Borboleta Negra

83 Capítulo Cinquenta e Um - Parte II


Notas iniciais
Sim, hoje ainda tinha esse para postar... :D BOA LEITURA!

Ao término da refeição, depois de se despedir de seus hóspedes e de Elizabeth ter se retirado para a saleta, o barão descobriu que sua noiva não compartilhava do mesmo desejo.

– Por que isso? – indagou com estranheza em resposta ao pedido de que não fosse procurá-la aquela noite. – Não preciso dizer que contei as horas para estar com você. Temos tanto a conversar.

– Sei disso – disse Isabella –, mas como acabo de comentar... amanhã teremos um dia cheio. Eu gostaria de descansar minha pele.

Edward uniu as sobrancelhas. Descansar a pele? Desde quando sua noiva era dada àquelas futilidades? Especulou. Para ele não fazia sentido.

– Não me demoro – prometeu, mirando uma das criadas que passava ao lado, certificando-se de que não era ouvido. Ao novamente encarar sua noiva, reiterou: – Conversaremos apenas... Estive com Cullen e gostaria de lhe falar a respeito.

– Esteve com Carlisle?! – Tomada pela curiosidade, por um instante Isabella esqueceu seu plano. Porém logo o retomou e apressadamente negou o pedido: – Bem... Teremos tempo para conversarmos, depois da cerimônia. Essa noite, eu prefiro que cada um fique em seu quarto.

O barão desconheceu sua noiva, sempre tão preocupada e participativa em todos os aspectos, porém, como regra daqueles dias, não dispunha de tempo para decifrar o que passava. Por não entender, ressentiu-se e empertigado, anuiu:

– Está bem... Se é o que quer, eu não irei ao seu quarto. Então... Veremo-nos apenas ao início da cerimônia?

– Creio que sim – Isabella compadeceu-se da expressão do barão, mas não retrocedeu. – Contarei os minutos e rogarei para que as horas corram depressa.

– Farei o mesmo – ruminou Edward, contrafeito. – Tenha uma boa noite!

– Boa noite! – Antes que fosse capturada e beijada, Isabella se pôs nas pontas dos pés e apertou seus lábios brevemente na face de um barão surpreso. – Durma bem!

Edward esperou até que sua noiva saísse de seu campo de visão, depois de quase a correr escada acima. Após um profundo espirar, ainda a lidar com a despedida tão estranha quanto o pedido e o fato de que não a veria até que fosse hora de se casarem, ele seguiu até a saleta.

Em sua mente tinha o firme propósito de fazer com que sua mãe fosse breve para que pudesse se recolher como todos e abreviar aquela noite que prometia ser longa e insone. Ao entrar, pronto para abertamente expor sua vontade, Edward estacou ao ver que sua mãe não estava só.

– Jacob?! – Edward indagou diretamente ao criado. – O que faz aqui?

– Sei tanto quanto o senhor – disse o moreno, que se mantinha de pé, próximo à lareira.

Elizabeth que esperava por seu filho, sentada em uma dos sofás, se pôs de pé e disse:

– Serei breve. Pedi que Beni fosse chamar por Jacob para encerrar de vez com sua insensatez, Edward. Quero que diga a seu amigo que mudou de ideia quanto a tê-lo como padrinho.

– Senhora... Eu tentei negar – Jacob justificou-se, desconcertado.

– Sei que tentou. Admiro-o justamente por saber seu lugar, Jacob – Elizabeth lhe sorriu, condescendente e se voltou para o filho. – O que tem de sobra em senso de dever, carece em seu senhor. Porém, agora me tem ao seu lado. Ajude-me a trazer juízo a...

– Por favor, mamãe – Edward a interrompeu, porém seu olhar fuzilava o consciencioso amigo. – Não direi coisa algum a Jacob, assim como lhe asseguro de que não careço de juízo.

– Como não?! – Elizabeth se prostrou diante do filho, requerendo sua atenção. – Até mesmo Jacob entende que deveria ter escolhido um de seus amigos...

– Foi o que fiz – retrucou secamente; seu aborrecimento arrefeceu ao flagrar Jacob a esboçar um sorriso.

