamente não foi a minha avó, pois ela sequer saberia o que é uma escala musical. Quem bravamente tentou me ensinar foi um bom amigo.

E então lá estava ele. O ciúme que não abalava a moça quanto à sua intimidade com peças íntimas femininas, vinha forte para arreliá-lo por algo banal.

– Amigo somente? – Edward perguntou sem medir a acidez em sua voz.

– Não – ela disse para o bem dos pecados do barão, reduzindo-lhe o coração a quase nada, para então sorrir e gracejar. – Eu disse um bom amigo.

Edward percebeu a provocação deliberada e considerou merecê-la após a especulação, contudo não pôde evitar o agitar do sangue em suas veias ou desejar um desagravo. Retribuindo-lhe o sorriso, encarando-a igualmente provocador e observou:

– Com que então é uma pândega pequena Isabella! E me provoca somente por saber que me incomodo?

– Perdoe-me – ela pediu sincera; arrependida por tripudiar sobre o evidente ciúme do barão; novamente se burlava, pois não deveria alimentar sua possessividade.

Não obteve seu perdão e tarde demais percebeu que caminharam para a orla do bosque; não saberia determinar se propositalmente ou não. Contudo a proximidade pareceu benéfica ao barão afrontado que a segurou pelo braço e a guiou em direção às árvores.

– Edward para onde está me levando?

Ao questioná-lo, Isabella olhou em volta. Daquele lado as árvores pareciam mais próximas umas das outras, deixando a paisagem escurecida pela pouca luz que ali chegava. Não sentia medo, pois Edward não lhe inspirava tal sentimento, mas não conhecia aquele trecho, nem se lembrava de alguma vez ter ido até ali, com ou sem Rosalie.

– Edward... – ela chamou; queria uma resposta.

Esta veio somente quando o barão se recostou contra um choupo e a puxou para si; quando estavam tão distantes dos jardins frontais que nenhum som além do canto de alguns pássaros podia ser ouvido.

– Trouxe-a aqui para que se retrate – anunciou rouco; a ida até aquele ponto lhe aflorou as ideias.

– Mas foi apenas uma brincadeira – ela se defendeu enquanto sentia as mãos do barão a correrem por suas costas. – Não deveria se enciumar por nada.

– Não por nada – ele retrucou, mirando-lhe a boca que em sua varanda não pôde beijar. – Sou homem e como tal sei que não nos aproximamos de belas jovens sem nenhum interesse. Lecionar algo em troca de mera amizade é praticamente impossível Com certeza quem a ensinou foi alguém com quem se relacionou, não tente negar.

Como poderia? Pensou arrependida por ter citado Carlisle indiretamente.

– Insisto ser sem razão porque é passado – reiterou num murmúrio e estremeceu ao ter as nádegas aparadas pelas mãos do barão. – Disse que meu passado não importava.

– Fui precipitado – reconheceu muito rouco, ainda a mirar a boca entreaberta. – Estou aqui a morrer lentamente imaginando o teor das aulas...

Isabella considerou o sentimento ainda mais infundado, pois nas horas passadas com o banqueiro não houve nada além das aulas fracassadas.

– Esqueça... Nada do que possa estar imaginando aconteceu – tranquilizou-o segura.

– Tanto melhor! – Edward exultou antes de segurá-la pelos cabelos da nuca e beijá-la sofregamente.

Rendida ela se deixou prender e correspondeu à paixão. A ânsia nascida com o ciúme inoportuno passou a agradá-la, tanto que gemeu livremente ao ter o bico de um seio beliscado sobre os vestidos enquanto a mão livre do barão a apertava mais contra uma evidente ereção. Naquele instante Isabella soube que se tornava dependente, pois ele imediatamente lhe despertou uma urgência primitiva. Quando sua boca foi libertada, ardida pelo roçar do cavanhaque, ela implorou num fio de voz:

– Faça-me sua...

– Mais tarde... – o barão disse maldoso. – Em minha cama.

– Mas... – ela iniciou confusa; o desejo toldando-lhe o raciocínio.

– Fico contente que nada tenha acontecido, mas zombou de meu ciúme então ainda quero que se retrate.

– Retratar-me como...? – perguntou languida ao ter eu pescoço beijado e fatalmente arranhado.