– Reconheço a amizade que há entre vocês – Elizabeth contemporizou –, mas antes de tudo, Jacob é seu criado... Onde já se viu? Um barão ter por padrinho seu...

– Arrendatário – Edward sobrepôs sua voz a da mãe, calando-a.

Queria revelar sua decisão na manhã seguinte, quando todos estivessem prontos para o casamento, justamente para encerrar com as cismas da mãe e finalmente dar ao fiel amigo a ajuda merecidamente necessária para que prosperasse, contudo, uma vez que era forçado a adiantar-se, ignorou as expressões surpresas e prosseguiu:

– Há tempos venho pensando em deixar que arrendassem a fazenda de meu avô, mas não me agradava a ideia de entregá-la a estranhos ou a alguém em quem não confiasse. Então, dias desses me ocorreu que Jacob é o homem certo para gerenciar a fazenda, comandar os trabalhadores e impedir que a casa vá ao chão.

– Senhor? – Jacob o chamou, estarrecido.

– Tem certeza? – Elizabeth escrutinava o filho, admirada. – Sou testemunha de quantas propostas recusou... Há anos tem-se dividido entre as duas propriedades.

– Apenas por ser cego o bastante para não ver a solução bem abaixo de minhas barbas. E está decidido. A partir de hoje, Jacob não é meu criado, sim um senhor, como Cameron Hope, Senior Zimmer e tantos outros. Ou seja, totalmente e inquestionavelmente aceitável que seja meu padrinho. Agora... Se me derem licença...

– Senhor – Jacob deu um passo à frente, com olhos maximizados. – Nem tenho palavras para agradecer tamanha consideração, mas não posso aceitar.

– Evidente que não! – A baronesa reiterou. – Edward, acaso entende que se der cabo dessa ideia estapafúrdia, terá de pagar por maçãs que já lhe pertencem?

– Sei cuidar de meus negócios, mamãe. E não sou estúpido. A fazenda é grande... Jacob e Leah morarão na casa e terão espaço suficiente para criarem ovelhas, algumas vacas ou plantarem o que quiserem... As macieiras não estão incluídas. Mas, tais detalhes serão tratados entre mim e Jacob. Não precisa se preocupar com assuntos práticos.

– E ainda isso! Perderei minha cozinheira? – a baronesa não encobria sua inconformidade.

– Arranja-se outra – Edward solucionou. – Agora, por favor, se me derem licença...

– Senhor... – Jacob maneava a cabeça em negativa. – Eu não... Eu nunca...

Edward o compreendia.

– Eu sim... – disse. – Cansei de oferecer-lhe formas de melhorar sua condição, pois há tempos é mais um amigo do que qualquer outra coisa. Mas se insiste em ver em mim seu senhor, então simplesmente me obedeça. Ordeno que aceite minha decisão, pois é irrevogável.

Elizabeth ergueu as mãos em sinal de derrota e voltou a se sentar. Jacob avançou um passo, agora a assentir, tendo os olhos brilhantes e os lábios travados. Quando Edward acreditou que veria o amigo chorar, este pigarreou, recompôs-se e indagou roucamente:

– Não poderei ajudá-lo justamente no dia de seu casamento?

– Na qualidade de amigo eu não o perdoaria se não ajudasse – Edward aquiesceu, sendo ele o afetado pelo momento.

– Estarei aqui à primeira hora, senhor... – Edward o encarou sugestivamente, com uma sobrancelha erguida. Não precisou de palavras para que Jacob se corrigisse como quem testava o som: – Edward...

Edward sorriu e adiantou para desferir palmadas amistosas no peito do amigo.

– Eu sabia que um dia conseguiria! – Exultou. – Até amanhã, Jacob. Vá contar a novidade a sua esposa...

– Deus! – exclamou a baronesa. – Perderei a cozinheira justamente quando mais preciso! O que farei sem Leah amanhã?

– Acalme-se, Lady Westking – Jacob apressou-se em acalmá-la. – Minha Leah jamais a abandonaria em um momento tão importante. Evidente que amanhã manterá seus afazeres. Estou certo? – indagou diretamente ao barão.

– Está. Contudo faço questão de que ela assista a cerimônia e que mais tarde participe da festa.

– Ao menos isso... – Elizabeth se pôs de pé e suspirou. – Que dia! Ainda bem que está no fim... Jacob, obrigada por atender ao meu chamado. Não terminou como previ, mas no fim... A solução foi satisfatória. Livre do choque, pensando friamente, eu nunca conheci alguém que merecesse mais. Parabéns e... não faça com que meu filho se arrependa.

– Não farei – assegurou comprometido.

– Bem... Agora sou que peço licença aos senhores... Tenham uma boa noite!

– Senhor... – disse Jacob ao ficarem a sós. – Eu nem sei como lhe agradecer.

– Agradeça fazendo exatamente o que falei... Gerencie a fazenda, não deixe que a casa desmorone. Evidente que financiarei a reforma e depois você trata de cuidá-la bem. E entenda que não é uma dispensa definitiva... Espero poder contar com você para assuntos sigilosos e importantes.

– Eu ficaria ofendido se confiasse em outro, sen... Edward. Isso é estranho – riu.

– Prefere me chamar de Westking?

– Por Deus! Não! – Jacob riu mais, descontraindo-se. – Edward está bem...

– Então, senhor... – Edward gracejou. – Estou mesmo cansado. Pode ir agora, por favor?

Jacob assentiu. Edward viu nos olhos escuros do ex-criado a necessidade de externar seu agradecimento, porém não lhe deu a chance.

– Ótimo! – disse já a seguir para a porta. – Conhece a saída. Dê lembranças minhas a Leah. Boa noite!

– Boa noite... Edward.

Enquanto seguia para a escadaria, Edward sorria, divertindo-se ao perceber que igualmente demoraria até que se acostumasse ao novo tratamento. O bom humor por finalmente ajudar o amigo a melhorar de vida e conseguir ser tratado com certa igualdade sofreu um forte abalo ao chegar ao seu destino e mirar a porta do quarto vizinho.

Por um instante Edward considerou quebrar sua palavra, contudo, após um bufar aborrecido, resignado, entrou no seu próprio aposento. E pela segunda vez na noite, surpreendeu-se ao encontrar alguém fora de lugar. Mesmo em choque, o barão fechou a porta atrás de si e, apressado, trancou-a.

– Está louca?! – indagou em um sussurro alarmado, com o coração a pulsar freneticamente. – O que aconteceria se fosse outro a entrar e a visse aqui... assim?

Apesar do tom, a moça quis acreditar que não ouviria uma reprimenda. Na verdade, preocupava-a mais saber o que ele tinha conversado com a baronesa.

– Eu sabia que ninguém viria – disse, sem se voltar. – Todos estão recolhidos... E acredito que a baronesa tenha seguido ao próprio quarto... Se estiver tudo bem entre ela e o senhor...

– Por certo que está tudo bem entre nós! – Edward falou alto demais. Domando seu espanto, baixou o tom. – Era apenas mais uma de suas tantas bobagens... Conhece-a.

– Perdão, senhor, mas não conheço as particularidades da baronesa. – Trêmula, manteve-se em seu papel. – E como tudo está de acordo, posso dizer a que vim. O senhor me queria aqui... Disse a sua noiva e ela pediu que viesse vê-lo.

Edward prendeu a respiração. Sim, ele disse, mas não contava que sua noiva fosse temerária ao ponto de levar Amber para Apple White. No entanto, era a borboleta negra que estava ali, parada junto à janela, de costas para ele, como na noite em que o recebeu no Jardim. Daquela vez, porém, a visão não lhe despertava rancor. Com o espanto mitigado veio e desejo. Sequer a tocava, e já a queria.

Por considerar que ao referir-se a si mesma na terceira pessoa, Isabella esperava que assim fosse, indagou:

– E o que mais minha noiva lhe contou?