Haveria muitas maneiras de retratação, mas desde que a provou intimamente durante a madrugada o barão desejava sentir a boca morna acariciar-lhe o membro, então determinou que aquele fosse o melhor momento e pediu-lhe:

– Muito me agradaria se aceitasse fazer por mim o que fiz por você durante a madrugada... – Edward sentiu sua coluna se enregelar em expectativa antes de acrescentar. – O mesmo dessa manhã.

Com o entendimento Isabella arfou, sufocou e pigarreou. Em todo o tempo de seu meretrício fora obrigada a cometer tal ato uma vez. Estava então com dezessete anos e o considerou altamente repulsivo. Tanto que nem mesmo o iniciou, pois apenas por ameaçar atender a exigência do cliente sexagenário, vomitou até sua alma sobre o flácido estômago e o falo semi-ereto. Enfurecido o senhor a devolveu para Angela ameaçando nunca mais voltar. Para não perder o cliente a cafetina lhe perdoou o pagamento e somente não puniu a jovem prostituta por seu declarado apreço e por saber desde sempre o quanto lhe custava ganhar a vida daquela maneira.

Naquele bosque, Isabella tinha plena consciência que a sua frente estava Edward, o mesmo que derrubou muitas de suas crenças e dava-lhe nada menos do que inacreditável prazer a cada ato sexual, porém apenas por recordar o velho cliente, ela se sentiu adoecer. Como jamais se perdoaria se devolvesse o que ingeriu no café da manhã ali, aos pés do barão, simplesmente aproveitou o momento de expectativa, desprendeu-se e correu. Não ouviu ser chamada, nem sabia para onde ia. Somente tinha a certeza que preferiria morrer caso deixasse Edward a pensar, por um segundo apenas, que por ele sentisse qualquer asco.

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SPOILER...

Já haviam deixado o palacete para trás. Tinham ao lado, um pouco distante, o estábulo e o caminho que levava aos fundos da construção principal. A frente se via os casebres dos funcionários, distanciados uns dos outros. Ao vê-los Isabella percebeu o quanto a sucessão de acontecimentos tumultuosos a dispersou, tornando-a negligente. Se passear ao redor do palacete representava um risco aceitável, ali era inadmissível, afinal havia morado numa daquelas casas com seus pais.

Não importava que após a perda dupla tivesse sido entregue aos cuidados de Sue nem levada para que dividisse com ela o quarto que ocupava; anexo à cozinha. Estar naquele trecho de Apple White era o mesmo que desfilar pela ala dos criados; muito arriscado.

– Em qual deles Jacob mora? – Isabella indagou ao se aproximarem; precisava sair da área aberta.

– Aquele que está fechado. – Edward indicou o primeiro. – Ainda não voltaram da cidade.

– Vamos embora, então? – Isabella pediu, ocultando sua aflição ao ver surgir uma senhora na porta da casa vizinha.

– Pensava em esperá-los – ele respondeu conferindo as horas em seu relógio de ouro, aumentando o crescente desespero da moça, pois a senhora desceu os poucos degraus diante de sua casa. Assinando sua sentença, acrescentou. – Já devem estar chegando.

– Podemos voltar à tarde – ela sugeriu.

– Não temos nada a fazer... Está uma bonita manhã – ele tocou suas costas empurrando-a gentilmente até a varanda. – Vamos esperá-los.

Não havia argumentos para negar, então Isabella se deixou levar, seguindo a aproximação da mulher com sua visão periférica. Tão logo sentaram, a senhora, vestida com humildade, parou diante da varanda.

Milord... – ela murmurou a guisa de cumprimento, com um inclinar da cabeça ornada de grossas tranças grisalhas em respeito ao seu senhor. Isabella reconheceu a lavadeira antes mesmo que ela a questionasse com um sorriso incerto. – Então é você a hóspede? Que bom que voltou menina!

Notas finais
Bom, espero que tenham gostado.... Por favor, me contem... Já viram pelo spoiler que semana que vem Bella será reconhecida... Tenso. Mas, gostaria de saber de hoje quando conheceram mais um pouco da vida dela vendo que a empregada que ela foge léguas é a avó materna... Bjus meninas... Bom domingo!