Isabella fechou os olhos e sorriu. Animando-se, respondeu, ainda sem se voltar:

– Não muito, senhor... Apenas pediu que eu viesse. Isabella não tinha muito a oferecer, portanto enviou-me, como um presente de casamento.

– Como é tola a minha noiva – Isabella estremeceu ao ouvir a voz exatamente às suas costas. – Ela me dá mais o que eu mereço. Todos os dias.

– Então... Irá recusar o presente?

– Recebi boa educação, Amber. Aprendi desde cedo que presentes não se enjeitam – Edward murmurou, escrutinando as costas nuas.

Isabella sobressaltou-se quando Edward tocou uma das tiras e suspirou ao senti-lo correr dois dedos sobre as pedrinhas que a adornavam, até o laço posicionado na base da coluna. Expectativa e desejo arrepiaram-lhe a pele, levando-a a gemer de leve.

– Será um prazer contentá-lo, senhor.

– Ou o prazer de contentá-la seria meu? – Edward soprou ao seu ouvido, obrigando-a a morder o lábio inferior ao ter sua cintura acariciada por mãos mornas.

– Estou aqui para agradá-lo – disse ao encontrar a voz –, não o contrário. Sua noiva ficaria triste se eu não cumprisse meu papel.

– Apesar de tudo, Amber – retrucou Edward enquanto movia as mãos até o ventre ainda plano, sob o pano leve –, sei que minha noiva gosta de você. Preocupa-se.

– Não deveria – disse ela, tendo o desejo dividido pela comoção. – Sou uma vergonha.

– É fruto das poucas oportunidades que teve – ele a corrigiu e se curvou para beijar-lhe o ombro. – Sobrevivente das adversidades. Hoje vejo o quanto é admirável.

– Meu senhor... – murmurou Isabella, embargada pelas lágrimas que não conteve. Estas foram colhidas pela máscara negra.

– Shhh... Não chore – pediu Edward, um tanto arrependido.

Não queria fazê-la chorar quando Isabella lhe dava imensa alegria. Passado o susto, poderia imaginar que sua noiva tivesse trazido os pertences de Amber apenas para agradá-lo. Sorrindo, novamente beijou o ombro nu. Não foi ao Jardim como sugerido pelo duque, mas despedir-se-ia da solteirice nos braços da borboleta mais desejada.

– Não chore – repetiu. Atendendo ao seu desejo, passeou as mãos pelos seios hirtos, enrijecendo os mamilos em suas palmas. – Não chore minha borboleta.

– Sim, senhor... – Isabella anuiu em um gemido ao pulsar de sua feminilidade. Voltando à personagem, indagou: – O que quer de mim? Peça e farei.

Edward respirou profundamente antes de girá-la. Incontinente, gemeu em agonia ao se deparar com a máscara negra cujos recortes dos olhos emolduravam pupilas brilhantes e destacava lábios vermelhos. Amber era linda e lamentaria revê-la apenas em pensamento, mas o faria; depois de dar a ela o que jamais tivera.

– Quero o que nunca deu a outro – disse roucamente, contornando a boca rubra. – Um beijo.

Tolice, Isabella sabia. Afinal, inúmeras vezes ela beijou o barão, porém seu coração saltou como se de fato fosse a primeira vez. De certa forma o era, considerou ao mirar os lábios que baixavam em direção aos seus. Expectante, ela fechou os olhos. E mais uma vez seu coração saltou ao contato leve. A princípio Edward a beijou com ternura, como se tentasse conquistar sua confiança, no entanto logo a abraçou e invadiu-lhe a boca, exigindo participação.

Livrando-se da comoção, Amber abraçou seu senhor pelo pescoço e entregou-se ao beijo. Ansiosa, saudosa, acariciou-lhe os cabelos da nuca antes de descer as mãos pela lapela do casaco até os botões que passou a soltar de suas casas.

Sem quebrar o beijo, Edward a soltou para se livrar da peça que caiu ao chão. Ele mesmo tratou de desabotoar o colete. Ao tirá-lo, Isabella o ajudou com os suspensórios e apressou-se em abrir-lhe a camisa. Enquanto o barão a retirava, ela voltou a abraçá-lo.

– Ah, Amber... – Edward gemeu contra os lábios dela ao apertar-lhe as nádegas. – Quero-a tanto!

Ela também o queria, Isabella pensou. Sua versão indigna necessitava daquele cuidado, do amor. Era o que estava prestes a dizer, mas se manteve calada ao ser subitamente girada. Arfante, pelo beijo interrompido e pelo sobressalto, ela mais uma vez sentiu os dedos do barão nas tiras finas. Ao tocarem o laço, habilmente desfizeram-no.

No instante seguinte o tecido fino amontoou-se aos pés da moça. Edward conteve a respiração ao escrutinar o corpo despido e não voltou a respirar até o tivesse contornado para admirá-lo de frente. Domando a urgência do desejo que o enrijecia, segurou o queixo de Isabella e fez com que ela erguesse a cabeça para encará-lo.

– Este é um dos melhores presentes que já recebi – garantiu num rouco murmúrio. – Você é linda! Jamais vou esquecê-la, mas terá de partir.

– Senhor?... – confusa, Isabella uniu as sobrancelhas sob a máscara.

Sem respondê-la, Edward se abaixou e segurou o tecido. Adivinhando sua intenção, Isabella moveu as pernas para que ele o afastasse. Ao levantar, o barão tinha o pano fortemente apertado em sua mão. Exibindo-o, indagou:

– Isto é importante para você? Sentiria a falta se o perdesse?

Ainda sem entender o que se passava, Isabella maneou a cabeça em negativa. Então conteve a respiração ao ver o barão simplesmente atirar o arremedo de vestido sobre as chamas da lareira.

– Oh! – Foi tudo que pôde exalar antes de ser novamente beijada.

A imagem das labaredas a envolverem o tecido negro se perdeu ao ter a língua capturada e ser erguida para o colo do barão. Abraçada a Edward com braços e pernas, ela se deixou ser levada até a cama, onde ele gentilmente a acomodou. Depois de afastar as bocas, sem deixar de olhá-la, Edward retirou suas botas, as meias. Despiu a calça e a ceroula.

Excitando-se mais ante a evidente admiração de seu presente, o barão aproximou-se e se ajoelhou. Depois de segurar um dos delicados pés, beijou-o demoradamente, então encarou a moça.

– Soube que você nunca amou ou foi amada... – disse roucamente, abstraindo-se do doloroso excitamento, beijou o outro pé ao vê-la assentir.

– Não havia como – Isabella conseguiu dizer, mesmo que a boca do barão agora desferisse beijos ao longo de sua perna, inflamando-a, impedindo que sucumbisse à emoção por ser tão bem tratada.

– Até essa noite – Edward garantiu. Sem cerimônia fez com que ela afastasse as pernas e beijou-lhe o alto da coxa. – Deixe-me demonstrar o quanto estou feliz com meu presente.

Sem mais palavras, Edward a beijou entre as pernas, profunda e intimamente. Travando os lábios para calar seus gemidos, Isabella tombou de costas e entendeu que naquela noite mais receberia do que daria. Conformando-se, ofereceu-se mais e mordeu o lábio inferior ao ter uma língua hábil em seu ponto mais sensível. Logo arqueou o dorso, apertando o lençol em seus punhos cerrados, sendo vencida pelo conhecido, porém estranhamente inédito orgasmo.

– Meu amor – gemeu o barão.

A vontade era acomodá-la em sua cama e amá-la como merecido, contudo não poderia; chegara ao limite. De todo modo, já fazia a diferença. Ciente da verdade, Edward trouxe seu adorável presente ao colo para nele afundar-se. Isabella gemeu e o abraçou com força antes de mover seu quadril repetidamente de encontro ao dele.

Edward apreciava o abraço, porém a afastou minimamente para ver-lhe o rosto enquanto se amavam. Queria guardar a imagem de Amber sendo sua; cada detalhe. Jamais esqueceria a boca entreaberta, a intensidade do olhar sob a máscara, os seios livres, a entrega evidente em cada gemido contido.

Com a mente nublada, sentindo o ardor voltar a inflamá-la, Isabella sequer lamentava a inversão de intenções. Quis agradar seu noivo, mas no momento queria apenas ter o que nunca experimentou ao se esconder em Amber.

Segurando-se nos ombros fortes, sustentado o olhar cerúleo, ela deu asas à imaginação e viu em seu noivo um cliente exclusivo de sua lista. O cliente mais amado, o mais desejado, o único que a tratou com respeito; que deu a ela o que nenhum outro foi capaz. Alguém absurdamente atencioso que mesmo naquele momento, quando os sentidos estavam à borda, segurava-a pelo quadril para limitar suas investidas, por certo para preservar a vida que havia nela.

– Senhor... – gemeu em agonia, agitada por tremores orgásticos.

Edward nada disse, resistindo ao desejo de abraçá-la ao acompanhá-la no gozo. Queria ter todas as reações. Ao dar-se por satisfeito, ainda trêmulo e arfante, retirou-se dela, mas não a afastou de seu colo. Com dedos incertos, de um em um, retirou os grampos que mantinham o elaborado penteado no lugar. Quando os cabelos negros emolduraram a máscara de borboleta, Edward escrutinou tão linda imagem e com resignação, com delicadeza, removeu-a.

Ainda a regular sua respiração, Isabella mirou a máscara na mão do barão e sorriu. Sentia-se realizada e também contente depois de comparar as ações. Daquela vez, ao soltar seus cabelos, não havia ressentimento ou ira, somente amor.

– Gostou de seu presente? – indagou ainda a sorrir; não conseguia evitar.

– Muito – Edward assegurou, porém não a acompanhou no humor, preocupando-a.

– O que houve?

– Sentiria falta disto? – Edward lhe exibia a máscara.

Ao entender o teor da pergunta, Isabella instintivamente olhou para a lareira. O tecido negro se tornou cinza e brasa sobre a madeira incandescente.

– Vai atirá-la ao fogo? – indagou à guisa de resposta.

– Se não se opor... – ele disse delicadamente. – Jamais saberá o quanto apreciei ter estado com ela, mas Amber deve partir. Não foi prudente trazê-la para cá e seria arriscado deixá-la ficar.

Como contestar depois de Leah ter descoberto a caixa onde guardava os pertences da borboleta? E diante de testemunhas! Na verdade, nenhum esconderijo seria seguro o bastante, considerou Isabella.

Da alegria a uma comoção inesperada, a moça recolheu a máscara da mão de seu noivo e a analisou demoradamente. Como ao deixar o bordel ela reconheceu que o disfarce também esteve presente em momentos divertidos de sua vida. Há poucos minutos, fora usado em um dos momentos que guardaria especialmente no coração. Então, sim, sentir-lhe-ia a falta, mas...

– Diga adeus a Amber, meu senhor.

Satisfeito, Edward sorriu e salientou:

– Sei que coloquei dessa maneira, mas é apenas a máscara, Bella... Sua Amber está aqui – tocou-lhe o peito na altura do coração, então indicou a própria cabeça e, matreiro, acrescentou: – E decididamente, por muito tempo, ela vai estar aqui.

E lá estava ela, sorrindo, apenas contente. Aceitando que aquela era uma representação material, a moça imitou o gesto do barão e atirou a máscara ao fogo. De imediato as chamas a envolveram. Até que esta fosse consumida por completo, nenhum dos dois nada falou.

– Bem... – Edward fitou sua noiva. – Já que agora estou com minha senhora, devo disser que hoje você se superou ao confundir-me. Nunca a considerei tão incoerente ao me pedir que não fosse até seu quarto.

– Estragaria a surpresa – Isabella comentou o óbvio, divertida. – E já que sou eu quem está aqui, devo lembrá-lo de que estamos no chão, em uma posição nada cômoda.

– Não a ouvi reclamar, minutos atrás – Edward troçou já afastá-la para que se levantassem.

– Não era eu, esqueceu? – indagou com o mesmo humor, antes de seguir até a bacia para assear-se.

– É um fato! Sempre irá me confundir... Certa vez você disse que, quando nos amamos na lagoa, estive com Cora. Então, agora posso dizer que estive com suas três versões...

– E envaidecer-se, pois fez as três muito felizes – sorriu mais, tomando a iniciativa de limpá-lo antes de si.

– A senhora igualmente deve alegrar-se, pois com três mulheres, como eu haveria de olhar para outra?

Isabella riu, divertida, atenta ao pano úmido que movia sobre o corpo do barão. No entanto, livre de sua vontade as consternações vieram mitigar-lhe o bom humor.

– O que houve? – Edward fez com que o encarasse, erguendo-lhe o queixo. – Falei algo que a desagradou?

– Não. Como poderia quando não me faz menos do que feliz? – Isabella não esperava resposta, então suspirou e disse: – Apenas não consigo esquecer a delicadeza de nossa situação por mais de alguns minutos... Disse que esteve com Carlisle?

– Está frio! – Edward confiscou o pano úmido e o atirou na bacia; limpar-se-iam depois, ele determinou. – Venha para a cama.

Isabella não objetou e em instantes ela estava aninhada entre os braços do barão, ambos cobertos. Sabia que não tinha muito a acrescentar, uma vez que ele estivera em Wisbury, com isso esperou que Edward falasse. Duvidava que em algum momento ele o fizesse, quando o ouviu:

– Por certo já sabe que comentam minha ida ao Jardim. – Isabella assentiu, deixando-o livre para que prosseguisse: – Sempre soubemos que aconteceria.

– Mas não precisava ser assim... Se...

– Nem mais uma palavra, Bella! – Apesar do tom amistoso, aquela fora uma ordem. – Nem se fosse possível retrocedermos essa situação haveria de mudar. Devemos ser fortes e lidar com o que vier da melhor maneira.

Isabella estremeceu ao que foi fortemente abraçada. Ao retribuir o abraço, rogou para que nada de mal acontecesse.

– Tenha fé que tudo acabará bem – ele disse como em resposta a um pensamento. – Agora, prefiro que me conte como foi o seu passeio ao banco. Seu coração se acalmou ao ver Sam e Angela?

– Sim... – ela sorriu. – Foi uma boa surpresa preparada por Carlisle.

– E posso ficar tranquilo de que não voltará ao Jardim?

– Até mesmo doei minha parte a Angela – Isabella revelou, não deixando passar que Edward se absteve de comentários sobre a boa ideia do banqueiro. Considerando-se inapta quanto àquele tema e decidida a afastar-se do amigo confuso, disse: – E gostaria de pedir a você que passasse a administrar duas propriedades que possuo em Wisbury, como suas...

– Aceito incluí-las em meus livros de registros para administrá-las, mas continuarão a ser suas – disse Edward, não surpreso de ela possuir alguma terra. Era algo que se esperaria de alguém como ela. Importava-o mais o real teor do pedido. – Está mesmo livre como um pássaro, não?

Isabella sorriu mais e, expulsando o resquício de temor, apoiou-se no peito do barão para encará-lo.

– Como uma borboleta – corrigiu. – A veste se foi, mas ela está aqui. E é toda sua, sempre que quiser.

– Folgo em saber – Edward acariciou-lhe o rosto emoldurado pelos cabelos negros em desalinho. – E nada me dará maior prazer do que tê-la quantas vezes quiser... Contudo, agora que é somente minha, no momento pedirei um beijo antes de dormirmos. Não sei quanto à senhora, mas anseio pelo dia de amanhã. Precisaremos de todas as nossas forças.

Em resposta, Isabella assentiu sempre a sorrir, então se precipitou para beijá-lo. Era sua intenção obedecê-lo, pois igualmente ansiava pela manhã seguinte, então foi com surpresa que o sentiu aprofundar o beijo e procurar por seu seio. Por um instante a moça quis questioná-lo, mas se calou.

Sempre que ele a quisesse, ela dissera.

Notas finais
E então? O que acharam? Eu particularmente estava louca por esse encontro entre barão e borboleta. Espero que tenham gostado... Bom final de semana... :)